Lula: roubar banqueiro é chato, mas não faz falta

foto: Ricardo Stuckert / InstitutoLula21)
foto: Ricardo Stuckert / InstitutoLula21)

Josias de Souza, no UOL

Num desses surtos de loquacidade que costuma acometê-lo sempre que se depara com um microfone e uma plateia, Lula criou na noite de quarta-feira (24) uma espécie de assaltômetro. Por esse medidor metafórico, a aversão aos assaltos diminui conforme o nível de riqueza de suas vítimas. Se o assaltado for um banqueiro, aí mesmo é que a culpa do assaltante deve ser atenuada.

Lula discursava em Santo André, no ABC paulista, num comício do seu candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha. A cena foi transmitida pela internet. Em dado momento, a pretexto de criticar o governador tucano Geraldo Alckmin, o orador falou sobre (in)segurança pública. “Agora, a coisa tá tão grave que é pobre roubando pobre”, disse o padrinho de Padilha.

“Eu, antigamente via: ‘bandido roubou um banco’. Eu ficava preocupado, mas falava: pô, roubar um banqueiro… O banqueiro tem tanto, que um pouquinho não faz falta. Afinal de contas, as pessoas falavam: ‘quem rouba mesmo é banqueiro, que ganha às custas do povo, com os juros. Eu ficava preocupado. […] Era chato, mas era… sabe, alguém roubando rico.”

Quer dizer: na visão de Lula, o problema dos assaltos em São Paulo é que a oferta é menor do que a procura —no sentido de que há mais assaltantes procurando assaltáveis do que assaltáveis com dinheiro para ser assaltado. O sábio do PT deu um exemplo dos efeitos da crise que se abateu sobre o mercado dos assaltos.

“Essa semana, a Joana, que trabalha comigo, é irmã da Marisa [Letícia, mulher de Lula], na frente do hospital perto de casa, […] oito horas da manhã, o cara encostou um negócio nas costas dela e falou: ‘É um assalto, eu tô armado. Continua andando normalmente, me dá o celular e me dá o seu dinheiro. A coitada teve que dar sessenta reais pro ladrão…”

A solução, disse Lula, é simples: “Se o Alckmin não tem competência pra fazer as coisas que o governador tem que fazer, nós temos que dizer pra ele: Alckmin, você já está há muito tempo aí. Saia. E deixa o jovem Padilha governar esse Estado para as coisas começarem a melhorar.”

Enquanto o PT tenta combinar com os russos, resta constatar que há na praça dois Lulas. Um financiou suas campanhas com doações milionárias dos bancos. Eleito, propiciou à banca lucros nunca antes vistos na história desse país. Outro desfruta da condição de ex-presidente voando em jatinhos de empreiteiros e recebendo honorários de bancos por palestras feitas à sombra. Sob holofotes, desanca nos palanques as elites assaltáveis desse país.

O carregador de postes do PT ainda não se deu conta. Mas, pelos critérios do seu assaltômetro, Lula é, hoje, um milionário perfeitamente assaltável. Tem tanto que, um pouquinho que for suprimido decerto não lhe fará falta.

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Google pede patente de tatuagem no pescoço que servirá de microfone

Pedido de registro foi feito por meio da Motorola, comprada em 2012.
Documento não deixa claro se eletrônico será fixado na pele com agulhas.

Publicado originalmente no G1

Imagem de patente pedida pela Motorola, do Google, indica tatuagem eletrônica feita no pescoço para funcionar como microfones de celulares. (Foto: Divulgação/USPTO)
Imagem de patente pedida pela Motorola, do
Google, indica tatuagem eletrônica feita no pescoço
para funcionar como microfones de celulares.
(Foto: Divulgação/USPTO)

A Motorola Mobility, uma empresa do Google, quer registrar a patente de uma tatuagem eletrônica feita no pescoço para funcionar como o microfone de smartphones e outros aparelhos móveis.

Os documentos do pedido de registro da tecnologia foram publicados nesta quinta-feira (7) pelo órgão de patentes dos Estados Unidos, o Escritório de Marcas e Patentes (USPTO, na sigla em inglês), mas a submissão data de maio de 2012.

