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Lobão e João Barone: roqueiros historiadores

Lobão e João Barone lançam livros em que revisam a história do Brasil. Será que eles têm credenciais para isso?

Luís Antônio Giron, na Época

Qualquer pessoa pode escreve o que quiser da forma que puder. Não me 42109234espanta que dois dos mais representativos músicos do rock brasileiro dos anos 80 estejam lançando livros. E que os livros tratem de momentos da história do Brasil. São eles João Barone, baterista da banda Paralamas do Sucesso, e o cantor e compositor Lobão. Barone lança 1942 – O Brasil e sua guerra quase desconhecida (Nova Fronteira, 288 páginas, R$ 35,90), um compêndio que conta a história e analisa a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lobão envereda pelo ensaísmo cultural em Manifesto do nada na Terra do Nunca (Nova Fronteira, 248 páginas, R$ 39,90). Os dois chegaram à maturidade, estão com 50 anos, e agora podem tentar uma segunda carreira, ainda que tardia, na área cultural. Devem estar cansados de fazer as músicas de sempre. Conseguirão?

Minha dúvida é se Lobão e Barone possuem de fato credenciais para tratar dos respectivos assuntos a que se dedicam. Estarão eles cultural e intelectualmente preparados para isso? Entre os avatares do passado tropicalista, Caetano Veloso realizou o sonho de ser crítico cultural, lançou um ensaio importante – Verdade tropical – e ganhou um coluna semanal no jornal O Globo. Ora, virar intelectual é possível. Até mesmo os roqueiros coetâneos de Barone e Lobão já partiram para a literatura. É o caso de Tony Bellotto, que redige romances policiais de relativo êxito há mais de uma década. Bellotto tem pelo menos o consolo de ser um escritor péssimo, mas não pior do que sua atuação como integrante da banda Titãs. Contrariamente a Bellotto, Barone e Lobão são músicos de boa qualidade. O problema é que a comparação entre suas obras musicais e suas empreitadas analíticas pode ser desvantajosa para estas últimas.

Examinemos a obra “reflexiva” dos dois. Barone tornou-se fanático em Segunda Guerra Mundial por devoção ao tema e amor ao pai, que foi pracinha. Lobão dedica-se a praticar a difícil arte de polemizar a qualquer custo – e tem obtido sucesso em brigar com Deus e o mundo.

Barone revela-se dócil, domesticado. Ele se debruça sobre a participação dos pracinhas com interesse. Mas não se sai bem, já que não tira todas as consequências da pesquisa que realizou. Entre suas teses, a mais curiosa é a que afirma que cidadãos nascidos no Brasil lutaram dos dois lados da Guerra.. Mas ele não vai fundo. Em um tom de enciclopédia estudantil, passeia pelos fatos, arrola dados, apresenta caixas com informações pitorescas. E não sai disso. Conclui seu estudo afirmando que os pracinhas, “caboclos brasileiros”, foram bravos e deixaram boas lembranças entre a população do Sul da Itália. Uma conclusão sem graça. Sua obra é a de um louco louco pelo assunto. O livro poderia ter sido sobre a saga da bateria, o instrumento que Barone conhece como poucos. Talvez tivesse sido mais útil – e menos divertido para ele.

42110391Lobão merece atenção mais demorada pela pretensão e a destemperança que exibe. Adota o tom apocalíptico desde o prólogo versificado. O início parece promissor. Com a intenção de “mergulhar na alma do brasileiro”, define o Brasil como “pocilga” e manifesta o seu ódio à intelligentsia nacional. Em seguida, porém, descamba. Ao modo de um velho polemista à direita de Átila, o Huno – Olavo de Carvalho -, Lobão exala todo seu rancor para fenômenos como o da música popular brasleira dos anos 60 e 70. Diz ele que Gonzaguinha é, ao lado de Edu Lobo, “uma das figuras mais insuportáveis da nossa MPB. Talvez o ser mais emblematicamente MPBístico que já habitou este país, músicas politicamente engajadas, uma certa alteridade sexual e alguns sambões maníaco-depressivos. Música para se ouvir comendo linguiça com cachaça”. Os brasileiros não passam de “um bando de frouxos”.

