Paulo Maluf diz que não fez nem nunca fará rolezinho no exterior

Paulo Maluf marcou rolezinhos para divulgar suas obras
Paulo Maluf marcou rolezinhos para divulgar suas obras

Publicado impagavelmente no site da Piauí

HABIBS – Sempre solícito e sorridente, o deputado federal Paulo Maluf fez questão de ligar pessoalmente para todos os chefes de redação e para o Serviço de Atendimento ao Cliente dos principais shoppings centers paulistanos. “É preciso esclarecer que não fiz nem nunca farei rolezinho no exterior”, disse, pronunciando “rolezênho”. Adilson Laranjeira, seu assessor de imprensa, repetiu o processo cinco minutos depois.

Em seguida, Maluf recebeu os companheiros Lula e Fernando Haddad em seu jardim para sugerir a construção de uma ponte estaiada no Shopping Morumbi a fim de facilitar o tráfego de rolezinhos. “Precisamos criar também faixas exclusivas para a livre circulação de rolezinhos”, complementou Haddad, também sorridente.

No final do dia, Maluf marcou pela internet um encontro com parlamentares da base aliada no Minhocão. “Vamos andar em grupo cantando samba ostentação”, disse.

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“Tenho certeza que quando for prestar contas, Deus vai ficar contente”, diz Maluf

Na gravação do "Programa Amaury Jr." (RedeTV!), Paulo Maluf é entrevistado durante uma partida de tranca (foto: Divulgação)
Na gravação do “Programa Amaury Jr.” (RedeTV!), Paulo Maluf é entrevistado durante uma partida de tranca (foto: Divulgação)

Publicado no F5

Paulo Maluf, 82, é o entrevistado do “Programa Amaury Jr.” (RedeTV!) desta quarta-feira (13).

Na gravação, ele conversou com o apresentador durante uma partida de tranca.

“Pretendo me candidatar, se Deus quiser, no ano que vem”, afirmou o político.

“Para os críticos, eu faço um desabafo: Tenho orgulho de ter feito o que fiz, sou cristão, católico e tenho certeza que quando for prestar contas, Deus vai ficar contente”, comentou.

Para se manter saudável, Maluf diz que caminha 15 minutos todos os dias.

“O [médico] Kalil Filho, que cuida de mim, brinca que também cuida do Lula, mas que vota no Maluf.”

Maluf também comenta, entre outros assuntos, a invasão de estudantes na reitoria da USP e a retirada dos beagles do Instituto Royal.

A entrevista vai ao ar de hoje para amanhã, a partir de 0h30.

doca do Ed Brito

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Maluf, Feliciano e condenados por mensalão se ausentam de votação que não cassou Donadon

Deputado federal Natan Donadon agradece de joelhos após votação na Câmara dos Deputados decidir pela não cassação do seu mandato, apesar de estar preso após ser condenado pelo STF. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), assumiu a decisão monocrática de afastar Donadon (foto: Sergio Lima/Folhapress)
Deputado federal Natan Donadon agradece de joelhos após votação na Câmara dos Deputados decidir pela não cassação do seu mandato, apesar de estar preso após ser condenado pelo STF. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), assumiu a decisão monocrática de afastar Donadon (foto: Sergio Lima/Folhapress)

Guilherme Balza, no UOL

Dos 513 parlamentares que compõem a Câmara dos Deputados, 404 votaram no processo que culminou com a não cassação do deputado Natan Donadon (PMDB-RO) na noite desta quarta-feira (28) em Brasília. Em votação secreta, 233 deputados votaram a favor de sua cassação, 131 contra e 41 se abstiveram. Para cassá-lo, eram necessários 257 votos, o que representa a metade do total de deputados mais um voto.

Após a decisão, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), determinou o afastamento de Donadon de suas funções e a convocação do suplente. Faltaram 24 votos para que ele perdesse o mandato.

Quando a votação foi iniciada, por volta de 20h20, o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), anunciou que havia 469 parlamentares presentes na Casa, com base na lista de presença da sessão anterior. Alves segurou a votação por quase três horas, mas o número de votantes pouco aumentou.

Entre os ausentes estavam João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), todos condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão. A Corte, aliás, já julgou todos os recursos apresentados pelas defesas de Costa Neto e Pedro Henry –os recursos de Cunha ainda serão analisados.

Quando o processo transitar em julgado, ou seja, quando não houver a possibilidade de recursos –o que pode ocorrer nos próximos meses–, os três parlamentares terão de passar pelo mesmo processo imposto a Donadon, que foi condenado pelo Supremo e teve todos os recursos rejeitados em junho deste ano pela mesma Corte.

Também se ausentaram da votação Paulo Maluf (PP-SP) e Marco Feliciano (PSC-SP). Em março deste ano, o STF determinou a abertura de inquérito para investigar se o ex-prefeito de São Paulo cometeu crime de caixa dois na reeleição para a Câmara em 2010.

Entenda o caso

Natan Donadon foi acusado de participação em desvio de cerca de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia em simulação de contratos de publicidade. O julgamento só ocorreu no STF por ele ser deputado e ter foro privilegiado.

Após a prisão, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara recomendou a cassação por entender que as ações de Donadon, enquanto diretor da Assembleia Legislativa, configuram quebra de decoro parlamentar.

