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Assim surgiu a brincadeira da Girafa

imagem: Reprodução/DesktopNexus

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David Castillo, no Facebook

Diabo: Precisamos pensar em uma nova estratégia para dominar a mente das pessoas.

Sub-Diabo: Hum… deixa eu ver se descubro algo novo no Google.

Diabo: Tá… mas antes deixa eu ver meu face.

Sub Diabo: Isso chefe, o Face!

Diabo: Que tem o Face? Deixei o meu aberto?

Sub Diabo: Não chefe, o que eu quero dizer é que a gente tem q usar o Face pra conquistar a galera.

Diabo: Interessante, fale-me mais sobre isso!

Sub Diabo: Vamos criar uma charadinha com uma mensagem subliminar no meio, aí quem não acertar a gente domina a mente e faz ele fazer coisas imbecis…

Diabo: Ae… curti, pode entrar no meu face pra gente começar.

Sub Diabo: Vou entrar… opa, já tava logado… mas pera aí, esse é o perfil do Rafinha Bastos.

Diabo: Droga, esqueci de sair do meu fake… sai e entra de novo!

Sub Diabo: Beleza chefe, oq a gente faz agora?

Diabo: Antes de mais nada deixa eu cutucar o Feliciano… adorooo.

Sub Diabo: Boa.

Diabo: Bom, escreve ai uma historinha que se passa às 3 da manhã.

Sub Diabo: Mas chefe… assim o senhor está revelando o horário ultra-secreto em que os portais do inferno são abertos para nossos enviados espalhar a impureza sobre as vidas e…

Diabo: Heim?

Sub Diabo: Tá… depois não diga que eu avisei?

Diabo: Escreve aí que às 3 da manhã chega alguém pra tomar café na sua casa…

Sub Diabo: Até parece… a essa hora eu só abro a porta se for meus pais.

Diabo: Boa, escreve aí que quem chega são seus pais!

Sub Diabo: Meus pais?

Diabo: Não sua besta… os pais de quem ta lendo!

Sub Diabo: Ah tá…

Diabo: Diz aí que você tem algumas coisas pra oferecer.

Sub Diabo: Sei como é… charuto, farofa, galinha preta, pinga barata…

Diabo: Nãããoo… assim fica na cara, tem q colocar coisas inocentes tipo mel, geléia, pão, queijo…

Sub Diabo: Vinho?

Diabo: Tá… pode deixar o vinho vai!

Sub Diabo: Legal, e qual vai ser a charada?

Diabo: O que você abre primeiro?

Sub Diabo: O vinho, claro!

Diabo: Ahh… se ferrou trouxa, claro que a resposta certa é o olho!

Sub Diabo: Por que o olho?

Diabo: Porque? São 3 horas da manhã, você ta dormindo palhaço!

Sub Diabo: Tá… se eu tiver dormindo as 3 da manhã quem é que vai abrir o portal místico do inferno?

Diabo: Ah é!

Sub Diabo: Mas beleza, acho que a galera que não cuida do portal do inferno deve ta dormindo a essa hora, então pode ser essa a resposta certa!

Diabo: Legal… quem errar a pergunta vai ter que pagar uma prenda, tem que ser algo bobo, quase infantil, mas que traga uma legalidade nossa sobre a vida espiritual dessa pessoa.

Sub Diabo: E se a pessoa tiver que trocar sua foto de perfil?

Diabo: Pra que?

Sub Diabo: Pra mostrar ao mundo que aquela pessoa é nossa!

Diabo: Tipo marca da besta?

Sub Diabo: É… podia colocar uma foto de um animal bem besta mesmo!

Diabo: Macaco… eu acho macaco muito engraçado.

Sub Diabo: Não, macaco pode gerar piadas racistas, preconceituosas.

Diabo: Pô, meu fake ia curtir!

Sub Diabo: Elefante?

Diabo: Pô, legal… mas vai que a pessoa é gorda, olha o constrangimento que pode gerar.

Sub Diabo: Verdade… precisamos pensar em algo diferente, enxergar mais acima.

Diabo: Enxergar mais acima? Girafa! Esse é o bicho!

Sub Diabo: Boa chefe!

Diabo: Alem disso a girafa é um dos animais símbolos da sexualidade e que mais fazem uso do sexo com um parceiro do mesmo sexo…

Sub Diabo: Pô chefe, vc fica um saco quando assiste Discovery.

