Arquivo da tag: mobilização

Protesto reúne mil no Itaquerão contra a exploração sexual infantil

Na Copa da África do Sul o crime sexual contra crianças aumentou em cerca de 63% e na Alemanha, 28% (foto: Rogério Gomes)

Na Copa da África do Sul o crime sexual contra crianças aumentou em cerca de 63% e na Alemanha, 28% (foto: Rogério Gomes)

Verônica Mambrini, no UOL

Organizações não governamentais, crianças e militantes se reuniram hoje cerca de mil pessoas, incluindo 150 crianças, em frente ao Itaquerão, para protestar contra a exploração sexual infantil durante a Copa. De acordo com entidade sueca Childhood, que trata da exploração de crianças, na Copa da África do Sul o crime sexual contra crianças aumentou em cerca de 63% e na Alemanha, 28%. “É uma tragédia anunciada”, disse a vereadora Patrícia Bezerra, relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo, que investigou a Exploração Sexual Infantil em São Paulo.

Organizações não-governamentais, ativistas e crianças que saíram de situação vulnerável participaram do protesto (foto: Rogério Gomes)

Organizações não-governamentais, ativistas e crianças que saíram de situação vulnerável participaram do protesto (foto: Rogério Gomes)

A data foi escolhida por ser dia de combate nacional à exploração e abuso sexual infantil. “Já há denúncias ligadas à construção do Itaquerão. A exploração sexual infantil acontece nos alojamentos, muitos trabalhadores vêm de outros lugares do país e contratam serviços baratos de meninas da região. Estamos aqui para dizer que não esquecemos. Não queremos que essa seja a imagem, a estatística, a exemplo da África”, disse a vereadora. A passeata lança também a hashtag #Levanteessabola, nas redes sociais, contra exploração sexual infantil durante a Copa.

O protesto promoveu a hashtag #levanteessabola para trazer atenção ao tema nas redes sociais (foto: Rogério Gomes)

O protesto promoveu a hashtag #levanteessabola para trazer atenção ao tema nas redes sociais (foto: Rogério Gomes)

Segundo a vereadora, as redes de proteção à criança vulnerável são frágeis e não foi feito nenhum investimento para melhorá-las. “A proteção da família faz muita diferença na exposição a aliciadores. Não tem destinação de verba para essa questão. Será que é interessante que essa criança não seja protegida?”, questiona.

Protesto contra exploração sexual infantil concidiu com primeiro jogo oficial do Itaquerão (foto: Rogério Gomes)

Protesto contra exploração sexual infantil coincidiu com primeiro jogo oficial do Itaquerão (foto: Rogério Gomes)

O deputado estadual Carlos Bezerra Jr., autor do Observatório de Infância, lembra que a Copa vai trazer mais fatores de risco. “Teremos mais de 60 mil turistas em São Paulo durante a Copa, as escolas estarão em férias ou terão feriado e as creches não estarão funcionando. Os os ambientes de proteção da criança não estarão em funcionamento.” Além de casos facilitados por aliciadores, há evidências de abordagem direta e de grupos de turismo sexual, segundo o deputado. “Estamos denunciando a omissão da FIFA e das autoridades brasileiras.”

Durante os jogos, situações suspeitas podem ser denunciadas pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos (foto: Rogério Gomes)

Durante os jogos, situações suspeitas podem ser denunciadas pelo Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos (foto: Rogério Gomes)

Patrícia Bezerra critica o posicionamento da Fifa. “A Fifa foi chamada para participar de uma campanha e se recusou para evitar a associação com exploração sexual infantil. O Brasil se curvou diante da Fifa, a arrecadação de direito de imagem foi de 1,3 bilhão, e nenhum centavo foi destinado para coibir a exploração sexual infantil. Vai ser uma tragédia anunciada. A Alemanha um país é mais estruturado e teve problemas, imagem a proporção do que vai acontecer aqui.”

O foco do protesto foi a FIFA, que se recusou a participar de ações contra a exploração sexual infantil (foto: Rogério Gomes)

O foco do protesto foi a FIFA, que se recusou a participar de ações contra a exploração sexual infantil (foto: Rogério Gomes)

A ação estimula também que as pessoas denunciem suspeitas de violência e de exploração sexual infantil, seja por telefones ou outros meios. O aplicativo Proteja, para smartphones e tablets, foi desenvolvido por voluntários em parceria com a Unicef e o governo brasileiro, e indica telefones para denúncias e endereços de delegacias, conselhos tutelares, Varas da Infância e Juventude e organizações a partir de onde o usuário está. “Quem ver algo suspeito, como uma adolescente acompanhada de sujeito em situações duvidosas, deve ligar para o Disque 100 imediatamente”, disse Patrícia.

