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Após legalizar maconha, Uruguai pretende regular álcool e mídia em 2014

Publicado no Opera Mundi

Depois de atrair a atenção da opinião pública mundial em 2013 com a legalização da maconha, o governo do Uruguai pretende dar continuidade à sua agenda de reformas sobre temas polêmicos. As duas principais prioridades da coalizão de José Mujica neste ano são a regulação da mídia e da venda de bebidas alcoólicas.

Entre as propostas da Frente Ampla estão o aumento do controle sobre a publicidade e os pontos de venda de álcool. Os legisladores governistas querem proibir, por exemplo, a realização dos “happy hour”, situações em que as bebidas são comercializadas com preços mais baixos.

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“O Uruguai precisa de regulação porque o álcool é a droga lícita que mais causa acidentes. Seus vendedores querem nos convencer de que é uma bebida refrescante e está associada a mulheres lindas”, argumentou o senador Ernesto Agazzi.

“Alguns interesses serão afetados, mas é um problema crescente. Há enormes quantidades de jovens que bebem ocasional ou frequentemente. Com essa medida, completaríamos a tríade de regulações, pois já fizemos isso com a maconha e o tabaco”, afirmou o senador Luis Gallo.

Assim como ocorreu no ano passado com a questão da maconha, a regulação da mídia e das bebidas alcoólicas contam com forte repúdio da oposição. No entanto, o governo Mujica dispõe de número suficiente de parlamentares para impulsionar tais medidas.

Outros projetos governistas que devem ser discutidos em 2014 são a limitação da compra de terras por empresas estrangeiras e a lei de responsabilidade penal do empregador.

Ainda em 2014, no mês de outubro, o Uruguai viverá as eleições que definirão o sucessor de Mujica. O favorito no pleito é justamente o antecessor do atual presidente, Tabaré Vázquez, também da Frente Ampla.

De acordo com alguns parlamentares e especialistas, o fato de ser um ano eleitoral pode dificultar a aprovação de todos esses projetos, mas a coalizão governista espera conseguir agilizar ao menos a regulação da mídia e das bebidas.

As muitas previsões de Isaac Asimov em 1964 que se tornaram realidade

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Publicado no Gizmodo

Em 1964, após visitar a gigantesca Feira Mundial de Nova York, o escritor Isaac Asimov, então com 42 anos, viu o que ele considerou os primeiros passos de um futuro distante. Um futuro, mais precisamente, em 2014. Quase 50 anos depois, é assustadora a precisão de Asimov em alguns dos pontos que ele decidiu prever.

É importante lembrar, claro, que a missão da clarividência é sempre muito perigosa – as chances de errar são enormes, e até hoje caçoamos daqueles que não tiveram uma visão muita precisa (oras, é só lembrar que a piada nostradâmica de Ballmer ao falar sobre o possível insucesso do iPhone é lembrada até hoje).

Mesmo assim, com uma tarefa considerada ingrata por muitos, Asimov era o personagem ideal para fazer esse tipo de previsão. Afinal, Asimov foi um dos grandes nomes da literatura de ficção científica, criando marcos como as Três Leis da Robótica, publicado originalmente no livro Eu, Robô – livros e histórias que até hoje servem de base para filmes futuristas, mesmo tantas décadas depois.

Assim, acompanhe conosco onde Asimov acertou, errou ou passou perto em seu belo texto prevendo um futuro extremamente tecnológico, mas que não necessariamente seria um lugar utópico e incrível. Eis o texto completo. E, após a leitura, recomendamos o exercício mental: você consegue arriscar o que estaremos usando em 2064?

Onde ele acertou em cheio

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As comunicações combinarão som e imagem, e você vai ver e ouvir a pessoa para quem você telefonar. A tela pode ser usada não só para ver as pessoas para quem você liga, mas também para o estudo de documentos e fotografias, e para ler trechos de livros. Satélites síncronos, pairando no espaço, permitirão a você ligar diretamente para qualquer ponto da Terra, incluindo as estações meteorológicas da Antártida…

Asimov acertou ao prever o futuro das telecomunicações. O conceito de videochamada, de usar a tela do telefone para outros fins, e de conectar o mundo através da telefonia, se realizaram nos últimos 50 anos. (A imagem acima é do filme 2001: Uma Odisseia no Espaçolançado alguns anos depois que Asimov publicou seu texto.)


