Mais um momento de falta de noção e de intolerância no Facebook. Erraram até no nome do pastor-deputado
dica do Israel Anderson
Tumulto e protestos tomaram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados nesta semana. Dificilmente poderia ser outra a situação, com o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência de debates sobre temas como a homofobia, o racismo e a violência policial.
Procura-se evitar, nesta Folha, a expressão de julgamentos que tendam a personalizar o debate político. É inegável, todavia, que o nome de Marco Feliciano se comprova inadequado para a função.
O deputado se notabilizou por afirmar que “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé”, o que seria “um fato”. Considera também que, depois da união civil entre homossexuais, virá a extinção das palavras “pai” e “mãe”.
Ao tomar posse na comissão, leu carta em que pede “humildes desculpas” pelos disparates que pronunciou. Solicitou um “voto de confiança” da opinião pública e de seus colegas.
A questão não se resume, entretanto, a um voto de confiança pessoal. Confiança, em política, é algo que se constrói, não um favor de conveniência ao interessado.
Não se trata, tampouco, de desejar unanimidade nos trabalhos parlamentares. Sem dúvida, muitos cidadãos brasileiros e parte expressiva de seus representantes são contra a união civil homossexual.
Política, entretanto, implica diálogo e mediação. As declarações de Marco Feliciano não se pautam pela civilidade, nem mesmo por um mínimo cabedal de instrução.
Alguém que propugna a crença na “maldição de Cam”, num país de população mestiça, coloca-se num plano muito abaixo da “opinião divergente”. Em trânsito entre o bizarro e o sectário, Marco Feliciano não terá condições de levar adiante os trabalhos da comissão –que inevitavelmente se converte em palco de protestos e insultos.
Não são apenas os direitos das minorias que perdem. O próprio diálogo e a política se inviabilizam.
Ou melhor, a política no sentido mais elevado. Não a dos guichês, dos favores e das barganhas, que levou o inexpressivo PSC a abiscoitar a presidência da comissão.
Nesse jogo, vale tudo. Um cargo supostamente desimportante se reserva a uma legenda menor da base de apoio ao governo federal. Mesmo que a política do Planalto, no assunto em tela, pareça tão avessa aos despautérios de Feliciano.
É a irracionalidade política a serviço da intolerância; a fisiologia a serviço do fundamentalismo.
dica do Alexandre Melo Franco Bahia

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto
Tinha que ser preto mesmo!
Preto quando não faz na entrada faz na saída.
Sabe quando preto toma laranjada? Quando rola briga na feira.
Amor, fecha rápido o vidro que tá vindo um escurinho mal encarado.
Olha, meu filho, não sou preconceituoso, não. Até tenho amigos negros.
Ouviu aquele batuque? É um terreiro de macumba. Logo aqui na nossa rua! Mas o João Vítor vai dar um jeito nisso, ele conhece uma pessoa na subprefeitura que vai tirar essa gente daí. Essas coisas do diabo me dão arrepios.
Eu adoro o Brasil porque é um país onde não existe racismo como nos Estados Unidos. Aqui, brancos e negros vivem em harmonia. Todos com as mesmas oportunidades e desfrutando dos mesmos direitos.
Se eu deixaria minha filha casar-se com um negro? Claro! Se ela conhecer um, poderá sem sombra de dúvida.
Tá tão difícil encontrar uma empregada decente ultimamente. Ainda bem que achei a Maria. Ela é de cor, mas super honesta.
Quilombolas são pessoas indolentes. Erra o governo ao mantê-los naquele estado de selvageria. A terra poderia estar sendo usada para produzir algo, sabe? Ainda mais com tanta gente vivendo apertada em favelas! É o Brasil…
Vê se me entende que eu vou explicar uma vez só. A política de cotas é perigosa e ruim para os próprios negros, pois passarão a se sentir discriminados na sociedade – fato que não ocorre hoje.
É aquele ali, ó. Sim, o “moreninho”.
Meu filho não vai fazer um projeto de escola sobre coisas da África. A gente é evangélico e queremos que ele leia a bíblia e não esses satanismos como… como…como era o nome daquele livro mesmo que a professora passou? Sim! Macunaíma.
Cotas ameaçam o princípio de que todos são iguais perante a lei, o que temos conseguido cumprir, apesar das adversidades.
Ele é um exemplo. É negro e, mesmo assim, virou ministro do Supremo Tribunal Federal sem ajuda de ninguém.
No 20 de novembro, quando se rememora a morte de Zumbi dos Palmares, é celebrado o Dia da Consciência Negra em várias cidades do país. Um momento de reflexão e de resistência sobre os frutos da escravidão, de um 13 de maio incompleto (que significou mais uma mudança na metodologia de exploração da força de trabalho do que uma abolição de fato), sentido no dia a dia. Dia que deveria ser aproveitado por todos aqueles que têm seus direitos fundamentais rasgados para uma análise mais profunda do que têm feito para sair da condição de gado.
Alguns vão dizer que o tema é repetido neste blog. Mas era preciso.
Porque a nossa idiotice não tem limites. E a ignorância é um lugar quentinho.
imagem: Grupo Escolar
dica do Sergio Luiz

Joelma no vídeo em que “tenta converter” um fã gay
Neto Lucon, no Virgula
Joelma, da banda Calypso, foi acusada de homofobia nesta semana após um vídeo da cantora conversando com um fã gay cair na rede. Nele, a artista dizia para Michel Mendes se converter, “virar homem, casar, ter filhos e dar alegria aos pais”.
Após as declarações caírem nas redes sociais – e de a cantora, que é evangélica, ser considerada homofóbica – o fã Michel publicou um novo vídeo nesta quinta-feira (2) no Youtube para defender a sua musa. Segundo ele, Joelma não é preconceituosa e tudo foi uma grande brincadeira.
“A Joelma não é essa pessoa que todos estão pensando. Ela não é anda preconceituosa, nada homofóbica. Ela trata a gente superbem. Essa história foi uma brincadeira que eu comecei e ela fez comigo. Foi tudo uma brincadeira”, declara o jovem.
Em seu Twitter, na noite de quinta-feira (2), a cantora assumiu que era ela nas imagens, mas garantiu que não é preconceituosa. “Foi em Belém. Um dos ‘abusados’ do Calypso estava brincando comigo, falando das intimidades deles para mim. Fique vermelha e brinquei. Se eu fosse preconceituosa, meu melhor amigo não seria gay”.
A assessoria da artista afirmou que a religião não atrapalha em nada no contato com os fãs e que a maior parte dos admiradores da banda Calypso é formada por homossexuais. “Cerca de 90% dos fãs da Calypso são homossexuais e eles estão completamente ao lado dela, porque conhecem ela. Muitos deles sabem da relação dela com a religião e brincam dessa forma para deixá-la constrangida, vermelha e ela brinca assim para reverter a situação, mas não que ela queira converter alguém, é uma troca de brincadeiras”.
O fã concorda: “Tudo não passa de um mal entendido”.