Os negócios dos Crivella

Candidato ao governo do Rio de Janeiro, o senador e ex-ministro Marcelo Crivella (PRB) usou o cargo para ajudar sócios de empresa do filho

O senador Marcelo Crivella (à esq.), pouco antes de embarcar com a família e o sócio do filho (ao lado dele), Jon Phelps (Reprodução/VEJA)
O senador Marcelo Crivella (à esq.), pouco antes de embarcar com a família e o sócio do filho (ao lado dele), Jon Phelps (Reprodução/VEJA)

Malu Gaspar e Thiago Prado, na Veja on-line

A campanha do senador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella para o governo do Rio de Janeiro retrata um homem simples, de vida franciscana, que doa tudo o que recebe com as vendas de seus discos e livros para um projeto social na Bahia. O próprio senador declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio relativamente modesto para um campeão de vendas de discos gospel – 739.000 reais.

Longe da propaganda eleitoral, no entanto, a vida de Crivella e de sua família não é tão trivial assim. Donos de dois imóveis na Flórida, nos Estados Unidos, e adeptos de confortos como jatos executivos e carros importados, os Crivella são homens de negócios. Desde o ano passado, dedicam-se a turbinar uma rede de escolas adquirida por um grupo americano e presidida pelo filho do senador, Marcelo Hodge Crivella, de 29 anos.

A rede comandada pelo jovem filho do senador é a Seven, que apregoa ter 10.000 alunos. Não é pequena, mas alimenta planos de se tornar ainda maior, multiplicando o número de filiais e espalhando-se pela América Latina. Para concretizar tal plano, os americanos já enviaram ao Brasil, por meio de uma offshore sediada em Luxemburgo, 64 milhões de reais. Crivella, o pai, aposta alto na empreitada. E não vê problema nem mesmo em se utilizar de suas prerrogativas como parlamentar e ministro da Pesca – cargo que ocupou de 2012 a 2014 – para impulsioná-la.

Na manhã de 10 de outubro de 2013, cinco executivos da empresa que comprou a Seven – a Full Sail, uma rede de ensino de computação e games sediada na Flórida – foram retidos no aeroporto de Manaus em sua primeira escala no Brasil, rumo ao Rio de Janeiro, onde fariam reuniões de trabalho. O motivo: dos cinco passageiros do jato Legacy prefixo N53NA, apenas quatro tinham visto de negócios. O quinto, Deepak A. Kumar, vice-presidente da Seven, tinha autorização para fazer turismo, mas o comandante do jato declarara que estavam todos ali a trabalho.

Com o impasse instalado, os americanos se comunicaram com os Crivella – e o ministro imediatamente começou a trabalhar para liberá-los. Coube ao secretário-executivo do ministério, Átila Maia, enviar um ofício ao subsecretário-geral das comunidades brasileiras no exterior, embaixador Sérgio Danese, pedindo urgência na solução do imbróglio. “A pedido do ministro Marcelo Crivella, amigo do empresário norte-americano que mantém investimentos na área de educação no Brasil (…), muito agradeceria a Vossa Excelência a gentileza de instruir a divisão competente a emitir, com urgência, autorização para a liberação dos cinco passageiros”, explicava a carta. “Conforme informação da Chefia da Polícia Federal em Brasília, o assunto já foi esclarecido.” No mesmo dia, todos foram liberados.

Não foi a primeira vez que Crivella fez um pedido do gênero aos serviços diplomáticos. Naquele mesmo dia, enquanto tentava liberar a entrada dos parceiros comerciais do filho no Brasil, seus antigos funcionários no Senado solicitavam ao Ministério das Relações Exteriores a emissão de dois vistos de entrada para designers americanos que a Seven estava trazendo para participar de um evento no país. Nesse caso, a interferência do ministro era necessária por causa dos prazos. Segundo e-mail enviado pelo gabinete do senador Eduardo Lopes, suplente de Crivella, ao Itamaraty, os designers tinham de desembarcar no Brasil impreterivelmente até o dia 23 de outubro – em 13 dias, portanto. Pedido feito, pedido atendido.

A história da associação entre o filho de Marcelo Crivella e os americanos é nebulosa. Formado em psicologia, Marcelinho trabalhava na área de licenciamento de marcas da Record, emissora controlada pelo bispo Edir Macedo, manda-chuva da Universal e tio de Crivella-pai, até ingressar na Seven, em junho de 2011. Seu dono era então o empresário Leandro Moreira, evangélico como Crivella. No mês seguinte, os americanos da Full Sail se aproximaram de Moreira com uma oferta de compra.

