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Cadelinha de ‘lorde’ inglês vive em suíte exclusiva no Copacabana Palace

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Publicado na Folha de S. Paulo

Há nove meses ela tem um endereço que é para poucos: uma suíte de 70 metros quadrados no prédio anexo do Copacabana Palace.

Ali, a inglesa Lady Bella, 11, conquistou privilégios que nenhum outro hóspede do hotel tem direito.

Ela é a única a ser convidada para dormir, dia sim, dia não, na cama da diretora-geral do hotel, Andrea Natal. Sempre que está cansada, ganha colinho dos funcionários.

Lady Bella é uma cadelinha branca, da raça bichon frisé -muitas vezes confundida com poodles, mas, dizem os especialistas, mais inteligentes e comportados.

A diária de uma suíte nessa parte do hotel custa no mínimo R$ 1.500. Mais exclusivo que a ala em que ela se hospeda, só mesmo o prédio principal, de frente para o mar.

Lady Bella tem funcionários do Copacabana Palace à sua disposição 24 horas por dia, seja para levá-la para uma caminhada ou uma leve corridinha pela praia.

São eles também que lhe fazem companhia quando seu “pai”, o inglês Benjamin Bowen, 39, conhecido no hotel como lorde Bowen, está em uma de suas viagens.

Desde julho do ano passado, Bowen vive no “Copa”. O inglês decidiu passar um período sabático no Rio, longe de seus negócios, acompanhado apenas da “filha”.

Nos últimos meses, porém, precisou fazer algumas viagens. Atualmente, está há quase um mês fora do hotel.

Para minimizar o impacto de suas ausências, ele mantem a suíte para que Bella não sinta falta de uma casa. Conta com a equipe do “Copa” para cuidar da cadelinha.

PET, PRAIA E MIMOS

“Levamos ao pet shop para banho e cuidados uma vez por semana e ela volta linda, parece um pompom”, explica Andrea Natal, diretora-geral do Copacabana Palace.

As fotos para esta reportagem foram marcadas para as 10h, sem atrasos, porque às 11h, ela tinha consulta com seu veterinário carioca –levada, é claro, por funcionários.

Os dias dessa bichon frisé são passados nos escritórios do hotel, com alguns intervalos para passeios na praia. Apesar de ser moradora vip, Bella só pode circular pelas áreas comuns no colo de alguém, para evitar reclamações de hóspedes.

Há outras restrições. Por ordem do lorde, a Lady não pode aproveitar as delícias dos restaurantes do “Copa”, como o italiano Cipriani ou o asiático Mee. “Ela come ração seca pela manhã e úmida à noite”, explica Andrea.

A diretora-geral se afeiçoou tanto a ela que a leva, em dias alternados, para dormir em sua suíte. Nas noites em que fica em sua própria “casa”, Bella é acompanhada por um funcionário.

O hotel costuma receber hóspedes com seus bichinhos, mas é a primeira vez que um deles fica sozinho.

“O problema é que ela está ficando muito mimada. Com lorde Bowen ela se comporta como uma lady, mas está sendo tão paparicada a que agora até late se alguém demora para atender seus desejos”, afirma Andréa.

Hotel de luxo simula favela para turistas “experimentarem” a pobreza

hotel-luxo-favelaPublicado no Pragmatismo Político

O Emoya Luxury Hotel and Spa, na África do Sul, tem uma atração especial para os seus hóspedes: a Shanty Town. Trata-se da reprodução de uma favela feita no resort de luxo para acomodar clientes “mais extravagantes”.

Com diária de R$ 192 (barraco para quatro pessoas), o cliente pode ter a experiência “autêntica” de viver em uma favela. O barraco é feito com os mesmos materiais das moradias originais da região.

Mas, ao contrário de um barraco tradicional – sem energia elétrica e aquecimento -, cada unidade da favela do resort tem sistema de aquecimento sob o chão e acesso à internet.

