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Igreja evangélica frequentada por roqueiros luta contra preconceito

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

Ricardo Senra, na Folha de S.Paulo

Para os evangélicos, eles cultuam Satanás. Pelos metaleiros, são criticados por seu jeitão bem comportado. Assim, entre a cruz e a espada, resiste desde 2006, no Alto do Ipiranga, região sul, a primeira igreja gospel frequentada por roqueiros de São Paulo.

“Sofremos com o preconceito dos dois lados”, diz o pastor Antonio Carlos Batista, 46, fundador da Crash Church (ou “igreja de impacto”, na tradução dos fundadores).

“Acolhemos quem não quer nem vestir terno nem cortar os cabelos para louvar o Senhor, nem ser violento ou negar Jesus Cristo só por causa do som que gosta de ouvir.”

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

No domingo em que a sãopaulo visitou o templo, 50 jovens cabeludos, tatuados, vestindo anéis, piercings, roupas rasgadas e longos coturnos se reuniam às gargalhadas na calçada.

Quem passa pela igreja —uma sala comercial toda pintada de preto— não entende de cara o que ocorre por ali.

Os metaleiros não bebem ou fumam, só conversam. “Nossa droga é Jesus”, diz uma fiel de cabelos verdes.

Pastor Batista reza acompanhado pelos fiéis da igreja

Pastor Batista reza acompanhado pelos fiéis da igreja

Às 17h, um solo estridente de guitarra dá o sinal: começou o culto. Do lado de dentro, paredes escuras grafitadas com desenhos gigantes de coroas de espinhos levam ao salão principal, onde está o palco/altar.

“Deus não te deixa só”, “Ele está dentro de nós”, “a vida é um ato de amor”, canta, aos berros, um coro de duas mulheres e um homem, de cabelões e roupas pretas. Quando a música termina, a plateia aplaude e grita “aleluia” e “glória a Deus”.

No intervalo entre as canções, a vocalista se lembra, emocionada, de um salmo sobre o sangue de Jesus –o guitarrista acompanha dedilhando o instrumento com força proporcional à intensidade dos versículos.

Pastor e presbíteros lideram 'roda de cura' durante culto

Pastor e presbíteros lideram ‘roda de cura’ durante culto

Se a etapa inicial do culto lembra um show de rock qualquer, é quando as luzes do palco se apagam que a louvação começa de verdade.

De mãos estendidas para o céu, o pastor aparece num púlpito de pedra e convida os presentes a se abraçarem (o solo de guitarra no fundo cresce quando ele diz “aleluia”).

Começa uma roda de cura espiritual “contra a ansiedade”. Depois, o líder religioso anuncia a programação da igreja para as próximas semanas e cumprimenta, um a um, quem visita o culto pela primeira vez.

“Uma salva de palmas para o repórter e o fotógrafo que nos acompanham”, diz, enquanto a reportagem se encolhia no fundo do salão.

Um jovem magro, de cabelo dourado, cheio de gel fixador, é convidado a dar um testemunho.

“Consegui um trampo num restaurante”, diz, ao lado do pastor Batista. “Sou responsável pela parte de bebidas e estou muito feliz.” Aplaudido, ele prossegue: “Mesmo antes, eu sempre fiz questão de pagar o dízimo.”

É essa a senha para a coleta do dinheiro. Em fila, os fiéis caminham em direção a uma urna com pequenos envelopes recheados. Não fossem pretos, eles também seriam como os usados em outros templos religiosos.

Todas as paredes da igreja são pretas, com desenhos gigantes que lembram coroas de espinhos

Todas as paredes da igreja são pretas, com desenhos gigantes que lembram coroas de espinhos

VOZ DE TROVÃO

No ritmo dos gritos de “amém” do pastor (com voz gutural, tipo show do Sepultura), o culto segue por mais duas horas.

“O povo de Israel sempre foi guerreiro. Nós estamos em constante luta contra Satanás”, diz o pastor, que também é vocalista da banda AntiDemon, com a qual já viajou por outras igrejas alternativas em 31 países.

Com uma bíblia cheia de adesivos de bandas, ele fala à reportagem sobre a conexão que percebe entre o heavy metal e a mensagem divina.

