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Renascer deve pagar R$ 1 mi a irmãos que perderam mãe em desabamento

Desabamento do teto da sede da igreja Renascer deixou nove mortos; irmãos receberão R$ 1 mi após perderem a mãe e a avó (foto: Rubens Cavallari-20.jan.2009/Folhapress)

Desabamento do teto da sede da igreja Renascer deixou nove mortos; irmãos receberão R$ 1 mi após perderem a mãe e a avó (foto: Rubens Cavallari-20.jan.2009/Folhapress)

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

A Justiça de São Paulo decidiu que a igreja Renascer em Cristo terá que pagar R$ 1 milhão para três irmãos que perderam a mãe e a avó no desabamento de um templo na zona sul de São Paulo, em 2009. A igreja disse que vai recorrer da decisão.

A mãe dos três irmãos, Maria Amélia de Almeida Megnis, e a avó, Acir Alves da Silva, aguardavam o início de um culto religioso quando ocorreu o desabamento do teto da igreja, em 18 de janeiro daquele ano. Ao todo, mais de cem pessoas ficaram feridas e nove morreram.

Na decisão, o juíza Priscilla Buso Faccinetto aponta que “o desabamento poderia ter sido facilmente evitado, tendo ocorrido pela falta de manutenção do prédio”. Ela destaca ainda que a Renascer “agiu de forma negligente, derivando daí sua responsabilidade pelo evento.”

Segundo o advogado Marcus Vinicius Moura, que representa os três irmãos, eles deverão receber, além dos R$ 1.071.000, por danos morais, mais R$ 609,92, por danos materiais, devido a gastos que a família teve em decorrência das mortes. Os valores deverão ser divididos igualmente entre os irmãos.

O advogado que representa a igreja, Roberto Ribeiro Júnior, afirmou que “o acidente se deu em função de uma reforma em que as empresas contratadas, inclusive o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), não fizeram reforço da estrutura”. Por conta disso, ele conclui, a responsabilidade seria delas.

O defensor aponta ainda que a reforma teria ocorrido dez anos antes do acidente e que na época o instituto chegou a emitir um laudo confirmando que a estrutura estava reforçada. A reforma na ocasião teria ocorrido após a constatação de fungos na estrutura de madeira.

Apesar disso, a juíza diz que “a ausência de avaliação técnica por um período superior a dez anos ensejaria medidas como a suspensão dos cultos religiosos até que a situação fosse regularizada e não simplesmente continuar utilizando o templo para reuniões, colocando em risco a integridade física dos fiéis.”

Dito e feito?

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Marina Silva

Os novos prefeitos completam três meses no cargo e começam a enfrentar cobranças e críticas. Tudo normal e democrático, afinal fizeram promessas e têm que mostrar serviço. Mas é fundamental que a boa gerência seja sustentada pela visão estratégica e pelo planejamento para enfrentar os graves problemas da mudança climática, que tanto afetam as grandes cidades. E não acho demais insistir: mais que de gerentes, precisamos de líderes que tenham visão antecipatória dos grandes desafios que se colocam nas diferentes realidades do país.

Na semana passada, voltou ao noticiário o debate sobre trânsito e poluição. O prefeito de São Paulo afrouxou de tal modo a inspeção anual de veículos que a tornou quase sem efeito no controle da poluição.

Isso não é pouco: o Laboratório de Poluição Atmosférica e Saúde da USP estima que 4.000 pessoas morrem anualmente por causa da poluição dos veículos na cidade.

Os municípios seguem o que a “gerência” nacional decide. Para enfrentar a crise econômica, o governo repete estímulos fiscais para a indústria de automóveis sem exigir contrapartidas sociais e ambientais, embora saiba, como todos sabem, que apenas empurra a crise para mais adiante e agrava os problemas urbanos.

O que pode ser feito? Há um acúmulo de conhecimento sobre a mobilidade urbana, a poluição e suas implicações econômicas e sociais, especialmente na saúde da população e nos empregos da indústria. Todos os aspectos desse complexo assunto são debatidos há anos. Mas as discussões são esquecidas e a complexidade é desprezada nas decisões políticas, que se fixam apenas nas questões levantadas pelos lobbies mais poderosos e nos efeitos eleitorais que possam ter.

