Malafaia, o arrebentador

Marcelo Carneiro da Cunha, no Terra Magazine

Eleição, na teoria, era para ser uma disputa entre ideias diferentes, representadas por partidos e candidatos diferentes, apresentadas aos eleitores para que eles escolham o que acha melhor para sua cidade, estado, país, edifício, clube de futebol, ou presidente da associação de boliche do bairro.

Numa eleição em dois turnos, existe a vantagem extra de a gente poder olhar para várias escolhas, tipo gôndola em hipermercado, testar, cheirar, sacudir, colocar e tirar do carrinho, antes de eliminar a todos menos dois. Esses, agora finalistas, recebem tempo extra na tevê e toda a atenção do mundo para que deixem claro a que vieram, o que propõem, que planos mirabolantes podem ter para salvar a cidade do abismo, enfim, governar.

E para governar essa muita coisa chamada São Paulo, temos os candidatos José Serra em um canto do ringue, e Fernando Haddad do outro. Fortes candidatos, com fortes biografias, fortes apoios, e nada que diga que um ou outro, qual Russomanno, vieram de Marte diretamente para assustar as criancinhas no horário eleitoral. Serra e Haddad são pra valer.

E o que deveríamos esperar, portanto, seria o confronto entre um e outro, a comparação entre duas biografias – a de um veterano prefeito, ministro e governador versus a de um jovem e promissor ministro -, a comparação dos respectivos projetos, das respectivas visões, deles e dos seus partidos e aliados; a comparação do que a cidade ganha e perde com um e outro, para então cada eleitor ir até lá e pimba, cravar o seu voto.

No entanto, quem surge querendo ser arma secreta nesse processo, vindo diretamente de algum lugar escuro e assustador onde ele vive e exercita a sua, digamos, profissão, é o nosso estimado Silas Malafaia.

Silas Malafaia não é líder de nenhum partido, não é representante de nenhuma instituição republicana, não é um sujeito particularmente informado da vida paulistana, mas, por algum motivo que me escapa, se sente em condição de vir até aqui para definir a eleição para prefeito da maior cidade do Brasil. Mais: bom cristão, Malafaia cristãmente anuncia que vai arrebentar Haddad. Arrebentar, caros leitores eleitores.

Arrebentar, lá em casa, é algo que vilões fazem. Vilões arrebentam porque eles são isso mesmo, vilões.

Silas Malafaia, ao menos quando o vejo nos programas de tevê, me parece simplesmente um dos sujeitos mais desinteligentes da televisão brasileira, e olhem que estamos falando da televisão brasileira. Aberta.

Ainda assim, ele se considera no direito e em condições de vir até São Paulo arrebentar um dos nossos candidatos a prefeito. E eu pergunto aqui aos meus estimados leitores eleitores: quem deixou? Quem mandou? Quem pediu?

Eu vivo em São Paulo e nunca me senti precisando de sugestões de qualquer pastor especializado em gritarias para escolher o meu prefeito. São Paulo não me parece uma cidade que dê muita bola para o que um Silas Malafaia tenha a dizer. Tudo que eu o vi fazer até hoje foi babar, soprar, gritar, e casa alguma cair. Estou enganado?

Então, como esse sujeito se acha no direito de vir até aqui arrebentar um dos nossos candidatos a prefeito? Eu não acredito que ele tenha o direito de arrebentar qualquer um dos nossos candidatos, e acredito que a única coisa que ele pode arrebentar é uma artéria, berrando daquele jeito, com aqueles olhos de quem viu a bomba.

Malafaia quer arrebentar Haddad porque no Ministério da Educação foi desenvolvido um material de combate ao bullying contra meninos e meninas gays nas escolas públicas. Malafaia quer arrebentar um ministro que combateu a discriminação e a intolerância nas escolas. Malafaia quer dizer à cidade mais tolerante e diversa do Brasil que um ministro que combate a intolerância não pode ser prefeito, justamente de São Paulo.

