Sou cristão, mas não deixo de ser humano

Renan Porto, no Blog do Fale

“Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças.” (Mt 9:35)

Neste link da ABUB sobre o CONJUVE, diz que “a própria Bíblia nos mostra o quão integral – e até mesmo plural – era o ministério de Jesus. O texto de Mateus segue dizendo que Jesus teve compaixão das multidões. As ações de Jesus refletem algumas importantes dimensões da nossa co-missão à luz do Reino de Deus. De acordo com o texto bíblico é preciso percorrer cidades e povoados, ensinar, pregar as boas novas e curar TODAS as enfermidades!”

Não somos constituídos apenas de espírito. Somos humanos, pensadores, amantes, trabalhadores, estudantes, cidadãos, filhos, amigos, irmãos, namorados, músicos, vítimas, protagonistas de mudanças, etc. Não somos deste mundo, mas, estamos neste mundo. Como cristãos, imitadores de Cristo, cabe a nós o papel não só de evangelizar, mas, também, de difundir a cultura cristã à sociedade. Afinal, estamos inseridos nela.

Infelizmente, a grande maioria dos cristãos se prendem à igreja, mas apenas à igreja. Esquecem de que o mundo material está totalmente envolvido com o mundo espiritual, exercendo influências e, ao mesmo tempo, sendo influenciado. O mundo material é formado pela exteriorização das ideias e sentimentos humanos, que por sua vez, tambem são influencias do mundo espiritual.
A própria Bíblia nos diz isso em Lucas 6:43 a 45:
“Porque não há árvore boa que dê mau fruto, nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois dos espinheiros não se colhem figos, nem dos abrolhos se vindimam uvas.
O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do seu mau tesouro tira o mal; pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.”
Ou seja, assim como a arvore exterioriza em forma de frutos, a essência de sua espécie, o que tem dentro dela, devemos faze-lo também.

A sociedade é influenciada por diversas correntes ideológicas. Muitas dessas ideologias trazem para o meio social valores distorcidos do que realmente é bom e agradável para a humanidade. Nós, cristãos, devemos estar atentos a combater tais distorções de valores e transmitir para o meio em que vivemos aquilo que realmente é importante para o desenvolvimento social e integridade do ser humano.

Nós vivemos em um tempo regido pelo pós-modernismo, que dita valores como o egoísmo, a valorização e independência do “eu”, a busca pelo prazer a qualquer custo, o relativismo e a liberdade de pensamento, mesmo que estes sejam totalmente nocivos ao convívio social. Existe uma batalha constante entre egos. O desejo particular de muitos é colocado acima do bem comum de todos. O homem só se manifesta quando a sua atmosfera particular é atingida. Ele só luta por algo quando vê para si algum benefício. E assim, aos poucos o mundo vai se autodestruindo.

É importante o nosso envolvimento em todas as áreas sociais, tais como a saúde, política, economia, educação, etc.  Devemos estar buscando o nosso espaço na política, nas universidades, na família, etc, através da participação em partidos, projetos sociais, campanhas, grupos da universidade, sindicatos e outras organizações. Não podemos ver o mundo cair em um caos moral. Devemos assumir nosso papel como seres sociais e, principalmente, como cristãos. A mudança virá a partir do momento em que sairmos da nossa zona de conforto e passarmos a ser conscientes de que não vivemos sozinhos aqui, vivemos em comunidade.

Portanto, acorde, pense, mova-se, una-se, ame, não só viva, exista !
Você tem uma responsabilidade para com o reino de Deus e você um dia será cobrado.

Renan Porto é estudante de Direito na UNIUBE e faz parte da ABU Uberaba e da Rede FALE.

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Arquitetura incomum de igrejas

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© Catedral de São Basílio, Moscovo (Wikicommons, Joaquim Alves Gaspar).

Bianca Vale, no Obvious

Os edifícios ligados à função religiosa variam em sua concepção e forma, de uma maneira geral, segundo alguns valores comuns, como economia, cultura sociedade e política. Porém, algumas obras vão além e se destacam das demais, ora pelo esplendor arquitetônico, ora pela estranheza e singularidade.

A arquitetura das igrejas, além de ser resultado da gama de fatores já citados, está impregnada de significados simbólicos que visam uma representação da espiritualidade humana. Mas ao mergulhar-se nas histórias das construções dos edifícios religiosos é possível encontrar, além de fé, histórias que envolvem lendas, arquitetos obcecados e alguma decoração assustadora.

