Reino Unido proíbe ensino do criacionismo como teoria científica em escolas públicas

A Criação de Adão, de Michelangelo Buonarotti.
A Criação de Adão, de Michelangelo Buonarotti.

Colégios também terão que seguir currículo nacional que prevê ensino da Teoria da Evolução nas séries iniciais

Publicado em O Globo

RIO – O governo do Reino Unido proibiu o ensino do criacionismo como teoria científica em escolas e universidades públicas. A decisão faz parte de um documento oficial que estabelece novas diretrizes para unidades de ensino vinculadas às igrejas, em prol de um “currículo mais amplo e equilibrado”. Colégios também terão que começar a ensinar a Teoria da Evolução nas séries iniciais.

As cláusula referente ao criacionismo diz que essas teorias são rejeitadas pelas próprias igrejas, assim como por pesquisadores. Além disso, como não estão de acordo com as evidências e consensos científicos, “não devem ser apresentadas aos alunos como uma teoria científica”.

O documento considera como criacionismo “qualquer doutrina ou teoria que sustenta que os processos biológicos naturais não podem explicar a história, a diversidade e a complexidade da vida na Terra e, portanto, rejeita a teoria científica da evolução”.

A crença religiosa segundo a qual a vida e o planeta Terra teriam sido criados por Deus em seis dias vem alimentando polêmica em diversos países nos últimos anos. Em alguns casos, a teoria chegou a ganhar novas roupagens, como o chamado “design inteligente”. Em resposta, cientistas passaram a defender que a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, fosse ensinada às crianças a partir dos cinco anos.

TEORIA DA EVOLUÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS

O diretor de assuntos públicos da Associação Humanista Britânica, Pavan Dhaliwal disse ao site britânico “Politcs”, que “juntamente com esta medida, as escolas devem seguir o currículo nacional, que a partir de Setembro irá incluir um módulo sobre a Teoria da Evolução no nível primário”.

O assunto também tem sido amplamente discutido nos Estados Unidos, onde, de acordo com jornal “Huffington Post”, milhares de escolas que recebem financiamento público ainda ensinam o criacionismo como uma “alternativa” à Teoria da Evolução.

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Papa excomunga máfia italiana por ‘adoração do mal’

Papa faz sermão a prisioneiros na Calábria, muitos dos quais condenados por envolvimento com a máfia
Papa faz sermão a prisioneiros na Calábria, muitos dos quais condenados por envolvimento com a máfia

O papa Francisco condenou neste sábado a máfia italiana pelo o que chamou de “adoração do mal” em uma missa na região da Calábria.

Publicado na BBC Brasil

A Calábria, no sul da Itália, é considerada a base da organização criminosa ‘Ndrangheta, uma das mais influentes do país. O pontífice também excomungou os gângsteres.

Mais cedo, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com um homem cujo filho de três anos foi morto em um aparente “acerto de contas” envolvendo o não pagamento de uma dívida de drogas.

Durante seu discurso, o papa criticou repetidamente o crime organizado e a corrupção.

Em frente a centenas de milhares de pessoas, ele descreveu a ‘Ndrangheta como “adoração do mal e do desprezo do bem comum”.

“Aqueles que em suas vidas seguem o caminho do mal, como os mafiosos, não estão se comunicando com Deus”, disse o papa, de acordo com a agência de notícias Reuters. “Eles estão excomungados”.

Encontro com prisioneiros

A ‘Ndrangheta é composta por uma rede de pequenas organizações criminosas no sul da Itália que domina o comércio de cocaína do país.

Trata-se de uma das mais poderosas máfias da Itália, ao lado da siciliana Cosa Nostra e da napolitana Camorra.

Papa visita Calábria | Crédito: Getty
Papa cumprimentou fiéis após missa na Calábria, no sul da Itália

Na manhã deste sábado, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com familiares presos de “Coco” Campolongo, um menino de três anos que foi assassinado junto de seu avô na Calábria.

“Nenhuma outra criança deve sofrer dessa maneira novamente”, afirmou o pontífice.

O argentino também se encontrou com centenas de outros prisioneiros da penitenciária de Castrovillari, muitos dos quais foram condenados por crimes relacionados à atuação na máfia.

