100% ioga e 100% Jesus

Anna Virgínia na Folha de S.Paulo

Há alguns meses, falei sobre ioga com um amigo que frequenta igrejas evangélicas. Ele deu um risinho como se dissesse “ai, ai, só você”, ou “isso não é de Deus”, talvez um “Anna, só Jesus me deixa de ponta-cabeça”.

Quanto à prática –bem, cristã ela não é muito mesmo, ao menos em suas raízes.

A ioga tem uns 7.000 anos (5.000 a mais do que Jesus), origem na hinduísta Índia (onde se fala em mais de 300 milhões de deuses), nome em sânscrito (significa “união”) e a proposta de ser uma cola Bonder entre o homem e o Universo.

Não é difícil imaginar por que a prática “pagã” é malvista por movimentos cristãos.

Em junho, causou polêmica a declaração de um pastor americano que concorria a um cargo eleitoral em Virginia: “O objetivo dessa meditação é esvaziar a si mesmo. [Satanás] tem o prazer de invadir o vácuo vazio de sua alma e possuí-la”. Pegou mal, e o pastor Jackson apressou-se em dizer que veja lá, não é bem assim, quis dizer em se deixar preencher pela graça de Deus.

Por isso me pareceu tão inusitado a proposta da Holy Yoga: “100% Jesus e 100% ioga”.

Eis o slogan desse movimento criado nos Estados Unidos para propagar a “santa ioga” entre evangélicos.

Nos EUA, mulheres em curso de ‘ioga sagrada’ para ‘louvar Jesus Cristo’

“Não concordamos com aqueles que acreditam que a ioga é inseparável da tradição religiosa oriental”, diz Jo Ann Bauer, diretora de comunicação do projeto. “Estamos convictos de que a respiração, o movimento e a meditação pertencem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Acreditamos fortemente na recuperação de tudo o que é bom para o único Deus verdadeiro, Jesus Cristo.”

São, me conta Jo Ann por e-mail, 715 instrutores em dez países (o Brasil ainda não está na lista).

“Mestra da santa ioga”, ela é uma morena bonitona nascida em Wisconsin que enche o Facebook de fotos com braços esticados na frente de cachoeiras. Calculo que deva ter uns 40 anos (com corpinho de 30).

LOUVA DEUS

Na internet dá para ter uma ideia de como as aulas de Jo Ann funcionam: alunos de nomes tipo Cindy, John, Marylyn e Steve deitados no chão, esticando-se com as palmas das mãos coladas e elevadas ao alto da cabeça (saudando o sol e Jesus ao mesmo tempo), com velas espalhadas pelo salão e trilha sonora ao vivo: uma cantora gospel em clima banquinho e violão.

As posições não mudam de nome na versão evangelizadora, como a “tadasana” (postura da montanha) ou a “ardha chandrasana” (pose da meia-lua). O que muda, aí sim, é o objetivo almejado pelos alunos.

É como me explica por e-mail Anna Grabrian, a instrutora xará com trancinhas loiras laterais estilo princesa medieval, que ensina a prática na Igreja da Ressurreição, no Kansas.

“A visão tradicional de adoração é usar nossa boca e nosso coração. Mas Deus nos criou de forma holística. Tudo está conectado. A Bíblia diz: ‘Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças’.”

( ) Amém

( ) Namastê

dica da Patrícia Crepaldi

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Frei Betto: Biografia desautorizada

Frei Betto, na Folha de S.Paulo

O Vaticano se surpreendeu ao receber um tal Gabriel. Veio dar entrada no processo de apreensão de todos os exemplares dos Evangelhos.

Segundo o doutor (que vestia longa capa negra, semelhante à dos juízes do Supremo, para esconder as asas), os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João não foram fiéis à vida de Jesus. Perante uma comissão de cardeais, doutor Gabriel apontou os graves erros, com fortes conotações difamatórias, contidas nos textos bíblicos.

O nascimento em Belém. Não é verdade que Jesus nasceu numa estrebaria. Isso não faz jus a um descendente do rei Davi. E não convém à fé cristã o episódio dos reis magos. Magos praticam magia, contrária à doutrina cristã. E é óbvio que há fortes influências astrológicas no relato de que eles foram conduzidos por uma estrela do Oriente.

O massacre de bebês em Belém, passados ao fio da espada por ordem do rei Herodes. Um episódio de caráter nitidamente sensacionalista. Inverossímil. Por que Herodes haveria de temer um recém-nascido? Belém era uma cidade pequena para conter tantos bebês. Jesus não nasceu lá, nasceu em Nazaré.

