Arquivo da tag: Lido

Mascar chiclete detona a sua memória?

chiclete

Stephanie D’Ornelas, no Hypescience

Você com certeza já deve ter lido ou ouvido falar que mascar chiclete melhora a memória e ajuda na concentração. Muitas pesquisas indicam, inclusive, que mascar chiclete na hora de uma prova pode ajudar na resolução dos problemas. Mas um novo estudo sugere que não é bem assim. Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, descobriram que mascar chicletes pode fazer com que você acabe com a sua memória de curto prazo.

No estudo, os participantes que mascavam chicletes tinham mais dificuldade para memorizar a ordem de palavras e números de uma determinada lista do que as pessoas que não estavam mastigando nada. E mesmo estudos recentes mostram que qualquer melhoria ocasionada pelo doce não dura mais do que 20 minutos, na melhor das hipóteses.

Péssima notícia para quem é viciado em chicletes, não é? Mas nem tudo está perdido. Mascar chicletes pode piorar a capacidade de memorização a curto prazo, mas o novo estudo também sugere que melhora o raciocínio abstrato.

E agora você deve estar se perguntando: devo ou não continuar mascando chicletes? Se você precisa muito da memória a curto prazo no trabalho e no dia a dia, abandonar é uma escolha. Mas se você quer pensamentos mais abstratos ao longo do dia, pode ser uma boa pedida.

“Me senti na obrigação de dar o meu ponto de vista”, diz Gabi sobre entrevista com Malafaia

GabiMalafaiaMauricio Stycer, no UOL

Dois dias depois de exibida pelo SBT, a entrevista de Marília Gabriela com o pastor Silas Malafaia ainda rende comentários. Em conversa com o UOL, a apresentadora reconheceu ter adotado um comportamento pouco comum ao manifestar, no meio da entrevista, uma opinião crítica sobre o que dizia o entrevistado. “Quis dar um equilíbrio à entrevista”, diz.

“Nunca tinha visto o Malafaia falando. Só havia lido. E entendi porque ele faz tanto sucesso como pastor. É muito enfático”, afirma Gabi. “Por isso, me senti na obrigação de dar o meu ponto de vista, uma coisa que não costumo fazer.”

Num momento da entrevista, Malafaia disse: “Eu não acredito que dois homens possam criar uma criança perfeita. Não acredito que dois homens ou duas mulheres tenham capacidade para desenvolver um ser humano”. Ao que a jornalista disse: “Você é Deus, Silas. Você já está julgando e préjulgando”.

Em outro momento da conversa, o pastor afirmou: “Amo os homossexuais como amo os assassinos”. Ao final da conversa, Gabi observou: “Que o meu Deus, que eu não sei se é igual ao seu, te perdoe”.

O “De Frente com Gabi” deste domingo deixou o SBT em segundo lugar, atrás da Globo, à frente da Record com alguns décimos de vantagem (6,3 pontos contra 5,9). No Rio, em especial, o programa “bombou”, marcando 12 pontos, contra 13 da Globo e 2,6 da Record.

Apesar do sucesso e da enorme repercussão do encontro, a jornalista diz não ter a menor intenção de voltar a ficar cara a cara com Malafaia. “Não tão cedo”, diz.

Intimidade

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Duas coisas me encantam: o amor e a intimidade. Sou daquele tipo de pessoa que tem preconceito contra quem não é capaz de se sujar de intimidade.

Sou um homem de obsessões. Uma delas é que não controlamos a vida. Mas, mesmo assim, devemos tentar ter algum controle sobre ela. Ao final, sempre somos derrotados. Se pensarmos nisso, nada vale a pena. Mas, antes da morte, tudo vale a pena justamente porque nunca venceremos a batalha. Não há qualquer outra dignidade na vida além da do herói épico que combate 1 milhão de inimigos.

Revi o maravilhoso “Revelações” (foto), com Anthony Hopkins (Coleman Silk) e a bela Nicole Kidman (Faunia Farley). O filme é baseado no romance de Philip Roth “A Marca Humana”.

Este romance guarda um segredo que não deve ser revelado, sob pena de destruir seu impacto. Ele devia ser lido por todo mundo acometido da doença do século: a superficialidade de alma. Não se combate essa doença com alguma teoria sobre a vida (como pensam os superficiais ilustrados), mas unicamente com o mais puro
impasse.

Silk é um “scholar” de literatura que tem sua vida destruída porque usa a palavra “spook” (“fantasma”, mas que tem um segundo possível significado, “negro”, no sentido pejorativo) para dois alunos que nunca iam à aula.

Apesar de que ele não os conhecia, e, portanto, não sabia que eram negros, os dois alunos “se ofendem” mortalmente e, por isso, Silk sofre um processo na universidade por racismo. É humilhado por seus colegas. Pede demissão. Sua mulher morre do coração de desespero. Ele tem sua vida arruinada. A universidade, como sempre, quanto se trata de política, é o pior antro de canalhas da face da Terra.

Intelectuais são os “comissários do povo” mais temíveis da história. Comissários do povo eram canalhas comunistas que serviam a ideologia do partido. Intelectual com ideologia deve ser evitado como uma praga.

Sou um vocacionado à tristeza, mas resisto bem. As pessoas a minha volta sempre me salvam, mesmo que sem querer. Livros e filmes como esses me deixam felizes porque vejo neles o que vejo em mim: o sentido da vida que brota do fracasso, do impasse.

Roth sempre narra como indivíduos são esmagados por processos históricos. Neste caso, a hipocrisia neopuritana que se alimenta do antirracismo, fruto imundo da luta pelos direitos civis nos EUA, e que corrói a universidade como uma “peste do bem”. Todos devem provar que não têm preconceitos (como em outros tempos teriam que provar a fidelidade ao partido ou a pureza racial) e, por isso, as palavras e os gestos são controlados no detalhe.