Segundo a agência de notícias AFP, muitos dos prisioneiros choraram quando foram cumprimentados pelo papa.

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As denúncias de envolvimento do pastor Marcos Pereira da Silva com o narcotráfico

FRAUDE O pastor Marcos num culto. Ele é acusado de fomentar rebeliões para, depois, ser chamado como mediador (Foto: Felipe Varanda /Folhapress)
FRAUDE
O pastor Marcos num culto. Ele é acusado de fomentar rebeliões para, depois, ser chamado como mediador (Foto: Felipe Varanda /Folhapress)

O líder religioso enfrenta denúncias de ligação com o narcotráfico – uma delas envolve o deputado Anthony Garotinho

Hudson Corrêa, na Época

Era madrugada de domingo, a poucas horas das eleições de 3 de outubro de 2010. No Rio de Janeiro, o pastor evangélico Marcos Pereira da Silva e os líderes de sua igreja – a Assembleia de Deus dos Últimos Dias – estavam insones. Naquela madrugada, de acordo com um depoimento feito por uma testemunha à Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) – mantido sob segredo de Justiça e revelado por ÉPOCA com exclusividade –, o pastor Marcos se reunira com o ex-governador Anthony Garotinho, então candidato a deputado federal pelo Partido da República (PR). Segundo o depoimento, os participantes da reunião decidiram que Marcos e seus seguidores iriam ao bairro da Vila Cruzeiro combinar com traficantes ataques em diversos locais da cidade. A ação visava atrapalhar a reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB), que prometia mais rigor contra o tráfico. Ainda de acordo com o depoimento, Marcos recebia dinheiro de traficantes para fazer cultos nas favelas e temia perder essa renda.

Procurado por ÉPOCA, Garotinho não respondeu se participou da reunião. Quatro dias após as eleições de 2010, ele previu em seu blog que uma onda de violência tomaria as ruas do Rio de Janeiro. “A farsa da pacificação acabou. Agora, salve-se quem puder e que Deus nos proteja”, escreveu ele. A premonição de Garotinho se confirmou. Atos isolados de violência iniciados logo após as eleições, como arrastões e tiroteios de menor proporção, aumentaram nas semanas seguintes, até chegar a um clima de terror no final de novembro de 2010, com carros e ônibus incendiados, confrontos com a polícia e mais de 30 mortos. De acordo com o depoimento, o pastor Marcos dizia ter autorização do traficante Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP – preso desde 1996 e chefe de uma facção criminosa –, para sabotar a pacificação do Rio de Janeiro.

A testemunha que relatou a reunião é um ex-funcionário do pastor Marcos: Alex Ramos de Mesquita. Ele prestou depoimento à Dcod no dia 7 de março de 2012. Embora sem vínculo empregatício formal, Alex filmava cultos religiosos e dormia na igreja comandada pelo pastor Marcos. Ele se tornou testemunha-chave de uma investigação que durou um ano e meio. No dia 19 de maio passado, o inquérito sigiloso virou ação penal na Justiça do Rio de Janeiro. ÉPOCA obteve acesso a toda a documentação do processo. O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o pastor Marcos (já preso, condenado por estupro) e Marcinho VP por associação ao tráfico de drogas. Encampou grande parte das declarações de Alex. Segundo o MPE, o pastor Marcos visitava Marcinho VP no presídio para tramar contra a pacificação das favelas. A partir de julho de 2012, aumentaram os ataques de bandidos armados às Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs. Onze policiais de UPPs foram mortos em serviço desde então, quatro apenas nos primeiros meses de 2014. Garotinho não é acusado na ação penal. Deputados só podem ser investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

ENCONTRO O deputado Garotinho. Segundo denúncia, ele participou de uma reunião com o pastor Marcos (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)
ENCONTRO
O deputado Garotinho. Segundo denúncia, ele participou de uma reunião com o pastor Marcos (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)

Garotinho também não respondeu a ÉPOCA sobre suas relações com o pastor Marcos. Em depoimento prestado à Dcod, o pastor Marcos afirmou que ajudava Garotinho a obter apoio político “sem que o mesmo soubesse (sic)”. Dizia desejar um evangélico no poder. O pastor Marcos também disse à polícia que Garotinho, então secretário de Segurança Pública, o chamou para conter uma rebelião de presos em maio de 2004, com direito a transporte de helicóptero até a casa de custódia de Benfica. O motim resultou em 31 mortos, mas o pastor Marcos saiu do episódio como o mediador que evitara tragédia maior.