A única coisa interessante produzida no Brasil, segundo Lobão, foi o modernismo, e, ainda assim, “terminou por se fixar como a doutrina dominante”. O ponto máximo do livor é o diálogo que ele trava com o escritor Oswald de Andrade (1890-1954), por quem ele nutre “carinho e admiração”, a fim de entender por que ele foi banido e “por que a gente é assim”. O diálogo resultante só podia ser de surdos egocêntricos: Oswald vomita seus manifestos para Lobão revomitá-los com constatações do tipo: “você ficaria apavorado ao testemunhar a asfixia intelectual, cultural e ideológica, o ufanismo vagabundo, descabido e paralisante, a morte da complexidade, da vontade, da ousadia, da excelência, da memória em detrimento do simplório”. Em Lobão, não há análise, apenas erupções de ódio com o Brasil No final, Lobão convida Oswald para beber no centro de São Paulo. Assim, Lobão nos presenteia com mais uma manifestação de frouxidão intelectual. Ele tem punch, mas não argumentos. Lamento muito. Teria dado um ótimo polemista.

Ainda que Barone e Lobão pareçam ter preparo intelectual para qualquer tipo de reflexão, nem um nem outro se mostra intérprete confiável dos universos que aborda. Eles são a prova de que envelhecer não traz sabedoria nem prudência a ninguém. Em vez de oferecer uma interpretação sobre o passado brasileiro, apresentam não mais que preconceitos e esboços mal delineados de ideias ligeiras sobre os assuntos. Por isso, vale fazer uma última pergunta: por que editoras de grande porte estão lançando esses títulos, ao mesmo tempo que refugam obras fundamentais de história ou romances importantes?

A resposta é pueril: as editoras creem que a mera menção de nomes de ídolos do rock é capaz de vender livros. E pode ser que os livros da dupla vendam como sucessos do iTunes. É menos pelo conteúdo das obras do que pelo sucesso popular de seus autores. Ou seja, Lobão e Barone poderiam se dedicar tanto a publicar livros como a vender cebolas, ou tomates, com suas marcas. Fariam sucesso de qualquer maneira.

Barone e Lobão me surpreenderam, embora negativamente. Cada um à sua maneira, mostram fragilidade e falta de formação. O fato de ser famosos credenciou-os a publicar suas obras. No entanto, não possuem pré-requisitos mínimos para lançar ensaios estéticos e historiográficos nem para se arvorar em intérpretes do Brasil. Barone é um historiador ruim. Lobão prega no vazio, o que o desautoriza como o autor controverso que gostaria de ser. Os dois produziram textos amadores. Agiram como fãs – logo eles que têm tantos fãs e não precisam passar para o lado de lá e muito menos cometer pecadilhos literários. Não se trata de menosprezar um e outro, e sim de reclamar da leviandade dos editores. Para usar o chavão, o leitor é que perde – o leitor desavisado, bem entendido.

Globo tira links do Facebook

Nova diretriz das Organizações Globo proibiu a publicação de links das matérias nos perfis oficiais das revistas, jornais e portais do grupo na rede social de Mark Zuckerberg

Nathalie Ursini, meio&mensagem

Um e-mail assinado pela direção das Organizações Globo comunicou a todos os funcionários que está estritamente proibida a divulgação dos links das matérias nos canais oficiais dos veículos da Globo no Facebook. Desde a segunda-feira 8, as plataformas das revistas da Editora Globo, do jornal O Globo e do G1 adotaram a medida. Os produtos da TV Globo, no entanto, continuam postando seus links.

A ordem é que os canais orientem os internautas a acessar o portal do produto para ler a notícia. Como no caso abaixo:

Post sem links na página da Revista Época Crédito: Divulgação

Post sem links na página da Revista Época Crédito: Divulgação

Mesmo sem o consenso dos profissionais (muitos não acreditam na estratégia), os posts devem induzir os internautas a entrar no próprio site daquele veículo, seja jornal ou revista, para conferir a matéria. Segundo informações, após um estudo e uma análise detalhada foi detectado que os perfis no Facebook são o principal motivo pela queda de audiência das plataformas digitais da Globo, como a Globo.com, o G1 e os sites das revistas da Editora Globo.

O estudo apontou que os internautas estão utilizando o Facebook como um RSS de notícias, ou seja, os usuários leem a chamada, mas não clicam no link. Com isso, a expectativa é de que a medida volte a gerar tráfego direto para os portais. A iniciativa de não colocar os links irritou muitos seguidores que passaram a cobrar por ele nos comentário e até discutir. A leitora Fernanda Anhaia Mello publicou: “Ficou sem graça isso aqui… as imagens são todas iguais… ficou chato… cade notícia e link?”. Mas assim como outros milhares de usuários, Fernanda ficou sem respostas por parte da Globo, que não esclareceu aos internautas a mudança. Procurada pela reportagem, a Comunicação da Globo emitiu a seguinte posição: “Não estamos saindo do Facebook. Nem de nenhuma outra rede social. Só que permanentemente revemos a melhor forma de estar nestas plataformas”. Vale lembrar que as mudanças são apenas no Facebook. Twitter e GooglePlus continuam da mesma forma.