Coleman e Faunia se apaixonam. Ele, um velho deprimido (“Graças a Deus inventaram o Viagra”), ela, uma jovem pobre desgraçada, faxineira, com três empregos, que “matou seus filhos” num incêndio, espancada pelo marido, abusada pelo padrasto, abandonada pelos pais.

Todos são contra. Seus amigos, ex-amigos, inimigos, advogado. Ele é acusado de abusar de uma mulher jovem e pobre. Mulheres mais velhas odeiam quando mulheres mais jovens se apaixonam por homens mais velhos. Ela é acusada de querer dar o golpe da barriga. Ele é culto e sofisticado, ela fala “to fuck” ao invés de “fazer amor”. Vulgar, se veste mal e limpa a merda dos outros o dia todo, todos os dias.

Mas eles têm aquele tipo de amor que brota dos restos do gozo e da intimidade suja, do afeto úmido que mora entre as pernas das mulheres. Um microcosmo no qual o materialismo vence sua pobreza. Uma vitória do corpo sobre o medo.

O filme é uma profunda prova do fracasso do sentido das coisas. Tudo na narrativa constrói a destruição do sentido da vida. O único lugar onde Coleman e Faunia existem é na solidão gloriosa do sexo.

Num dado momento ela chama a atenção dele para que tudo que existe entre eles é sexo. Ele insiste que não. Ela diz para ele que ele pensa assim porque não faz sexo há muito tempo.

A intimidade física entre uma mulher e um homem é de fato uma das maiores experiência da vida. Em meio aos restos dela, no encontro entre a saliva e o sexo, podemos encontrar alguma alma que valha a pena.

Em poema, pastor planeja encontro de Niemeyer com anjos no céu

O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação no culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer

Juliana Prado, no Terra

Quem esperava que o culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, o ateu comunista, fosse motivo de algum constrangimento, se surpreendeu. Na tarde desta sexta-feira, o penúltimo ato formal de despedida ao arquiteto, morto aos 104 anos no Rio de Janeiro, foi marcado por várias citações descontraídas ao ateísmo de Niemeyer e também ao fato de ele ser comunista.

Foi a própria dupla de padres, além de um pastor e um rabino, a responsável por dar um tom ameno à celebração – mesmo que o burburinho reinante fosse de que não combinava realizar um ato religioso para celebrar a alma de um ateu. O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação na cerimônia. Mais que demonstrar respeito à opção de Niemeyer pela ausência de uma prática religiosa, homenageou o arquiteto com um poema. Nele, ao chegar no imaginário céu, Niemeyer, com a bandeira comunista em punho, pergunta pelo companheiro Luiz Carlos Prestes e ainda é recebido por anjos em coro da Internacional Comunista. Ao final da peleja, uma sutil controvérsia: é convidado a entrar no cenário celestial, aquele que nunca acreditou existir. Afinal, para Niemeyer, a visão da vida sempre foi de finitude, bastante crua e prática: “a vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado…” , dizia o arquiteto.

A seguir, a íntegra do texto do pastor-poeta, lido no culto ecumênico:

Numa tarde de verão,
Dia cinco de dezembro
Do ano dois mil e doze,
Vi a Santíssima Trindade
Reunida de emergência,
Ordenando aos seus apóstolos
Receberem Niemeyer
O incansável guerreiro
Que do Rio de Janeiro
Partiu para a eternidade
Deus estava mui feliz
O espírito nem se fala!
E na comunhão do além
Recomendaram que os anjos
Organizassem um coral
Em homenagem ao arquiteto
Cantando a Internacional.

Logo os músicos reunidos,
Sopranos, baixos e tenores,
Com todos os seus instrumentos
Entoaram uns mil louvores
Externando os sentimentos.

Juntaram-se os trovadores,
Mil pintores e poetas,
Abraçando os escritores
Numa festa sem igual.
Niemeyer vestia azul,
Com a bandeira vermelha
Segurada à mão esquerda,
Bem como a foice-martelo.
Indagou por Carlos Prestes
E todos os seus companheiros.

Deus que sempre sentiu dores
De um povo pobre e oprimido
Disse: entre aqui, Niemeyer.
No céu você tem lugar.

dica do Norberto Carlos Marquardt

Quando os logotipos não saem como o esperado

Publicado originalmente no Adnews

Todos sabem a importância dos logotipos para uma marca. Porém, colocados em posições delicadas ou em contextos diferentes, a mensagem que eles transmitem pode mudar radicalmente. O site Stock Logos separou alguns exemplos disso e o Adnews reproduz os melhores deles abaixo:


A porta da van da Starbucks, quando meio-aberta, formou a palavra “sucks”. Em inglês, ela pode significar “uma droga”.


No caso acima a propaganda da Toyota apareceu, fatidicamente, na página de uma notícia sobre um acidente de carro.


A The Computer Doctors não pensou muito na hora de desenhar o mouse de seu logotipo. No fim das contas, o objeto ganhou um formato comicamente fálico.


A A-Style também é autora de um sonoro “Fail” na hora de confeccionar seu logotipo. O “A” acabou ficando… Estranho.


O Centro Pediátrico Arlington possui um logotipo que pode ser lido de duas maneiras: um adulto cuidando de uma criança ou um adulto abusando de uma criança.


O Spa Hand Job, que também faz as unhas de seus frequentadores, possui um nome controverso: em inglês, a expressão pode significar masturbação. Ou seja, a grande inauguração acima pode ser lida de duas maneiras e, uma delas, bem mais maliciosa.