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Robôs geram 51% dos acessos a sites da internet; humanos, apenas 49%

Publicado originalmente na Superinteressante
Essa é a surpreendente conclusão de um levantamento da empresa americana Incapsula, que analisou o tráfego de 1000 sites. Segundo ela, 51% de todos os acessos são gerados por robôs, como: softwares indexadores das ferramentas de busca (20%), programas hackers que procuram brechas de segurança (5%) e máquinas que colocam spam em comentários de blog (2%). O estudo é meio desconfiável, pois foi feito por uma empresa que vende ‘soluções de gerenciamento’ para sites, mas sua conclusão parece bem plausível. Existem botnets que controlam dezenas de milhões de computadores (sem que os donos saibam). Há setores inteiros da internet, como o dos sites pornô, que praticam compra e venda de tráfego – em boa parte, gerado por robôs. E você não acreditaria na quantidade de comentários-spam recebidos por sites e blogs (neste, por exemplo, a proporção é de 80:1).

Twitter recebe mais de 270 mil reclamações de consumidores por ano

Publicado originalmente no Adnews

O "Procon da internet"

Em 2011, 272.181 queixas foram feitas por consumidores via Twitter com a hashtag #fail (em inglês, falha). É o que mostra levantamento realizado pela E.life de 1 de janeiro a 31 de dezembro do ano passado, segundo o qual, houve mudanças nos focos de reclamação.

As categorias que ficaram na frente do ranking negativo foram alimentos (o que inclui restaurantes e marcas de comidas e bebidas); operadoras de telefonia (fixa e móvel); eletro-eletrônicos; bancos, seguradoras e cartões; e provedores de internet.

Os alimentos foram alvo de 119,5 mil reclamações, o que o fez saltar da 5ª posição em 2010 para a 1ª em 2011. Com 56,7 mil, as operadoras caíram do topo para o 2º lugar. Eletro-eletrônicos (com 18,1 mil), foram do 6º lugar ao 3º.

Navegadores; companhias aéreas; instituições de ensino; cosméticos e produtos de higiene; montadoras de automóveis; supermercados; aparelhos celulares; revistas; e produtos de limpeza completam os ítens mais criticados.

Raio-x da traição (ou por que seu companheiro fica até tarde no computador)

Nathalia Ziemkiewicz, no Sexpedia

Já se perguntou o que o seu marido ou a sua esposa tem feito no computador até tããão tarde da noite? Pois é, meu bem: trago más notícias. A cada 17 segundos, um brasileiros se cadastra no site Ohhtel.com, uma rede social para infiéis.

Já são 420 mil inscritos no país, mais da metade dos 700 mil usuários de toda a América Latina. Se você é de São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte, as chances de o seu companheiro (a) ter pulado a cerca pela internet é maior.

Se ele tiver entre 30 e 50 anos ou ela, entre 18 e 40 anos… é bem difícil que você não seja corno (ou já tenha sido). Uma grande pesquisa realizada pelo site entre os usuários descobriu que 65% dos homens já teve pelo menos 5 casos ao longo da vida, contra 32% das mulheres.

O Sexpedia entrevistou a especialista em casos extranconjugais Laís Ranna (foto), vice-presidente de operações do Ohhtel, sobre o assunto. Se servir de consolo, ela acredita que trair não é razão suficiente para acabar com um casamento.

- Por que as pessoas traem? Homens e mulheres têm razões diferentes?
As principais razões para ter um caso são: não ter sexo suficiente em casa (M 33% x H 51%), estar entediado e procurando variedade (M 23% x H 37%), mais romance (M 21% x H 0%), falta de desejo sexual pelo cônjuge (M 16% x H 8%), acabou o amor pelo cônjuge (M 5% x H 3%).

- Onde eles procuram por um caso?
Homens e mulheres buscam principalmente no trabalho e na internet. Eles também aproveitando idas à boates e viagens a negócios para encontrar um affair. Elas vão atrás de amigos e ex-amantes.

