‘A Internet virá abaixo e viveremos ondas de pânico’, prevê estudioso

Filósofo Dan Dennett alerta para nossa dependência da internet Wikipédia
Filósofo Dan Dennett alerta para nossa dependência da internet Wikipédia

Dan Dennett, respeitado filósofo norte-americano, avalia as repercussões de uma queda total da rede no mundo digital

Publicado em O Globo

MADRI – Dan Dennett, nascido em Boston, em 1942, é um homem pausado. Com barba branca, aspecto de catedrático entranhável e andar tranquilo, ninguém esperava quando subia os degraus até o palco do TED que o respeitado filósofo americano estava a ponto de pronunciar um discurso que ressoa ainda pelos corredores do teatro construído pelo arquiteto David Rockwell: “A Internet cairá e quando isso acontecer viveremos ondas de pânico mundial. Nossa única possibilidade é sobreviver às primeiras 48 horas. Para isso temos de construir —se me permitem a analogia— um bote salva-vidas”.

Os botes salva-vidas são, segundo Dennett, o antigo tecido social de organizações de todo tipo que se viram (quase) aniquilados com a chegada de internet. “Algumas tecnologias nos tornaram dependentes e a internet é o máximo exemplo disso: tudo depende da rede. O que aconteceria se ela caísse? Nos Estados Unidos tudo desabaria em questão de horas. Imagine: acordar e a TV não estar funcionando? Obviamente não tem sinal no celular. Você não tem coragem de pegar o carro porque não sabe se essa vai ser sua última reserva de gasolina e os únicos que se prepararam para isso são todos esses malucos que constroem bunkers e armazenam armas. Certeza de que queremos que eles sejam nossa última esperança?”.

Dennett, famoso por suas teorias sobre a consciência e a evolução, e considerado um dos grandes teóricos do ateísmo, não mantém — explica a “El País” — um tom alarmista, e também não quer ser acusado de catastrofista: “O que digo não tem nada de apocalíptico, pode falar com qualquer especialista e lhe dirá o mesmo que eu, que é questão de tempo para a rede cair. Só o que digo é que deveríamos preparar-nos: antes costumava haver clubes sociais, congregações, igrejas etc. Tudo isso desapareceu ou vai desaparecer. Se tivéssemos outra rede humana pronta… Se você soubesse que pode confiar em alguém, em seu vizinho, em seu grupo de amigos, porque previram a situação, não estaria mais tranquilo?”, pergunta Dennett, sentado em uma cadeira e acariciando-se a barba enquanto mastiga cada palavra.

O filósofo tem certeza: “a internet é maravilhosa mas temos que pensar que nunca fomos tão dependentes de algo. Jamais. Ao pensar a respeito, é bastante irônico que o que nos trouxe até aqui possa levar-nos de volta à idade de pedra”, argumenta.

O professor na universidade de Tufts, considerado dono de uma das mentes mais brilhantes das últimas décadas, tem claro como chegamos até aqui: “Da invenção da agricultura, há 10.000 anos, a cultura evoluiu de um modo puramente darwiniano mas a chegada da tecnologia acelerou esse processo até um ponto imprevisível. Quem compra música agora? E livros? O mesmo pode ser dito do cinema ou de qualquer outra disciplina artística. O papel da cultura mudou completamente, exatamente o mesmo que acontece com a religião. E a tecnologia tem um papel muito relevante em tudo isso”.

E pergunta-se: “Isso tem solução?”. E responde: “Claro, os humanos somos incríveis prevenindo catástrofes. O que acontece é que ninguém recebe uma medalha por algo que não aconteceu. Os heróis são sempre os que atuam a posteriori, mas não tenho nenhuma dúvida de que a humanidade saberá se preparar para o que está por chegar. Há 20% de possibilidades de que esteja equivocado, também podemos nos agarrar a isso”.