De acordo com esses documentos, a tatuagem eletrônica captaria o som ao identificar as “flutuações do músculo ou do tecido da garganta” e enviaria os dados para smartphones ou outros dispositivos sem a necessidade de que fios fossem conectados a ela.

Com isso, por exemplo, não seria preciso levar o celular à boca todas as vezes que fosse necessário falar em uma ligação telefônica. Uma das especificações técnicas é que a tatuagem terá capacidade de enviar dados via Bluetooth e NFC.

Os documentos enviados pela Motorola não deixam claro se a tatuagem será permanente, ou seja, desenhada na pele com agulhas conform a forma tradicional, ou se será algo simplesmente afixado no corpo e que depois pode ser removido. Ainda de acordo com o documento, o eletrônico “pode ou não ser recarregável”.

Depois de ser adquirida pelo Google em 2012, a Motorola lançou neste ano o primeiro celular produzido integralmente como uma empresa da gigante da internet. O Moto X chegou ao mercado brasileiro em 3 de setembro, e é vendido por R$ 1,5 mil.

dica do Deiner Urzedo

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Torcida vaia e constrange Dilma na abertura da Copa das Confederações

Dilma (no centro) discursa na abertura da Copa das Confederações ao lado de Joseph Blatter (AFP PHOTO / EVARISTO SA)
Dilma (no centro) discursa na abertura da Copa das Confederações ao lado de Joseph Blatter (AFP PHOTO / EVARISTO SA)

Gustavo Franceschini, Luiz Paulo Montes, Paulo Passos e Ricardo Perrone, no UOL

A presidente Dilma Rousseff foi muito vaiada momentos antes do início da abertura da Copa das Confederações. Anunciada pelo alto-falante do estádio, ela fez caras de poucos amigos e limitou-se a dizer uma única frase no microfone, enquanto Joseph Blatter, presidente da Fifa, deu uma bronca na torcida pelo comportamento.

“Por favor, onde está o fair play de vocês”, disse o cartola, visivelmente constrangido com a situação. Dilma, por sua vez, foi sucinta e ignorou os protestos. “Declaro oficialmente aberta a Copa das Confederações 2013″, disse ela, atropelando as vaias.

O momento embaraçoso repete uma outra história polêmica do país em grandes competições. Em 2007, na cerimônia que abriu o Pan do Rio de Janeiro, Lula estava no Maracanã e foi vaiado em todas as vezes que apareceu no estádio ou foi citado. Até por isso, ele quebrou o protocolo e não fez o pronunciamento tradicional de abertura.

“Na minha vida política, a vaia e o aplauso são dois momentos de reação do ser humano. A única coisa que eu, particularmente, fico triste é que eu fui preparado para uma festa. É como se eu fosse convidado para o aniversário de um amigo meu, chegasse lá e encontrasse um grupo de pessoas que não queria a minha presença lá”, afirmou Lula após o episódio, no programa “Café com o Presidente”.

A vaia só aumenta o clima tenso que cerca a abertura da Copa das Confederações. Durante todo o sábado, centenas de manifestantes protestaram nas cercanias do estádio contra os gastos com a competição.

Dilma e Blatter estão no camarote do Mané Garrincha. Perto deles está o desafeto de Dilma, José Maria Marin, presidente da CBF, mantido afastado pela presidente por conta de seu passado ligado à ditadura.

Neste sábado, no entanto, ela não pôde fugir de Marin. Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial da CBF e que já trabalhou com Lula, conseguiu tirar uma foto em que Dilma aparece junto com o cartola, feito significativo para quem precisa comprovar força política de olho na eleição da CBF no ano que vem.

o #ChupaDilma continua no TTs e montagens como a abaixo estão se espalhando.

dilmavaia

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Conheça 10 apelidos curiosos entre casais pelo mundo

Expressões de carinho em diversas línguas têm origem em metáforas, da culinária ao reino animal.