A relação entre o pastor Marcos e Garotinho parece ser mais profunda do que o depoimento faz supor. Para começar, o pastor Marcos não era um apoiador político tão discreto assim. Ele podia facilmente ser visto atrás de Garotinho nos palanques em 2010, como ocorreu num comício na Praça Floriano, no centro do Rio. Garotinho bancou – por meio de uma campanha sob suspeita de fraude – o projeto político do pastor Marcos nas eleições de 2010. Ele lançou a candidatura de um missionário de sua igreja a senador da República, o cantor Wagner Dias Bastos, conhecido como Waguinho. Waguinho tinha como suplente Allan Marinho dos Santos, irmão do pastor Marcos.

Oficialmente, Waguinho gastou durante a campanha R$ 211.600. Deste total, R$ 189.500 (90%) foram doados pela campanha de Garotinho a deputado e por seus aliados do PR, como mostram documentos da Justiça Eleitoral. Não se sabe se entrou dinheiro não declarado à Justiça. “As irregularidades apontadas impedem a verificação da origem dos recursos e despesas realizadas”, afirmam os integrantes do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). As contas da campanha foram reprovadas. No dia 27 de novembro de 2010, um relato anônimo ao Disque-Denúncia – acusando o pastor Marcos de orquestrar ataques de bandidos no Rio – afirmou que a campanha eleitoral do cantor Waguinho fora patrocinada pelo tráfico. Uma das secretárias de Waguinho na campanha era Silvana Santos da Silva, irmã de Marcinho VP. Silvana também é tesoureira da igreja do pastor Marcos. Procurado por ÉPOCA, o cantor Waguinho não telefonou de volta.

Waguinho não foi eleito. Depois da campanha eleitoral de 2010, o pastor Marcos continuou a receber apoio de homens ligados a Garotinho. O primeiro a lhe dar a mão foi Álvaro Lins, chefe da Polícia Civil quando Garotinho foi governador do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 2012, Lins participou de um culto na igreja do pastor Marcos, cantou, rezou e falou com missionários. “Não consigo entender como o sistema penitenciário do Rio não permite que o pastor faça o trabalho de evangelização nas carceragens. Tenho certeza que isso será revisto”, afirmou Lins, diante das câmeras da igreja. Lins disse ainda que, naquele dia, se tornara “um soldado à disposição da igreja”. Lins foi condenado a 28 anos de prisão em agosto de 2010. Ele é acusado de proteger a máfia dos jogos quando era chefe de polícia. No mesmo processo, a Justiça Federal condenou Garotinho a dois anos e seis meses de reclusão por formação de quadrilha. O recurso contra a sentença tramita no STF. “Fui à igreja (de Marcos) só uma vez em gratidão, porque o pastor, enquanto estive preso, fez uma corrente de oração. Ele faz esse trabalho nos presídios”, afirma Lins.

Em março de 2012, surgiram novas denúncias contra o pastor Marcos. O coordenador da ONG AfroReggae, José Junior, deu uma entrevista ao jornal Extra o acusando de estar envolvido com os ataques de bandidos no Rio em 2010. A AfroReggae atua no complexo de favelas do Alemão, antiga base de Marcinho VP. As declarações de José Junior levaram a Dcod a abrir a investigação que resultou na ação penal instaurada no mês passado. Em março de 2012, o pastor Marcos tentou, sem sucesso, obter uma cópia do inquérito. Alguns dias depois, recorreu a um advogado ligado a Garotinho. Ex-policial civil, filiado ao partido de Garotinho e ex-candidato a vereador, o advogado Carlos Fernando dos Santos Azeredo recebeu, no dia 28 de março de 2012, uma procuração do pastor Marcos para representá-lo em processos de qualquer tribunal. Após a prisão do pastor Marcos em maio de 2013, inicialmente sob a acusação de estupro, Azeredo entrou com pedido de habeas corpus para que o réu fosse transferido a uma cela especial. Dono de uma empresa que atua na área de investigação, Azeredo move inúmeras ações judiciais contra a cúpula da Segurança Pública do Rio. Ao mesmo tempo, advoga para aliados de Garotinho, incluindo Wladimir Matheus, filho dele.