No caso de São Paulo, aplicável a outras grandes cidades, foi sugerida a regulagem de veículos novos a cargo de indústrias e concessionárias, subsídios para combustíveis menos poluentes, estímulo ao transporte coletivo com maior controle de poluição e um variado conjunto de ideias que não atrapalham o desempenho da economia, mas a colocam sob nova perspectiva social e ambiental.

Penso que as decisões do poder público podem ser tomadas construindo consensos e formalizando pactos entre os setores envolvidos. Não custa ouvir quem vive os aspectos diferentes de cada problema.

As cidades não precisam ser feridas na crosta do planeta, onde se agrava a crise civilizacional. Podem ser fontes de inovação e criatividade, laboratórios de soluções sustentáveis.

Nas eleições de 2012, vários candidatos a prefeito assinaram compromisso com essa segunda opção. Os que se elegeram podem ficar certos de que ninguém precisa fazer críticas e cobranças, a própria realidade de suas cidades se encarregará disso.

fonte: Folha de S.Paulo

Anônimos que tornam a terra habitável

herois anônimos

Ricardo Gondim

Nem sempre conseguimos lidar com a condição humana, limitada, inadequada e ambígua. Acabamos perdidos na busca de compreender o sentido da vida. Poetas, filósofos e teólogos ainda não decifraram a razão de nos inquietarmos diante do mal. Por que a virtude encanta? De onde vem a idéia de certo e errado?

A panela de pressão étnica explodiu entre Tutsis e Hutus em Ruanda na década de 1990 e cerca de oitocentas mil pessoas morreram em 45 dias; a maioria chacinada com facão e machado. Em 2008, a tragédia ruandense se transferiu para o vizinho Congo e as mesmas mortes absurdas se repetiram. O resto da humanidade, impotente, complacente, alienada, não reagiu.

A invasão do Iraque pelo governo de George W. Bush custou pelo menos 3 trilhões de dólares aos cofres dos Estados Unidos. Calcula-se que essa guerra estúpida, nascida de uma mentira, matou mais de um milhão e duzentos mil civis – numa população de 29 milhões – entre  março de 2003 a agosto de 2007. E até agora ninguém foi indiciado nos tribunais internacionais por crime de guerra.

Em Serra Leoa, milícias rivais se enfrentam há décadas. Meninos soldados decepam mãos, braços e pernas de outras crianças, de mulheres e de idosos. A maldade gratuita, os crimes hediondos, não comportam explicações simples. O por quê de quem não aceita conviver com a barbárie persiste como o nó górdio da teodicéia.

Diante do horror, ouve-se um simplismo pessimista: “O ser humano é inviável”. Nada disso. A humanidade conviveu com tanta carnificina que, se os seres humanos fossem mesmo inviáveis, já teriam sido extintos, como os dinossauros. Civilizações, por incrível que pareça, se reinventaram nas tragédias. Povos devastados ressurgiram das cinzas. A força do bem, embora frágil, continuou, e permanece, maior que o poder do mal.

A história oscila entre extremos. O pêndulo que permite a vida, ora desce à perversidade mais profunda, ora avança na escala da virtude. Todo o progresso civilizatório foi marcado por idas e vindas. Fomos criados com sombras e luzes. O corte que separa certo e errado, bem e mal, acerto e erro não é cirúrgico. Violência rampante topa com iniciativa humanitária, e desacelera. Cinismo político muitas vezes murcha diante de engajamento comunitário. Mobilização popular derruba tirania. Embora negros ainda sofram preconceito, a escravidão virou crime. Misoginia perdura; as mulheres, entretanto, conquistaram o direito de votar  - e governar.

Pessimismo agudo, que só vê a inadequação do homo sapiens, ajuda a evitar o dever de construir a história. Ao considerar a humanidade irremediavelmente perversa, o mal  passa a ser aceito como irremissível. Fica mais fácil explicar a maldade caso corpo, terra e mundo forem intrinsecamente ruins e a existência, masmorra que aprisiona o espírito. Determinismo espiritual, que coloca a humanidade em estado de queda – como se existisse um código genético que condena a humanidade à perversão -, é responsável por muita atrocidade. Basta repetir: os seres humanos nascem desfigurados e contaminados com uma lepra moral (vício, na filosofia e pecado, na teologia), e a realidade continuará intocada. Quanto mais íngreme a ladeira da decadência, menor a responsabilidade. O mecanismo é poderoso, bastante usado na filosofia e teologia  - Agostinho, Anselmo, Pascal.

Ao aceitar a inexorabilidade do mal, qualquer realidade fica plausível. “Fomos criados assim, nada pode ser feito”. “Cachorro não late para ser cachorro; late porque é cachorro – as pessoas não são pecadoras porque pecam, pecam porque são pecadoras”. Sobre tais pressupostos, o ódio que destrói passa a ser natural.

Noite passada sonhei que várias pessoas parecidas comigo andavam na beira de um precipício. Todos falávamos ao mesmo tempo. Repetíamos desculpas. Desmerecíamo-nos. Eu era uma espécie de líder. Justificava a minha índole aos gritos. Para não encarar petulância, projetava meus defeitos nos parentes. Comecei a falar de Adão e Eva. Dizia que estava aleijado espiritualmente por causa deles. O primeiro casal merecia a máxima condenação. Por que não resistiram a tentação da árvore do conhecimento do bem e do mal? Sem saber lidar com a minha condição de  luz e sombra, eu acabei jogando em Deus “a grande culpa”. No sonho, não disfarçava a zanga: “Afinal de contas, não pedi para nascer deformado. Não tenho como reverter a natureza que herdei. Se não posso praticar o bem, por que também sou condenado? Melhor cruzar os braços, deixar rolar e ver como é que fica”.

De repente, alguém acenou na margem oposta do abismo. De mangas arregaçadas, ele não gritava, apenas tentava ser ouvido: “A maldade não é sina”. E por três vezes repetiu: “É possível frear o avanço da maldade. Vale a pena começar por você mesmo”.  Notei que o homem tinha cicatrizes nas duas mãos. Ainda calmo, contou uma lenda do Talmude: “Em cada cada geração, vivem 36 pessoas justas que são o alicerce do mundo. Eles são os “santos ocultos”. Ninguém os conhece ou poderá elogiá-los, mas graças às suas ações anônimas a terra se torna um lugar mais habitável e decente. Pare de justificar-se, una-se a eles”.

Acordei repetindo para mim mesmo: “prometo esforçar-me”.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

A dor e a dor de Chorão

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Mônica El Bayeh, no Mulher 7×7

A morte do Chorão caiu dura e seca em mim como caem as mortes jovens.  A morte nunca nos cai bem.  Mas, em alguns casos, ela espeta com mais força e a gente sangra por dentro. Sangrei por dentro com a morte do Chorão pelo que ele simbolizou em vida, sim.  Mais ainda, pelo que ele simbolizou em morte.

Chorão nos ensinou em morte que as dores da alma matam.  Não adianta fugir, elas correm atrás, perseguem sua presa.  ¨Quando a casa cai, não dá para fraquejar.  Quem é guerreiro tá ligado, quem é guerreiro é assim¨.  Mas alguns guerreiros acham que a luta é contra a dor. E é aí que perdem a batalha.

A dor maltrata.  Mas não é nossa inimiga.  Dor é sintoma, é alerta.  Tem que ser escutada.  Dor é luz de óleo de carro quando acende.  Não é contra a luz que se tem que lutar.  Precisa escutar a mensagem que ela traz.  Ou você toma providência ou bate o motor.  Quando a dor foi maior do que ele conseguia suportar, na ilusão de buscar a fuga, Chorão caiu na boca do predador.  Foi engolido pela própria dor.

Todos temos nossas dores.  Na minha opinião, elas se dividem em grandes e pequenas.  Grandes, sempre as nossas.  Pequenas, as dos outros.
Nossas dores são sempre as piores, porque são as que nos tocam, nos cortam, nos ferem.  As dos outros podemos imaginar – e dar muitos palpites.  Porque nos outros tudo sempre parece de muito mais fácil solução.

Dor é cano estourado, é insuportável, é urgência.  Tem que resolver, estancar.  Isso é só o que se pensa na hora do desespero.  Todos já passamos por isso.  Cada um estanca como pode, nem sempre da melhor forma, apenas da forma possível.  Sobreviver já é lucro.

Não cabe aqui nenhum juízo de valor, nenhum julgamento.  Cada um conserta seu cano como pode no momento.  Só que, se eu tampo com chiclete, com toalha, num remendo mal ajeitado, tenho que saber que vai vazar e agravar muito o meu problema mais à frente.

Porque a dor é como a água, procura seu curso.  Ou a gente para, enxerga ,tenta resolver e dar passagem para que ela nos conte a que veio, ou ela infiltra e se esgueira por outras direções.