“Está escrito numa passagem que a voz de Deus é como um trovão. Outra indica que o barulho no céu é ensurdecedor. No rock é igual.”

Pastor Batista diz que fundou a Crash Church para abrigar roqueiros rejeitados em outras igrejas

Pastor Batista diz que fundou a Crash Church para abrigar roqueiros rejeitados em outras igrejas

Ele diz que sua principal luta é contra os estereótipos. “Já fui barrado em hospital quando fui visitar um fiel que estava doente. Não usava uma gravata, então não acharam que eu era pastor. Puro preconceito.”

Julgamentos à parte, o pregador diz que sua igreja é “bem careta”. “Ninguém aqui transa antes do casamento. E nós não acreditamos em um terceiro sexo. Gays são bem-vindos porque precisam de amor e ajuda.”

O pastor também é vocalista da banda de rock gospel AntiDemon, que já viajou por 31 países

O pastor também é vocalista da banda de rock gospel AntiDemon, que já viajou por 31 países

fotos: Gabriel Cabral/Folhapress

‘Roberto Carlos usa a imagem de Jesus Cristo com fins comerciais’, diz Paulo César de Araújo

Biógrafos querem enviar manifesto para a ministra Cármen Lúcia

PauloCesardeAraujo-DiscosMaurício Meireles, em O Globo

FORTALEZA — O clima foi de humor e polêmicas no debate de abertura do Festival Internacional de Biografias (Fib), na tarde desta quinta-feira, em Fortaleza, com os biógrafos Paulo César de Araújo e Fernando Morais. Paulo César ironizou a demanda de biografados por pagamento para autorizarem que se escreva sobre eles, brincando com as músicas religiosas de Roberto Carlos.

— Roberto Carlos usa a imagem de Nossa Senhora e Jesus Cristo com fins comerciais, porque o disco é vendido. E aí ele não precisa pagar nada por isso — disse o escritor, arrancando risos da plateia.Paulo César de Araújo, que teve sua biografia do cantor, “Roberto Carlos em detalhes”, recolhida das livrarias depois de um acordo entre sua editora e o rei, em 2007, afirmou que a História é uma criação coletiva e não pertence aos personagens biografados.

— O cara quer ter uma visão patrimonialista da História, mas ela não pertence a eles. A História pertence à sociedade. Se eu escrevo sobre uma música que várias pessoas ouviram e na qual várias trabalharam, ele não pode dizer: “Bicho, essa história é minha” — disse o biógrafo, imitando a voz do cantor.

Ainda relembrando a polêmica das últimas semanas, Fernando Morais voltou a afirmar, entre uma ironia e outra voltada à empresária Paula Lavigne, que desistiu de escrever biografias por conta da legislação brasileira.

— Eu não vou escrever mais nada. Um dia eu ainda vou agradecer à Paula Lavigne por ter me estimulado a pendurar as chuteiras. Vou vender caju na Praça Buenos Aires. Estou pensando em mandar minhas contas de açougue e supermercado para o Djavan — disse Morais, garantindo que a biografia do ex-presidente Lula, na qual trabalha no momento, será a sua última.

Fernando Morais disse ainda que abandonou o projeto de biografia do ex-ministro José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão. O escritor disse que chegou a gravar horas de conversas com o ex-ministro, e que os dois até viajaram a Cuba juntos nesse projeto, em 2005, mas, quando voltaram ao país, o escândalo de corrupção estourou.

O jornalista Lucas Figueiredo, que trabalha em uma biografia de Tiradentes e estava na plateia, defendeu que a luta dos biógrafos por liberdade não é “uma luta corporativa” e teve o apoio de Morais.

— Queremos que valha o que está escrito na Constituição. Não estamos defendendo nossos empregos, mas o direito da sociedade de se informar — disse Morais.

Manifesto

Os biógrafos reunidos no Fib, cuja programação literária tem curadoria do jornalista Mário Magalhães, se articulam no momento para enviar um manifesto à ministra Cármen Lúcia, relatora da ação de inconstitucionalidade contra os artigos 20 e 21 do Código Civil, que permitem que biografias não autorizadas sejam recolhidas das livrarias. O festival acontece até domingo.

