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Suprema Corte dos EUA determina aplicação de lei da Califórnia que proíbe ‘cura gay’

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Publicado em O Globo

A Suprema Corte dos EUA abriu o caminho para iniciativas que embarreiram a “cura gay”, ao determinar a aplicação de uma lei da Califórnia que proíbe o aconselhamento psicológico que visa a transformar menores gays em heterossexuais.

A Lei da Califórnia deveria entrar em vigor no ano passado, mas ficou em espera por conta de ações que tentaram derrubá-la. A Justiça não atendeu ao recurso de apoiadores da chamada conversão ou terapia reparativa.

Os juízes mantiveram uma decisão de agosto de 2013 que dizia que o banimento cobria atividades profissionais que cabem ao estado regular, e que não violava a liberdade de expressão dos profissionais e dos pacientes buscando tratamento.

​No ano passado, o Tribunal de Apelações dos EUA foi favorável ao entendimento, defendido por ​legisladores da Califórnia, de que ​terapias destinadas a mudar a orientação sexual para menores de 18 anos estavam fora das pesquisas científicas e têm sido repudiadas pelos principais grupos médicos, além serem consideradas potencialmente perigosas.

“A Suprema Corte decidiu bloquear qualquer abertura possível para se permitir mais abuso infantil psicológico na Califórnia”, disse o senador estadual Ted Lieu, autor da lei, nesta segunda-feira. “A recusa do Tribunal em aceitar o apelo de terapeutas com fundamentos ideológicos extremos e​ que​ praticam o charlatanismo de terapia de conversão gay é uma vitória para o bem-estar da criança,​ da​ ciência e​ dos​princípios humanos básicos.”

A lei diz que terapeutas profissionais e conselheiros que ofereçam tratamentos destinados a eliminar ou reduzir atração pelo mesmo sexo em seus pacientes estão apresentando conduta não profissional e, por isso, est ​ão​ sujeito​s​ a sofrer revisões em seus licenciamentos. A lei, entretanto, não abrange ações de pastores e conselheiros leigos que forneçam terapias de “cura gay” por meio de programas da igreja.

Os grupos que criticam a lei argumentam que os legisladores não têm comprovação científica de que a terapia faz mal. O governador de Nova Jersey Chris Christie assinou uma lei proibindo a prática em seu estado no ano passado.

Cristãos aproveitam jogos da Copa para evangelizar torcedores na terra do Candomblé

Para integrantes da Igreja Batista Missionária da Independência e da Convenção Batista Brasileira, a Copa é um espaço de convivência entre as diferenças - André Miranda / O Globo

Para integrantes da Igreja Batista Missionária da Independência e da Convenção Batista Brasileira, a Copa é um espaço de convivência entre as diferenças – André Miranda / O Globo

Arena Fonte Nova recebe grupo inusitado que não está ali para ver os jogos, mas para passar mensagem religiosa e levar paz aos estádios

André Miranda, em O Globo

SALVADOR — Era só um torcedor gritar “A taça é de Portugal, ô pá”, para se ouvir em resposta que não era nada daquilo. “A taça é do Senhor Jesus”, repetiam os voluntários da Convenção Batista Brasileira, tudo isso numa das entradas da Arena Fonte Nova, com as estátuas dos orixás do Dique do Tororó ao fundo. Não muito longe, também ao lado do estádio, outro grupo, este da Igreja Batista Missionária da Independência, distribuía panfletos com o título “Estratégia para a vitória”, enquanto eram acompanhados pelo Sal da Terra, um bloco bem baiano, mas nada terreno. É a Copa servindo de mote para passar uma mensagem cristã, numa Salvador mais conhecida por seus terreiros de candomblé.

As ações das duas igrejas reuniram quase 500 seguidores para cada dia dos dois jogos já realizados em Salvador, o primeiro na última sexta, entre Espanha e Holanda, e o segundo nesta segunda-feira, entre Alemanha e Portugal. O grupo da Convenção Batista Brasileira usava camisas amarelas onde se lia na frente a frase “Jesus Transforma” atrás os nome e número “John 3.16″, em inglês mesmo para chamar atenção dos turistas. Trata-se de um versículo do Evangelho de São João, um que começa dizendo que “Deus amou o mundo”.

Eles apostavam em atividades lúdicas convidando os torcedores que passavam a fazer embaixadas, tentar acertar o gol numa mini-trave feita de canos ou pintar o rosto nas cores dos países que participariam dos jogos. Também distribuíam leques — essenciais para o calor “do capeta” que fazia em Salvador — com sugestões de frases em português, entre elas “Deus te abençoe!”, e alguns ensinamentos sobre as ações de Cristo.

