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Criador do ‘The Voice’ leva a fé para nova minissérie

    Getty Images    Executive producer Mark Burnett

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Executive producer Mark Burnett

John Jannarone, no The Wall Street Journal [via Valor Econômico]

Mark Burnett fez fama por ser a força por trás de programas de reality TV de grande sucesso, como “Survivor” e, mais recentemente, “The Voice”. Agora, ele está voltando sua atenção para outro tipo de TV: uma série bíblica.

Burnett está prestes a terminar uma minissérie de 10 horas, “The Bible” (A Bíblia), baseada em histórias como a da arca de Noé e Daniel na cova dos leões. A série, que deve ir ao ar no início do ano que vem no History Channel, é o primeiro trabalho de Burnett em programas de TV com roteiro pré-escrito.

É também um projeto que toca fundo no coração de Burnett. Nos últimos dois anos, esse ex-paraquedista militar de 52 anos diz que se tornou profundamente religioso, uma transição que ele atribui a Roma Downey, sua esposa desde 2007. “Foi só quando conheci Roma que realmente compreendi a minha fé, e isso vem sendo uma mudança dinâmica para mim”, disse Burnett.

Ele também dá à mulher o crédito da ideia da série. “Minha esposa tinha a sensação de que há muita coisa por aí que parece estar difamando a Bíblia”, disse ele. “Roma disse que deveríamos filmar a verdadeira história.”

Nos últimos anos, Burnett e Downey fizeram amizade com o famoso televangelista Joel Osteen, pastor de uma igreja de Houston, no Texas, que é a sede da maior congregação dos Estados Unidos. Osteen está dando assessoria a Burnett na série.

“Ele veio [à nossa igreja] várias vezes e nós fomos jantar na sua casa e coisas assim”, disse Osteen.

Mark Burnett e a esposa, Roma Downey, estão produzindo ‘A Bíblia’. A série foi filmada este ano no Marrocos. Durante a produção, Downey passou quase seis meses ininterruptos no país. Burnett voltava de avião para a Califórnia semanalmente para produzir a edição americana “The Voice”, viagem que leva até 30 horas em cada sentido.

O projeto de US$ 20 milhões, financiado pelo History Channel e pela Hearst Corp., dona de 50% do canal, ocorre num momento em que o gênero reality show dá sinais de já ter chegado ao pico.

Desde a estreia de “Survivor”, em 2000, na rede americana CBS Corp., a televisão do país foi inundada por reality shows sem roteiro prévio, desde “Extreme Makeover”, da rede ABC, mostrando cirurgias plásticas, até “Here Comes Honey Boo Boo”, da TLC, estrelando uma criança candidata a um concurso de beleza.

Burnett tem atualmente cinco reality shows no horário nobre em três redes de TV nos EUA, a maior presença na carreira do produtor. O que mais se destaca é “The Voice”, na NBC, rede da Comcast Corp. A série “Survivor” já está agora em seu 13º ano.

Embora o público de “Survivor” nos EUA seja hoje menor que o máximo de quase 30 milhões que atingiu em 2001, ainda consegue uma saudável média de 12 milhões de espectadores e continua sendo o programa de maior audiência em seu horário, segundo a Nielsen.

Burnett disse que está havendo um excesso de programas de reality TV, em especial nos canais a cabo. “Os programas da TV a cabo [...] não podem ser todos sobre gente que tem um emprego estranho sendo seguida pelas câmeras”, disse ele.

Ele disse acreditar que as redes muito dependentes de reality shows vão se afastar dessa fórmula. “A TV a cabo está evoluindo”, disse. “Aposto que daqui a cinco anos um terço dos programas da TV a cabo terá algum tipo de roteiro, com narrativa.”

No ano passado, ele vendeu para a Hearst uma participação de 50% na maioria dos seus negócios, incluindo programas como “The Voice”, fazendo com eles uma sociedade em que Burnett vai criar programas de TV.

Embora preferisse não dar detalhes sobre outros planos para programas com roteiro, ele disse que “A Bíblia” não será uma iniciativa isolada. “Estamos desenvolvendo ativamente uma tonelada de material roteirizado nesse momento [...]. Meu instinto me diz que provavelmente vamos acabar fazendo mais programas roteirizados do que reality shows nos próximos 10 anos.”

A Hearst espera que “A Bíblia” agrade a muita gente. Nos EUA, “há um grande número de cristãos, talvez 60 milhões ou mais, que vão à igreja toda semana”, disse Scott Sassa, presidente de entretenimento e distribuição da Hearst.

Terceira parte do projeto bíblico da Record, “Rei Davi” repete falhas

Mauricio Stycer, no UOL

Depois de “A História de Ester” (2010) e “Sansão e Dalila” (2011), a Record exibe neste início de 2012 a minissérie “Rei Davi”. A esta altura já não é mais possível refletir sobre uma delas sem pensar no conjunto. Trata-se, nitidamente, de um projeto.

