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Pastor brasileiro é preso por suspeita de tráfico de menores na África

O pastor, há 4 meses na cadeia, teve habeas corpus negado (Foto: Terceiro / Agência O Globo/Acervo Pessoal)

O pastor, há 4 meses na cadeia, teve habeas corpus negado (Foto: Terceiro / Agência O Globo/Acervo Pessoal)

Rafael Soares, no Extra

Uma missão evangélica liderada por brasileiros virou caso de polícia no Senegal. O pastor José Dilson da Silva, da Igreja Presbiteriana Betânia de Niterói, e a missionária Zeneide Moreira estão presos há quatro meses em Thiès, a 70 quilômetros da capital do país, Dakar. Os religiosos, há 22 anos pregando na África, são acusados de formação de quadrilha, aliciamento e tráfico de menores no projeto Obadias, criado pelo pastor em 2011. A iniciativa consistia em dar abrigo, comida e educação evangélica a 17 crianças de origem islâmica recolhidas nas ruas de Dakar.

A denúncia chegou à polícia em novembro do ano passado por Abdou Fall, pai de um dos meninos acolhidos. Segundo ele, os missionários não tinham autorização dos pais para levarem as crianças. Há 12 dias, a Justiça senegalesa negou um pedido de habeas corpus feito pelos advogados dos religiosos.

José Dilson está preso há 4 meses Foto: Arquivo pessoal

José Dilson está preso há 4 meses Foto: Arquivo pessoal

O pastor numa obra de casas do projeto Mibur (Foto: Arquivo pessoal)

O pastor numa obra de casas do projeto Mibur (Foto: Arquivo pessoal)

 

O pastor Josué Oliveira, da mesma igreja do missionário e interlocutor da família no Brasil, afirma que em sua viagem ao Senegal, no ano passado, encontrou um clima hostil sobre o caso:

— Como a religião predominante no Senegal é o islamismo, missões evangélicas são vistas com maus olhos.

Enquanto o processo se desenrola na Justiça senegalesa, José Dilson reclama das condições precárias do presídio, em Thiès, a 60km da capital. Cartas do pastor à família, obtidas pelo EXTRA, revelam que ele está em uma cela compartilhada com 30 pessoas, sem janelas.

O religioso teria tido problemas para se adaptar às refeições da cadeia por ser diabético. Há um mês, ganhou o direito de receber comida especial enviada diariamente por sua mulher, Marli.

“Todas as noites são quentes, sem espaço pra me virar, desconfortáveis ao extremo. Com tudo isso, sei que Jesus está ao meu lado e isso me conforta”, escreveu ele.

O pastor José Dilson com a mulher, Marli, e as crianças (Foto: Arquivo pessoal)

O pastor José Dilson com a mulher, Marli, e as crianças (Foto: Arquivo pessoal)

 

Crianças da Guiné

O caso veio à tona na imprensa senegalesa quando o jornal “Le Populaire” publicou a manchete “Pastor brasileiro convertia crianças ao cristianismo”, em novembro. Os menores recolhidos são da Guiné Bissau, país vizinho onde se fala português.

Governo brasileiro

A assessoria de imprensa do Itamaraty alega que o órgão não pretende pressionar o governo senegalês: “Essa é uma questão jurídica, e não política. O efeito de uma possível pressão poderia ser contraproducente, até porque há uma questão religiosa envolvida”.

Até seis meses

A Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, que financia o projeto Obadias e cuida dos trâmites jurídicos para o pastor, afirma que vai recorrer contra a prisão até a última instância. No Senegal, acusados por um crime podem ficar até seis meses em prisão preventiva.

Não legalizado

Segundo a família do pastor, os problemas com a Justiça se deram porque o escritório contratado pelos brasileiros em 2011 para conseguir as autorizações para a permanência dos menores não era legalizado.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

neste link, abaixo-assinado da ONG Rio de Paz pedindo a libertação do pr. José Dilson. #assinado

77 milhões de meninas sonham em ir à escola

título original: Meryl Streep, Selena Gomez e Anne Hathaway participam de filme em prol da educação de meninas

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Publicado originalmente em O Fuxico

Um time de pessoas notáveis se engajou em importante campanha que visa acabar com o drama de meninas ao redor do mundo que lutam pelo direito de estudar. Capitaneados por Anne Hathaway, nomes como Cate Blanchett, Selena Gomez, Liam Neeson, Priyanka Chopra, Chloë Moretz, Freida Pinto, Salma Hayek, Meryl Streep, Alicia Keys, e Kerry Washington emprestaram suas vozes e apoio. Trata-se do filme da Girl Rising, que visa apoiar mais de 66 milhões de meninas que sonham com o direito de ir à escola.

Trata-se de uma ação global, que se chama10X10, pela educação de meninas. A primeira grande iniciativa é o filme Girl Rising (Crescimento da menina).  A campanha foi criada por um grupo de jornalistas que, motivados pela causa, chegaram à simples conclusão de que educando meninas é possível mudar o mundo.

O lançamento aconteceu em 11 de outubro de 2012 quando foi celebrado o primeiro ano do Dia Mundial das Meninas, instituído pela Assembléia Geral da ONU.