A negociação se desenrolou de setembro de 2011 a novembro de 2012, quando foi fechada a venda de 80% da empresa por cerca de 100 milhões de reais. Feito o negócio, a Seven passou a ser controlada pela Artemis Distribution Lux, S.A, empresa que é a ponta final de uma cadeia de offshores. Criada em junho de 2012 em Luxemburgo, ela tem como principal acionista a Artemis Distribution Partners Canada – que por sua vez, é da Artemis Distribution LLC, de Delaware, paraíso fiscal em território americano. Nos documentos da associação, todas essas empresas aparecem ligadas a Jon Phelps, dono e fundador da Full Sail.

O negócio previa que Moreira mantivesse 20% da Seven e continuasse à frente da operação. Mas, assim que assinou contrato, ele foi excluído da sociedade, proibido de entrar nas escolas – e até hoje, não teria recebido nenhum centavo, embora a Artemis já tenha injetado na Seven 64 milhões de reais, conforme mostram atas públicas da rede de escolas. Hoje, o empresário move um processo contra os americanos – Crivella-filho, apesar de presidente, não é sócio da empresa – na Justiça do Rio. Na ação há e-mails, fotos e documentos que contam a história da tumultuada sociedade e revelam a proximidade forjada entre os americanos e Crivella-filho ao longo da negociação de aquisição.

Outro conjunto de documentos, a que VEJA teve acesso, mostra ainda que, entre 2012 e 2013, as famílias Crivella e Phelps fizeram várias viagens e passeios nos Estados Unidos – especialmente pela Flórida, onde a mulher do senador, Sylvia Jane, tem dois imóveis. Numa dessas viagens, em janeiro de 2012, posaram todos para fotos em frente ao DC-3 mantido pelo dono da Full Sail – um avião que é o xodó de Phelps e figura no logotipo do grupo. Marcelinho, por sua vez, postava no Instagram fotos da viagem – como a que aparece em frente a um Camaro amarelo e entrando num jato executivo.

Entre um passeio e outro, os sócios da Seven aproveitavam o cacife do pai de Marcelinho para promover o próprio negócio. Entre março e abril, o filho de Crivella esteve no gabinete do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, para pedir patrocínio a um evento da Seven, a conferência de games CG Extreme. Saiu de lá com patrocínio de 120.000 reais e apoio da prefeitura para o evento. “Com o amigo prefeito do Rio hoje falando sobre grandes novidades para nossa cidade esse mês. Prefeito confirmou sua presença. E você, tá esperando o que?”, escreveu Marcelinho na legenda da foto com Paes que publicou no Instagram. Em outra ocasião, em junho de 2013, Phelps chegou até a pedir ajuda ao filho do senador para tentar marcar uma visita da presidente Dilma Rousseff à Full Sail em sua próxima viagem oficial aos Estados Unidos. A visita nunca aconteceu, mas a parceria entre eles deu frutos, e a Seven se engajou na pré-campanha de Crivella ao governo do Rio.

Num e-mail enviado a funcionários da Seven em 31 de julho do ano passado, Crivella-filho distribuiu tarefas e deu instruções sobre como montar a página do senador-candidato na internet. “Explorar imagens de que Crivella é um homem de família – casado há mais de 25 anos com Jane. Vamos trabalhar para passar o Garotinho logo!!”, diz um trecho da mensagem. Procurado por VEJA, Marcelinho afirmou que os funcionários da Seven que hoje trabalham na campanha já se desligaram da empresa. Crivella-pai, por sua vez, nega qualquer relação entre a campanha e a empresa do filho.

Embora a família Crivella tenha dois imóveis nos Estados Unidos, nenhum deles está registrado no nome do senador. O primeiro é um apartamento de 194 metros quadrados na região sul de Orlando, comprado pela mulher de Crivella, Sylvia Jane, em abril de 2011, e avaliado em 250.000 dólares pelos sites locais de busca de imóveis. O segundo é uma casa num condomínio do outro lado da cidade, também com valor estimado em cerca de 250.000 dólares. Crivella informa que o primeiro imóvel foi comprado por sua mulher com recursos próprios, já que Sylvia é escritora e tem uma loja de iogurtes. A casa, segundo ele, foi adquirida no ano passado pela filha, Débora – que mora na Flórida e trabalha na Full Sail, a dona da Seven no Brasil.

O senador diz ter ajudado na compra, contraindo um empréstimo junto ao Banco do Brasil – do qual, contudo, não revela o valor. Embora Crivella afirme que a operação está registrada em sua declaração de Imposto de Renda, ela não consta da declaração enviada ao TSE. Advogados ouvidos por VEJA afirmam que ele teria de ter declarado o empréstimo ao tribunal.