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© Catedral de São Basílio, Moscovo (Wikicommons, Alexander Evstyugov-Babaev).

Exemplo singular é a Catedral de São Basílio, um dos símbolos da cidade de Moscou. Construída há mais de 450 anos sob as ordens do czar Ivan, o Terrível, a igreja já foi chamada de “mistura de Disneylândia com Igreja Ortodoxa” por causa de suas cúpulas coloridas construídas em forma de uma fogueira ascendendo ao céu. Existe uma lenda que diz que após a construção o czar Ivan ordenou que os olhos do arquiteto Postnik Yakovlev fossem arrancados para evitar que ele construísse algo mais majestoso que a catedral. Lendas à parte, a catedral, pertencente à Igreja Ortodoxa Russa, resistiu a um ataque de Napoleão, que tentou fazê-la explodir, e a planos comunistas de demolição. O desenho arquitetônico foi idealizado para que a catedral fosse uma figuração da Nova Jerusalém, o reino celestial descrito no Livro das Revelações de São João. Em contraste com seu exterior extravagante, o interior se apresenta bastante modesto. Complexa, intrigante, exagerada, bela… São apenas alguns dos adjetivos usualmente associados à obra mas, se não há um consenso sobre o seu aspecto formal, é inegável que ela é uma forte imagem, talvez um dos maiores símbolos associados a Moscou.

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© A Sagrada Família, Barcelona (Wikicommons, Montse Poch).
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© A Sagrada Família, Barcelona (Wikicommons, Montse Poch).

Ainda mais monumental que a catedral de Moscou, em Barcelona, Espanha, encontra-se talvez um dos mais famosos exemplares da arquitetura religiosa, o Templo Expiatório da Sagrada Família, considerado a obra prima de Antônio Gaudí. Se a igreja espanhola é formalmente diferente da catedral russa, talvez sua história seja igualmente complexa. O projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí, que o reformulou no ano seguinte e que continuou pelos seus últimos 40 anos se dedicando à construção. Mas a Guerra Civil Espanhola interrompeu as obras em 1929 e a previsão é de que a catedral seja concluída até 2026, ano do centenário da morte de Gaudí. Um dos monumentos mais importantes da Espanha, a catedral merece classificações que variam de genial a produto da obsessão do arquiteto catalão.

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© Notre Dame Du Haut, Ronchamp (Wikicommons).

De encontro ao rebuscamento e extravagância da catedral russa e da catedral catalã, na cidade de Ronchamp, França, localiza-se um exemplar da arquitetura religiosa projetada por Le Corbusier, um dos arquitetos mais extraordinários do século XX: a Capela Notre-Dame du Haut (Nossa Senhora das Alturas). Quando convidado a projetar a igreja, o arquiteto obteve carta branca para criar. O cônego responsável indagou-o: “Não sei se estás acostumado a projetar igrejas, mas se vais construir uma, então as condições oferecidas em Ronchamp são ideais. Não é uma causa perdida: estarás livre para criar o que quiseres” – e assim Le Corbusier fez. O arquiteto desenhou a capela de modo que ela se tornasse um marco na paisagem, mas que mantivesse um diálogo com o espaço circundante. Assim, é possível visualizá-la de qualquer lado que se chegue. Notre-Dame du Haut possui uma sinuosa cobertura de concreto e paredes brancas com aberturas estratégicas que criam efeitos de luz e sombra que estimulam a experiência do visitante. A arquitetura de Le Corbusier para Ronchamp consegue algo que se aproxima da experimentação do sagrado. Mas se a igreja francesa não chama atenção pelo exagero, a sua construção não deixou de ser controversa: chegou a ser chamada de ‘garagem eclesiástica’ e ‘amontoado de concreto’ por romper com padrões arquitônicos (e religiosos) tradicionais.

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© Catedral de Brasília, Brasília (Wikicommons, Agência Brasil).
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© Catedral de Brasília, Brasília (Wikicommons, Eduardo Deboni).

