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Moldar barro e soprar vida não é mais mito, agora é Ciência

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Carlos Cardoso, no Meio Bit

Embora ocorra em outras culturas bem mais antigas, o mito judaico-cristão da criação do Homem através do barro é o mais conhecido no ocidente. Não deixa de ser poético, é inclusive uma boa alegoria para as poças de lama onde a Vida surgiu, 4 bilhões de anos atrás, mas agora essa história perdeu o status de mito.

Cientistas do Brigham and Women’s Hospital, em Boston fazendo experiências com células-tronco descobriram que utilizar nanoplaquetas de silicato sintético (ou, em termos leigos, plaquinhas de argila) como base de cultura de células-tronco induz essas células a se transformarem em tecido ósseo.

Isso mesmo. Células-Tronco + Barro = Osso. Se moldarmos uma costela estamos a meio-caminho de uma mulher.

Os cientistas estão falando em usar isso para biofiltros, matrizes injetáveis de reparação de tecidos e até engenharia de tecidos ósseos. Basicamente em 20, 50, ou até mesmo 15 anos alguém com um câncer ósseo terá o osso escaneado em alta resolução, uma impressora 3D criará um modelo em nanosilicatos, uma cultura de células-tronco criadas à partir das próprias células do sujeito será aplicada ao modelo e em alguns dias/semanas teremos um osso zero bala. Uma cirurgiazinha básica e pronto, adeus câncer. Sem precisar de imunossupressores.

É ficção científica? Com certeza, mas até ontem animar barro também era pura lenda.

A César o que é de César

Protesto em Londres Foto via Facebook

Protesto em Londres Foto via Facebook

João Marques de Almeida, no Facebook

Como cidadão, creio que as decisões políticas de um país devem refletir a vontade do povo. Democracia representativa é isso, os eleitos devem representar a voz do país como um todo, ou ao menos chegar perto desse ideal.

Governar pelo povo e para o povo, sem nunca deixar de abraçar e proteger as minorias e os que mais carecem de “governo”, no intuito de levar a sociedade a um patamar de liberdade, fraternidade, igualdade (tratando o igual como igual e o desigual como desigual, como prega nossa isonômica constituição).

O que anda acontecendo no nosso digníssimo congresso (ou o que sempre aconteceu, na medida da nossa ingenuidade ou apatia política) é mais e mais descaradamente o extremo oposto, numa inversão total do objetivo de um governo. (vocês são representantes do povo e não donos do poder, meus queridos políticos! Quando a nação em massa clama e protesta, o mínimo a se fazer é ouvir);

Já como cristão, tenho em mim asco ainda maior pelas atitudes dos falsos-pastores e de qualquer que tente jogar o Cristianismo na lama suja dos “podres poderes”. (A César o que é de César, caros “pastores”! Isso serve tanto pra moeda quanto pra política). Como engolir um ser que se diz “representante de Cristo” que vem e prega a tal “teoria da prosperidade” a pessoas espiritualmente, educacionalmente e financeiramente carentes, invertendo o conceito do dízimo na velha e suja bandeira medieval da venda de bênçãos que o próprio Lutero tão firmemente lutou pra derrubar?

Sem nem mencionar os inúmeros falsos ensinamentos e fundamentalismos religiosos do século XVI já derrubados e desmascarados cansadas vezes sem fim. O nome disso é abuso espiritual e é um fenômeno não só brasileiro, haja vista o cenário fundamentalista-político americano, por exemplo. (Quem quiser conhecer mais sobre o abuso espiritual no Brasil, sugiro a leitura do livro “Feridos em nome de Deus” da jornalista Marília de Camargo César).

Feliciano é apenas mais um representante de um “Irracionalismo Cristão”, reciclado inúmeras vezes num looping indesejado da história e que a eterna imperatriz humana – a ignorância – permite que aconteça. E pelos motivos “piores possíveis de sempre” (poder, ganância, dinheiro). Os exemplos atuais são muitos e todos conhecem.

Além de tudo, é bom lembrar que vivemos num estado LAICO, ou seja, qualquer Cristão que quiser se meter a representar o Estado, deve fazê-lo no total respeito aos contrários, como todo bom e verdadeiro cristão (ou como diria Jesus, com AMOR AO PRÓXIMO, alteridade, conceito cada vez mais esquecido em nossos tempos). De outra forma, não se meta a viver de política. Dito isso, é bom que todo e qualquer que se diz cristão passe a analisar seus próprios conceitos e posicionamentos com relação a estes abusos. (Luther King já dizia que o problema do mundo não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons).

