Ricardo Lombardi, ex-diretor do Yahoo!, reinventa a si mesmo com uma nova profissão: sommelier de livros

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Ricardo Lombardi e o Desculpe a Poeira. Quanta felicidade e quantas realizações podem caber em 24 metros quadrados? (Foto: Fabi Nogueira)

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Era uma vez um jornalista.

Ricardo Lombardi se formou na Cásper Líbero, em 1994. Antes, tinha feito Direito, na PUC-SP, e Letras, na USP, e abandonado ambos os cursos. Aos 16, os pais se separaram, ele foi viver com a mãe, que não trabalhava, e precisou começar a se virar. Entrou no Estadão, trabalhando no arquivo, procurando materiais no acervo do jornal para ajudar na apuração das matérias de jornalistas como Ivan Ângelo, Marçal Aquino, Renato Pompeu, Eduardo Bueno, o Peninha, e Leão Serva. Foi assim que se apaixonou pela profissão.

Fez carreira no Estadão, e no contíguo Jornal da Tarde, até 1998, quando foi para a revista Contigo!, na editora Azul. Ficou um ano por lá. E outro ano em Nova York, onde foi correspondente do Último Segundo, do iG. De volta ao Brasil, retornou também ao JT, a convite de Marta Góes, na volta ao jornal de Murilo Felisberto, autor, junto com Mino Carta, em 1966, do histórico e revolucionário projeto editorial e gráfico do JT. Saiu de lá no final de 2000, para a revista Sabor, da editora D’Ávila, onde ficou até 2003. Aí foi para a AOL, América Online, onde ficou editando as home pages até 2005, quando foi para a Abril. Lá, editou a revista Bravo! até 2007, o Guia do Estudante/Almanaque Abril até 2009 e a VIP até janeiro de 2013, quando foi para o Yahoo!, como diretor de conteúdo.

Era uma vez um jornalista.

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Ricardo (atrás da barba) resolveu dedicar 100% da sua energia ao projeto que mais lhe encantava. Sai de cena o jornalista, nasce um livreiro.

Ricardo, 44, saiu do Yahoo! há um mês para transformar sua paixão num negócio, para transformar seu hobby num ganha-pão, para transformar seu plano B em plano A. “As coisas só começam a andar de verdade quando você as prioriza em sua vida. Saí do emprego para me dedicar 100% ao projeto que eu vinha gestando na paralela porque se você não colocar toda a energia disponível na roda, ela não gira”, diz ele.

Ricardo é casado com Camila Sarpi, designer de joias, e tem dois filhos, Ernesto, 6, do primeiro casamento, que mora com a mãe, e Petra, 2. Em março de 2013, quando sua filha nasceu, Ricardo fez uma viagem à Argentina, para visitar a família de seu pai – que veio a falecer enquanto Ricardo estava lá. Naquela viagem, flanando por San Isidro, em Buenos Aires, um sebo lhe chamou a atenção – ele já frequentava lojas de livros e discos, novos e velhos, há muito tempo. Mas ali teve um clique, ao ver aquele negócio familiar, numa tradição europeia de tocar um estabelecimento em poucos metros quadrados.

Desde 2007, quando ainda era o diretor de redação da Bravo!, Ricardo mantinha o blog Desculpe a Poeira, primeiro no iG e depois no Estadão. “Meu maior tesão no jornalismo sempre foi dividir com as pessoas novidades que faziam diferença na minha vida. O blog nasceu como uma curadoria pessoal de conteúdo nas áreas de cultura e entretenimento”, diz Ricardo.

Na volta da Argentina, começou a montar o sebo Desculpe a Poeira, uma materialização do blog e também o embrião de um novo projeto de vida e de carreira. Era uma atividade de fim-de-semana. “Fui montando aos poucos, fiz os móveis e as prateleiras”, diz Ricardo, que em 2008, já dirigindo a maior revista cultural do país, foi fazer curso de marcenaria na escola Roberto Simonsen, do Senai, no Brás, onde Lula fez seu curso de torneiro mecânico – o torno em que Lula estudou foi tombado e virou objeto de exposição na escola. “Eu buscava aprender um trabalho manual, que oferecesse contraponto à atividade intelectual do jornalismo. Fiz também um curso de marcenaria artesanal no Ateliê da Madeira, na Lapa”.

