Fotógrafo usa drone e faz vídeo incrível de Chernobyl

Trabalho sensível usa tecnologia para mostrar restos de “cidade fantasma”

Chernobyl vista de cima: fotógrafo usa drone para retratar cidade abandonada (foto: Reprodução/DannyCooke)
Chernobyl vista de cima: fotógrafo usa drone para retratar cidade abandonada (foto: Reprodução/DannyCooke)

Rennan A. Julio, na Galileu

O acidente de Chernobyl em 1986 ficou conhecido como o maior desastre nuclear da história humana. Com mais de 56 mortes diretas e mais de 4000 indiretas – consequências das partículas radioativas espalhadas no ar -, estima-se que o prejuízo financeiro da União Soviética com o evento foi de 18 bilhões de rublos.

Hoje, a região que cerca a usina abandonada de Chernobyl está localizada na região de Pripyat, na Ucrânia. O local é considerado um grande polo de estudo para especialistas que buscam entender a relação entre a natureza e as partículas nucleares.

Além disso, a cidade abandonada se tornou um dos polos fotográficos mais bonitos do planeta. Ensaístas e documentaristas já retrataram a área de diversas formas, mas Danny Cooke decidiu fazer diferente: o diretor usou um drone para voar e documentar os restos de Chernobyl.

O incrível trabalho “Postcards from Pripyat, Chernobyl” pode ser conferido abaixo.

dica do Guilherme Massuia

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Anos de chumbo: comandante impõe silêncio ao Exército

Unidades da força são obrigadas a não colaborar com as investigações sobre os crimes da ditadura

Íntegro: Foto do Dops comprova que Raul Amaro estava bem ao ser preso. Exército nunca divulgou prontuário médico (foto: ARQUIVO NACIONAL)
Íntegro: Foto do Dops comprova que Raul Amaro estava bem ao ser preso. Exército nunca divulgou prontuário médico (foto: ARQUIVO NACIONAL)

Chico Otavio, em O Globo

RIO — O comandante do Exército, general Enzo Peri, proibiu os quartéis de colaborar com as investigações sobre as violências praticadas em suas dependências durante o regime militar. Em ofício datado de 25 de fevereiro, o general determinou que qualquer solicitação sobre o assunto seja respondida exclusivamente por seu gabinete, impondo silêncio às unidades. Por entender que a medida é ilegal, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) vai pedir à Procuradoria Geral da República que ingresse com representação contra o comandante.

O ofício foi usado pelo subdiretor do Hospital Central do Exército (HCE), coronel Rogério Pedroti, para negar ao MPF-RJ o prontuário médico do engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira, que morreu na unidade em 12 de agosto de 1971. O documento médico poderia comprovar a suspeita de que Raul, que foi preso pelo DOPS na noite de 31 de julho, na Rua Ipiranga (Flamengo), não teria resistido às sessões de tortura. No ofício, Enzo Peri informa que a decisão abrange os pedidos feitos pelo “Poder Executivo (federal, estadual e municipal), Ministério Público, Defensoria Pública e missivistas que tenham relação ao período de 1964 e 1985”.

— O Ministério Público está adotando as medidas necessárias para remover esses obstáculos às investigações e responsabilizar os servidores que sonegam informações. De qualquer forma, é lamentável que o comando atual do Exército de um Estado Democrático de Direito esteja tão empenhado em ocultar provas e proteger autores de sequestros, torturas, homicídios e ocultações de cadáver — lamentou o procurador da República Sérgio Suiama.

LEI EXCLUI COMANDANTE

Suiama, responsável pelo procedimento que investiga a morte de Raul Amaro, advertiu ao subcomandante do HCE que a Lei Complementar 75/93, que regulamenta o Ministério Público da União, autoriza que os pedidos de informações sejam encaminhados diretamente às unidades.

O procurador disse que as exceções — casos em que os pedidos só podem ser feitos pelo procurador-geral da República e não pelos procuradores de primeiro grau — não incluem o comandante do Exército. “A lei concede tal prerrogativa apenas para presidente e vice-presidente da República, membros do Congresso Nacional, ministros de Estado e chefes de missões diplomáticas”, escreveu Suiama ao coronel Rogério Pedroti.

O prontuário da vítima nunca foi divulgado. O engenheiro foi detido por uma radiopatrulha quando voltava de uma festa. Os policiais resolveram prendê-lo depois de encontrar em seu carro dois desenhos que foram considerados mapas. O primeiro ensinava a sair do apartamento do cunhado de Raul, que morava em São Paulo, e o segundo era o caminho para a própria casa do engenheiro.

O preso foi levado no dia seguinte à prisão para o Destacamento de Operações do Exército do 1º Exército (DOI I), na Rua Barão de Mesquita. Torturado, foi transferido às pressas para o Hospital Central do Exército, onde morreria dez dias depois. O corpo foi devolvido à família. Um tio de Raul, médico legista, constatou que a vítima sofrera agressões e apresentava a equimoses nas pernas.