Perceba que os únicos momentos em que Jesus realmente se revoltou e pregou com grande veemência foi ao se dirigir justamente aos fundamentalistas religiosos de sua época. (os ditos fariseus). Não entram no reino dos céus nem deixam entrar. Atravancam o caminho. Afastam as pessoas de Deus, quando deveriam juntar.

Deus não se impõe sobre a livre vontade de ninguém, meu amigo, saiba bem disso. “Quem tiver ouvidos que ouça”, dizia sempre Jesus, que não parava pra ficar importunando ninguém, falava a sua palavra e saia pelo seu caminho, caminho que sabia bem qual era (extremamente político em cada ato e palavra sem nunca ter se metido em politicagens romanas, diga-se). Ora, a própria teologia cristã prega que quem é assim de tal modo impertinente, que tenta imperar de toda forma sobre a sua liberdade e vontade, lhe oprimindo nesse processo é o próprio diabo; este sim…

Né não, Feliciano? As palavras falam do que o coração está cheio e é pelos frutos que sabemos onde finca a raiz de cada um. Assim se revela de fato a quem se segue e por quem se prega.

Bento pediu para sair. Tenho uma sugestão para papa!

foto: Brasilidade

foto: Brasilidade

Publicado por Leonardo Sakamoto

Vou resgatar um debate aqui, dada a importância da renúncia papal, nesta segunda (11). Num discurso a bispos brasileiros, durante as últimas eleições presidenciais, o hoje demissionário Joseph Ratzinger condenou o aborto e a eutanásia e, implicitamente, a pesquisa com embriões para obtenção de células-tronco. Ou seja, o que era esperado dele dado o posto que ocupa, sua trajetória e o contexto em que está inserido.

Mas foi além, e afirmou que “os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”. Ou seja, em plenas eleições, Bento 16 pede para que os representantes de sua igreja orientem politicamente os fiéis.

Conversei com uma pessoa da comunidade do Jardim Pantanal (aquele bairro da capital paulista que se esvai em lama nas enchentes) sobre isso e, apesar de ser extremamente religiosa, discordou da avaliação do papa (que vai entregar o seu mandato no próximo dia 28 por, segundo ele, “não ter mais forças” para exercer o pontificado).

“Na Bíblia, está escrito para dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. A gente tem que separar o que é política do que é religião, senão não dá certo.” É a gente simples da periferia de São Paulo ensinando bons modos para o Vaticano.

E já que haverá um conclave em breve, se eu também puder meter a colher na cumbuca dele já que ele meteu na nossa, tenho algumas sugestões de quem seria um ótimo papa.

Por exemplo, ao final de sua carta aos bispos, ele defendeu a solidariedade. Mas de que tipo de solidariedade ele está falando? Da caridade? Uma ação pouco útil, que consola mais a alma daquele que doa do que o corpo daquele que recebe? Ou da solidariedade de reconhecer no outro um semelhante e caminhar junto a ele pela libertação de ambos? Se for a primeira, ele está pregando a continuidade de uma igreja superficial, que ainda não consegue entender as palavras que estão no alicerce de sua própria fundação.

Se falou da segunda, a solidariedade como redenção do corpo e da alma, ele se referiu claramente à Teologia da Libertação. Prefiro acreditar que ele estava falando da primeira, pois seria irônico a atual administração do Vaticano (que deu continuidade à anterior) pregar algo que vem tentando soterrar há tempos.

A Teologia da Libertação tem sido uma pedra no sapato da Santa Sé. Na prática, esses religiosos católicos realizam a fé que o Vaticano teme ver concretizada ou não consegue colocar em prática. Pessoas, como Pedro Casaldáliga, que estão junto ao povo, no meio da Amazônia, defendendo o direito à terra e à liberdade, combatendo o trabalho escravo e acolhendo camponeses, quilombolas, indígenas e demais excluídos da sociedade.

Imaginem se ao invés de Ratzinger, fosse Casaldáliga abrindo a boca para falar a bispos brasileiros. E a defesa da vida fosse feita de outra forma, retomando palavras que ele proferiu há tempos:

“Malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e amar! Malditas sejam todas as leis amanhadas por umas poucas mãos para ampararem cercas e bois, fazerem a terra escrava e escravos os humanos.”

Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia e um dos maiores defensores dos direitos humanos no país, foi marcado para morrer (novamente) no final do ano passado. Aos 84 anos e doente, teve que deixar sua casa  por conta das ameaças surgidas em decorrência do governo brasileiro, finalmente, ter começado a retirar os invasores da terra indígena Marãiwatsédé, Nordeste de Mato Grosso – ação que sempre foi defendida por ele.

Enquanto isso, nossa realidade continua lembrando muito daqueles microcosmos de poder do Brasil profundo, presentes nas obras de Dias Gomes: o padre, o delegado e o coronel, amigos de primeira hora, tomando uma cachacinha na (ainda) Casa-grande, gargalhando da vida e discutindo sobre os desígnios do mundo, que – para eles – deveria ter a cara de seu vilarejo.

No meu mundo, não. uNele, se ainda houvesse igreja, ela seria comandada por pessoas como Casaldáliga.

Tudo novo, de novo

Bruno Medina, no G1Pagina em branco BKOG 1

Em janeiro, ela vai se apaixonar, perdidamente; pela página em branco, pelo princípio de um movimento qualquer, pela iminência de viver algo novo e incomparável, algo que só neste ano poderia haver. Ela adora inícios. A sensação de não saber onde pisa, de tatear os rumos, de se deixar levar pelo primeiro vento que sopra.

Em fevereiro, ela vai se permitir ir um pouco além, pisar fora das linhas de segurança, olhar o próprio mundo de cima de uma árvore – de um outro quintal, quem sabe – sentir o calor do asfalto com os dedos dos pés, abraçar a vida como faria o mais dedicado dos foliões em plena quarta-feira de cinzas.

Em março, ela vai de encontro às tempestades. Sapatear nas poças de chuva, se sujar de lama até os joelhos, dormir ao relento, desdenhar do acaso. Vai se esquecer dos planos, dos amigos, do emprego e de tudo que é cabível, apenas para conhecer a extensão de seus limites.

Em abril, ela vai se olhar no espelho e enxergar que o verão terminou. Foi-se o tempo da picardia, da angústia e da afobação, dos exageros. É chegado o momento de pôr ordem na casa e voltar-se para si, sem sobressaltos, de experimentar a plenitude reservada aos que sabem que viveram intensamente.

Em maio, ela vai chorar. Não de felicidade, tão pouco por desgosto ou remorso, mas talvez por reconhecer a precária beleza do instante em que tudo está por um fio. O que ela foi e o que pretendia ser, agora, são como duas metades estranhas que se distanciam, um corpo que se desmembra sem qualquer resistência.

Em junho, ela vai adormecer profundamente e sonhar com o que está por vir. No sonho ela alcança o que buscava, no entanto, distraída pela inédita sensação de satisfação e alívio, desperta, sem conseguir lembrar-se do que era. Ao abrir os olhos, o que há para ser contemplado é o vazio.

Em julho, ela vai esmorecer. O ano chegou à metade e a impressão é de que todo o caminho foi percorrido em vão. Pela janela do quarto, parece que a cidade também parou: o ar gelado das manhãs escuras, os galhos lisos nas árvores e o silêncio das ruas só reforçam o desejo de nada ser.

Em agosto, ela vai hesitar; os dias de estagnação e dúvida se foram, cedendo lugar à lembrança do que estava em perspectiva durante os primeiros meses do ano. Se o tempo provou que não eram planos viáveis, eis a oportunidade para elaborar outros, mais passíveis de se concretizar.

Em setembro, ela vai voltar a acreditar em si mesma, aprender a conviver com as lacunas, com a falta de certezas, e a deixar-se permear pelo que está em volta. É primavera e, afinal, o que significa o espocar das flores senão o prenúncio do recomeço?

Em outubro, ela vai arregaçar as mangas, remexer a terra e dedicar-se à labuta, varar noites e noites elocubrando maneiras de reaver seus sonhos, estes que lamentavelmente se perderam ao longo do percurso.

Em novembro, ela vai sorrir e agradecer aos céus por sentir mais uma vez o ímpeto da transformação correndo nas veias, e por enfim compreender o imutável ciclo que rege sua existência: esvaziar o que está cheio para preencher o que está vazio.

Em dezembro, ela vai se despir de antigas convicções e, serena, abandonar o conforto de saber o que é para entregar-se às imprevisíveis possibilidades do novo, de novo. É sempre assim que acontece. Ao longe, já se faz sentir a brisa morna que anuncia o verão; é tempo de, mais uma vez, apaixonar-se pela página em branco.

