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SBT divulga mensagem de apoio a grupo que amarrou homem nu em poste

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Publicado no UOL

Até entendo, embora não concorde, que setores da população, indignados com a violência, apoiem gestos como o dos jovens que detiveram um suposto assaltante, o agrediram e o deixaram nu e preso com uma trava de bicicleta a um poste, no Flamengo, no Rio.

Mas acho estranho que uma emissora de televisão divulgue uma mensagem tão agressiva de apoio a este gesto, como o comentário da jornalista Rachel Sheherazade no “SBT Brasil” desta terça-feira (04) sobre “o marginalzinho amarrado ao poste”.

“Num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”, disse a apresentadora. “O Estado é omisso, a polícia desmoralizada, a Justiça é falha… O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro”. E finalizou: “O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.

O comentário da apresentadora do “SBT Brasil” pode ser visto aqui.

Preocupada, Globo orienta repórter a denunciar irregularidades da Copa

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Publicado no Notícias da TV

A Globo distribuiu na semana passada uma recomendação a todos os jornalistas da rede para que adotem uma cobertura “equilibrada” da Copa do Mundo, que ocorre no Brasil de 11 de junho a 13 de julho. A orientação vale principalmente para os profissionais que trabalham para o Jornal Nacional.

Os coordenadores de cobertura da Copa de todas as afiliadas foram orientados a transmitir a repórteres e editores a mensagem de que a Copa e a seleção brasileira são uma paixão nacional, mas que irregularidades deverão ser denunciadas e “pautas positivas” deverão ser evitadas, a não ser que “surjam naturalmente”.

Reportagens que mostram como a Copa está beneficiando grupos de pessoas, como os comerciantes vizinhos a estádios, já não estão sendo produzidas para o Jornal Nacional.

Jornalistas da Globo entenderam a mensagem da seguinte forma: não se deve enaltecer a Copa para não passar a mensagem de que a emissora é aliada da Fifa, organizadora do evento. A rede, enfim, irá cobrir tudo, sem tirar nem por. Só haverá oba-oba em cima da seleção e seus craques, caso o Brasil, é claro, faça uma boa campanha.

Apesar do esforço do jornalismo, a Globo é, sim, aliada da Fifa. Não apenas como detentora dos direitos de transmissão da Copa do Mundo, mas também como licenciadora de mais de 1.700 produtos do evento, que deverão movimentar R$ 2 bilhões no varejo, segundo estimativa da emissora. A Globo já faturou R$ 1,438 bilhão com a venda das oito cotas de patrocínio das transmissões da Copa.

E, se no jornalismo a ordem é procurar distanciamento, na publicidade o posicionamento da Globo é de emissora oficial da Copa. A Globo lançou sábado um novo comercial, chamado Cadeiras, sob o conceito “Agora Somos um Só”, cuja proposta é mostrar “como a televisão, com a transmissão de uma Copa do Mundo, tem a magia de colocar o país todo na mesma vibração”.

Lady Gaga impede suicídio de fã brasileiro com mensagem de apoio

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Publicado no F5

Lady Gaga salvou a vida de um de seus fãs através de uma mensagem de apoio na sua rede social, “Little Monsters”.

O brasileiro Will Nascimento escreveu uma carta de despedida no site, dizendo ser vítima de homofobia da própria mãe e que “não aguentaria muito tempo”.

Tocada pela história, a própria Lady Gaga respondeu a mensagem do garoto, dizendo que precisa dele e que “toda tristeza pode ser superada”.

“Então… Adeus! Não sei se eu consigo aguentar. Tento ser extrovertido, divertido e sorridente, mas não consigo. Passar pelo que eu passo, ouvir o que eu ouço, não é bom e eu não desejaria isso nem para o meu pior inimigo”, escreveu Will.

“Os dois últimos anos na minha vida têm sido um inferno. Desde que me assumi para minha mãe, ela tem me dito coisas horríveis. Sou chamado de drogado, prostituto, obsceno, promíscuo, demoníaco e condenado ao inferno todos os dias… pela pessoa que mais amo na vida! Toda a minha família me aceitou, menos minha mãe, que é evangélica e extremamente religiosa. Ela esfrega a bíblia na minha cara toda hora e me faz me sentir mal”.

