Vídeo mostra como a felicidade “editada” das redes sociais não é real

Publicado no Hypeness

Todos os dias, para não dizer a cada minuto, o usuário vai lá e checa sua conta do Facebook. É claro que em grande parte das vezes não está lá à toa e sim em busca de algumas curtidas, o famoso sistema de trocas vicioso da rede social.

Uma das características mais notáveis é que a felicidade alheia aparenta ser mil vezes maior do que a sua, seja com posts sobre o relacionamento perfeito ou com milhares de fotos mostrando apenas o lado bom da vida.

Partindo deste princípio básico da era moderna, o curta “What’s on your mind?“, em alusão à típica frase facebookiana “O que você está pensando?”, de Shaun Higton, gera polêmica ao questionar o problema da vida editada, que distorce a vida real. Essa sensação de que você é menor do que os outros é o fato preocupante, visto que ninguém deve se sentir desconfortável com o que tem, seja seu corpo, seu prato de comida ou sua viagem pra uma praia nada paradisíaca.

Claro que a exposição é relativa e nem todos usam o espaço virtual para se expor, mas a tal “felicidade” é algo recorrente na linha do tempo da grande maioria dos usuários de redes sociais. A verdade é que ninguém é tão feliz quanto aparenta o respectivo Instagram ou Facebook, mas, em contrapartida, que entediante e igualmente incômodo seria compartilhar os nossos problemas e reclamações o tempo todo na internet.

E aí, qual é a solução? Se expor menos? Largar as redes sociais? Continuar sendo feliz “o tempo todo”? Sem mais delongas, assista ao vídeo abaixo:

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Órfãos do Orkut rejeitam Facebook e migram para VK, rede social russa

Comunidade Sobreviventes do Orkut na VK, rede social russa
Comunidade Sobreviventes do Orkut na VK, rede social russa

Alexandre Orrico, na Folha de S.Paulo

Usuários que ainda movimentam comunidades do Orkut, resistentes à decadência da rede social que já foi a maior do Brasil, começam a escolher um novo serviço para onde possam migrar.

Escanteado pelo próprio Google, a infestação robôs de spam e o surgimento do G+ já eram um prévia do anúncio feito nesta semana : em setembro, o serviço que mais de 40 milhões de brasileiros reuniu em seus tempos áureos, fechará definitivamente as portas.

A pergunta nas comunidades sobre futebol, séries de TV e animações japonesas é uma só: para onde ir?

A VK, rede social com mais de 100 milhões de usuários ativos, é uma das respostas mais apontadas pelos órfãos. O serviço é a maior rede social da Europa e líder na Rússia, mas está disponível em várias línguas, incluindo o português.

“O número de inscrições do Brasil nos últimos dois dias aumentou em 2.000% e continua a crescer rapidamente” escreveu George Lobushkin, relações públicas da VK, em postagem no serviço russo.

A VK já tem quase 200 mil brasileiros e cerca de 20 comunidades em português –a maioria sobre futebol ou que fazem menção à condenada rede do Google, como a “Sobreviventes do Orkut”.

E O FACEBOOK?

“O Facebook não atende as necessidades dos usuários do Orkut”, diz Aluizio Hamann, 29, frequentador das comunidades “Futebol Alternativo” (7.389 membros) e “São Paulo FC Tricolor” (1.137.437 membros) no Orkut, ambas com dezenas de tópicos com novas postagens diárias.

“Insistimos no Orkut por causa do sistema de comunidades, que é bem superior ao esquema de grupos do Facebook”, diz Hamann. O Google+ é rejeitado pelo mesmo motivo.

“O VK é um meio-termo, não chega a ser tão bom quanto o Orkut, mas é a nossa melhor opção”, completa.

O Orkut ainda conta com cerca de 5 milhões de usuários no Brasil, segundo dados da consultoria Ibope Nielsen. Os usuários têm até o dia 30 de setembro para salvar todo o conteúdo do perfil.

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22 ‘orkutices’ que você já fez

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Nicoly França, no Brasil Post

A internet está de luto! Depois de 10 anos, o nosso amado Orkut tem o seu fim decretado. Já não é de hoje que a rede social “morreu”, mas quando tem data marcada para acabar de verdade, o choque é maior. O Google decidiu que a partir de hoje, já não será mais possível criar perfis e depois do dia 30 de setembro deste ano não existirá mais o domínio “Orkut.com”.