Marcelo Hodge Crivella, filho do senador (Reprodução/Instagram)
Marcelo Hodge Crivella, filho do senador (Reprodução/Instagram)

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A cabeça dos candidatos, nos pés

Dilma Rousseff, como se sabe, foi flagrada no encontro com o GLOBO usando sapatinhos da grife francesa Louis Vuitton, de couro de vitelo, com salto quadrado e baixo, aliando luxo discreto e conforto. Já Aécio desfila pela campanha com um modelo confortável da grife italiana Salvatore Ferragamo nos pés. Aliás, a título de curiosidade, o criador da grife italiana estudou anatomia, engenharia química e matemática na Universidade de Los Angeles. Queria fazer sapatos que “se ajustassem perfeitamente aos pés”. E o candidato do PSDB aprovou. Já Marina Silva não quer saber de grifes internacionais. Ela prefere os sapatos tipo boneca por causa de dores na coluna. Mas, quando precisa ser mais formal, veste scarpins. A candidata à presidência usa modelos da Beira Rio, que tem fábrica no Rio Grande do Sul criada em 1975 e onze show rooms espalhados pelo país. Marina também usa os modelos da Renner, a rede gaúcha fundada em 1912.
Dilma Rousseff, como se sabe, foi flagrada no encontro com o GLOBO usando sapatinhos da grife francesa Louis Vuitton, de couro de vitelo, com salto quadrado e baixo, aliando luxo discreto e conforto. Já Aécio desfila pela campanha com um modelo confortável da grife italiana Salvatore Ferragamo nos pés. Aliás, a título de curiosidade, o criador da grife italiana estudou anatomia, engenharia química e matemática na Universidade de Los Angeles. Queria fazer sapatos que “se ajustassem perfeitamente aos pés”. E o candidato do PSDB aprovou.
Já Marina Silva não quer saber de grifes internacionais. Ela prefere os sapatos tipo boneca por causa de dores na coluna. Mas, quando precisa ser mais formal, veste scarpins. A candidata à presidência usa modelos da Beira Rio, que tem fábrica no Rio Grande do Sul criada em 1975 e onze show rooms espalhados pelo país. Marina também usa os modelos da Renner, a rede gaúcha fundada em 1912.                         (Ana Cláudia Guimarães, em O Globo).

Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo

Ora, direis, olhar sapatos. Parece uma trivialidade, mas é uma aula de economia e de costumes. Dilma Rousseff calça a marca francesa Louis Vuitton, e Aécio Neves, a italiana Ferragamo. Essa característica dos dois candidatos foi percebida pela repórter Ana Cláudia Guimarães. Se fizessem isso nos Estados Unidos, estariam fritos. Há tempo, o candidato democrata George McGovern comeu o pão que Asmodeu amassou porque visitou uma fábrica de sapatos calçando mocassins italianos.

O governo da doutora sobretaxa os sapatos chineses baratinhos e, com isso, encarece os produtos comprados pelo andar de baixo. Tudo bem, pois o Brasil já foi um dos maiores fabricantes de calçados do mundo e perdeu a posição. É compreensível que o setor receba algum tipo de proteção. Contudo fica difícil entender que um emergente não possa comprar sapatos chineses por R$ 50 e a presidente da República faça campanha calçando Vuitton (R$ 1.200 para um modelo simples).

No último ano, a indústria calçadista brasileira perdeu pelo menos 20 mil postos de trabalho. Há 20 anos, empregava 500 mil pessoas e, agora, ocupa 300 mil. O mercado interno encolheu e, em agosto, as exportações brasileiras de calçados caíram 3% em relação a 2013.

A doutora também poderia dispensar o xale Vuitton que usou na visita do papa e repetiu numa assembleia da ONU. Quando por nada, para evitar o único ponto que tem em comum com os hábitos de Fernando Collor. Ele viajava com um lote de malas dessa grife. O andar de cima nacional tem um fraco por etiquetas estrangeiras. Quase sempre, esse tique destina-se a sinalizar uma exorbitância de poder aquisitivo. Quem não se lembra da senhora Sérgio Cabral numa rua de Paris mostrando a sola vermelha de seus Louboutin (R$ 2.500 o par)? Enquanto essa preferência vem de cidadãos comuns, ninguém tem nada a ver com isso, mas, quando presidentes e candidatos vão a eventos públicos com semelhantes adereços, ensinam algo.

