Ilustrações mostram como comentários maldosos afetam a vida das pessoas

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Publicado no Hypeness

Talvez você já tenha passado por isso: durante um dia inteiro, você recebe vários elogios de como está bonito (a) ou bem arrumado (a), mas, 5 minutos antes de acabar seu expediente de trabalho, alguém fala pra você: “Nossa, como você tá.. cheinho (a)“. E pronto, é o suficiente para arruinar seu dia e fazer com que todos os elogios anteriores desapareçam e você só lembre do último comentário ruim.

Pois é, as palavras têm poder mesmo. Postamos aqui no Hypeness há alguns dias sobre uma ilustradora mineira que fez vários desenhos com frases lembrando que a mulher é dona do próprio corpo (relembre aqui). O post foi talvez um dos mais debatidos na história do Hypeness (quase 2 mil comentários), o que mostra que muito ainda existe muito para conversar sobre o tema.

Conhecemos então o trabalho de uma outra ilustradora, chamada Katarzyna Babis, radicada na Polônia, que fez algumas representações de situações em que pessoas fazem comentários estúpidos e não fazem ideia do quanto esse comentário afeta a pessoa que é alvo das palavras.

Veja os desenhos, reflita e nos diga se você já escutou algo parecido.. ou já falou algo parecido, e entenda por que isso é tão grave:

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Lugar de mulher ´bonitinha´ é na Playboy

Bandeirinha Fernanda Colombo, alvo de ofensas, em foto do UOL/Esporte
Bandeirinha Fernanda Colombo, alvo de ofensas, em foto do UOL/Esporte

Xico Sá, na Folha de S.Paulo

Interrogação, como diria o bravo Roberto Avallone!

Errare humanum est. Como canta Jorge Benjor ou como teria dito Santo Agostinho.

Pois é, amigo, errar é humano, mas vai errar sendo mulher, bonita e gostosa em um impedimento de um jogo de futebol!

O mundo vem abaixo. O pior dos castigos.

A macharada pira, não perdoa, quer banir a criatura dos gramados.

Como acontece no momento com a bandeirinha (e gata sim!) Fernanda Colombo. Errou, como qualquer macho feio ou bonito poderia errar, no clássico Atlético 2×1 Cruzeiro.

A galega catarinense foi moralmente linchada. Por ser mulher, por ser bonita, por ser gostosa.

Ao ponto do diretor de futebol da Raposa, Alexandre Mattos, soltar a seguinte sentença condenatória:

“Estão tentando promover ela porque ela é bonitinha e não é por ai. Ela tem que ser boa de serviço, profissional e competente. O erro dela foi muito, muito, muito anormal, coisa de quem está começando uma carreira. Se é bonitinha, que vá posar para a Playboy, não trabalhar com futebol”.

E repare que o Mattos é tido como um cara até moderno no meio arcaico do futebol –um mundo tão assombrado que tem na presidência da CBF um representante ainda dos tempos da Ditadura, José Maria Marin, que deveria estar depondo na Comissão da Verdade e não à frente da seleção brasileira em ano de Copa.

Mas que pisada na bola, seu cartola.

A garota, de 23 anos, tem todo direito de posar para qualquer publicação, ora, o corpo é dela. Nas suas declarações, no entanto, não se mostra deslumbrada com essa possibilidade.

Muito pelo contrário. Faz de tudo para fugir do estigma “eu sei que eu sou bonita e gostosa, eu sei que você, me olha e me quer”, como cantavam as Frenéticas.

“Creio que a beleza é subjetiva. Uma pessoa pode achar a outra bonita, a outra feia. Fico feliz pela lembrança, mas não gostaria de ser lembrada apenas por isso”, disse em entrevista a Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte.

Essa garota é papo firme, seu Erasmo.

Pra cima com a viga, moçada. Não desanimes, Fernanda.

Te mandaram para a “Playboy”, então que esses cartolas, treinadores ou torcedores nervosinhos posem para a “G Magazine”, não achas?

Beijo e boa sorte.

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‘Feminismo não é uma guerra entre homens e mulheres’

Naomi

Nana Queiroz, no BrasilPost

Naomi Wolf é uma das maiores pensadoras vivas da terceira onda do feminismo. No sábado, tive um delicioso (e polêmico) encontro com ela, no qual ela me falou de uma visão de feminismo em que cabem homens e mulheres. Vejam a nossa conversa.

Você acredita que existam roupas vulgares?
Nós vivemos em um mundo mergulhado na pornografia e em que o corpo da mulher está em todo canto. Mas ninguém tolera que as mulheres ganhem o poder sobre o próprio corpo e digam: “Meu corpo não é erótico, ele é o que eu quiser que ele seja!”