A favela de luxo recebe até 52 pessoas.

hotel-luxo-favela1dica do Vinícius Silva Mesquita

Marca de luxo é ligada a trabalho degradante

Claudia Rolli, na Folha de S.Paulo

lelisblanc_grande Uma fiscalização, realizada em junho em São Paulo, encontrou 28 bolivianos em condições de trabalho análogas à escravidão em três oficinas que confeccionavam roupas das grifes Le Lis Blanc e Bo.Bô (Bourgeois e Bohême).

As marcas pertencem à Restoque, grupo com 212 lojas no país e que encerrou o primeiro trimestre com receita líquida de R$ 195 milhões.

À Folha a empresa informou que não tem relação com as oficinas fiscalizadas.

Após blitz feita em 18 de junho em oficinas de costura clandestinas por força-tarefa do Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Receita Federal, a grife foi autuada e pagou R$ 600 mil de indenização aos estrangeiros, a maior parte em situação irregular no país.

Cada trabalhador recebeu, em média, R$ 21 mil.

A empresa também recebeu 24 autos de infração pelas irregularidades cometidas. Os valores das autuações ainda estão sendo calculados, mas apenas uma das multas (por práticas discriminatórias por origem ou raça) deve chegar a R$ 250 mil.

Trabalho análogo à escravidão é a submissão a condições degradantes, como jornada exaustiva (acima de 12 horas), servidão por dívida e com riscos no ambiente de trabalho.

PRODUÇÃO EXCLUSIVA

Nove de cada dez peças fabricadas pelos 28 trabalhadores resgatados (18 homens e 10 mulheres) eram encomendadas pela Le Lis Blanc por meio de dois fornecedores intermediários: as confecções Pantolex e Recoleta (veja quadro na página 2).

As confecções intermediárias encomendavam as peças às oficinas e depois as entregavam prontas para a grife.

“Ficou evidente a dependência da empresa com o sistema de produção das oficinas e a responsabilidade do grupo”, diz o auditor fiscal Luís Alexandre Faria.

Sem carteira assinada, os costureiros faziam jornada de 12 a 14 horas em três oficinas na zona norte de São Paulo.

Eles trabalhavam e moravam nesses estabelecimentos considerados pelos fiscais em condições precárias de segurança e de higiene. Os cômodos eram separados por tapumes, e os banheiros, coletivos.

Alguns deles relataram que tinham de pedir permissão para deixar o local, apesar de terem a chave do portão e não ficarem trancados.

Cadernos de contabilidade mostram indícios de descontos de dívidas contraídas com os gerentes das oficinas para pagar o valor das passagens de vinda da Bolívia.

“Pegamos vales para pagar nossas contas e depois descontam nas faturas”, diz M., 37, que trabalha como costureiro há um ano. O salário é de R$ 800 a R$ 900, após o desconto até do wi-fi.

O gerente de uma das oficinas, H., diz que recebeu dos fornecedores de R$ 12 a R$ 15 por calça ou blazer costurado dependendo do grau de dificuldade, mas admite que apenas parte desse valor parte é repassada ao costureiros.

“Do valor de cada peça é tirado um terço para quem costura, um terço para o lucro e um terço para despesas de aluguel, água e comida.”

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Na Itália, igrejas dessacralizadas viram hotel, enoteca, centro esportivo e até oficina mecânica

Adriana Marmo, na VEJA Luxo [via Ricardo Setti]

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DEPÓSITO — A Igreja de São Pedro e São Paulo, construída em 1726 para os fiéis que viviam e trabalhavam na granja Montarolo, em Vercelli, a 85 quilômetros de Turim, foi dessacralizada nos anos 1970 e hoje funciona como depósito de uma propriedade particular

JÁ FUI SANTA

O fotógrafo Andrea Di Martino peregrina pela Itália em busca de igrejas dessacralizadas e ressuscitadas em forma de teatro, hotel, museu e até oficina mecânica

Em frente ao altar está uma mesa de pingue-pongue e, no lugar dos bancos dos fiéis, cadeiras de plástico típicas de bares de periferia. Os nichos antes ocupados por Nossa Senhora e Santa Luzia servem de apoio para troféus do Polisportiva Libertas, de Montescaglioso, uma cidade de 10.000 habitantes no sul da Itália.