Musical usará canções de Britney Spears para contar a história de Jesus

Publicado na Folha de S.Paulo

Um novo musical pretende contar a história de Jesus Cristo usando canções da diva pop Britney Spears, informa a revista britânica “NME”.

“Spears The Musical: The Gospel According to Britney” (em tradução livre, Spears, o musical: o Evangelho segundo Britney) está sendo desenvolvido para os palcos. Uma prévia da peça deve ser apresentada para possíveis investidores em 7 de novembro, em Nova York.

A produção mostrará o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição de Cristo usando hits inesquecíveis de Britney, como “Stronger”, “…Baby One More Time” e “(You Drive Me) Crazy”.

Imagem de divulgação do musical 'Spears', que usará canções de Britney para contar a história de Jesus

Imagem de divulgação do musical ‘Spears’, que usará canções de Britney para contar a história de Jesus

O criador do musical, Pat Blute, defendeu a ideia no site oficial da peça.

“Essas são letras da Britney. Essas são imagens de Jesus Cristo. A Britney Spears que você vê não é a Britney Spears. Lembrem-se disso. O Jesus Cristo que você lê não é Jesus Cristo. Essas são representações. Relatos da mídia, pelas palavras dos seguidores, dos amigos, dos inimigos, dos vilões, dos heróis, dos mentirosos, dos preconceituosos.”

Segundo Blute, é errado acreditar que fama e fortuna garantem a felicidade.

“Nem todas as ‘mortes’ recebem uma ressurreição. Eu espero que esse projeto mostre isso a vocês, por meio do poder de escutar e do poder do perdão.”

O logotipo da peça é uma brincadeira com o sobrenome da cantora, Spears, palavra que, em inglês, também pode significar lanças –como as que os romanos usaram para atacar Jesus, segundo a crença cristã.

Novo Testamento pode sair de circulação por ser biografia não autorizada de Cristo

Publicado impagavelmente no Sensacionalista

A polêmica envolvendo biografias de famosos chegou até as Sagradas Escrituras. Um grupo de religiosos está pedindo a retirada do mercado do Novo Testamento sob a justificativa de que ali estariam presentes dados biográficos não autorizados de Jesus Cristo. O grupo acusa o texto do Novo Testamento de relatar eventos na vida de Jesus que poderiam comprometer a sua imagem pacificadora como por exemplo o episódio em que o Messias entra no Templo e expulsa os vendilhões revirando suas barracas a força. Os religiosos acreditam que esse trecho poderia incitar o vandalismo.

Do outro lado a Justiça é contra a retirada dos evangelhos das prateleiras e alega que as partes não autorizadas da vida de Jesus não foram colocadas no texto, como por exemplo toda a sua vida dos 13 aos 30 anos.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

“Violência física nem sempre é o que mais dói”, diz intérprete de Jesus em “A Bíblia”

O ator Diogo Morgado, que interpreta Jesus Cristo em cena da série "A Bíblia" (foto: Joe Alblas/History Channel)

O ator Diogo Morgado, que interpreta Jesus Cristo em cena da série “A Bíblia” (foto: Joe Alblas/History Channel)

James Cimino, no UOL

Para interpretar Jesus Cristo na série “A Bíblia”, o ator português Diogo Morgado pesquisou na Bíblia, em livros, filmes e até em pinturas, tudo o que pudesse ajudá-lo a compor o personagem da série que estreia nesta quarta-feira (16), na Record.

Cristão, o ator português conta que o trabalho o ajudou a refletir mais sobre a religião, e um de seus objetivos no trabalho, foi criar um Jesus “menos inatingível, mais humano”. Questionado sobre as cenas de violência, falou que “violência física nem sempre é o que mais dói”, e que o importante é a mensagem que “Ele deixou para o mundo”

Leia abaixo a entrevista completa com Diogo Morgado:

UOL: Primeiramente gostaria de saber se você é cristão praticante e como foi para você interpretar esse papel?
Diogo Morgado: Sim, sou cristão e aprendi com este trabalho da Biblia que, a meu ver, há uma forma errada de encarar a religião, como se fosse uma coisa clubística de torcida de time de futebol ou de partido politico. A religião, ou a nossa crença, ou fé, é uma coisa muito pessoal, que nos motiva no dia a dia. Cada um busca o caminho do seu equilíbrio emocional e espiritual, e essa é uma jornada que ninguém pode opinar ou fazer por nós.