Publicado por BBC [via G1]

Barack e Michelle Obama (Foto: AFP)
Barack e Michelle Obama (Foto: AFP)

A cantora e ex-primeira-dama francesa Carla Bruni chama seu marido, oex-presidente Nicolas Sarkozy, de ‘Chouchou’. Samantha Cameron, a esposa do primeiro-ministro britânico David Cameron, foi ouvida dizendo no microfone: ‘eu te amo, bebê’. E a primeira-dama americana Michelle Obama descreveu a foto acima, a mais compartilhada de todos os tempos no Twitter, com a frase: ‘Esse é meu docinho (tradução livre da expressão honey, mel, em inglês) me dando um abraço’.

Algumas expressões de afeto podem ser usadas em muitas línguas – ‘bebê’, ‘anjo’ e ‘querido(a)’, por exemplo. Mas outras não se traduzem tão bem. Se você chamar um francês ou francesa de ‘mel’, ele ou ela achará que está sendo chamado de grudento ou sentimental.

E como você reagiria se alguém o chamasse de repolho, pulga ou elefantinho?

Confira um pequeno guia da linguagem do amor pelo mundo, dominada por metáforas desde a culinária até o reino animal.

1. Repolhinho (francês)

Petit chou

‘Chou’ (repolho) ou ‘chouchou’ é o equivalente francês de ‘querido(a)’. A palavra dá a ideia de algo pequeno e arredondado e também é usada para descrever massas usadas em pratos da confeitaria francesa como profiteroles. ‘Chou’ também dá a ideia de uma cabeça de criança. Ao longo dos anos, muitas crianças francesas ouviram dos pais que os meninos nasciam em repolhos e as meninas, em rosas.

2. Chuchuzinho (português brasileiro)

‘Chuchu’ é um legume um tanto insosso – mas a semelhança da palavra com o ‘chouchou’ sugere que o apelido brasileiro para o ser amado derivou do francês, mesmo que se refira a um vegetal diferente.

3. Ovo com olhos (japonês)

Tamago gata no kao

No Japão, as mulheres são frequentemente chamadas de ‘ovo com olhos’ por seus amantes. É um grande elogio â’€ ter um rosto oval é considerado muito atraente na cultura japonesa. É possível observar o fascínio pelos ‘ovos com olhos’ nas pinturas tradicionais do país.

4. Torrão de açúcar (espanhol)

Terrón de azúcar

Assim como ‘honey’ (literalmente, mel) em inglês, doces costumam se transformar em termos carinhosos em muitas línguas. A expressão ‘torrão de açúcar’ se refere aos cubos de açúcar usados para adoçar chá ou café. Aparentemente, ela está bem no alto na escala de sentimentalismo, então use com moderação.

5. Fruta do meu coração (indonésio)

Buah hatiku

Apesar de a expressão ter um uso romântico e aparecer em canções de amor e poemas, ela é mais usada atualmente para expressar afeição por crianças. Publicitários usam ‘fruta do meu coração’ em produtos orientados para a família e especialmente jovens casais da classe média: ‘O melhor presente/alimento/produto para ‘a fruta do seu coração”. A expressão também é encontrada em quase todos os livros e artigos sobre paternidade, e ela frequentemente aparece como nome de organizações focadas em crianças, incluindo um hospital perto de Jacarta.

6. Minha pulga (francês)

Ma puce

‘Ma puce’ é o equivalente francês de ‘queridinho(a)’ ou ‘amorzinho(a)’ em português. Uma teoria sugere que a expressão pode ter ligação com a relação histórica entre humanos e pulgas – em tempos passados, remover pulgas do outro era um cuidado dividido entre pessoas íntimas, que dizia-se ser bastante agradável.

7. Gazela (árabe)

Ghazal

A poesia clássica árabe é cheia de em imagens de belas gazelas (uma metáfora para mulheres). Há numerosas referências às ‘lanças letais’ do olhar de uma bela mulher. Se você acredita nos poetas, os caçadores (uma metáfora para homens em geral) podem morrer de amor após um simples olhar da gazela. Hoje também, um homem podem dizer a uma mulher que ela tem ‘olhos de gazela’ (‘Laki uyounul ghazal’). Isso pode significar que ele sucumbiu ao seu feitiço antes que ela ficasse enfeitiçada por ele.

