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Jornalismo e Igreja Católica de volta às origens

Carlos Eduardo Lins da Silva, na Folha de S.Paulo [via Observatório da Imprensa]Cambuí_-_igreja_católica_famosa_001

Duas influentes instituições formadoras da civilização ocidental, a Igreja Católica e o jornalismo, têm passado desde a segunda metade do século 20 por problemas gravíssimos, que vêm fazendo com que diminua bastante o número de pessoas que as acompanham, os fiéis e os leitores.

A frequência dominical à missa no Reino Unido caiu pela metade desde o auge em 1960; nos EUA, o decréscimo foi de um terço no mesmo período; no Brasil, os católicos eram mais de 90% da população em 1960, e agora são em torno de 68%.

A circulação paga diária média de jornais impressos nos EUA, que em 1970 atingiu seu recorde em número absoluto (cerca de 62 milhões de cópias), caiu para algo em torno de 42 milhões, apesar do aumento de população e de domicílios registrado no período.

Em termos de faturamento publicitário, o total obtido pelos jornais americanos em 2012, US$ 20 bilhões, é equivalente ao que foi apurado por eles em 1950, pelo cálculo de dólares deflacionados.

Conceitos hegemônicos

A imprensa diária brasileira parece viver situação inversa em termos de números absolutos, já que os quase 9 milhões de exemplares vendidos por dia em média este ano constituem um recorde positivo desde que o IVC (Instituto Verificador de Circulação) começou a trabalhar na sua apuração, meio século atrás.

Mas a penetração do jornalismo impresso na sociedade brasileira até os anos 1960 era ínfima, devido às altas taxas de analfabetismo e ao baixíssimo poder de consumo da maioria absoluta da população, entre outras razões. As profundas transformações sociais por que o país tem passado nestes 50 anos inevitavelmente fariam com que aumentasse o contingente de leitores.

Quando se comparam, no entanto, as vendas dos chamados “jornais de prestígio” (por décadas os líderes de circulação no Brasil, o que constitui fenômeno completamente atípico em comparação com sociedades do centro do capitalismo), nota-se que eles estão em queda quando comparados a seu ápice, em meados da década de 1990.

Apesar da perda de “popularidade” da Igreja Católica como um todo, há um notável crescimento de adeptos das suas alas mais conservadoras. Por exemplo, o número de missas semanais regulares rezadas em Latim e na liturgia pré-Concílio Vaticano 2º subiu de 26 em 2007 para 157 atualmente no Reino Unido e de 60 em 1991 para 420 em 2012 nos EUA.

O recuo às origens parece também estar funcionando bem no terreno do jornalismo nos países da América do Norte e da Europa ocidental. Como se sabe, os jornais foram inicialmente veículos partidários, utilizados para defender posições específicas no embate ideológico ou partidário.

Foi só a partir de meados do século 19, com o processo de massificação do consumo naquelas nações, que os conceitos de jornalismo apartidário se tornaram hegemônicos.

Bem maior

O sucesso, nos EUA, de Fox News e MSNBC, redes de jornalismo 24 horas na TV que já há alguns anos passaram a defender de modo ostensivo e radical os partidos Republicano e Democrata, respectivamente, e o fracasso relativo da CNN, tradicional líder do segmento que se manteve fiel aos cânones da isenção possível, podem indicar que a imprensa também talvez se beneficie em termos de audiência com essa “volta ao passado”.

O problema é saber que efeitos isso pode ter para a sociedade. No universo das redes sociais e da blogosfera, o jornalismo e o pseudojornalismo radicalizados em opiniões já são dominantes e obstruem o diálogo aberto, em claro prejuízo da busca de entendimento e consenso possíveis e em favor do sectarismo.

A imprensa isenta nos limites do possível é um dos poucos espaços em que ainda é possível o exercício de pensar fora dos dogmatismos. É preciso preservá-lo para o bem da democracia.

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[Carlos Eduardo Lins da Silva, jornalista, é editor da revista Política Externa e autor de Correspondente Internacional (Contexto). Foi secretário de redação e ombudsman da Folha de S.Paulo]

“Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa”, diz psicanalista

Vladimir Maluf, no UOL

A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, autora do recém-lançado “O Livro do Amor”

Você sente calafrios só de pensar que não tem domínio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira? Segundo a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, acreditar que é possível controlar o desejo de alguém é apenas uma das mentiras do amor romântico.

“É comum alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado”, afirma ela, que lançou recentemente  ”O Livro do amor” (Ed. Best Seller). Dividida em dois volumes (“Da Pré-História à Renascença” e “Do Iluminismo à Atualidade”), a obra traz a trajetória do amor e do sexo no Ocidente da Pré-História ao século 21 e exigiu cinco anos de pesquisas.

Regina, que é consultora do programa “Amor & Sexo”, apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, acredita que, na segunda metade deste século, muita coisa ainda vai mudar: “Ter vários parceiros será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem”, diz ela. Leia a entrevista concedida pela psicanalista ao UOL Comportamento.

UOL Comportamento: Na sua pesquisa para escrever “O Livro do Amor”, o que você encontrou de mais bonito e de mais feio sobre o amor?
Regina Navarro Lins: Embora “O Livro do Amor” não trate do amor pela humanidade, e sim do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou duas mulheres, a primeira manifestação de amor humano é muito interessante. Ela ocorreu há aproximadamente 50 mil anos, quando passaram a enterrar os mortos –coisa que não ocorria até então– e a ornamentar os túmulos com flores. O que encontrei de mais feio no amor foi a opressão da mulher e a repressão da sexualidade.