Ponta de humor

Ironicamente, o site humorístico “The Onion” publicou em 2003 uma matéria satírica intitulada “48-hour internet outage plunges nation into productivity” (‘Apagão de 48-horas na internet mergulha nação em surto de produtividade’, na tradução livre). Na paródia, empresas não tiveram outra saída — diante da parada da internet — senão produzir como nunca antes fizeram, desde que a grande rede se tornou ubíqua em escritórios.

 

 

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Marco Civil da Internet foi aprovado no Senado e agora depende de sanção presidencial

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Publicado no Gizmodo

Em votação simbólica, o Senado Federal aprovou na noite de ontem, 22, o texto do Marco Civil da Internet. Foi muito mais rápido do que na Câmara dos Deputados – lá, o projeto trancou a pauta por meses. Agora resta apenas a presidente Dilma Rousseff sancionar para ele se tornar lei.

E isso deve ser feito muito em breve. A ideia é que Dilma leve o Marco Civil já como lei durante a abertura da NetMundial, evento que começa hoje em São Paulo e reunirá lideranças mundiais para discutir os rumos do controle da internet.

No Senado, o Marco Civil encontrou muito menos resistência do que na Câmara dos Deputados, e foi aprovado sem nenhuma alteração em relação ao texto votado no final de março. Alguns senadores da oposição queriam mais tempo para analisar o projeto e propor algumas alterações, mas acabaram cedendo e votaram a favor da proposta. Mesmo alguns líderes do governo no Senado achavam que uma ou outra alteração poderia ser feita – Eduardo Braga (PMDB-BA) chegou a propor a mudança do termo “autoridades administrativas”, no artigo 10 (sobre acesso a dados pessoais dos usuários de internet por autoridades) para “delegado de polícia e Ministério Público”, para deixar o texto um pouco menos vago. Mas ele também cedeu – disse que aceita que essa alteração seja feita através de medida provisória.

Portanto, o Marco Civil da Internet, a nossa “Constituição da Internet”, enfim vai sair do papel, após anos e anos de discussão. Alguns pontos importantes – a neutralidade de rede e a privacidade dos usuários – foram mantidos. Você pode ler o texto final aprovado pela Câmara aqui.

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Casal escolhe nome de filha baseado em sugestões de internautas

Publicado no UOL

O casal canadense Alysha e Stephen McLaughlin teve uma ideia que tinha tudo para dar errado: criaram um site, chamado NameMyDaughter, para que os internautas sugerissem e escolhessem o nome da sua filha por meio de votação.

E se não fosse a intervenção dos pais, teria dado errado mesmo. Isso porque o nome escolhido pela maioria foi “Cthulhu”, que representa um monstro das histórias de terror “The Call of Cthulhu”. Nos contos, o personagem é tido como sinônimo de mal extremo e horror.

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Os McLaughlin preferiram, no entanto, o nome “Amelia”, que foi o segundo mais votado pelos internautas. O nome completo da pequena menina ficou Amelia Savannah Joy McLaughlin (um final feliz, ufa).

O nome do meio (Savannah Joy) também podia ser escolhido pelos usuários, mas as decisões dos internautas foram descartadas pelos pais. Uma atitude sábia, uma vez que os nomes do meio preferidos da web foram coisas como Salad (salada) e Pond (lagoa).

Eu, no entanto, não entendo como ficaram de fora do topo nomes como “Princesa Leia” (“Star Wars”), “Penny” (“The Big Bang Theory”) ou tenente Uhura (“Star Trek”).

De qualquer forma, a sorte da pequenina Amelia foi não ter nascido menino. Se fosse, com certeza teria grandes chances de se chamar “Goku”, dada a popularidade do anime “Dragon Ball”.