“Nossa expectativa era que um legado fosse a melhoria da rede de proteção, principalmente ao redor dos estádios e nas cidades-sede. Mas a mesma omissão nas obras cabe às crianças. Se nada será feito será um recorde no número de casos”, disse o deputado Carlos Bezerra Jr.

O protesto teve cerca de mil participantes, entre eles 150 crianças (foto: Rogério Gomes)

O protesto teve cerca de mil participantes, entre eles 150 crianças (foto: Rogério Gomes)

Por que a gente não se junta para mudar a educação deste país?

foto: Revista Alfa

foto: Revista Alfa

Isadora Faber

Quantas vezes você já viu um absurdo acontecendo,ficou indignado, mas não fez nada? Pode ter sido por medo, por vergonha, por não saber o que fazer, por não saber que podia fazer alguma coisa a respeito daquilo, ou porque não queria se incomodar com problemas, ou até por outro motivo qualquer. Mas aposto que você chegou em casa, ficou pensando naquilo e teve uma vontade enorme de voltar no tempo e fazer alguma coisa para impedir que aquele absurdo continuasse. Já aconteceu com você?

diariodeclassePois é, comigo já. E foi por isso que eu comecei o Diário de Classe, uma fanpage criada no Facebook, a maior rede social do mundo, para mostrar os absurdos que aconteciam na minha escola. Eu não tinha nenhuma ideia do tamanho que ela ia ficar, nem de quantas pessoas iam curtir – achei que seriam no máximo umas 100 –, mas ela cresceu, chamou a atenção de muita gente, trouxe muitos apoiadores, assim como muitas pessoas que criticaram. Eu sofri agressões, represálias, ameaças de morte, calúnias, processos, perseguições, mas consegui muitos resultados e vivi muitas experiências boas – e outras não tão boas… Enfim, aprendi muito, muito mesmo. Mas eu só comecei porque queria fazer alguma coisa.Não queria de novo voltar pra casa e saber que absurdos aconteciam e eu não fazia nada.

Essa história toda eu vou contar neste livro. Aqui você vai saber com detalhes como tudo aconteceu, como 20 seguidores da página se transformaram em mais de 600 mil, como foi a reação na escola, quais foram as dificuldades e como isso chamou a atenção das autoridades, da mídia nacional e também da estrangeira. Você entenderá por que as pessoas da minha escola ficaram contra mim, mas milhares de desconhecidos ficaram a meu favor. Vai ver por que algumas mudanças aconteceram, mas outras não. E acho que vai conseguir entender um pouco sobre como funciona a educação pública no Brasil, porque é só pensar no que aconteceu na minha escola e multiplicar pelo número de escolas públicas do país (e acrescentar algumas coisas…).

ONG ISADORA FABER.cdrX5Nesse tempo todo do Diário de Classe, minha vida mudou muito, como você já pode adivinhar, pois, de estudante do ensino fundamental de 13 anos, me tornei palestrante de diversos temas, ganhei prêmios, fiquei conhecida e hoje tenho uma ONG que leva meu nome, que criei para continuar o trabalho do Diário de Classe não só para mim, mas para todas as escolas do Brasil.

Mas a coisa mais importante que eu vi depois de tudo o que passei é que o problema da educação no Brasil é algo muito sério. E as pessoas já estão cansadas de ver as autoridades brincando com os assuntos sérios. Se o Brasil não tiver uma boa educação, não vai haver pessoas preparadas para resolver todos os outros problemas sérios do país. Se a gente não tiver educação boa, a gente não vai conhecer nossos direitos e nossos deveres, e vai continuar deixando acontecer absurdos, que começam sempre com a ignorância.

Talvez nem todas as pessoas pensem assim, mas grande parte da sociedade deve pensar, acredito eu. Só que não adianta só ficar pensando e, cansado de assistir aos problemas se repetindo, dizer que a culpa é dos políticos. A gente precisa fazer alguma coisa. Ser cidadão não é apenas morar em uma cidade e aceitar as coisas ruins sem reclamar, se acomodando e se conformando. A gente pode – e deve – cobrar de quem está no comando.

Talvez uma pessoa sozinha não consiga fazer nada, mas eu tenho certeza de que já somos muitos neste país que querem melhorar a educação. Para mim isso é possível, e, se você está lendo isto, tomara que também ache possível, porque, quanto mais pessoas fizerem alguma coisa, mais rápido a gente muda a situação. A gente sentiu isso quando se juntou nas manifestações nas ruas do Brasil. Você não gostou de ver a força de todos juntos? Eu gostei.