- O comportamento sexual dos brasileiros tem alguma característica específica em relação aos de outros países?
A maioria dos usuário do Ohhtel em outros países estão numa fase em que não há mais sexo entre o casal. No Brasil, existe um grande número de pessoas apenas entediadas com o sexo no casamento. Esperávamos mais essa resposta dos homens, mas as mulheres demonstraram que estão mais propensas a trair o marido se tiverem enjoado do sexo em casa.

- Onde e quando eles traem?
No motel (60%), no carro (20%) e na casa do amante (13%). Os homens preferem encontrar o affair depois do trabalho (48%) e as mulheres, no horário do almoço (39%). Isso porque eles estão habituados a trabalhar até mais tarde e podem usar a desculpa do escritório sem levantar suspeitas. Elas são mais cuidadosas, portanto preferem o intervalo do expediente.

- Qual o perfil desses infiéis?
Homens representam 66% dos usuários e tem idade média de 40 anos. Mulheres são os outros 34% e tem em torno de 33 anos. Apenas uma minoria delas é solteira – 82% são casadas, em média entre 2 e 10 anos. Suas principais fantasias, segundo declararam em pesquisa ao site, são “ser mais beijada”;  “ter mais sexo oral”; “mais romantismo” e “sexo com orgasmos múltiplos”.

- Por que não se divorciam em vez de trair?
Elas responderam que amam o marido (54%), não querem deixá-lo por razões financeiras (23%), querem preservar a família por causa dos filhos (14%) ou tem outros motivos (9%).

- Que conveniências a internet oferece a quem quer pular a cerca?
Homens sem sexo no casamento procuram prostitutas ou outros serviços. Mulheres normalmente optam por pessoas que as fazem sentir confortáveis, por isso escolhem colegas de trabalho ou alguém do seu círculo de amizades. Essa escolha é arriscada: primeiro porque há mais chances de essa relação extraconjugal ser descoberta; segundo porque, como são próximos, a mulher pode se sentir na obrigação de manter o caso. O Ohhtel oferece trocas de mensagens instantâneas para ter um affair de forma discreta, segura e anônima.

- O site diz não aprovar a infidelidade. Não é uma declaração controversa?
Milhões de brasileiros estão em casamentos sem sexo. Na maioria dos casos, um dos parceiros perdeu o desejo sexual. Isso coloca o casal em uma posição difícil: muitos amam seus companheiros, mas não querem ser celibatários para o resto da vida. Eles têm a opção do divórcio, que significa dividir o tempo entre os filhos, os bens etc. Fora que significaria colocar o sexo à frente de todos os outros aspectos do casamento. Sugerimos que essas pessoas mantenham-se casadas, mas realizem suas necessidades sexuais em outros lugares. O Ohhtel não inventou a infidelidade.

- Ou seja, casos extraconjugais são necessários para manter um casamento?
Pode ser que sim. Recomendamos, por exemplo, que os usuários não tenham caso com uma pessoa solteira – uma vez que essa pessoa pode querer mais que um simples caso. No site existe gente casada e vivendo a mesma situação. Isso significa que também pretendem manter o sigilo.

Espanhola é condenada por usar camiseta com ofensas ao ex

Meu ex-marido é um idiota, diz a frase na camiseta que a espanhola usava . Foto: Graciela del Río para www.publico.es/BBC Brasil

Publicado originalmente no Terra

Uma espanhola foi condenada a pagar uma indenização de mil euros e a cumprir oito dias de prisão domiciliar por ter colocado no Facebook fotos suas usando uma camiseta com os dizeres: “Mi exmarido es gilipollas” (Meu ex-marido é um idiota, em tradução livre).

A madrilenha de 40 anos, identificada apenas como Esperanza, disse à imprensa espanhola que ganhou a camiseta de presente do atual namorado e que achou a brincadeira “divertida”.

