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Deus morreu

cruciPublicado por Fabricio Cunha

É a sexta feira, que me ganha, em Deus.

É sua “paixão”, seu sofrimento e morte, que me colocam de joelhos, absorto, sem compreender.

A morte de Deus é a exacerbação de sua humanidade. É a prova maior de teu amor extravagante, que o coloca sob o chicote de sua criação, por amor dela própria.

Quando seu sangue rega a terra, encontrando-se com a origem de sua própria criação, Deus, em Jesus, nos comunica que sabe qual é o sabor da dor de ser humano, pobre, injustiçado, abandonado, só e frágil.

Deus nunca foi tão humano quanto na sexta e no sábado.

E não há prova mais cabal de seu amor por sua criação, do que seu sangue ser derramado nela.

Na sexta, em pouquíssimas palavras, assistimos a maior cena de todos os tempos: Deus se fez homem e, homem, amou a todos até as últimas consequências.

Um Deus que, numa cruz, rega uma poça com seu sangue, para que, dali, esse sangue regasse toda terra.

Um Deus que morre no que cria, de tanto amor.

Silêncio…

Deus prefere os ateus

Uma brincadeira bem-humorada sobre o fato de ateus não torrarem a paciência do Todo-Poderoso

Tony Bellotto, em O Globo

Despedida

Tocante o velório de José Wilker no Teatro Ipanema. Não acredito em Deus, mas a existência dos deuses do palco é inegável. Já tive oportunidade de vislumbrá-los em algumas ocasiões. O palco: não haveria lugar mais adequado para o grande ator receber as despedidas de família, amigos, fãs e admiradores.

Desconvertido

Antes que me acusem de súbita conversão ao teísmo, explico que deuses do palco nada têm a ver com seus equivalentes judaico, cristão e islâmico. Os deuses do palco não têm moral rígida — se é que têm alguma — e adoram se travestir de rainhas sonâmbulas e filhos que transam com a mãe. São sacanas e costumam pregar peças em seus fiéis, como fazê-los esquecer o texto no meio do monólogo de Hamlet ou arrebentar-lhes cordas de guitarra em pleno solo de “Sonífera ilha”.

Descongestionamento

Tenho uma plaquinha em meu escritório em que se lê: “Deus prefere os ateus”. Trata-se de uma brincadeira bem-humorada sobre o fato de ateus não torrarem a paciência do Todo-Poderoso com orações, súplicas, invocações, clamores, confissões, pedidos, promessas, propostas, tratos, cobranças, ladainhas, exaltações, músicas chatas e todas as coisas que devem entupir incessantemente a caixa de mensagens divina.

Desconversação

Às vezes tenho a impressão de que os dizeres da plaquinha estão estampados em minha testa. Basta eu sentar na poltrona do avião e minha vizinha tira da bolsa um livro ou folheto que me entrega, contrita: “Leia isso, vai te fazer bem”. Em geral trata-se de propaganda doutrinária do tipo “Jesus te ama”. Nessas horas agradeço e aviso gentilmente: “Desculpe, eu não acredito”. “Você tem que acreditar em alguma coisa!” Como eu insista na manutenção de minha descrença, escuto em silêncio o veredicto final: “Você pensa que não acredita. Mas no fundo você acredita”.

Desmistificação

Por ocasião do lançamento de um livro em Curitiba, fui interpelado por uma moça num bate-papo com leitores: “Você que é um homem de família e artista bem-sucedido, fale de suas convicções religiosas e espirituais”. “Eu não tenho convicções religiosas nem espirituais”. “Impossível! Você faz sucesso e tem uma família feliz!”

Cai o pano.

Desevangelizado

Espíritas também costumam me abordar de vez em quando com mensagens de amigos mortos. Nessas horas sinto arrepios. Eu não acredito em reencarnação nem em vida após a morte (aliás, acho um paradoxo bem louco). Mas vai que um amigo morto me diga alguma coisa que só nós dois sabíamos? E então, quando me chegam as mensagens… Bem, a não ser que meus amigos mortos tenham virado carolas ou sofrido lobotomia no Além, as mensagens que me apresentam são absolutamente inverossímeis.

