Simpático à maconha, Henry Sobel critica Templo de Salomão

Publicado por TV Folha

Entoando “Yesterday”, música dos Beatles sobre um passado em que os problemas pareciam tão distantes, Henry Sobel, 70.

O rabino americano, que mantém o sotaque após quatro décadas de Brasil, expõe algumas “dúvidas existenciais” na reportagem de Anna Virginia Ballousier.

Sobel ainda comenta passagens difíceis de sua trajetória e fala abertamente sobre direitos humanos na Israel bélica de hoje e no Brasil militar de ontem, maconha, gravatas e Edir Macedo.

O rabino se mudou para Miami há menos de um ano. Na prática, contudo, Henry Sobel mal saiu daqui. Celebra o casamento da filha única, Alisha, no dia 1º de novembro, e fica até o fim do ano para organizar a mudança “definitiva” –entre aspas porque ele já faz planos para o retorno.

 

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Holandês que salvou menino do nazismo devolve prêmio após perder família em Gaza

 

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Publicado no Estadão

Um advogado holandês de 91 anos premiado em Israel por ter salvado um menino judeu durante a Segunda Guerra Mundial devolveu seu prêmio depois de ter perdido seis parentes em um bombardeio israelense à Faixa de Gaza, no mês passado, segundo o jornal israelense Haaretz.

Henk Zanoli e sua mãe, Johana Zanoli-Smit, receberam o prêmio em 2011 por ter escondido Elhanan Pinto, uma criança de 11 anos, dos nazistas durante a guerra. À época, o pai de Hank já tinha sido enviado ao campo de concentração de Dachau por se opor à ocupação da Holanda pela Alemanha de Hitler.

A sobrinha neta de Zanoli, a diplomata holandesa Angelique Eijpe, é casada com o economista palestino Isma’il Ziadah, nascido no campo de refugiados de al-Bureij, em Gaza. No dia 20 de julho, um bombardeio israelense atingiu a casa da mãe de Ziadah. Ela, três irmãos de Ziadah, uma cunhada e um primo morreram no ataque.

Ao saber da morte da família palestina de sua sobrinha, Zanoli decidiu devolver a medalha e o certificado do prêmio Virtuoso entre as Nações ao governo de Israel. Em carta ao embaixador israelense na Holanda, Haim Davon, Zanoli descreveu os motivos de sua decisão.

” Dado o nosso histórico é particularmente chocante e trágico que, quatro gerações depois, nossa família sofra com o assassinato de nossos parentes em Gaza. Um assassinato conduzido pelo Estado de Israel. Os bisnetos de minha mãe perderam sua avó palestina, três tios, uma tia e um primo pelas mãos do Exército de Israel”, escreveu o holandês.

“Para mim, continuar com essa honra concedida pelo Estado de Israel, nessas circunstâncias, seria um insulto à memória da minha corajosa mãe, que arriscou a vida dela e dos filhos contra a opressão e pela preservação da vida humana. É também um insulto à minha família que, quatro gerações depois, perdeu nada menos que seis membros em Gaza pelas mãos do Estado de Israel”, acrescentou.

O advogado ainda afirmou que a invasão israelense à Faixa de Gaza resultou em graves acusações de crimes contra a humanidade e disse que não estaria surpreso se isso levasse a condenações, caso fossem julgadas por um tribunal isento.
Questionado pelo Haaretz sobre o ataque, o Exército israelense diz que despende grandes esforços para evitar mortes de civis em Gaza e investiga todas as denúncias de incidentes irregulares. Um relatório deve ser publicado ao fim das investigações.

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Presidente de Israel telefona para Dilma e pede desculpas

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Publicado no Estadão

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, telefonou na tarde desta segunda-feira, 11, para a presidente Dilma Rousseff pedindo desculpas pelas declarações dadas pelo porta-voz da chancelaria, Yigal Palmor, que, há duas semanas, chamou o Brasil de “anão diplomático” e disse que o Brasil estava se transformando em “um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas em vez de contribuir para soluções”. Em resposta às afirmações, o Brasil chamou para consultas o embaixador em Tel-Aviv, Henrique Sardinha, o que irritou o governo israelense, que disse ter ficado “desapontado” com a atitude do governo brasileiro.

