Jesus teria se casado com Maria Madalena e tido dois filhos

O chamado “Evangelho perdido” foi traduzido do aramaico em manuscrito de 1.500 anos, descoberto na Biblioteca Britânica

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De acordo com um manuscrito de quase 1.500 anos, descoberto na Biblioteca Britânica, Jesus teria se casado com Maria Madalena e tido dois filhos. O chamado “Evangelho perdido”, que foi traduzido do aramaico, supostamente traz novas alegações surpreendentes, de acordo com o “The Sunday Times”.

O professor Barrie Wilson e o escritor Simcha Jacobovic passaram meses traduzindo o texto.

Muitos especialistas minimizam a importância histórica da Bíblia, mas, de acordo com os tradutores do novo evangelho, ela tem mais importância do que se pensava anteriormente.

Maria Madalena já aparecia em evangelhos existentes e está presente em muitos dos momentos importantes registrados na vida de Jesus.

O “Evangelho perdido” não é o primeiro a afirmar que Jesus se casou com Maria Madalena.

Nikos Kazantzakis, em seu livro de 1953, “A última tentação de Cristo” e, mais recentemente, Dan Brown, em “O Código Da Vinci”, fizeram a mesma alegação.

As revelações do livro, incluindo os nomes dos filhos de Jesus, serão conhecidas no lançamento da obra nesta quarta-feira. A editora Pegasus confirmou a publicação.

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A multiplicação

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Elienai Cabral Jr.

Uma reunião de seguidores nunca é incólume nem vítima, ainda que digna de compaixão.

Uma vez que se preste a legitimar um líder, impõe-se sobre ele. As múltiplas e difusas expectativas obrigam o herói à invisibilidade, a estranha solidão de cercar-se de tantos ao custo de quase não existir; ele que tem que ser tudo, acaba sendo um nada.

A multidão de tantos não se reúne sem a solidão de alguns.

Dias sem nem comer direito, ocupados com as seguidas tarefas, o Mestre e os discípulos viajam para longe de todos e seus problemas e suas demandas e suas expectativas sem fim. Procuram a distância e o descanso. Mas do lado de lá do grande lago, a imagem ainda imprecisa já tumultua o barco e amarga a viagem. É uma multidão. De gente sem graça, sem destino, sem pastor, sussurra Jesus com os olhos marejados. Mas um dia saberá que é também uma multidão sem alma.

Jesus desembarca entusiasmado, cheio de vontade de ajudar e cuidar de todos. Os discípulos? Anestesiados de tão exaustos.

Ele não se dá desprotegido à turba, nem se oferta ingênuo aos famigerados. Não responde às questões, suscita outras dúvidas; não acalma angústias, desperta sensibilidades; não indica caminhos, suscita revoltas; cada história que conta é uma atordoante distração. Jesus dispersa convicções para suscitar novos cenários.

A multidão quer se alimentar de quem esperam que ele signifique, mas sua saciedade não é o que quer o Nazareno. Jesus os quer famintos. Bem-aventurada a fome que a todos libertará.

Um menino brinca entre os cenhos franzidos. Flutua desconexo de todos os interesses e medos. Além dos comentários de incerteza diante de tudo o que o novo profeta dizia, ouve os primeiros murmúrios sobre a tarde que chegara ligeira e o problema novo da comida que todos precisariam, mas ninguém parecia ter. Longe de tudo. Gente demais. Nenhuma organização. Todos tensos, menos a criança. Ela se distrai com as pedrinhas, cantarola histórias. Vez ou outra, ergue a cabeça e percebe a agitação dos adultos.

O menino desliza lépido pelos corredores de gente. Um labirinto de angústias para os famintos, um jogo curioso para a criança. Sua leveza o deixa um pouco de fora, alheio e estranhamente feliz.

Enquanto toca as pessoas aflitas e trata suas dores, Jesus conta histórias e encadeia perguntas intermináveis; para os austeros homens da lei, um labirinto escandaloso, para o Nazareno, pensam alguns, parece um jogo.

Todos se afligem e ele parece se divertir e brincar com comparações e poemas, admite um dos discípulos mais próximos. Razão para acordá-lo do sonho e fazê-lo enxergar a enrascada em que a todos colocou. Hora de mandar embora a multidão para que encontre o que comer pelo caminho. Fome não é brincadeira.

De onde virá a comida?

A pergunta ressoa entre todos. A incerteza do problema enfraquece a obstinação que a todos reuniu ruidosos. E o que antes juntou como que encantados, agora os dispersa silentes e desprotegidos. Gente demais, solução alguma.