Um número enorme de conversas simultâneas… poderão ser feitas por raios laser modulados, que são fáceis de se manipular no espaço. Na Terra, no entanto, os feixes de laser terão de ser conduzidos através de tubos de plástico, para evitar a interferência material e atmosférica. Os engenheiros ainda vão lidar com esse problema em 2014.

Este é praticamente o conceito da fibra óptica, que conecta o mundo inteiro através da telefonia e internet. A comunicação via fibra óptica começou a ser desenvolvida na década de 70, portanto depois das previsões de Asimov. E não só os engenheiros têm problemas com os cabos submarinos: eles são os tubos pelos quais os EUA espionam o mundo.


Quanto à televisão, TVs de parede terão substituído os aparelhos comuns; mas cubos transparentes terão aparecido, nos quais será possível ver vídeos na terceira dimensão.

Sim! A TV cresceu e se tornou fina o bastante para ser presa à parede. Com as resoluções 4K e 8K, elas podem ficar ainda maiores sem perder a qualidade de imagem. E a ideia do cubo transparente é quase uma TV holográfica, que pode ser vista em três dimensões e de fato ainda está em seus estágios iniciais.

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 … até 2014, apenas naves não-tripuladas terão aterrissado em Marte, mas uma missão tripulada estará sendo planejada…

Sim! A Curiosity está explorando o planeta vermelho agora mesmo, em busca de sinais de vida passada, e o presidente Obama já disse que planeja enviar humanos a Marte. Ainda há o projetoMars One, para instalar uma colônia humana no planeta e ocupá-la a partir de 2023. Sensacional, Asimov.


Em 2014, há uma enorme probabilidade de que a população mundial será de 6,5 bilhões, e a população dos EUA será de 350 milhões.

Prever esses números há cinquenta anos e chegar tão perto, para mim, é um acerto. Estamos em 7,1 bilhões de pessoas no mundo; os EUA têm 317 milhões de habitantes.


Nem toda a população do mundo vai aproveitar ao máximo o mundo do futuro cheio de gadgets. Uma parte maior do que hoje será privada disso, e embora possa estar numa situação materialmente melhor do que hoje, eles estarão ainda mais atrasados quando comparados com as partes avançadas do mundo.

Os avanços tecnológicos, infelizmente, são para a minoria em uma escala global. Asimov acertou em cheio.


Mesmo assim, a humanidade sofrerá gravemente com a doença do tédio, uma doença que se espalhará de forma mais ampla a cada ano e crescendo em intensidade. Isso vai ter consequências mentais, emocionais e sociológicas sérias, e ouso dizer que a psiquiatria será, de longe, a especialidade médica mais importante em 2014.

É de dar arrepios essa previsão de Asimov. Nossas relações com a tecnologia acaba nos deixando mais tristes. Não é por ser “tedioso”: é que não estamos interagindo de fato com outras pessoas. A internet está nos deixando deprimidos. Ou você nunca teve aquela sensação de vazio depois de ficar horas com o celular na mão, ou em frente ao computador? E os gadgets têm mesmo um impacto na sociedade: pense no Google Glass, por exemplo, e a polêmica que seu uso trouxe.


Os poucos sortudos que puderem se envolver no trabalho criativo de qualquer espécie serão a verdadeira elite da humanidade, pois farão mais do que servir a uma máquina.

Sim. À medida que adotamos a automação, os trabalhos criativos continuaram a ganhar destaque.


Na verdade, a especulação mais sombria que eu posso fazer sobre 2014 d.C. é que em uma sociedade de lazer forçado, a única palavra mais gloriosa no vocabulário se tornará o trabalho!

Nunca se discutiu tanto as questões de trabalho versus lazer. Você faz o que gosta? Gosta do que faz?

Onde ele acertou em parte

Dispositivos sem fio e com bateria duradoura: Sim, nossos gadgets estão se tornando cada vez mais móveis, e a tecnologia caminha para que fios se tornem cada vez mais obsoletos. No entanto, a bateria deles ainda dura pouco, não usa material radioativo, e ainda dependemos dos fios. Até o carregador wireless tem fio!

