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Manifestação em Berlim em apoio aos protestos no Brasil

Ato foi organizado por brasileiros e teve cooperação da polícia.
Segundo organizadores, a marcha contou com 400 pessoas.

Brasileiros fazem manifestação neste domingo (16), em Berlim (Foto: Juliana Rebelo Doraciotto/Arquivo pessoal)

Brasileiros fazem manifestação neste domingo (16), em Berlim
(Foto: Juliana Rebelo Doraciotto/Arquivo pessoal)

Rafael Miotto, no G1

Um grupo de brasileiros realizou neste domingo (16), em Berlim, na Alemanha, uma manifestação em apoio aos protestos que estão ocorrendo no Brasil, em sua maioria contra o aumento de tarifas de transporte público. O ato contou com a escolta da polícia e não houve nenhum caso de tumulto.

De acordo com os organizadores, cerca de 400 pessoas participaram da marcha, a maioria de brasileiros, que foi planejada por redes sociais. A manifestação também contou com a participação de alguns turcos.

“Na sexta de manhã, depois da truculência da noite de quinta em São Paulo, a gente resolveu fazer a nossa parte por aqui também, para chamar a atenção da mídia internacional e dar apoio aos que estão apanhando no Brasil”, diz Juliana Rebelo Doraciotto, publicitária, de 25 anos, uma das organizadoras do evento, que mora em Berlim desde 2012.

“Tenho dezenas de amigos e conhecidos que estão envolvidos com as manifestações em São Paulo. São pessoas que estão ‘dando cara a tapa’ e queremos mostrar que estamos aqui vendo elas”, explica Ana Paula Freitas, jornalista de 25 anos. Natural de Santo André, na região do ABC Paulista, ela vive em Berlim há um ano.

A manifestação foi autorizada pela prefeitura da cidade e a polícia escoltou os manifestantes. “Aqui é tudo muito organizado e foi muito maior do que esperávamos. Cantamos o hino do Brasil nas ruas”, acrescenta Ana Paula. “No final, um policial até tirou foto com a gente”, disse a jornalista.

No módulo de manifestação acordado entre os brasileiros e a prefeitura da cidade, era permitido o uso de mega-fone a possibilidade de cantar – o uso de máscaras e instrumentos musicais não estava liberado. De acordo com Ana Paula, uma manifestação similar também ocorreu neste domingo em Dublin.

Integração com turcos
Apesar de cerca de 90% dos participantes serem brasileiros, os turcos também se destacaram no protesto em Berlim. “Eles iam fazer um protesto na sequência do nosso e acabaram e acabamos nos juntando”, relata Ana Paula.

“Tivemos muito apoio do movimento turco. Eles emprestaram um mega-fone para a gente e mais ou menos 5 pessoas foram do início ao fim da passeata ao nosso lado cantando em português e falando de vinagre. Foi muito emocionante”, acrescenta Juliana.

Brasileiros fazem manifestação neste domingo (16), em Berlim (Foto: Ana Paula Freitas/Arquivo pessoal)

Brasileiros fazem manifestação neste domingo (16), em Berlim (Foto: Ana Paula Freitas/Arquivo pessoal)

vídeo: Marcelo Avila / dica do Reinaldo Crantschaninov

Em poema, pastor planeja encontro de Niemeyer com anjos no céu

O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação no culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer

Juliana Prado, no Terra

Quem esperava que o culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, o ateu comunista, fosse motivo de algum constrangimento, se surpreendeu. Na tarde desta sexta-feira, o penúltimo ato formal de despedida ao arquiteto, morto aos 104 anos no Rio de Janeiro, foi marcado por várias citações descontraídas ao ateísmo de Niemeyer e também ao fato de ele ser comunista.

Foi a própria dupla de padres, além de um pastor e um rabino, a responsável por dar um tom ameno à celebração – mesmo que o burburinho reinante fosse de que não combinava realizar um ato religioso para celebrar a alma de um ateu. O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação na cerimônia. Mais que demonstrar respeito à opção de Niemeyer pela ausência de uma prática religiosa, homenageou o arquiteto com um poema. Nele, ao chegar no imaginário céu, Niemeyer, com a bandeira comunista em punho, pergunta pelo companheiro Luiz Carlos Prestes e ainda é recebido por anjos em coro da Internacional Comunista. Ao final da peleja, uma sutil controvérsia: é convidado a entrar no cenário celestial, aquele que nunca acreditou existir. Afinal, para Niemeyer, a visão da vida sempre foi de finitude, bastante crua e prática: “a vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado…” , dizia o arquiteto.

A seguir, a íntegra do texto do pastor-poeta, lido no culto ecumênico:

Numa tarde de verão,
Dia cinco de dezembro
Do ano dois mil e doze,
Vi a Santíssima Trindade
Reunida de emergência,
Ordenando aos seus apóstolos
Receberem Niemeyer
O incansável guerreiro
Que do Rio de Janeiro
Partiu para a eternidade
Deus estava mui feliz
O espírito nem se fala!
E na comunhão do além
Recomendaram que os anjos
Organizassem um coral
Em homenagem ao arquiteto
Cantando a Internacional.

Logo os músicos reunidos,
Sopranos, baixos e tenores,
Com todos os seus instrumentos
Entoaram uns mil louvores
Externando os sentimentos.

Juntaram-se os trovadores,
Mil pintores e poetas,
Abraçando os escritores
Numa festa sem igual.
Niemeyer vestia azul,
Com a bandeira vermelha
Segurada à mão esquerda,
Bem como a foice-martelo.
Indagou por Carlos Prestes
E todos os seus companheiros.

Deus que sempre sentiu dores
De um povo pobre e oprimido
Disse: entre aqui, Niemeyer.
No céu você tem lugar.

dica do Norberto Carlos Marquardt