Armas de fogo transformadas em instrumentos musicais que tocam sozinhos

Luciano Ribeiro, no Papo de Homem

Pedro Reyes é um artista plástico mexicano que costuma usar suas obras para chamar atenção a algum problema social.

“Eu acredito que o propósito da arte é vir com formas de transformar os instintos mais negativos em instintos criativos.” –Pedro Reyes

Dessa vez, ele decidiu combinar música, escultura e automação para falar do desarmamento no México. Ele transformou armas apreendidas de grupos criminosos – que seriam destruídas – em instrumentos musicais capazes de tocar sozinhos.

O resultado você pode conferir nesse mini-documentário feito para o The Creators Project (um canal que vale acompanhar, inclusive).

De 27 de março a 15 de maio de 2013, a obra esteve em exposição da Lisson Gallery – galeria de arte contemporânea de Londres.

Aqui você pode ver os instrumentos em ação:

“A tecnologia não é boa ou má, tudo depende do uso que você dá a ela. O trabalho espiritual aqui é como dizer: ‘eu estou pegando este pedaço de metal que representa nosso instinto de matar uns aos outros e estou transformando-o em um instrumento musical, que é a forma mais sofisticada de comunicação no planeta.’” –Pedro Reyes

ins1ins2ins3ins4ins5ins6ins7ins8ins9

Leia Mais

Príncipe brasileiro é fã de ‘Tropa de Elite’ e diz que país é conservador e ordeiro

“Os jovens brasileiros estão caindo na real”, diz o príncipe Dom Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach, sentado entre retratos dos ‘tatataravós’, Dom Pedro 1º e Dona Leopoldina (cujos nomes completos inviabilizariam esta reportagem).

Ilustração de Luciano Schmitz sobre foto de Fernando Pastorelli/Folhapress
Ilustração de Luciano Schmitz sobre foto de Fernando Pastorelli/Folhapress

Publicado na Folha de S. Paulo

O “cair na real” de Sua Alteza referia-se às manifestações que ganharam as ruas do país em junho. Também mirava o plebiscito recém-sugerido pela presidente Dilma Rousseff (e já derrubado no Congresso).

No último, em 1993, 13% dos brasileiros votaram na monarquia como regime político ideal. Perderam, mas não desistiram.

Na internet, o grupo do Movimento Monárquico de SP reúne 150 pessoas. A União dos Monarquistas do Brasil conta 45 membros. Já os Paulistas Monarquistas são só dois.

Eles seguem à risca o que dizem os monarcas. Em comunicado, o irmão mais velho de D. Bertrand, Dom Luiz de Orleans e Bragança (que viraria rei, se o Brasil voltasse à realeza), pediu para “monarquistas absterem-se de qualquer participação” nos protestos. A Casa Imperial queria seus súditos longe dos “atos de anarquismo”.

O técnico em informática Carlos Lombizani, 24, morador da Bela Vista (centro), não pôs os pés fora de casa.

“O Brasil vive quase um monopólio do pensamento esquerdista, que conflita diretamente com o nosso”, diz Lombizani que aderiu ao monarquismo após “muita pesquisa”. Na política recente, o monarquista admira o ex-deputado e eterno presidenciável do extinto Prona, Enéas Carneiro (1938-2007), “que tinha uma ideologia próxima à nossa”.

Outra inspiração: o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que “fala muito inteligentemente da ditadura militar, um período difamado”.

‘A ORDEM NATURAL DAS COISAS’

A residência de Sua Alteza Imperial e Real, título autoatribuído pela família, fica numa rua tranquila do Pacaembu (zona oeste).

Nem um palácio, tampouco uma casa modesta: na segunda-feira chuvosa em que a sãopaulo visitou o fidalgo, o porteiro eletrônico pifou. Seu mordomo demorou dois minutos: “Quer passar água nas mãos? Dom Bertrand já vai descer”.

O príncipe diz que “a ordem natural das coisas é monárquica, não republicana”. Ele é didático: “Veja as famílias: pai é sempre rei, mãe é rainha, e filhos são príncipes”.