Veja o que a internet já produziu sobre essa ideia de chamar um filho de “Goku”:

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Twitter também pode servir para prever crimes, diz estudo

A análise de tuítes permite prever 19 entre 25 formas de crime, especialmente o assédio ou a perseguição, o roubo e alguns tipos de agressão Foto: Kacper Pempel / Reuters
A análise de tuítes permite prever 19 entre 25 formas de crime, especialmente o assédio ou a perseguição, o roubo e alguns tipos de agressão Foto: Kacper Pempel / Reuters

Embora os tuítes não tenham relação direta com um crime, eles contém elementos valiosos sobre as atividades de seus autores

Publicado no Terra

Os tesouros escondidos no Twitter podem ser extremamente úteis para combater crimes, segundo um estudo americano de acordo com o qual muitos crimes ou agressões podem ser detectados antecipadamente caso esta informação seja analisada de forma adequada.

A análise de tuítes permite prever 19 entre 25 formas de crime, especialmente o assédio ou a perseguição, o roubo e alguns tipos de agressão, segundo um trabalho da Universidade da Virgínia, publicado no periódico científico “Decision Support Systems”.

As conclusões podem surpreender porque, é claro, as pessoas raramente tuítam diretamente os crimes que vão cometer, diz o autor principal do estudo, Matthew Gerber, do Laboratório de Tecnologia Preditiva da Universidade da Virgínia (nordeste).

No entanto, embora os tuítes não tenham relação direta com um crime, eles contém elementos valiosos sobre as atividades de seus autores ou sobre seu bairro e seu entorno.

“As pessoas tuítam sobre suas atividades cotidianas”, explica Gerber à AFP. “Estas atividades rotineiras as colocam em um contexto no qual há possibilidades de que aconteça uma infração. Por exemplo, se eu e muitas outras pessoas tuitamos que vamos nos embebedar esta noite, sabemos que vão ocorrer algumas infrações associadas ao álcool”.

Gerber e seus colegas analisaram os tuítes de alguns locais de Chicago, ajudados pela base de dados de criminalidade na cidade. Assim, conseguiram fazer previsões sobre as regiões onde há risco de ocorrer determinados tipos de crimes, o que pode ser útil para a dotação orçamentária de segurança ou para a mobilização de policiais ao local.

“Esta aproximação permite ao analista visualizar e identificar rapidamente as áreas com forte criminalidade”, explica o estudo, “visto que as potenciais infrações com frequência ocorrem em locais onde este tipo de crime já foi cometido”. Isto “permitirá elaborar uma cartografia das áreas de fama duvidosa, que funcionará como uma ferramenta útil para prever o crime”.

Nos últimos anos, a ideia da “polícia preditiva” ganhou terreno e os serviços de vigilância têm se apoiado cada vez mais em dados previstos por gigantes como a IBM. Este novo estudo é publicado depois de outros informes, segundo os quais o comportamento dos usuários no Twitter pode ajudar a prever o resultado das eleições ou inclusive o surgimento de um vírus ou uma epidemia.

Gerber destacou que os tuítes são uma fonte muito fácil de usar, pois são de acesso público e muitos contêm dados de geolocalização. O estudo foi financiado pelo exército americano que, segundo Gerber, utiliza técnicas similares para determinar ameaças às suas forças no Iraque e no Afeganistão. O especialista destaca que não há limites para o uso de seu modelo de previsão, embora alguns crimes – como os sequestros ou os incêndios criminosos – não possam ser previstos por uma razão que lhes escapa.

Após ser contatado pela polícia de Nova York, Gerber já começou a examinar os dados da megalópole americana para determinar se os resultados que obteve em Chicago são igualmente bem sucedidos ali. Por outro lado, o pesquisador espera poder ampliar seus estudos a outras redes sociais, a fim de detectar melhor os crimes e avaliar se é possível impedi-los. “Não estudamos se isto pode reduzir a criminalidade”, diz Gerber. “Esta é outra etapa”, prossegue.