O programa da Igreja Batista se chama TransCopa e tem sido replicado em todas as cidades que servem de sede para a competição. Durante a partida entre Alemanha e Portugal dos 230 presentes na capital baiana, ninguém assistiu à partida: eles esperaram o jogo começar para, depois, ajudar na limpeza do entorno da Arena Fonte Nova.

— Nós estamos aqui para incentivar a paz — explicou Miguel Calmon, coordenador da TransCopa Salvador. — Temos gente de vários estados participando. Já fizemos isso na Copa das Confederações, no ano passado, e certamente estaremos no Rio, para as Olimpíadas de 2016.

Enquanto a turma da TransCopa brincava com as turistas de um lado da Fonte Nova, o outro lado da arena foi tomado pelo batuque do Sal da Terra. O bloco, organizado pela Igreja Batista Missionária da Independência, já existe há 15 anos e sempre desfila em eventos populares de Salvador. O grupo foi representado por mais de 200 pessoas, puxado por porta bandeiras que levavam os símbolos de Brasil, Alemanha e Portugal.

Logo atrás, alguns de seus seguidores faziam coreografias e outros caprichavam nos instrumentos. Os turistas, naturalmente, paravam para tirar fotos a toda hora e, invariavelmente, captavam em suas lentes as mensagens religiosas que o Sal da Terra queria mostrar em cartazes anti-aborto, contra a prostituição infantil, além de pedidos para evitar o uso de drogas e pela paz.

Eles distribuíam panfletos em que definiam sua “estratégia para a vitória”: “permanecer naquilo que Deus ensina em sua palavra”. Curiosamente, o panfletos estavam decorados com sombras de jogadores de vôlei e não de futebol. Mas, tudo bem, a gente aprende no catecismo que perante Deus os esportes são todos iguais.

— Nossa ideia é trazer a mensagem de Jesus para as pessoas — explicou o pastor Ubiratan Gomes, da Igreja Batista Missionária da Independência. — Esperamos que todas as nações que estejam aqui sejam abençoadas.

Nesse clima de paz, os representantes dos dois grupos batistas não se incomodaram em falar sobre as religiões afro-brasileiras, comuns em Salvador e cujas cerimônias costumam chamar a atenção dos turistas estrangeiros. Tanto para um quanto para o outro, a Copa é um espaço de convivência entre as diferenças.

— A religião é uma escolha da pessoa. Não vemos rivalidade. Mas é importante que todos conheçam um pouco de cada religião para melhor optar —afirmou Miguel Calmon.

— Salvador tem todas as vertentes religiosas e nós respeitamos. Por isso nossa ação aqui é passar um ensinamento, não impor uma crença — concluiu o pastor Ubiratan.

Boneco desbocado de Ratinho vira pastor e critica Macedo e Santiago

Eduardo Mascarenhas manipula Xaropinho em culto da Igreja Evangélica Missão Vida em Cristo (foto: Arquivo pessoal)

Eduardo Mascarenhas manipula Xaropinho em culto da Igreja Evangélica Missão Vida em Cristo (foto: Arquivo pessoal)

Paulo Pacheco, no Notícias da TV

O rato Xaropinho, personagem desbocado do Programa do Ratinho, virou pastor. Seu manipulador, Eduardo Mascarenhas, pastor da Igreja Evangélica Missão Vida em Cristo há quatro meses, leva o boneco aos cultos, mas não para orar ou ler a Bíblia, e sim para tirar sarro dos fiéis. A liderança religiosa faz parte da nova rotina do artista, que pretende, aos poucos, deixar o mascote da atração do SBT, por problemas de saúde e para se dedicar à igreja.

“Eu não descaracterizo o Xaropinho. Na igreja, ele continua doido, brincalhão, falando abobrinha. Não quero ficar podando meu humor por causa do puritanismo. Quando não estou fazendo humor, sou pastor Eduardo. Não vou deixar de fazer piada, mas sem falar nenhum palavrão cabeludo”, diz Mascarenhas, que pede permissão a Ratinho, dono de Xaropinho, para manipular o personagem nos cultos.

A ideia de levar Xaropinho à igreja surgiu após Mascarenhas perceber que os frequentadores dos cultos não fazem outra atividade cultural senão ir à igreja: “Quando anuncio o Xaropinho, claro, sempre atrai um ou outro curioso para a igreja, mas levo porque a Igreja é muito séria, sisuda, carrancuda. Pensei nas famílias que não podiam pagar para irem ao cinema, ao teatro”.

