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A imposição da memória

Seria mais justo com os brasileiros se o Judiciário moralizasse a prática de nomear logradouros com nomes de políticos que se julgam escritores da história brasileira em sua versão regional

Ponte Orestes Quércia. A maneira como a memória social nomeia os monumentos não é uma questão menor (foto: Luiz Guadagnoli / Secom)

Ponte Orestes Quércia. A maneira como a memória social nomeia os monumentos não é uma questão menor (foto: Luiz Guadagnoli / Secom)

Vladimir Safatle, na CartaCapital

Quem chega a São Paulo de avião desce no Aeroporto Internacional André Franco Montoro. Caso queira ir para o interior, pegará a Rodovia Carvalho Pinto. Mas, se preferir ir em direção à capital, ele entrará na Marginal Tietê e passará pela Ponte Orestes Quércia.

Se for minimamente atento, verá placas indicando o Rodoanel Mario Covas, que também dá nome a um parque na Avenida Paulista, e a um viaduto que ganhou nome composto no centro da cidade. Se gostar de artes, poderá conhecer o Centro Cultural Ruth Cardoso. Mas, cuidado, se não tiver senso de direção, corre-se o risco de ser obrigado a atravessar o Túnel Maria Maluf.

Quem faz esse passeio turístico pelas ruas de São Paulo imagina que a profusão de monumentos dedicados a políticos, a mulheres de políticos e até mesmo a mães de políticos deve expressar um profundo amor e devoção da população paulista por aqueles que os governam e os governaram. Afinal, a maneira como a memória social configura os espaços públicos e marca os monumentos não é uma questão menor.

Ela define os nomes e eventos nos quais uma sociedade reconhece suas aspirações. Ela é a face mais visível do que um povo procura guardar do passado e projetar no futuro. No fundo, é dessa forma que uma sociedade escreve a sua história, definindo, através do espaço urbano, seus próprios processos de transmissão.
Quem passa por uma Rua Doutor Sérgio Fleury um dia se perguntará quem é afinal de contas esse personagem ilustre a entrar pela boca da população todas as vezes que ela precisar nomear a referida rua.

Mas um espírito de porco, que não conhece a grandeza de nossos governantes, poderá ser incrivelmente maldoso e vir com a ideia de que essa gestão pública da memória social expressa, na verdade, a maneira com que o poder impõe à sociedade certas aspirações e uma história escrita sob medida para os interesses do presente.
Como se estivéssemos diante de uma memória imposta que visa fornecer a narrativa edificante de que sempre fomos governados por “grandes homens e mulheres”.

Esse espírito de porco poderia ser ainda mais infame e perguntar-se se os paulistas não estariam mais bem representados em sua capacidade de criação e em suas reais aspirações se pudessem descer no Aeroporto Internacional Mário de Andrade, pegar a Rodovia Sérgio Buarque de Holanda, passar pela Ponte Plínio Marcos, ver placas indicando o Rodoanel 16 de Abril de 1984 (o dia do comício pelas Diretas Já, no Vale do Anhangabaú: a maior mobilização pública da história brasileira, com 1.500.000 pessoas) e visitar o Centro Cultural Tarsila do Amaral.

De fato, e isso vem da época da República Velha, certos políticos brasileiros mantêm a bizarra compulsão a se autocelebrar ou a celebrar seus aliados falecidos. Nesse ponto, eles não são muito diferentes do presidente do Uzbequistão ou do prefeito centenário de qualquer vilarejo perdido nas brumas do tempo.

Pelos seus ternos e profissionais de marketing, há uma classe de políticos que gostaria de se ver como expressão mais bem acabada da modernidade gerencial cosmopolita e refinada. Mas, pelas suas práticas dignas de Odorico Paraguaçu, eles mostram seu verdadeiro arcaísmo provinciano.