Vereador dá medalha para Silas Malafaia, que o apoiou em campanha

Alexandre Isquierdo se justifica: ‘O que não pode é dar medalha para bandido’

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Ruben Berta, em O Globo

RIO – A mais recente homenagem da Câmara do Rio promete dar o que falar. A pedido do vereador Alexandre Isquierdo (PMDB), a Casa concedeu nesta quarta-feira uma medalha Pedro Ernesto ao pastor Silas Malafaia, presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

A honraria, criada na década de 1980, é a principal homenagem que a cidade presta a quem mais se destaca na sociedade brasileira ou internacional. Coincidência ou não, Isquierdo foi apadrinhado de Malafaia nas últimas eleições e apareceu inclusive em vários cartazes de divulgação de sua campanha abraçado ao pastor evangélico.

O presidente da Igreja Vitória em Cristo gerou polêmica no início deste ano ao dar entrevistas com declarações preconceituosas sobre o homossexualismo, com fortes reações, principalmente nas redes sociais.

— Sei que tudo que envolve o pastor Silas é polêmico. Mas é uma prerrogativa do vereador fazer essas homenagens. O que não pode é aprovar para um bandido. Sem dúvida nenhuma, ele me apoiou muito. É uma forma de reconhecimento, de gratidão — justificou Isquierdo, admitindo ser pastor auxiliar na igreja de Malafaia.

Luciana Gimenez revisará redações do Enem

Aprovação no Enem passou a ser obrigatória para assumir cargos públicos.

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Publicado impagavelmente no The Piaui Herald

VILA BRASILÂNDIA – Profundamente chateado com as desatenções nas correções de provas do Enem, o ministro Aloizio Mercadante decidiu imitar o novo papa e dar o bom exemplo: viajou com a comitiva de Dilma para o Vaticano e rezou doze orações coordenadas assindéticas para Ave Maria. “Comprei um terninho na promoção para ficar em sintonia total com o Santo Padre”, disse o Ministro. Após uma iluminação, Mercadante convidou a apresentadora Luciana Gimenez para liderar a banca que coordenará a revisão das redações. “Montei um time superpop com os linguistas Mr. Catra, Kléber Bambam e Jeca Tatu”, anunciou a apresentadora. “A norma culta não deve se sobrepor à língua de carne e osso que bomba nas ruas”, completou.

Ultrajadas, minorias defensoras da norma culta organizaram uma passeata a favor da mesóclise e contra a língua presa de Lula. “Basta de perdigotos! O país precisa de um banho de crases!”, gritavam os manifestantes, brandindo pelas ruas tomos do dicionário Caldas Aulete. O jornal O Globo aproveitou para atingir o ex-presidente em exercício em seu editorial: “Ver-se-á o dia em que o apedeuta, como o definiu para sempre o imortal Romualdo Azedo, ainda vai pleitear um assento (assento, com dois esses!!!) entre os acadêmicos. A casa de Machado de Assis, Roberto Marinho e Merval Pereira não pode ser vilipendiada por párias da língua”, decretou o jornal.

Atingido por um ditongo crescente perdido, Mercadante recebeu os manifestantes para justificar sua escolha por Gimenez: “Fi-lo porque qui-lo”. A seguir, explicou suas razões: “Marco Feliciano está na Comissão de Direitos Humanos, Blairo Maggi na presidência da Comissão do Meio Ambiente. Estamos em linha com a vanguarda política brasileira”, analizou.

Cadela espera há 15 dias por dono que já morreu em UPA de Cabo Frio

Caso de fidelidade canina ocorre na cidade de Cabo Frio (RJ); Caramelo recebe alimentação no local

A vira-lata aguarda em frente à emergência pelo impossível: a saída de seu dono (Foto: Renata Christiane/ Divulgação)


A vira-lata aguarda em frente à emergência pelo impossível: a saída de seu dono (Foto: Renata Christiane/ Divulgação)

publicado no Gaz

Mais uma história de fidelidade canina. Caramelo é uma cadela vira-latas que está há 15 dias na frente da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Ela espera seu dono sair. Só que ele deu entrada no local e acabou morrendo.

De acordo com o jornal O Globo, Caramelo seguiu a ambulância que carregava seu dono, num trajeto de 1,5 quilômeto.

Ela não aceita carinho, mas está sendo alimentada por quem se sensibilizou com a história. Amigos e familiares de seu dono tentaram levá-la de volta para casa. Mas ela não foi. Preferiu continuar a esperar o dono.

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