Sua Alteza insiste. “Imagine que uma mulher abra uma loja de roupas infantis e pudesse escolher entre dois nomes: ‘A Princesinha’ ou a ‘Filha da Primeira-Dama’. Qual seria eleito?”

Aos 72 anos, pele e cabelo lisos, dentes perfeitos e memória fotográfica, Dom Bertrand sorri quando derruba clichês sobre a monarquia.

Mas não se faz de rogado ao reforçar outros. Para ele, o império foi o mais longo período de estabilidade.

“O sistema atual, em que os políticos prometem saúde, educação e passe livre, traz ao povo uma consequência psicológica de que o Estado tem que dar tudo. Mas quem tem que vencer na vida somos nós!”, diz.

Sua Alteza alerta que a democracia direta, ou “voz das ruas”, é um perigo. “Isso vai dar num regime chavista, bolivariano. O brasileiro não quer isso: ele quer manter suas origens cristãs, defender a propriedade privada e a livre iniciativa.”

O discurso faz lembrar o dos yuppies de Wall Street, não fosse a defesa do Estado católico, unindo política e religião.

Dom Bertrand faz parte da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade e dirige a campanha Paz no Campo, com slogans como “terra invadida é terra perdida”, “verde: a nova cor do comunismo” e “PEC do trabalho escravo = armadilha contra a propriedade”.

Em duas horas, o nobre descreveu exatas oito vezes os porquês de o povo brasileiro ser“conserrrvadorrr”“orrrdeirrro” e “crrristão”.

O sotaque é inusitado -ele nasceu na França, durante o exílio do pai, que se fixou na Europa após “o golpe” da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.

‘TROPA DE ELITE’

“Apreciador da boa cultura”, Dom Bertrand vibra com o filme “Tropa de Elite”. “Você viu? Todo mundo aplaudiu. A voz autêntica do povo brasileiro é favorável à polícia.”

O referendo do desarmamento, de 2005, reforçaria sua tese (64% dos eleitores decidiram que a venda de armas no Brasil não deveria ser proibida). “Queriam desarmar a população honesta e armar os bandidos, o que equivale a tirar as fechaduras de todas as casas. O povo disse não.”

O bisneto da princesa Isabel, que há 125 anos aboliu a escravidão, questiona o que se entende hoje por “condições análogas ao trabalho escravo”.

“Querem controlar os menores detalhes, até a grossura do colchão que o patrão dá para o empregado. No Nordeste, todo mundo dorme em rede. Chegam lá os fiscais e condenam o fazendeiro. Cadê a liberdade? Cada um dá a cama que bem entender.”

Também relativiza a limitação das jornadas de trabalho. “Veja o leiteiro, que tira o leite das vacas: não dá para fazer uma jornada exata, porque a vaca tem seu tempo natural.”

‘CAMPONESES’

Dom Bertrand, para quem “o agronegócio salvou o país da crise”, foi criado com seus 11 irmãos numa fazenda de 63 alqueires, sem energia elétrica, no norte do Paraná.

“No domingo, mamãe reunia os filhos de empregados na sede. Nós, meninos, ensinávamos catecismo. Havia harmonia. Era uma preocupação elevar culturalmente os empregados.”
Menos harmonia há entre os monarquistas contemporâneos.

O arquiteto Rafael Alves de Lima, 27, acha Dom Bertrand “muito conservador”. Ele afirma que “a maioria dos monarquistas espera a ascensão do 3º ou do 4º príncipe na linha de sucessão” (D. Bertrand é o segundo).

“Digo isso como católico praticante: defender um Estado não laico é um tiro no pé!”

Leia Mais

Música nova exige um ouvido novo

foto: Luciano Lopes / TV F5.com
foto: Luciano Lopes / TV F5.com

Leonardo Boff, no Facebook

Estou fora do pais, na Europa a trabalho e constato o grande interesse que todas as mídias aqui conferem às manifestações no Brasil.

Há bons especialistas na Alemanha e França que emitem juízos pertinentes. Todos concordam nisso, no caráter social das manifestações, longe dos interesses da política convencional. É o triunfo dos novos meios e congregação que são as mídias sociais.