O sebo ocupa uma garagem na rua Sebastião Velho, 28-A, num famoso e querido conjunto de predinhos de três andares, construído por um libanês na década de 30, em Pinheiros, entre as ruas Simão Álvares e Mourato Coelho. A mãe de Ricardo, dona Lúcia, de 79 anos, mora ali. E aluga a garagem, que tem 3 metros por 8, para o filho, por 600 reais – Ricardo estima que o preço de mercado esteja por volta de 1 500 reais. Dona Lúcia o alugava antes para um antiquário. Há por ali, nas outras garagens, negócios como a hamburgueria Na Garagem, o Cantinho da Lu, uma lanchonete, uma sapataria, uma costureira e uma mecânica que tuna motos.

Vendi o carro, ando de bicicleta, não pago mais 300 reais para comer num restaurante, deixei de pagar um dos dois clubes em que era sócio, troquei o treino na academia pela corrida de rua. Abri mão de 70% da minha renda para poder me dedicar ao que me encantava e para estar mais próximo das pessoas que amo

Ricardo deseja que o diferencial do Desculpe a Poeira seja o atendimento personalizado – como se ele fosse uma espécie de sommelier de livros. “Eu quis organizar o caos que é um sebo. Reverter a ideia de que um sebo é um mero repositório de livros velhos e oferecer obras com curadoria, conectando a pessoa certa com o tema certo por meio de um livro. Cada exemplar ali tem uma razão de ser. Não estou no negócio apenas para girar produtos na prateleira. Quero que as pessoas também experimentem comigo o que os americanos chamam de serendipity – aquela sensação de descobrir algo que você não sabia que queria e que gostava”, diz Ricardo, que para isso já conta com um acervo de 5 mil títulos – 70% vêm da sua coleção particular e o resto vem de aquisições de lotes e doações de amigos. Ele estima que, na loja, caibam 2 000 livros. O resto ele estoca em dois quartos no apartamento da mãe.

Segundo Ricardo, a loja física só é possível por causa da internet – a previsão é de que as vendas online venham a responder por 70% do faturamento. Ricardo disponibilizou até aqui apenas 10% do seu acervo na sua loja na Estante Virtual, uma plataforma de sebos, uma espécie de Amazon dos livros usados no Brasil, que cobra do vendedor de 8% a 12% do valor do pedido mais uma mensalidade que, no caso de Ricardo, é de 42 reais. “O digital ajuda muito os pequenos negócios. Livros que eu publico no Instagram, por exemplo, vendem instantaneamente”, diz ele. “Tento subir 20 novos livros por dia na Estante Virtual. Com foto de capa, sinopse, detalhes de conservação do exemplar. É um trabalho minucioso e braçal”.

Ricardo estima que precise vender quatro vezes mais do que vende hoje, com apenas 1 em cada 10 livros do seu acervo disponíveis online, e ainda sem a loja física, para atingir o ponto de equilíbrio do negócio. E esse ponto de equilíbrio, que é não precisar mais lançar mão da poupança para fechar as contas do dia-a-dia, e que ele imagina atingir já em junho de 2015, significa viver com uma renda equivalente a 30% do que recebia como executivo.

“Isso passa por uma engenharia financeira – minha mulher trabalha, não pago aluguel, alugo um segundo imóvel, coloquei a casa da praia no AirBnB, recebo um fee de Estadão pelo blog. E isso passa também por uma readequação de estilo de vida. Vendi o carro, ando de bicicleta, não pago mais 300 reais para comer num restaurante, deixei de pagar um dos dois clubes em que era sócio, troquei o treino na academia pela corrida de rua”, diz Ricardo. “É que assim que abri mão de 70% da minha renda para poder me dedicar ao que me encantava e para estar mais próximo das pessoas que amo – hoje posso almoçar com minha mãe e pegar meus filhos na escola com mais frequência”. Uma das coisas das quais Ricardo não abriu mão é o gasto com os filhos – como escola particular e babá.

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No Desculpe a Poeira, é a internet que permite a existência da loja física: 70% do faturamento virão das vendas online

Ricardo atribui sua decisão de trocar a vida de executivo numa empresa global pela de dono de um sebo numa garagem de 24 metros quadrados ao resultado de um período de soul searching (algo como “mergulho dentro de si mesmo”). Mas diz também acreditar no negócio, que considera sustentável financeiramente, no qual investiu 7 mil reais nesse ano e meio de preparação até a abertura oficial da loja física, que acontecerá no próximo sábado, dia 8. Ricardo fará ainda uma festinha no próximo dia 22, para comemorar a estreia – “um amigo meu que é barista vai trazer o café e minha mãe vai fazer umas bolachas que eu adoro. Então a inauguração vai ser isso – café com bolachas”.