— Desde o primeiro momento, o Exército tem negado sistematicamente informações sobre a morte. O ofício do comandante é mais uma demonstração que eles querem impedir o esclarecimento. Esse silêncio é emblemático. Quando se omitem, estão assumindo uma posição — criticou Felipe Nin, sobrinho de Raul Amaro.

Raul era funcionário do Ministério da Indústria e Comércio e conseguiu uma bolsa de estudos na Holanda, mas nem chegou a usufruí-la. Documentos produzidos na época pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) descrevem o engenheiro como militante do MR-8 e que sua casa funcionava como aparelho do grupo. Em 1994, a família obteve na Justiça sentença definitiva que considerou o Estado culpado por sua morte. O depoimento de um soldado que viu Raul ser torturado nas dependências do DOI I foi fundamental para ganhar a causa.

— Causa perplexidade o Hospital Central do Exército não ter autonomia para entregar ao Ministério Público Federal registros dos prontuários de presos políticos. Trata-se de mais um fato vergonhoso na história de nosso país, pois não bastasse as Forças Armadas não abrirem seus arquivos, ainda tentam impedir o MPF e a Comissão da Verdade de cumprirem com suas funções e negam prontuários médicos — comentou a presidente da Comissão Estadual da Verdade, Nadine Borges.

LAUDO COMPROVA TORTURA

Desde setembro de 2013, a CEV também aguarda os registros solicitados ao Exército de todos os prontuários de presos políticos atendidos no HCE durante o regime militar. Laudo do médico-legista Nelson Massini, apresentado na semana passada pela comissão, sustentou que o engenheiro foi torturado em pelos menos três ocasiões durante a semana em que permaneceu no HCE, as últimas delas na véspera da morte.

O comandante do Exército, procurado pelo GLOBO para comentar a decisão, não retornou o pedido do jornal encaminhado por mensagem eletrônica ao Centro de Comunicação Social (Cecomsex) da Força em Brasília até as 21 horas de ontem.

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Ruy Castro: “Não se viu cartaz com ‘fora traficantes’ no Rio de Janeiro”

fimupptítulo original: Pessoas dentro da farda

Ruy Castro, na Folha de S.Paulo

RIO DE JANEIRO - A 13 de março último, o aspirante a oficial da PM, Leidson Alves, 27 anos, foi morto com um tiro na cabeça por traficantes durante um patrulhamento no morro do Alemão. Foi o 19º PM morto neste ano no Rio, sendo 13 em emboscadas parecidas –alguns quando estavam de folga. A 7 de abril, ao voltar para casa, outro PM, Lucas Barreto, 23, foi capturado em São Gonçalo e levado para uma favela. Deram-lhe oito tiros, a maioria nas pernas, e o jogaram num matagal.

Desde então, não sei a quantas anda a estatística de PMs cariocas mortos ou feridos –não em combate, como de praxe no ofício, mas pelas costas, à traição. Nem sempre os jornais registram que o policial assassinado era jovem, recém-casado, filho exemplar ou pai de filhos. Artistas da Globo não vão a seus enterros. Não se sabe de missas por suas almas e, na verdade, ninguém está interessado. É como se não houvesse uma pessoa dentro da farda.

Nas últimas “manifestações” no Rio, elementos brandiram cartazes dizendo “Fora UPP” e “UPP assassina”. É fácil protestar contra as Unidades de Polícia Pacificadora. Quando um policial comete um excesso ou mata alguém, pode enfrentar processo, ser expulso da polícia ou ir preso. Mas ainda não se viu nenhum cartaz dizendo “Fora traficantes”. E, no entanto, contra a violência destes, não há recurso –a comunidade tem de aceitar calada os tapas na cara, o estupro de suas filhas e as execuções sumárias de quem eles considerem suspeitos.

É difícil acreditar que essa hostilidade à polícia parta de gente de bem nas comunidades. Os números mostram que, com as UPPs, as mortes diminuíram, os serviços aumentaram e sua economia cresceu.

Tais dados são lesivos, isto, sim, aos traficantes, às milícias, aos que vivem das migalhas do crime e a políticos que, para sobreviver, precisam que as UPPs fracassem.

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Veja todas as mortes que já aconteceram em Game of Thrones

game-of-thrones-wallpaper-1920x1080thrones-game-logo-burning-wallpapers-games-wallpaper-1920x1080-px-ca1fk0cm-1260x710Publicado no Gizmodo

Depois de muita espera, hoje estreia a nova temporada de Game of Thrones. Que tal comemorar a data à moda de George R. R. Martin, o autor da série de livros? Ele parece não sentir muito amor por nenhum dos personagens, já que é só a gente piscar e umas trinta pessoas são esfaqueadas, envenenadas, jogadas de penhascos, decapitadas e coisas do tipo.

Esse vídeo feito pelo Digg mostra, em menos de três minutos, as 5.179 mortes que aconteceram na série. Não, você não leu errado: são cinco mil cento e setenta e nove mortes, mesmo.

