Apostasia

sofrimentoMarília César

Filho,

Volte para casa,

Ainda dá tempo.

Quem implora é este que o ama, e a quem você deixou há tanto tempo.

Você saiu em busca de aventura, seguiu sem olhar para trás.

Você achou que poderia encontrar segurança longe do meu afeto. Estava certo de que minha presença era a razão de seu desconforto, de sua insatisfação. Quis traçar sua própria rota e lutar com suas próprias mãos, sem saber que foi meu toque em você e meu amor por você que deram força a suas mãos e vontade de viver.

Está na hora, agora, filho, não espere mais.

Venha como está, não se importe com o que vão pensar.

Estou à sua espera há tanto tempo, venha enquanto é dia, logo a noite vem e você não mais vai encontrar a estrada que o traz até mim.

Logo a noite vem quando você pode se perder para sempre.

Não tenha medo de voltar, de se decepcionar com as pessoas. As pessoas são como são e sempre o desapontarão. Nem todos sabem usufruir de minha companhia sem ter a necessidade de definir regras de convívio e limites sufocantes. Nem todos sabem ainda ser livres. Mas um dia saberão.

Venha, filho, o que o prende ainda?

Logo vem o dia em que não será mais possível acreditar.

Logo vem o dia em que a réstia de luz que ainda há em você poderá se apagar para sempre, de um sopro.

Vem o dia em que aquele que milita a batalha contra as almas humanas e contra a fé irá se manifestar com poder. Neste dia, muitos irão embora de casa para sempre e não mais voltarão. Eles irão perder-se em suas próprias mágoas, dúvidas e falta de humildade, e nunca mais voltarão. Meus filhos amados, eles se afastarão de mim para sempre e meu amor não será capaz de freá-los. Este dia mau chega em breve. Não demore, meu filho. Venha apressadamente. Volte para casa enquanto subsiste uma gota de óleo em sua candeia.

Vem o dia, e já está perto, em que ela se extinguirá e você se perderá de mim para sempre.

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As quatro perguntas que Silas Malafaia não quis responder

O livro “Entre a Cruz e o Arco-íris” conversou com dezenas de líderes do Brasil e do mundo, mas não com o “defensor da fé cristã”

A autora Marília Camargo César, o pastor Silas Malafaia e o livro "Entre a cruz e o arco-íris": agenda disputadíssima impediu entrevista, alegadamente
A autora Marília Camargo César, o pastor Silas Malafaia e o livro “Entre a cruz e o arco-íris”: agenda disputadíssima impediu entrevista, alegadamente

Ricardo Alexandre

Gostaria de recomendar imensamente a leitura do livro Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a homoafetividade (Editora Gutenberg), mas não vou fazê-lo. É que Marília Camargo César, editora no Valor Econômico e também autora dos livros Feridos em nome de Deus e Marina: A vida por uma causa, é minha amiga e, mais comprometedor ainda, eu editei de muito perto os originais, acompanhei todo o trabalho de apuração, dei vários pitacos e, de quebra, escrevi o prefácio que pode ser lido aqui.

Então, não acredite em nada do que eu disser sobre o livro-reportagem. Faça o seguinte: vá até a noite de autógrafos (na próxima segunda-feira, dia 14 de outubro, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional), compre seu exemplar, leia e envie um comentário aqui mesmo dando a sua opinião isenta.

O que eu gostaria de dividir com você é, como de costume neste blog, um pouco do “making of”. Mais especificamente, os meses de tentativas de entrevistas com o pastor Silas Malafaia, autodenominado “defensor da fé cristã e dos valores éticos, morais e espirituais da igreja de Cristo”. Marília entrevistou dezenas de pessoas durante o período de reportagem, incluindo pastores e leigos de diversas tradições cristãs, das chamadas igrejas “inclusivas” às mais tradicionais, no Brasil e no exterior, alguns inflexíveis diante da ortodoxia outros com casos de homossexualidade na própria família. Enfim. Por meio de sua assessoria, Malafaia primeiro disse que não poderia receber a jornalista, dada a agenda disputadíssima dele. Diante da insistência de Marília, o pastor disse que aceitaria responder apenas por e-mail. Claro que um encontro olhos-nos-olhos – como ele concederia logo depois a Sabrina Sato no Pânico na TV ou a Luciana Gimenez no Super Pop – sempre renderia mais ao leitor, mas era a opção que tínhamos, então concordamos. Marília me pediu algumas sugestões de perguntas e eu enviei as quatro abaixo.