O artista, hoje pastor, faz questão de se manifestar contrário às grandes igrejas, como a Mundial, de Valdemiro Santiago, e a Universal, de Edir Macedo. Para Mascarenhas, essas igrejas são “caça-níqueis” e visam apenas o dinheiro.

“Sou contra essas igrejas caça-níqueis que surgem a todo instante. Os caras não fazem nada útil, só fazem igreja para encher de gente, tomar grana [dos fiéis] e comprar emissoras de TV”, critica o pastor, que se sustenta com o salário do SBT e arrecada dinheiro na igreja para seu projeto social, o Instituto Xaropinho.

Na igreja, Mascarenhas manipula Xaropinho como ventríloquo. O rato já aparece gritando e xingando. Chama os fiéis de “feios” e diz que os pastores se parecem com o pugilista Adílson Maguila ou o apresentador José Luiz Datena:

Xaropinho - Beleza, Brasil, vai começar o Programa do Ratinho!

Mascarenhas - Está louco, Xaropinho? Você está na igreja!

Xaropinho - Meu Deus, que povo estranho… aquele é o Maguila ou o Datena?

Mascarenhas - Não, ele é o pastor.

Xaropinho - Pastor é para pastar?

Mascarenhas - Não, é para pastorear!

Xaropinho - Pastorear o quê?

Mascarenhas - As ovelhas. Todo esse povo são as ovelhas!

Xaropinho - Nossa, tem cada ovelha feia! Sabia que ovelha faz cocô redondinho?

Mascarenhas - Você está louco! Aqui é a casa de Deus!

Xaropinho - Deus está me ouvindo? Estou ferrado!

O pastor Eduardo Mascarenhas manipula o boneco Xaropinho durante culto (foto: Arquivo pessoal)

O pastor Eduardo Mascarenhas manipula o boneco Xaropinho durante culto (foto: Arquivo pessoal)

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Edir Macedo ‘chuta’ Valdemiro Santiago da TV aberta

O "apóstolo" Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial, prega durante culto na praça Campo de Bagatelle, em São Paulo (foto: Helio Hilariao/Folhapress)

O “apóstolo” Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial, prega durante culto na praça Campo de Bagatelle, em São Paulo (foto: Helio Hilariao/Folhapress)

Ricardo Feltrin, no F5

O apóstolo Valdemiro Santiago e sua Igreja Mundial nunca sofreram tanto como em 2014. Dois anos atrás, o religioso ocupava mais de 1.200 horas de programação na TV aberta brasileira todos os meses. Ele e seus pastores pregavam 22 horas por dia no canal 21 (UHF), outras 6 horas diárias na CNT (UHF), 4 horas na Band, 6 horas na RedeTV! e outras 3 horas na Gazeta.

HISTÓRIA VITORIOSA ATÉ QUE…

A Mundial tirava fiéis de outras igrejas, Valdemiro insuflava a plateia e criticava Edir Macedo; passou a comprar rádios e outros veículos no interior do Brasil e no mundo inteiro; adquiriu propriedades, fazendas; abriu templos quase que diariamente em algum ponto do país. Negociou até a compra de um canal de TV fechado nos EUA. Gabola, se sentindo extremamente poderoso, o autointitulado apóstolo “profetizou” então que em dois anos sua igreja seria maior que a Universal. Esse foi seu maior erro…

OPS…

Foi justamente aí que Valdemiro pisou no calo de Edir Macedo. Não devia ter feito isso e provavelmente se arrepende até hoje. O líder da Universal decidiu aceitar o desafio e partiu para o contra-ataque. E que contra-ataque. O calvário de Valdemiro começou com aquela reportagem feita pelo “Domingo Espetacular”, da TV Record, que o acusou de enriquecimento ilícito e desvio de recursos da igreja em benefício próprio, em 2012. Investigado por todos os lados, a situação de Valdemiro fugiu do controle. Ele teve de fazer acordos, vender fazendas, imóveis, cancelar contratos de locação de horários de TVs, vendeu rádios, perdeu fiéis, desistiu de outros negócios. E praticamente sumiu da TV…

DOIS ANOS LEVANDO CABONGADA

Das mais de 1.200 horas por mês na TV aberta dois anos atrás, hoje a Igreja Mundial tem cerca de 60 horas/mês. São pouco mais de duas horas semanais na RedeTV!. E provavelmente o pregador vai perder também isso. Dias atrás, como quem não quer nada, a RedeTV! anunciou a contratação de seu novo executivo, Alexandre Raposo, que vem a ser ex-presidente da Record e fiel da Igreja Universal (ele pode até negar, mas é). Acontece que quando chegar o vencimento do contrato de Valdemiro com a RedeTV!, essas duas horinhas e pouco por semana também devem ir para o beleléu. Por beleléu leia-se Igreja Universal.