Segundo a nota distribuída pelo Palácio do Planalto sobre o telefonema, “o chefe de Estado israelense apresentou desculpas pelas recentes declarações do porta-voz de sua Chancelaria em relação ao Brasil” e “esclareceu que as expressões usadas por esse funcionário não correspondem aos sentimentos da população de seu país em relação ao Brasil”.

Os dois presidentes também conversaram sobre a grave situação atual na Faixa de Gaza, segundo a nota. A presidente Dilma afirmou que o Brasil “condenara e condena ataques a Israel, mas que condena, igualmente, o uso desproporcional da força em Gaza, que levou à morte centenas de civis, especialmente mulheres e crianças”. Dilma fez questão de reiterar “a posição histórica do Brasil em todos os foros internacionais de defesa da coexistência entre Israel e Palestina, como dois Estados soberanos, viáveis economicamente e, sobretudo, seguros”.

O presidente de Israel, por sua vez, também de acordo com informações do Planalto, destacou que seu país estava defendendo-se dos ataques com mísseis que seu território vinha sofrendo do Hamas. Na conversa, a presidente Dilma disse que tem “esperança de que a continuidade do cessar-fogo e as negociações atuais entre as partes possam contribuir para uma solução definitiva de paz na região”.

Para Dilma, “a crise atual não poderá servir de pretexto para qualquer manifestação de caráter racista, seja em relação aos israelenses, seja em relação aos palestinos”. A presidente lembrou ainda os “laços históricos que unem os dois países há várias décadas”.

Na semana passada, o Brasil já havia decidido que o embaixador em Israel, Henrique Sardinha, deveria retornar nos próximos dias a Tel-Aviv. O entendimento do Planalto era que a convocação para consultas sobre a ofensiva israelense na Faixa de Gaza já cumpriu o gesto político que o governo federal queria.

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Líderes evangélicos saem em defesa de Israel e criticam Dilma

Menina dominicana leva cartaz com a frase "Basta, Israel" e a bandeira palestina, durante ato contra a operação militar israelense em Gaza, em Santo Domingo (República Dominicana) foto: Roberto Guzmán/Xinhua
Menina dominicana leva cartaz com a frase “Basta, Israel” e a bandeira palestina, durante ato contra a operação militar israelense em Gaza, em Santo Domingo (República Dominicana) foto: Roberto Guzmán/Xinhua

João Fellet, na BBC Brasil [via UOL]

A condenação do governo Dilma Rousseff à ação militar israelense em Gaza gerou forte reação contrária de líderes evangélicos brasileiros, expondo os crescentes laços entre igrejas protestantes e o governo de Israel.

A mobilização evangélica teve início em 23 de julho, quando o governo federal divulgou uma nota condenando os ataques israelenses em Gaza e convocando o embaixador brasileiro em Tel Aviv para consultas.

No dia seguinte, cerca de 80 pessoas – em sua maioria evangélicos – foram ao Ministério de Relações Exteriores protestar contra a decisão.

Uma das organizadoras do ato, a pastora Jane Silva – que preside a Associação Cristã de Homens e Mulheres de Negócios e a Comunidade Brasil-Israel – diz que líderes evangélicos de vários Estados e de diferentes igrejas compareceram à manifestação.

Com o apoio do deputado federal Lincoln Portela (PR-MG), um dos principais nomes da bancada evangélica no Congresso, Silva marcou uma audiência no Itamaraty para expressar a insatisfação do grupo. Eles foram recebidos pelo embaixador Paulo Cordeiro, subsecretário-geral do órgão para África e Oriente Médio.

“Ficamos ofendidos e magoados com a postura do governo brasileiro, que para nós não condiz com a posição da população cristã brasileira em relação ao conflito”, diz a pastora à BBC Brasil.

“Quando o governo fala mal de Israel, fala mal de nosso Jesus. E Israel tem o direito de se defender e de existir.”