Feliz Ano Novo! E que 2013 seja, para todos nós, repleto de conquistas e de intensidade!

Ups and downs, ups and downs

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Juliana Dacoregio

Subidas e descidas vertiginosas. A palavra frustrante não engloba o tamanho da frustração. Você passa por uma tempestade emocional, um buraco grotesco, cheio dos seus piores pesadelos e mais alguns que vão sendo acrescentados ao longo do caminho. Aí de repente começa a surgir a calmaria. Você começa a submergir. Consegue respirar. Enfim põe a cabeça para fora daquela lama sufocante e enxerga algumas cores… O prazer de descobrir que você está achando graça das piadas novamente; que a vida é…viva! Que você está viva! Respirando, pulsando, desejando. Andando e não se arrastando.

Já foi dito que na depressão profunda a gente aprende como é a velhice debilitante. Não poderia haver definição melhor do que acontece fisicamente com um deprimido. Passos lentos, o corpo mole, mas de alguma forma ao mesmo tempo as juntas enrijecem; as atividades do dia a dia são muito mais trabalhosas. O que na normalidade se faz automaticamente, num estado depressivo precisa ser pensado, planejado, colocado esforço, força de vontade. Não é preguiça. Não é falta de vontade.

Já tive preguiça. Sei o que é. É muito diferente. Na preguiça você vai reclamando, lerdo, mas vai. Levanta, faz sua higiene, se arruma, bota uma música, toma um café (sei lá cada um tem seu ritual) e corre pro mundo: trabalhar, estudar, pagar contas, cuidar dos filhos, o que for. Na depressão? Vixi! Levantar, escovar o dente e tomar banho às vezes pode ser comparado a percorrer o Caminho de Santiago, meu filho! Com a desvantagem que depois de tudo isso você não se sente iluminado, porra nenhuma. Se bobear fica até pior e cai num choreiro ou fica querendo morrer porque afinal você está limpo e continua se sentindo uma bosta.

Às vezes sinto cheiro de sangue em mim. E não, não é quando estou menstruada, nem nas vezes em que me cortei. E se mais uma vez alguém disser que é demônio eu mando pro diabo que carregue. Sério. Chega, viu! Já me fizeram várias espécies de “exorcismos” e se era pra sair alguma coisa não saiu. Agora deu! Não aceito mais que nenhum crente me faça de idiota nos meus momentos de fragilidade me dizendo que meu problema é espiritual, que não é uma doença. Expulsam demônios, mas dizem para continuar com os remédios. É hora de exigir respeito. Meu problema não é espiritual. Catarses, preces, danças tribais, louvores, momentos transcendentais tudo isso pode ajudar. Mas doença é doença. Cansei. Mas divago.

Eu dizia o quanto é frustrante essas subidas à superfície para respirar, conseguir enxergar o sol, o céu, ver que o poço cheio de lama se transformou em água do mar límpida e cristalina e de repente se tragado novamente. Agitação. Ansiedade. Agonia. Angústia. Apatia. Isso para ficar só na letra A.

Estou na casa de praia. Tudo bonito, tudo perfeito (na medida do possível da perfeição do mundo). Caminho com desenvoltura, faço planos de escrever, ler, tomar sol, ouvir a playlist nova que baixei. Começo tudo isso. E em determinado momento começa: a queda. Sem dó, nem piedade. Eu luto. Quem sabe trocar a música, quem sabe uma coca-cola, ler um pouco, mudar de posição, andar, dançar, pôr os fones de ouvido, fechar os olhos e mirar o rosto para o sol.  Tira óculos, coloca óculos. Senta, levanta. O sol começa a incomodar demais, qualquer formiguinha que toque a pele parece que vai atravessar os poros e entrar na corrente sanguínea. Coceiras. A cabeça esquenta.

Aí acabou. Nesse ponto sei que é melhor parar de tentar. Preciso tirar o biquíni que me incomoda, as bijuterias (mesmo que poucas, um único brinco me desassossega), me vestir com algo que praticamente não toque meu corpo e escrever. E então me acalmo. Um tanto da agonia se dissipa. Dou minha primeira respirada funda. Agora a segunda. Consegui. Obrigada por escrever Juliana. Meus mais sinceros agradecimentos.

fonte: Paperback Writer Girl