A sede do time de futebol da terceira divisão fica no centro – na Igreja de Santa Luzia, construída na primeira metade do século XVII, que deixou de ser sagrada em 1971 para abrigar o clube. Ninguém contabiliza, mas como esta existe outra centena de locais de culto católico na Itália cuja função foi modificada.

Vendidas por preços na casa de 1 milhão de euros – dependendo do estado de conservação -, as igrejas se transformaram em lojas de decoração e hotéis. Outras ganharam destino desconcertante, caso da oficina mecânica da Lombardia.

Foram essas mudanças que inspiraram o fotógrafo Andrea Di Martino, de Milão, a peregrinar pela Itália nos últimos quatro anos. Batizada de The Mass Is Ended (A Missa Acabou), a série das igrejas dessacralizadas deve terminar no fim do primeiro semestre e virar um livro em 2014. “Moradores apaixonados por história me ajudaram a levantar o passado dos lugares”, diz.

Martino sabe que as imagens podem gerar conclusões sobre o declínio da fé católica. Ele está, no entanto, interessado na arquitetura. O mercado imobiliário, idem: com projetos interessantes, boa localização e um pé-direito bem alto, essas igrejas são ótimo negócio. O destino de um lugar, afinal, não dura para sempre. Nem mesmo o daqueles que nos preparam para a vida eterna.

OFICINA MECÂNICA

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Oficina A. Corti

O aroma de incenso que impregnou as paredes da Igreja de Nossa Senhora das Neves, em Portichetto di Luisago, na Lombardia, até 1959, quando deixou de ser sagrada, deu lugar ao cheiro de óleo do motor.

Em vez de orações, no local consertam-se carros desde 1966. Há quem diga que os funcionários fazem sempre o sinal da cruz antes de entrar no trabalho.

Oficina A. Corti: Via Risorgimento, 35, Portichetto di Luisago, 39 (31) 927-193

HOTEL

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Locanda di San Martino

Cravada bem no centro de Matera, a principal cidade da Basilicata, cenário de A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, a subterrânea ex-Igreja de São Martinho oferece uma experiência privilegiada das cavernas da cidade. Funcionando como hotel desde 2003, tem também um spa. O quarto da foto é o de número 8, chamado de La Chiesa.

Locanda di San Martino Hotel e Thermae: Via Fiorentini, 71, Matera, 39 (83) 525-6600, locandadisanmartino.it. Diárias de 90 a 200 euros, de acordo com a época do ano

MUSEU

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Museu Virtual da Faculdade de Medicina de Salerno

A Igreja de São Gregório foi construída por volta do ano 1000. Não se sabe a data exata da dessacralização, mas desde 1993 funciona ali a sede do Museu Virtual da Faculdade de Medicina de Salerno, no sul da Itália. Aberto aos turistas, conta a história da instituição.

Museu da Faculdade de Medicina. Via dei Mercanti, 74, Salerno, 39 (89) 257-6126. Horários: terça e quarta, 9h às 13h; quinta e sexta, 9h às 13h e 18h às 21h; sábado a partir das 10h; domingo, 18h às 21h. Ingresso: 3 euros

CENTRO ESPORTIVO

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Centro Esportivo Libertas

Situada na rua principal de Montescaglioso, a antiga Igreja de Santa Luzia é, desde 1971, a sede social do clube esportivo Polisportiva Libertas Montescaglioso, que inclui o time de futebol – atualmente no campeonato regional de Matera, quase futebol amador.