A presença de Jesus, aos 12 anos, entre os doutores. Como o enviado de Deus poderia ser um adolescente desobediente a pessoas tão santas como seus pais, Maria e José? E quem acredita que um pirralho atrairia a atenção de intelectuais?

As bodas de Caná e o milagre de transformar a água em vinho. Jesus jamais incentivou o alcoolismo. Por que haveria de fazer um milagre para saciar bebuns? Milagres são para curar, não para evitar fim de festa.

A mulher adúltera. O adultério era punido com o apedrejamento. Como Jesus haveria de perdoar uma safada que traía seu marido? As leis existem para ser cumpridas, e não fraudadas por corações amolecidos.

Judas, o traidor. Que imaginação fértil ousou criar esse personagem macabro? Jesus, como Deus, onisciente, jamais escolheria para apóstolo um homem fraco de caráter, capaz de vendê-lo por 30 moedas.

A cura da sogra de Pedro. Quem disse que Pedro tinha sogra? Nem tinha mulher! Se Jesus fundou a igreja e instituiu o celibato, como admitiria como primeiro papa um homem casado? Além disso, sogras são motivo de chacota.

A parábola do Filho Pródigo. Por que o pai haveria de festejar aquele que dilapidou seus bens com farras e prostitutas, e não o filho obediente e trabalhador? E isso de que o pai mandou preparar um “novilho gordo” não fica bem a uma igreja que propõe periódica abstinência de carne. Jesus era vegetariano.

Armado de chicote, Jesus derruba as mesas dos cambistas no Templo de Jerusalém. Jesus não apelava à violência. Por que portaria um chicote? Escorraçar os cambistas equivaleria, hoje, aos “black blocs” destruírem a Bolsa de Valores.

A Parábola do Bom Samaritano. Por que Jesus haveria de constranger um doutor da lei sugerindo que um samaritano, que não cumpria à risca a lei de Moisés, era mais obediente a Deus do que ele? O relato ridiculariza o sacerdote e o levita, como se fossem indiferentes ao sofrimento alheio.

Dito isso, e ainda mais, Gabriel advogou o veto às quatro biografias não autorizadas que circulam mundo afora sob o título de Evangelhos.

CARLOS ALBERTO LIBANIO CHRISTO, 69, o Frei Betto, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de “Um Homem Chamado Jesus”

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Sobre se arrepender

arrependimento

Publicado por Paulo Brabo

Há coisas desumanizantes que os outros nos fazem e há coisas desumanizantes que fazemos a nós mesmos. Entre estas últimas coloco a prontidão com que as pessoas – ao menos tantas pessoas – afirmam e demonstram estar arrependidas do que fizeram.

Não falo, bem entendido, de arrepender-se de um procedimento infame ou pouco nobre. Arrepender-se do mal pode ser uma virtude, e talvez não seja mesmo uma virtude rara.

O que me assusta é a facilidade com que pessoas que conheço afirmam arrepender-se não da infâmia, mas de simples decisões: decisões que tiveram consequências trágicas, inesperadas, embaraçosas ou simplesmente não produziram o efeito desejado (ou com a intensidade desejada). Arrependem-se de suas decisões mesmo quando não foram elas o gatilho direto de algum desenvolvimento indesejável das coisas.

É evidente que a vida tantas vezes é dura, e derruba com a rasteira de complicações e reveses, por vezes terríveis, por vezes mortais. Deixar-se afetar pelo tecido áspero da vida é frequentemente apenas outro nome para viver.

Não falo de deixarmo-nos afetar pela aspereza da vida; falo da tendência infantil e infantilizante de lamentar que as decisões tenham consequências, e que as decisões impliquem em riscos.

Olho os grandes caídos e despossuídos do mundo, tombados gravemente como estátuas barrocas em suas sarjetas, e me parecem menos desfigurados que um amigo muito bom moço que lamenta (e tuíta) o Starbucks derramado como se fosse ouro.

Você mudou de cidade para estar perto do seu namorado e agora tudo acabou. Qual é a surpresa? Acredite, endosso e pratico todas as imprudências feitas de coração, mas a única coisa mais imprudente do que agir com imprudência é imaginar que a imprudência não implique em riscos. Se você for arriscar, que seja pelo menos com gosto, com lúcida e exuberante deliberação. “Arrependo-me de ter feito isso (porque agora estou sofrendo)” equivale a professar “quanto eu daria para não ser livre!”

Ou: quanto daríamos para viver livres do embaraço da responsabilidade.

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Musical usará canções de Britney Spears para contar a história de Jesus

Publicado na Folha de S.Paulo

Um novo musical pretende contar a história de Jesus Cristo usando canções da diva pop Britney Spears, informa a revista britânica “NME”.