Testemunhas ouvidas pela polícia no inquérito da Dcod afirmaram que o pastor Marcos incentivava rebeliões nos presídios para ser chamado a interferir nos conflitos. Ganhava, assim, destaque na imprensa e prestígio entre a bandidagem. Um ex-presidiário de Benfica, Norton Luiz Guimarães, disse à Dcod que foi uma facção criminosa que exigiu a presença do pastor Marcos para acabar com a rebelião de maio de 2004. O pastor Marcos só chegou ao presídio no terceiro dia do motim e ainda pediu aos detentos para a rebelião “render mais um pouco”, disse Guimarães no depoimento.

De acordo com os depoimentos prestados à Dcod, o pastor Marcos perdeu espaço e dinheiro nas comunidades pacificadas. “O interesse era financeiro”, afirmou Alex, a testemunha que filmava os cultos. Ele disse à polícia que a igreja do pastor Marcos recebia entre R$ 25 mil e R$ 35 mil do tráfico por culto realizado nas favelas. Outra testemunha, Rogério Ribeiro de Menezes, que chegou a ser braço direito do pastor Marcos na igreja, confirmou que havia pagamentos. A Dcod investiga se a igreja era usada para lavar dinheiro do tráfico.

DETETIVE O ex-chefe de polícia Álvaro Lins. Ele diz que investigou a vida do pastor Marcos e nada encontrou (Foto: Rafael Moraes/AJB/Futura Press)
DETETIVE
O ex-chefe de polícia Álvaro Lins. Ele diz que investigou a vida do pastor Marcos e nada encontrou (Foto: Rafael Moraes/AJB/Futura Press)

O pastor Marcos costumava visitar o traficante Marcinho VP na prisão. Em julho de 2011, o pastor Marcos desembarcou no aeroporto de Porto Velho, em Rondônia, e seguiu para a penitenciária federal, a 50 quilômetros da cidade. O pastor Marcos entrou no presídio com Rogério. Marcinho VP anunciou que desejava transferência para cadeia de outro Estado. “Vocês podem colaborar nesse sentido”, afirmou, segundo Rogério. O pastor Marcos engatou uma oração: “Deus tem um projeto intenso na dor do Marcinho, do Fernandinho Beira-Mar e outros tantos. Esse projeto, Senhor, que tu me chamaste para fazer selar. Senhor (quero) traçar estratégias porque tem um império unido para nos derrotar. Não vai acontecer. Amém”. A administração da penitenciária federal grava conversas entre presos e visitantes. Equipes de segurança analisam e transcrevem diálogos suspeitos de conter recados para criminosos em liberdade. O relatório sobre a visita do pastor Marcos foi enviado à Dcod.

Com base nas gravações, o MPE afirma que o pastor Marcos, “sob o manto de aconchego espiritual”, foi mensageiro de ordens cifradas, repassadas a bandidos em liberdade – para ações contra “a implantação da política de pacificação, a ocupação pela PM de favelas dominadas pelo tráfico”. No entendimento do MPE, Marcinho VP usou o pastor Marcos como “pombo-correio” para orientar criminosos a atacar as sedes das UPPs, os policiais lotados nas unidades e também a ONG AfroReggae, no Complexo do Alemão.

Os advogados do pastor Marcos negam ligação dele com o tráfico de drogas e com a trama contra a pacificação. “É absurdo e chega às raias da leviandade imaginar que o pastor tratou de crimes com Marcinho VP”, disseram os advogados. Lins foi apresentado como testemunha de defesa do pastor Marcos  à Justiça no final de 2013. Ele diz que, quando exercia o cargo, “revirou do avesso” a vida do pastor Marcos e não achou prova de associação ao tráfico, afirmam os advogados. Eles afirmaram desconhecer reunião do pastor Marcos com Garotinho às vésperas das eleições em 2010.