Pois vou fazer uma previsão aqui, diante dos meus milhares de estimados leitores: vamos ver um burro dando com os burros n´agua. Essa cidade recebe a todos, lida com o todo, aceita a todos, especialmente os que venham pra cá dispostos a gostar dela e nela trabalhar e viver, tornando-se assim, tão simplesmente, mais um paulistano, orgulhoso da sua cidade e da maior riqueza que ela possui, e que é a sua gente, mesmo que nem sempre admita isso em público.

Malafaia diz que vai arrebentar um dos candidatos a prefeito da minha cidade. Pois eu acho que ele vai dar de nariz já em um vidro do aeroporto em Congonhas e a experiência pode ser dolorosa.

Minha sugestão ao Grande Arrebentador é que não venha, não tente fazer isso na minha, na nossa cidade. A vítima, estimado Malafaia, pode ser você. E vai ser você.

Fica a dica.

charge: Humor.com Nerly

dica do João Marcos

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Apesar de aliança, Serra tenta se desvincular de pastor Silas Malafaia

Ele (Malafaia) pediu para avisar que não vê problema em você se desvincular dele nas entrevistas, dizia o texto recebido por Serra em seu tablet. Foto: Renan Truffi/Terra
“Ele (Malafaia) pediu para avisar que não vê problema em você se desvincular dele nas entrevistas”, dizia o texto recebido por Serra em seu tablet

Renan Truffi, no Terra

Os ataques do pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ao candidato do PT, Fernando Haddad, acenderam o sinal amarelo na campanha do tucano José Serra (PSDB-SP). O líder evangélico voltou a criticar o petista neste segundo turno por causa do kit anti-homofobia, material didático criado na época em que o candidato era ministro da Educação com o objetivo de orientar alunos da rede pública sobre a homofobia .

A última declaração polêmica do líder evangélico Silas Malafaia foi divulgada em um vídeo na quinta-feira, no qual o pastor responde à acusação de Haddad de que estaria sendo usado por Serra para ofender o petista. “Quero dar uma resposta ao candidato Haddad quando deu uma declaração estúpida ao dizer o candidato José Serra está instrumentalizando a religião contra ele. Eu quero mostrar que ele está tremendamente equivocado. As pessoas precisam entender que estamos em um estado democrático de direito e qualquer pessoa é livre para manifestar opinião, independentemente de convicção filosófica, política ou religiosa”, diz Malafaia.

“Nunca usei Deus para dizer que um candidato é do diabo e outro de Deus. Nunca uso igreja, igreja não tem titulo de eleitor, igreja não vota. Tanto pra católicos, como para evangélicos, igreja é uma instância espiritual acima disso. Quando eu estou falando é como cidadão. (…) Igreja não apoia ninguém, quem apoia sou eu”, afirmou o pastor em outro trecho do vídeo.

Antes disso, na terça-feira, Malafaia disse ao jornal Folha de S.Paulo que iria “arrebentar” com Haddad nas eleições. “O Haddad já está marcado pelos evangélicos como o candidato do ‘kit gay’. Não vamos dar moleza para ele. Haddad pode até ganhar, mas não com os votos dos evangélicos”, atacou, depois de declarar apoio a Serra.

Ainda que os ataques do pastor influenciem o voto no segmento evangélico, já que a denominação Assembleia de Deus tem cerca de 12 milhões de fieis no Brasil, a “radicalização” de Malafaia preocupou os tucanos, como se referiu um dos integrantes da campanha. No mesmo dia do ataque a Haddad, a reportagem do Terra flagrou um recado deixado pela assessoria para o Serra em um tablet. “Sobre o Malafaia, ele pediu para avisar que não vê problema em você se desvincular dele nas entrevistas”, dizia o texto.

Depois de receber o aval, Serra procurou se descolar de seu aliado na conversa que teve com os jornalistas, após caminhada pelas ruas de Pirituba, zona norte da capital paulista. “Eu não assumi nenhum compromisso com o pastor Malafaia. Ele não pediu nada em troca. As várias questões que ele coloca (como o kit anti-homofobia) não são parte da campanha. Ele quis me apoiar, eu aceito”, disse.