Depois de receber e ler as perguntas, entretanto, Silas Malafaia disse que não teria tempo de responder. Foi uma pena. Como Marília teve a elegância de não publicar o questionário que o pastor preferiu não responder, pedi a ela que me deixasse divulgá-lo aqui no blog. Quais seriam as respostas de Malafaia às perguntas abaixo, caso ele tivesse tempo de respondê-las? Jamais saberemos:

1. O teólogo Justino Mártir (100-165) dizia que uma das marcas da igreja cristã primitiva era o fato de os santos terem passado a “conviver com outros povos” com os quais antes não conviviam “por causa de seus costumes diferentes”. Ou seja, segundo ele, a mensagem de Jesus mudou sua maneira de relacionarem-se com os diferentes. O senhor enxerga esse mesmo espírito em seus discurso acerca dos ativistas homossexuais? Em caso negativo, como o senhor justifica essa aparente diferença de postura entre Justino Mártir e Silas Malafaia?

2. Pelo que entendo, boa parte do seu discurso contra a PL122 baseia-se no que ela fere dos direitos dos cristãos. Biblicamente, o cristão teria outro direito além de servir o próximo e ser, como diria Charles Spurgeon, “a bigorna do mundo”?

3. Os evangelhos mostram Jesus amoroso e misericordioso com os marginalizados e pecadores. O episódio da casa de Levi, por exemplo, mostra-o comendo e bebendo com prostitutas e alcoólatras. Os únicos registros da Bíblia de Jesus desqualificando e confrontando publicamente eram dirigidos aos líderes religiosos (“sepulcros caiados”, “raça de víboras”, “cegos que guiam cegos” etc.). O senhor, nos últimos anos, tem feito aparições públicas ao lado de líderes religiosos muito controvertidos no meio protestante, alguns com complicações até na justiça comum (Sônia e Estevam Hernandes, Morris Cerullo). Por outro lado, em seu debate sobre homossexualidade, já chamou ativistas gays de “parasitas”, uma premiada jornalista de “vagabunda”, políticos de “idiota”, “frouxo” e “bandido”. Como o senhor harmoniza esses comportamentos aparentemente opostos entre Jesus Cristo e um de seus representantes brasileiros mais expostos na mídia?

4. O apóstolo Paulo, em Romanos 1, afirma que a homossexualidade é decorrência do fato de os homens não terem rendido graças devidas a Deus e terem, como efeito, glorificado a imagens feitas à semelhança do homem. Gostaria de fazer duas perguntas ao senhor: a) digamos que os cristãos consigam proibir legalmente não apenas o casamento, mas toda relação ou manifestação homossexual em todos os países do mundo. O senhor acha que isso reverteria em glória para Deus? b) o senhor afirmaria que a sua luta contra o comportamento homossexual equipara-se em tempo e energia à sua luta contra outras “disposições mentais reprováveis” citadas por Paulo no texto, como a ganância, a injustiça, a rivalidade e a arrogância? Em caso negativo, porque a preferência por um assunto que, se entendo bem, é apenas uma entre várias manifestações de um mal maior (o rompimento do homem com Deus)?

fonte: Blog do Ricardo Alexandre

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Hora da compaixão

Marília César

Karen Armstrong: “A compaixão pede que não nos coloquemos numa categoria especial. Pede que nos retiremos do trono e ali coloquemos o outro”

No dia 25 de dezembro, quando boa parte das famílias do Ocidente estiverem reunidas para celebrar o Natal, a escritora britânica Karen Armstrong estará sozinha. Sem peru nem ceia, sem presentes nem árvore de Natal, ela pretende simplesmente confraternizar com seu trabalho, que inclui consultorias e conferências na área de religião comparada. Aos 68 anos, Karen é uma das mais prestigiadas autoras de livros sobre a fé. Entre seus mais de 20 títulos estão best-sellers como “Uma História de Deus”, “A Bíblia, uma Biografia” e “Jerusalém: Uma Cidade, Três Religiões”.

“Não tenho família. Estarei sozinha. Não me importo, porque posso ter tempo para trabalhar”, conta Karen, que acaba de lançar no Brasil seu último livro, “12 Passos para uma Vida de Compaixão” (Paralela), obra que pretende despertar um jeito de viver mais compassivo em seus leitores.

Para Karen, o Natal deveria nos levar de volta aos momentos mágicos da infância e a refletir mais sobre os sem-teto, uma vez que a história do nascimento de Jesus começa com um casal de refugiados que não encontra abrigo nas hospedarias de Belém. Mas o consumismo, marca de um mundo “dominado pelo mercado”, tira o brilho natalino, o que não impede o Ocidente de parar por uma noite a fim de celebrar a chegada de Jesus. Para a escritora inglesa, que foi freira durante sete anos e formou-se em literatura pela Universidade de Oxford, a mensagem cristã reverbera ainda hoje porque Jesus foi um autêntico praticante da Regra de Ouro – “não faça ao outro aquilo que você detesta” – ensinando-a, na verdade, em sua versão positiva – “faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem”.

Os primeiros passos de Karen rumo ao mundo religioso foram dados aos 17 anos, quando entrou para um convento católico na Inglaterra. Viveu sete anos de conflito pessoal e espiritual e decidiu desistir da vida restritiva de sua ordem religiosa em 1969. Nunca havia ouvido falar de Beatles nem da guerra do Vietnã. Questionou sua fé, formou-se, lecionou literatura na Universidade de Londres e se reencontrou com a religião ao escrever seus livros. “Monoteísta freelancer”, Karen também tem títulos sobre Maomé e Buda e defende o diálogo religioso.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao Valor.

Valor: Ao olharmos para nosso mundo, como a senhora sugere no segundo passo de seu livro mais recente, encontramos uma sociedade que realiza façanhas no campo da ciência e da tecnologia, mas com poucos gênios espirituais. O fascínio da ciência calou a voz dos pensadores da espiritualidade?

Karen Armstrong: Sim, o desenvolvimento da ciência no fim do século XVII tornou o pensamento religioso difícil para as pessoas. Apesar do brilhantismo tecnológico, o pensar religioso é subdesenvolvido, primitivo. Lemos os textos sagrados, por exemplo, com uma literalidade que é sem paralelo na história da religião.

Valor: Por que a vida de Jesus teve o poder de marcar tão profundamente a humanidade?

Karen: Certas pessoas parecem simbolizar o que o ser humano pode ter de melhor. Jesus é uma dessas pessoas, para muita gente. Vemos nos Evangelhos alguém que é muito humano e corajoso, sempre pronto a desafiar o sistema e derrubar barreiras, alguém que sai de seu caminho para praticar a compaixão pelos outros, até para pessoas que não são tão boas ou merecedoras. Mas Jesus é apenas uma dessas figuras paradigmáticas. Confúcio, Buda e Sócrates, todos têm um efeito parecido nas pessoas.

“Temos que amar o estrangeiro, nossos inimigos, e alcançar todas as tribos e nações. Isso não é nada fácil de fazer, requer um esforço diário”

Valor: No período do Natal as pessoas se predispõem mais a ter atitudes compassivas, a reconciliações e ao perdão?

Karen: Penso que é um período no qual as famílias se reúnem e nos lembramos dos Natais mágicos que tivemos na infância. Mas também é verdade que as pessoas podem fechar as portas para o resto do mundo nessa época. Não tenho família. Estarei sozinha neste Natal. Não me importo, porque posso ter tempo para trabalhar. Se há momentos nos quais somos inclinados ao perdão e à reconciliação, eles são superficiais, porque não sobrevivem à época do Natal. Penso que a fúria consumista do Natal é estressante. Não se trata de hipocrisia, apenas uma marca de nossa sociedade dominada pelo mercado. A história do Natal deveria nos fazer refletir sobre os proscritos. Ela fala dos refugiados da crueldade, da pobreza e da falta de um teto. Da falta de um lugar na hospedaria.

Valor: A “Bíblia” diz que Jesus se relacionou com pessoas consideradas impuras e odiosas pela sociedade da época, como os cobradores de impostos, as prostitutas e os leprosos. Se andasse pelas ruas de Jerusalém hoje, para quem ele olharia com maior compaixão?

Karen: Creio que gostaria de alcançar todos os judeus e palestinos em Jerusalém que perderam seus amados na luta, os que foram feridos, emocional e fisicamente por anos de guerra. Pediria aos extremistas dos dois lados que o coração deles não ficasse pesado pelo sofrimento, mas que vissem que o outro lado também está sofrendo. Pediria ao povo judeu que se lembrasse como se sentiu quando eles mesmos perderam sua terra, quando estiveram sem teto e privados de tudo – e que deixassem que essa lembrança conduzisse o seu jeito de lidar com os palestinos, que hoje passam por experiência semelhante. Que se lembrassem de Hilel, contemporâneo mais velho de Jesus, que resumiu toda a lei judaica desta forma: “Aquilo que detestas, não faça ao seu próximo. Esta é a ‘Torá’, o resto é comentário”. Jesus pediria aos israelenses para aplicar esse ensinamento à situação política atual. Também lembraria aos palestinos os sofrimentos que os judeus experimentaram na Europa no século XX, trauma que está vivo. O sofrimento e o medo distorcem a maneira como respondemos a uma situação. Jesus pediria às pessoas que olhassem para toda a dor que já experimentaram e que se lembrassem de que seus “inimigos” também estão sofrendo. (mais…)

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“Tenho orgulho de representar a Marina Silva”, diz Lucy Ramos, que viverá a ex-senadora em filme

Giovani Lettiere, no R7

Recém-saída da novela Cordel Encantado (Globo), Lucy Ramos não terá muito tempo para curtir férias. A atriz tem se debruçado sobre a vida e a obra da ex-senadora e ambientalista Marina Silva, que ela vai representar no cinema no filme Marina e o Tempo, de Sandra Werneck.

Em entrevista ao R7, Lucy contou estar fascinada pela trajetória da candidata à presidência da República em 2010.

- Estou muito feliz, conhecendo a Marina Silva a cada dia que passa, por meio do seu livro [Marina - A Vida por Uma Causa, de Marília de Camargo César] e de pesquisas. E assim que vejo um pouquinho mais dela, o interesse aumenta. Tenho orgulho de representar a Marina Silva.

A atriz conseguiu o papel graças a muitos testes. Concorriam ao posto de protagonista da cinebiografia, entre outras, Dira Paes e Vanessa Giácomo.

- Uma das coisas da profissão que me deixa nervosa é fazer teste. Mas a forma com que este foi conduzido me deixou mais à vontade! Isso resultou num melhor aproveitamento. Foram duas horas de teste e 10 páginas de texto para decorar.

Criador e criatura ainda não se encontraram. Mas por pouco tempo.

- Soube do resultado do teste há pouco tempo. Por enquanto, estou lendo o livro que inspirou o roteiro do filme. Mas quero fazer tudo que puder para representar a Marina Silva da melhor forma possível. Ainda não me encontrei com ela.

Elas ainda não se viram ao vivo, mas a ex-senadora assistiu ao vídeo com o teste de Lucy e ficou encantada com o resultado. Marina se emocionou com a trajetória simples da atriz, que nasceu em Pernambuco e chegou a morar numa comunidade em São Paulo.

- Por mais que eu tenha vindo de uma família simples, minha mãe nunca deixou faltar nada em casa. Sempre trabalhou muito para cuidar dos três filhos com muita força, garra e honestidade. Ela nos deu tudo o que estava a seu alcance. E o principal: educação e muito amor.

Essa trajetória de superação – parecida com a da ambientalista – e a semelhança física conseguida na caracterização foram preponderantes para a conquista do papel, além do teste bem-sucedido.

- Gostei muito de saber que a Marina Silva fez parte da escolha e gostou. Acho que tudo ajudou na escolha. A minha história é igual a de muitos brasileiros.

As filmagens começam em fevereiro de 2012.

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Primeiro livro de Sérgio Pavarini sai em novembro

Marília César

Os amantes do rock e da internet terão, a partir de novembro, a oportunidade de conhecer o primeiro registro de um jornalista que domina as duas linguagens: Sérgio Pavarini está estreando no mercado editorial impresso. A minha alma está a(r)mada - Lições de vida que o rock nacional me ensinou sai no próximo mês pela Thomas Nelson Brasil.

Conhecido como editor do Pavablog, um dos grandes canais nacionais de informação sobre entretenimento, política, cultura e, sobretudo, o universo cristão, Pavarini resolveu topar o desafio de escrever para um público jovem, habitualmente leitor de seus posts, a fim de exorcizar alguns fantasmas que guardava há tempos em seu baú afetivo.

Em meio a dicas sobre escolha profissional e de leitura, ele relata experiências e crises pessoais vividas em igrejas evangélicas, que renderam muitos questionamentos às posturas convencionais  e jargões. Em linguagem informal e fluída, as histórias são intercaladas com citações de músicas de seus roqueiros preferidos, de Raul Seixas a NX Zero.  “Uso o rock nacional ao longo de toda a obra. Em especial profetas que curto muito, como Cazuza e Renato Russo. Só não consegui achar lições legais no Restart”, ironiza.

O livro é uma fusão entre rock e espiritualidade e pretende alcançar jovens de todas as idades, independentemente da religião. “Tenho um montão de leitores sem qualquer tipo de crença e o livro segue a mesma vibe do que posto nas redes sociais, sem nenhum tipo de proselitismo”, afirma.

A seguir, trechos de uma rápida entrevista feita com o autor:

Por que demorou tanto para escrever um livro se tem um público jovem tão fiel há tanto tempo o seguindo pela rede?

Na internet você escreve hoje e amanhã seu texto é jurássico, ao contrário do que acontece nos livros. Topei o desafio justamente para perenizar algumas discussões, ampliando o papo com os leitores. No texto, apenas forneço pistas (certamente muitas das quais falsas).

Como tem feito para conciliar as atividades de blogueiro, palestrante e escritor? Qual sua rotina atual?

A mesma doideira de sempre. Mais de 30 abas abertas no computador e pelo menos mil mensagens diárias na caixa postal + redes sociais. Deve ser legal para o Philip Yancey ouvir música clássica e olhar as montanhas pela janela para se inspirar, mas minha pegada é outra.

Quais as maiores dificuldades que encontrou para escrever?

A “gravidez” é interessante porque torna você ainda mais sensível. No meu caso, isso significa quase virar emo. (rs). Algo legal que escuto ou uma frase no papo com amigos já se transforma num capítulo nas horas seguintes. Embora seja uma obra curta, requer fôlego longo na preparação. Falando sério, careço muuuito da oração, reza e torcida de todos nesta etapa final.

É muito diferente a linguagem da internet da linguagem que está exercitando no seu livro?

Há tempos optei por simplesmente conversar com os leitores, uma forma legal de tocar coração e mente ao mesmo tempo. Tentei recriar nas páginas a mesma leveza e o humor de um papo descontraído na mesa de um bar.

Qual a sua expectativa com essa obra?

Um do lances legais que combinei com a editora é que o livro mensalmente vai ganhar um capitulo inédito no hotsite. A ideia é promover a total interação com os leitores. Como sempre brinco, só tenho seguidores no Twitter. A proposta é colocar alguns temas em pauta e o papo vai continuar no site depois da leitura. O projeto gráfico ficou bem legal e espero que as pessoas curtam bastante.

Por que a escolha do título “A minha alma está a(r)mada”?

Além da brincadeira com a músida do Rappa, penso que o amor que o Criador tem por nós é a nossa maior arma para enfrentar os desafios do dia a dia. Em tempos de intolerância e de brigas de todos os tipos, enfatizar novamente o maior atributo divino é algo essencial. O caminho da relevância cristã passa pelo serviço como consequência do amor.

Trecho:

Vivemos tempos brochantes. Sério mesmo. Recebemos em apenas um dia a mesma quantidade de informação que um homem levaria a vida inteira para obter na Idade Média. Um clique no Mickey mouse é suficiente para abrir as janelas do mundo e o resultado pode ser ilustrado por uma das palavras que aparece com maior frequência na Twittosfera: tédio.

A profusão de informações (e de opiniões) ocasionou um efeito colateral bem estranho. Delegamos aos nossos articulistas favoritos a capacidade de pensar por nós. Temos nosso rol de escritores e emprestamos deles algumas ideias prontas. Em vez de correr os riscos inerentes à conquista, nos contentamos ao ver nossos ícones em ação, numa espécie de voyeurismo (oi?) preguiçoso cujo prazer é literalmente virtual.

Como é gratificante ajudar os outros a descobrir que o sexo entre os neurônios é sempre seguro. Além disso, proporciona sensações deliciosas e (re)produz ninhadas de sinapses. Juntos, vamos desfrutar de alguns momentos de prazer (ou não) e gerar alguns filhotes. Mães à obra!

Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Quem acredita sempre alcança
(Renato Russo, em Mais uma vez)

foto: Bruna Franco

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