Seguindo ainda a tríade ousadia estrutural – simplicidade – concreto se encaixam duas igrejas do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. A primeira é a Catedral de Brasília, considerada uns dos ícones do modernismo brasileiro, inaugurada em maio de 1970. Sua cobertura é recoberta por vitrais projetados por Marianne Peretti, intercalados entre seus 16 pilares de concreto, que proporcionam um efeito de luz que a distancia das tradicionais catedrais escuras. Além das quatro esculturas em sua praça de acesso (os quatro evangelistas) e das três em seu interior (três anjos suspensos), outro elemento que a torna peculiar é a presença de um campanário anexo, diferente das torres sineiras tradicionais.

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© Igreja da Pampulha, Belo Horizonte (Wikicommons, Bernardo Gouvêa).
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© Igreja da Pampulha, Belo Horizonte (Wikicommons, Sarah and Iain).

A segunda faz parte do Complexo da Pampulha localizado na cidade de Belo Horizonte – é a Igreja de São Francisco de Assis, ou simplesmente Igreja da Pampulha. Inaugurada em 1943, a Igreja representa um ícone da arquitetura que recorre à plasticidade do concreto armado. Com sua abóboda em forma de parábola, que é ao mesmo tempo estrutura e fechamento, com painéis de Cândido Portinari, jardins de Burle Marx e Alfredo Ceschiatti, encanta arquitetos e amantes da arte de todo o mundo. Mas se hoje a igreja é um dos cartões-postais de Belo Horizonte, no início chocou a sociedade tradicional da época, o que gerou a proibição durante quatorze anos de realização de cultos em seu interior.

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© Capela dos Ossos, Évora (Wikicommons, Nuno Sequeira André).
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© Capela dos Ossos, Évora (Wikicommons, Nuno Sequeira André).

 

Se algumas igrejas chocaram pela aparente ousadia de romper com padrões arquitetônicos tradicionais e se apresentarem à frente de seu tempo, outras geram comoção pela estranheza de alguns de seus “elementos”. Esse é o caso da Capela dos Ossos situada em Évora, Portugal. A capela, construída no século XVII, possui suas paredes e pilares recobertos com ossos, iniciativa de três monges para demonstrar a transitoriedade da vida. A mensagem é reforçada pelas pinturas com temas de morte e com a célebre inscrição na sua entrada “Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos”.

A capela de Santa de Cruz, no Arizona, EUA, a Igreja luterana em Reykjavik, na Islândia, a capela de St Michael de Ainguilhe, em Puy Velay, França, a catedral católica ucraniana de São José, em Chicago, a catedral de Nossa Senhora de Las Lajas, na Colômbia, a igreja do Jubileu em Roma, e as aqui já citadas são apenas alguns exemplos de que a arquitetura religiosa pode render muitas histórias que vão além da fé.

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Pare de ensinar a ética de Jesus

Por Peter Rollins
Tradução de Nelson Costa Jr.