Há pessoas que sentem pelo corpo:  têm enxaquecas, dores de barriga, de estomago, de coluna, pedras nos rins.  É a dor buscando seu curso.  A dor busca expressão.  É a forma que ela tem para mostrar que precisa ser cuidada.  O sintoma é um pedido de socorro sempre.
Uns dormem para esquecer. Outros  não dormem, porque não conseguem esquecer. Noites e noites em claro.

Há os que falam sem parar, e os que se calam completamente.  Os que fumam muito, bebem muito ou mergulham de cabeça numa panela de brigadeiro e os que param de comer.  Tem os que se drogam com remédios ou drogas não oficiais.  Em todos eles podemos ler o pedido de socorro estampado no olhar.  Em todos eles o grito mudo da dor.  A vida lhes dói, corta a carne por dentro e eles não sabem remendar esse cano para resolver e estancar de vez.  Nos olham perdidos, molhados de dor no meio da inundação.

Aflitos, muitas vezes tentamos ajudar.  Aí entra a questão da solidão.  Vida é solidão, sim.  Não quero dizer com isso que seja ruim, triste nem solitário.  Mas, como disse o próprio Chorão, ¨nascemos sozinhos e morremos sozinhos¨.

Nesse meio tempo, as decisões também são só nossas, por mais que tenhamos família, amigos, parceiros, ¨uma palavra amiga , uma notícia boa¨.  Por mais que larguemos ou deleguemos, a decisão sempre será nossa.  Na hora de ir ou ficar, na hora de começar ou separar, na hora do vamos ver, a decisão é só nossa.  Ninguém no seu lugar.  Isso é que é solitário.

Sempre tive horror de hospitais e cirurgias.  No meu primeiro parto, escutava o barulho da maca no corredor vindo me buscar.  Pagaria todo o meu ouro, que nem é tanto assim, para quem quisesse trocar comigo.  Poucas vezes na vida me vi tão só.  Era eu, não servia mais ninguém. Isso é a solidão.  O quarto estava cheio.  Fez diferença?  Nenhuma.  A barriga da vez era a minha, ninguém podia ir no meu lugar.  Então eu fui, com medo e tudo. Porque quando a vida não dá saída, a saída é ir.

Essa sensação de que não-tem-jeito-tem-que-ir é levemente aterrorizante.  ¨Mas também quero te mostrar que existe um lado bom nessa história¨.  A coragem de se lançar, mesmo com medo – e nem é pouco – deixa um gosto de vitória que compensa, ao final. Se fingirmos não ver nossas dores, nossas questões mais doídas, largamos de mão e não tomamos posição, essa já é uma posição.  Pesado, ruim?  Não penso assim.

É complicado no início tomar posse da sua vida, segurar no volante e definir a direção.  ¨Mas o tempo é rei, a vida é uma lição.  E um dia a gente cresce, conhece a essência, ganha a experiência e aprende o que é raiz, então cria a consciência¨.

Um leme bem manuseado impede que o barco fique à deriva, ou bata em tudo e acabe por naufragar.  Assumir o lema da própria vida é difícil.  À primeira vista, parece que não vamos conseguir.  Mas “para quem tem pensamento forte, impossível é só questão de opinião.  E disso os loucos sabem.

Somos solitários desde sempre.  Mas, a loucura de quem aposta na vida e tenta buscar socorro às vezes é única sanidade possível.  Saímos vitoriosos quando aprendemos a lidar com a dor.  E ¨quanto mais a gente rala, mais a gente cresce¨.

A morte do Chorão, um rapaz novo, talentoso ¨com habilidade de fazer histórias tristes virarem melodia¨, que cantava esperança para todos nós, caiu como uma bigorna daquelas de história em quadrinhos, que deixa o personagem achatado e sem forma por um tempo.  Ainda me sinto achatada e grudada no chão.

Chorão somos todos nós, com nossas dores e nossa solidão.  Com ¨nossas histórias, dias de luta e dias de glória¨.  Chorão, te devemos mais essa.  Que sua morte caia em nós como um grito de guerra pela vida.  Vamos continuar tentando ¨viver e cantar não importa qual seja o dia.  Vamos viver, vadiar, o que importa é nossa alegria¨.

Chorão, ¨você deixou saudade¨.