O Filme

A ideia do filme Girl Rising surgiu após o triste episódio envolvendo a garota paquistanesa Malala Yousufzai, de 15 anos, que em  9 de outubro de 2012 foi baleada na cabeça e no pescoço pelo Talibã. Ela estava a bordo de um ônibus, no trajeto de casa para a escola. Malala e sua família se transformaram em alvo do Talibã devido ao seu trabalho defendendo a educação feminina em seu país.

Girl Rising conta histórias extraordinárias de meninas de todo o mundo lutando para superar a impossibilidade de estudar e será lançado mundialmente em 7 de março de 2013, véspera do Dia Internacional da Mulher.  Ao redor do mundo, milhões de meninas enfrentam barreiras para estudar e, muitas vezes, sofrem graves consequências por insistirem nesse sonho. O mesmo não acontece com meninos.

Vale lembrar que quando uma garota se educa, ela consegue o feito de quebrar ciclos de pobreza que assombram sua família, em apenas uma geração. Entre as histórias relatadas estão as de duas meninas de projetos da Visão Mundial na Índia e Etiópia.

A proposta de Girl Rising é chamar a atenção para o tema, aumentar a consciência mundial e estimular, tanto a ação, quanto o financiamento para projetos relativos ao problema.

Entre os parceiros que apoiam a iniciativa está a rede de TV CNN, que exibirá o filme Girl Rising para milhões expectadores ao redor do mundo.

Em relação às doações, a campanha propõe que cada pessoa doe US$ 50 para contribuir com a educação de uma menina durante um ano inteiro.

Como ajudar?

Pais denunciam escola por proibir criança transgênero de usar banheiro das meninas

Coy Mathis, 6, usa roupas femininas e seus colegas costumavam se referir a ela por pronomes femininos

Coy Mathis, 6, usa roupas femininas e seus colegas costumavam se referir a ela por pronomes femininos

publicado no Educação UOL

No Estado de Colorado (EUA), uma criança transgênero de seis anos foi proibida pela escola de usar o banheiro feminino. Os pais estão acionando legalmente a escola pela proibição, as informações são do jornal Denver Post.

Coy Mathis, 6, nasceu menino mas se identifica como menina. Ela começou a frequentar a escola em dezembro de 2011, mas foi tirada após o problema, quando os pais Kathryn e Jeremy Mathis optaram pela educação doméstica.

Coy usa roupas femininas e seus colegas e professores costumavam se referir a ela por pronomes femininos. No entanto, os administradores da unidade decidiram, em dezembro, que a criança deveria usar o banheiro dos meninos, o banheiro dos funcionários ou o da enfermaria.

De acordo com a administração da escola, a decisão foi tomada “não apenas por Coy, mas pelos outros estudantes, seus pais” e o futuro impacto possível de um garoto usar o banheiro de meninas quando for mais velho.

Para os pais, a decisão da escola estigmatiza sua filha. “Isto a conduzirá a um futuro de assédio e intimidação e criará um ambiente inseguro. A escola tem uma excelente oportunidade para ensinar aos alunos que as diferenças são normais, e devemos abraçar suas diferenças, em vez de ensiná-los a discriminar alguém que é um pouco diferente “, disse a mãe ao jornal Denver Post.

Para mudar a sociedade

Ainda segundo o jornal Denver Post, a mãe conta que Coy insiste ser uma menina, e não um menino, desde o momento em que começou a falar.

“É importante para nós falar sobre o assunto, pois muitas pessoas têm tido medo de serem verdadeiras com elas mesmas”, disse Kathryn. “Elas sabem desde crianças quem são, mas têm medo de contar. Queremos ajudar a criar uma sociedade em que é normal ser quem você é.”



 

 

 

 

Kaká deveria liderar Seleção em 2014

kaka-realNeto, no UOL Esporte

Estava acompanhando o jogo entre Real Madrid e La Coruña pelo Espanhol e me impressionei com a bola que o Kaká jogou. Ele fez o primeiro gol, iniciou a jogada do segundo e foi decisivo a vitória merengue de virada por 2 a 1. Além de pensar o quanto o tal de Mourinho é bobo por boicotá-lo no clube, fiquei com a nítida sensação de que ele sim pode ser o líder da Seleção na disputa da próxima Copa do Mundo. Além de extremamente técnico e inteligente taticamente, o Kaká é calmo e sabe transmitir serenidade para um grupo de atletas.

A verdade é que o Brasil tem jogadores excelentes como Neymar, Lucas, Oscar, Ganso, entre outros. Mas falta experiência para esses meninos. São crus em determinados quesitos. Uma prova disso tem acontecidos nos amistosos recentes. Contra a Inglaterra em Wembley o time não rendeu o esperado. O santista Neymar, nossa grande esperança para o Mundial, foi mais notado em campo pelo visual do que propriamente pela bola.

