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Cresce no Ceará número de celibatários católicos

Cultura

Lauriberto Braga, no Estadão

Cresce no Ceará o número de celibatários na Igreja Católica. São pessoas que não são padres nem freiras, mas leigos que fizeram a opção de dedicar a vida a serviço da Igreja. Um exemplo é um grupo de 45 leigos que se consagrou no celibato no mês passado, em cerimônia na Comunidade Católica Shalom, em Fortaleza.

A Shalom, maior representante da Renovação Carismática Católica no Brasil, abriga em suas residências casais, sacerdotes e celibatários. Os celibatários – que são reconhecidos pelo Vaticano -correspondem hoje ao grupo que mais cresce na Shalom. Segundo o assessor de imprensa da Shalom, Vanderlúcio Souza, “os celibatários, no lugar de dedicar amor exclusivo a uma pessoa, escolhem amar a todos e continuar o legado de Cristo. E Cristo é a maior referência de celibato, pois ele viveu como celibatário quando esteve entre os homens”. Os celibatários, portanto, mantêm-se solteiros e sexualmente abstinentes. Na Igreja Católica, todos os sacerdotes fazem voto de castidade.

Consagração. A ex-estudante de Medicina Gabriella Dias é uma das celibatárias que foram consagradas em Fortaleza. Ela integra a comunidade Shalom há 15 anos e agora recebeu a consagração perpétua no Celibato pelos Reinos dos Céus. “Após discernimento com as autoridades da Shalom, escuta de Deus e retiros, chego ao último estágio para a consagração definitiva”, diz Gabriella.

Para o Shalom, a decisão de Gabriella remete “à eternidade e vai na contramão do senso comum da vivência de provisoriedade”.

Gabriella cursou até o sétimo semestre de Medicina e resolveu abrir mão de ser médica para se dedicar à Shalom, onde atualmente comanda a missão de produzir grandes eventos como o Festival Halleluya, o retiro Renascer e a Exponatal. Ela representa a Shalom na Arquidiocese Metropolitana de Fortaleza e na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A Shalom hoje tem mais de 15 mil membros engajados no Ceará.

foto: Expo Natal

dica do João Marcos

Deputados querem rever norma que veta ‘cura gay’

Projeto que dá poder a igreja de opinar em questões polêmicas está sendo alvo de abaixo-assinado

Publicado originalmente no Blog da Redação Repórter Brasil

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) está convocando a sociedade civil, movimentos sociais e outras entidades engajadas na causa LGBTT para defender a resolução 01/1999, em audiência pública que ocorrerá nesta terça-feira (27), às 14h30, na Câmara dos Deputados em Brasília (DF). A reunião pretende discutir o Projeto de Decreto Legislativo (PDC)  n° 234/2011, de autoria do deputado federal João Campos/PSDB-GO (foto), que questiona a norma do CFP.

Referência no combate à homofobia e na defesa dos direitos humanos no Brasil, a resolução do Conselho de Psicologia proíbe a chamada “cura gay” e estabelece normas para psicólogos no trato a questões relacionadas à orientação sexual, bem como evita a classificação da homossexualidade como patologia.

Interessados também podem assinar um manifesto elaborado pelo CFP, em apoio à resolução 001/1999, disponível aqui.

Um Projeto de Decreto Legislativo é um recurso que autoriza o Poder Legislativo a cessar atos normativos do Executivo que exorbitem os limites de atuação da esfera de governo. No projeto, o deputado pede a remoção dos  artigos 3º e 4 da resolução do Conselho de Psicologia.

Esses dois parágrafos estabelecem, entre outras normas, que “psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades” nem participarão “nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.

O projeto do deputado alega que o a norma do Conselho interfere no livre exercício da profissão. Em nota, o CFP alerta para a inconstitucionalidade do Decreto Legislativo, já que a resolução 001/1999 compete a um conselho profissional, e que, portanto, não integra o Poder Executivo.

Para discutir o PDC 234/2011, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados convoca a audiência pública de amanhã com convites para o pastor Silas Malafaia; o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto da Cota Verona; a escritora e psicóloga Marisa Lobo; e o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis. A convocatória para a reunião segue aqui.

foto: CJGospel

A internet está nos deixando mais burros?

PREÇO ALTO O biólogo Hebert Campos, em Campina Grande. A internet abriu seus horizontes e acabou com sua concentração. “Perco de um lado, mas ganho do outro”  (Foto: Kleide Teixeira/ÉPOCA)

O biólogo Hebert Campos, em Campina Grande. A internet abriu seus horizontes e acabou com sua concentração. “Perco de um lado, mas ganho do outro” (Foto: Kleide Teixeira/ÉPOCA)

ALBERTO CAIRO, PETER MOON E LETÍCIA SORG, na Época

O escritor americano Nicholas Carr sentiu que algo estranho ocorria com ele há uns cinco anos. Leitor insaciável, percebeu que já não era capaz de se concentrar na leitura como antes. Na verdade, sua ansiedade disparava diante de qualquer tarefa que exigisse concentração – seus olhos procuravam a tela do computador ou do celular. O impulso de espiar na internet era quase incontrolável, diz ele. “Sentia que estava forçando meu cérebro a voltar para o texto”, afirma. “A leitura profunda, antes tão natural para mim, tinha se transformado numa luta.” Tal afirmação abre o livro The shallows – What the internet is doing to our brains (Os superficiais – O que a internet está fazendo com nossos cérebros, ainda sem tradução no Brasil). Nele, Carr faz uma acusação seriíssima: a exposição constante às mídias digitais está mudando, para pior, a forma como pensamos. Ele e um punhado de autores respeitáveis acreditam que, por causa do uso excessivo de computadores e de outros aparelhos digitais, nosso cérebro é alterado e estamos nos tornando menos inteligentes, mais superficiais e imensamente distraídos – o inverso de tudo aquilo que fez de nós a espécie mais bem-sucedida do planeta Terra.

“Em vez de mentes juvenis inquietas e repletas de conhecimento, o que vemos nas escolas é uma cultura anti-intelectual e consumista, mergulhada em infantilidades e alheia à realidade adulta”, afirma Mark Bauerlein, autor de The dumbest generation (A geração mais estúpida). No livro, ele antecipa uma nova Idade das Trevas, quando os indivíduos que hoje são crianças e adolescentes chegarem à maturidade.

Bauerlein, professor na Universidade Emory, na Geórgia, supervisiona estudos sobre a vida cultural americana. Ele acredita que as novas gerações, educadas sob a influência das mídias digitais, são formadas por narcisistas despreparados para pensar em profundidade sobre qualquer assunto. Ele diz que uma pesquisa de 2006 com mais de 81 mil estudantes americanos de ensino médio detectou que 90% deles “leem ou estudam” menos de cinco horas por semana – embora passem “pelo menos” seis horas navegando na internet e um período equivalente assistindo à TV ou jogando videogame. “Indivíduos que não sabem praticamente nada de história, que nunca leram um livro nem visitaram um museu não têm mais do que se envergonhar. Tornaram-se comuns”, afirma.

Leia a matéria na íntegra abaixo

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