Ricardo considera ideal para o seu negócio ter um acervo de 20 mil livros, o que significa quadruplicar o estoque atual. E o Desculpe a Poeira terá revistas também. Ricardo é um colecionador. Compra todas as edições comemorativas de periódicos que encontra. Tem a coleção completa da Playboy desde a primeira edição que caiu em suas mãos – em janeiro de 1983. Tem a coleção completa da revista Piauí. Além de mais de 50 camisas do Palmeiras, seu time do coração, e de algumas centenas de discos de vinil e de fitas VHS. Já chegou a ter 10 máquinas de pinball numa garagem. “O livro tem a vantagem de não caducar tecnologicamente. Então não perde a validade nem tem problemas de compatibilidade. Trata-se de uma das grandes invenções da humanidade, como a colher e a roda. Não dá para fazer um substituto melhor”, diz ele.

O Desculpe a Poeira, segundo Ricardo, está desenhado para ser uma operação de um homem só. Mas ele sonha com um estagiário. “Para ser, aqui no sebo, o que Tarantino foi na videolocadora em que trabalhava”. E aí, alguém se habilita?

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Vaticano investigou padre Marcelo Rossi por quase 10 anos

Padre Marcelo Rossi participa do especial de Natal da Rede Globo (2008), ao lado de Ivete Sangalo (foto: Divulgação)
Padre Marcelo Rossi participa do especial de Natal da Rede Globo (2008), ao lado de Ivete Sangalo (foto: Divulgação)

Ricardo Feltrin, no UOL

O padre Marcelo Rossi teve seus passos, CDs, livros, missas e aparições na TV seguidos de perto pelo Vaticano do final dos anos 90 até cerca de quatro anos atrás.

A investigação, que durou quase 10 anos, foi provocada por uma denúncia feita por um religioso brasileiro, que acusou o padre de culto ao personalismo, exibicionismo por ir demais às TVs, de desvirtuar as práticas católicas e de transformar a missa em uma espécie de “circo”.

A investigação foi comandada pela Congregação para a Doutrina da Fé, liderada pelo cardeal Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornaria o papa Bento 16.  A Congregatio pro Doctrina Fidei é o novo nome que o Vaticano dá para a assassina Inquisição.

O UOL apurou com exclusividade que, entre o final dos anos 90 e a década de 2000, a Congregação recebia regularmente vídeos com as participações do padre Marcelo em programas como o de Gugu Liberato no SBT e de Fausto Silva, na Globo.

A Cogregatio matou na fogueira, por asfixia ou afogamento centenas de milhares de pessoas no mínimo entre os séculos 12 e século 19 (mas há relatos de incipientes matanças já no século 10).

A Inquisição também calou, excomungou ou proibiu de ensinar milhares de padres e freiras ao redor do mundo até o presente.

Procurada, a assessoria do padre Marcelo e do bispo dom Fernando, da Mitra de Santo Amaro, superior direto do padre, disseram desconhecer a investigação. A assessoria do padre afirma que, “se isso realmente ocorreu, trata-se de um fato do passado.”

O Vaticano, por meio de sua “embaixada” no Brasil, se recusou a se manifestar a respeito.

Procurada por telefone e por e-mail durante vários dias, a CNBB também se calou sobre o fato.

A investigação foi feita no Vaticano ao mesmo tempo em que ocorriam outras centenas de investigações a respeito de outros padres, freiras e bispos ao redor do mundo.

A Congregação costuma se reunir aos sábados, no Vaticano.

PERTO DA SUSPENSÃO

A reportagem do UOL levantou junto a fontes da Santa Sé que o padre Marcelo Rossi e o bispo dom Fernando estiveram a ponto de serem chamados ao Vaticano para prestar contas, no final de 2004 e início de 2005.

O padre esteve próximo de ter suas atividades suspensas, bem como a publicação de livros e CDs –por pressão do denunciante, o qual a identidade o Vaticano mantém oculta sob sete chaves. Ele não poderia mais celebrar missas, ouvir confissões e dar a hóstia.

