“Somos apaixonadas por um padre”, desabafam 26 mulheres em carta ao papa Francisco

Jovens padres tocam violão e cantam na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante a missa de beatificação dos papas João Paulo II e João XXIII | REUTERS/Tony Gentile
Jovens padres tocam violão e cantam na Praça de São Pedro, no Vaticano, durante a missa de beatificação dos papas João Paulo II e João XXIII | REUTERS/Tony Gentile

 

 

 

 

 

 

 

Publicado no Brasil Post

Vinte e seis mulheres escreveram uma carta ao papa Francisco na qual afirmam ser “apaixonadas por um padre” e pedem o fim do celibato na Igreja Católica Romana. “Nós amamos esses homens, e eles nos amam, e na maioria dos casos, apesar de todos os esforços de renúncia a esse sentimento, não conseguimos abrir mão de um laço tão sólido e bonito”, afirmaram as mulheres, segundo reportagem publicada pelo site Vatican Insider, do grupo de comunicação La Stampa, um dos mais importantes da Itália.

Na carta, cada uma das 26 mulheres assina apenas com o primeiro nome e a inicial do nome de família, mas no envelope elas incluíram seus sobrenomes por extenso assim como telefones de contato. Elas afirmam ser apenas uma amostra da grande quantidade de mulheres que “vive em silêncio”.

“Muito pouco se sabe sobre o sofrimento devastador de uma mulher que é profundamente apaixonada por um padre. Humildemente colocamos nosso sofrimento a seus pés na esperança de que algo possa mudar, não apenas para nós, mas para o bem de toda a Igreja”, escreveram.

Segundo as mulheres, quando há uma separação definitiva ambas as partes com frequência sofrem pelo resto da vida. As alternativas seriam o padre abandonar o sacerdócio ou o casal viver a relação em segredo.

“No primeiro cenário (…), queremos que o homem que amamos viva sua vocação sacerdotal inteiramente. Queremos estar ao seu lado e apoiá-lo em seu chamado”, dizem.

“A segunda alternativa significa viver uma vida escondida, frustrada por um amor incompleto, sem esperança de formar uma família, um amor que não vê a luz do dia”, continuam. “Infelizmente essa é frequentemente a única e dolorosa escolha devido à impossibilidade de desistir de um amor tão enraizado no Senhor.”

Na carta, as 26 mulheres apaixonadas pedem para se encontrar com o papa: “Esperamos com todo o nosso coração que o senhor abençoe nosso amor, presenteando-nos com a maior felicidade que um pai pode desejar a seus filhos: vê-los felizes.”

Segundo o Vatican Insider, especializado em cobrir a Igreja Católica, até o momento Jorge Mario Bergoglio, nome de batismo do papa argentino, nunca se posicionou pelo fim do celibato, mas em conversa com o rabino Abraham Skorka publicada no livro ‘No Paraíso e na Terra’, teria admitido que a mudança é possível. “A tradição tem um papel importante. Os ministros católicos gradualmente optaram pelo celibato. Até 1100 d.C alguns optavam por ele, outros não… é uma questão de disciplina, não de fé. Pode ser mudado”, afirmou.

Entretanto, nessa mesma conversa, ocorrida antes de sua escolha como papa, Bergoglio expressou claramente sua opinião contrária a padres viverem vidas duplas: “Se um padre me conta que engravidou uma mulher, eu tento acalmá-lo e devagar começo a explicar que o direito natural à vida vem antes de seus direitos como padre. Portanto, é sua obrigação deixar o sacerdócio e cuidar da criança, mesmo que não se case com a mulher.”

Já no caso de um padre que se diz apaixonado por uma mulher, o argentino diz tentar fazê-lo corrigir o erro: “Viver uma vida dupla não é bom para nós, é falso. Se não é capaz de fazer isso (respeitar o celibato), tome uma decisão.”

