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A páscoa

cruz (1)Publicado por Tuco Egg

É fato que a mais celebrada data do calendário cristão é o Natal. Mais por conta do dinheiro rolando solto no comércio e das bochechinhas rosadas do Papai Noel do que pelo nascimento de Jesus, é verdade, mas o fato persiste.

Curioso é que por mais de trezentos anos cristão nenhum comemorou o nascimento de seu mestre. Ninguém fazia a menor ideia do dia em que ele nasceu e, aparentemente, não havia nenhum esforço para descobrir. Foi só no ano 336 que o imperador romano, esperto que só ele, fixou o nascimento de Cristo na mesma data da festança pagã que comemorava o solstício de inverno (no hemisfério norte, é claro). Assim conseguiu a façanha de converter o povo e manter a festividade. Eu teria feito o mesmo.

O curioso nessa história é que apesar de ninguém saber o dia em que de fato nasceu o messias de Nazaré, todos sabem desde sempre a data de sua morte. A páscoa é a festa em que os judeus comemoram a libertação de seu povo das garras do faraó 3,5 mil anos atrás, e a subsequente passagem (pessach = páscoa) sensacional da multidão à seco pelo mar aberto ao meio. O Cristo acabou morrendo na semana da páscoa judaica e, por tanto, todo mundo conhece a data de seu falecimento e ressurreição. A manjedoura tem seu papel na história, e é em si mesmo uma belíssima mensagem que se perdeu nos festejos de Natal (além de ser muito bonitinha nos presépios), mas não é a toa que o símbolo cristão é a cruz. Não fosse Constantino e a cristianização compulsória do império romano, até hoje não haveria nascimento a comemorar, mas tão somente morte e renascimento.

Nessas horas lembro de Pedro e a sacada que teve em revelar que a morte do Cristo de Nazaré precedeu sua vida. Que seu sacrifício precedeu seu nascimento. Que a encarnação de Deus é consequência de sua morte na cruz e não o contrário. Na lógica da eternidade o tempo vira do avesso e a salvação precede a condenação. É belíssima e certeira a frase que afirma que antes de dizer “haja luz”, Deus disse “haja cruz.

A páscoa deveria nos lembrar que Deus foi morto antes de nascer. E isso faz toda diferença.

Rabino Nilton Bonder está entre os 10 convocados das Américas, para participar da primeira missão de líderes mulçumanos e judeus

Desde 2008, centenas de sinagogas, mesquitas e centros culturais muçulmanos e judeus, vêem promovendo ações conjuntas ao redor do mundo para criar laços de amizade e compreensão entre eles. Incentivadas e idealizadas por instituições internacionais, como a Fundação de Entendimento Étnico (FFEU), a Sociedade Islâmica da América do Norte (ISNA), entre outras, o objetivo destes encontros é mostrar que judeus e muçulmanos compartilham da mesma fé e de um mesmo destino.

Por conta disso, durante os dias 26, 27 e 28 de março acontecerá em Washington (DC), a primeira Missão de Líderes Muçulmanos e Judeus da America Latina, Estados Unidos e Canadá. Para esta missão, foram convocados cinco líderes de cada cultura, e entre eles, está o Rabino brasileiro Nilton Bonder, que já participou da primeira expedição pelo Oriente Médio no projeto Caminhos de Abraão, promovido pela Universidade de Harvard, com o objetivo de aproximar as tradições judaica, cristã e muçulmana.

Esta missão, organizada pela FFEU e ISNA visa promover a harmonia racial e o fortalecimento das relações intergrupais, unindo judeus e muçulmanos para que eles possam trabalhar juntos de maneira produtiva, além de fortalecer os laços entre as duas comunidades no Hemisfério Ocidental e ao redor do mundo.

O encontro inclui reuniões na Casa Branca com membros muçulmanos e judeus do Congresso dos Estados Unidos, a secretária de Estado Hillary Clinton e os embaixadores do Brasil e da Argentina.  “Em tempos de instabilidade e incerteza política o encontro privilegia o diálogo e a cooperação como alternativa ao fanatismo e ao radicalismo” – resume o Rabino Nilton Bonder.

via Divulgação

dica da Marília César