UOL Comportamento: Como você imagina a humanidade na segunda metade deste século?
Regina: Os modelos tradicionais de amor e sexo não estão dando mais respostas satisfatórias e isso abre um espaço para cada um escolher sua forma de viver. Quem quiser ficar 40 anos com uma única pessoa, fazendo sexo só com ela, tudo bem. Mas ter vários parceiros também será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem. Na segunda metade do século 21, provavelmente, as pessoas viverão o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.
UOL Comportamento: Você fala sobre as mentiras do amor romântico. Quais são elas?
Regina: O amor é uma construção social; em cada época se apresenta de uma forma. O amor romântico, que só entrou no casamento a partir do século 20, e pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, não é construído na relação com a pessoa real, que está ao lado, e sim com a que se inventa de acordo com as próprias necessidades.Esse tipo de amor é calcado na idealização do outro e prega a fusão total entre os amantes, com a ideia de que os dois se transformarão num só. Contém a ideia de que os amados se completam, nada mais lhes faltando; que o amado é a única fonte de interesse do outro (é por isso que muitos abandonam os amigos quando começam a namorar); que cada um terá todas as suas necessidades satisfeitas pelo amado, que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama não sente desejo sexual por mais ninguém.
A questão é que ele não se sustenta na convivência cotidiana, porque você é obrigado a enxergar o outro com aspectos que lhe desagradam. Não dá mais para manter a idealização. Aí surge o desencanto, o ressentimento e a mágoa. Continue lendo

Sônia Hernandes: ‘Aprendi que tudo que passamos na vida tem um propósito’

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“A vida do meu filho está nas mãos de Deus.
Ninguém pode dizer que ele não vai se recuperar”

João Loes, na ISTOÉ

ISTOÉ – Em 2002 a Igreja Renascer tinha 1.100 templos no mundo. Hoje são menos de 300. O que aconteceu?
Sônia Hernandes – Houve uma readequação, algumas igrejas pequenas foram agrupadas para formar igrejas maiores, ao mesmo tempo que houve um incentivo para a abertura de grupos de desenvolvimento que acontecem nas casas, muitas vezes alimentados pela tevê e pela rádio. Atualmente, o número desses grupos em desenvolvimento já supera 1.000.

ISTOÉ – Quem será o sucessor da sra. e de seu marido na Renascer, uma vez que seu filho Tid está gravemente doente?
Sônia – A vida do meu filho está nas mãos de Deus. Ninguém pode dizer que ele não vai se recuperar, isso depende de Deus e nós cremos Nele. Da mesma forma, o futuro da igreja também está nas mãos de Deus, confiamos plenamente na direção Dele.

ISTOÉ – A Igreja Renascer em Cristo sofreu muitas perdas de bispos nos últimos anos. A que a sra. atribui tantos abandonos?
Sônia – Esses bispos saíram ao longo dos últimos três anos e, dentro do universo de pessoas que fazem parte da igreja, não entendemos como abandono até porque, nesse mesmo período, um número muito maior foi agregado. Apenas no último mês, tivemos a unção de 14 novos bispos.

ISTOÉ – Só em São Paulo existem cerca de 40 ações de despejo contra a Renascer. Por que a igreja não consegue cumprir com suas obrigações?
Sônia – Todas as ações estão em negociação e a igreja tem feito um grande esforço para resolver as questões pendentes. Muitos casos já estão resolvidos, negociados com imobiliárias e proprietários.

ISTOÉ – Que lições a sra. tira do tempo em que ficou impedida de sair dos Estados Unidos, cumprindo prisão domiciliar? O que a sra. diz sobre as acusações de “contrabando de divisas” e “não declaração à alfândega”?
Sônia – Aprendi que tudo que passamos na vida tem um propósito e que Deus está no controle de todas as coisas. Se eu tive que passar por isso, graças a Deus passei e saí fortalecida. O que posso dizer é que, no que eles entenderam que erramos, estamos completamente em dia com a Justiça norte-americana, inclusive com Greencard.

ISTOÉ – Por que vocês cobram carnês para reconstruir o templo da Lins de Vasconcelos se a Justiça impede a construção?
Sônia – Quanto à construção ou não da Lins, a Justiça ainda não nos deu um parecer definitivo, mas as campanhas realizadas nos últimos meses foram específicas e direcionadas para adequar e aparelhar outras sedes próprias, como a igreja dos Jardins e a da Vila Matilde. A atitude de contribuir com isso ou não é totalmente voluntária, não há cobrança.

ISTOÉ – Por que alguns familiares das vítimas do acidente da Lins continuam sem indenizações?
Sônia – Desde o primeiro momento, nossa maior preocupação foi justamente com as pessoas. A igreja procurou entrar em acordo e ajudar todas as famílias das vítimas às quais tivemos acesso, mesmo antes disso chegar à Justiça. Demos uma grande assistência às famílias, não só financeira como psicológica. Nós já fizemos vários acordos, praticamente com todas as vítimas.

ISTOÉ – Em 2011 a Renascer completou 25 anos. O 25o ano não foi dos melhores. O que a sra. espera para os próximos 25?
Sônia – Não concordo que o 25º ano não foi dos melhores. Tivemos anos desafiadores, mas cremos que faz parte do processo de constituição de Deus nas nossas vidas. Para os próximos 25, espero que o Senhor continue nos abençoando e nos ajude a comunicar o Seu amor para cada homem e mulher desta nação.

ISTOÉ – Por que a sra. resolveu escrever esse livro agora?
Sônia – Tenho o privilégio de viver uma vida relativamente equilibrada, apesar dos altos e baixos e da doença do meu filho, e me sinto devedora por isso. Escrevi o livro como forma de agradecer às pessoas que torcem por mim e me dão forças.