Um relatório da Secretaria de Segurança Pública, datado de setembro de 2011, já identificava os obstáculos à pacificação. O documento relata a existência de um “grupo, formado por policiais civis, inclusive delegados, e políticos”, que tem como objetivo “desestabilizar o secretário de Segurança”, José Mariano Beltrame. A ação visa à “reorganização do poder e de cargos de chefia na Polícia Civil, a fim de atender interesses escusos”. O documento não cita nomes. Garotinho entrou com uma reclamação no STF. Para ele, o relatório se refere a uma investigação ilegal contra ele.

ÉPOCA publicou em fevereiro passado evidências de que Garotinho atua como uma espécie de sabotador político das UPPs, em conjunto com Lins. De acordo com autoridades da Secretaria  da Segurança Pública, a dupla usa como armas a produção e divulgação de dossiês, espionagem e intimidação contra autoridades envolvidas na pacificação. Logo após a publicação da reportagem de ÉPOCA, a Justiça Estadual condenou Garotinho a pagar indenização de R$ 60 mil a Beltrame, por acusações publicadas em seu blog. Beltrame reclamou que Garotinho chegou a publicar o endereço dele e da família e o expôs a riscos. A sentença criticou os inúmeros comentários anônimos postados no blog. A reprimenda não intimidou Garotinho. Após a morte de um policial militar da UPP, em março deste ano, um leitor não identificado escreveu: “Daqui pra diante, a tendência é de muitas mortes de PM. Escutem o que estou dizendo”.

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Grupo multirreligioso de juristas é criado para combater intolerância

Contra o preconceito. Durante encontro, representantes religiosos decidem pela criação de novo grupo. - Divulgação
Contra o preconceito. Durante encontro, representantes religiosos decidem pela criação de novo grupo. – Divulgação

Advogados irão agir conjuntamente em casos de denúncias de discriminação

Juliana Prado, em O Globo

RIO – Representantes de várias religiões decidiram criar um grupo de juristas para defender fieis das mais variadas matizes de casos de preconceito e intolerância. A decisão foi anunciada por integrantes de Igreja Católica, Umbanda, Candomblé, Budismo, Islamismo e Judaísmo. O grupo foi recebido num templo de candomblé, localizado no Bairro de Bonsucesso, na Zona Norte, nesta segunda-feira. A ideia surgiu depois que o juiz Eugênio Rosa, da Justiça Federal, afirmou, em sentença emitida a um pedido de liminar, que umbanda e candomblé não são religiões.

A polêmica ainda não se encerrou, já que está em andamento um processo em que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e a Associação Naconal de Mídia Afro pedem a retirada da internet de 16 videos ofensivos à umbanda e ao candomblé. Na última sexta-feira, o grupo teve uma vitória parcial, depois que o desembargador Roy Reis Friede determinou, via liminar, que o Google retire o material do ar sob pena de pagamento de multa de R$ 50 mil diários. No entanto, a decisão final sobre o mérito do processo cabe ao mesmo juiz, que já negou esse pedido no início do processo.

O interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, representante do candomblé, celebrou o caráter “inédito” da criação do grupo de advogados para defender os direitos das manifestações religiosas – tenham elas o cunho que tiverem. Ele conta que a ideia surgiu de uma conversa com representantes da Igreja Católica e começou a ganhar força nas últimas semanas. O grupo também irá acompanhar o desenrolar do atual processo na Justiça Federal.

– Vamos manter a mobilização e nossa ofensiva junto ao Judiciário. Com o grupo, começaremos a monitorar outras agressões e casos de preconceito que possam surgir. Finalmente, poderemos agir de forma unida – afirma Ivanir, emendando, ainda, que a investida de se reunir juristas em torno de várias crenças é inédita “no mundo”.

A tentativa das lideranças é mais ambiciosa e terá um obstáculo pela frente: trazer para o debate sobre intolerância religiosa representantes dos evangélicos, que ainda não sinalizaram positivamente neste sentido. Alguns dos vídeos acusados de desrespeitar umbanda e candomblé – e alvos do processo judicial em curso – têm como cenário, justamente, templos neopentecostais. Ivanir dos Santos declarou que já se abriu uma porta ao diálogo com algumas lideranças, mas ainda não houve avanço em definitivo. Ele sustenta que, com a decisão liminar do desembargador, as esperanças de uma vitória final na justiça aumentam.