Sou uma libertária, cresci em São Francisco! Era muito comum que homens gays andassem com calças de couro e furos atrás que deixavam seus bumbuns totalmente expostos. Não era nenhum fator de desestabilização social, eles não incomodavam ninguém, apenas expressavam sua moda. Ninguém nunca disse que isso era uma desculpa para abusar sexualmente deles. As pessoas deviam ser livres para se vestir como quisessem. Claro, há limites, como não fazer sexo na frente de crianças ou ver pornografia com elas. Mas, com o mínimo de bom-senso, é possível ter uma liberdade imensa ao se vestir.

Você acredita na existência de homens feministas?
Claro, fui criada por um e casei com outro. Como não poderia haver homens feministas? Se acredita no tipo de feminismo em que acredito — que é apenas uma extensão lógica da democracia, ou seja, todos merecem os mesmos direitos –, não é uma coisa de gênero, só inclui prestar atenção à situação especial da mulher e se importar com seu bem-estar e equidade.

Você tem algumas críticas à segunda onda do feminismo…
Primeiro, tenho que celebrá-las. A segunda onda do feminismo foi a que mais trouxe conquistas para as mulheres na história de nossa espécie – e em muito pouco tempo. Só temos mulheres presidentes hoje graças a elas.

Mas já criticou a visão que elas têm dos homens.
Sim. Todo movimento precisa de críticas para crescer, principalmente, porque os tempos mudam. As feministas da segunda onda acreditavam que o feminismo era uma oposição aos homens. Eu rejeito isso. Feminismo é uma questão humana, não é uma guerra entre homens e mulheres. Às vezes, também criam imagens de mulheres como anjos inocentes e homens como bestas predadoras. Essa ideologia foi inventada no século 19 e é muito perigosa. Essa visão vitimiza as mulheres e está afastando os homens; eles sentem que não há um lugar para eles nessa luta.

É possível ser de direita e ser feminista?
Sim. Você pode ser militar e ser feminista, pode ser a favor do livre mercado ou empresária e ser feminista. A mídia quer que acreditemos que o feminismo é uma linda festa de verão em que todas temos que ser grandes amigas. Feminismo não é uma festa. O feminismo também não dita regras sobre suas visões políticas. Temos que amadurecer e entender o que é “afiliação parcial”. Isso é uma estratégia para trabalhar o que o grupo tem em comum e deixar de fora questões que não cabem ao tema. Depois, fora do grupo, podem brigar à vontade sobre as outras questões.

 

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Não é pornografia, nem vingança: é machismo

Carolina Assis no TransTudo

Querida leitora, querido leitor: você faz sexo? Se você tem mais de 18 anos, eu imagino e espero que sim. E espero que faça bastante, e que seja sexo com muita alegria*. Espero (e recomendo) que você fale sacanagem e exponha os seus desejos, as suas fantasias e as suas vontades aos seus parceiros ou parceiras. E que vocês se satisfaçam e se divirtam muito no processo, e entendam que compartilhar o prazer sexual é uma das coisas mais legais que pessoas adultas podem fazer juntas.

Fran, Julia, Giana e Thamiris fizeram sexo. Se você frequenta os círculos internéticos brasileiros, provavelmente ficou sabendo disso. Elas falaram sacanagem, compartilharam fantasias e registraram a brincadeira em vídeo ou fotos – quem nunca? A onipresença da pornografia e a enorme influência que ela exerce na cultura pop – e em praticamente todo o conteúdo visual que consumimos – acaba modelando nossos desejos e nossa maneira de encarar e de fazer sexo (por isso a necessidade de uma pornografia do bem, como comentamos na Samuel n06). É divertido ser a estrela do seu próprio filme ou ensaio pornográfico. Nem que seja para ver depois e se dar conta de como pode ser ridículo querer reproduzir uma performance pseudo-pornô quando o bom do sexo está justamente na espontaneidade e na autenticidade da coisa.

Pois bem, voltando às moças citadas: nenhuma delas fez sexo sozinha. O curioso é que, enquanto os nomes delas circularam a torto e a direito, as pessoas com quem elas fizeram sexo não foram nomeadas ou consideradas (exceto no caso de Thamiris, que bem fez em dar nome e sobrenome do ex-parceiro). As pessoas com quem elas fizeram sexo eram homens, que depois decidiram expor a intimidade de todas as pessoas envolvidas, divulgando os vídeos e as fotos das mulheres nuas.

“E aí?” A gente pensa. Pessoas ficam nuas, pessoas fazem sexo, e pessoas se filmam e se fotografam fazendo as duas coisas. Ok, talvez nem todas se filmem e se fotografem. Mas quero acreditar que pelo menos o sexo seja uma constante na vida de pessoas adultas. E aí que todas as quatro foram submetidas a um assédio violento e humilhante, por parte de homens e mulheres, que provavelmente não fazem sexo, e, certamente, têm sérios problemas. Problemas que afetam muita gente e que atendem por vários nomes, mas que podem ser resumidos em uma só palavra: machismo.