Corra fazer o seu backup daquelas suas fotos antigas, scraps e depoimentos. É até possível fazer isso de uma vez só, através da ferramenta Google Takeout, que permite fazer a cópia de dados de diversos serviços do Google, inclusive o Orkut, basta selecioná-lo no tópico Social (mais abaixo na página) e clicar no botão vermelho ”Criar arquivo”. Assim, o a ferramenta inicia a preparação dos arquivos e na sequência você pode fazer o download. Enquanto você espera o download terminar, veja as 22 orkutices que você já fez, enquanto era usuário dessa rede social maravilhosa e única:

#1 Começou depoimentos com “O que falar dessa pessoinha…”

#2 Checava quais de seus amigos eram seus fãs

#3 Quebrava a cabeça para escolher apenas 12 fotos para postar

#4 Deixou algum amigo preencher seu perfil com “Fulano invadindo aqui…”

#5 Comemorava ao aumentar número de scraps (depois a moda era apagar)

#6 Entrou na comunidade “A gente se fode, mas se diverte”

#7 Mandou depoimentos para não aceitar (e algumas pessoas aceitavam mesmo assim)

#8 Preencheu o perfil todo até a parte de “Gosto de animais de estimação”

#9 Criou uma comunidade para algum amigo “Amo/conheço/adoro/sou Fulano”

#10 Escreveu no perfil que “só add conhecidos com scrap”

#11 Começou a namorar e esperou o namorado (a) mudar o status para namorando

#12 Acreditou que era 90% sexy, 80% legal e 90% confiável

#13 Escreveu em [i]itálico[/i] e [b]negrito[/b]

#14 Colocou trecho de uma música do momento no “Quem sou eu”

#15 Mentiu a idade para poder acessar a conta, que era permitida para maiores de 18

#16 Comemorou quando recebeu o convite para criar a conta, e depois para o orkut novo, MUITO VIP

#17 Ficou se achando quando uma foto teve mais de 20 comentários

#18 Acreditou na sorte de hoje

#19 Recebeu ou enviou scraps dizendo “Retribuindo a visitinha”

#20 Desativou os visitantes recentes só pra poder fuçar todo mundo sem culpa

#21 Brincou no Buddy Poke

#22 Achava o N do orkut duvidoso

Vocês acreditam que já fizeram uma petição online para que o Google não encerre a rede social? Sempre existe uma esperança, #VAITERORKUT.

Publicado originalmente no Mas não me diga.

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Cientistas dos EUA usam uma rede sombria que é 100x mais rápida do que a internet da sua casa

esnet

publicado no GizModo

Quando falamos em valores verdadeiramente gigantes de dados, pode ser mais rápido simplesmente enviar um disco rígido por correio – a não ser que você tenha acesso à Energy Science Network, uma rede incrível que é 100 vezes mais veloz do que a Google Fiber.

Claro, para acessá-la você precisa fazer algo mais produtivo e importante para o mundo do que baixar as quatro temporadas de Game of Thrones. A Energy Sciente Network, ou ESnet, é supervisionada pelo Departamento de Energia dos EUA para uso em pesquisas. Cientistas que precisam de grandes conjuntos de dados, digamos, do Grande Colisor de Hádrons, ou o Projeto Genoma Humano, podem ter acesso a ela. Além de operar uma rede, escreve Klint Finley naWired, “a ESnet é um teste para cientistas explorarem novas ideias antes de usá-las na internet comercial.”

Em novembro, a ESnet atingiu a velocidade mais rápida de ponta a ponta em transferência de dados em condições reais do mundo. A NASA enviou 91 gigabits por segundo de Denver, nos EUA, para o Goddard Space Flight Center em Maryland, também nos EUA.

A ESnet também busca meios para arquiteturas de rede avançadas. Como Flint explica, “pesquisadores usam a rede para explorar redes virtuais de circuitos chamados ‘Oscars‘, que podem ser usados para criar redes complexas sem mudanças grandes de hardware. E eles trabalham no que é conhecido como redes ‘DMZs‘, que podem atingir velocidades altíssimas com segurança sem a necessidade de firewalls tradicionais.

O diretor da ESnet diz que o objetivo final é uma conexão de rede de um terabit por segundo. Bem mais rápido do que nossas conexões domésticas.

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A barragem: porque algumas pessoas são curiosas o bastante para proteger-se da produção cultural da sua época

imagem: Internet
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Paulo Brabo

Alienar-se de quê?

Das lembranças que trago da Era Offline esta não é pequena: a sensação de correr ativamente atrás da cultura de massa, de ansiar por ela, de jogar-me no seu caminho, de implorar que ela se despejasse sobre mim – em vez de, como hoje, viver perseguido pela produção cultural na muralha perpetuamente autorregenerada de links da internet, cada um deles redigido para ter maior sucesso em me seduzir e desencaminhar o meu clique.

Naqueles dias, jovens padawans da Era Online, a cultura era já massificada, mas a distribuição era artesanal. Você e a cultura eram amantes separados pelo destino, e cabia sempre a você cobrir a distância. Você é que ficava sentado diante do sinal de teste da televisão, aguardando que a máquina saísse do coma e o único canal disponível (o único concebível) desse sinais de vida. Você é que se submetia como um garimpeiro a quatro horas de música genérica no rádio até ser premiado, quem sabe, com a música que queria ouvir. Você é que pagava para assistir no cinema a um filme do qual não sabia nada além do título.

A cultura queria você, mas você tinha de ir até ela. Para não perder o bonde da produção cultural você andava a pé, pegava ônibus, esperava na fila, ia até a banca de revistas, grifava catálogos, assinava revistas, devassava livrarias, colocava o despertador para não perder às duas da manhã O monstro da Lagoa Negra na televisão, gravava em fitas cassete uma seleção das músicas do rádio, esperava que aquela encomenda chegasse pelo correio, fazia reservas na videolocadora, escrevia cartas, recortava tirinhas de jornal, emprestava livros da biblioteca e lia quadrinhos sem qualquer esperança de que um dia chegassem a filme.

