Por que tanta gente gosta de escrever para o próprio umbigo na internet?

Publicado por Leonardo Sakamoto

Tirei uma hora desta manhã para colocar em dia a leitura de algumas reportagens e artigos que andei separando ao navegar pela rede. Creio que muitos de vocês compartilham com o mesmo sentimento de frustração de se deparar com tanta coisa interessante e ir juntando tudo, mesmo sabendo que nunca terá tempo para ler.

Ou, nascendo em família rica, optaram por não trabalhar e podem ler à vontade, não compreendendo patavinas da frustração supracitada.

Luta de classes à parte, o fato é que considerei muitos dos textos que separei quase impossíveis de serem compreendidos. Estavam bem formatados, adequados às normas linguísticas, mas não dialogavam com o leitor. Quando muito com o próprio umbigo sujo do seu criador.

Parecia que as palavras haviam sido escolhidas para demonstrar que seu autor tinha um bom estoque delas em seu curral intelectual e não para passar a ideia da forma mais simples possível. E simples não significa superficial ou pouco profundo.

Esta discussão é diferente daquela travada no jornalismo sobre a necessidade de fugir do economês, do juridiquês, do politiquês ou da pavonice cultural para tratar de assuntos específicos. O nó é mais embaixo. Tem a ver com a vontade de esbanjar um conhecimento desnecessário a fim de se validar com determinado grupo social. Os outros jornalistas, por exemplo.

Antes da popularização da internet, o jornalista não tinha como ter certeza se foi lido ou não. Quando recebia uma mensagem escrita, já era a certeza de sucesso. A menos que o veículo impresso fizesse uma pesquisa com os leitores, era aferir corretamente o ibope de determinado assunto.

Por conta de uma reportagem especial, recebi – há mais de dez anos – algo como umas duas dezenas de cartas. Sim, cartas, daquelas escritas a caneta. Sim, caneta, lápis, lapiseira – essas antiguidades paleozóicas que você descobriu em um verbete da Wikipedia. Aquilo foi algo assombroso, pelo qual estufava o peito feito um pombo e me acha o p das galáxias.

Hoje, isso se tornou corriqueiro. Em muitos casos, menos profundo, mais banal e corriqueiro. Mas quem disse que jornalismo deve ser sagrado e não mundano?

É claro que uma reportagem sobre o suicídio do pug zarolho de uma ex-BBB chama mais atenção do que o assassinato de indígenas no Sul da Bahia ou a morte de jovens na periferia de São Paulo.

Mas há um outro componente que diz respeito à linguagem usada nos textos. A quantidade de informação disponível na internet já deixou claro que teremos que ser mais atraentes para que o conteúdo que carregamos seja consumido em detrimento a muita coisa que está por aí. As pessoas vão ler cada vez menos jornais e revistas por inteiro, com o ordenamento hierarquizado e vertical que os veículos impõe, e consumirá informação de forma horizontal, através das páginas e blogs curtidos em suas redes sociais.

Chegou a hora, portanto, de quem não se dignou ainda, descer do pedestal. Escrever para os colegas e meia dúzia de intelectuais pode ser bom para o ego e agrega valor ao camarote. Mas adotar esse modelo pensando no seu poder de pautar é esquecer que as próprias redes já fazem isso em escala muito maior com materiais que são facilmente compreendidos pela maioria, abrangendo não apenas os coleguinhas mas outros polos de difusão na internet, com capacidade de replicação maior que veículos tradicionais. Como organizações da sociedade civil, a classe artística e lideranças comunitárias, por exemplo. Criando ondas que são sentidas nos parlamentos ou nas casas de governo, sejam elas políticas ou corporativas.

O fato é que, como diria um antigo professor de jornalismo, muitas vezes escondemos nossa indiferença com o outro ao escolher a linguagem que usamos.

E isso não se altera com escolha de palavras. Mas com mudança na visão de mundo.

 

Leia Mais

Sucesso na internet, “Rei do camarote” pode ser uma armação

Evidências estão ligadas a ambiente usado no vídeo que se tornou viral e fotos no Instagram do suspeito da armação.

reidoPublicado por TechMestre

Uma história publicada em um famoso site de uma revista no último final de semana tem ganhado destaque nas redes sociais. O conteúdo mostra a vida de um homem de 39 anos que esbanja dinheiro em baladas nos finais de semana.

O homem em questão seria Alexander de Almeida, o qual iria para as casas noturnas em sua Ferrari avaliada em R$ 1,2 milhões. A história, porém, tem gerado dúvidas nos internautas, os quais se perguntam se ela é de fato verídica.

Uma forte evidência de que tudo não passa de uma “trolagem” está ligada a Wagner Martins, antigo proprietário do site Cocadaboa. Atualmente ele responde por Mr. Manson, e ganha cada vez mais seguidores no Twitter após o caso do “Rei do Camarote”.

Uma imagem postada recentemente em seu Instagram mostra os bastidores da “armação”. Nela, o suposto milionário Alexander posa para fotos, as quais seriam capturadas por Wagner. Em outra, o “empresário” aparece com a legenda “Esse cara aí e muito fera”, citada por Wagner.