DERROCADA

Valdemiro diz para quem quiser ouvir que ainda não se dá por vencido. Mas não fala mais nada publicamente contra Edir Macedo. Provavelmente nunca mais vai atacá-lo na mídia, depois das violadas que levou. O apóstolo ainda tem aparecido constantemente em programas do SBT e da RedeTV!. Já foi convidado de Ratinho, de Luciana Gimenez e até de Silvio Santos. Carismático, boa-praça, ainda levanta o ibope das emissoras quando está no ar. Mas os negócios nunca foram tão mal e há poucas perspectivas de melhora em curto e médio prazos. Quanto mais é expulso da TV aberta, mais mínguam as doações, menos dinheiro entra na igreja e menos a Mundial pode se expandir. Aliás, pelo contrário: nos últimos meses vários templos “deficitários” estão sendo sistematicamente fechados por falta de dinheiro. Embora ainda poderosa, a Mundial está encolhendo.

Deputado lembra filme erótico de Xuxa e é destituído de comissão

Houve confusão em comissão da Câmara que tentava votar proposta para proibir castigos físicos em crianças, a Lei da Palmada

Catarine Piccioni e Eduardo Militão, no Congresso em Foco

Uma discussão entre a apresentadora de TV Xuxa Meneguel e o deputado Pastor Eurico (PSB-PE) fez o parlamentar perder sua vaga na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a mais importante da Câmara. Nesta quarta-feira (21), enquanto os deputados tentavam votar a chamada “Lei da Palmada”, que proíbe qualquer castigo físico em crianças e é defendida por Xuxa, Eurico lembrou que a artista já fez um filme em que encena, de forma implícita, sexo com um garoto de 12 anos. “Amor, estranho amor” foi lançado em 1982, mas Xuxa conseguiu impedir na Justiça a comercialização do vídeo, que hoje só circula na internet.

“Desculpe-me eu citar aqui, com todo respeito à pessoa e ao ser humano, mas a conhecida ‘rainha dos baixinhos’, no ano de 82, cometeu a maior violência contra crianças em um filme pornográfico”, disparou Pastor Eurico. Xuxa não respondeu, mas fez sinal de um coração com as mãos. Os deputados começaram um bate-boca imediatamente, criticando duramente Eurico. “Inaceitável”, bradava a deputada e ex-ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário (PT-RS).

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), contrário à redação do projeto da Lei da Palmada, se retratou e disse que o pensamento do pastor não reflete a posição da bancada em relação a Xuxa. “Nós não fazemos acepção [preferência discriminatória, motivada por classe ou condições sociais] de pessoas”, disse Garotinho.  Mesmo assim, o clima esquentou, e a votação acabou adiada. A proposta ainda pode ser analisada hoje.

Intolerante e desrespeitoso

Mais tarde, o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), decidiu destituir o Pastor Eurico da CCJ da Casa. Para ele, o deputado de seu partido se manifestou de forma “intolerante, desrespeitosa e desnecessariamente agressiva” em relação a Xuxa.

“A conduta do deputado Pastor Eurico não representa o pensamento do PSB e manifestamos nosso apreço e respeito pelo empenho da referida artista [Xuxa], que deseja aprovar a lei que propõe a cultura da não agressão. Reconhecemos a sua história, é uma profissional que muito contribui para a instituição das políticas públicas em defesa das crianças e dos adolescentes”, disse o líder do PSB na nota.

Com a destituição do Pastor Eurico, o deputado Júlio Delgado (MG) deverá assumir a vaga.

Sofrimento e agressão

A proposta já foi aprovada em todas as comissões da Câmara. Na CCJ, só falta aprovar a redação final para seguir ao Senado. Mas a bancada evangélica quer que a proposta seja votada no plenário da Câmara. O projeto foi enviado pelo Poder Executivo ainda no governo Lula. Pelo texto, as crianças e adolescentes ganham direitos de serem educados sem castigos físicos, considerando “ações de natureza disciplinar ou punitiva” que tenham “uso de força física” e resultem em “sofrimento ou lesão”.

Deputados contrários à proposta, especialmente os da bancada evangélica, impediram a votação, que foi adiada para o início da noite de hoje. Para Garotinho, a proposta deve ser aprovada, mas desde que haja um acordo entre as partes contrárias para trocar a expressão “sofrimento físico” por “agressão física”. Os defensores do projeto não aceitam ceder. E a bancada evangélica continua a obstruir o andamento da matéria.