No entanto, o ex-marido, de quem ela havia se divorciado de maneira amistosa em 2005, viu as imagens de 2009 na internet e decidiu levar o caso à Justiça, alegando que as fotografias representavam “dano moral”.

“Antes de me comunicarem a sentença, já sabia que havia sido condenada, porque meus dois filhos me alertaram de que seu pai estava dizendo pelo Messenger que tinha ganhado”, disse Esperanza ao jornal Público.

Googlar antes de tuitar ou blogar

Carlos Castilho, no Observatório da Imprensa

Esta é a versão brasileira da frase “Google before you tweet is the new think before you speak”, popularizada num cartaz criado pelo designer Jon Parker e que sintetiza, no jargão digital, a principal mudança de comportamento que nos está sendo imposta pela internet. É a nossa forma de lidar com a informação que está sendo posta em xeque e com ela toda uma série de rotinas e valores transmitidos por gerações, há décadas.

O tema não é novo porque já foi tratado aqui e em vários outros blogs e colunas especializadas. Minha preocupação não é com o ineditismo, mas com o debate continuado sobre o que os especialistas chamam de leitura crítica. A recomendação do cartaz é “pesquise uma informação antes de publicá-la num blog, twitter ou rede social”, o que equivale ao nosso velho e conhecido  “pense antes de falar”.  Não basta decorar a frase, é necessário torná-la automática em nosso trato diário com as notícias e informações.

A recomendação de refletir antes de dizer qualquer coisa procura evitar que uma pessoa diga asneiras ou idiotices, visando evitar embaraços públicos pessoais. O “googlar antes de twitar”  tem um sentido bem mais amplo porque busca, acima de tudo,  evitar a disseminação de boatos, mentiras, difamação e fofocas antes que elas acabem se transformando num fato aceito de forma também irrefletida. Trata-se de evitar danos à imagem alheia mais do que impedir problemas para quem originou o boato.

A internet transformou a todos nós em produtores de informação, o que nos obriga a assumir muitas das atitudes que até agora eram cobradas apenas dos jornalistas profissionais.  Não  fomos educados para checar informações, dados e notícias. Bastava sair na imprensa para que os leitores assumissem o que foi publicado como verdade acima de qualquer suspeita. Hoje isso está mudando rapidamente, tanto no que se refere aos jornalistas como aos jornais.

Alterar  uma atitude como essa não é uma coisa que acontece da noite para o dia. O americano Daniel Yankelovich vem pesquisando a mudança de valores das pessoas desde 1995 e é categórico ao afirmar que “mesmo com a velocidade vertiginosa da internet, uma mudança de valores demora anos” para incorporar-se ao cotidiano das pessoas.

Daí a necessidade de periodicamente voltarmos a bater nesta tecla porque ela afeta o nosso relacionamento com a informação e, portanto, com o item que a cada dia que passa mais condiciona a nossa vida social, política, econômica e cognitiva. A transformação da nossa cultura informativa é muito mais relevante do que a avalancha de gadgets eletrônicos que mudaram o nosso dia a dia.

E nessa mudança de comportamentos, nós os jornalistas temos um papel fundamental porque a experiência profissional nos ensinou que um dado, fato ou notícia devem ser confirmados antes da publicação, e que as consequências de uma informação falsa ou distorcida podem ser irreversíveis e letais. Só que a dinâmica industrial da produção noticiosa em jornais, revistas e noticiários da rádio e TV inviabilizou a checagem criteriosa e implantou a corrida pelo furo e pela exclusividade como valores máximos do jornalismo.

O deterioração dos valores morais e comportamentais no serviço público, nas atividades legislativas e na política brasileira fornece amplo material para denúncias de corrupção, o que por um lado é benéfico para a sociedade porque ela passa poder patrulhar o comportamento dos servidores e políticos; mas, por outro,  cria um ambiente favorável à multiplicação de suspeitas e dúvidas. É aí que a leitura critica e a regra do “googlar antes de tuitar” passam a ser essenciais.