Curiosamente, o que acabou por livrar padre Marcelo da punição foi a morte do papa João Paulo 2º, em abril de 2005, quando praticamente toda a atividade da Congregação para a Doutrina da Fé foi interrompida com a eleição de Ratzinger para o posto de novo papa. Ele era o “prefeito” da congregação.

BARRADO NO BAILE

Em 2007, padre Marcelo tentou se reunir com papa Bento 16 durante a visita deste ao Brasil.

No entanto, o padre foi impedido de se encontrar com Bento 16. Segundo dados obtidos pelo UOL, quem impediu o papa de aceitar o encontro foram funcionários da Congregação que estavam presentes na comitiva de Bento 16.

Segundo eles, não cairia bem ao papa receber um religioso que estava “sob investigação”. Bento 16 concordou e se recusou a receber Marcelo Rossi no mosteiro de São Bento. O padre o aguardara desde as 5h e mal havia dormido, de tão ansioso que estava pelo encontro.

Na ocasião, o UOL publicou reportagem contando o ocorrido, sobre o impedimento do padre, com exclusividade. Padre Marcelo então negou veementemente que isso tivesse acontecido.

Dois anos atrás, porém, em entrevista à revista “Veja”, o padre se retratou e confirmou que a reportagem estava correta e que, sim, fora barrado pela comitiva de Bento 16.

O que o padre não sabia era que o veto se devia à investigação a que ele estava sendo submetido pelo Vaticano.

No final de 2009, a Congregação decidiu encerrar as investigações sobre padre Marcelo. Ele foi inocentado de todas as falsas “acusações”.

Em janeiro deste ano (2014), o padre finalmente foi recebido por Bento 16, no Vaticano, e este lhe outorgou um prêmio de Evangelizador Moderno, concedido pela Fundação São Mateus.

Foi o final feliz para quase dez anos de suspeitas sobre o trabalho do padre, que chamou a atenção desde que um de seus CDs vendeu quase 3,5 milhões de cópias e se tornou um fenômeno social e midiático.

Em janeiro de 2014, o padre Marcelo foi recebido por Bento 16, no Vaticano (foto: Arquivo Pessoal)
Em janeiro de 2014, o padre Marcelo foi recebido por Bento 16, no Vaticano (foto: Arquivo Pessoal)

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Hannah Arendt, Freud, Lacan: conheça os pensadores que fazem a cabeça de Marina Silva

Candidata lança mão de filósofos, psicanalistas, escritores e dramaturgos para justificar escolhas políticas e pessoais

Marina Silva na Bienal do Livro SP (foto:  Alexandre Cassiano / Agência O Globo)
Marina Silva na Bienal do Livro SP (foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

Mariana Sanches, em O Globo

Hannah Arendt, Freud, Lacan, Edgar Morin, Zygmund Bauman, Shakespeare. Todos eles sobem ao palanque junto com Marina Silva. Cotidianamente, a candidata do PSB lança mão de conceitos de grandes pensadores para justificar suas escolhas políticas e trajetória pessoal.

Para explicar como Eduardo Campos passou de ilustre desconhecido das massas a uma morte chorada nacionalmente em poucas horas, por exemplo, Marina aplica o conceito de “sentido” do psicanalista francês Jacques Lacan. Para Lacan, o significante surge muito antes do sentido. E o sentido surge antes da compreensão:

— As pessoas só foram conhecer as ideias de Eduardo depois que ele estava morto — diz Marina, concluindo a analogia entre a realidade e a psicanálise.

Ela define sua candidatura à Presidência a partir de uma citação do escritor francês Victor Hugo: “Nada mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou”. E explica os termos de sua oposição a Dilma e Aécio apoiando-se em Shakespeare:

— Shakespeare disse que o contrário de injustiça não é justiça, é amor. Porque toda justiça que não se faz por amor é vingança. Ser oposição, ter uma candidatura concorrente, não é combate, é debate.

De Hannah Arendt, a autora do conceito de “banalização do mal” em análise do comportamento dos alemães no regime nazista, Marina toma de empréstimo a noção da vida feita em ciclos para justificar suas decisões de sair do PT e de tomar um remédio experimental, que poderia matá-la, para tratar sua contaminação por metais pesados. Em um artigo sobre a filósofa alemã de origem judia, Marina escreveu ano passado: “Hannah nos sussurra a coragem de seguir a nossa consciência sem nos deixar ensurdecer pelos que profetizam a ausência de futuro e nos querem fazer acreditar que a história termina neles. ‘A Condição Humana’, expressa sua esperança, nosso legado: ‘Os homens, ainda que devam morrer, não nasceram para morrer, mas para recomeçar.’