A estratégia é confirmada por alguns membros da campanha de Serra que não quiseram se identificar. De acordo com um deles, “não dá para controlar o Malafaia”. E a intenção é não “incorporar isso na campanha”. Outro integrante do partido disse que o recado ao pastor foi passado. “Se você quer radicalizar, o problema é seu”, explicou. Além disso, há a preocupação de que o candidato do PSDB não seja citado nos vídeos do líder evangélico. “Parece que ele não vai falar no Serra (nos ataques)”, contou.

O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo negou à reportagem que tenha combinado com Serra para fazer as críticas mais pesadas enquanto o candidato do PSDB faz uma “campanha limpa”. “Não sou moleque de recados de ninguém. Sou um líder evangélico e não vou me prestar a jogo sujo”. Mas disse que avisou o tucano, em reunião, que ele não precisa “dar amém” para todas suas críticas a Haddad. “Eu vou fazer minhas colocações e você não é obrigado a dizer amém”, avisou para Serra.

Esta não é a primeira vez que Malafaia sai em defesa de Serra. Em 2010, o pastor também fez campanha para o tucano, que disputava à presidência com a então candidato do PT, Dilma Rousseff. Na época, o líder evangélico dizia que era contra Dilma por causa de sua posição sobre o aborto.

Foto: Renan Truffi/Terra

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Hulk esmaga. Silas Malafaia arrebenta

O pastor Silas Malafaia é um dos maiores críticos do projeto do kit anti-homofobia do Ministério da Educação (MEC). Foto: Agência Brasil

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

O líder da Igreja Vitória em Cristo é conhecido por declarações polêmicas na defesa de uma visão conservadora de mundo – na minha opinião, é claro. Seus discursos, não raras vezes, ultrapassam o limite da responsabilidade, confundindo liberdade religiosa e de expressão com uma guerra intolerante de ódio à diferença.

Em novembro do ano passado, disse que iria “funicar” (sic), “arrombar” e “arrebentar” Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Ficou insatisfeito por conta de um de seus discursos ter sido usado em um vídeo que discute a violência contra homossexuais.

Agora, de acordo com a Folha de S.Paulo, ele promete “arrebentar” o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo por conta do material anti-homofobia que seria distribuído às escolas pelo Ministério da Educação e foi bloqueado por Dilma Rousseff após críticas da bancada de religiosos no Congresso Nacional. O candidato do PSDB, que conta com o apoio de Malafaia, afirmou que não repercutiria as “bobagens” ditas pelo pastor.

Como já disse aqui, líderes religiosos dizem que não incitam a violência. Mas não são suas mãos que seguram a faca, o revólver ou a lâmpada fluorescente, mas é a sobreposicão de seus argumentos e a escolha que faz das palavras ao longo do tempo que distorce a visão de mundo dos fiéis e torna o ato de esfaquear, atirar e atacar banais. Ou, melhor dizendo, “necessários”, quase um pedido do céu. Suas ações alimentam lentamente a intolerância, que depois será consumida pelos malucos que fazem o serviço sujo.

Malafaia tem uma fixação com a palavra arrebentar. Por que ele não diz que vai desmascarar ou revelar seus adversários? Acima de tudo, proclama-se um homem de Deus.

Um inquisidor, como Torquemada? Um cruzado, talvez? Com a cruz em uma mão e uma espada na boca?

Foto: Agência Brasil

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Incríveis reações de noivos vendo suas futuras esposas pela primeira vez

Publicado originalmente no Idea Fixa

Casamento, aquela instituição falida. Mas essas fotos dos noivos vendo suas futuras esposas pela primeira vez podem até te emocionar.

A mulherzinha dentro de mim se emocionou com quem toma a decisão acreditando que pode dar certo.