Com o Diário de Classe e com todo o apoio que recebo, não tenho mais vergonha nem medo de ver absurdos e não fazer nada. Eu vou, fotografo e divulgo. E eu não preciso de nada além de um celular e de um computador com acesso à internet. Claro, a gente precisa de coragem para vencer as dificuldades, pois elas existem, mas, se formos muitos, um apoia o outro. Não é simples? Então por que você não faz alguma coisa também? É tão boa a sensação de força, e os resultados são tão bons e positivos! Por que a gente não se junta para mudar a educação deste país?

isadora3

Pais entram na Justiça para que criança de 5 anos possa fazer tratamento com componente da maconha

Pais dizem que substância praticamente zerou o número de convulsões da menina

Publicado no R7

 Katiele diz que filha apresentou melhoras após começar tratamento com o CBD (foto: Reprodução / Facebook)

Katiele diz que filha apresentou melhoras após começar tratamento com o CBD (foto: Reprodução / Facebook)

Portadora da Síndrome CDKL5, doença rara causada por um erro genético, uma criança do DF faz tratamento com um dos componentes da maconha, o canabidiol (CBD), e praticamente zerou o número de convulsões decorrentes da doença, que antes chegavam a 60 por semana.

Como o medicamento é ilegal no Brasil, os pais da menina entraram nesta segunda-feira (31) com uma ação na Justiça Federal de Brasília contra a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), pedindo o direito de importar a substância dos Estados Unidos. A expectativa é que até o final da semana, o juiz já tenha analisado o pedido de liminar.

De acordo com a mãe da criança, Katiele Bortoli, as crises convulsivas começaram aos 45 dias de vida de Anny, que hoje tem cinco anos.

— Nessa época fazíamos o tratamento paliativo, com fisioterapia, fonoaudiologia e anticonvulsivos. Mas isso não adiantava. Quando ela tinha quatro anos, a CDKL5 foi diagnosticada.

Após diversas tentativas de tratamento, como o quadro da menina não melhorava, ela chegou a ser submetida a uma cirurgia para controlar a atividade cerebral, por meio da implantação de um VNS, uma espécie de marcapasso.

Depois da intervenção cirúrgica as crises de convulsão diminuíram, mas não terminaram.

Até que em um grupo americano de apoio a famílias de portadores da Síndrome CDKL5,  Katiele e o pai de Anny, Noberto Fischer, descobriram que uma criança estava usando o CBD com bons resultados nos EUA. Após conversar com o pai da criança americana, o casal conseguiu trazer o medicamento para o Brasil e passou a administrar na filha que, segundo a mãe, também apresentou melhora significativa.

— Em uma semana, a gente notou uma diferença drástica no número de crises. Com nove semanas, ela não teve nenhuma convulsão. Ela ainda tem uma crise ou outra, mas bem melhor que as 60 por semana.

De acordo com o pai, Anny também se tornou mais ativa, após ter começado o tratamento com o CBD.

— Ela passava quase 24 horas por dia dormindo, porque ela dormia após as crises.  Hoje ela nos olha nos olhos, reclama, chora, reage, a gente fala o nome dela e ela até vira o rosto.  Ela está voltando a entender qual é o nome dela.

O CBD é importado dos Estados Unidos pela família em forma pastosa dentro de uma seringa de 3g sem agulha. Anny ingere uma dose diária do medicamento, correspondente ao tamanho de um grão de arroz.

Katiele diz que durante um período em que eles não conseguiram trazer o medicamento para o Brasil, os pais acompanharam o retorno das convulsões gradativamente.

— Até que a gente conseguiu a medicação de novo e vimos as crises pararem novamente.  Hoje ela nem precisa mais usar um dos remédios anticonvulsivos.

Embora não possa receitar o tratamento com o canabidiol, que não é regulamentado no Brasil, o neurologista da criança foi informado que ela passaria fazer o tratamento com CBD e, segundo Katiele, ficou impressionado com a melhora clínica da menina.

O neurocientista e professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da UnB (Universidade de Brasília) esclarece que como o CBD é o canabidiol isolado, sem THC, a substância não tem a propriedade de alterar a percepção de quem usa. O CBD funciona impedindo o excesso de ativação de determinados neurônios.

— Com isso, ele é capaz de evitar convulsões como nenhum outro remédio é capaz.  Essa síndrome é caracterizada por um quadro de epilepsia muito grande. São tantas convulsões que elas vão, literalmente, queimando o cérebro de uma criança e, eventualmente, destruindo o cérebro.