8. Elefantinho (tailandês)

Chang noi

Elefantes são os animais mais queridos do povo tailandês. Eles supostamente trazem boa sorte, especialmente os elefantes brancos. O símbolo do elefante pode derivar do deus hindu Ganesha, refletindo a grande influência que a cultura indiana exerce na região. Os elefantes têm um lugar tão especial no coração dos tailandeses que se tornaram um emblema na bandeira do país. ‘Elefantinho’ pode ser usado afetuosamente para chamar uma criança â’€ mas entre adultos tem uma conotação diferente.

9. Peixe afogado, ganso caído (chinês)

Chen yu luo yan

A expressão vem de um conto sobre a mulher mais bonita da história, uma mulher chamada Xi Shi. Diz-se que ela era tão bonita que quando olhou para os peixes de um lago, os peixes ficaram tão deslumbrados por sua beleza que esqueceram de nadar e, gradualmente, desceram para o fundo do lago. Do mesmo modo, diz-se que quando gansos voaram sobre uma mulher chamada Wang Zhaojun, eles ficaram tão impressionados com sua beleza que esqueceram de bater as asas e acabaram por precipitar-se para o chão. Por causa disso, até hoje, quando um jovem chinês está apaixonado por uma mulher chinesa, ele pode dizer que para ele, ela é tão bonita quanto Xi Shi ou Wang Zhaojun. Para fazer isso, ele só precisa dizer quatro palavras: ‘Peixe afogado, ganso caído’.

10. Pombinho(a) (russo)

Golubchik (masc.) / golubushka (fem.)

O romancista e poeta russo Alexander Pushkin usou a palavra ‘pombinha’ para se referir afetuosamente a sua babá idosa nos versos de um de seus poemas mais conhecidos. Mas a babá também poderia ter usado a mesma palavra para se referir a ele, quando ele era uma criança (e ela provavelmente usou). Como expressão de carinho, a palavra aparece desde pelo menos o livro Cântico dos cânticos, no Antigo Testamento (‘Minha pomba…mostra-me teu rosto’), escrito originalmente em hebraico. A tradução eslava da Bíblia teve uma influência profunda na formação da língua russa, então o uso na Rússia pode ter raízes bíblicas.

O professor de línguas e autor de livros sobre italiano, francês e espanhol Paul Noble contribuiu com este artigo.

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Saindo da tenda

Retiro carnavalesco de igreja gay proíbe “ficantes”, fofoca e álcool

Nonato Viegas, na Piauí

Na gíria mundana se diz que os gays “saem do armário”, mas no altar improvisado em um sítio na Zona Oeste do Rio lê-se “Sai da tua tenda” em letras amarelas sobre um cetim azul – as mesmas cores da Escola de Samba Unidos da Tijuca, que desfilara a 40 quilômetros dali na noite anterior àquela segunda-feira de Carnaval. A expressão é uma referência ao texto do Gênesis em que Deus manda Abraão assumir seu destino de patriarca do povo judeu, mas serve de metáfora mais terrena para definir a igreja comandada por Marcos Gladstone e Fabio Inacio.esquina_retiro_gay

“Nós estamos nos preparando para o casamento”, explica ao microfone Fabio Inacio, um pastor corpulento e carismático de 33 anos, olhos grandes, careca reluzente e sorriso debochado. Ao lado dele está o também pastor Gladstone, seu marido, um advogado de 37 anos, rosto rechonchudo e olhar tímido. Os filhos do casal, dois meninos, de 8 e 10 anos, brincam ali perto com outras crianças, indiferentes à pregação dos pais.

Mal passa das nove da manhã, mas o calor faz com que alguns dos mais de 300 fiéis que escutam os pastores se sequem com toalhinhas, enquanto outros se abanam. Nem todos conseguem lugar para sentar sob o galpão coberto de telhas de barro. Apesar disso, ninguém arreda pé do espaço que, durante os quatro dias do Carnaval, virou mais um templo da Igreja Cristã Contemporânea, a ICC, fundada por Gladstone.

“O batismo é um casamento, você é a noiva, e Jesus é o noivo. Para casar, o que você precisa é amá-lo!”, prega Inacio de forma exaltada. “Se você quer um amor de verdade”, condiciona, “fique de pé!” Um a um, os presentes vão se levantando. Uns choram. Outros tremem. Sessenta pessoas se declaram prontas para o “casamento”.