Diabo: Beleza… publica aí que ficou bom, publica aí…

Sub Diabo: Tá lá… já to vendo uma galera trocando a foto pra girafa.

Diabo: Finalmente vamos dominar o mundo!

Sub Diabo: Mas chefe, e se alguém descobrir nosso plano?

Diabo: Fácil, é só a gente trocar o avatar pra uma girafinha Tb!

Os Primeiros Comentários

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Por Rob Gordon, no Papo de Homem

– Senhor?

– Pois não?

– Adão na linha nove.

– Pode passar.

– Só um minuto.

– Alô?

– Oi, Adão. Tudo bem?

– Tudo. E o Senhor?

– Tudo em ordem. Como posso ajudá-lo?

– Eu liguei para tirar uma dúvida.

– Pois não.

– Foi o Senhor que fez o tatu cair do barranco?

– Fui Eu que fiz o quê?

– Que fez o tatu cair do barranco. Ele está todo machucado.

– Eu não faço ideia do que você está falando.

– Bom, é o que está no mural de recados.

– Que mural de recados?

– O mural de recados que temos aqui embaixo. Onde penduramos as notícias com os avisos sobre o que está acontecendo no Paraíso. Ontem, colocaram uma folha de bananeira com a notícia de que o tatu havia tentado escalar um barranco, escorregou e se espatifou no chão.

– Certo.

– E logo abaixo disso colocaram outra folha de bananeira falando que foi o Senhor quem fez isso.

– Eu?

– Sim. Foi uma raposa que colocou. Estou com a folha aqui.

– O que ela diz?

– “Foi bem feito para este tatu. Estes animais que não respeitam a vontade do Senhor acabam se perdendo no meio do caminho. E cada vez mais os jovens do Paraíso estão escalando barrancos. E o Senhor castiga. Precisamos rezar para que outros animais, especialmente os mais jovens, não sigam este exemplo”.

– Eu castigo?

– É o que diz aqui. O senhor tem algum problema com o tatu subir um barranco?

– Adão, faz cinco dias que eu estou refazendo meus mandamentos, porque me contaram que só cabem dez nas pedras que serão usadas. Então, estou tendo que cortar um monte de coisa. Você realmente acha que eu estaria preocupado com um tatu e um barranco?

– Bom, estou apenas falando o que eu vi no mural. Não é a primeira vez que vejo algo assim. Aliás, isso tem acontecido todo dia.

– Como assim?

– O Senhor ficou sabendo que semana passada uma tartaruga e um pelicano brigaram feio na praia?

– Não.

– Bom, brigaram. No dia seguinte, tinha uma folha de bananeira no mural contando o que havia acontecido. E a raposa havia comentado que “certamente foi por causa de inveja e outros pecados e certamente a alma destes animais pagarão por isso”.

– Como é que é?

– Logo embaixo tinha outra folha de bananeira, escrita por um leopardo. Dizia que é isso que acontece quando animais diferenciados começam a andar pela praia. Que eles sempre causam confusão e sujam tudo.

– O que são animais diferenciados?

– Não sei. Mas esta folha de bananeira tinha mais respostas. Tinha uma mensagem de um daqueles bichos que eu nunca lembro o nome… aquele, que tem bico, mas não é pássaro. O otorrino.

– O ornitorrinco?

– Isso. Ele colocou uma folha de bananeira dizendo que não é a primeira vez que este pelicano briga com outros animais. E que não adianta prender o pelicano em algum lugar porque, infelizmente, no Paraíso, os criminosos são tratados melhores que os animais honestos, por isso sempre estaremos nessa situação horrível. O que são criminosos? É um bicho?

– Não… deixa para lá. Não vem ao caso.

– Enfim, este ornitorrinco fala isso em todas as folhas de bananeira. Sempre fala que nada aqui dá certo porque todo mundo quer levar vantagem, enquanto os animais honestos trabalham cada dia mais. E ele está sempre falando sobre o mar.

– Do mar?

– Isso. Quer dizer, não é bem sobre o mar, é sobre a lula. Acho que ele não gosta muito da lula, porque qualquer coisa que colocam no mural, ele cola uma folha de bananeira dizendo que é culpa da lula. “Porque a lula que começou com isso”, “porque deviam prender a lula”, “porque é isso que acontece num paraíso onde acreditam na lula”. Acho que a lula, coitada, nem sabe que o ornitorrinco fala isso.

– Entendi. Mas pelo que percebi, são apenas alguns animais que fazem isso.

– Sim, mas tem mais alguns outros. A lebre também. Ela posta respostas em todas as folhas de bananeira que colam no mural de recados.

– E o que ela diz?

– Ela fala dos coríntios.

– Coríntios?! Como a lebre sabe o que são coríntios?

– Não sei. Aliás, o que são coríntios?

– É algo que você não precisa saber. Nem a lebre.

– Bom, em todas as folhas de bananeira que colocam no mural, ela coloca uma folha de bananeira embaixo com a mensagem “Coríntios!”. Em todas! Tatu caiu do barranco? “Coríntios!”. Rinoceronte derrubou uma árvore? “Coríntios!”.

– Só fala isso?

– Só. Aliás, outro dia ela e o ornitorrinco brigaram feio. A lebre colocou uma folha de bananeira com “Coríntios!” e o ornitorrinco colou uma folha de bananeira respondendo, logo abaixo, que “os coríntios são sempre favorecidos pela lula, por isso que o Paraíso é assim”. Ficaram dias discutindo. Cada vez que eu olhava o mural tinha uma folha de bananeira nova. Mas eu parei de ler, não entendia mais nada.

– Entendi.

– Eu mesmo cheguei a postar algumas folhas de bananeira respondendo algumas notícias, mas desisti.

– Por quê?

– Foi quando colocaram uma folha de bananeira dizendo que os pombos estavam voando baixo demais e passando perto dos outros animais. A raposa colocou uma resposta dizendo que “esta juventude está perdida e que suas almas serão castigadas pelo Senhor, pois trilham um caminho perigoso”. Aí eu escrevi numa folha de bananeira que “olhe, acho que o Senhor está ocupado demais para se preocupar com os pombos”.

– Bem, você acertou.

– Logo depois colaram uma folha de bananeira para mim. Dizia: “não é você que mora naquela caverna e usa somente uma folha de parreira? Eu já tentei ler os avisos que você coloca aqui no mural, e eles são muito ruins. Você não está qualificado para julgar o que se escreve no mural”.

– Sério?

– Sim. Foi o tamanduá. Ele sempre faz isso com meus comentários. O gozado é que eu nunca vi o tamanduá escrevendo nada ali. Ele fala mal do que escrevo, mas escrever, mesmo, ele não escreve nada.

– Isso é normal.

– Mas o pior é que não dá mais nem para ler o mural direito. Você coloca uma folha de bananeira e, logo em seguida, tem dezenas de folhas de bananeiras falando sobre a lula, sobre o Senhor que vai castigar todo mundo, sobre os Coríntios, sobre os animais diferenciados… não dá.

– Mas este mural não funcionava bem?

– Sim, mas mudou desde que os macacos começaram a pedir aos outros animais para comentarem todas as notícias.

– Como assim?

– Bem, eles queriam criar um mural de recado deles, mas aí eu disse que o Paraíso precisava só de um mural de recados e que, com dois, ficaria tudo confuso. Eles acabaram concordando comigo, mas agora ficam pedindo para os outros animais encherem o mural com folhas de bananeira comentando tudo.

– Entendi.

– E a maior parte das folhas de bananeira comentando o que está no mural é de animais que não têm muito a dizer. São coisas que não interessam a ninguém e ficam ali apenas ocupando espaço.

– Adão, Eu acho que os macacos estão fazendo isso somente para sabotar o mural. Você não permitiu que eles criassem o próprio mural, então eles resolveram estragar o que vocês usam.

– Bem, faz sentido. Isso é bem a cara dos macacos. Eles fizeram até um concurso.

– Concurso?

– Sim. Se você colar quinze folhas de bananeira com comentários, os macacos escrevem uma folha de bananeira sobre você. O concurso chama “Quinze Folhas de Fama”. Então, todos comentam e respondem tudo que os macacos postam. Não sabia que todos os animais aqui queriam ficar famosos. Quer dizer, não que aparecer no mural de recados seja exatamente ficar famoso, mas…

– Concordo.

– Por isso que liguei para o Senhor. Não tem como pedir para que uns anjos com espadas de fogo venham conversar com os macacos?

– Não, Adão.

– Aposto que se fosse comigo, os anjos já estavam aqui.

– Oi?

– Não, nada. É que uns anjos podiam resolver o problema.

– Adão, se Eu fizer isso, vou dar razão para a raposa. E ela nunca mais vai parar de espalhar por aí que Eu vou castigar quem faz qualquer coisa que ela não concorde, dizendo que quem não concorda sou Eu.

– Bem, tem razão. Mas não sei o que fazer.

– Os animais têm o direito de comentar o que está no mural de recado. O certo seria esperar que os animais fizessem isso somente notícias importantes e com respostas que acrescentassem algo ao assunto.

– Sim. Mas não há espaço para notícias importantes. Os animais ficam entupindo o mural com folhas de bananeira, comentando todos os assuntos. Não vejo como isso pode mudar.

– Talvez você tenha razão.

– Isso quer dizer que os anjos…

– Não, Adão. Nada de anjos.

– Certo.

– Quais são os animais que fazem os piores comentários mesmo?

– Bem, tem uma raposa, uma lebre… Que mais? Aquele ornitorrinco… Aquele tamanduá que xinga os meus textos… e… falta um… Ah! O leopardo! Aquele que fala dos animais diferenciados.

– Certo. Algum mais?

– Não. Esses são os piores. Esses cinco. Esses que causam o tumulto ali.

– Certo. Eu vou dar um jeito nesses animais.

– Mesmo? Obrigado.

–Agora esqueça este mural por uns dias. Deixe a poeira baixar.

– Obrigado.

– Algo mais?

– Não, Senhor.

Depois que desligou o telefone, Deus ficou pensando sobre como resolver o problema. Na verdade, sabia o que deveria fazer, mas estava procurando por uma alternativa. Pensou bastante e chegou à conclusão que não havia saída.

Ao cair da noite, jogou os cinco animais que faziam os piores comentários para uma caverna. E, usando Seus poderes, fez os cinco animais se transformarem em um só, formando assim uma criatura nova. Uma criatura raivosa e não muito inteligente; uma criatura que rosnava e praguejava alto, mas não tinha coragem de olhar nenhum outro animal nos olhos.

Fechou a caverna com uma rocha e chamou um anjo. Pediu a ele que escolhesse um nome para esta nova criatura. Um nome que simbolizasse os cinco animais comentaristas, para que Deus nunca mais esquecesse o que havia acontecido ali.  O anjo parou para pensar.

– Raposa. Lebre. Leopardo. Ornitorrinco. Tamanduá. Tem que representar os cinco?

– Isso. Um nome assustador.

– Que difícil… Que tal Rotol?

– Rotol?

– Isso. São as iniciais dos cinco nomes.

– Não. Rotol parece nome de produto de limpeza. Precisamos de algo mais assustador.

– Hum… Posso usar um “l” depois do outro?

– Como assim?

– O que o Senhor acha de troll?

Deus sorriu. Troll. Era um nome ameaçador e bruto. E meio burro. Era perfeito.

Assim, ordenou que o troll jamais pudesse sair da caverna até que aprendesse a emitir sua opinião de forma educada e que começassem a pensar antes de falar, e deu o assunto por resolvido.

Mas Deus não sabia que a serpente estava por perto, ouvindo os gritos e palavrões do troll preso na caverna. E já estava pensando em maneiras de soltar aquela criatura horrenda pelo mundo. Precisava apenas esperar o momento ideal para isso. E sabia que ele chegaria quando um mural de recados e notícias enorme, muito maior que aquele usado no Paraíso, fosse criado.

Não havia pressa.

O que um pastor foi fazer no Rock in Rio?

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Publicado por Hermes Fernandes

Depois de dois cultos para lá de especiais, antes da bênção apostólica anuncio ao povo que eu, meu filho e um grupo de pastores da Reina (Pr. Cecílio, meu irmão, Pr. Rodrigo e Pr. Bruno) estaríamos no último show do Rock in Rio, prestigiando a um irmão em Cristo, Nicko Mcbrain, baterista da maior banda de Heavy Metal do mundo, o Iron Maiden. Pedi que os irmãos orassem por nós, já que estaríamos expostos a todo tipo de críticas. Nem precisei me dar o trabalho de ficar explicando o que faríamos lá. Graças a Deus, os irmãos da Reina já estão acostumados comigo e sabem que eu seria incapaz de me esconder atrás de uma justificativa mentirosa.

Confesso que estava muito cansado. O domingo foi, como sempre, de muito trabalho pastoral. Todavia, eu não poderia deixar de aproveitar os ingressos que um grande amigo nos conseguiu de graça. Afinal, esperei quase trinta anos para assistir à banda responsável pela trilha sonora da minha juventude.

Assim que chegamos ao local do show, surpreendi-me com o clima familiar. Tratava-se de um encontro de gerações. Avôs, pais e filhos se reuniam para ouvir sua banda predileta. Alguém disse que o Iron não tem fãs, mas fiéis. Não é uma modinha passageira, mas algo que se passa de pai para filho. Não encontrei um clima devasso, como alguns poderiam supor. Havia quem se exacerbasse um pouco, bebendo além da medida. Mas não precisa estar num show de rock para assistir a isso.

Quando vi aquela multidão, o primeiro comentário que fiz ao meu amigo Pr. Bruno foi que pareciam ovelhas sem pastor. Antes de começar o show, perguntava-me a mim mesmo o que fazer para alcançar aquela gente com o evangelho. A primeira coisa que me ocorreu foi que precisaríamos remover de nossa abordagem todo tipo de caretice.

Enquanto transitava por entre a multidão, pensei: – Como posso estar aqui sem julgar quem quer que seja? Como posso enxergar-me como um deles, tão carente quanto qualquer outro da graça divina?

Das várias cenas que assisti, talvez a que mais me chamou a atenção foi a de um senhor cadeirante que não conseguia ficar parado durante as apresentações, fazendo manobras com sua cadeira de rodas, celebrando o fato de estar vivo.

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Resolvi, então, partilhar com meus amigos do facebook aquele momento tão importante para mim. Bastou que postasse duas fotos para que surgissem as mais inusitadas reações. Houve quem me acusasse de estar levando para o inferno todos que me seguem. Em pouco tempo, perdi vários seguidores (ao menos oito, num universo de cinco mil).

Alguém me perguntou se minha presença ali tinha objetivo evangelístico. Para muitos, esta seria a única razão que justificaria que um ministro do evangelho estivesse num show de rock. A verdade é que eu estava ali para me divertir ao lado do meu filho e dos meus companheiros de ministério. Curti cada canção do Iron. Foi como tomar um elixir da juventude.

Como me arrependo de ter quebrado todos os meus discos do Iron assim que ingressei no ministério. Que mal faz o legalismo! Mas pelo menos, minha esposa se libertou dos Menudos…rs

Tenho sérias dificuldades para entender as razões pelas quais alguns cristãos abominam o tipo de performance do Iron. Será que não percebem tratar-se de dramatização? Então, por que assistem a filmes de terror? Por que conceder licença poética ao cinema, ao teatro, aos livros, mas não à música?

A maioria sequer se deu o trabalho de examinar as letras bem trabalhadas da banda. Algumas falam de demônios, 666, mas sempre em tom irônico ou crítico. O Iron é uma das poucas bandas de rock que não fazem apologia às drogas e ao sexo livre. Bruce Dickinson , seu vocalista e principal compositor é professor de história e, nas horas vagas, piloto de avião.

Eu poderia ter levado folhetos evangelísticos para distribuir ali, mas será que funcionaria? Talvez eu pudesse usar isso como álibi ou mesmo para driblar minha consciência. Mas, sinceramente, seria inútil. Em momento algum minha consciência se viu violada.

Para mim, o ponto alto do show foi quando os Irons tocaram “I’m running free”. Ali estava a graça de Deus revelada numa canção de Heavy Metal. Ocorreu-me, imediatamente, a passagem em que Paulo declara: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou.”

Ao decidir escrever este post, pensei em apresentar razões teológicas para estar naquele show. Lembrei-me, por exemplo, de Mesaque, Sadraque e Abedenego que estavam presentes naquela convocação do rei, e ao ouvirem a música, não se prostraram diante daquela escultura. Apesar de ter sido uma convocação, Daniel parece não ter atendido. Ou então, teremos que admitir que ele se prostrou. Todavia, cheguei à conclusão que seria um desperdício de tempo tentar me justificar. Parafraseando Paulo, quem não iria a um show de rock, não julgue quem o faça, e quem foi, como eu, não julgue quem jamais iria. O que autentifica nossa fé não são os ambientes que frequentamos, mas o amor que revelamos em qualquer lugar.