“Spears The Musical: The Gospel According to Britney” (em tradução livre, Spears, o musical: o Evangelho segundo Britney) está sendo desenvolvido para os palcos. Uma prévia da peça deve ser apresentada para possíveis investidores em 7 de novembro, em Nova York.

A produção mostrará o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição de Cristo usando hits inesquecíveis de Britney, como “Stronger”, “…Baby One More Time” e “(You Drive Me) Crazy”.

Imagem de divulgação do musical 'Spears', que usará canções de Britney para contar a história de Jesus
Imagem de divulgação do musical ‘Spears’, que usará canções de Britney para contar a história de Jesus

O criador do musical, Pat Blute, defendeu a ideia no site oficial da peça.

“Essas são letras da Britney. Essas são imagens de Jesus Cristo. A Britney Spears que você vê não é a Britney Spears. Lembrem-se disso. O Jesus Cristo que você lê não é Jesus Cristo. Essas são representações. Relatos da mídia, pelas palavras dos seguidores, dos amigos, dos inimigos, dos vilões, dos heróis, dos mentirosos, dos preconceituosos.”

Segundo Blute, é errado acreditar que fama e fortuna garantem a felicidade.

“Nem todas as ‘mortes’ recebem uma ressurreição. Eu espero que esse projeto mostre isso a vocês, por meio do poder de escutar e do poder do perdão.”

O logotipo da peça é uma brincadeira com o sobrenome da cantora, Spears, palavra que, em inglês, também pode significar lanças –como as que os romanos usaram para atacar Jesus, segundo a crença cristã.

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Pesquisador: história de Jesus é farsa criada por romanos

Historiador americano afirma que a figura de Jesus foi usada como propaganda pelos romanos para acalmar os povos sob seu domínio

JoeAtwill

Publicado no Terra

O pesquisador americano Joseph Atwill, que afirma que a figura de Jesus Cristo foi fabricada pela aristocracia romana, diz ter encontrado novos dados que confirmam sua teoria. O historiador diz que um relato da Judeia do século I contém diversos paralelos entre Jesus e o imperador romano Tito Flávio. As informações são do site do jornal britânico Daily Mail.

Atwill afirma que essas “confissões” são “clara evidência” de que a história de Jesus é “na verdade construída, ponta à ponta, baseada em histórias anteriores, mas especialmente na biografia de um César romano”.​

James Crossley, da Universidade de Sheffield, diz ao jornal que a teoria de Atwill é como os livros de Dan Brown. “Esse tipo de teoria é muito comum fora do mundo acadêmico e são normalmente reservadas à literatura sensacionalista.”

“Cidadãos alertas precisam saber a verdade sobre nosso passado para podermos entender como e por que governos criam falsas histórias e falsos deuses”, diz Atwill. O americano irá apresentar seus dados em uma palestra em Londres. A entrada custa 25 libras (cerca de R$ 87).

Segundo o pesquisador, a criação de uma figura foi usada como propaganda pelos romanos para acalmar os povos sob seu domínio. “As facções de judeus na Palestina da época, que aguardavam por um messias guerreiro profetizado, eram uma constante fonte de insurreição violenta durante o primeiro século”, diz o historiador.

“Quando os romanos exauriram os meios convencionais de anular rebeliões, eles mudaram para a guerra psicológica. Eles pensaram que o meio de parar a atividade missionária fervorosa era de criar um sistema de crença adversário. Foi quando a história do messias ‘pacífico’ foi inventada”, diz Atwill.

O pesquisador diz que, ao invés de encorajar a guerra, o messias inspirava a paz e ainda dizia aos judeus darem a “César o que é de César” e, assim, pagar suas taxas para Roma.

Atwill diz ter encontrado um relato de Flávio Josefo (historiador romano) sobre a guerra entre romanos e judeus. O americano argumenta que o texto contêm diversos paralelos entre o texto e o Novo Testamento.

A sequência de eventos e localidades visitadas por Jesus Cristo segundo o texto bíblico é aproximadamente a mesma da campanha militar de Tito Flávio, imperador romano durante a guerra, afirma Atwill. O Daily Mail destaca, contudo, que Tito Flávio nasceu em 39 d.C. e morreu em 81 d.C., muito depois de Jesus Cristo.

O historiador americano afirma que os imperadores romanos nos deixaram um quebra-cabeça a ser desvendado. Segundo Atwill, a solução do enigma é: “nós inventamos Jesus Cristo e somos orgulhosos disso”.

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