Não há como enfatizar demais este ponto: se você não perseguisse deliberadamente a cultura, podia muito bem não ser encontrado por ela. Nenhum email, nenhum torpedo, nenhum link, nenhum vídeo viral, nenhum selfie, nenhuma foto de gatinho, nenhum meme, nenhum spam, nenhuma animação engraçadinha, nenhum vídeo de proposta de casamento, nenhum coral cantando ópera na área de alimentação, nenhum clipe de música, nenhuma história edificante sobre o cachorro que visita o túmulo do dono, nenhum vídeo de pegadinha, nenhum artigo “vinte coisas que”, nenhuma foto da festa da Amanda, nenhuma frase motivacional, nenhum powerpoint com fotos da Itália e trilha sonora de André Rieu – nenhum conteúdo não solicitado iria perturbar o seu dia. A sua semana. A sua vida.

E não, minha tese não é que aquele modo de vida era superior, embora esteja longe de crer que era inferior só pela contingência de ter sido substituído. Faço essa recapitulação para lembrar que ficou mais difícil não ser encontrado pela cultura. Mais precisamente: alguém que queira por alguma razão manter-se à margem da produção cultural dos nossos dias deve fazê-lo ativamente, quando um certo ascetismo cultural era a modo de vida padrão durante a Era Offline.

E se toco no assunto é devido a uma curiosidade: o fato de que, mesmo antes da televisão e da internet e da sociedade do espetáculo e do fascismo das mídias sociais, algumas pessoas achavam importante erguer uma barreira que as protegesse da produção cultural do seu próprio tempo. E o fundamental é que erguiam essa barragem não para serem poupados de coisas interessantes, mas para poderem dedicar-se a elas.

Jorge Luis Borges: hoje é um lugar que não existe

Um dia me cabe escrever um livro sobre todos os modos com que Borges me surpreendeu e desarmou1, mas este ponto não creio ter articulado antes: Borges, que nasceu em 1899 e morreu em 1986, escrevia (isto é, vivia, falando de Borges) como se o século XX para todos os efeitos não existisse.

Borges não pode ser acusado de ter um leque limitado ou convencional de interesses, mas se dermos ouvido ao seu próprio testemunho (ou falta dele), a produção cultural do seu próprio tempo parece ter feito pouco para despertar a sua paixão.

Eu nunca tinha levado para a cama alguém como Borges, que parecia sinceramente acreditar que os contos das Mil e uma noites e os episódios da Divina Comédia são não apenas melhor literatura, mas essencialmente mais atraentes – mais criativos, mais bem amarrados, mais cheios de ressonância, mais interessantes – do que todos os romances dos autores contemporâneos a que eu dava atenção.

E se o cara estivesse certo? E se eu devesse dar mais atenção a Luciano de Samóstasa do que a Stephen King? E se a literatura sufi do décimo segundo século contivesse maior lastro criativo e melhor compreensão da psicologia humana do que Duna, de Frank Herbert? E se Pedro Antonio de Alarcón pudesse me levar mais longe do que Isaac Asimov? Ray Bradbury eu tomava por um deus das letras, mas eu havia por acaso lido a ficção de Chesterton? William Beckford? Gustav Meyrink? Giovanni Papini? Shakespeare? Enquanto eu estava lendo ensaios de Carl Sagan e de Umberto Eco, Borges estava lendo Menendez & Pelayo, Arthur Schopenhauer, Edward Gibbon, Benedetto Croce, Emmanuel Swedenborg, Walt Whitman, George Berkeley, David Hume, Oscar Wilde, Henry James, Samuel Coleridge, Pu Songling, Pirandello, Platão, Plotino e Plutarco – e de repente me era clara a sensação de que eu estava perdendo alguma coisa, não ele2.

É raro que Borges mencione numa luz positiva autores mais recentes do que Franz Kafka, que morreu em 1924, ou Gustav Meyrink, que morreu em 1932. De qualquer modo, ele acreditava que a leitura mais excelente estava oculta nas catacumbas da literatura mundial dos séculos que nos precederam. Supor que a produção cultural contemporânea seja inevitavelmente superior a tudo que veio antes, supor que a excelência literária coincidirá arbitrariamente com a época em que estamos vivos, supor que o que é interessante no presente pode tornar o passado menos interessante – essas posturas Borges tomava por infantis, provincianas e, mais importante, infundadas.

Borges inaugurou para mim o grande escritor para quem o presente é, em termos relativos, tão desinteressante que não merece menção. Foi o primeiro cara (mais tarde descobri que Tolkien tinha posturas e prioridades semelhantes) que percebi ter erguido deliberadamente uma barragem de contenção, uma muralha que o protegesse da efervescente produção cultural contemporânea, de modo a ficar livre para saborear em paz o vinho excelente das safras anteriores. (mais…)

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