Felipão tentou Ronaldinho contra os ingleses. Também não rendeu, transparecendo que o período do Gaúcho com a amarelinha pode ter chegado ao fim. Já Kaká, apesar das lesões que o atrapalharam nas últimas temporadas, ainda tem lenha pra queimar. Vale a aposta do comandante brasileiro. Veja abaixo o show de Kaká:

Por uma sociedade melhor, meninos deveriam brincar de boneca e de casinha

 Menino brinca de boneca em católogo Foto: Reprodução da web

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Tenho dado bonecas de pano de presente para filhos de alguns amigos. Há algumas lojas que vendem brancas, negras, indígenas, asiáticas.

Diante do estranhamento dos pais (“Ah, mas ele é menino!”), tento explicar que brincar de boneca e de casinha deveria ser algo incentivado a ambos os sexos.

Formaríamos homens mais conscientes e menos violentos se eles entendessem, desde cedo, que cuidar de bebês, cozinhar, limpar a casa não são tarefas atreladas a um gênero, mas algo de responsabilidade do casal. Não há nada mais anacrônico do que tomar como natural que o homem deve sair para caçar e a mulher ficar cuidando da tenda no clã. Em alguns países, após um período inicial de licença maternidade básica, o casal escolhe quem continua fora do trabalho para cuidar do pimpolho. Podem decidir, por exemplo, que ele ficará em casa e ela irá para a labuta.

Enquanto isso, damos armas e espadas de brinquedo para os meninos. Dia desses, vi um par de pequeninas luvas de boxe expostas em uma loja – para lutadores de seis anos. Evoluímos como sociedade, mas continuamos fomentando a agressividade entre eles como se fosse algo bom. A indústria de brinquedos, com raras exceções, trabalha com essa dualidade “meninas precisam aprender a cuidar da casa e ficar bonitas para os meninos” e “meninos precisam aprender a governar o mundo”. Quem quer romper com isso encara certa dificuldade para encontrar produtos.

O filho de um amiga ganhou de presente um kit de panelinhas, prato e talheres de brinquedo. Ele adora. Mas foi duro encontrar um modelo que não tivesse estampas com desenhos de meninas. Isso sem contar as caixas, que trazem garotas brincando de cozinha, como se o produto não pudesse ser utilizado por garotos também. Isso sem falar dessa imbecilidade de que rosa é cor de menina e azul de menino. Quando alguém começa a defender esse maniqueísmo pobre, dá uma preguiça…

Brinquedos não deveriam trazer distinção de gênero. Ou como diz uma imagem que estava correndo o Facebook: “Como saber que um brinquedo é para menino ou para menina?” E faz uma pergunta: “Vibra?” Se a resposta for sim, não é para crianças. Se a resposta for não, vale para ambos os sexos.

O homem é programado, desde pequeno, para que seja agressivo. Raramente a ele é dado o direito que considere normal oferecer carinho e afeto para outro ser em público. Ou cuidar de bebês e da casa. Manifestar sentimentos é coisa de mina. Ou, pior, é coisa de “bicha”. De quem está fora do seu papel. Papel que é reafirmado diariamente: dos comerciais de produtos de limpeza em que só aparecem mulheres sorrindo diante do novo desentupidor de privadas até a escolha de determinados entrevistados por nós jornalistas, que também dividimos o mundo entre coisas de homem e de mulher. “Ah, mas o mundo é assim, japa.” Não, não é assim. Nós que não deixamos ele ser diferente.

Homens que trabalham no Brasil gastam 9,5 horas semanais com afazeres domésticos, enquanto que as mulheres que trabalham dedicam 22 horas semanais para o mesmo fim. Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com isso, apesar da jornada semanal média das mulheres no mercado ser inferior a dos homens (36 contra 43,4 horas, em termos apenas da produção econômica), a jornada média semanal das mulheres alcança 58 horas e ultrapassa em mais de cinco horas a dos homens – 52,9 horas – somando com a jornada doméstica. Ou 20 horas a mais por mês. Ou dez dias por ano.

A análise mostra também que 90,7% das mulheres que estão no mercado de trabalho realizam atividades domésticas. Enquanto isso, entre nós homens, esse número cai para 49,7%. Porque brincar de casinha é coisa de menina.

Trabalho doméstico não é considerado trabalho por nossa sociedade, mas sim obrigação, muitas vezes relacionado a um gênero, que tem o dever de cuidar da casa. Às vezes, o casal trabalha fora e, nesse caso, terceiriza-se o serviço doméstico para outra mulher, seja ela babá, faxineira ou cozinheira. Sem, é claro, garantir a elas todos os direitos trabalhistas porque, até o Congresso Nacional aprovar nova lei, são cidadãs de segunda classe. E, diante da possibilidade de pagar direitos trabalhistas a quem faz o trabalho doméstico, a classe média pira.

A disputa é no campo do simbólico e, portanto, fundamental. Todos nós, homens, somos inimigos até que sejamos devidamente educados para o contrário. E os brinquedos que escolhemos para nossos filhos fazem parte dessa longa caminhada a fim de garantir um mínimo de decência para com o sexo oposto.

Abaixo, vídeo de uma sensacional campanha do governo do Equador contra o machismo que traduz em imagens o que quero dizer:

dica do Sidnei Carvalho de Souza

imagem: campanha da Top Toy, na Suécia