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Bonita em nome do Senhor: moda gospel aquece mercado bilionário

Na mesma velocidade em que cresce o rebanho cristão, multiplicam-se as lojas de vestuário evangélico

 A cantora Pamela e seu closet, recheado de roupas sofisticadas e comportadas: seu estilo é inspiração para uma legião de fãs evangélicas (foto:  Carlo Wrede / Agência O Dia)

A cantora Pamela e seu closet, recheado de roupas sofisticadas e comportadas: seu estilo é inspiração para uma legião de fãs evangélicas (foto: Carlo Wrede / Agência O Dia)

Maria Luisa Barros, em O Dia

Cafonas, feios e malvestidos. Se algum dia esses três adjetivos foram atribuídos aos evangélicos, definitivamente isso é coisa do passado. Estilosa, dentro de um casaco de oncinha e calça de couro, a cantora gospel Pamela Jardim, 31 anos, é um dos mais fiéis retratos de uma nova geração que quer estar divina sem parecer vulgar.

Na mesma velocidade em que cresce o rebanho cristão — 16 milhões de novos fiéis em 10 anos — multiplicam-se as lojas de vestuário evangélico. Blogueiras, sacoleiras, que compram no atacado artigos de grifes como a ‘Bela Loba’ e lojas virtuais tentam dar conta da demanda de quem não pode ir a São Paulo, centro de moda cristã.

Polo de compras no estado, a Rua Teresa, em Petrópolis, também se rendeu ao look chic crente, de olho num universo que movimenta R$ 15 bilhões por ano (entre produtos culturais e de consumo). Evangélicas chegam a gastar, em média, R$ 6 mil por mês com roupas e sapatos.

Na hora das compras, um olho na vitrine e outro na Bíblia. O livro sagrado respalda a vaidade: “A mulher de verdade cuida bem da aparência e dos que dela dependem”, diz o provérbio. Na Igreja ou no trabalho, as fiéis devem se vestir de acordo com a palavra de Deus. “Que Deus ponha em nossos corações a vontade de sermos fiéis a Ele e que possamos dar bom testemunho através do nosso vestir”, citou a blogueira Mari Raugust, no blog ‘Passarela Estreita’.

A regra, no caso, é que as mulheres de Deus são a atração, não as partes do seu corpo. É o que procura seguir a cantora Pamela. “Não uso roupas curtas e provocantes. As meninas da Igreja se inspiram em mim”, conta ela, que tem em seu closet marcas de luxo, como Chanel, Dior e Louis Vuitton.

O sucesso não a livrou do preconceito. “Uma vez, gostei de uma bolsa da Dior, mas a vendedora disse que custava R$ 5 mil e tinha que ser à vista. Minha tia, que estava comigo, pediu duas e pagamos no ato”, diz Pamela, que vendeu 400 mil cópias (o novo CD, ‘Tempo de Sorrir’, sai em agosto).

A empresária Liz Lanne, ex-cantora gospel, deixou os palcos para se dedicar ao mundo fashion depois de muito garimpar peças sofisticadas, mas recatadas. Abriu uma grife, a 7Liz, no Recreio, na Zona Oeste. “Antes, as pessoas tinham vergonha de ser evangélicas. A imagem era a pior possível. Hoje, é sinal de status”, diz.

Liz explica o que pode ser usado. “Não é colocar tudo justo, transparente e curto. Fica demais. A Igreja só quer que a gente esteja decentemente vestida”. Ela completa: “Não tem que ser feia só porque é crente. Temos o direito de sermos lindas e de usar as melhores roupas”.

‘Se a Igreja proíbe o que você gosta, vá para outra’

Na dúvida entre vestir o modelito preferido ou seguir as regras da Igreja, fique com a primeira. A dica é da blogueira evangélica Maanuh Scotá, que tem 270 mil visualizações por mês em sua página na internet, no ‘Blog da Maanuh’. “A pessoa tem que se sentir bem. Se a Igreja proíbe o que você gosta de usar, vá para outra”, aconselha Maanuh, 25 anos, que adora roupas coloridas e descoladas.

A blogueira, que é casada e não tem filhos, dita as tendências da moda gospel para suas fãs, a maioria adolescentes, que acompanham religiosamente seu “look do dia”. “Elas se identificam muito com o meu perfil: bonita sem ser vulgar”, diz a baiana, que frequenta os cultos da Igreja Maranata. O pastor libera o uso de calças compridas, mas Maanuh gosta mesmo é de saias rodadas. Todas as roupas e sapatos exibidos no blog são doados a ela por lojas de grifes.

O fotógrafo é o próprio marido, Diogo Scotá, 25 anos. É ele quem limita o tamanho da saia. “Quando está muito curta ele pede para trocar. O jeito é usar com meia por baixo, que fica legal”, ensina Maanuh, que vê como uma bênção o espaço virtual recém-conquistado. “Serviu para desmistificar a imagem de que o evangélico é cafona”, reconhece.