Triunfo da energia nuclear e solar, inclusive coletada no espaço: A energia nuclear ainda é um ponto muito polêmico – vide o desastre em Fukushima, no Japão – por isso boa parte da energia consumida no mundo ainda vem de combustíveis fósseis. Nossa visão para o futuro agora está voltada para fontes renováveis, como a energia eólica e solar, assim como Asimov aponta. No entanto, obter a energia do Sol direto do espaço ainda é um sonho futurista.

Robôs mais espertos, movidos a computadores, porém longe do ideal: Cinquenta anos foi o bastante para criarmos robôs incríveis, como o BigDog e outros da Boston Dynamics, que agem quase como seres vivos. E temos robôs muito bons atuando na indústria, é claro. Existem até robôs sociais, cuidando de idosos no Japão, por exemplo. E eles realmente usam pequenos computadores para receber comandos e realizar ações. No entanto, ainda estamos engatinhando em muitos aspectos da robótica, assim como Asimov previu.

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Veículos autônomos: Veículos que se guiam sozinhos são praticamente uma realidade na aviação. Eles já existiam na época de Asimov: em 1947, um US Air Force C-54 fez um voo transatlântico, incluindo decolagem e pouso, apenas usando o piloto automático. No entanto, o “autopilot” se popularizou, e agora estamos nos esforçando para criar carros que andam sozinhos, como os do Google.

Comida congelada domina a alimentação, mas cozinha ainda tem espaço para preparo manual: Já existiam refeições congeladas na época de Asimov: elas começaram a ganhar espaço na década de 50. Asimov acertou que elas iriam se popularizar. No entanto, elas não substituem a comida feita no fogão, o “pequeno canto” onde são feitas as refeições de forma manual.

Janelas polarizadas: Nos anos 60, foi criada a película para janelas, que escurece quando recebe luz solar. Elas são usadas ao redor do mundo, porém não na escala que Asimov imaginava.

Máquinas fazem trabalhos rotineiros melhor que humanos, e servimos apenas para cuidar das máquinas: Quando um emprego é substituído por um robô, por exemplo, surge a demanda por pessoas que saibam controlá-lo, e que possam fazer sua manutenção. No entanto, ainda estamos longe de uma sociedade que apenas cuida de máquinas, porque a automação ainda não chegou ao ponto que Asimov esperava.

Computação e programação como disciplina nas escolas: Asimov acertou que computadores se tornariam onipresentes o bastante para aprendermos a usá-los na escola. No entanto, ele dizia algo além: previa que nós iríamos aprender a criar código para elas. Quem dera! Ensinar programação deveria mesmo ser obrigatório no ensino médio.

Dispositivos que substituem ou consertam partes do corpo; expectativa de vida em 85 anos; iniciativas para controle de natalidade: Ainda não usamos órgãos artificiais com a frequência que Asimov imaginou, mas estamos rumando a um futuro assim. A medicina também avançou muito nos últimos 50 anos, e fizeram a expectativa de vida aumentar ao redor do mundo. A taxa de fertilidade, por sua vez, também caiu: à medida que as famílias migrara para as cidades, e à medida que as mulheres entraram no mercado de trabalho, muitos decidiram por ter menos filhos. Iniciativas como a Planned Parenthood nos EUA, o limite de um filho por casal na China, e a luta pelo direito ao aborto também surgiram desde a época de Asimov.

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Cozinha que prepara refeições automaticamente: Asimov previu que vários aparelhos tornariam a cozinha mais automática. Nesse sentido, ele acertou: o micro-ondas, por exemplo, só foi lançado em 1967. Ele até cita objetos como a cafeteira automática, lançada em 1972! No entanto, ele ia mais longe, imaginando dispositivos que fariam uma refeição inteira com mínima interação humana. Por exemplo, bastaria programar a cozinha na noite anterior para fazer o café da manhã, e ela o faria automaticamente, fritando ovos e bacon na hora marcada.

Alimentos artificiais vindos de algas e fungos: Tem algo de bastante correto aí. Estamos rumando para comidas totalmente artificiais, como o hambúrguer de laboratório. E sim, existe uma forte resistência à adoção desse tipo de comida.

Onde ele errou

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Casas subterrâneas: Asimov imaginava que os humanos morariam debaixo da terra, deixando a superfície do planeta para a agricultura e parques. Fizemos o contrário: criamos edifícios cada vez mais altos para morar e trabalhar.