— A Marina adquire palavras, ela gosta de construções sintáticas, das frases — explica Jane Vilas-Boas, assessora da candidata há 16 anos.

Marina é descrita por aliados como workaholic. Não desgruda dos livros nos voos (até porque a distraem do medo de voar). Para ler na cama sem prejudicar a coluna, mandou fazer uma almofada especial. É comum que passe a noite acordada.

— Aconteceu várias vezes de eu chegar para buscá-la às 7 da manhã e ela perguntar: ‘Já amanheceu?’ — diz Jane.

Depois que aprendeu a ler, aos 16 anos, Marina não parou mais. Chegou a burlar as ordens da madre superiora do convento onde passou pouco mais de um ano da juventude para ficar acordada até tarde com seus livros.

O teatro lhe trouxe o primeiro substrato teórico de esquerda, com o Teatro do Oprimido, de Augusto Boal, Morte e Vida Severina, do João Cabral de Melo Neto, além de várias obras do dramaturgo alemão marxista Bertold (sic) Brecht.

Aos 22 anos, quando entrou no curso de História, na Universidade Federal do Acre, teve que se esforçar para superar a defasagem de sua Educação, feita no Mobral e no supletivo. Em conversa recente com empreendedores, Marina contou que ficava até altas horas da noite tentando entender o conflito epistemológico entre Marx e Hegel, com um filho no colo, e na companhia do amigo Binho Marques. Segundo Binho, ex-governador do Acre, Marx ganhou o conflito na cabeça dos dois e serviu para justificar o engajamento político de ambos.

Sua militância marxista, no entanto, seria continuamente suavizada até que ela rejeitasse a bipolarização social entre proletários e proprietários, excluídos e incluídos, no fim da década de 1990. Para tanto, ideias do francês Edgar Morin, com quem ela cultiva relação pessoal, foram fundamentais.

Morin cunhou as noções de “Pensamento Complexo” e de “Diálogo dos Saberes” para explicar que é preciso reagrupar os conhecimentos e as pessoas para entender o universo. O pensador procura se distanciar da divisão do mundo em classes ou em noções maniqueístas, recusa oposições clássicas. São essas ideias que permitem a Marina dizer que Chico Mendes, sindicalista e seringueiro de origem humilde, também é elite e congregar, em um mesmo programa de governo, ideias de economistas de polos ideológicos opostos, como Eduardo Gianetti e José Eli da Veiga.

Depois de sua conversão, além da Bíblia, Marina passou a ler o best-seller americano Philip Yancey. Com 14 milhões de cópias vendidas e obras traduzidas para 25 idiomas, Yancey é um hit entre os evangélicos com seus livros “Decepcionado com Deus” e “Maravilhosa Graça”, já incluídos entre os cerca de cinco mil livros que compõem a biblioteca de Marina, em Brasília.

Quando não lê, Marina escreve. Em 2007, em uma visita a um museu na Noruega, se impressionou com o clássico de Edvard Munch, “O Grito”. Gastou aquela madrugada escrevendo um poema sobre ele.

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Chinês de 106 anos diz que o segredo para uma vida longa é… jogar videogames

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Fred Di Giacomo, no Newsgames

A gente já contou aqui que videogames podem aumentar sua massa cerebral, lembra? Pois bem, um idoso chinês de 106 anos parece comprovar essa teoria e ainda garante que os jogos ajudam a ter uma vida mais longa e com uma mente saudável.

O professor universitário aposentado Xu Fenghuan passa uma boa parte do seu dia jogando puzzles e jogos de raciocínio. E ele acredita que os games são um dos motivos dele ter chegado a velhice com uma mente tão ativa e saudável.

Porém, (sim, tem sempre um porém), Xu Fenghuan também é um ávido devorador de livros e segue uma rotina fixa que começa às 6:30 da manhã, inclui uma soneca na hora do almoço e cama às 21h.

De qualquer forma, é bom ver um ancião gamer tão bem, né?