Outros dois blogs _‘Evangélicas Top’ e ‘Crente Chic’ _também dão sugestões para as princesas.

A VEZ DELES

Terno e gravata: indispensáveis

Elas não são as únicas a se preocupar com a aparência. Os homens também têm o seu estilo e gostam de estar na moda. O blog ‘Essas e Outras’ dá algumas dicas para acertar no visual. O estilo social é um dos mais usados pelos evangélicos. Terno, camisa e gravata são artigos indispensáveis.

Assim como para as mulheres, o que vale é a discrição. “Nada de camisas muito coloridas, gravatas estampadas demais. Nada como um pretinho básico ou um tom de cinza para dar seriedade à composição”, sugere.

Para os homens, não podem faltar no armário a calça e a camisa social. “Nesse caso, aposte em tons claros de camisas e sapatos sociais. Não é necessário usar gravatas, mas tome cuidado com a cor do cinto”. Com a chegada da estação mais fria do ano, os evangélicos ficam muito elegantes vestidos com blazers, suéteres e casacos.

Para os homens evangélicos que são adeptos de um visual mais básico, a dica é usar uma boa calça jeans, uma camiseta ou camisa polo; e nos pés, um sapatênis.

dica do Ailsom Heringer

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Evangélica, Negra Li defende o musical Jesus Cristo Superstar: “é fiel ao que diz a bíblia”

Negra Li no Pânico
Negra Li no Pânico

Publicado por Jovem Pan

O musical Jesus Cristo Superstar estreou em São Paulo no início de março. Muito antes, no entanto, ele já dava o que falar. Quando foi anunciado que seria produzido no país, diversos grupos religiosos se uniram e criaram uma petição para arrecadar assinaturas e tentar cancelar seu financiamento. Outros preferiram um caminho mais direto e fizeram uma série de manifestações em frente ao Instituto Tomie Ohtake, onde entraria em cartaz. O motivo? Ele estaria “atacando” a fé cristã. Em entrevista ao Pânico nesta quinta-feira (15), a cantora Negra Li, que interpreta Maria Madalena na produção e é evangélica assídua, minimizou as reinvindicações e negou que haja qualquer tipo de desrespeito no espetáculo.

“O tema é polêmico. Falar de Jesus é sempre delicado, é comum as pessoas se manifestarem quando isso acontece. E elas têm liberdade de expressão, assim como nós, artistas. Mas o musical é fiel ao que diz a bíblia. Estamos apenas contando a história de maneira diferente, com um Jesus mais humano. Com uma visão diferente, claro, pelo olhar de Judas. É até uma forma de aproximar as pessoas da igreja. Estou amando fazê-lo”, disse.

Jesus Cristo Superstar foi escrito pelo dramaturgo britânico Tim Rice em parceria com Andrew Lloyd Webber e apresentado pela primeira vez em 1970. Ele destaca, entre outras coisas, as lutas políticas e pessoais entre Jesus e o apóstolo Judas Iscariotes por meio de uma linguagem moderna e rock de trilha sonora. Por essas e outras, Negra Li garante que os protestos não foram encarados com nenhuma surpresa.

“É uma obra que causa manifestações desde quando foi escrita. Já esperávamos por isso. Acho interessante. Nós, do elenco, conversamos muito, brincamos, sempre respeitando os protestos. Mas é claro que seria assim, ainda mais porque é rock! Jesus está em cima do palco todo bonitão, sem camisa, com a calça jeans baixa, o ‘caminho da felicidade’ aparecendo (risos), e um cartaz escrito ‘louvado seja o rock’n’roll’. Não teria como ser diferente”, completou.

Esta é a segunda participação da cantora em musicais, mas a primeira em um espetáculo de grandes proporções. Durante a conversa, ela também revelou como foi o processo que a selecionou para viver uma das personagens mais importantes da história.

“Sei que não fui a primeira opção. Houve outros nomes cotados antes. Não sei porque esses outros nomes não seguiram. Só sei que o diretor queria uma atriz negra e alguém falou de mim para ele. Aí me convidaram por e-mail, fiz um teste que foi mandado para a equipe de Londres e eles me aprovaram”, contou.