Vocês podem resolver o problema. É tudo o que Jesus diz, antes de voltar à parábola que deixou reticente. A ordem também ecoa. Metálica e aflita. O silêncio. Os olhares. O vazio.

O menino que encontrara outras crianças longe dos pais ouviu a pergunta e a resposta. Estranhou o silêncio e não gostou da sensação dos adultos inseguros. Meneou a cabeça, rindo de que quem ninguém soubesse responder. Apenas sua voz era ouvida. Corria e berrava para todos que tinha a comida. Chegou rápido aos pais como se fizesse aquele caminho todos os dias. Agarrou a cesta do jantar trazido pela família, então escondida entre panos. E antes que os pais pudessem impedir, saltou à frente dos discípulos e apresentou sorridente a solução.

O que era silêncio se tornou estridentes risos. Os discípulos boquiabertos sequer tiveram força para receber a oferta. Até que um deles, constrangido, tomou a cesta e conferiu o óbvio. Cinco pães e dois peixes é bastante para o menino e sua família, mas impossível para saciar a multidão.

Ninguém mais ria. Exceto o menino e Jesus, que em um movimento surpreendente e coreográfico, repetiu o gesto infante. Colocando os discípulos em roda, devolveu-lhes a comida. Estes, meio sem graça, enquanto pediam a todos que fizessem o mesmo, reunindo grupos em roda, repetiram o gesto de Jesus. E antes que se pudesse fazer contas, outros pequenos e escondidos cestos, com poucos e inesperados pães e peixes, deslizaram em festa no meio do povo. O menino. Jesus. Os discípulos. As rodas de amigas e amigos.

Jesus e o menino sumiram no meio da algazarra, de tanto que se sentiram em casa. E as fraternas rodas substituíram os labirintos de solitários e insaciáveis crentes.

Depois de muito tempo, contou-se uma história um pouco diferente. De um milagre assombroso de multiplicação de pães. Mas entre os discípulos sempre se soube que antes do pão, o gesto se multiplicou. E que o milagre veio da mão de uma criança.

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Jesus: preso por porte ilegal de arma?

Judas trai Jesus com um beijo em obra do mestre da pintura medieval, o italiano Giotto (Reprodução)
Judas trai Jesus com um beijo em obra do mestre da pintura medieval, o italiano Giotto (Reprodução)

Reinaldo José Lopes, no blog Darwin e Deus

Eu sei que a ideia é chocante, mas foi levantada recentemente num artigo acadêmico sério. Para ser mais preciso, trata-se de um texto na edição de setembro do periódico “Journal for the Study of the New Testament”, assinada por Dale Martin, professor de estudos religiosos da prestigiosa Universidade Yale, nos Estados Unidos. O sugestivo título do artigo é “Jesus em Jerusalém: armado, mas não perigoso”. E aí, é besteira da grossa escrita só para chamar a atenção ou, horror dos horrores, o cara está certo?

Nem uma coisa nem outra, eu diria, mas vamos por partes, porque a discussão é complicadinha.

Pra começar, é bom lembrar que Martin é um estudioso bastante respeitado das origens do cristianismo. Além de seus artigos acadêmicos, o curso introdutório dele sobre o Novo Testamento está disponível para download grátis no site de Yale e no iTunes. Já ouvi algumas vezes, vale a pena para quem sabe inglês. Ah, e não estamos falando de um ateu raivoso. Martin é membro da Igreja Episcopal (como são conhecidos os anglicanos dos EUA).

Passando para a argumentação do pesquisador, a primeira coisa a ter em mente são os relatos sobre a prisão de Jesus nos Evangelhos. Os textos bíblicos afirmam que, quando Judas Iscariotes leva os homens do sumo sacerdote do Templo de Jerusalém para prender o Nazareno, algum dos companheiros de Jesus (que não é identificado com precisão nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mas que seria ninguém menos que Pedro, segundo o Evangelho de João) saca sua espada e corta a orelha de um servo do sumo sacerdote (chamado Malco, ainda de acordo com João).

É aqui que começa a complicação. Lembrem-se: apesar de levarem nomes de apóstolos, como “Mateus” e “João”, os textos dos Evangelhos são anônimos (os nomes dos autores foram adicionados mais tarde). Ou seja, nenhum deles foi escrito por testemunhas oculares dos fatos, embora possam incorporar tradições que, obviamente, foram legadas por essas testemunhas. Na verdade, o consenso entre os historiadores atuais é que a maior parte das narrativas sobre a morte de Jesus, incluindo essa parte da prisão, tem como fonte original o Evangelho de Marcos. Os demais Evangelhos ampliaram e modificaram Marcos de acordo com suas próprias tendências teológicas e literárias.