No entanto, seria mais correto com o povo brasileiro que eles parassem de tentar marcar os espaços públicos com a história de suas alianças e filiações. Talvez não haja maior exemplo de privatização do espaço público do que esse sequestro dos monumentos e logradouros por aqueles que se julgam estar a escrever a história brasileira em sua versão regional.

Seria mais justo com todos os brasileiros que o Poder Judiciário moralizasse tal prática, impedindo o uso do nome de políticos que ocuparam cargos administrativos nas últimas décadas para a nomeação de logradouros e outros espaços públicos.

Enquanto isso, a maioria da população de São Paulo perde o contato com seus grandes artistas e intelectuais, que são a verdadeira célula motora do nosso desenvolvimento.

O pior do Brasil é o brasileiro

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Carlos Cardoso, no Meio Bit

Algumas vezes tenho profunda vergonha da esperteza do brasileiro, do culto da malandragem, do jeitinho, da Lei de Gérson onde o importante é levar vantagem em tudo. Vejo isso direto. Já fui olhado com desprezo por caixas que teriam que pagar do próprio bolso o troco a mais que eu estava devolvendo. Já fui chamado de inconveniente por conhecidos que haviam achado celulares na rua e queriam meu “apoio” para racionalizar que seria normal ficar com o aparelho.

Disso tudo o pior é o senso de apropriação, que vai além da desonestidade e do mau-caratismo, onde o sujeito se acha no DIREITO de cometer o crime, de lesar o próximo, e não consegue nem se perceber como o errado da situação. O proverbial estuprador do Maluf, mesmo não matando tinha noção de que estava estuprando, e isso o torna um ser humano melhor do que esse sujeito.

Vejam a cara de pau:

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O FDP escreve com todas as letras “sou honesto”. Não é não, seu canalha, você é um ladrão. Em um mundo ideal seria identificado, denunciado, preso e crucificado, mas na prática nada disso vai acontecer. No máximo ele criará outro usuário e não perderá tempo com explicações desnecessárias, justificando a própria “honestidade”, afinal o outro esperto, que se deu bem comprando um iPhone barato. Até o dia em que perder o aparelho e se tornar fornecedor.

Nas palavras do Capitão Nascimento, “É você que financia essa merda!”.

Chega. Para recuperar o pouco de fé na Humanidade que sobrou, vou assistir várias vezes o magnífico comercial da Coca-Cola das câmeras de segurança:

“Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa”, diz psicanalista

Vladimir Maluf, no UOL

A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, autora do recém-lançado “O Livro do Amor”

Você sente calafrios só de pensar que não tem domínio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira? Segundo a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, acreditar que é possível controlar o desejo de alguém é apenas uma das mentiras do amor romântico.

“É comum alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado”, afirma ela, que lançou recentemente  ”O Livro do amor” (Ed. Best Seller). Dividida em dois volumes (“Da Pré-História à Renascença” e “Do Iluminismo à Atualidade”), a obra traz a trajetória do amor e do sexo no Ocidente da Pré-História ao século 21 e exigiu cinco anos de pesquisas.

Regina, que é consultora do programa “Amor & Sexo”, apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, acredita que, na segunda metade deste século, muita coisa ainda vai mudar: “Ter vários parceiros será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem”, diz ela. Leia a entrevista concedida pela psicanalista ao UOL Comportamento.

UOL Comportamento: Na sua pesquisa para escrever “O Livro do Amor”, o que você encontrou de mais bonito e de mais feio sobre o amor?
Regina Navarro Lins: Embora “O Livro do Amor” não trate do amor pela humanidade, e sim do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou duas mulheres, a primeira manifestação de amor humano é muito interessante. Ela ocorreu há aproximadamente 50 mil anos, quando passaram a enterrar os mortos –coisa que não ocorria até então– e a ornamentar os túmulos com flores. O que encontrei de mais feio no amor foi a opressão da mulher e a repressão da sexualidade.