Perda de mandato

A decisão da perda de mandato de parlamentares condenados gerou debate entre os deputados.

No último dia 14, a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado aprovou, por unanimidade, a proposta que prevê perda automática do mandato de parlamentar condenado no Supremo, em sentença definitiva, por improbidade administrativa ou por crime contra a administração pública.

No entanto, a PEC ainda precisa ser aprovada nos plenários das duas casas legislativas.

No final do ano passado, a perda de mandato dos deputados condenados no julgamento do mensalão gerou tensão entre a Câmara e o Supremo Tribunal Federal. No caso do mensalão, no entanto, a condenação ainda não transitou em julgado e está agora na fase de recursos.

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A imposição da memória

Seria mais justo com os brasileiros se o Judiciário moralizasse a prática de nomear logradouros com nomes de políticos que se julgam escritores da história brasileira em sua versão regional

Ponte Orestes Quércia. A maneira como a memória social nomeia os monumentos não é uma questão menor (foto: Luiz Guadagnoli / Secom)
Ponte Orestes Quércia. A maneira como a memória social nomeia os monumentos não é uma questão menor (foto: Luiz Guadagnoli / Secom)

Vladimir Safatle, na CartaCapital

Quem chega a São Paulo de avião desce no Aeroporto Internacional André Franco Montoro. Caso queira ir para o interior, pegará a Rodovia Carvalho Pinto. Mas, se preferir ir em direção à capital, ele entrará na Marginal Tietê e passará pela Ponte Orestes Quércia.

Se for minimamente atento, verá placas indicando o Rodoanel Mario Covas, que também dá nome a um parque na Avenida Paulista, e a um viaduto que ganhou nome composto no centro da cidade. Se gostar de artes, poderá conhecer o Centro Cultural Ruth Cardoso. Mas, cuidado, se não tiver senso de direção, corre-se o risco de ser obrigado a atravessar o Túnel Maria Maluf.

Quem faz esse passeio turístico pelas ruas de São Paulo imagina que a profusão de monumentos dedicados a políticos, a mulheres de políticos e até mesmo a mães de políticos deve expressar um profundo amor e devoção da população paulista por aqueles que os governam e os governaram. Afinal, a maneira como a memória social configura os espaços públicos e marca os monumentos não é uma questão menor.

Ela define os nomes e eventos nos quais uma sociedade reconhece suas aspirações. Ela é a face mais visível do que um povo procura guardar do passado e projetar no futuro. No fundo, é dessa forma que uma sociedade escreve a sua história, definindo, através do espaço urbano, seus próprios processos de transmissão.
Quem passa por uma Rua Doutor Sérgio Fleury um dia se perguntará quem é afinal de contas esse personagem ilustre a entrar pela boca da população todas as vezes que ela precisar nomear a referida rua.

Mas um espírito de porco, que não conhece a grandeza de nossos governantes, poderá ser incrivelmente maldoso e vir com a ideia de que essa gestão pública da memória social expressa, na verdade, a maneira com que o poder impõe à sociedade certas aspirações e uma história escrita sob medida para os interesses do presente.
Como se estivéssemos diante de uma memória imposta que visa fornecer a narrativa edificante de que sempre fomos governados por “grandes homens e mulheres”.

Esse espírito de porco poderia ser ainda mais infame e perguntar-se se os paulistas não estariam mais bem representados em sua capacidade de criação e em suas reais aspirações se pudessem descer no Aeroporto Internacional Mário de Andrade, pegar a Rodovia Sérgio Buarque de Holanda, passar pela Ponte Plínio Marcos, ver placas indicando o Rodoanel 16 de Abril de 1984 (o dia do comício pelas Diretas Já, no Vale do Anhangabaú: a maior mobilização pública da história brasileira, com 1.500.000 pessoas) e visitar o Centro Cultural Tarsila do Amaral.

De fato, e isso vem da época da República Velha, certos políticos brasileiros mantêm a bizarra compulsão a se autocelebrar ou a celebrar seus aliados falecidos. Nesse ponto, eles não são muito diferentes do presidente do Uzbequistão ou do prefeito centenário de qualquer vilarejo perdido nas brumas do tempo.

Pelos seus ternos e profissionais de marketing, há uma classe de políticos que gostaria de se ver como expressão mais bem acabada da modernidade gerencial cosmopolita e refinada. Mas, pelas suas práticas dignas de Odorico Paraguaçu, eles mostram seu verdadeiro arcaísmo provinciano.

No entanto, seria mais correto com o povo brasileiro que eles parassem de tentar marcar os espaços públicos com a história de suas alianças e filiações. Talvez não haja maior exemplo de privatização do espaço público do que esse sequestro dos monumentos e logradouros por aqueles que se julgam estar a escrever a história brasileira em sua versão regional.

Seria mais justo com todos os brasileiros que o Poder Judiciário moralizasse tal prática, impedindo o uso do nome de políticos que ocuparam cargos administrativos nas últimas décadas para a nomeação de logradouros e outros espaços públicos.

Enquanto isso, a maioria da população de São Paulo perde o contato com seus grandes artistas e intelectuais, que são a verdadeira célula motora do nosso desenvolvimento.

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