Como as duas anteriores, esta também é uma superprodução salpicada de efeitos especiais, grande elenco e exageros dramáticos. Turbinadas por orçamentos milionários, “A História de Ester” e “Sansão e Dalila” apresentaram resultados não mais que medianos em matéria de audiência.

Com um investimento anunciado de R$ 25 milhões para realizar 29 capítulos, “Rei Davi” supera a aposta feita em “Sansão e Dalila”, que consumiu, segundo a Record, R$ 13 milhões em seus 18 capítulos.

A cena de abertura do episódio de estreia, uma batalha feroz do exército comandado pelo rei Saul contra inimigos dos israelitas, de fato, causou ótima impressão. Mas dificuldades vistas nas duas outras minisséries continuam sem solução.

Ainda não foi encontrado o tom adequado ao texto. É visível, em diversas passagens, como as frases empostadas não cabem na boca dos atores, dando a impressão de que estão declamando num teatro escolar.

Falta também inspiração à direção e ao elenco, meio perdidos no esforço de naturalizar um mundo que tem os pés fincados muito mais na lenda do que na história. Gracindo Jr. ia bem no papel de Saul até que, atormentado, saiu girando feito um doido, sem direção, pelo acampamento onde vive.

As histórias bíblicas se prestam às mais variadas leituras e interpretações. O tema principal dos dois primeiros capítulos do “Rei Davi” foi a desobediência do rei Saul a uma ordem de Deus, transmitida pelo profeta Samuel. O erro terá consequências terríveis para o rei e seus súditos, já anunciou o sumo-sacerdote Aimeleque.

Pecados mais terrenos também tiveram lugar na trama, em especial a inveja. Ungido por Deus para suceder Saul, Davi despertou a ira de um de seus irmãos mais velhos, Eliabe, que se julgava mais preparado para a função. Igualmente, Mical, filha de Saul, sente inveja da irmã, Merabe.

Um terceiro tema destes primeiros dois capítulos foi a idolatria e a feitiçaria. Os judeus acreditam apenas em um Deus, mas em meio ao povo há aqueles cuja fé não é tão sólida e, por isso, recorrem a práticas condenadas pela religião.

Na apresentação da minissérie à imprensa, no início de janeiro, a autora, Vivian de Oliveira, preferiu realçar outros temas e características, que ainda não apareceram na trama. “Davi foi um ser humano cheio de qualidades e defeitos. Isso é o que mais me surpreende. Ele é um anti-herói: um homem digno, sensível e, ao mesmo tempo, capaz de mentir e fazer as maiores atrocidades para conseguir o amor de sua vida”.

É impossível, porém, não associar o interesse da Record pela temática bíblica aos laços da emissora com uma denominação cristã. Como se sabe, a emissora pertence a Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus.

No início de janeiro, circulou na internet um vídeo em que Macedo aparece comandando, de chicote na mão, uma sessão de exorcismo, destinada a expulsar o “demônio” do corpo de um rapaz. Entende-se ao longo dos trabalhos que este espírito do mal é “culpado” pela homossexualidade do jovem.

“Desgraçado… Presta atenção, você que está nos assistindo e está com problema semelhante a esse e quer se libertar, seja do homossexualismo, lesbianismo, prostituição, qualquer que seja o problema que você esteja enfrentando, que você sabe que tenha origem no inferno, junte-se a nós”, convida Macedo. Livre do “demo”, ao final da sessão, o rapaz volta “a falar grosso”, observa o líder da Universal.

No segundo episódio de “Rei Davi”, assistiu-se ao apedrejamento de uma feiticeira, acusada de recorrer a espíritos para fazer “trabalhos”. O rei Saul atira a primeira pedra, sendo seguido por seus súditos. A cena é assistida pela mulher do rei e uma das filhas, que haviam encomendado um “trabalho” para a feiticeira, mas fingem não conhecê-la, não fazem nada para ajudá-la e ainda se juntam aos que a apedrejam.

É uma cena repleta de significados, mas especialmente impressionante para quem viu o bispo Edir Macedo em ação, com chicote na mão, expulsando o “diabo” do corpo de um ex-obreiro da sua igreja.

Em tempo: Mais informações sobre a minissérie podem ser lidas aqui. Sobre a boa audiência dos dois primeiros episódios, leia aqui e aqui.

foto: Michel Ângelo/Record

Minissérie “Rei Davi” deixa Record em primeiro lugar de audiência

Cena de "Rei Davi", minissérie da Record

Publicado originalmente no F5

A minissérie bíblica “Rei Davi” ficou em primeiro lugar de audiência na noite de ontem.

Exibida entre às 23h16 e 00h08 na Record, ela alcançou 15 pontos de média e 30% de share (participação de TVs ligadas).

No mesmo horário, a Globo alcançou 12 pontos e 22% com a minissérie “Brado Retumbante” e o “Jornal da Globo”.

foto: Michel Angelo/Tv Record

o leitor Raphael Farias afirmou no Twitter que 1 dos patrocinadores da minissérie é a Itaipava, o que seria 1 grande sacrilégio. se ainda fosse Heineken, Serramalte, Original ou Bohemia… :-P