Centro Esportivo Libertas. Via Tortorella, 3, Montescaglioso, 39 (83) 533-0027

ENOTECA

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Enoteca Regional do Barbaresco

A Igreja de São Donato foi construída em 1833 pelos habitantes de Barbaresco, em forma de agradecimento às fartas colheitas de uvas que brotavam das colinas ao redor da cidade, cujo nome também batiza o vinhotinto produzido na região, dono do selo D.O.C.G. Curiosamente, abriga, desde 1986, a sede da Enoteca Regional do Barbaresco, que divulga o rótulo.

Enoteca Regional do Barbaresco. Piazza del Municipio, 7, Barbaresco, 39 (17) 363-5251

SHOWROOM DE DECORAÇÃO

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Visionnaire

Erguida no século XI, em Bolonha, a Igreja de São Cosme e Damião da Ponte de Ferro passou por uma reforma em 1580 e outra em 1776, mas foi fechada ao culto em 1830. Desde 2007 é o endereço do showroom de uma marca de decoração, a Visionnaire.

Visionnaire. Via Luigi Carlo Farini, 13, Bolonha, 39 (51) 656-9198

O ex-comunista

São os pobres que fazem a roda do capital girar. Onde há pobreza há desejo. Onde há desejo há consumo.

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Publicado por Zeca Baleiro

– O mundo precisa dos pobres. Demorei a entender isso, mas agora sei: o mundo sem pobres é inconcebível. Aquela frase dita assim, de chofre, no meio de uma conversa informal, me chocou, confesso.
– Por muito tempo algumas pessoas lutaram pelo fim da pobreza. Eu próprio fui um deles. Mas agora entendo que a pobreza é necessária ao equilíbrio do planeta – ele continuou.
– Equilíbrio? Como assim?
– Imagine um mundo só de ricos… Um mundo em que ninguém precise de nada, que seja autossuficiente e abastado…
– Hmmm…
– Viu? Você nem consegue imaginar, porque é mesmo impossível. São esses pobres que sustentam o capitalismo, não os ricos. São os pobres que fazem a roda do capital girar. Onde há pobreza há desejo. Onde há desejo há consumo. Se as pessoas consomem, a rede da economia gira, entende?

Eu permanecia mudo. Embora reconhecesse que havia algo de tecnicamente correto naquele raciocínio, sua fala me soava demasiadamente cínica. Prosseguiu em sua teoria.
– Quem são os maiores vendedores de discos?
– Os artistas populares, imagino – falei.
– Pois é, artistas populares, aqueles que são ouvidos pelos pobres, certo?
– Acho que sim.
– Quais as lojas com maior receita? As lojas que vendem artigos populares, certo?
– Acho que sim também, não sei…
– Eu sei, vai por mim. Melhor ter um boteco em Pirituba do que uma loja de chapéus de grife no shopping Iguatemi. O custo/benefício é mais vantajoso.
– Nunca parei pra pensar nisso.
– Rico não consome porque tem um desejo genuíno ou uma necessidade vital. Rico consome pelo glamour, porque quer ser visto com o barco, o carro novo, a casa projetada pelo arquiteto hype… Pobre não. Pobre faz seu “puxadinho”, ergue sua laje e fica feliz da vida, porque ainda que se orgulhe em mostrar pro vizinho, não o fez só por isso. Fez porque tinha a real necessidade daquilo. E quem precisa fazer faz. Quem precisa comprar compra.
– Mas o capital está nas mãos dos ricos.
– Sim, mas foi ganho à custa de pobres, não de outros ricos.
– Sim, mas há serviços que pobres não consomem, apenas ricos.
– Sim, há. Mas nenhuma fortuna é erguida sem a participação dos pobres.
– Como assim?
– Tá vendo aquele condomínio de luxo? Imagina quantos pobres trabalharam para erguê-lo? E quantos outros agora trabalham para mantê-lo funcionando?
– Não sei.
– Muitos, acredite. Tá vendo aquele shopping acolá? Entre e faça uma enquete. Aposto que há mais pobres ­circulando por lá do que ricos.
– Mas…
– Acredite no que tô falando. Dinheiro para o rico é esporte. Para o pobre é paixão.