Os sapatos Ferragamo de Aécio Neves estão na mesma faixa de preço dos Vuitton de Dilma, e sua grife estabeleceu-se a partir da qualidade e do conforto de seus produtos. No dois casos, pode-se argumentar que esses sapatos seriam mais confortáveis, pois usam couros finos. Vá lá, mas se o negócio é conforto nos pés, o problema já foi resolvido pela rainha Elizabeth. Antes de calçá-los, ela os manda para que senhoras os usem, amaciando-os.

Aécio e Dilma contrapuseram-se a Marina Silva. Ela usa sapatos das marcas Beira Rio e Renner (R$ 100 pelo par). Logo da Renner, uma marca fundada no início do século 20 por um neto de alemães. Ela teve uma linha de produção de louças e o general Ernesto Geisel usava um jogo de pratos Renner em casa, com as suas iniciais. Ganhara-os de um membro da família que fora seu companheiro de infância em Bento Gonçalves (RS). Quando ia deixar o governo, um grupo de grã-finos quis presenteá-lo com um serviço de porcelana que pertencera ao magnata Eduardo Guinle. Chiquésimo. Mandou-os passear e divertia-se mostrando a louça banal mandada pelo amigo.

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Garotinha de apenas 2 anos faz sucesso no Instagram ao mostrar sua vida luxuosa

ABRE19

publicado na Veja São Paulo

Suri Cruise? Rafa Justus? Que nada! A musa suprema do Instagram é a garotinha Pixie Curtis, de apenas 2 anos. De cabelos ruivos e uma carinha que dá vontade de apertar, a menina, que é filha da relações publicas Roxy Jacenko e do banqueiro Oliver Curtis, adora postar fotos de suas viagens exóticas, de seus jatos particulares e de suas roupas sob medida.

O estilo de vida luxuoso rendeu a pequena Pixie mais de 60 mil seguidores no Instagram — todos, óbvio, interessados em suas extravagâncias e no seu estilo de vida chique. “Para uma criança de dois anos, tudo é emocionante. Tudo é uma nova experiência. E esse é o meu objetivo: dar-lhe o máximo de conhecimento que puder”, disse a mamãe ao jornal Mirror.

Ainda de acordo com a publicação inglesa, a menina ainda tem sua própria linha de tiaras. Todo o dinheiro arrecadado com as vendas são enviados para um fundo de investimentos que ela poderá ter acesso quando alcançar a maioridade. Confira 15 momentos de fofura (e luxo) do Instagram de Pixie:

 

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Família suspeita de fraude com milhas no RJ responderá em liberdade

Movimentação foi de quase R$ 40 milhões, segundo a polícia.
Técnico em eletrônica comandaria esquema com 11 pessoas.

advenPublicado no G1

Uma família de Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio, é suspeita de movimentar R$ 39 milhões em transações ilegais com cartões de crédito e milhas. Segundo a polícia, os parentes usavam o dinheiro pra levar uma vida de luxo: com carros, compras e viagens pelo mundo todo. A reportagem foi exibida pelo Fantástico neste domingo (3).

Segundo o delegado Flávio Porto, os suspeitos podem responder em liberdade por formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. Procurados pela reportagem do Bom Dia Rio, os suspeitos não quiseram gravar entrevista.

O retrato de uma família feliz. Em Hollywood. Nos mais belos cartões postais dos Estados Unidos, da Europa, da América do Sul e até da China. Foram muitos os passeios e aventuras. Nos últimos anos, essa família brasileira realizou o sonho de conhecer o mundo. Mas a polícia suspeita que todas essas viagens foram realizadas graças a um golpe.

Uma armação cheia de criatividade digna de cinema, cujo roteiro começa nessa rua pacata de Padre Miguel, na Zona Oeste. Na manhã da última quinta-feira, as forças especiais da polícia bateram à porta. O técnico em eletrônica Bruno Will, de 27  anos, suspeito de comandar o esquema, e a mulher Evellin, foram surpreendidos ainda de pijama.

Na casa em frente, Jeverson e Ester, os pais de Bruno, foram acordados  por homens de fuzil na mão. Mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça foram cumpridos ali, e também em casas da família em Bangu, São Gonçalo e Niterói. Dezenas de cartões de crédito, extratos, passagens aéreas, reservas, boletos bancários, relatórios financeiros e computadores foram apreendidos.

O dinheiro movimentado por Will e outras 10 pessoas da família chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda. O gasto com carros, casas, patrimônio e viagens, segundo a polícia, é uma fortuna incompatível com a renda declarada por eles. Bruno, por exemplo, tem renda de R$ 1,7 mil.

O esquema
De acordo com o delegado chefe do Núcleo de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro, o esquema funcionava a base do acúmulo de milhas, utilizando de boletos bancários falsos.