O grupo da libertação e a Igreja da libertação sempre avivaram a memória antiga do ideal da democracia,presente, nas primeiras comunidades cristãs até o século segundo pelo menos. Repetia-se o refrão clássico:”o que interessa a todos, deve poder ser discutido e decidido por todos”. E isso funcionava até para a eleição dos bispos e do Papa. Depois se perdeu esse ideal, mas nunca foi totalmente esquecido.

O ideal democrático de ir além da democracia delegatícia ou representativa e chegar à democracia participativa, de baixo para cima, envolvendo o maior número possível de pessoas, sempre esteve presente no ideário dos movimentos sociais, das comunidades de base, dos Sem Terra e de outros. Mas nos faltavam os instrumentos para implementar efetivamente essa democracia universal, popular e participativa.

Eis que esse instrumento nos foi dado pelas várias mídias sociais. Elas são sociais, abertas a todos. Todos agora tem um meio de manifestar sua opinião, agregar pessoas que assumem a mesma causa e promover o poder das ruas e das praças. O sistema dominante ocupou todos os espaços. Só ficaram as ruas e as praças que por sua natureza são de todos e do povo. Agora surgiram a rua e a praça virtuais, criadas pelas mídias sociais.

O velho sonho democrático segundo o qual o que interessa a todos, todos tem direito de opinar e contribuir para alcançar um objetivo comum, pode em fim ganhar forma.

Tais redes sociais podem desbancar ditaduras como no Norte da África, enfrentar regimes repressivos como na Turquia e agora mostram no Brasil que são os veículos adequados de reivindicações sociais, sempre feitas e quase sempre postergadas ou negadas: transporte de qualidade, saúde, educação, segurança, saneamento básico. São causas que tem a ver com a vida comezinha, cotidiana e comum à maioria dos motais. Portando, coisas da Política em maiúsculo.

Nutro a convicção de que a partir de agora se poderá refundar o Brasil a partir de onde sempre deveria ter começado, a partir do povo mesmo que já encostou nos limites do Brasil feito para as elites. Estas costumavam fazer
políticas pobres para os pobres e ricas para os ricos. Essa lógica deve mudar daqui para frente. Ai dos políticos que não mantiverem uma relação orgânica com o povo. Estes merecem ser varridos da praça e das ruas.
Escreveu-me um amigo que elaborou uma das interpretações do Brasil mais originais e consistentes, o Brasil como grande feitoria e empresa do Capital
Mundial, Luiz Gonzaga de Souza Lima. Permito-me citá-lo:

“Acho que o povo esbarrou nos limites da formação social empresarial, nos limites da organização social para os negócios. Esbarrou nos limites da Empresa Brasil. E os ultrapassou. Quer ser sociedade, quer outras prioridades sociais, quer outra forma de ser Brasil, quer uma sociedade de humanos, coisa diversa da sociedade dos negócios. É a Refundação em movimento”.

Creio que este autor captou o sentido profundo e para muitos ainda escondido das atuais manifestações multitudinárias que estão ocorrendo no Brasil.

Anuncia-se um parto novo. Devemos fazer tudo para que não seja abortado por aqueles daqui e de lá de fora que querem recolonizar o Brasil e condená-lo a ser apenas um fornecedor de commodities para os países centrais que alimentam ainda uma visão colonial do mundo, cegos para os processos que nos conduzirão fatalmente à uma nova consciência planetária e a exigência de uma governança global.

Problemas globais exigem soluções globais. Soluções globais pressupõem estruturas globais de implementação e orientação. O Brasil pode ser um dos primeiros nos quais esse inédito viável pode começar a sua marcha de realização. Dai ser importante não permitirmos que o movimento seja desvirtuado.

Música nova exige um ouvido novo.

Todos são convocados a pensar este novo, dar-lhe sustentabilidade e fazê-lo frutificar num Brasil mais integrado, mais saudável, mais educado e melhor servido em suas necessidades básicas.

dica do Wanderlan Gomes

Leia Mais

(En)cantando no posto de gasolina

americam

título original: Programa dos EUA descobre casal alegre que contagia num posto de gasolina!

Otávio Monti, no Atlântida Floripa

O programa The Tonight Show with Jay Leno da rede NBC dos Estados Unidos apresentou um quadro daqueles tipo que o Luciano Hulk imita dos americanos.

O quadro consistia em um link do programa ao vivo com uma câmera em um posto de gasolina qualquer.

Quando o cidadão ia abastecer seu carro, Jack Rafferty chamava o motorista e pedia que ele cantasse alguma música que gostasse, dai veio a surpresa, esse cara cantava legal, mas o mais surpreendedor foi que sua esposa, totalmente envergonhada de início, também mandava muito bem.

Você acaba se contagiando pela alegria dos dois… Ótimo vídeo pra assistir no sabadão e ficar muito feliz.

dica do Moisés Lourenço

Leia Mais

Wagner Moura: um ator sem freio de mão

Sou da opinião de que o artista deve se abrir para a troca, principalmente em artes coletivas, caso do cinema e do teatro

05cul-700-mesa-d18-img01

Adriana Abujamra, no Valor Econômico

O ator Wagner Moura já combateu o crime na pele do Capitão Nascimento e enfrentou o fantasma do pai em “Hamlet”, mas acaba de ser nocauteado por uma gripe. Das brabas. É com os olhos lacrimejando que abre a porta do quarto do hotel onde está hospedado em São Paulo. Abaixa o volume da televisão e aumenta o da voz, um tanto rouca. “Melhor colocar uma camisa de botão”, diz, ao ver a fotógrafa, numa mistura sutil de sotaques baiano e carioca.

Moura está na cidade por causa de “A Busca”, filme de Luciano Moura, em que vive Theo, médico que cai na estrada em busca do filho adolescente que sumiu. Só neste ano, o ator, que aos 36 anos é um dos mais cobiçados do cinema nacional, poderá ser visto em mais três longas: “Praia do Futuro”, de Karim Aïnouz; “Serra Pelada”, de Heitor Dhalia; e “Elysium”, do sul-africano Neill Blomkamp. Bastante, não? Pois tem mais. Moura se prepara para protagonizar “Fellini Black and White”, de Henry Bromell, que será rodado nos Estados Unidos.

A porta que separa o dormitório da sala se abre e o ator volta com uma camisa marrom, quase do mesmo tom da cortina. O figurino bem mais formal que a camiseta do início é simpaticamente quebrado pelo detalhe dos pés, que dispensam os sapatos e descansam em meias. Já sentados à mesa, ele conta, entre acessos de tosse, que foi um adolescente “esquisito”. Seu apelido na escola era Ovni, andava sozinho e não se sentia parte da turma. Esse “cara meio estranho” já sabia que queria fazer teatro, mas vivia imerso em dúvidas, não sabia quem era, tampouco para onde ia.

Certo dia foi assistir a uma apresentação de “Zumbi dos Palmares” – encenada pelo Bando de Teatro Olodum – e seus olhos grudaram em um “um menino no palco, que ficava dançando lá no fundo”. “Ele tinha um axé, uma luz. Pirei nele.” Ao fim do espetáculo, Moura fez questão de ir até o camarim cumprimentar aquele talento. “Falei assim: ‘Ei, cara, quero ser seu amigo’.” O tal “cara” era o ator Lázaro Ramos.

Amizade selada, os conterrâneos passaram a se falar com frequência. Era comum Ramos consultá-lo antes de aceitar novos convites de trabalho. Moura tem apenas dois anos a mais que o amigo, o suficiente para botar pancas de irmão mais velho. “Lázaro brinca que sou de outra geração”, diz, com uma sonora risada que só não é mais comprida porque engolida pela tosse. Insistente. Como acalmar a danada? Levanta-se, vai até o frigobar e pega uma garrafa de água. Aproveitamos para pedir um “brunch” por telefone: pães, frutas, frios, suco de laranja, bolo e um item que não faz parte do pacote: chá de gengibre com mel e limão para ajudá-lo a enfrentar a gripe e dar conta da agenda lotada.