Apesar de gostar da experiência, ela assume que sente falta de cantar em apresentações solo.

“Dá uma saudade terrível dos shows. Até porque nos shows tenho mais liberdade. Eu escolho o repertório, eu escolho tudo. O show sou eu! Lá no musical eu sigo um roteiro. São formatos diferentes, mas ambos prazerosos”, afirmou.

Mesmo estando em um ótimo momento da carreira, Negra Li passou por grandes dificuldades recentemente. No dia 12 de abril, seu irmão, Gilson Francisco de Carvalho, de 41 anos, foi encontrado morto em um campo de futebol na Brasilândia, Zona Norte da capital paulista. De acordo com informações da polícia, ele estava com a marca de dois tiros na cabeça, o que originou diversos rumores sobre as causas do possível assassinato. A artista, no entanto, não entrou na discussão. Comentando brevemente o assunto em que ela ainda prefere não se estender, desabafou e disse que o motivo da morte não importa.

“Não quero saber o que aconteceu. A perda é a parte mais difícil disso tudo. Antes eu ouvia muitos casos na mídia e achava estranho as pessoas falarem isso, mas depois que aconteceu comigo vi que não importa mesmo. Deus sabe de tudo, está nas mãos dele. Não adianta eu me questionar, já foi. As coisas perdem o sentido. Nada melhor que o tempo para me fazer superar”, declarou.

Ela falou ainda sobre seu mais recente trabalho, o disco Tudo De Novo (2012); sobre a campanha publicitária da Fiat intitulada Festa na Rua (iniciada pela banda O Rappa), de que ela participa com uma nova música; sobre o retorno do grupo de rap RZO; e sobre a sua relação com o cantor Chorão.

“Ele foi meu padrinho. Apesar de cantar com o RZO há um tempo, na mídia ninguém me conhecia até ele me dar uma oportunidade. Eu era apenas uma backing vocal, depois virei a Negra Li. E ele não meu deu só isso, me deu muitos conselhos sobre a vida artística. O Chorão conversava muito comigo, me preparava. A mulher dele era outra que me ajudava. Ela me deu roupas que uso ainda hoje, não largo mão! A família Charlie Brown me fez crescer muito”, agradeceu.

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CNT vende toda a grade para Igreja Universal e demite até 100

Ricardo Feltrin, no UOL

Edir Macedo, líder da Igreja Universal (foto: Reprodução/Instagram)
Edir Macedo, líder da Igreja Universal (foto: Reprodução/Instagram)

Dando sequência a seu processo de expansão indiscriminada a todos os tipos de veículos de comunicação, a Igreja Universal acaba de fechar a compra de toda a grade de programação do CNT, um canal UHF aberto. A Universal, que já ocupava cerca de 11 horas diárias no canal, vai passar a ter 22 horas diárias. Os valores não foram revelados.

A Universal já vinha tentando adquirir todos os espaços da CNT. Com a compra da grade do canal 21 no ano passado, mais os espaços que ocupa atualmente na Record, Gazeta, Band e RedeTV!, além de ser a igreja presente em mais emissoras de TV, a Universal passa a transmitir mais de 1.700 horas por mês de orações, ladainha religiosa e, claro, pedidos de doações aos fiéis.

Não há hoje nenhuma legislação que proíba essa operação, mas a igreja não poderia comprar as 24 horas da CNT. Isso configuraria venda da concessão, já que não é permitido que alguém receba uma concessão pública de uma emissora de rádio ou TV (VHF ou UHF) e revenda integralmente a terceiros.

Uma lei “caduca” dos anos 60 até proíbe que uma emissora tenha mais de 25% de sua grade em publicidade, e também veta a venda de horários a terceiros, mas essa lei é ignorada há décadas.

No ano passado, alguns deputados iniciaram uma campanha para criar uma lei que proibiria a venda de grade seja para outras empresas ou igrejas, mas a bancada evangélica na Câmara –especialmente a da Universal– fez lobby contrário pesado e a ideia murchou.

O clima é de estarrecimento na CNT, e a estimativa sombria de funcionários ouvidos nesta terça-feira pela coluna é de que no mínimo 100 pessoas em todo o país deverão perder seu emprego. Só em São Paulo seriam cerca de 25 pessoas.

A emissora tem estrelas históricas da TV em seus quadros, como Leão Lobo e Adriana de Castro, entre outros.

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