– Com a decisão do desembargador uma luz se acendeu. Mesmo com o processo voltando para o mesmo juiz, acreditamos que temos uma chance grande de sairmos vitoriosos. Não somos contra a liberdade de expressão, mas contra o ódio e o preconceito (que seriam expostos nos vídeos).

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Você ainda acredita na instituição igreja?

UN GOSPEL W ASSAFAriovaldo Ramos

Há muitas críticas sobre a dimensão institucional da Igreja Evangélica. Você ainda acredita na instituição igreja? Se sim, como salvá-la?

A igreja é criação de Jesus. Em Mt 16.18, Jesus disse que edificaria a sua Igreja. Naquele tempo, Igreja significava um grupo de pessoas em torno de alguém, ou de ideias, ou de ambas.

Jesus falava de um grupo de pessoas que cressem ser ele Deus, que viera em carne e osso, para libertar a humanidade. Disse que trabalharia nessa Igreja, de tal maneira, que esta atacaria as portas da morte, libertando seres humanos que, por ele, seriam ressuscitados no último dia.

Estas pessoas, membros da Igreja, seriam trazidos ao Filho pelo Pai, por meio de uma revelação sobre a natureza divina e libertadora do Filho. Portanto, gente que adoraria ao Filho como Deus.

A Igreja é a consolidação desse grupo de Jesus, pelo Espírito Santo, por seu batismo e habitação, desde o Pentecostes.

O Espírito Santo disse que a Igreja é o corpo do Senhor, por meio do qual Jesus exerce a seu governo sobre todas as coisas. Que a Igreja é a casa de Deus, e o santuário onde Deus é adorado.

Nas palavras de Jesus, a Igreja assume um perfil relacional: onde dois ou três estiverem reunidos em nome de Jesus, ele estará entre eles; e sacerdotal: se dois concordarem na terra será feito no céu.

Na ação do Espírito Santo, a Igreja assume um perfil operacional: todos os seus membros são cumulados de dons, de capacidades especiais para operar prodígios, assim, há, também, membros dessa comunidade que são destacados pelo Espírito Santo para prestar serviço para a Igreja, sem, com isso, ganhar qualquer posição hierárquica; todos continuariam a se ver e a se tratar, apenas, como irmãos.

Na voz do Cristo, essa Igreja assume uma característica missional, ela tem de levar o conhecimento do Cristo e dos seus ensinos a todos os povos, tem de batizar os que, a exemplo do que aconteceu com os primeiros, forem recebendo a mesma revelação sobre Jesus de Nazaré.

E, nessa missionalidade, a Igreja tem de manifestar a presença do Reino, na história, por meio do serviço aos demais, através de obras boas, que provoquem transformações nas circunstâncias, e dêem direção para a sociedade.

Na perspectiva dos apóstolos, a Igreja passa a necessitar de estrutura mínima, que garanta as condições para que está se organize em função de sua missão. Daí, presbíteros, para que as pessoas, no exercício de seus dons, não percam o foco missiológico, transformando as capacidades que receberam em fim em si mesmas.

Não pode, outrossim, a Igreja se permitir a ser uma confraria fechada, um refúgio. Ela tem de se manter uma comunidade para a humanidade, sonhando com o dia em que toda humanidade seja Igreja. Daí, diáconos que garantam a igualdade entre irmãos e que promovam o senso de comunidade pela partilha e pelo acolhimento.

E como essa comunidade é um contingente geográfico, para além de ser uma comunidade virtual pelo Espírito Santo, ela tem de se reunir, e essas reuniões precisam manter-se relacionadas umas às outras.

Com o passar dos séculos esta estrutura deixou de ser mínima, e de manter a igualdade, passando á privilegiar a hierarquia, e a reconhecer apenas poucos como sacerdotes, embora, o sacerdócio seja universal. E a estrutura acabou por sequestrar a Igreja.

Nossa tarefa, hoje, é fazer que a estrutura volte aos moldes originais, que volte a ser o mínimo necessário para que a Igreja, a comunidade, seja o máximo possível.

fonte: Facebook

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