Desipnoterapia

Há os que contam de suas vidas passadas. “Fui um nobre da corte de Luiz XV…” “Fui um gladiador romano que se converteu ao cristianismo…”. Incrível como todo mundo foi alguma coisa extraordinária em vidas passadas. Não conheço ninguém que tenha sido um simples funcionário público.

Desnaturado

Debato com amigos budistas sobre minha descrença na teoria da reencarnação. Se comprovadamente nascem mais pessoas do que morrem, provavelmente não há em estoque espíritos suficientes para rechear tantos novos corpos, o que pressupõe que nasçam várias almas de primeira geração, sem vidas passadas. Isso talvez explique minha descrença: devo ser um espírito zero quilômetro, descomprometido de dívidas cármicas.

Desconsagrado

Tenho amigos que curtem religiões afro-brasileiras: “Sou filho de Iansã”. “Oxumaré me protege”. Consultam búzios, vestem branco na sexta-feira, entram em transe ao som dos atabaques: “Não posso comer hambúrguer, meu santo não permite.”

Desgarrado

Não tome minha dissertação como provocativa ou desrespeitosa. Estou só tratando com bom humor um assunto que é geralmente abordado com gravidade e certezas em excesso. Como diz Christopher Hitchens: “É claro que não tenho condições de provar a inexistência de uma divindade que supervisiona e vigia cada momento da minha vida e irá me perseguir mesmo depois da morte. (Mas posso me alegrar com a falta de provas de uma ideia tão pavorosa, que poderia se comparar a uma Coreia do Norte celestial, onde a liberdade não é só impossível, mas inconcebível.)”

Desgraçado

Crônicas como esta costumam gerar mensagens inconformadas e indignadas de muitos leitores. Vários me provocam dizendo que na hora da morte eu apelarei para Deus. Difícil. Para os deuses do palco, talvez. Há os que me acusam de me aferrar ao ateísmo com a mesma convicção que um fanático se aferra à religião. Não mesmo. Simplesmente descreio e não fundamento minha descrença com dogmas. Pelo contrário, estou aberto a mudar de ideia assim que seja descoberto o fóssil de um coelho da era pré-cambriana ou que um anjo surja brandindo sobre minha cabeça uma espada de luz. Ou que me apresentem uma mensagem convincente de um amigo morto.

Pelé alerta para caos em aeroportos e vê morte no Itaquerão como ‘normal’

Policiais Militares isolam área onde operário se acidentou em 29/3, na Arena Corinthians, em São Paulo (SP) (foto: Taba Benedicto/Futura Press)

Policiais Militares isolam área onde operário se acidentou em 29/3, na Arena Corinthians, em São Paulo (SP) (foto: Taba Benedicto/Futura Press)

Bruno Thadeu, no UOL

O ex-jogador Pelé disse nesta segunda-feira que sua maior preocupação quanto à Copa do Mundo de 2014 é com a situação dos aeroportos. O Rei do Futebol disse que a morte de um operário no Itaquerão foi algo “normal” em uma obra de estádio, após ser questionado pelos repórteres sobre o acidente que matou o trabalhador Fabio Hamilton Cruz, no fim do último mês de março.

“Isso é normal, pode acontecer, mas a minha maior preocupação é quanto à estrutura, os aeroportos, porque no Brasil sempre dá-se um jeitinho”, disse Pelé, que contou ter tido contato com os aeroportos brasileiros recentemente e classificou a situação como caótica.

“Voltei recentemente para o Brasil e o aeroporto está um caos. Essa é minha preocupação”, disse o Rei do Futebol, que fez mais críticas à preparação para o evento. “Infelizmente não foi feita uma boa organização. Eu participei de eventos quatro anos atrás, então dava tempo para arrumar, então não era para estar com essa preocupação”, concluiu Pelé.