Em pleno Rock in Rio, eu e meus pares não fizemos proselitismo, não exibimos camisetas com dizeres evangelísticos, mas buscamos encarnar o evangelho, amando cada pessoa, sem julgá-la ou enxergá-la de cima para baixo.

Nas redes sociais, internautas praticamente só leem títulos de postagens

BuzzFeed-logoRonaldo Lemos, na Folha de S.Paulo

Quem trabalha com mídia tem a obrigação de ler o memorando que Jonah Peretti, diretor do site BuzzFeed, enviou aos funcionários. Jonah, 39, é graduado pelo MIT Media Lab, já passou pelo EyeBeam em Nova York (que pesquisa arte e tecnologia) e cofundou o “Huffington Post”.

Jonah publicou o memorando direto em sua página do LinkedIn. O texto mistura marketing com diagnóstico do estado atual da economia da atenção.

O BuzzFeed pode falar do tema: em agosto o site atingiu 85 milhões de visitantes únicos mensais. O segredo, indica ele, foi evoluir junto com os hábitos dos usuários. Jonah não diz literalmente isso, mas o BuzzFeed parte da constatação de que quem está nas redes sociais lê praticamente apenas o título do que é compartilhado. O percentual de posts clicados e lidos na íntegra é pequeno.

Com isso, ele dá força aos títulos para chamar atenção. Por exemplo, o site publica listas cujo conteúdo beira o infame (“10 dicas de estilo para homens que nunca sairão de moda” ou “31 lições do filme Edward Mãos de Tesoura”).

A quantidade de texto é sempre pequena, seja o que for. A prioridade são imagens e formas de consumo rápido. Publica-se muito: são centenas de posts diários competindo para se tornarem “virais”. A estratégia dá certo e é copiada. Por exemplo, o site francês Melty.com segue a mesma linha e está prestes a entrar no Brasil.

A questão é saber se o modelo do BuzzFeed é sustentável, ou se ele também é um “meme”, algo sujeito a desaparecer com a mesma velocidade com que conquistou atenção no passado.

“Jihad do sexo”: tunisianas viajam à Síria para satisfazer combatentes

Publicado originalmente no Terra

Combatentes sírios celebram no vilarejo de Kafr Nabuda (foto: AP)

Combatentes sírios celebram no vilarejo de Kafr Nabuda (foto: AP)

Mulheres tunisianas viajaram à Síria para travar a “jihad do sexo” e aplacar as necessidades sexuais dos combatentes islamitas, afirmou o ministro do Interior da Tunísia, Lofti Ben Jedu.

“Elas têm relações sexuais com 20, 30, 100 jihadistas (combatentes islamitas)”, declarou Ben Jedu na Assembleia Nacional Constituinte (ANC), sem explicar o período das relações. “Depois destas relações sexuais, feitas em nome da ‘jihad al nikah’ (“guerra santa do sexo”), retornam grávidas”, disse, sem precisar quantas tunisianas retornaram da Síria neste estado.

Ben Jedu também informou que o seu ministério baniu 6 mil tunisianos de viajar à Síria desde março de 2013 e prendeu 86 indivíduos suspeitos de envolvimento em redes que enviavam jovens do país para a “jihad” na Síria.

A chamada “jihad al nikah”, que permite relações sexuais fora do casamento com várias pessoas, é considerada uma forma legítima de guerra santa por alguns líderes salafistas, que proclamam um retorno às origens do islã. A imprensa calcula em centenas os casos de mulheres que viajam à Síria com este objetivo, assim como em centenas o número de homens que seguem para este país para lutar contra as tropas do presidente sírio Bashar al-Assad.

Em abril, o ex-mufti da Tunísia Sheikh Othman Battikh, então autoridade máxima religiosa do país, disse que meninas tunisianas estavam sendo enganadas para viajar a Síria e oferecer serviços sexuais para os rebeldes.

Battikh, que foi dispensado de suas funções dias depois das declarações, descreveu a chamada “jihad do sexo” como uma forma de prostituição. “Pela Jihad na síria, eles agoram estão pressionando garotas para ir para lá. Meninas de 13 anos foram enviadas para a jihad sexual. O que é isso? Isso se chama prostituição”, disse na ocasião.

Em agosto, outra autoridade afirmou que grupos afiliados à Al-Qaeda estavam usando menores, com os rostos cobertos por véus, para oferecer serviços sexuais a combatentes homens.