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Estudo associa perda da fé à expansão da internet

Em sentido horário, Daniel Sottomaior, Heloísa Cardillo Weiszflog, Wanda Karine Santana e Padre José María Ramírez O Globo e arquivo pessoal
Em sentido horário, Daniel Sottomaior, Heloísa Cardillo Weiszflog, Wanda Karine Santana e Padre José María Ramírez O Globo e arquivo pessoal

Religiosos, no entanto, dizem que tecnologia também leva a Deus

Sergio Matsuura, em O Globo

RIO – A curitibana Wanda Karine Santana, de 33 anos, passou praticamente a vida inteira seguindo preceitos religiosos. Na infância, foi batizada na Igreja Católica e frequentou missas. Depois, participou de grupos jovens mórmons e integrou denominações evangélicas como a Igreja Pentecostal Deus é Amor, a Igreja Internacional da Graça de Deus e a Igreja do Evangelho Quadrangular. No ano passado, incentivada por um amigo, começou a participar de uma comunidade de ateus e agnósticos no Facebook. As discussões on-line levaram a estudante de Direito a repensar suas crenças e, de forma surpreendente, tornar-se ateia.

– Primeiro me tornei agnóstica, depois abracei o ateísmo. Nunca me senti tão livre. Sou capaz de assumir os meus atos, meu comportamento é determinado pelo que eu aprendi, não por imposição religiosa – conta Wanda, que compartilhou na rede social o seu depoimento. – A internet foi fundamental nesse processo. A rede estabeleceu um espaço para as pessoas discutirem livremente.

Para o pesquisador americano Allen Downey, ex-Google e professor da Olin College of Engineering de Massachusetts (EUA), casos como o da estudante se tornaram comuns. Em um polêmico estudo, ele vê ligação entre o avanço da web e a queda da adesão religiosa. Entre 1990 e 2010, o número de americanos sem religião aumentou de 8% para 18%, enquanto o uso de internet avançou de quase zero para 80%. O pesquisador ressalta que se trata de uma correlação estatística, sem relação causal. Entretanto, sustenta, fornece evidências em favor da causalidade.

Por outro lado, adeptos e estudiosos de religião criticam esse raciocínio. Eles veem a internet muito mais como uma aliada da catequese do que uma adversária. Citam, entre outros exemplos, o estreitamento entre líderes religiosos e fieis graças às redes sociais, aplicativos que facilitam a propagação de doutrinas e até mesmo o alcance midiático do Papa Francisco, que já reúne 13 milhões de seguidores em sites como o Twitter e o Facebook.

Divulgado no fim de março, o estudo da Olin College foi feito com base numa espécie de censo bienal conduzido pela Universidade de Chicago (EUA) e segmentou a amostra por idade, grau de escolaridade, renda, local de moradia, classe social e, claro, uso de internet.

Após o cruzamento de dados, três fatores surgiram como principais contribuidores para a redução da filiação religiosa: o aumento do número de pessoas que não recebem educação religiosa na família (de 3,3% para 7,7%), o crescimento da parcela da população com 16 anos ou mais de estudo (17,4% para 27,2%) e o avanço da internet (de 0% para 78%).

Educação religiosa tem forte queda

“Sem surpresas, o fator com maior efeito é o encolhimento da educação religiosa”, diz o estudo. “A educação superior diminui as chances de filiação religiosa, assim como o uso da internet”. Downey especula que a facilitação da comunicação e o aumento da circulação de ideias podem influenciar no processo de secularização.

– É fácil imaginar ao menos duas formas em que o uso da internet pode contribuir para a desfiliação religiosa. Para as pessoas que vivem em comunidades homogêneas, a internet oferece a oportunidade de encontrar informações e interagir com pessoas de outras religiões ou nenhuma. E, para os que têm dúvidas em relação à religião, a internet provê acesso a pessoas em circunstância similar em todo o mundo – explica.

A pesquisa foi destaque na “MIT Technology Review”, revista do prestigioso Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Contudo, para Yvonne Maggie, professora do departamento de Antropologia da UFRJ, o avanço da web e o aumento da população que se declara sem religião estão, ambas, ligadas ao mundo contemporâneo, não sendo possível aferir relação direta entre os fenômenos.

