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Fiéis da Igreja Universal bancam até série bíblica da Record

Cena da estreia de Milagres de Jesus, série de 18 episódios custeados pela Igreja Universal

Cena da estreia de Milagres de Jesus, série de 18 episódios custeados pela Igreja Universal

Daniel Castro, no Notícias da TV

Em dificuldades financeiras, a Record teve de pedir ajuda à Igreja Universal do Reino de Deus para colocar no ar a série bíblica Milagres de Jesus, uma das maiores audiências da emissora. Com orçamento oficial de R$ 16 milhões, a série teve seus 18 episódios custeados pelos fiéis da igreja liderada por Edir Macedo, dono da Record e idealizador do projeto.

Segundo uma alta fonte na emissora, a Igreja Universal teve de aumentar o aporte de dinheiro na Record de R$ 500 milhões para R$ 520 milhões por ano. O acréscimo foi para pagar a produção de Milagres de Jesus, exibida todas as quartas-feiras.

A Record atravessou em 2013 seu pior ano, com a demissão de mais de 2.000 funcionários e cortes na produção de teledramaturgia. No ano passado, a emissora faturou no mercado publicitário R$ 1,280 bilhão. Com o dinheiro da igreja, chegou a R$ 1,8 bilhão. As afiliadas faturaram mais R$ 400 milhões. Ou seja, a igreja é responsável por 24% das receitas de todas as 106 emissoras da rede Record.

A Igreja Universal do Reino de Deus colocava dinheiro na Record de forma legal, comprando a madrugada da emissora. Agora, também financia a produção de programas de seu interesse, como o Escola do Amor, apresentado por Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, e séries bíblicas.

O financiamento de uma série de dramaturgia compromete o discurso da Record de que a igreja é um cliente “como outro qualquer”. A igreja é mais do que apenas uma compradora de horários. É “sócia” da programação.

O Notícias da TV tentou ouvir a Record desde a última sexta-feira, mas a emissora não se pronunciou.

Estátua de ‘Jesus Sem-Teto’ assusta moradores de bairro rico nos EUA

Publicado no UOL

Uma estátua religiosa na cidade de Davidson, na Carolina do Norte (EUA), é diferente de tudo que você possa ver em uma igreja. A escultura retrata Jesus Cristo como um morador de rua dormindo em um banco de praça. A Igreja Episcopal de St. Alban instalou a obra em sua propriedade no meio de um bairro nobre repleto de sobrados bem conservados.

Jesus está encolhido debaixo de um cobertor com o rosto e as mãos escondidos. Apenas as feridas da crucificação nos pés descobertos denunciam a sua identidade. A reação foi imediata. Alguns adoraram a intervenção, outros ficaram apavorados.

“Uma mulher da vizinhança chamou a polícia quando o viu, pensando ser um morador de rua real”, assinala David Boraks, editor do site DavidsonNews.net. “Isso mesmo: alguém chamou a polícia para prender Jesus!”, exclama o jornalista. Um outro vizinho, que vive a duas casas da igreja, escreveu para a redação pedindo que levassem o indigente para longe do bairro.

A estátua de bronze foi comprada por cerca de 50 mil reais por uma paroquiana, Kate McIntyre, que aprecia a arte em locais públicos. Mesmo assim, alguns vizinhos sentiram que era uma representação insultosa do líder religioso, por parecer mais com um vagabundo enrolado em um cobertor do que com um ícone.

O reverendo David Buck, de 65 anos, se mostra um pouco avesso à polêmica. “Isso dá autenticidade à nossa igreja”, assinala. “Esta é uma instituição relativamente influente e precisamos lembrar que a nossa fé se expressa na preocupação ativa com os marginalizados da sociedade”, reitera.

A escultura é concebida como uma tradução visual da passagem no Livro de Mateus, em que Jesus diz aos seus discípulos: “como você fez isso a um de meus irmãos, você fez isso para mim”. “Além disso, é uma boa lição da Bíblia para aqueles acostumados a verem Jesus representado na arte religiosa tradicional como o Cristo de glória, entronizado em elegância”, lembra o reverendo. “Acreditamos que esse é o tipo de vida que Jesus tinha. Ele era, em essência, um morador de rua”, completa.