“Não sei se consigo aguentar muito tempo. Já realizei alguns sonhos na vida. Não vou partir completamente feliz, mas vou partir com a lembrança da Gaga cantando meu nome durante a performance de Alejandro no show no Rio de Janeiro. Monsters, esse deve ser meu último post aqui, então, adeus! Amo todos vocês e te amo muito, Gaga. Adeus, vida”.

Para a surpresa do jovem, a própria cantora comentou em sua mensagem.

“Não, não, não! Não se atreva! Olhe para esse rosto lindo! Toda tristeza pode mudar, mas você tem que trabalhar para isso. Converse com aqueles que te apoiam e fique conosco aqui no site. Nós precisamos de você! Eu preciso de você. Sem você, eu perderia uma parte do meu coração. Eu te amo, monster. Às vezes, as pessoas não têm compaixão. Não fique mal. Sinta pena deles.”

“Muito obrigado, Gaga. É muito difícil, mas eu vou tentar. Por você!”, respondeu o garoto. Mais de 200 fãs demonstraram apoio e mandaram mensagens agradecendo a compaixão de Gaga.

Funcionária americana publica mensagem polêmica sobre Aids em rede social e gera revolta

Publicado em O Globo

A relações públicas Justine Sacco gerou polêmica com mensagem no Twitter Reprodução / Facebook

A relações públicas Justine Sacco gerou polêmica com mensagem no Twitter Reprodução / Facebook

RIO — A americana Justine Sacco, diretora de comunicação da IAC — empresa que controla serviços e sites como Vimeo, Tinder, CollegeHumor e Dictionary.com — foi acusada de racismo por internautas após publicar, no Twitter, uma mensagem em que anunciava uma viagem. “Indo para a África. Tomara que eu não pegue Aids. Brincadeira, sou branca!”, escreveu a relações públicas nesta sexta-feira.

A mensagem repercutiu rapidamente nas redes sociais. O post foi replicado mais de três mil vezes. Quando Sacco chegou ao continente, o caso já tinha sido noticiado em diversos veículos de comunicação.

Após a repercussão, o perfil de Sacco foi apagado no microblog. Mas a empresa que a contratou não ficou em silêncio. “É um comentário escandaloso e ofensivo que não reflete a visão e os valores da IAC. Infelizmente, a funcionária em questão está inacessível em um voo internacional, mas essa é uma questão muito grave e vamos tomar as medidas apropriadas”, afirmou um porta-voz da empresa ao “Internacional Business Times”.

O assunto se tornou um dos mais comentados no Twitter no dia. No histórico de publicações de Sacco, há outras mensagens polêmicas. “Eu gosto de animais, mas quando está frio eu recorro aos pelos”, diz uma, direcionada à PETA, organização que luta pelos direitos dos animais.

Sacco não comentou o assunto. O “The Mail Online” tentou entrar em contato com a assessoria da IAC, mas como a funcionária é responsável pela área, não havia ninguém disponível para responder.

Cerca de 69% dos portadores do vírus HIV vivem na África subsariana, segundo a organização Do Something. A estimativa é que 23,8 milhões de africanos tenham Aids.

O que a história tem a dizer sobre Jesus

Pesquisas de historiadores ajudam a confirmar que, de fato, Jesus caminhou sobre a região da Galileia há 2.000 anos. As descobertas, no entanto, não devem satisfazer aqueles que levam a Bíblia ao pé da letra

Ao longo dos séculos, Jesus foi interpretado de maneiras diversas por religiosos, artistas e governantes. O trabalho dos historiadores é deixar toda essa carga teológica para trás e encontrar o homem e a mensagem que deu origem a tudo

Ao longo dos séculos, Jesus foi interpretado de maneiras diversas por religiosos, artistas e governantes. O trabalho dos historiadores é deixar toda essa carga teológica para trás e encontrar o homem e a mensagem que deu origem a tudo

Guilherme Rosa, na Veja on-line

O pesquisador americano Joseph Atwill é categórico: Jesus não passa de um mito. O personagem, suas palavras e ações fazem parte de uma elaborada narrativa inventada por aristocratas romanos, com o objetivo de pacificar os judeus — um povo envolvido em sucessivas rebeliões contra o império. Atwill apresentou suas ideias em outubro, numa conferência realizada em Londres, na Inglaterra. “Os romanos perceberam que o melhor caminho para acabar com a atividade missionária fervorosa entre os judeus era criar um sistema de crenças que competisse com o deles”, afirmou.