No mês passado, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, revelou que aeroportos militares deverão ser usados durante a Copa do Mundo para evitar o ‘caos’.  ”Por exemplo, para as delegações. Se elas usarem os aeroportos militares, irão tirar uma pressão muito grande dos aeroportos (civis)”, disse à época o ministro.

Indagado sobre Neymar, o Rei do Futebol reforçou sua opinião de que a transferência para o Barcelona foi benéfica em termos de evolução profissional. Pelé considera que o atacante está caindo menos em campo.

“O Neymar tinha algumas dificuldades para jogar em pé quando jogava aqui [no Brasil]. Várias vezes conversei com ele sobre isso, dizendo que não precisava cair, não precisava cavar falta. Se falava muito sobre ‘cai-cai’. Achei que a ida dele ao Barcelona foi excelente. Ele cresceu e joga ao lado de grandes jogadores”, destacou Pelé.

Pelé estrelou nesta segunda lançamento de diamantes comemorativos aos seus mais de mil gols na carreira. O produto foi feito com fio de cabelo do ex-jogador, cujo carbono utilizado compõe a matéria prima do diamante.

Suicídio: fique atento a estes sinais

sad-man-stigma-110603-838x558Natasha Romanzoti, no HypeScience

O suicídio é um grande problema no globo todo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano, um milhão de pessoas tiram a própria vida – ou seja, uma morte a cada 40 segundos, que poderia ter sido evitada.

A média brasileira fica entre 25 e 26 suicídios por dia, número só inferior ao de mortes no trânsito e homicídios. Ainda segundo dados da OMS, ao longo da vida, 17,1% dos brasileiros pensam seriamente em se matar, 4,8% chegam a elaborar um plano para tanto, e 2,8% efetivamente tentam o suicídio.

Já de acordo com dados do Ministério da Saúde brasileiro, de 2006 a 2010, o país teve uma média de 4,8 suicídios a cada 100.000 habitantes, sendo que o estado do Rio Grande do Sul liderou essa estatística, com 10,2 casos a cada 100 mil habitantes, o que é próximo de países com taxas altas de suicídio, como Suécia e Noruega.

O que fazer para abrandar esses números, que já aumentaram 30% nos últimos 25 anos no Brasil, e devem dobrar no mundo todo até 2020?

Especialistas em prevenção de suicídio sugerem que uma pessoa com pensamento suicida geralmente exibe sinais de alerta, que os parentes e amigos próximos podem perceber.

Confira os indícios para os quais se deve ficar atento, alguns mais óbvios, outros menos esclarecedores, de acordo com a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio:

  • Falar ou discutir sobre o desejo de morrer;
  • Pesquisar maneiras de se matar;
  • Fazer referências à desesperança ou ao sentimento de que a vida não tem nenhum propósito;
  • Exibir sentimentos de estar preso ou de dor insuportável;
  • Exibir sentimentos de ser um fardo para os outros;
  • Aumento do uso de álcool ou drogas;
  • Alterações do sono, como sono excessivo ou insônia;
  • Isolamento e retirada social;
  • Manifestação de raiva ou desejo de vingança;
  • Exibir ansiedade, agitação ou agir com imprudência;
  • Ter oscilações extremas de humor.

Para ajudar pessoas com esses sinais, você deve se certificar de que elas não sejam deixadas sozinhas, remover quaisquer objetos perigosos ou drogas que poderiam ser usados em uma tentativa de suicídio e procurar ajuda médica imediata.

Caso seja você quem precise de ajuda, fale anonimamente com o CVV pelo telefone 141 ou qualquer um dos seus canais. [LiveScience, Folha 1 e 2]

Carta ao amigo que se suicidou

AA034249Ricardo Gondim

Por que morreste?