O grupo entregou ao embaixador um manifesto em que critica o governo brasileiro por, entre outros pontos, ter condenado os ataques de Israel mas não ter censurado as ações do grupo Hamas, que controla Gaza.

“Nós amamos o povo palestino e temos orado pelas mães palestinas, os idosos, crianças, mas não aprovamos o terrorismo.”

Após deixar o Itamaraty, o grupo foi recebido na embaixada de Israel. Também participaram do protesto alguns membros da comunidade judaica de Brasília.

Presente no ato, a psicóloga judia Kelita Cohen diz que o apoio dos evangélicos “foi mais uma ação política do que de devoção religiosa”. “As comunidades cristãs partilham com a comunidade judaica da opinião de que a atitude do governo brasileiro não foi coerente.”

Passagem bíblica

No Amazonas, houve outro protesto em defesa de Israel organizado por evangélicos – este, liderado pelo apóstolo René Terra-Nova, fundador do Ministério Internacional da Restauração. Segundo organizadores, a manifestação reuniu 30 mil pessoas.

E em seu programa de TV no último sábado, o pastor Silas Malafaia, principal líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, também tratou do tema.

Ao se referir à posição do governo brasileiro quanto aos ataques israelenses, Malafaia citou uma passagem bíblica segundo a qual “a nação que amaldiçoa Israel também é amaldiçoada”.

Dizendo precisar “dar algumas dicas (sobre o conflito) para o povo de Deus”, ele afirmou no programa que os atos de Israel são “a reação de um estado soberano sendo atacado por terroristas”.

Na semana passada, a pomposa inauguração em São Paulo do Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, também deu mostras da crescente aproximação entre grupos evangélicos brasileiros e Israel.

No caso da Universal, a aproximação também se dá com o Judaísmo: na cerimônia, bispos da Universal vestiam quipá e talit, acessórios tradicionais judaicos, e o hino de Israel foi executado. Do lado de fora do templo, foram hasteadas as bandeiras da Universal, do Brasil e de Israel.

A BBC Brasil perguntou à Universal qual sua posição em relação às ações israelenses em Gaza, mas não obteve resposta.

‘Soft power’ religioso

O crescente alinhamento entre líderes evangélicos e Israel não é fenômeno exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, país que abriga a maior população protestante do mundo, os Sionistas Cristãos – como são conhecidos os evangélicos pró-Israel – exercem importante influência política.

Para estreitar os laços com o grupo, o governo israelense estimula visitas de grupos evangélicos à Terra Santa.

Em 2013, uma reportagem do Christian Science Monitor, uma das principais publicações mundiais sobre religiões, descreveu os bastidores de um evento anual organizado pelo governo israelense para homenagear líderes protestantes.

No encontro, o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, disse aos presentes: “Vocês aqui são o melhor ataque e a melhor defesa que poderíamos ter (…). Aproveitem a cidade de Jerusalém (…) e voltem para casa como fortes embaixadores do Estado de Israel e da cidade de Jerusalém”.

A reportagem diz que, após se consolidar nos Estados Unidos, o movimento evangélico pró-Israel agora ganha força em países emergentes com crescente população protestante, como Brasil e Nigéria.

Peregrinações em risco

Para a pastora Jane Silva, caso o Brasil atenda grupos que pedem o rompimento das relações diplomáticas com Israel, os maiores prejudicados seriam fiéis brasileiros. “O governo estaria punindo os próprios brasileiros”, diz a pastora.

Segundo ela, muitos brasileiros visitam a Terra Santa todos os anos. “Só lá podemos ver o túmulo onde Jesus foi sepultado, onde ressuscitou, caminhar pelas ruas pavimentadas de milagres. Quando voltamos, logo começamos a programar a próxima visita.”

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Universal usa Velho Testamento para reviver relação do ‘povo eleito’ com Deus

Templo de Salomão, da Universal, no bairro do Brás, em São Paulo (foto: Marlene Bergamo - 30.jul.2014/Folhapress)
Templo de Salomão, da Universal, no bairro do Brás, em São Paulo (foto: Marlene Bergamo – 30.jul.2014/Folhapress)

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Por que os neopentecostais são apaixonados pelo que os cristãos chamam de “Velho Testamento”?

O termo, recusado pelos judeus, que usam “Tanach” para o cânone hebraico, ou “Bíblia Hebraica”, no rastro do crítico literário judeu americano Harold Bloom, reúne o conjunto de textos que vem antes do Novo Testamento. Neste, Jesus, o Messias dos cristãos, anuncia a “nova aliança” do Deus de Israel com a humanidade, diferente da “antiga aliança”, que seria apenas com o povo eleito, os hebreus. Salomão foi um dos mais importantes reis hebreus.

A diferença de terminologia para se referir a este conjunto de textos não é mero detalhe de um obcecado por estudos bíblicos, mas encerra em si um equívoco, do ponto de vista judaico, do que significa a chamada “eleição do povo de Israel”. De certa forma, grande parte do cristianismo compreende a eleição de Israel de um modo equivocado. A eleição é uma responsabilidade, um peso, não a escolha de um caçulinha mimado fadado ao sucesso. Aqui nasce o equívoco e, ao mesmo tempo, a paixão neopentecostal pelo Velho Testamento.

O “Templo de Salomão” construído pela Igreja Universal do Reino de Deus, é uma peça de fé, não uma reconstrução arqueológica, nem precisa ser, uma vez que estamos falando de religião, instituição que nada tem a ver com as demandas de uma ciência como a arqueologia.

O templo original, supostamente construído pelo rei Salomão, filho do rei Davi, no século 9º antes de Cristo, teria sido destruído por volta 586 a.C. Pesquisas arqueológicas situam os fragmentos encontrados no Monte do Templo, que poderiam ser da primeira sede do culto hebraico antigo, há cerca de 3.000 anos atrás, o que coincide com a vida do personagem bíblico em questão.

Mas, de onde vem essa paixão? Vem do fato que os neopentecostais (que se diferenciam dos seus “antepassados” pentecostais pelo forte caráter de “espetáculo para as massas” nos cultos) leem a relação entre o Deus de Israel e seu povo eleito numa chave mágica. Os fatos narrados no “Tanach” (Velho Testamento) indicam uma forte presença de Deus nos destinos do povo, alterando círculos naturais, criando forças a favor do povo, enfim, fundando um mundo de “milagres”.

Daí que, revivendo o Templo de Salomão, supostamente, a Igreja Universal dá um importante passo simbólico no sentido de dizer que seus fiéis revivem a relação de povo eleito com seu Deus, Rei do Universo (“Melech HaOlam”). A imagem é forte, temos que reconhecer. Mas, aqui reside a chave da interpretação equivocada que leva a paixão dos neopentecostais por todos os signos vétero-testamentários.

O equívoco está no fato que o mundo mágico do Velho Testamento é apenas uma pequena parte da eleição de Israel. Mas os neopentecostais parecem crer que essa “mágica israelita” é a base para o sucesso, a felicidade, e, finalmente, para a teologia da prosperidade que marca o movimento neopentecostal. Dito de forma direta: quem vive com o Deus de Israel fica rico e feliz.

Ledo engano, basta ver a história dos judeus e os jornais atuais. A eleição do povo de Israel, para os judeus, significa muito mais que o povo é um povo de sacerdotes, que leva a mão de Deus sobre si, num mundo de agonias, que recusará e odiará esse povo justamente por isso. Não é por outra razão que se chama o massacre de judeus na Segunda Guerra de “Holocausto”. O povo é “um animal do sacrifício”, e cada vez que Deus quiser, Ele o lança ao fogo para “falar” com o mundo.

A eleição de Israel é muito mais um peso do que um ticket para o sucesso. Tem mais a ver com o conflito israelo-palestino, através do qual muitos odeiam Israel, do que com ficar rico e feliz. Se perguntarmos a muitos judeus religiosos em Israel e no mundo, dirão que o desespero que passa Israel hoje, o medo do ódio do mundo e da destruição do Estado de Israel, é mais uma marca da sofrida eleição.

Por isso, não é difícil encontrar judeus que pediriam a Deus, assim como profetas o fizeram, que escolha outro povo para ser Seu eleito, porque Israel já cansou.

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