UOL Comportamento: Como você imagina a humanidade na segunda metade deste século?
Regina: Os modelos tradicionais de amor e sexo não estão dando mais respostas satisfatórias e isso abre um espaço para cada um escolher sua forma de viver. Quem quiser ficar 40 anos com uma única pessoa, fazendo sexo só com ela, tudo bem. Mas ter vários parceiros também será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem. Na segunda metade do século 21, provavelmente, as pessoas viverão o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.
UOL Comportamento: Você fala sobre as mentiras do amor romântico. Quais são elas?
Regina: O amor é uma construção social; em cada época se apresenta de uma forma. O amor romântico, que só entrou no casamento a partir do século 20, e pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, não é construído na relação com a pessoa real, que está ao lado, e sim com a que se inventa de acordo com as próprias necessidades.Esse tipo de amor é calcado na idealização do outro e prega a fusão total entre os amantes, com a ideia de que os dois se transformarão num só. Contém a ideia de que os amados se completam, nada mais lhes faltando; que o amado é a única fonte de interesse do outro (é por isso que muitos abandonam os amigos quando começam a namorar); que cada um terá todas as suas necessidades satisfeitas pelo amado, que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama não sente desejo sexual por mais ninguém.
A questão é que ele não se sustenta na convivência cotidiana, porque você é obrigado a enxergar o outro com aspectos que lhe desagradam. Não dá mais para manter a idealização. Aí surge o desencanto, o ressentimento e a mágoa. Continue lendo

“Não sou o Menino Malufinho”, diz Russomanno


Celso Russomano prometeu entregar os dois primeiros anos do mandato a Lula e os outros dois a Maluf, caso seja eleito. “Tá bom pra vocês?”, perguntou.

Publicado originalmente no blog da Piauí

TÚNEL DA MARTA – Vestindo suspensórios e um bonezinho, o candidato Celso Russomanno, com um pirulitinho colorido na mão, subiu num banquinho e berrou, chorando: “Eu não sou o Menino Malufinho!”. “O Maluf é feio!”, completou, dando uma lambidinha na guloseima.

A seguir, alegando preocupação com os direitos do consumidor, Russomanno entrou com representação na Justiça Eleitoral pedindo a antecipação das eleições: “Exigimos que seja no próximo domingo. O consumidor tem o direito de ver sua novela em paz. E eu adoro a Mãe Lucinda e prometo tirar aquelas crianças do lixão”, disse o candidato, que lidera as pesquisas de intenção de voto em São Paulo.

O PT também recorreu à Justiça Eleitoral para adiar o pleito. “Não podemos deixar que as eleições atrapalhem o julgamento do mensalão. Vamos votar em dezembro, perto do Natal, em clima de paz e amor”, disse Lula, vestido de Papai Noel, com Fernando Haddad sentado no colo. A seguir, cochichou no ouvido do candidato: “Haddad, você tá bem pesado, meu filho”.

José Serra aproveitou o ensejo e também foi à Justiça Eleitoral. “Precisamos acabar com esse trololó de mandato de quatro anos para prefeito de São Paulo. Não faz sentido numa cidade tão dinâmica. Exigo que seja reduzido para dois anos, sem direito à reeleição”, defendeu o tucano. A seguir, disse que vai se dedicar exclusivamente à família a partir de 2014. “Nem penso mais na Presidência. Se você quiser, lá em casa eu assino até um papelzinho”, disse a uma jornalista. Este Herald apurou que Serra planeja disputar a presidência do Palmeiras em 2014.

Com o cenário eleitoral tão indefinido, Paulo Maluf resolveu também recorrer à Justiça Eleitoral para registrar sua candidatura a prefeito. E anunciou: “Vamos recriar a Paulipetro. Há sinais claríssimos de que o lago do Ibirapuera tem a maior reserva de petróleo da América Latina”.

À tarde, o assessor Adilson Laranjeira soltou uma nota oficial: “Paulo Maluf não tem nem nunca teve lombriga na barriga”.