Quisera dar-te, amigo, as coragens que me fizeram um menino ousado na conquista da primeira namorada. Dar-te-ia também os medos que frearam a ensandecida ladeira por onde eu podia despencar na irresponsabilidade juvenil. Se pudesse, cortaria um pedaço do coração, transplantaria para teu peito a felicidade do beijo que desvirginou os meus lábios. Eu te diria que o amor resiste ao tempo e que as boas memórias que carregamos transformam qualquer tristeza em alegria. Eu te diria que tua vida ainda seria brindada por coragens e medos, alegrias e tristezas.

Quisera poder te chamar para pedalar ao meu lado até a mangueira grande e discreta, onde, solitário, confidenciei em solilóquios intermináveis alguns sonhos impossíveis. Lá veríamos juntos que, se todos os sonhos não se cumprem, persegui-los dá algum sentido à nossa vida banal.

Quisera dar-te, amigo, todos os questionamentos e descobertas que fiz sobre o mistério de Deus. Eu te convidaria a assistir ao meu primeiro rasgo de conversão. Tu serias testemunha de como, hesitante, desejei a verdade – a mesma verdade que insiste em distanciar-se de mim sempre que imagino tê-la em meus braços.

Quisera fazer-te parceiro de minha Primeira Comunhão católica em Londrina. Depois eu te chamaria para presenciar a noite de minha Profissão de Fé presbiteriana. Tu me acompanharias à vigília de oração onde recebi o Batismo no Espírito Santo pentecostal. Daí eu gostaria de conversar contigo sobre minhas recentes aberturas para uma espiritualidade existencial, comprometida com o aqui e agora.

Quisera poder falar contigo sobre a jornada em direção ao Divino, nem sempre ascendente, mas repleta de altos e baixos. Repartiríamos assim entusiasmos e tristezas. Trançaríamos nossa amizade espiritual parecida com a corda de muitos fios.

Quisera dar-te, amigo, os instantes magros em que contabilizei fracassos, derrotas, perdas – instantes que forjaram em mim o dever de perseverar. Na derrota aprendi que muitos de meus ideais não nasciam da esperança. Eu estava engolido por um quixotismo bobo. Achava que alcançaria qualquer projeto faraônico. Aprender a caminhar pelos vales, cabisbaixo e sem arrogância, nunca é fracasso.

Quando me achava onipotente fui simplório. Ingênuo, tapei buracos enormes para não ter que lidar com a des-ilusão. Mal sabia que é melhor a dura realidade do que viver escondido sob a mentira da ilusão. Para preservar instituições falidas, relevei decepções. Eu havia me convencido de que horrores éticos, que me afrontavam, não passavam de mal-entendidos. Saí da alucinação de minha prepotência para salvar a alma. Presentear-te com os meus desapontamentos seria um jeito de te pedir: não desista; não vire o tablado do jogo. A vida é assim mesmo, dura. Nem todas pessoas são confiáveis – inclusive nós mesmos. Mas vale a pena continuar. Está escrito: “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.

Quisera dar-te, amigo, meu ouvido discreto, meu olhar atento, meu abraço silencioso. Partiste sem me dar a chance de te acolher. Eu faria tudo para te salvar da loucura de sair da vida antes do tempo. Para evitar a tua tragédia, fico com o ímpeto, se possível, de me colocar na trajetória da bala, na frente do trem, no olho do furacão, no meio do terremoto. Para te poupar, estaria disposto a ser antídoto, escudo, parapeito, boia, escada, paraquedas. Para te ajudar, faria qualquer coisa: massagem cardíaca, respiração boca a boca, transfusão de sangue.

Por que não me consideraste teu psicanalista, confessor, saco de pancada? Eu não te condenaria. Não te cobraria. Não te rejeitaria. Só pediria: não jogue a toalha.

Amigo, saber que segaste a vida por conta própria foi um duro golpe. Acordei desolado. O mundo ficou árido. Agora vejo que não te conhecia bem.

Carregarei a sensação de que poderia ter sido um amigo mais achegado que irmão. Não fui. Todos perdemos. Mas ao contrário de ti, não desistirei. Sei que ainda posso ser amigo de outro.

(Faz pouco tempo. Ainda dói)

 Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim