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Asteroide matador é do Brasil-sil-sil!

Você enxerga a cratera de Araguainha nessa imagem feita por um satélite Landsat, da Nasa?

Você enxerga a cratera de Araguainha nessa imagem feita por um satélite Landsat, da Nasa?

Salvador Nogueira, no Mensageiro Sideral

Olha só: nunca antes na história deste país se teve notícia de uma tragédia parecida. A maior extinção em massa de todos os tempos pode ter começado a partir de um impacto de asteroide no Mato Grosso, cerca de 254 milhões de anos atrás.

A hipótese foi levantada por um grupo internacional de pesquisadores liderado por Eric Tohver, da University of Western Australia, e rendeu a capa da revista Pesquisa Fapesp deste mês, em competente reportagem do meu chapa Marcos Pivetta.

O trabalho, feito em colaboração com geólogos da USP, investiga a cratera de Araguainha, a maior das cicatrizes deixadas por asteroide no nosso Brasilzão. Eles estimam que um objeto de cerca de 4 km se chocou contra o nosso planeta naquela região e iniciou a cadeia de eventos que levaria à mais severa extinção em massa da história da Terra, com perda de 96% das espécies marinhas e 70% das espécies vertebradas terrestres.

Esse episódio de matança indiscriminada, conhecido também como a Grande Matança, ou evento de extinção do Permiano-Triássico, deixou a que aconteceria mais tarde — e acabaria com os dinossauros — no chinelo.

O que é curioso é que a morte dos gigantes lagartos (ou avós das galinhas, como queiram), ocorrida 65 milhões de anos atrás, foi ocasionada por um asteroide bem maior, com pelo menos 10 km  de diâmetro. E, por incrível que pareça, foi menos severa do que a ocasionada pelo impacto de Araguainha, com um objeto menor.

Por quê? Ao que parece, a grande tragédia do impacto brasileiro foi ter acontecido num terreno com muito carbono orgânico armazenado. A pancada (que gerou a cratera que vemos hoje, com respeitáveis 40 km de diâmetro) liberou uma quantidade brutal de metano na atmosfera, causando um aquecimento global violento e quase instantâneo. Sem tempo para se adaptar, muitas espécies morreram, causando o colapso da cadeia alimentar.

Vale lembrar que a hipótese de que a extinção do Permiano-Triássico teria acontecido pelo impacto brasuca ainda é controversa. Até agora, o único episódio de morte maciça de espécies indubitavelmente ligado ao impacto de um pedregulho espacial, dos sete conhecidos, é mesmo o que acabou com a festa dos dinossauros.

De toda forma, o estudo é um lembrete de que, quando um asteroide de grande porte cai por aqui, as coisas não costumam caminhar bem. Ignorar os assuntos espaciais é pedir para que algo assim aconteça de novo. Como dizia Arthur C. Clarke, “os dinossauros morreram porque não tinham um programa espacial”.

dica do Moisés Lourenço

Governador de Mato Grosso do Sul promete a sargento uma medalha “para cada bandido mandado ao inferno”

Governador fala sobre reação de assalto que terminou com dois bandidos mortos (Foto: Cleber Gellio)

Governador fala sobre reação de assalto que terminou com dois bandidos mortos (Foto: Cleber Gellio)

Edivaldo Bitencourt e Leonardo Rocha, no Campo Grande News

O governador André Puccinelli (PMDB) elogiou o sargento da Polícia Militar, Evanildo Gomes, que reagiu a um assalto na Lotérica Parati e matou os dois assaltantes. “Vou dar uma medalha para cada bandido que ele mandou para o inferno”, afirmou, durante a solenidade de formação de novos sargentos.

Ele parabenizou o trabalho do sargento Gomes. “Ele mostrou eficiência e que a PM tem um ótimo treinamento”, ressaltou Puccinelli. Ele disse que a ação de Gomes foi em legítima defesa. “Foi (um ato) em proteção da sua vida e da vida de terceiros que estavam no local”, contou. No momento da troca de tiros, sete clientes estavam na fila.

Por volta das 15h40 de ontem, o sargento Gomes estava na Lotérica Parati, na rua da Divisão, quando dois assaltantes chegaram e anunciaram o assalto. Eles começaram a agredir um funcionário da lotérica e estavam armados com pistola 9 mm e um revólver 38.

O policial estava a paisana e aguardou o momento certo para reagir. Ele escondeu o revólver calibre 38 no capacete. “Foi uma ação de cinco a 10 segundos”, contou Gomes, em entrevista ao Campo Grande News ontem. Ele atirou e matou os dois ladrões, Helton Esquiver da Cunha, 19 anos, e William Mercado Nunes, 24 anos.

Prioridade – O governador ressaltou que a segurança pública é

Evanildo virou "herói" no bairro e nas redes sociais após reagir a assalto (Foto: Cleber Gellio)

Evanildo virou “herói” no bairro e nas redes sociais após reagir a assalto (Foto: Cleber Gellio)

prioridade desde o início do Governo, em 2007. Ele contou que vai continuar investindo em efetivo e no sistema de inteligência. “Vamos fazer o trabalho mais modernizado”, frisou.

Ele contou que na semana passada, durante evento no Ministério da Justiça, o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, foi elogiado pelo desempenho da polícia em Mato Grosso do Sul. O Estado, segundo André, é um dos melhores no País no combate à criminalidade e na redução da violência.

O comandante da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto Davi dos Santos, disse que a realização de concurso público para contatar 524 novos policiais foi a grande realização deste ano. Ele disse que os índices sul-mato-grossenses são ótimos, mas os investimentos não podem parar. “É preciso ter mais efetivo e novas formas de combate ao crime, que se organiza cada vez mais, afirmou o coronel.

‘Agora posso comemorar’, diz pai de ‘mendigo gato’ sobre o Dia dos Pais

José Nunes precisou se aposentar após perder a visão.
Perto do prazo final do tratamento, Rafael comenta sobre planos futuros.

Pai de "mendigo gato" comemora o Dia dos Pais após o tratamento do filho (foto: Arquivo pessoal)

Pai de “mendigo gato” comemora o Dia dos Pais após o tratamento do filho (foto: Arquivo pessoal)

Adriana Justi, no G1

“Ninguém pode imaginar o que eu fiz e o que eu passei para tentar livrar o meu filho do mundo das drogas”, conta José Nunes da Silva, pai do jovem que ficou conhecido como o ‘mendigo gato’ de Curitiba. Depois de se envolver com as drogas, Rafael Nunes morou nas ruas da capital paranaense por um ano. Desde 2012, ele passa por tratamento em uma clínica em Araçoiaba da Serra, em São Paulo. Emocionado, o pai desabafou ao G1 e lembrou dos momentos ao lado do filho e da família até conseguir o tratamento.

“Foi um período de muito sofrimento. Mas agora, sim, eu posso comemorar o meu dia e, o melhor de tudo, sabendo que, em breve, terei toda a família unida, como éramos há muitos anos”, afirma José. Rafael começou o tratamento em outubro, quando ficou famoso ao ser fotografado em frente à Catedral Basílica de Curitiba por uma turista gaúcha.

José durante uma visita à clínica de reabilitação onde Rafael faz tratamento (foto: Arquivo pessoal)

José durante uma visita à clínica de reabilitação
onde Rafael faz tratamento (foto: Arquivo pessoal)

“Quando chegavam as datas comemorativas como esta, por exemplo, era quando a saudade falava muito mais alto. Natal e Ano Novo, então, eram sempre de muita mágoa. Nós ficávamos na expectativa de juntar toda a família, mas era inútil. A união tinha sido eliminada pelas drogas”, lembra o pai.

José tem 55 anos e mudou-se com a família de Sinop, no Mato Grosso, para o Paraná em 2006. Pouco tempo depois, perdeu a visão em virtude de problemas relacionados à diabetes. Desde então, ele precisou se aposentar e vive em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, com a esposa e uma filha.

Rafael começou a se envolver com as drogas aos 14 anos por influência do irmão mais velho, que também ficou internado e, atualmente, se considera “curado”, segundo o pai.

O restante da família mora no Rio Grande do Sul e nunca soube do problema das drogas. “Eu tinha vergonha de contar que meus filhos eram usuários. Nossa família sempre foi tida como unida e correta. Simplesmente não tinha coragem de contar para os outros”, relata. O aposentado ainda comentou que, em virtude disso, costumava mudar de cidade constantemente.

Rafael ficou famoso após pedir para ser fotografado em Curitiba (foto: Reprodução / Facebook)

Rafael ficou famoso após pedir para ser fotografado em
Curitiba (foto: Reprodução / Facebook)

Para ele, Rafael perdeu uma fase importante da vida – a adolescência. “No começo nem tanto porque ele ainda trabalhava e fazia fotos como modelo, mas com o passar dos anos ele perdeu a cabeça. Nós também perdemos uma fase da nossa vida porque ficávamos o tempo todo pensando em ajudar e em livrá-lo do problema. Foram noites mal dormidas e dias que não passavam nunca. Ninguém de nós tem boas lembranças desse período”, ressalta o pai.

“A droga leva as pessoas a se tornarem desumanas, desleais, desonestas e até mesmo covardes”, afirma José. “Rafael foi tudo isso comigo, mas eu nunca o culpei por nada disso porque eu sou pai. O verdadeiro pai é aquele que corrige, compreende e ajuda, mesmo nos piores momentos”, declara.

Em uma das situações, José chegou a ser agredido por Rafael  “Eu nunca tive medo dele, mas fiquei apreensivo porque não enxergava. Ele me deu um chute no peito, tudo porque queria dinheiro para comprar droga. Eu estava no quarto e caí em cima da cama”, conta. “Foi uma humilhação, fiquei triste, muito triste”.

O jovem visitou a família durante o tratamento duas vezes (foto: Thais Kaniak / G1)

O jovem visitou a família durante o tratamento duas vezes (foto: Thais Kaniak / G1)

Arrependimento
Perto do prazo final do tratamento, Rafael conversou com o G1 em uma entrevista  intermediada, por email, pela assessoria de imprensa da clínica. Ele disse estar “pronto para viver em sociedade” e declarou estar arrependido do que fez e do que passou ao lado da família no período em que era usuário de drogas.

“Acredito que, realmente, eu perdi boa parte da minha vida. Durante os 14 anos que eu consumi drogas e bebida alcoólica, eu tive dificuldade para me relacionar com meus pais, perdi amigos, não tinha mais convívio social. Perdi a naturalidade de ser e de viver em harmonia com as pessoas”, afirma.

O jovem admitiu que algumas ações agressivas, realmente, aconteceram. “Ora por efeito das drogas, ora por falta delas, que consiste na abstinência. Mas eu acredito que a pior agressão, com certeza, foram as palavras.”

“Mesmo longe, eu sempre visualizava toda a minha família reunida, porque sempre foi assim. Eu sempre quis voltar para casa, mas, na maioria das vezes, eu estava longe, em lugares distantes. Além disso, por conta do efeito das drogas, eu mudava de opinião a toda hora”, argumenta.

“Meu pai, minha mãe e meus irmãos significam tudo para mim. Acredito que só cheguei até aqui, pelo amor e carinho que eles nunca me negaram e por acreditarem que eu poderia sair daquela vida”, ressalta.

Vida nova
O tratamento de Rafael está previsto para terminar até o fim de agosto, segundo a assessoria de imprensa da clínica. Após a alta, ele declarou que pretende retornar para a casa dos pais. “Afinal, já faz dois anos que estou longe deles. Acredito que eles me auxiliarão nesse processo”, conta.

Sobre o futuro, Rafael conta que pretende se casar e constituir uma família. “Tenho 31 anos, acredito que tenho muita coisa para fazer. Quero me firmar profissionalmente como modelo e voltar para os estudos”.

TelexFree: como o caso traumatizou uma cidade

Lucas do Rio Verde, cidade próspera de 45 000 habitantes no norte do Mato Grosso, ficou paralisada após bloqueio de bens das empresas TelexFree e BBom, acusadas de criar pirâmides financeiras

Cidade Lucas do Rio Verde, no estado do Mato Grosso (foto: Ivan Pacheco)

Cidade Lucas do Rio Verde, no estado do Mato Grosso (foto: Ivan Pacheco)

Naiara Infante Bertão, na Veja on-line

Lucas do Rio Verde, no norte do Mato Grosso, é uma cidade tomada pela ansiedade. Seus 45 000 habitantes poderiam estar usufruindo da riqueza produzida por uma década próspera de agronegócio. Em vez disso, aguardam o desenrolar da investigação que, no último mês, resultou no bloqueio dos bens das empresas BBom e TelexFree, suspeitas de ter implantado portentosos esquemas de pirâmide financeira. No país inteiro, estima-se que mais de 1,3 milhão de pessoas tenham investido suas economias nesses dois negócios que, tudo indica, usavam a venda de produtos como rastreadores de veículos e pacotes de telefonia para encobrir uma falcatrua. A Justiça do Acre, que determinou o bloqueio de bens, pediu o congelamento de 6 bilhões de reais em bens dos sócios. Ou seja, os moradores de Lucas do Rio Verde não foram os únicos a embarcar na provável armação. Mas, na cidade, é possível observar de maneira dramática os efeitos do caso. Não apenas aqueles que “investiram” sentiram o baque. “A economia local quase parou depois do bloqueio. Tudo enfraqueceu como não se via há muito tempo”, conta a promotora do Ministério Público Estadual do Mato Grosso Fernanda Pawelec, uma das primeiras a investigar a atuação dessas companhias no país, em janeiro de 2013. Vendedores do comércio varejista ouvidos pela reportagem se mostraram desolados. “O último mês foi muito difícil. Quase ninguém compra. Não há dinheiro circulando”, disse a gerente de uma rede varejista local. Como quase todas as pessoas abordadas na cidade, ela preferiu não ter seu nome associado à história.

Há indicadores contundentes da maneira como as pessoas se envolveram nos negócios de TelexFree e BBom. Segundo funcionários da Caixa Econômica Federal ouvidos pelo site de VEJA em Lucas do Rio Verde, o volume de depósitos na poupança caiu 30% no auge da euforia com o esquema, e não se recuperou. Muitas pessoas, além disso, comprometeram todo o salário em diferentes bancos, levantando dinheiro em empréstimos consignados para aplicar nas empresas que, em tese, lhes dariam um retorno extraordinário. O número de empréstimos continua alto. “Mas parece que agora as pessoas estão pegando dinheiro para rolar outros compromissos”, diz um funcionário da Caixa.

Movimentos anormais também foram sentidos no mercado imobiliário. “As pessoas vendiam casa, terreno, comércio para investir. Agora, tem gente vendendo imóveis para pagar as dívidas”, contou José Valdemar Kluge, dono da imobiliária Dinâmica, uma das maiores da cidade.

Lucas do Rio Verde não é uma cidade pobre. Multinacionais como BR Foods e Cargill dividem espaço com grandes produtores agrícolas. O prefeito Otaviano Pivetta (PDT), de tradicional casta de políticos mato-grossenses, também é fundador da Vanguarda, uma gigante do agronegócio. Ele foi considerado, em 2012, o prefeito mais rico do Brasil, com patrimônio declarado de 321 milhões de reais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) per capita da cidade em 2010 chegava a 36.000 reais – maior que o de Rio de Janeiro e Curitiba e um pouco abaixo dos 39.000 reais de São Paulo. O avanço da renda se reflete no tamanho do investimento feito nas pirâmides. “Houve gente que investiu 600 000 reais na TelexFree na cidade”, diz um empresário. Segundo ele, o patamar mínimo de aportes dos moradores na TelexFree era de 3.000 reais. “Os ricos podem ficar frustrados, não sentem tanto a perda do dinheiro. Os pobres, sim. Muitos estão até sem casa”, afirmou.

As promessas de ganhos da TelexFree e da BBom faziam brilhar os olhos de todas as classes de investidores. Um gerente de uma loja varejista contou ao site de VEJA que aplicou 30.000 reais de uma só vez na TelexFree – 27.000 saíram da poupança e 3.000 de um empréstimo. Ao final de dois meses, ele conseguiu resgatar 48.000 reais – uma rentabilidade acumulada 60% (a poupança rende menos de 6% ao ano), que seria improvável até mesmo para o esquema desenhado pelo megainvestidor Bernard Madoff, nos Estados Unidos, e que desmoronou em 2008. Aí reside o problema das pirâmides. Funcionam bem enquanto poucos sacam seus rendimentos. Mas, se houver uma corrida de resgates, tudo vem abaixo. “Quem não quer ganhar dinheiro fácil? No começo, parece vantajoso. As promessas são de retornos extraordinários, basta que você traga mais gente para a armadilha”, diz Isabel de Fátima Ganzer, superintendente do Procon de Lucas do Rio Verde.