Casas subaquáticas: Ainda não estamos habitando os oceanos. Há projetos nesse sentido, mas como mencionamos: estamos morando em edifícios cada vez mais altos, em vez de mais profundos.

Tetos e paredes eletroluminescentes: Essa é uma visão futurista até hoje: transformar todo o ambiente da sua casa através da iluminação. O mais perto que chegamos disso é usando a Philips Hue, lâmpada que muda de cor e pode ser controlada sem fios.

Robôs que limpam toda a casa: Mais uma vez, Asimov imaginava uma casa bastante automatizada, o que não acontece hoje em dia. No máximo temos o Roomba, um robô aspirador que na verdade é pequeno e ágil, mas não é inteligente como previsto há 50 anos.

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Veículos sem contato com a superfície, sobre a terra e a água: Basicamente, Asimov apostava na evolução e popularização de hovercrafts, que flutuam em vez de tocar o chão. Isso não aconteceu.

Calçadas que se movem, elevadas por cima dos veículos: Calçadas que se movem ainda são raridade. Esta ideia foi aplicada a aeroportos e estações de metrô, no entanto.

Colônias na Lua: Os humanos continuam a exploração espacial, e alguns já moram na órbita da Terra – olá, astronautas da ISS! Mas colônias na Lua ainda estão longe de se tornar realidade.

General Electric, feiras mundiais, e filmes 3D: Toda previsão do futuro tem elementos do tempo em que a pessoa vive. Para Asimov, as Feiras Mundiais ainda seriam relevantes hoje em dia, o que não é o caso. (Elas ainda existem, no entanto, e a próxima será na Itália em 2015.) O mesmo pode ser dito sobre a General Electric: ela continua sendo uma empresa gigante, mas não vem à mente quando se trata de inovações futurísticas. E estamos nos livrando do 3D, felizmente!

Potencial candidato republicano a senador quer proibir sexo oral nos EUA

O procurador-geral do Estado da Virgínia, Ken Cuccinelli, propõe retomar lei que proíbe sexo oral e anal para proteger crianças

O procurador-geral do Estado da Virgínia, Ken Cuccinelli, propõe retomar lei que proíbe sexo oral e anal para proteger crianças

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

Ken Cuccinelli, procurador-geral do Estado da Virgínia, nos Estados Unidos, lançou uma proposta nesta sexta-feira para retomar uma lei que proíbe modalidades de relação sexual diferentes da vaginal.

Em campanha para concorrer ao Senado pelo Partido Republicano, Cuccinelli defende que a lei –chamada de Crimes Contra a Natureza– seja restabelecida para, ele diz, combater crimes ligados ao abuso sexual de crianças.

Cuccinelli chama a legislação de “lei anti-predadores de crianças”. Embora já existam na legislação da Virgínia crimes para punir o estupro e a molestação de vulneráveis, ele diz que só a retomada da antiga legislação pode proteger o público infantil.

Diversos Estados americanos mantiveram leis como essa, alguns até o ano de 2003, quando a Suprema Corte dos EUA julgou o caso “Lawrence versus Texas” e tornou inconstitucionais todas as legislações que criminalizavam formas sexuais.

A intenção de Cuccinelli é amplamente combatida por grupos defensores dos direitos civis porque a lei poderia ser usada para criminalizar relações sexuais entre adultos, e não apenas aquelas envolvendo crianças.

Além disso, ele teria combatido um projeto de lei em 2004 que propunha eliminar da legislação os crimes ligados ao sexo entre adultos e deixar apenas aqueles relacionados a prostituição, atentado ao pudor e pedofilia.

Os Centros de Controle de Doenças americanos estimam que 82% dos homens e 80% das mulheres com idades entre 15 e 44 anos admitem praticar sexo oral.

Outra pesquisa, do Kinsey Institute, revela que praticamente todos que mantém relações vaginais também praticam sexo oral.

dica do Fabio Martelozzo Mendes

Site lista 10 leis absurdas relacionadas ao sexo nos EUA

Leis americanas pra lá de estranhas proíbem determinadas práticas sexuais

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Publicado originalmente no Terra

Considerado o país da liberdade, alguns lugares dos Estados Unidos praticamente superam países considerados ultraconservadores, como os islâmicos, com suas leis relacionadas às práticas sexuais.