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Marta Suplicy diz que Vale Cultura será aceito em baile funk

Cleyton Vilarino, no UOL

O cartão vale-cultura
O cartão vale-cultura

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou nesta terça-feira (9) que o vale-cultura, benefício de R$ 50 dado aos trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos para ser gasto com produtos culturais, também poderá ser usado em bailes funk.

“O vale-cultura poderá ser usado em bailes funk, desde que haja música ao vivo. As operadoras têm que credenciar os equipamentos culturais. Da nossa parte (o credenciamento de baile funk) não tem problema nenhum. É cultura”, ressaltou a ministra em entrevista à Agência Efe.

Com potencial de investimento de R$ 25 bilhões, o benefício é distribuído atualmente para mais de 223 mil pessoas e tem sido usado principalmente na compra de livros, jornais e revistas.

Por meio deste programa, o Ministério da Cultura também espera fomentar o mercado cultural no país a médio e longo prazo, principalmente entre os setores que hoje sofrem com as distorções da Lei Rouanet.

“Nós achamos que, com o vale, as peças de teatro vão poder ousar mais, já que, até agora, o financiamento que nós tínhamos era via Lei Rouanet”, destaca a ministra ao reconhecer os “desvios” que a lei apresenta atualmente.

“Desta forma, com o vale-cultura, eu acredito que o teatro vai poder inovar, ser mais vanguarda, poder ousar, porque vai ter um público e isso vai ser muito interessante”, ressaltou a ministra da Cultura ao pontuar que se trata de um resultado para apresentar resultados “dentro de alguns anos”.

Críticas 

Criada na década de 90, a lei Rouanet tem sido criticada por favorecer grandes produções devido ao retorno publicitário que as empresas alcançariam ao apoiar artistas já renomados, como a baiana Claudia Leitte, que cantou na abertura da Copa deste ano e já teve um de seus shows apoiados pela lei.

“Quando eu fui olhar os beneficiados pela Lei Rouanet não vi temáticas negras e criadores negros. Então, o nosso primeiro gesto foi criar um edital para criadores negros”, revelou a ministra ao abordar um dos diversos editais criados pelo Governo Federal para fomentar a cultura local e periférica.

Entre eles está o “Conexão Cultura Brasil”, programa de bolsas de intercâmbio que serão distribuídas a artistas e produtores culturais com ou sem formação acadêmica.

“O esforço todo foi na direção de dar oportunidade para aqueles que têm talento e não chegam lá, não só porque não têm recurso para pagar uma universidade, uma passagem e se manter lá fora, mas também porque não tem nenhum diploma”, ressaltou a ministra.

Neste aspecto, Marta Suplicy também falou sobre a importância do Mercosul para o governo e para o Ministério da Cultura, que aposta em uma maior integração cultural com os países do bloco.

“Nós damos um foco grande ao Mercosul porque o Brasil hoje tem uma relevância muito grande e somos muito demandados também. E nós temos tido presença em todos os festivais tidos como os mais importantes” disse Marta à Efe.

Somente neste ano, pelo menos dois grandes festivais de artes cênicas no continente contaram com participantes apoiados pelo Ministério da Cultura: O Festival de Teatro de Bogotá, realizado em abril, e o Festival Internacional de Artes Cênicas de Santiago a Mil, no Chile.

“Nós levamos seis peças de teatro para o festival de Bogotá e traduzimos 14 peças de teatro que foram encenadas lá por atores colombianos”, destaca a ministra, cujo ministério ainda apoiará dois eventos: um de música, em Compostela, e outro de Arte Contemporânea, em Madrid, ambos na Espanha.

A iniciativa faz parte dos dois pilares que têm centrado as iniciativas do Ministério da Cultura: divulgação de aspectos desconhecidos da cultura brasileira em outros países e o fomento a iniciativas culturais populares.

“Quem decide o que as pessoas querem ver não somos nós do ministério e nem o governo, mas nós temos a obrigação de levar (aos outros países) aquilo que nós temos que fazer um esforço para conhecerem”, destacou Marta ao citar o fomento de uma exposição sobre Cândido Portinari no Grand Palais de Paris.

“Isso ninguém iria patrocinar. Nós fomos atrás de abrir espaço no Grand Palais e de levar patrocínios brasileiros para chegarmos lá e mostrar nosso maior pintor. E foi um êxito enorme”, concluiu a ministra.

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