Em detalhe da imagem acima, apóstolo Pedro decepa orelha de servo do sumo sacerdote (Reprodução)
Em detalhe da imagem acima, apóstolo Pedro decepa orelha de servo do sumo sacerdote (Reprodução)

MODIFICAÇÃO PROGRESSIVA

Se isso for verdade, o episódio da espada foi sendo progressivamente modificado pelos evangelistas pós-Marcos, talvez porque pegasse mal para os seguidores de Jesus ficarem associados a esse ato violento. Exemplo: em Mateus, logo depois da espadada, Jesus manda seu discípulo guardar a arma com a célebre frase “Todos os que pegam a espada pela espada perecerão”. (Em João ocorre basicamente a mesma coisa, embora a fala de Cristo não seja tão eloquente.) E Lucas acrescenta o detalhe de que, imediatamente depois de a orelha ser decepada, Jesus cura milagrosamente o servo do sumo sacerdote. Falando em Lucas, ele também esclarece, pouco antes dessa cena, que os discípulos de Jesus estavam carregando “apenas” duas espadas.

Conclusão número 1 de Martin: se tivéssemos apenas o texto de Marcos, não teríamos nem as reprimendas de Jesus ao discípulo espadachim nem a informação sobre o armamento limitado dos seguidores do Nazareno. A maioria deles (ou mesmo todos!) poderia estar armada.

O segundo passo do pesquisador é se perguntar como a presença de um grupo de galileus armados com espadas seria recebida numa cidade com Jerusalém, ainda mais na época da Páscoa, quando a Cidade Santa ficava tensa e cheia de peregrinos. Ele, então, repassa uma série de textos antigos sobre as leis e costumes relativos ao porte de armas dentro de cidades do mundo greco-romano. O resumo da ópera é que, na capital imperial, ou seja, a própria Roma, havia uma lei explícita proibindo carregar espadas ou outras armas usadas para combate dentro dos limites da cidade. E, em outras cidades do Mediterrâneo, era no mínimo algo considerado altamente suspeito carregar armas em território urbano. Em várias rebeliões populares contra abusos de Roma dentro de Jerusalém, os judeus normalmente jogavam pedras nos soldados romanos, em vez de usar armas.

Conclusão número 2 do artigo: se os romanos descobrissem que os seguidores de Jesus estavam carregando armas no entorno de Jerusalém, isso já seria motivo para condená-lo à morte. Lembre-se: estamos falando de um não cidadão que representaria, do ponto de vista de Roma, uma ameaça à paz. O pessoal de Roma era partidário da célebre frase “direitos humanos para humanos direitos”, ou até menos que isso…

OK, mas Jesus não era doido nem burro. Ele muito provavelmente sabia que 12 apóstolos com espadinhas made in Galileia não seriam suficientes para derrotar o poderio de Roma. No entanto, este é o argumento central de Martin, Jesus era um profeta apocalíptico. Ou seja, ele esperava a intervenção definitiva de Deus na história para libertar seu povo e instaurar um reino de paz e justiça.

Trata-se de uma crença comum entre os judeus do século 1º d.C. Os fariseus, parece, tinham crenças apocalípticas (o mais famoso deles acabou virando cristão: é o apóstolo Paulo). E a seita que escreveu os Manuscritos do Mar Morto — talvez sejam os chamados essênios — também acreditava nisso. E mais: achava que haveria uma guerra definitiva do bem contra o mal, ou dos “Filhos da Luz” contra os “Filhos das Trevas”, como eles diziam. Nesse combate, Deus mandaria um exército de anjos à terra, e os membros da seita, os “Filhos da Luz”, lutariam lado a lado com as hostes angélicas contra os romanos e os judeus aliados a eles.

Conclusão número 3 de Martin: Jesus pode ter tido essa visão do fim dos tempos também. Carregar espadas seria apenas um jeito de estar preparado quando os exércitos celestes entrassem em ação — nesse caso, Jesus e seus discípulos estariam prontos para lutar do lado “do bem”.

A morte de Jesus, e a crença na ressurreição dele, teria mudado tudo isso, levando os discípulos a redefinir sua visão do fim dos tempos. Mas a crença original deles teria ficado preservada, em parte, como “fósseis” nas narrativas dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos.