O fumo e a sobrevivência

foto: Brasil Acadêmico

foto: Brasil Acadêmico

Drauzio Varella, na Folha de S.Paulo

Para quem gosta de morrer mais cedo, o cigarro é arma de eficácia incomparável. Ele reduz de tal forma a duração da vida que nenhuma medida isolada de saúde pública tem tanto impacto na redução da mortalidade quanto parar de fumar.

Acaba de ser publicado o levantamento mais completo sobre os índices de mortalidade em fumantes e ex-fumantes. Os dados foram colhidos entre 113.752 mulheres e 88.496 homens, de 25 a 79 anos de idade, acompanhados durante 7 anos.

Em média, os fumantes consumiam mais álcool, tinham nível educacional mais baixo e índice de massa corpórea menor do que o dos ex-fumantes e daqueles que nunca fumaram.

Cerca de 2/3 dos que foram ou ainda são fumantes adquiriram a dependência antes dos 20 anos, dado que explica o esforço criminoso da publicidade dirigida para viciar crianças e adolescentes.

As curvas de mortalidade revelaram que:

1 – Continuar fumando encurta 11 anos na vida de uma mulher e 12 anos na vida do homem.

2 – Comparado com os que nunca fumaram, o risco de morte de um fumante é três vezes maior. Mulheres correm riscos iguais aos dos homens, confirmando o adágio “mulher que fuma como homem, morre como homem”.

3 – Uma pessoa que nunca fumou tem duas vezes mais chance de chegar aos 80 anos. Na mulher de hoje, a probabilidade de sobreviver até essa idade é de 70%, número que cai para 38% nas fumantes. Nos homens esses valores são de 61% e 26%, respectivamente.

4 – A diferença de sobrevida é explicada pela incidência mais alta de câncer, doenças cardiovasculares, doenças pulmonares obstrutivo-crônicas (como o enfisema) e outras enfermidades provocadas pelo fumo. As causas de morte mais frequentes são câncer de pulmão, infarto do miocárdio e derrame cerebral.

5 – Na faixa de 25 a 79 anos de idade, cerca de 60% de todas as mortes são causadas pelo cigarro.

6 – O risco de desenvolver doenças pulmonares obstrutivo-crônicas nas mulheres que fumam é 22 vezes mais alto; nos homens é 25 vezes maior.

Foi analisado também o impacto de parar de fumar na redução da mortalidade.

1 – Quanto mais cedo alguém deixa de fumar, mais tempo vive.

2 – As curvas de sobrevida dos que se livraram do cigarro entre os 25 e os 34 anos de idade são praticamente idênticas às dos que jamais fumaram. Parar nessa faixa etária faz ganhar pelo menos 10 anos de vida.

3 – As curvas dos que pararam dos 35 aos 44 anos são um pouco mais desfavoráveis. Ainda assim, largar de fumar nessa fase permite viver nove anos mais.

4 – Comparados com os que nunca fumaram, ex-fumantes que pararam ao redor dos 39 anos ainda apresentam mortalidade 20% mais alta. Embora significante, esse número é pequeno em relação ao risco 200% maior que correriam se continuassem fumando.

5 – Parar de fumar dos 45 aos 54 anos reduz 2/3 da mortalidade geral e faz ganhar em média seis anos de vida. Os que o fazem entre 55 e 64 anos vivem em média quatro anos mais.

6 – O câncer de pulmão está associado ao maior risco de morte entre os ex-fumantes.

O fato de nas últimas décadas os fumantes terem aderido em massa aos assim chamados cigarros de baixos teores não alterou em nada a mortalidade.

No caso das doenças pulmonares obstrutivas, que evoluem com falta de ar progressiva, foi até pior: a incidência mais do que duplicou desde a década de 1980.

A explicação se deve às mudanças que a indústria introduziu na produção de cigarros: o uso de variedades de fumo geneticamente selecionadas para reduzir o pH da fumaça, o emprego de papel mais poroso e filtros com mais perfurações, tornaram menos aversivas, mais profundas e prolongadas as inalações, expondo aos efeitos tóxicos grandes extensões do tecido pulmonar.

Como o cigarro perde espaço no mundo industrializado, e em países como o Brasil, as multinacionais têm agido com agressividade nos mercados asiáticos e africanos, valendo-se da falta de instrução das populações mais pobres e da legislação frouxa que permite a publicidade predatória.

Os epidemiologistas estimam que essa estratégia macabra fará o número de mortes causadas pelo cigarro –que foi de 100 milhões no século 20– saltar para 1 bilhão no século atual.