Segundo o pesquisador, o canabidiol é apropriado para esses casos justamente porque não tem os efeitos psicoativos do THC, que para uma criança pode causar problemas para o desenvolvimento cognitivo.

— Isto é, ele consegue tratar a criança sem esses efeitos colaterais. Pelo contrário, ela apresenta uma clareza de pensamento e às vezes  pode salvar a vida dela.

De acordo com o neurocientista, o canabidiol também pode ser indicado para alguns casos de autismo, que é caracterizado por excesso de atividades cerebrais.

Contrário aos argumentos favoráveis à legalização da maconha, o psiquiatra Valdir Campos, que é especialista em Dependência Química pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), argumenta que a planta tem mais de 400 substâncias nocivas à saúde. No entanto, ele não se opõe ao uso medicinal da substância se ela puder ser utilizada no tratamento de doenças.

Pesquisa divulgada no último dia 26 de fevereiro revela que 57% da população apoia a legalização da venda da maconha para fins medicinais e com a apresentação de uma receita médica. Ao passo que para 37% dos entrevistados a maconha deve continuar totalmente proibida.

Legalização

O polêmico debate sobre a legalização da maconha entrou na pauta dos políticos em Brasília. Apesar de a discussão se arrastar há anos entre intelectuais e mesmo nas ruas, o debate chegou em 2014 ao Congresso Nacional.

A proposta não partiu do Legislativo, mas veio de uma iniciativa popular apoiada por mais de 20 mil assinaturas na internet. A legalização da droga para os usos recreativo, medicinal e industrial pode virar projeto de lei.

dica do Otávio Cardoso

Abin monta rede para monitorar internet

O governo destacou oficiais de inteligência para acompanhar, por meio do Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp, a movimentação dos manifestantes.

abin-monitorar-redes-sociais

Publicado no Estadão

Sem detectar as manifestações combinadas pelas redes sociais e que hoje terão como alvo o Palácio do Planalto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) montou às pressas uma operação para monitorar a internet. O governo destacou oficiais de inteligência para acompanhar, por meio do Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp, a movimentação dos manifestantes. A agência avalia que as tradicionais pastas do governo que tratavam de articulação com a sociedade civil perderam a interlocução com as lideranças sociais.

A decisão foi tomada após uma crise entre assessores civis da presidente Dilma Rousseff e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que não teriam alertado o Planalto das manifestações da semana passada em São Paulo, que desencadearam em uma onda de protestos no Brasil. Nos últimos dois meses, os agentes da Abin e de outros órgãos de inteligência foram deslocados para a segurança da Copa das Confederações, negligenciando outras áreas.

Com a eclosão da crise, o potencial das manifestações passou a ser medido e analisado diariamente pelo Mosaico, sistema online de acompanhamento de cerca de 700 temas definidos pelo ministro-chefe do GSI, general José Elito. Nos relatórios, os oficiais da agência tentam antecipar o roteiro e o tamanho dos protestos, infiltrações de grupos políticos e até supostos financiamento dos eventos.

O GSI colocou grades duplas em torno do Palácio para reforçar a segurança para o protesto marcado para hoje. Em dias de manifestações, as instalações presidenciais são protegidas na parte interna pelos seguranças do GSI e pela Polícia do Exército e na parte externa pela Polícia Militar do Distrito Federal.

O secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, disse que a redução de tarifas em diversas cidades, principalmente São Paulo e Rio, “não vão interromper o processo”. Para Maldos, o fato “atende apenas” à reivindicação dos 20 centavos, mas há muitas outras apresentadas e que precisam ser atendidas.

Voz. No Planalto, segundo interlocutores de Dilma, a ideia é que, diante das demandas apresentadas, algumas tinham de começar a ser atendidas para que os manifestantes entendessem que sua voz, de fato, começa a ser ouvida. A redução da tarifas seria a primeira e isso ajudaria a arrefecer os ânimos, mas não a parar os protestos.

Esses mesmos auxiliares reconhecem que, como há muitos pleitos a serem atendidos, é preciso ampliar os canais de comunicação. Para esses interlocutores, o erro que levou o protesto a tomar grande proporção foi não ter havido negociação no início das manifestações.

Maldos afirmou “este grito” tem a ver com a inclusão social dos últimos dez anos, em referência ao período em que o País é governado pelo PT. “São setores que foram incluídos socialmente e estão cobrando mais coisas. Entraram no sistema, receberam um serviço e estão reclamando porque acham que ele não está bom. Eles têm todo o direito de achar que não está bom”, comentou o secretário.

Na tentativa de reiterar a contribuição do governo, o Planalto distribuiu na quarta-feira uma nota em que lista as sete medidas já adotadas, entre elas desoneração da folha de pagamentos.