Fonte: www.andrialindquistblog.com


Fonte: www.sarahculver.com


Fonte: www.kylehepp.com


Fonte: www.featherandstone.com.au


Fonte: www.jennydemarco.com


Fonte: www.blog.thebecker.com (mais…)

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Venda de ruas à Igreja Batista da Lagoinha é suspensa em Belo Horizonte

Tribunal de Justiça manda a Câmara de Belo Horizonte paralisar projeto de lei que permite construção de um templo evangélico em área pública na Região Nordeste

Trecho da rua Ipê com ruas Samuel Salles e Serra Negra, na Região Nordeste, que daria lugar a um novo templo da Igreja Batista da Lagoinha.

Alice Maciel, no Estado de Minas

A Câmara Municipal de Belo Horizonte terá de suspender a tramitação do Projeto de Lei 1802/2011, que prevê a venda de três ruas no Bairro São Cristóvão, na Região Nordeste, para dar lugar a um novo templo da Igreja Batista da Lagoinha, conforme determinação de decisão liminar do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A proposta foi aprovada em segundo turno em agosto, com 23 votos favoráveis. Além da venda do espaço público, estão em jogo duas casas localizadas na Rua Ipê que ficariam ilhadas com a construção do templo, conforme mostrou com exclusividade o Estado de Minas.

A decisão, publicada no dia 20, teve como base um mandado de segurança impetrado pelo vereador Iran Barbosa (PMDB), que diz haver vícios no projeto por não ter ficado claro no texto a presença de casas em uma das ruas a serem vendidas. A justificativa do texto diz que os trechos “estão totalmente inseridos no perímetro de área particular de propriedade da Igreja Batista da Lagoinha não sendo utilizados para nenhum fim”. A intenção seria  construir no trecho da Rua Ipê e nas ruas não implantadas Serra Negra e Samuel Salles Barbosa um novo templo, com capacidade para 30 mil pessoas.
O presidente da Câmara, vereador Léo Burguês (PSDB), disse não ter recebido ainda a notificação da Justiça, por isso, a proposta foi enviada nesta semana ao Executivo para veto ou sanção, mas agora terá de voltar ao Legislativo. “Não acredito que a matéria tenha vícios”, acrescentou o tucano. O autor da proposta, vereador João Oscar (PRP), que é membro da Igreja Batista da Lagoinha, afirmou que também não foi informado da decisão do Tribunal de Justiça. De acordo com ele, o projeto não propõe “a desapropriação de ninguém”. “É um projeto ‘autorizativo’ na permuta ou compra do terreno. Fica a cargo do Executivo se manifestar”, ressaltou.
O projeto de lei que beneficia os evangélicos estabelece o parcelamento do pagamento, com correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e juros de 1% ao mês. A proposta de João Oscar também autoriza o município a receber como pagamento pelo terreno ocupado um imóvel de valor menor, desde que a diferença em relação ao preço da área vendida seja paga pelo comprador.


Confusão

O parlamentar que pediu a suspensão da tramitação da matéria deu voto favorável a aprovação dela em segundo turno. Iran disse que saiu do plenário quando estavam discutindo outra matéria e, quando voltou, não percebeu que já estavam votando do projeto de lei que prevê a venda das ruas, ressaltando que foi uma confusão.

“Você não pode vender rua onde moram pessoas. Não era isso que falava no projeto. Muitas pessoas votavam achando que era um pedaço de terreno baldio”, acrescentou. O parlamentar explicou que o Legislativo terá de apresentar defesa e, caberá à Justiça definir se suspende de vez a proposta.
Apesar de a Lei Orgânica da capital prever que cabe ao prefeito a administração dos bens municipais, tendo suas decisões apenas endossadas pelo Legislativo, um projeto parecido com o do vereador João Oscar já passou na Casa. De autoria do vereador Silvinho Rezende (PT) e de cinco colegas, o projeto que virou lei em 2011 doou um terreno da prefeitura para a Matriz de Santo Antônio, em Venda Nova. Na justificativa, Silvinho destaca que a instituição “apresenta um núcleo de formação cristã, humanística e de cidadania”.

dica do Thiago Ferreira de Morais

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