Ainda não há qualquer decisão da Justiça sobre a inidoneidade das empresas investigadas. Os associados – em sua grande maioria – bradam com fervor que as firmas são honestas e que o bloqueio de bens é quase ‘criminoso’. Chegaram a protestar em Brasília em favor da TelexFree. Estão desesperados com a possibilidade de assistir, impotentes, ao seu dinheiro virar pó. Questionados pela reportagem sobre a idoneidade das empresas, os habitantes de Lucas do Rio Verde se mostraram arredios. Ao mesmo tempo em que defendiam as firmas, mostravam um misto de medo e vergonha. O Ministério Público do estado recebeu, até agora, apenas dois pedidos de investigação. O órgão de defesa do consumidor da cidade recebe inúmeros telefonemas e visitas de pessoas que buscam informação sobre como pegar seu dinheiro de volta. Mas apenas quatro reclamações foram registradas até a tarde da última sexta-feira. Os associados, também chamados de “divulgadores” das empresas, continuam promovendo reuniões de motivação – se autodenominam “família BBom” e “família TelexFree” – mesmo que a Justiça os impeça de angariar novos membros para a rede.

O site de VEJA conversou com um casal, que pediu para se manter anônimo na reportagem, cuja adesão à TelexFree foi feita depois de a empresa ter sido proibida pela Justiça de incluir novos nomes em seu sistema. Ela, dona de casa, ele, pedreiro, investiram 15.000 reais com a promessa de receber todo o dinheiro de volta em 90 dias – além de uma rentabilidade mensal de 9.000 reais. A vendedora, segundo o casal, nada explicou sobre os pacotes de telefonia que são, em teoria, o principal negócio da TelexFree. “Sabíamos que tinha muita gente na cidade ganhando dinheiro com isso e pensamos, ‘por que não?’”, conta a dona de casa. Depois de alguns dias, já a par do bloqueio de bens, o casal tentou entrar em contato com a “divulgadora”. Tudo em vão. Procurado pela reportagem, o prefeito Otaviano Pivetta não quis dar entrevista por não dispor de muitas informações sobre o caso. Em resposta por email, disse: “Jogatina é sempre assim mesmo. A ilusão do ganho fácil”.

Carro com marca da TelexFree na cidade Lucas do Rio Verde no estado do Mato Grosso (foto: Ivan Pacheco)

Carro com marca da TelexFree na cidade Lucas do Rio Verde no estado do Mato Grosso (foto: Ivan Pacheco)

Sobe para 18 número de empresas investigadas por pirâmides financeiras

Além da Telexfree, BBom, Multiclicks, NNex, Priples e Cidiz, outras doze companhias estão sendo averiguadas com suspeita de praticarem crime financeiro. Outras cinco podem ainda juntar-se ao grupo na semana que vem

  Telexfree e BBom foram as duas empresas que tiveram os bens bloqueados até agora pela Justiça Cerca de 300 manifestantes bloquearam a BR 116, em frente ao Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio (RS), durante protesto contra a decisão da juíza do Acre que suspendeu as contas bancárias da empresa Telexfree em todo o país, em 02 de julho (Marcio Rodrigues/Futura Press)

Telexfree e BBom foram as duas empresas que tiveram os bens bloqueados até agora pela Justiça Cerca de 300 manifestantes bloquearam a BR 116, em frente ao Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio (RS), durante protesto contra a decisão da juíza do Acre que suspendeu as contas bancárias da empresa Telexfree em todo o país, em 02 de julho (Marcio Rodrigues/Futura Press)

Naiara Infante Bertão, na Veja on-line

O número de empresas investigadas de praticar pirâmide financeira, considerado crime no Brasil, só aumenta. O total de empresas averiguadas saltou para dezoito, segundo o promotor José Augusto Perez Filho, do departamento de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Rio Grande do Norte. A elas podem se somar mais cinco na semana que vem, chegando a 23 companhias investigadas. Na quinta-feira, o número estava em treze.

O promotor ressalta, contudo, que esta é a fase inicial de apuração para a maioria delas e ainda não foi comprovado se seu modelo de negócio está enquadrado no crime de pirâmide financeira. “Pode ser que seja constatado que algumas são, de fato, empresas de marketing multinível. Temos muito trabalho daqui para frente”, conta Perez.

As investigações estão sendo feitas por quase 20 promotores e procuradores federais de vários estados, tais como Acre, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Alagoas, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, São Paulo (interior), Maranhão e Distrito Federal.

Duas empresas já tiveram os bens bloqueados por medida judicial – a Telexfree e a BBom. Outras quatro já estão com inquéritos de investigação instaurados: Nnex, Cidiz, Multiclick e Priples. O promotor não quis revelar quais os nomes das outras empresas investigadas.