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Sean Penn faz churrasco para ator brasileiro com síndrome de Down; veja foto do encontro

O ator Ariel Goldenberg com seu ídolo, o também ator Sean Penn

O ator Ariel Goldenberg com seu ídolo, o também ator Sean Penn

Rodrigo Salem e Fernanda Ezabella, na Folha de S.Paulo

O sonho do ator Ariel Goldenberg, do filme “Colegas”, de encontrar o astro Sean Penn foi realizado nesta sexta-feira (15), em Los Angeles. De acordo com Marcelo Galvão, diretor do longa, o brasileiro foi com a mulher, Rita Pokk, à casa de Penn, na praia de Malibu, sem avisar e tocou a campainha.

“Foi tudo de surpresa. Teve uma americana no local dizendo que essas coisas são proibidas e que chamaria a polícia se tocássemos a campainha. Mas o próprio astro atendeu e, como conhecia a campanha Vem Sean Penn, foi superbacana com Ariel”, conta à Folha o cineasta, que ficou no Brasil por causa de problemas no visto e mandou dois assistentes para acompanhar a empreitada.

A Folha recebeu a foto do encontro com exclusividade.

“Nós batemos na porta com a cara e a coragem. Eu achava que era a maior roubada do mundo, que éramos loucos, mas ele [Sean Penn] atendeu [a porta]“, disse Carlos Cardinalli, amigo de Ariel e de Galvão que mora em San Diego (Califórnia) e está ajudando na viagem. “Penn o chamou para andar na praia e fez um churrasco para Ariel, que ficou muito feliz.”

O ator hollywoodiano, segundo o diretor, pensou em viajar para o Brasil para encontrar Ariel Goldenberg e o elenco de “Colegas”, mas não queria sua imagem ligada a nenhum tipo de patrocínio. “Em compensação, Penn tirou da parede o certificado do Oscar que venceu por ‘Milk’ e deu para Ariel com um pôster autografado”, revela Galvão.

Protagonizado por um trio de atores com síndrome de Down (incluindo Ariel Goldenberg e Rita Pokk), “Colegas” já foi visto nos cinemas por mais de 96 mil pessoas ao longo de duas semanas em cartaz.

O casal Rita Pokk e Ariel Goldenberg no apartamento em que moram, em São Paulo foto: Zé Carlos Barretta/Folhapress

O casal Rita Pokk e Ariel Goldenberg no apartamento em que moram, em São Paulo foto: Zé Carlos Barretta/Folhapress

Contra violência em SP, motociclistas usam fantasias e rapel em pontes

Os amigos Seg, Ursão e Papy, como são conhecidos, se fantasiam de super-heróis para protestar contra a violência em SP Foto: Fernando Borges / Terra

Os amigos Seg, Ursão e Papy, como são conhecidos, se fantasiam de super-heróis para protestar contra a violência em SP
Foto: Fernando Borges / Terra

Marina Novaes e Vagner Magalhães, no Terra

A cara de mau engana quem vê de longe os integrantes do Parceiros Moto Clube, um grupo de amigos da zona sul de São Paulo, que há 11 anos realiza anualmente uma festa de Natal comunitária para distribuir presentes às crianças da região do Campo Limpo, na capital paulista. Ao som de clássicos do rock n’ roll – como os de Jimi Hendrix, Led Zeppelin e do brasileiro Raul Seixas -, vestidos de jaquetas de couro e com muitos anéis de caveira nos dedos das mãos, os rapazes fazem a alegria da garotada que resistiu à chuva e fez fila para ganhar do Papai-Noel (um voluntário barbudo dono de uma oficina de motos) um dos itens da lista de presentes do “bom velhinho”: bolas, carrinhos, bonecas e triciclos.

Acostumados a botar a mão na massa, Jorge Edilson Giordano, o Papy; Gleyzon Dias, o Ursão (Shrek); Fábio Gonzales, o Seg, e seus amigos também decidiram mobilizar protestos contra a onda de violência na cidade, após a morte de um amigo policial militar. Nascia então, de maneira informal, o movimento “Loucos Pela Paz”. Em todas as “escaladas” e descidas de viadutos, em que se fantasiam, foram detidos por policiais. A ideia de fazer rapel em viadutos não agrada a todos os parceiros – muitos têm medo que os amigos se machuquem gravemente em uma das tentativas, ou que sejam presos de vez.

“Primeiro, fizemos um protesto em um muro e a Prefeitura apagou tudo. Era um protesto era contra a violência. Quando eles apagaram, a gente fez o mesmo protesto na avenida Carlos Caldeira e na estrada de Itapecerica. Aí a Prefeitura apagou de novo”, diz Ursão, um dos membros da “equipe”. Injuriado, ele juntou os amigos e teve uma idéia: “Vamos para a ponte”. Ele explica a estratégia: “Primeiro fomos na João Dias, depois na Ponte Estaiada, utilizando as mesmas técnicas”. Semanas depois seguiram para a avenida 23 de Maio e para a avenida dos Bandeirantes, em frente ao aeroporto de Congonhas.

Em todas as vezes acabaram detidos pela polícia, mas segundo eles, tiveram sempre boa vontade dos delegados. “Eles ficam um pouco surpresos ao verem a gente chegando na delegacia. Sempre dão um sermão, apreendem nossos apetrechos, mas nos liberam em seguida”, diz Ursão.

Ele conta que quer continuar e ampliar o movimento. “Nós queremos organizar agora um abaixo-assinado virtual para protestar contra a violência e a insegurança. Tentar reunir assinaturas para mostrar que é a situação é séria.” Questionado se tem medo de retaliação, ele nega: “a gente não está fazendo mal a ninguém. Não estamos denunciando ninguém, nem prejudicando ninguém. A gente só quer a paz, não dá pra continuar a viver com medo”, afirma.

Pouco antes do Natal, fantasiados de Zorro, Batman e Homem das Cavernas, Ursão, Seg e Papy foram a Brasília na tentativa de conversar com os senadores paulistas. Foram recebidos pelo suplente de Marta Suplicy (PT), Antonio Carlos Rodrigues (PR), mas não encontraram Eduardo Suplicy (PT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).

Comunidade 
Um dos idealizadores do projeto, o comerciante Papy, como é conhecido graças ao perfil “paterno” (disfarçado sob a longa barba e as madeixas compridas), diz que cansou de esperar uma atitude do poder público e decidiu “fazer sua parte”, como ele diz, para ajudar a comunidade onde vive. Casado, pai de dois filhos (um menino e uma menina, que tem uma grave deficiência que a impede de se locomover), o dono de uma loja e acessórios “exóticos” para motocicletas construiu em sua casa um espaço para juntar as doações e fazer o quartel-general do grupo, que, além da festa de Natal, ainda promove ações semelhantes em um orfanato da cidade na Páscoa. Durante o ano também arrecada muletas e cadeiras de rodas.

“Eu sempre faço questão de que as pessoas que ajudam venham aqui conhecer o nosso trabalho, ver a casinha (onde ele mora e as doações ficam guardadas), ver pra onde vai a doação dela. Nós conseguimos este ano arrecadar uns 400 brinquedos, e montamos kits para as meninas e para os meninos. Também vamos sortear dois videogames, dois computadores usados, uma televisão de 29 polegadas e oito cestas básicas”, conta, orgulhoso, exibindo os itens.

O grupo passou cerca de três meses arrecadando os brinquedos e dinheiro para custear a festa. “Cada um deu o que pôde. Juntamos R$ 5 daqui, R$ 2 dali, teve gente que deu R$ 20. Então cada um contribuiu com o que podia”, disse um dos integrantes do grupo, que exibe a nota fiscal do que foi comprado. “A gente sempre guarda as notas para as pessoas saberem para onde o dinheiro delas está indo”, comentou Papy.

Sobre suas motos, passaram pelas casas da região entregando senhas às famílias que queriam ver seus filhos na festa, e avisando aos vizinhos que, das 9h às 22h, a pacata rua La Condamine, no Jardim Caiçara, ficaria “fechada” – ou melhor, aberta -, para a festa de fim de ano, que ocorreu em um sábado chuvoso de dezembro. O grupo também distribuiu panfletos divulgando a festa, nos quais o desenho do “Papai-Noel motoqueiro” já dá o tom de como será o evento. Os vizinhos não se incomodam, e alguns até cedem espaço para ajudar na organização: uma garagem vira refeitório, o telhado de duas casas vira ponto de apoio para montar a tenda contra a chuva.