Joseph Atwill não é um acadêmico da área — sua formação é em ciências da computação. Ele não publicou suas pesquisas em periódicos científicos e suas ideias estão longe de ser apoiadas por seus pares. No entanto, sua teoria recebeu atenção mundial, e foi debatida entre pesquisadores, jornalistas e religiosos. Seu poder está no fato de ela ser o capítulo mais novo de uma antiga discussão — com quase 2.000 anos de idade — sobre qual é a verdade por trás de Jesus, seus feitos, milagres e mensagem.

Para Atwill, a ideia de que Jesus não passaria de uma montagem histórica deveria funcionar como um duro golpe aplicado pela ciência contra a ignorância propagada pela religião. “Embora o cristianismo possa ser um conforto para alguns, ele também pode ser muito prejudicial e repressivo, uma forma insidiosa de controle mental que levou à aceitação cega da servidão, pobreza e guerra ao longo da história”, diz. Seu erro é que a existência de Jesus não é mais uma questão de fé, mas de ciência.

Os acadêmicos da área — historiadores das mais prestigiadas universidades do mundo — afirmam restar poucas dúvidas sobre a questão. “Volta e meia aparecem essas hipóteses sobre Jesus ser um mito. Mas, do ponto de vista metodológico, parece bastante claro que ele realmente existiu”, diz André Chevitarese, professor do Instituto de História da UFRJ e autor dos livros Jesus Histórico – Uma Brevíssima Introdução e Cristianismos: Questões e Debates Metodológicos (Editora Kline), em entrevista ao site de VEJA.

Jesus histórico — Os historiadores deixam claro que o personagem estudado por eles não é o mesmo da religião. Eles estão em busca de informações sobre o homem chamado Jesus, que viveu na Galileia há 2.000 anos e em torno do qual foi criada a maior religião do mundo. “Os historiadores não buscam um ser divino, que é impossível de quantificar, medir e avaliar. O Jesus da história é estritamente humano“, afirma Chevitarese.

Nessa busca pelo Jesus histórico, a perspectiva dos pesquisadores lembra a de São Tomé, o apóstolo que duvidou de Cristo e exigiu provas de sua ressurreição. Do mesmo modo, os historiadores não podem acreditar cegamente no que dizem as religiões e seus líderes, mas devem embasar tudo que afirmam em evidências. Essas provas não precisam ser, necessariamente, físicas, como a descoberta de uma ossada ou um túmulo. “Se esse critério fosse adotado, 95% dos personagens históricos não seriam reconhecidos”, diz o pesquisador.

Hoje, o critério mais importante que os pesquisadores possuem para atestar a existência de Jesus é o da múltipla confirmação: autores diferentes, que nunca se conheceram, afirmam fatos semelhantes sobre o personagem.

Os textos mais antigos sobre Jesus datam do século I, em sua maioria escritos por seguidores do cristianismo. A exceção é Flávio Josefo, um historiador judeu que tentou escrever toda a história do povo judaico, desde o Gênesis até sua época. Ele cita Jesus, João Batista e Tiago (irmão de Jesus) como exemplos de homens que lideraram movimentos messiânicos na região da Galileia.

No século seguinte, surgem mais textos de historiadores que citam Jesus e, principalmente, o movimento iniciado por seus seguidores. “Esses dados servem para mostrar que não estamos no campo da mitologia. São autores judeus e romanos, que nunca se tornaram cristãos, e permitem afirmar de modo muito seguro que Jesus é um personagem histórico.”