Apesar das críticas, o reverendo informa que a estátua ganhou mais admiradores do que detratores. “É comum ver as pessoas sentarem no banco e rezarem, com as mãos sobre os pés de Cristo”, aponta.

Esta cidade é a primeira a ter em exibição a obra “Jesus Homeless”. Católicos de Chicagoplanejam instalar também sua estátua, assim como a Arquidiocese de Washington, na capital federal do país. Timothy Schmalz, criador da obra, é um canadense que também é um católico muito devoto. De seu estúdio, em Ontário, Schmalz admite que entende que seu Jesus é provocativo. “Isso é essencialmente o que a escultura tem de fazer, desafiar as pessoas”, reforça.

Ele aponta que ofereceu os primeiros moldes para a Catedral de St. Michael, em Toronto, e para a Catedral de St. Patrick, em Nova York. Ambas não tiveram interesse. Um porta-voz da igreja canadense indica que a apreciação da estátua “não foi unânime”. Além disso, a igreja estava sendo restaurada e uma nova obra de arte estava fora de questão. Já o porta-voz da igreja deNova York diz que gostou do Jesus sem-teto, mas a sua catedral também estava sendo reformada e eles não puderam arcar com a despesa.

A próxima instalação do Jesus de bronze em um banco de parque pode ser na Via della Conziliazione, a avenida que conduz à Basílica de São Pedro – se o Vaticano aprovar. Schmalz viajou para lá em novembro passado para apresentar uma miniatura para o próprio Papa Francisco. “Ele caminhou até a obra e foi simplesmente arrepiante quando ele tocou o joelho da escultura, fechou os olhos e orou”, lembra. “Isso é o que o papa está fazendo em todo o mundo: chegar aos marginalizados”, diz o artista.

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Balada gospel leva mais de mil fiéis à noite da rua Augusta em SP

Cardápio de balada gospel na rua Augusta dispensa álcool (foto: Leticia Moreira/ Folhapress)

Cardápio de balada gospel na rua Augusta dispensa álcool (foto: Leticia Moreira/ Folhapress)

Thais Bilenky, na Folha de S.Paulo

“É balada gospel! Hahahahahaha!” Sábado, meia-noite, um grupo de adolescentes aponta para uma longa fila na calçada e tira sarro.

A julgar pelo estilo e faixa etária, porém, são jovens parecidos com os 1.100 evangélicos que ocupam toda a quadra entre as alamedas Itu e Jaú na mesma rua Augusta dos bares, casas de prostituição e “inferninhos”.

A diferença é que eles estão no lado dos Jardins, e não no baixo Augusta, no centro.

Os fiéis têm entre 16 e 28 anos. Alguns são manos, de calça big e tatuagem. Outros se vestem como funkeiros: boné de aba reta e correntes douradas enormes penduradas no pescoço. Há os moderninhos, de calças skinny coloridas, e os mais básicos.

Todos esperam para entrar na mais antiga das 113 unidades da igreja neopentecostal Sara Nossa Terra na Grande São Paulo, onde começaria a festa Colors. Promovida duas vezes por ano, reúne jovens de outras denominações como Renascer, Assembleia de Deus e Videira, entre outras.

A entrada para a pista custa R$ 20. A área VIP sai por R$ 35. É que lá tem um “bar mais bacana”, diz o bispo Christiano Guimarães, 38, responsável pelo evento. “Além de suco, refri e energético -muuuito energético-, tem batida. Sem álcool, claro.”

Os jovens são orientados a não beber, não fumar nem transar antes do casamento. Para preservar os preceitos religiosos, as festas têm olheiros à paisana chamados de atalaios. Quando um casal começa a se exceder, é rapidamente interrompido.