– Nós vivemos o desencantamento do mundo, onde os acontecimentos não são mais vistos pela ótica religiosa – afirma Yvonne. – O consumismo, as novas tecnologias, o aumento da escolaridade, a urbanização, o avanço do ateísmo… São fenômenos do mundo contemporâneo, mas fazer relação direta entre uma coisa e outra é complicado.

A antropóloga destaca que a secularização vem avançando no mundo inteiro nos últimos 40 anos, inclusive no Brasil. O último censo demográfico, realizado pelo IBGE em 2010, mostrou que 8% dos brasileiros se declaram sem religião, o que representa cerca de 15 milhões de pessoas, sendo que 615 mil se declararam ateus. Em 1991 o percentual era de 4,8%, em 2000, de 7,3%.

– A falta de religiosidade não quer dizer que as pessoas não tenham outras crenças. Para muitos, a ciência funciona quase como uma religião – propõe a antropóloga.

O padre Jesús Hortal Sánchez, pRofessor de Teologia na PUC-Rio, concorda que a falta de educação religiosa no âmbito familiar e o avanço do nível de escolaridade são variáveis que vêm contribuindo para a diminuição da filiação religiosa, mas discorda sobre a internet, considerada por ele apenas uma ferramenta. Na opinião de Sánchez, a rede mundial de computadores pode até mesmo facilitar a catequese.

– A internet amplia o acesso à informação, mas depende do que a pessoa busca na rede. No meu Facebook, quase todos os meus 400 contatos debatem questões religiosas – diz.

Magali Cunha, professora de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo e colunista do GLOBO, destaca o surgimento da “religiosidade cibernética”, formato para expressão da fé surgida com o avanço da internet e das novas tecnologias. Sites permitem acender “velas virtuais”, e, inspirados no tradicional confessionário, surgiram espaços para orientação espiritual on-line. No instituto Amaivos, por exemplo, qualquer pessoa pode entrar em contato com representantes de várias religiões para tirar dúvidas ou desabafar sobre seus problemas.

– As instituições religiosas pararam no tempo – diz o economista Tony Piccolo, fundador do instituto. – As pessoas estão buscando alternativas para trabalhar a fé, sem vínculo com as religiões.

Católico praticante, Piccolo afirma que a internet horizontalizou as relações humanas, minando a hierarquia tão presente nas religiões. Ele conta ter enfrentado dificuldades para convencer os religiosos sobre a importância da tecnologia quando o site foi criado, em 2000.

Esse não é o caso do padre espanhol José María Ramírez, da Congregação Legionários de Cristo, que no mundo tech pode ser considerado um aficionado de primeira hora. Há 14 anos ele adotou um palmtop para carregar versões digitais da Bíblia e, hoje, usa um iPad e um iPhone 4 para facilitar seu trabalho de evangelização e comunicação com os fieis.

– Faço parte de uns 20 grupos no WhatsApp – diz o padre de 59 anos, com orgulho. – A fé caminha junto com a cultura, porque faz parte dela.

A missa toda no smartphone

Os fiéis se beneficiam da tecnologia. A advogada paulistana Heloísa Cardillo Weiszflog, de 31 anos, instalou há cerca de três meses o aplicativo “Católico Orante” em seu smartphone. Desde então, trocou o tradicional folheto de papel pelo celular para acompanhar as missas.

– Se a pessoa é realmente religiosa, é uma forma de aprofundar ainda mais a fé – diz.

O criador do aplicativo, Rafael Ribeiro, afirma que ele já foi baixado quase 500 mil vezes na Google Play:

– Se a tecnologia existe, por que não usá-la em prol da religião?

E por que não usá-la para propagar ideias racionais e antirreligiosas? Essa é a proposição de Daniel Sottomaior, presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, que concorda com a inexistência de nexo de causalidade entre o avanço do acesso à internet e o arrefecimento da fé, mas vê no acesso à informação, de um modo geral, a porta de saída das religiões:

– Todo mundo nasce ateu. Somente depois as pessoas se convertem, por experiência emocional ou doutrinação infantil, e algumas abandonam a religião quando começam a questionar os dogmas. A informação é libertadora.

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