Com a ajuda de amigos e moradores da região, os motociclistas tomaram a rua com piscina de bolinhas, camas elásticas e castelos infláveis. No cardápio, cachorro-quente, bolo de doce de leite, pipoca e algodão-doce (os “parceiros” conseguiram as máquinas de pipoca e algodão-doce com amigos simpáticos à causa).

E na programação, além da visita dos Papais-Noéis (a festa contou com três ilustres “velhinhos”, sendo que dois deles chegaram sobre seus “trenós” motorizados), havia um Shrek, o ogro verde interpretado por Ursão, o mesmo que anda se pendurando em viadutos da cidade contra a onda de violência na capital paulista. Depois das 16h, a festa é dos adultos, com bandas de rock e mais sorteios de brindes, como computadores e TVs usadas.

“Quem vê o pessoal se assusta, mas todo mundo trabalha aqui. Tem professor aqui, comerciante, motoristas, ninguém é desocupado”, diz Tânia Chaves, professora (ela e o marido estão entre os integrantes mais novos do grupo).

Loucos e Hereges

Publicado por Consciência e Fé

Ninguém quer ser chamado de louco. Também ninguém quer ser chamado de herege… à menos que seja louco! (rsrs). O problema é que temos, hoje, uma religiosidade que tem por sã doutrina uma doutrina absolutamente enferma, mas que é a doutrina da maioria e por ser da maioria é tida por certa. Qualquer pessoa que questiona, duvida ou nega esta doutrina será o herege da vez. Diante disso, muitos se acovardam e traem a própria consciência pregando o que não crêem, crendo no que não pregam e fazem de tudo, cometem as maiores contradições a fim de não serem contraditos pela maioria.

A verdade é que precisamos de loucos e hereges que sejam capazes de deixar suas sementes subversivas contra esse mundo doente de sãos e santos com sua religiosidade perfeita e morta, incapaz de acolher os loucos e hereges com os quais Cristo andou e se identificou.

Não foi a toa que Jesus foi chamado de herege (ou devo dizer blasfemo, que era o termo usado na época). Ele não andava, nem pensava, nem falava como a maioria. Muito pelo contrário, andava com os excluídos, dizia que não havia vindo para os sãos e ainda se identificou com os loucos deste mundo. Certamente isso causou grande impacto e por isso, sua vida, fez tanta diferença.

O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade não se deu por causa de seus milagres, pois Deus os poderia realizar como sempre os realizara desde o princípio. Afinal, os milagres mais extraordinários estão relatados no Antigo Testamento. Também não se deu por causa de seus discursos, pois muitos grandes oradores houve antes e depois de Cristo, sem que proporcionassem tamanha repercussão. O grande impacto da vida de Cristo sobre a humanidade se deu, exatamente, por ocasião da humanidade de Jesus, na sua identificação com o fraco, o pobre, o necessitado e pecador. Um líder com tal estilo de vida contrariava – e ainda hoje contraria – todos os anseios da religiosidade, sempre estática.

Grandes homens como Galileu Galilei, Copérnico, Colombo e Einstein foram chamados de loucos. Graças as suas loucuras os sãos podem desfrutar, até hoje, dos benefícios do avanço científico oriundo de suas descobertas. Não fossem eles loucos, anormais e desmedidos o mundo ainda estaria mergulhado na idade média, também chamada de idade das trevas. Mas a iluminação só foi possível porque esses loucos desafiaram o bom senso e todo conhecimento vigente, bem como as normas e a moral de seu tempo.

Grandes homens como Pedro Abelardo, Jerônimo Savonarola, Martinho Lutero, Zwingli, João Calvino, Marthin Luther King, Dom Elder Câmera, foram chamados de hereges por que contrariaram a religiosidade de seu tempo. Não temeram as represálias nem a morte por que pior lhes seria a morte da consciência. Sabiam que alguém lhes poderia matar o corpo, mas também sabiam que suas consciências estariam eternizadas nas sementes que deixariam em seus ensinamentos e seus testemunhos de vida.

Ademais, qual o problema em ser chamado de herege por aqueles que usam os púlpitos para angariar os votos que venderam em vergonhosos conchavos? Ou por aqueles que em nome do poder religioso mandam matar colegas de ministério? O que significa ser chamado de herege por aqueles que adotam uma teologia alienante que anula o fiel e lhe impõe um jugo pesado a fim de controlar cada um de seus passos? Qual o demérito em ser conotado como herege por aqueles se acham donos da verdade e não respeitam a multiformidade da Graça de Deus expressa na diversidade religiosa e cultural? Que vergonha há em ser chamado de louco por aqueles que usam máscaras de santarrão e títulos religiosos para esconder suas taras e vícios sexuais?