“Não tem como negar. O jovem evangélico não tem opção para se divertir. Boliche todo dia cansa. Muitos acabam indo para baladas seculares. E isso interfere no modo de vida cristão”, diz João Rodrigues, 33, conhecido como DJ MP7, produtor de noitadas evangélicas.

“Não há nada mais bonito do que chegar à lua de mel e olhar aquela pessoa que você escolheu para a vida e saber que ela é sua e você é dela”, diz Roger Pontes, 23.

Ele é cantor e lançou a música “Vem me Encontrar” naquele sábado, 22 de março. Diz o refrão: “Senhor, quero estar com você. Porque é tudo o que preciso ter. Não dá, não vou sair sem te encontrar”.

A festa vai começar

MP7 sobe ao palco: “Espero que todos vocês tenham passado desodorante. Porque agora cada um vai dar um abraço na pessoa que está ao seu lado, se apresentar. Glória a Deus”. “Glória a Deus”, repetem os baladeiros.

Ele passa o microfone ao bispo Christiano: “Tem crente aqui ou não tem?”. “Teeeem!”, respondem lá embaixo. “Pai, nós queremos te adorar esta noite. Esta festa é para o teu louvor e tua glória”, continua. “Eu declaro que o povo mais feliz de São Paulo está aqui e agora!” Os jovens entram em euforia.

MP7 inicia uma contagem regressiva:”10, 9, 8…”. A música é ensurdecedora. “7, 6, 5…” “Faz barulho, faz barulho!”, ele incentiva. “4, 3, 2, 1!” A festa começou.

É a primeira vez que Crislaine Silva Costa, 21, vai à Colors. Ficou sabendo pelo Facebook e foi com “o pessoal da igreja” de São Bernardo do Campo (na Grande São Paulo) até a região central. Pretende voltar para casa do mesmo jeito -de manhã. Ela tem uma tatuagem na nuca, nunca namorou nem pretende “tão cedo”.

É o mesmo caso de MP7, que diz estar “esperando a pessoa certa”. “Não é fácil. É uma luta constante, por causa da mídia, do ‘BBB’. Mas se eu transar com uma menina só porque ela é gostosa, vou agir como um bicho. Não vou me preocupar com o que ela sente? A gente preza por isso.”

Ele conta que costuma ser assediado. “Mas penso como o padre Fábio de Mello. Ele diz que antes de ser famoso, é padre. Eu também. Antes de famoso, sou um líder religioso.”

EXPOENTE

Bispo Christiano é um expoente do que a Sara Nossa Terra chama de Arena Jovem. Mineiro de Belo Horizonte, em 2000, aos 24 anos, converteu-se e logo começou a “liderar”. Três anos mais tarde, abriu uma unidade da igreja em Nova Lima, na região metropolitana de BH, com 150 membros.

Em 2008, foi mandado para São Paulo para expandir o ramo paulista da Sara. Nos últimos três anos, no comando da unidade da rua Augusta, fez o número de fiéis jovens passar de 150 para 1.000.

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, passa as manhãs em sua própria consultoria; as tardes e noites na igreja. Christiano comanda oito discípulos, que têm por sua vez 12 discípulos e assim sucessivamente.

Seu “mandato” na Augusta coincidiu com a popularização das festas gospel. Desde 2009, as igrejas fazem seis delas por ano. A maior é a Sky, da Renascer, que chega a reunir 6.000 jovens no Renascer Hall, na Mooca. Neste ano, ela acontecerá em maio.

O bispo Felipe Corrêa, 28, é quem a organiza. Os ingressos variam de R$ 15 a R$ 25. “É para cobrir os custos. A gente não visa o lucro”, diz.

O DJ MP7 concorda. Ele considera os R$ 6.000 que faz por festa uma “merreca” perto do que ganham produtores seculares. “Soa como negócio, mas não é. É pelo encontro, para resgatar os valores da família. Senão, eu estava aí fora.”