O homem — A esses textos se somam descobertas recentes da arqueologia que fornecem informações precisas sobre o tempo e o espaço em que Jesus viveu. Os dados não são abundantes, mas permitem esboçar como se pareceria esse personagem histórico real. “Não podemos afirmar exatamente a cor de pele e cabelo de Jesus. A partir dos mosaicos e dos afrescos que retratam outros romanos, judeus e sírios que viviam no mesmo ambiente, a tendência maior é de vermos um Jesus de cabelos preto, com a pele queimada por causa de sol”, diz Chevitarese.

Segundo a maior parte dos historiadores, Jesus não nasceu em Belém, como afirmam algumas passagens bíblicas, mas em Nazaré — uma pequena aldeia montanhosa da Galileia, cuja população era camponesa e girava em torno de 500 indivíduos. “A aldeia não tinha nenhuma relevância política, não possuía construções públicas ou sinagogas. Os escritores dos Evangelhos mudaram o lugar por razões teológicas, para que o nascimento de Cristo confirmasse algumas profecias do Antigo Testamento.”

Jesus teria nascido na pequena vila em torno do ano 4 A.C., e teria passado a maior parte de sua vida na região, sem nunca pisar em uma cidade grande. A exceção acontece quando ele entra em Jerusalém — ato que teria como consequência sua crucificação pelas autoridades romanas. Sua morte deve ter acontecido por volta dos anos 35 e 36 D.C., pouco tempo depois de João Batista também ter sido morto pelos romanos, segundo a narrativa de Flávio Josefo.

A mensagem — Segundo os historiadores, tão importante quanto quem era Jesus é o que ele dizia — foi sua mensagem poderosa que repercutiu em todo o mundo e, séculos mais tarde, deu origem às diversas vertentes religiosas. “Ele era um camponês pobre que, diante das injustiças que o mundo apresentava, defendia a instauração do Reino de Deus — um reino de justiça e fartura, sem hierarquias sociais”, diz Chevitarese.

A mensagem espiritual — e messiânica— de Jesus era voltada especialmente aos judeus de seu tempo. Ela, no entanto, adquiria caráter político ao afrontar o Império Romano e setores da elite judaica. Foi justamente a força dessa mensagem, e os rebanhos que ela poderia angariar, que levaram à sua crucificação e morte. Como aconteceu muitas vezes na história, no entanto, o assassinato de Jesus não conseguiu matar suas ideias.

Jesus teológico — Jesus nunca chegou a colocar suas ideias no papel (nem poderia, os historiadores afirmam que ele era analfabeto). A maior parte do que chega aos dias de hoje sobre o personagem e suas ideias foi escrito por seguidores das primeiras comunidades cristãs, duas ou três gerações depois de sua morte. Os autores não estão preocupados em transmitir uma versão fiel dos fatos, como uma biografia, mas em defender os pressupostos de sua fé. Assim, os primeiros cristãos que escrevem sobre Jesus — os evangelistas — já não estão fazendo história, mas teologia.

Nessa época o cristianismo começava a se distanciar do judaísmo em que ele estava originalmente inserido, e a se aproximar do Império Romano — o que exigiu algumas mudanças em sua mensagem. “Ao serem escritas, suas ideias começam a ser diluídas, pois vários filtros são impostos. Primeiro, Jesus é um indivíduo de fala aramaica, mas quase tudo que conhecemos sobre ele está escrito em grego. Além disso, os textos são destinados a convencer um público urbano, muito diferente dos camponeses para quem Jesus pregava”, diz Chevitarese.

Com o passar dos séculos, isso abriu margem para que vários teólogos interpretassem as escrituras de maneiras variadas, criando as inúmeras vertentes do cristianismo que se encontram nos dias de hoje. Assim, a depender de quem faz a homilia, Jesus pode ser visto como um personagem sagrado ou humano, santo ou falho, foco de paz ou de guerra, de fundamentalismo ou de liberdade.

É por isso que o estudo do Jesus histórico é importante. “Ele pode ajudar a colocar um freio naqueles que querem transformar pressupostos teológicos em verdades históricas”, diz Chevitarese. Seu objetivo não é acabar com a teologia ou retirar da história de Jesus seu caráter espiritual. O que a ciência faz é descobrir o que, de fato, pode ser afirmado sobre o homem e sua época. As muitas lacunas que permanecerão abertas apresentam mistérios suficientes para que a religião possa se instalar.