Brennan Manning, em ‘O Evangelho Maltrapilho’, afirma que “o espírito de Caifás é mantido vivo em todos os séculos nos burocratas religiosos que condenam sem hesitação gente boa que quebrou leis religiosas ruins. (…) O espírito embotador da hipocrisia vive nos clérigos que desejam ter uma boa imagem sem serem de fato bons.”

A religião se tornou patética, motivo de escárnio, tem sido ridicularizada nas novelas, programas de humor e rodas sociais. A razão disso não é perseguição, mas a própria realidade. A realidade do que a igreja se tornou. Seus líderes querem que o povo os aceite incondicionalmente e inquestionavelmente, enquanto eles mesmos são incapazes de olhar para si e perceber o quanto precisam mudar. Fecharam seu sistema e quem dele não faz parte é tido por louco e herege. Mas se ser são e santo é fazer parte dessa maioria, terrível coisa me seria seus elogios. Enquanto Deus me conceder sanidade mental, dessa trupe não quero parte.

Isso me lembra uma nobre frase de Darcy Ribeiro: “Na Verdade somei mais fracassos do que vitórias em minhas lutas. Mas isso não importa. Horrível seria estar do lado daqueles que venceram nessas batalhas”.

Sonho com uma igreja dinâmica, capaz de constatar e contestar os problemas sociais, ambientais, familiares, religiosos e não se omitir diante deles. Uma igreja que mesmo sendo minoria é capaz de denunciar o mal, lutar pelo bem e dar sua própria vida pela Vida sem temer o que vá pensar a maioria, sem nem mesmo temer a morte.

Precisamos de novos loucos e hereges que incendeiem o mundo com fogo do qual Cristo desejou estar queimando já em seu tempo: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder” (Lucas 12:49).

Publicitário mora em carro abandonado em SP


 


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Diego Padgurschi, Adriano Brito e Cristina Moreno de Castro, na Folha.com

“Se você visse como o lixo do brasileiro é rico…”, diz Ronaldo Dimas Lipparelli, 50, ao contar onde achou um exemplar do livro “O Médico e o Monstro”, clássico escrito no século 19 pelo escocês Robert Louis Stevenson.

Veja galeria de Ronaldo e sua van

A obra ajudou a mantê-lo acordado na madrugada da última sexta-feira, na van abandonada onde mora, no centro de São Paulo. Como teme a remoção do veículo pela prefeitura, ele pediu para que a rua onde a van está estacionada não fosse revelada.

As noites são perigosas, diz, mal consegue dormir. Usuários de crack vivem tentando invadir a carcaça da van, encontrada cerca de dois meses atrás durante uma chuva. Ele limpou, fez uma pintura e se instalou com objetos que encontrou pela rua. Entre eles, um relógio com a cara de Homer Simpson.

Drogas, fala que consumiu, mas há tempos. Álcool, bem pouco. E como foi parar na rua? “Fiz besteiras. Gastei dinheiro demais”, conta.

Ele diz que se formou publicitário pela ESPM. A escola não confirma. Lipparelli arrisca algumas palavras em inglês e italiano.

“Cheguei a ter dois carros e duas motos novos”, lembra. Em seguida, conta que ganhava por mês algo que corresponde a atuais R$ 18 mil.

Há oito meses, calcula, está desempregado. Antes disso, vivia com os pais, situação que ficou insustentável após a morte da mãe. “Ele [seu pai] comprava comida, comia na minha frente e me deixava com fome.”

Hoje, vive de pão doado por uma padaria. Água, consome de uma torneira encontrada na frente de uma escola.

Conta que tem três filhos. O mais novo, continua, é uma menina, que ele não vê desde que nasceu, há cerca de quatro meses.

“Preciso de um lugar para ficar e de um trabalho. Só uma coisa não adianta.”

Meio dormindo, meio acordado, ele termina de conversar com a reportagem e pega no sono novamente. Pelo jeito, vai ser outra noite tensa.

Ronaldo Dimas Liparelli, 50, publicitário, mora há dois meses em uma van abandonada em SP