Todos os convidados pagaram 200 reais pelo pacote de quatro dias. São, na maioria, homens gays, com idades entre 25 e 40 anos. Também há no sítio pelo menos vinte crianças – filhos dos fiéis – e duas senhoras, mães de integrantes da igreja. Uma delas, que é da Igreja Universal do Reino de Deus, insiste em que se anote sua declaração: “Se não fosse a Contemporânea, não sei onde meu filho estaria hoje, noite de Carnaval.”

 

ICC foi criada em 2006 com o objetivo de acolher homossexuais, que em geral são preteridos nas denominações evangélicas convencionais. Tem cerca de 1 600 adeptos e templos no estado do Rio, em Belo Horizonte e em São Paulo. Conforme o relato de Gladstone, porém, a semente da Contemporânea foi plantada em 1999, num dos locais mais icônicos para os gays no mundo: o bairro Castro, em São Francisco, na Califórnia.

Foi ali que o hoje pastor entrou pela primeira vez num bar, na rua Castro, a convite de um amigo. Com 23 anos, evangélico desde os 14, estava noivo – de uma moça. Mal acabara de entrar, seu olhar foi atraído para dois homens de mãos dadas. Adiante, dois rapazes se beijavam. “Meu Deus! Estou em Sodoma e em Gomorra”, pensou Gladstone, antes de se virar e sair correndo. Perturbado, ele caminhou sem rumo pelas ruas onde décadas antes o ativista Harvey Milk vencera batalhas em favor dos direitos dos homossexuais. As imagens do bar se misturavam aos fantasmas que tentava exorcizar desde a adolescência. Gladstone estava ali porque acreditara que nos Estados Unidos encontraria a “libertação”, mas o que aconteceu não foi exatamente o que tinha imaginado.

Seis meses antes, no Rio, ele estava numa igreja do reteté, como os evangélicos pentecostais chamam as celebrações mais fervorosas. Nelas, “o fogo desce, o louvor sobe, o povo roda, sapateia, fala em línguas e profetiza”, segundo explicaria um seguidor da Contemporânea durante o retiro de Carnaval. Uma pregadora se aproximou dele e lançou uma profecia: “Diz o Senhor: sei das tuas lutas e prometo fazer uma grande obra na tua vida. Te enviarei aos Estados Unidos e, lá, começarei a trabalhar em ti.”

Semanas depois, Gladstone conheceu o americano que o receberia na  Califórnia, deu entrada no passaporte, comprou passagens e conseguiu visto de turista. Tudo levou menos de seis meses – um milagre. Em São Francisco, depois do momento de desespero, sentado numa das ladeiras da cidade para admirar o mar, Gladstone afirma ter finalmente ouvido a voz de Deus: “Não adianta fugir do que você é.”

 

Igreja Cristã Contemporânea é uma das maiores entre as cerca de 100 denominações evangélicas que professam a chamada teologia inclusiva – desenvolvida na Califórnia, nos anos 60, pelo reverendo Troy Perry, fundador da Igreja da Comunidade Metropolitana, que, no Rio, é uma espécie de concorrente da ICC. Para os seguidores da Metropolitana, a igreja de Gladstone e Inacio é, apesar do nome, conservadora: não é ativista, proíbe o consumo de bebida alcoólica, a ida a boates e o sexo sem amor, além de demonizar as entidades das religiões africanas. “Militamos pelos direitos humanos através do exemplo de família, da nova família”, responde Gladstone.

No retiro da Contemporânea, ninguém reclamou das regras draconianas: nada de “ficantes”; nada de agarramento em público; nada de chamar de “bicha” ou afins; bebidas alcoólicas, nem pensar; nada de fofoca; sunga e biquíni, só na piscina; e ficar nu, só no boxe do chuveiro. Não fosse o fato de serem as mulheres a organizar o futebol, e os homens, o vôlei, o retiro seria igual aos dos evangélicos convencionais. Ou quase: um dos fiéis, recém-batizado na ICC, não deixou de expressar seu próximo desejo: “Agora, para ficar completo, só me falta o outro Salvador, o Malvino.”

dica do João Marcos

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