Machismo: funciona assim. Via Arte Destrutiva

Thamiris conta o que tem vivido nesse corajoso relato. Fran teve que mudar de aparência e parar de trabalhar, e evita sair de casa. Julia, aos 17 anos, e Giana, aos 16, se suicidaram. (“Que desespero viver nesse mundo”, escreveu Clarah Averbuck.) O Fantástico, cheio de boas intenções, produziu uma matéria sobre o assunto, com algumas sugestões sobre como a mulher pode “se proteger” caso decida se filmar fazendo sexo: não revele o rosto, nome ou voz; mantenha, mulher, o vídeo com você, e não o compartilhe com o seu parceiro; e destrua o registro assim que puder. Em nenhum momento a humilhação e a violência a que somente a mulher é submetida nessas situações é questionada. O subtexto é: ai de você, mulher, se o mundo descobrir que você faz e gosta de sexo. Fazer e gostar de sexo é coisa de vadia. Se teu vídeo e fotos se tornarem públicas, você será massacrada, e justamente. A culpa é sua se não tomou as devidas precauções.

Ainda bem que muita gente boa atentou pra isso. O deputado federal Romário (PSB-RJ) é uma delas. Ele apresentou em outubro o projeto de lei 6630/2013 que torna crime a divulgação indevida de material íntimo, e prevê pena de até três anos de detenção para o acusado da divulgação, que também seria “obrigado a indenizar a vítima por todas as despesas decorrentes de mudança de domicílio, de instituição de ensino, tratamentos médicos e psicológicos e perda de emprego”. A lei, infelizmente, não criminaliza o machismo que faz com que mulheres sejam atacadas por fazer e gostar de sexo. Em entrevista, Romário demonstrou estar atento a esse aspecto: “nossa sociedade costuma julgar as mulheres. É como se o sexo denegrisse a honra delas. Os comentários machistas não vêm só dos homens, muitas mulheres criticam as vítimas também. Quando divulgo meu projeto na rede, recebo comentários absurdos apontando a mulher como culpada. Coisas do tipo… ‘se ela se desse o valor, não passaria por isso, que sofra as consequências’ ou ‘mulher direita não se deixa filmar’.”

O projeto de lei do deputado e muitos dos textos sobre os casos citados usam a expressão “pornografia de vingança” ou “pornografia de revanche”, uma tradução do inglês “revenge porn”, para caracterizar os casos em que vídeos e fotos íntimas são divulgadas propositalmente por ex-parceiros. Eu acredito que as palavras são importantes, e insisto: isso não é pornografia. Além disso, na grande maioria dos casos, não há motivo para “vingança” contra a ex-parceira. É, pura e simplesmente, a intenção deliberada de humilhar uma mulher com a velha mas ainda muito viva, danosa, mortal noção de que mulher que gosta de sexo merece ser apedrejada. É machismo – e em breve, espero, crime.

*”Putaria é sexo com alegria, putaria é quase amor.” Catra, Mr., no imperdível “90 dias com Catra“.

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E se uniformes de super-heróis fossem concebidos como os de super-heroínas?

superhero-costumes-sexism-01-PT-BRCansada de caras que não entendem as meninas que acham as fantasias de super-heroínas meio sexistas, Fernacular fez uma série de desenhos com três objetivos:

1. Fazer com que a primeira coisa que você pense ao olhar para eles seja sexo, quer você queira ou não.

2. Fazer com que qualquer homem que olhe para eles se sinta desconfortável.

3. Torná-los engraçados, porque, bem, é realmente meio que ridículo.

É bom lembrar que as super-heroínas, na maioria esmagadora das vezes, sempre foram concebidas com uniformes nada práticos, fetichistas e muito, mas muito sexys. E isso não é nada novo – veja as tirinhas feitas por Kate Beaton retratando como são criadas personagens femininas poderosas.

Kevin Bolk fez uma versão alternativa parodiando o poster d’Os Vingadores depois de notar que na maioria do material de divulgação do filme, os caras estão em poses heróicas, mas a Viúva Negra está quase sempre numa pose de look at my ass ataque impraticável, com a silhueta curvada e bumbum empinado.

Esse tema também passou – embora sem pretensão moral – pela cabeça do artista Michael Lee Lunsford que andou imaginando como seria a indumentária das super-heroínas sem aquele tom fetichista e extremamente sexy!

Well, eu prefiro as super-heroínas do jeito de sempre, thanks! :P

Quer ver mais alguns exemplos de super-heróis provando do drama das super-heroínas? Clique aqui!

Dica da Fabiana Zardo

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