Com o propósito de ganhar milhas, cartões de crédito eram usados em sequência para pagar contas e faturas de outros cartões. O valor de algumas faturas era altíssimo. Só uma delas custava R$ 32 mil. Bruno, a mulher e os pais dele, tiveram dezenas de cartões de crédito válidos apreendidos. Um cartão cobria a despesa de outro cartão e assim sucessivamente, o que não é crime. O problema é que o grupo decidiu cometer uma fraude e fabricar boletos falsos para acelerar o ganho de milhas. Bruno e a mulher emitiam boletos no nome deles. E eram pagos por eles mesmos.

Segundo a polícia, não havia qualquer produto ou serviço vinculados aos pagamentos. Os investigadores descobriram que as milhas acumuladas eram vendidas para uma agência de viagem em Minas Gerais, que depositou milhares de reais em contas da família. Outras teriam sido trocadas por passagens aéreas.

As empresas aéreas e cartões de crédito proíbem em contrato a venda de milhas. Mas na internet há dezenas de sites e empresas que compram as milhas por valores que variam de acordo com a demanda.

A Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias e das milhas dos 11 investigados. O delegado diz que a quebra do sigilo bancário deve mostrar quanto dinheiro foi obtido de forma ilegal. A polícia aguarda o resultado de perícia para saber como foram usados os milhões de reais que circularam nas contas do grupo. E espera entender por que uma família de classe média, religiosa, aparentemente e unida e feliz, atravessou a fronteira da criatividade para fazer uma viagem bem mais cara ao mundo do crime.

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Cadelinha de ‘lorde’ inglês vive em suíte exclusiva no Copacabana Palace

cadela-luxo

Publicado na Folha de S. Paulo

Há nove meses ela tem um endereço que é para poucos: uma suíte de 70 metros quadrados no prédio anexo do Copacabana Palace.

Ali, a inglesa Lady Bella, 11, conquistou privilégios que nenhum outro hóspede do hotel tem direito.

Ela é a única a ser convidada para dormir, dia sim, dia não, na cama da diretora-geral do hotel, Andrea Natal. Sempre que está cansada, ganha colinho dos funcionários.

Lady Bella é uma cadelinha branca, da raça bichon frisé -muitas vezes confundida com poodles, mas, dizem os especialistas, mais inteligentes e comportados.

A diária de uma suíte nessa parte do hotel custa no mínimo R$ 1.500. Mais exclusivo que a ala em que ela se hospeda, só mesmo o prédio principal, de frente para o mar.

Lady Bella tem funcionários do Copacabana Palace à sua disposição 24 horas por dia, seja para levá-la para uma caminhada ou uma leve corridinha pela praia.

São eles também que lhe fazem companhia quando seu “pai”, o inglês Benjamin Bowen, 39, conhecido no hotel como lorde Bowen, está em uma de suas viagens.

Desde julho do ano passado, Bowen vive no “Copa”. O inglês decidiu passar um período sabático no Rio, longe de seus negócios, acompanhado apenas da “filha”.

Nos últimos meses, porém, precisou fazer algumas viagens. Atualmente, está há quase um mês fora do hotel.

Para minimizar o impacto de suas ausências, ele mantem a suíte para que Bella não sinta falta de uma casa. Conta com a equipe do “Copa” para cuidar da cadelinha.

PET, PRAIA E MIMOS

“Levamos ao pet shop para banho e cuidados uma vez por semana e ela volta linda, parece um pompom”, explica Andrea Natal, diretora-geral do Copacabana Palace.

As fotos para esta reportagem foram marcadas para as 10h, sem atrasos, porque às 11h, ela tinha consulta com seu veterinário carioca –levada, é claro, por funcionários.

Os dias dessa bichon frisé são passados nos escritórios do hotel, com alguns intervalos para passeios na praia. Apesar de ser moradora vip, Bella só pode circular pelas áreas comuns no colo de alguém, para evitar reclamações de hóspedes.

Há outras restrições. Por ordem do lorde, a Lady não pode aproveitar as delícias dos restaurantes do “Copa”, como o italiano Cipriani ou o asiático Mee. “Ela come ração seca pela manhã e úmida à noite”, explica Andrea.

A diretora-geral se afeiçoou tanto a ela que a leva, em dias alternados, para dormir em sua suíte. Nas noites em que fica em sua própria “casa”, Bella é acompanhada por um funcionário.

O hotel costuma receber hóspedes com seus bichinhos, mas é a primeira vez que um deles fica sozinho.

“O problema é que ela está ficando muito mimada. Com lorde Bowen ela se comporta como uma lady, mas está sendo tão paparicada a que agora até late se alguém demora para atender seus desejos”, afirma Andréa.

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