PROBLEMAS DE MONTÃO

OK, é uma argumentação interessante. E está claro que a pregação de Jesus tinha uma dimensão política que soava ameaçadora tanto para a elite judaica quanto para Roma. Se você prega o Reino de Deus, é porque implicitamente, ao menos, está condenando os reinos da Terra. Mas a maioria dos estudiosos não compra o argumento de Martin, pelos seguintes motivos:

1)A ideia de que a maioria dos discípulos estava armada é plausível, mas simplesmente especulativa; não dá para saber, no fundo, se eles eram mesmo um bando armado até os dentes;

2)A questão da proibição do porte de armas dentro de Jerusalém é controversa: não temos evidências diretas dessa proibição, e pode ser que o costume das cidades romanas e gregas simplesmente não fosse seguido numa metrópole judaica;

3)Igualmente especulativa é a ideia de que Jesus fosse adepto da teoria “temos de ajudar os anjos na batalha apocalíptica final”.

Esse, creio, é o ponto mais importante. Os Manuscritos do Mar Morto defendem essa visão, mas outra corrente muito importante do pensamento apocalíptico judaico da época, representada pelo livro de Daniel, por exemplo, dá a entender que o “serviço de limpeza” do mal será feito totalmente por Deus no fim dos tempos. Ou seja, os judeus fiéis não precisariam se unir como guerreiros às forças celestiais. Bastaria que eles se mantivessem fiéis a Deus.

Considerando a influência importantíssima do livro de Daniel sobre os primeiros cristãos, desconfio que Jesus se inclinasse por essa segunda opção.

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Evangélicos podem decidir segundo turno

Dados da pesquisa Ibope indicam que o grupo, com 22% do eleitorado, tem o dobro da preferência pela ex-senadora. Entre católicos, Dilma e Marina empatam

NA DISPUTA PELOS EVANGÉLICOS - Marina e Dilma se cumprimentam em debate da Rede Bandeirantes (foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)
NA DISPUTA PELOS EVANGÉLICOS – Marina e Dilma se cumprimentam em debate da Rede Bandeirantes (foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

título original: Voto evangélico seria decisivo para eleger Marina no 2º turno

Publicado na Veja on-line

Pesquisa Ibope divulgada na terça-feira confirmou um cenário temido pelo PT desde a consolidação da candidatura de Marina Silva (PSB) à Presidência: de acordo com o levantamento, a presidente Dilma Rousseff (PT) seria derrotada por Marina por 45% a 36% em um eventual segundo turno entre as candidatas. Nesse cenário, o voto decisivo para permitir a Marina subir a rampa do Planalto seria o dos eleitores evangélicos.

Ainda segundo a pesquisa, há empate técnico entre Marina e Dilma entre os católicos: 42% a 40%, respectivamente, na simulação de segundo turno. A diferença de dois pontos porcentuais está dentro da margem de erro. Ou seja, apesar de serem o maior contingente do eleitorado (63%), os católicos teriam impacto quase insignificante no resultado da eleição, pois dilmistas católicos anulariam marinistas da mesma fé.

O voto decisivo seria dos evangélicos. Com 22% do eleitorado, eles têm praticamente o dobro de preferência por Marina. Na média, 53% dos eleitores pentecostais, de missão e de outras denominações evangélicas declaram voto na candidata do PSB, ante apenas 27% que dizem preferir a atual presidente. Os 15% de eleitores que não são católicos nem evangélicos (ateus, agnósticos, outras religiões) também pendem mais para o lado de Marina. Mas, além de terem um peso menor, a distância que separa Dilma da sua principal adversária é menor entre eles: 27% a 45%. É um grupo heterogêneo e, entre eles, não há líderes com a influência de pastores e bispos entre os evangélicos.

Não é novidade a preferência do eleitorado evangélico por Marina. Na corrida eleitoral de 2010, Dilma enfrentou resistência entre o segmento evangélico em decorrência de controvérsias sobre sua posição em relação à legalização do aborto. Na ocasião, a maior parte dos eleitores que abandonaram Dilma no primeiro tuno migrou para Marina, dobrando seu eleitorado na reta final. A petista só conseguiu o apoio de grande parte dos líderes religiosos após fechar um acordo em que se comprometia a não trabalhar pessoalmente no avanço de temas como aborto e casamento gay, que ficariam a cargo do Congresso.

O eleitor evangélico sempre desconfiou da presidente. Em maio, uma nova onda tomou a internet quando o governo Dilma regulamentou a execução de abortos autorizados pela lei (casos de estupro, por exemplo) na rede de hospitais públicos do SUS. A reação foi tão grande que o governo voltou atrás. A intenção de voto em Dilma entre os evangélicos cai desde então. Era 39% em maio, é 27% agora. Entre os católicos, no mesmo período, a intenção de voto na presidente oscilou muito menos, de 42% para 39%.