Análises apontam que papiro que fala da esposa de Jesus não é falso

foto: Karen L. King/Harvard University/Reuters

foto: Karen L. King/Harvard University/Reuters

Publicado por AFP [via UOL]

Um pedaço de papiro antigo que contém uma menção à esposa de Jesus não é uma falsificação, de acordo com uma análise científica do controverso texto, declararam nesta quinta-feira (10) pesquisadores americanos.

Acredita-se que o fragmento seja proveniente do Egito e contém escritos na língua copta, que afirmam: “Jesus disse-lhes: ‘Minha esposa…’”. Outra parte diz ainda: “Ela poderá ser minha discípula”.

A descoberta do papiro, em 2012, provocou um rebuliço. Pelo fato de a tradição cristã afirmar que Jesus não era casado, o documento atiçou os debates sobre o celibato e o papel das mulheres na Igreja.

O jornal do Vaticano declarou que o papiro era uma farsa, juntamente com outros estudiosos, que duvidaram de sua autenticidade baseados em sua gramática pobre, texto borrado e origem incerta.

Nunca antes um evangelho se referiu a Jesus como casado, ou tendo mulheres como discípulos.

Mas uma nova análise científica do papiro e da tinta, bem como da escrita e da gramática, mostrou que o documento é antigo.

“Nenhuma evidência de fabricação moderna (‘falsificação’) foi encontrada”, declarou a Harvard Divinity School em um comunicado.

O fragmento provavelmente remonta a uma data entre os séculos 6 e 9, mas poderia ter sido escrito até mesmo no segundo século da Era Comum, segundo os resultados do estudo publicados na Harvard Theological Review.

A datação por radiocarbono do papiro e uma análise da tinta utilizando espectroscopia Micro-Raman foram realizadas por especialistas da Universidade de Columbia, da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

“A equipe concluiu que a composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus (Gospel of Jesus’ Wife – GJW, em inglês) com um fragmento do Evangelho de João”, declarou o estudo.

“O teste atual suporta, assim, a conclusão de que o papiro e a tinta do GJW são antigos”, esclareceu.

Origem desconhecida

A origem do papiro é desconhecida. Karen King, historiadora da Harvard Divinity School, o recebeu de um colecionador – que pediu para permanecer anônimo – em 2012.

King, uma historiadora do cristianismo primitivo, declarou que a ciência mostrar que o papiro é antigo não prova que Jesus era casado.

“A questão principal do fragmento é afirmar que as mulheres que são mães e esposas podem ser discípulas de Jesus – um tema que foi muito debatido no início do cristianismo, num momento em que a virgindade celibatária se tornou cada vez mais valorizada”, explicou King em um comunicado.

“Este fragmento do evangelho fornece uma razão para reconsiderar o que pensávamos que sabíamos, ao se perguntar o papel que as declarações sobre o estado civil de Jesus desempenharam historicamente nas controvérsias cristãs sobre casamento, celibato e família”.

O fragmento mede quatro por oito centímetros.

King declarou que a data do documento – escrito séculos depois da morte de Jesus – significa que o autor não conhecia Jesus pessoalmente.

Sua aparência bruta e os erros gramaticais sugerem que o escritor tinha apenas uma educação elementar, acrescentou.

Leo Depuydt, professor de Egiptologia da Universidade Brown, escreveu um artigo, também publicado na Harvard Theological Review, descrevendo por que acredita que o documento é falso.

“O fragmento do papiro parece perfeito para um esquete do Monty Python” (famoso grupo de comediantes britânicos), declarou.

Ele apontou erros gramaticais e o fato de as palavras “minha esposa” parecerem ter sido enfatizadas em negrito, o que não é utilizado em outros textos coptas antigos.

“Como um estudante de copta convencido de que o fragmento é uma criação moderna, sou incapaz de fugir à impressão de que existe algo quase engraçado no uso das letras em negrito”, escreveu.

King publicou uma refutação às críticas de Depuydt, dizendo que o fato de a tinta estar borrada era comum e que as letras abaixo de “minha esposa” eram ainda mais escuras.

dica do Ailsom Heringer