Enquanto gira a tampinha da garrafa de água, relembra os papéis inusitados que encarou no início de carreira. Já interpretou um “coração” – aparecia em cena metido numa roupa de espuma bem grande e fofa. Numa outra ocasião coube a ele o desafio de interpretar uma “brisa”. Compenetrado, Moura surgia no fundo da plateia, descia correndo a escadaria, enquanto chacoalhava fitas coloridas que trazia nas mãos. Seus fiéis amigos – Lázaro Ramos e Vladimir Brichta – batiam ponto na plateia e se acabavam de tanto rir. “Fui altamente sacaneado por Lázaro e Vlad. Eles iam assistir só pra isso.”

Moura em “Tropa de Elite”: treinamento no Bope não foi brincadeira
Moura em “Tropa de Elite”: treinamento no Bope não foi brincadeira

Sua estreia no cinema foi em “Sabor da Paixão”, coprodução Estados Unidos/Brasil estrelada por Penélope Cruz e Murilo Benício. Ramos atuou ao seu lado. Fizeram o teste juntos e em inglês, língua do longa e idioma do qual Ramos sabia lhufas. Nada que uma aula expressa – ali mesmo nos bastidores e ministrada por Moura – não desse conta. Uma semana depois, Ramos ligou. “Nós passamos no teste”, comunicou em pânico. “Que ótimo”, comemorou Moura. “Ótimo? Ótimo??? Eles mandaram o roteiro e tem fala pra cacete. Tudo em inglês”, desesperou-se o outro.

Ensaiaram exaustivamente até ter o texto na ponta da língua e foram se encontrar com Fina Torres, diretora do filme. Antes que eles pudessem mostrar como estavam afiados na língua do Tio Sam, Fina encasquetou que modificaria os diálogos. Como assim? Ramos arregalou os olhos em estado de choque. Correram para o banheiro e Moura pôde ajudar o amigo a decorar o novo texto em inglês. “Lázaro é f…, um ator genial. Até falando tudo errado ele é bom.”

Acatando ordens, chegavam pontualmente às 5 horas, passavam o dia metidos em figurinos aguardando para entrar em cena. Só tarde da noite descobriam que a espera tinha sido em vão. “Ninguém dava explicações.” A dupla era chamada aos berros por “Ralph and Max!” – nome de seus personagens. “Saí desse filme achando que não queria mais fazer cinema. As pessoas maltratavam muito a gente.”

Moura lembra-se de uma cena embaraçosa. Era hora da refeição e todas as mesas estavam ocupadas. Aos vira-latas “Ralph e Max” restava comer em pé, equilibrando pratos e cansaço. Já Penélope Cruz reinava sozinha em uma mesa, ninguém se atrevia a sentar ao seu lado. “Eu vou”, anunciou Lázaro Ramos todo prosa. “Não faça isso, não sente lá”, disse Moura, numa fala mansa. O amigo deu de ombros e anunciou todo confiante: “Penélope é nossa colega de trabalho”. Fazer o quê? A Wagner Moura restou assistir à cena de longe. Foi Ramos sentar-se para a estrela espanhola levantar-se na mesma hora. “Eu perturbei muito ele com essa história.”

Hoje Moura é tratado a pão de ló. Cadeira e mesa não faltam para o ator nos sets de filmagem, tampouco aqui no quarto. Já a comida que pedimos há algum tempo, neca. O assessor de Moura liga à recepção para checar o motivo da demora. Enquanto as guloseimas não vêm, Moura nos serve mais uma porção de prosa.

Logo o ator foi convidado para participar da peça “A Máquina”, dirigida por João Falcão. Assim que pôde, sugeriu o nome de Ramos para completar o elenco. O amigo recusou. “Falei: ‘Velho, puta coisa maneira de se fazer’. Ele chorava, dizia que estava comprometido com o Bando de Teatro Olodum. Eu dizia: ‘Pô, bicho, passei um mês convencendo o diretor a te chamar e agora você vai fazer essa desfeita?'” O amigo acabou por acatar seu conselho. (mais…)

Leia Mais