Já a entrada de Marina na corrida eleitoral provocou uma revolução no eleitorado evangélico. No começo de agosto, Eduardo Campos, então candidato do PSB, tinha 8% de intenções de voto entre eleitores dessa fé – a mesma taxa do Pastor Everaldo (PSC). Marina já entrou com 37%, abrindo uma vantagem de 10 pontos sobre Dilma. O impacto foi tão grande que pulverizou as intenções de voto no até então mais notável candidato evangélico. O pastor caiu de 3% para 1% no eleitorado total, e de 8% para 3% entre evangélicos. Everaldo é líder religioso e tem o apoio de outros pastores, como Silas Malafaia.

Em nenhum outro segmento do eleitorado Marina tem uma vantagem tão grande sobre Dilma do que entre os evangélicos. Nem entre os jovens, nem no Sudeste, nem entre os mais escolarizados, nem entre os mais ricos. Isso não significa que a maioria dos eleitores de Marina seja evangélica – tem 56% de católicos. Mas Marina está abaixo da média nesse segmento, e fica sete pontos acima entre os evangélicos.

A candidata do PSB trocou a Igreja Católica pela Assembleia de Deus em 1997. Ela costuma evitar a mistura religião e política no seu discurso, mas às vezes derrapa. Questionada no Jornal Nacional sobre seu fraco desempenho eleitoral no Estado de origem, o Acre, Marina disse: “Ninguém é profeta em sua própria terra”, frase atribuída a Jesus na Bíblia.

(Com Estadão Conteúdo)

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Cartilha eleitoral

Documento da CNBB sobre as eleições examina a conjuntura política do país à luz da doutrina social da Igreja

consequencias

Frei Betto, em O Globo

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou este mês o documento “Seu voto tem consequências: um novo mundo, uma nova sociedade”, no intuito de orientar os católicos nas próximas eleições.

Trata-se de um documento apartidário, porém à luz da doutrina social da Igreja e dos documentos papais e episcopais. “As eleições deste ano de 2014 são importantes, não só porque presidente, deputados, senadores e governadores têm uma incidência muito grande na vida da população, mas porque está em jogo também o projeto político, social e econômico para o Brasil”, afirma o texto.

Será que a Igreja Católica, ao emitir o documento, estaria “se metendo em política”, como alardeiam os ingênuos? Primeiro, nós, cristãos, somos todos discípulos de um prisioneiro político. Jesus não morreu doente na cama. Foi preso, torturado e condenado à pena de morte dos romanos (a cruz) por dois poderes políticos!

Segundo, em política ninguém é neutro, seja por omissão, seja por participação. Terceiro, historicamente a Igreja sempre tendeu a fazer a política dos nobres, dos opressores, dos escravocratas e dos poderosos.

A CNBB elenca as conquistas significativas dos governos do PT: “Os dados mostram que, nos últimos dez anos, cerca de 28 milhões de brasileiros deixaram a extrema miséria e a pobreza e passaram a ter uma renda melhor. Este foi um salto significativo na nossa realidade social. Um dos fatores importantes para este resultado foi o aumento real do salário-mínimo — acima da inflação. Outra contribuição veio do programa de transferência de renda para famílias extremamente pobres, o Bolsa-Família. A taxa de desemprego vem caindo regularmente desde 2003 e ficou em 5,4% em 2013. O Brasil foi um dos países onde se registrou maior redução da pobreza nesse período.”

Quanto aos aspectos negativos, diz o documento: “Como apontaram as manifestações, os recursos para a saúde e para a educação — as principais políticas sociais de um país — são bastante limitados e vêm aumentando muito lentamente.”

Quanto aos gastos com a dívida pública: “Se quisermos saber para quem um governo trabalha, temos de examinar para onde estão indo os recursos. Atualmente, eles são destinados, em primeiro lugar, para o pagamento da dívida pública e de seus juros. Em 2013, quase metade do orçamento público (40%) foi destinado para os juros, amortização e rolagem da dívida, enquanto menos de 5% foi para a saúde e menos de 4% para a educação. Este ‘sistema da dívida’ é o grande devorador dos recursos públicos. É o maior gasto do governo, e faz com que faltem recursos para o transporte, a saúde, a educação, o saneamento básico e outras políticas sociais.”

O documento critica ainda a violação dos direitos indígenas e dos quilombolas; a lentidão da reforma agrária; as privatizações; os megaprojetos que afetam as populações mais pobres. E reforça o apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular, que recolhe assinaturas em prol da reforma política, e conclama à participação no plebiscito por uma Constituinte exclusiva pela reforma política, que ocorrerá na Semana da Pátria, entre 1 e 7 de setembro.

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