Como ser original ao interpretar um personagem que já foi interpretado por diversos atores ao longo da história da TV e do cinema?
É talvez a coisa mais complicada num trabalho como este. Para mim foi sem dúvida o maior desafio que tive pela frente neste projeto. A verdade é que pesquisei bastante e procurei ver tudo onde entrasse a figura de Jesus e procurar os pontos comuns, e em seguida tentar uma coisa menos vista. Foi aí que procurei ir pelo caminho de tornar a figura menos inatingível, mais humana. Jesus era 100% filho de Deus, mas também estava numa condição 100% humana, com todas as suas caracteristicas e condições. Foi fascinante para mim trabalhar de que forma esta figura seria magnética por onde quer que passasse. Não só por aquilo que dizia, mas pela forma como agia com quem o rodeava.

Um dos filmes mais fortes sobre essa história foi “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, por mostrar cenas bastante realistas e chocantes. Como você foi dirigido nesse aspecto? Houve uma tentativa de não chocar tanto o telespectador?
Houve desde sempre uma opinião unânime em toda a equipe, a de que a violência física nem sempre é a que mais doí. Por isso mesmo procuramos ir pela relação daquelas figuras e do marco do momento em si, mais do que explorar a violência gráfica da sequência.

Qual foi sua fonte de pesquisa? Apenas a Bíblia?
Não só a Biblia, mas tudo o que tivesse a ver com a Biblia e mais especificamente Jesus. Quer fossem livros ou filmes, e até pinturas.

Por que você acha que ainda hoje as histórias bíblicas são tão populares no mundo? Aqui no Brasil, atualmente, a Record, que vai exibir a série, também tem a história de José no ar com bons níveis de audiência.
Acho que a razão é principalmente porque são histórias que nos falam das mesmas questões, ansiedades e necessidades que todos nós atravessamos ainda nos dias de hoje. E, além disso, são histórias de fé, de resposta de esperança e de amor, coisas que são comuns em todo o mundo independentemente da cultura ou crença.

Você disse à Oprah Winfrey que a cena da crucificação foi a mais intensa, porque?
Por razões óbvias. Não são só cenas física e emocionalmente complicadas e extenuantes, é também o fato de representarem o marco do Cristianismo, o amor extremo de alguém que basicamente mudou o mundo.

Você é português e deve conhecer o livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” do José Saramago, que faz uma narrativa bastante humanizada e pouco idealizada de Jesus e de Deus. Há muita controvérsia histórica a respeito dessa figura. Muitos dizem que ele foi casado com Maria Madalena, outros dizem que ele era apenas uma pessoa esclarecida e revolucionária que questionava os poderosos. Você, que deu vida ao personagem, acha que ele está mais para santo ou mais para humano iluminado?
Tal como respondi anteriormente, não acho essa questão muito relevante. Nem sou a pessoa mais competente para falar do assunto. O que eu posso dizer é que não podemos julgar a mensagem pelo mensageiro. A mim, pouco me importa a divindade de alguém que fez o que Jesus fez por amor, e a mensagem que nos deixou de compaixão pelo próximo, de amor e de esperança e fé. O que me importa é o impacto positivo que isso teve no mundo até os dias de hoje.

Como você reagiu ao fato de a série ter sido indicada ao Emmy?
Não poderia ter ficado mais orgulhoso e acho que foi a forma perfeita de celebrar um projecto que não tem sido outra coisa senão vencedor.

Quais foram as críticas que você recebeu pelo papel? O que os religiosos acharam?
As criticas ao meu trabalho foram muito boas, aliás eu estava à espera, pela natureza deste projecto, que as criticas ao meu trabalho fossem duras, mas não só não foram, como tenho tido ótimas surpresas que têm me deixado muito feliz.