Muitas delas são antigas e nunca foram levadas à sério. Mas, mesmo assim, é bizarro pensar que já existiram em uma superpotência ocidental, que, como já foi dito, prega tanto os valores da democracia. Quer ver? A compilação das leis bizarras é do site da revista Cosmopolitan.

Oh, não!
Na cidade de Bakersfield, Califórnia, todas as pessoas que fizessem sexo com satã deveriam usar camisinha

Bela Adormecida
Os rapazes no Colorado poderiam se dar mal ao beijar uma mulher que estivesse dormindo. Isso era completamente fora da lei há um tempo

Dê a ideia
No estado do Alabama, as mulheres não tinham permissão para tomar a iniciativa na hora do sexo

Cobertos
Enquanto dormir pelado torna-se um “movimento” cada vez mais natural, no estado de Minnesota, ser pego nessas condições já foi ilegal

Vibração ruim
Certa vez, foi terminantemente proibido, no estado da Georgia, comprar brinquedinhos sexuais como vibradores e dildos para apimentar a relação

Fique alerta
Em vários estados, como Arizona, Indiana, Nova York e Ohio, entre outros, ter uma ereção visível em público já foi ilegal

Cuidado com a boca
Em uma cidade do Oregon, a um homem não é permitido xingar, tendo relações sexuais com sua esposa

Hey, táxi!
Os motoristas de táxi em Maine eram proibidos de cobrar a tarifa de táxi de uma passageira, se ela oferecesse um favor sexual em troca da carona para casa, na saída de bares e boates

Muito estranho!
Em Wisconsin, a lei proibia que o homem homem disparasse sua arma enquanto sua parceira estava tendo um orgasmo. Oi?

Fique em posição
Em Washington, DC, algumas posições sexuais são ilegais

Alckmin regulamenta lei que cassa ICMS de empresas que empregam trabalho escravo

Governador anuncia durante evento de celebração de 125 anos da abolição da escravatura medidas mais duras contra quem explora pessoas

fotos via Facebook

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Daniel Santini, no Repórter Brasil

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou na manhã desta segunda-feira nova regulamentação da lei nº 14.946/2013, que cassa o registro de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de empresas flagradas com trabalho escravo. O anúncio foi feito durante o seminário “O enfrentamento à escravidão contemporânea”, realizado no Tribunal Regional Federal da 3ª região, em comemoração aos 125 anos da abolição da escravatura, celebrado neste 13 de maio.

O governador assinou, durante o evento, dois novos decretos, um relacionado ao funcionamento da Comissão Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-SP) e um com a regulamentação da lei em si. Segundo anunciado, com as novas regras qualquer empresa condenada em decisão colegiada, independente da instância ou do tribunal, poderá ter o registro cassado. O cancelamento depende de processo administrativo e afeta somente empresas flagradas após 28 de janeiro de 2013, data em que a lei foi sancionada.

Sem o cadastro no ICMS, as empresas ficam impedidas de estabelecer relações comerciais no estado. ”Temos que estar atentos às novas formas de exploração do trabalho. Há que se coibir as formas análogas de escravidão, formas exploratórias que submetem pessoas a situações degradantes e que geram uma concorrência desleal com quem está regularizado, cumprindo as leis”, defendeu o governador. “A sanção maior que podemos fazer é proibido de exercer atividade econômica. Se todo mundo tomar essa iniciativa, vamos no Brasil inteiro acabar com essa situação aviltante. Esperamos que os demais estados da federação também o façam”, completou.

A lei é de autoria do deputado estadual Carlos Bezerra Jr., líder do PSDB na Assembleia Legislativa-SP e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos. “É a mais rígida punição que se tem notícia. A partir de hoje, não tem contemporização com trabalho escravo. São Paulo declara tolerância zero a este crime. Quem explora visa o lucro a qualquer custo, nada melhor do que causar prejuízo a quem lucra e lucra muito com isso. São Paulo dá um recado. O lucro a qualquer custo jamais se sobreporá à vida e aos direitos humanos”, completou.

O decreto altera a regulamentação anterior, feita em 23 de fevereiro, pela Portaria CAT 19 da Secretaria Estadual da Fazenda, que previa que o processo de cassação seria baseado em condenação criminal transitada em julgado, de pessoa vinculada à empresa que tenha feito exploração de trabalho escravo.