Há uma forte tendência entre os freqüentadores de igreja de extrair, e ensinar a estrutura ética encontrada nos Evangelhos. Em algum momento, por exemplo, as pessoas organizam uma comunidade aonde elas tentam viver certos princípios como ajudar alguém em necessidade, dar a outra face para bater, e viver de forma simples.
Há no entanto, um certo número de problemas inter-relacionados com esse tipo de abordagem. Em primeiro lugar, tende a gerar culpa. Em outras palavras, quanto mais seguramos certos princípios, maior é a tendência de nos sentirmos culpados quando falhamos.
Isto nos leva a um segundo problema denominado por repressão. A fim de lidarmos com a culpa, passamos a evitar o confronto direto com nossas falhas. Desta forma, negamos intelectualmente o que estamos fazendo.
Uma das minhas parábolas favoritas, é aquela em que um rei retorna à sua casa um certo dia, e encontra um mendigo na frente de seus portões. Ao ver o pobre homem em trapos, o rei corre para o palácio e convoca um de seus servos, e diz: “Há um mendigo lá na entrada do palácio, retire-o de lá imediatamente! Você não sabe que sou um homem muito bom e compassivo a ponto de não poder olhar par tal sofrimento?”
Esta é lógica banal que brincamos diariamente: “Não me mostre a sujeira que ocorre nas indústrias de lacticínios pois, eu amo tanto os animais que não suporto ver tanta dor”. “Não me diga aonde esta roupa foi feita porque não posso nem imaginar se ela é produto do trabalho escravo”. Aqui, nossas” crenças “são nada mais do que uma forma de incredulidade – são histórias que contamos a nós mesmos, sobre nós mesmos, a fim de evitarmos a verdade. É incredulidade porque é totalmente firmada naquilo que acreditamos, e porque de certa forma mascara o que realmente acreditamos – Este assunto sobre incredulidade, é algo que irei abordar no meu próximo livro “A idolatria de Deus”.
Finalmente, isso nos leva ao sintoma. Em outras palavras, somos capazes de manter a atitude que expressivamente condenamos, sem realmente sermos confrontados diretamente por elas. Só dai percebemos o quanto algumas organizações defendem conscientemente as piores, e mais destrutivas estruturas éticas – o lado sombrio do abuso sexual na Igreja Católica pode ser um dos exemplos.
Esta foi a visão que Paulo teve sobre a lei. Ou seja, quanto mais evitarmos a imoralidade por causa da moralidade, maior será a imoralidade. Quanto mais alto for o “Não”, maior será a tentação de transgredir o “Não”. O resultado é a culpa. A culpa que é gerada através da repressão, e a repressão que, por sua vez, empurra nossas ações destrutivas para o inconsciente, aonde se manifesta em nossas ações clandestinas – i.e. sintomas.
Logo, qual seria a alternativa para tentar manter os princípios éticos? A resposta estaria na criação de um espaço de graça, ao qual nos convida a expor nossas trevas – uma comunidade que não condena nossas ansiedades, ou muito menos nos exige mudança. Em suma, um lugar onde podemos confrontar nossa humanidade ao invés de fugirmos dela.
O segredo está em criar uma atmosfera de graça, amor e aceitação, aonde as pessoas não ficam dizendo às outras o que fazer, mas, aprendem a heresia que ensina embora nem tudo convém, tudo é permitido. Em outras palavras, ainda que haja comportamentos destrutivos, eles podem ser trazidos para luz sem medo ou condenação. Em tal ambiente, ações éticas irão emanar do corpo, como o calor emana da luz. Não será necessário ensinar o zelo obrigatório porque será mais fácil se inclinar ao cuidado.
O desejo de seguir regras éticas possui a tendência de proibir. Isso cria um espiral de culpa, repressão, e negação sintomática. Em contraste, ao colocarmos de lado o estabelecimento de tais preposições éticas, aprenderemos a aceitar o outro e a nós mesmos em graça, e a abrir caminhos para as mesmas preposições que colocamos de lado.

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Assembleia de Deus espera eleger mais de 5.600 vereadores em outubro

Culto do pastor Abner Ferreira, da Assembleia de Deus em Madureira, no Rio
Culto do pastor Abner Ferreira, da Assembleia de Deus em Madureira, no Rio

Denise Menchen e Fabio Brisolla, na Folha de S.Paulo

Igreja que mais cresce no Brasil e com a maior representação na bancada evangélica do Congresso, a Assembleia de Deus tem como meta eleger um vereador em cada uma das 5.565 cidades brasileiras.

Para isso, a igreja cita o Censo. Dos 42 milhões de evangélicos, 12 milhões são da Assembleia, 4 milhões a mais do que em 2000.

Essa parcela já encontra ressonância política. Dos 76 deputados federais da Frente Parlamentar Evangélica, 24 são da Assembleia de Deus.

“Temos igrejas em 95% das cidades. Isso favorece a divulgação dos candidatos”, diz o pastor Lélis Marinhos, presidente do conselho político nacional da Convenção Geral das Igrejas Assembleia de Deus no Brasil (CGIADB).

As ações dos mais de 100 mil pastores da Assembleia estão subordinadas a duas organizações: a CGIADB e a conhecida como Ministério de Madureira, no Rio de Janeiro.

As duas seguem a mesma doutrina e adotam estratégias eleitorais separadas, mas atuam em bloco no Congresso.

O investimento na política é parte de uma transição em curso na Assembleia. “Antes, ouvir rádio ou ver TV era pecado. Hoje entendemos que são veículos extraordinários para pregar o evangelho”, diz o pastor Abner Ferreira, da Convenção Nacional.

As concessões de TV e rádio estão na pauta dos parlamentares da bancada. Outra prioridade é lutar contra temas criticados pela doutrina, como o aborto.

“A Assembleia de Deus atrai fiéis com o discurso da austeridade, da defesa da família”, diz o cientista político Cesar Romero Jacob, autor do “Atlas da Filiação Religiosa”.

foto: Daniel Marenco/Folhapress

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