Além disso, “Mr. Manson” aparece em algumas fotos dirigindo uma Ferrari. Em uma delas, inclusive, ele coloca a legenda citada por Alexander: “Você tem que ter um carro. Um carro potente”. Em seu twitter, algumas postagens também falam sobre o assunto, evidenciando que ele possa tentar chamar ainda mais atenção para o caso.

Ao menos a história parece ter garantido novos seguidores para Wagner nas redes sociais. Vale aguardar para se ter a confirmação (ou não) da armação. E você, acredita em tudo isso?

Fonte: Instagram – Mr. Manson e Twitter – Mr. Manson

dica do Deiner Urzedo

Leia Mais

China tem exército de 2 milhões de censores da internet

13283633

 

Publicado na Folha de S. Paulo

A China tem 2 milhões de pessoas vigiando a internet, contingente maior que o das Forças Armadas do país.

O número, divulgado pelo jornal estatal “Beijing News”, oferece uma rara pista para dimensionar o exército secreto usado pelo governo para controlar e censurar a rede.

Descritos pelo jornal como “analistas de opinião”, os vigilantes da rede são empregados pelo Estado e por empresas comerciais para filtrar o que é publicado em sites, blogs e microblogs, como o popular Sina Weibo, a versão chinesa do Twitter, com milhões de assinantes.

Com a imprensa sob controle total do Estado, a internet transformou-se num dos raros canais para os chineses criticarem o governo.

Além disso, blogs têm sido usados com frequência para revelar ações impróprias ou ilegais de autoridades.

A reportagem do “Beijing News” também dá uma ideia de como trabalham os “analistas de opinião”. Sem especificar onde ele atua, o jornal cita o caso de Tang Xiaotao, contratado há menos de seis meses.

“Ele passa o dia na frente do computador e, por meio de um aplicativo, vigia as palavras escolhidas pelos clientes”, diz o relato. “Em seguida, monitora opiniões negativas relativas aos clientes e faz relatórios”.

BATALHÃO

O batalhão de censores está prestes a aumentar, afirma o jornal. O governo organizará na próxima semana um treinamento para monitores em oito módulos, que ensinará a “analisar, julgar mensagens on-line e lidar com situações de crise”.

Caso seja verdadeiro, o número de vigilantes citado pelo “Beijing News” supera em muito o contingente militar da China, que totaliza 1,48 milhão de soldados.

No jargão dos internautas, os monitores são chamados de “wu mao” (5 centavos, em mandarim), pela quantia que receberiam do governo toda vez que apagam um comentário negativo ou publicam algum positivo.

O governo chinês raramente dá detalhes de seu amplo e sofisticado sistema de monitoramento da internet.

Mas a rapidez com que mensagens são apagadas já fazia supor que há um exército de censores em ação. Segundo números oficiais, a China tem 564 milhões de usuários de internet.

CINCO MINUTOS

Em um estudo feito no início do ano, dois cientistas da computação norte-americanos, Jed Crandall e Dan Wallach, concluíram que uma mensagem indesejada publicada na internet chinesa pode levar apenas cinco minutos para ser deletada –e no máximo, 24 horas.

O governo chinês apertou o cerco à liberdade na internet recentemente, com a aprovação de uma lei contra rumores na rede. Caso uma mensagem considerada ofensiva seja vista por 5.000 pessoas, o autor pode ser punido com prisão.

Um levantamento divulgado há poucos dias pela ONG norte-americana Freedom House posiciona a China entre os países com menor liberdade na internet, entre 60 analisados. O país só ficou à frente de Cuba e Irã.

Leia Mais

“Pessoas não são aplicativos”, afirma estudo de universidade catarinense

vicio-redes-sociais1

Publicado por Paulo Brabo

ORLEANS, SC. Um estudo publicado pela Universidade Federal de Orleans, em Santa Catarina, concluiu que pessoas não são aplicativos da internet, e não precisam estar disponíveis cem por cento do tempo para produzir satisfação no seu público consumidor de amigos e conhecidos.

Durante três semanas o estudo acompanhou os hábitos de 12 pessoas e sua interação com familiares e amigos. Hugo Parbá, professor de Antropologia e Webcinese, autor de Vida além da net, afirma ter encontrado indícios de vida offline em pelo menos 20% dos integrantes do grupo teste.

“Aparentemente não é preciso estar conectado 100% do tempo e passar o dia promovendo as suas próprias atividades na net para que as pessoas se lembrem de você”, afirma Parbá. “Encontramos indicações de que as pessoas talvez continuem a gostar de você mesmo sem que as duas partes tenham acesso à rede em um dado momento. Pelo que sabemos essa afeição offline pode durar meses, quem sabe anos, mas testes adicionais serão necessários.”

Estudos que buscam indícios de vida offline enfrentam oposição e ceticismo em diversos círculos acadêmicos. “Isso é pseudociência”, opinou o filósofo e ensaísta Luiz Felipe Pondé quando tomou conhecimento da pesquisa. “A internet é tudo que existe, existiu ou existirá”, completou o escritor, citando o subtítulo de seu novo livro, A rede é o peixe.

Leia Mais