Governador Geraldo Alckmin assina decreto que regulamenta lei contra escravidão. (Foto: Verena Glass)

Governador Geraldo Alckmin assina decreto que regulamenta lei contra escravidão. (Foto: Verena Glass)

Abolição contemporânea
O evento reuniu alguns dos principais magistrados e juristas do país, além de especialistas em combate ao trabalho escravo contemporâneo. Newton de Lucca, presidente do Tribunal Regional da 3ª Região (TRT-3), destacou a importância de que as leis sejam efetivas. Citando como durante a escravidão colonial “as elites pensantes da época achavam um jeito de contornar a lei para seus próprios interesses”, ele lembrou que ao mesmo tempo em que a “constituição punia leis cruéis, achou-se um jeito de dizer que marcar um escravo com ferro não era cruel e aplicar dezenas de chibatadas também não era cruel”.

“Antigamente, tínhamos leis para inglês ver, para apresentar o país com indumentárias de gala que efetivamente nós tínhamos. Hoje estamos no mesmo desafio. O tráfico de pessoas seja para trabalho escravo, para exploracão sexual, para tráfico de órgãos humanos, reflete uma triste realidade contra a qual temos que lutar e não fechar os olhos e fingir que não percebemos”. O desembargador Mairan Maia, diretor da Escola de Magistrados do TRT-3, reforçou que nem sempre é fácil constatar a exploração. “Trabalhamos com uma escravidão transformada, mais sutil, que se permeia entre atividades que são livres, o que torna mais difícil seu combate”.

Outros representantes de diferentes órgãos também defenderam a importância de se aprimorar o combate e prevenção à prática. Marcus Barberino, juiz do trabalho, ressaltou a importância de se entender o contexto econômico em que se dá a exploração de escravos. “É necessário cercar a pessoa de direitos sócio-econômicos para ela atingir seu potencial”, defendeu. Luis Antonio Camargo de Melo, procurador geral do Trabalho, destacou a “relevância do ato político regulamentando o decreto”. A procuradora Janice Ascari, do Ministério Público Federal, reforçou a importância. “Com o sistema processual brasileiro, infelizmente, nenhuma decisão judicial se torna definitiva enquanto houver um único recurso nas nossas quatro instâncias. E a maioria dos recursos é de caráter protelatório. As decisões acabam não se cumprindo com a rapidez que uma sociedade estabelecida sob o estado democrático de direito desejaria para seus cidadãos”.

Internacional
Luiz Machado, coordenador do Projeto de Combate ao Trabalho Escravo da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, ressaltou que hoje o Brasil é “referência global no combate ao trabalho escravo”, elogiou a regulamentação da nova lei e defendeu que a Proposta de Emenda Constitucional 157/A (antiga PEC 438), a PEC do Trabalho Escravo, seja aprovada no Congresso Nacional. Tal medida prevê a expropriação de propriedades de escravistas.

A ex-modelo Katie Ford, hoje ativista contra escravidão contemporânea à frente da organização Free for All, também defendeu que o Brasil é modelo no combate. “Existem duas iniciativas importantes, uma é o Pacto Nacional (que reúne empresas comprometidas com combate), outro é a ‘Lista Suja’ (cadastro mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos de empregadores flagrados). Quando eu viajo pelo mundo eu falo do Pacto, porque acho que é algo que tem que ser replicado pelo mundo”, afirmou.

Kathryn Hoffman, cônsul para assuntos políticos consulado dos Estados Unidos, lembrou que a exploração de escravos acontece em todo o planeta. “As novas formas de escravidão afetam todos os países, inclusive o meu, os Estados Unidos da América. Todos os dias no mundo todo, pessoas são coagidas a trabalhos forçadas, vendidas, submetidas a trabalho doméstico degradante e presos a atividades em atividades rurais”.

As ministras Maria do Rosário, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, e Carmen Lúcia Antunes Rocha, do Supremo Tribunal Federal, cuja presença havia sido anunciada, não compareceram.

participei hj da cerimônia no TRF. bem legal ver 1 deputado cristão c/ trajetória reconhecida na área de direitos humanos marcando 1 gol de placa. #congrats