Também não podemos esquecer essa pessoa abençoada (ou sádica ou masoquista, não sei bem) que marcou cada morte nos livros da série com um post it. É, pessoal, seu Georginho não é fácil.

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Cheia em Rondônia: a única coisa que a chuva não levou foi a fé

Pastor que faz trabalho humanitário relata drama das famílias

Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d'água
Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d’água

Louise Rodrigues, no Jornal do Brasil

Mais de 18 mil desabrigados, fome, doenças e pressa: esse é o quadro que muitas famílias do Estado de Rondônia têm enfrentado todos os dias diante da maior enchente da história na região. A ajuda só chega de avião ou de barco. Quando chega. Na parte alta das cidades, a água ainda não chegou, mas as populações ribeirinhas não escaparam da tragédia. O Rio Madeira subiu e levou embora casas, eletrodomésticos e a terra cultivada por famílias que vivem da agricultura, principalmente plantando banana e mandioca. A fome é aplacada com carne de peixe e, quando é possível encontrar, outros animais. A água contaminada causa doenças e as crianças e idosos são os que mais sofrem. O ribeirinho tem pressa para que a chuva chegue ao fim e ele possa reconstruir sua vida. A única coisa que a chuva não levou foi a fé.

Essa é a pior enchente da história de Rondônia, batendo o recorde de 1997. O Estado convive com a chuva há mais de um mês. Em meio a um quadro desolador, a população conta com a ajuda e solidariedade de quem pode contribuir. Motivado a reunir esforços em prol daqueles que perderam tudo, o pastor José Valamatos, que realiza trabalhos voluntários nessas comunidades, desabafa: “Estamos lutando para minimizar o sofrimento causado pela tragédia”.

Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas
Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas

Valamatos conta que recebeu 50 cestas básicas como doação de uma Igreja em Manaus. Os mantimentos chegaram de barco. “Ficamos muito felizes com a ajuda que recebemos e já distribuímos os alimentos. Só que, infelizmente, não dá para todos”. A alimentação dos atingidos pela chuva é um dos pontos que mais preocupam o pastor. “As pessoas estão comendo praticamente peixe, mas não é só de peixe que se sustenta uma alimentação adequada. Às vezes eles saem para caçar animais e a alimentação acaba sendo basicamente carne”. O grande problema é a escassez dos itens da cesta básica, principalmente, arroz, feijão, sal, açúcar, farinha e café. Valamatos também relata que faltam equipamentos capazes de levar o socorro para todos, deixando muitas famílias sem a ajuda necessária.

Outra preocupação do pastor é com o futuro das famílias que vivem à beira dos rios e igarapés. “Quando as águas baixarem, vai ser uma calamidade. Agora, eles podem pegar uma canoa e fugir para a cidade ou para lugares altos. Só que as águas vão baixar e tudo vai começar do zero: sem casa, sem móveis, sem nada. O solo não vai estar mais próprio para agricultura e o ribeirinho vai ficar praticamente um ano sem produzir sua subsistência”, justifica.

Muitos moradores perderam suas casas com a enchente
Muitos moradores perderam suas casas com a enchente

Ainda segundo Valamatos, as famílias conseguiram subir terras altas e agora aguardam a chuva baixar. Enquanto isso, devido às cheias, elas não podem se sustentar, uma vez que vivem da agricultura. “Essas pessoas perderam tudo, mas o tempo vai ajudar a recuperar o que foi levado”, diz o pastor. Valamatos contou que dez casas estão sendo construídas para abrigar as famílias que precisam. Seis já foram construídas. “Se nós pudermos ajudar de alguma forma, nós vamos ajudar”, afirma.

Além de tudo que já estão sofrendo, os ribeirinhos ainda têm mais uma questão para se preocuparem: a saúde. Devido à contaminação das águas, muitas pessoas, principalmente crianças, vêm apresentando quadros de diarreia, dores no corpo e na cabeça, além de otite, leptospirose, desnutrição e disenteria. “Estamos preocupados com a cólera. Embora ainda não tenham sido registrados casos, pessoas estão doentes e sem acesso total à higiene ou a cuidados”, conta Valamatos.

Para o pastor, a Defesa Civil e o governo do Estado de Rondônia estão conseguindo agir, dentro dos limites estipulados pela tragédia. “Trata-se de uma questão da natureza, uma calamidade ambiental. Não adianta culpar ninguém agora”, afirma Valamatos. No dia 15 de março, a presidente Dilma Rousseff sobrevoou as regiões atingidas pela chuva e mostrou-se preocupada. Na ocasião, a presidente declarou: “Estamos em um momento de fenômenos naturais bem sérios no Brasil. Vamos discuti-los sim”.

No município do Humaitá, onde está o pastor Valamatos, a ajuda chega com um pouco mais de facilidade, devido à localização estratégia entre Manaus e Porto Velho. Ainda assim, a situação é preocupante. Em localidades mais distantes, famílias inteiras estão isoladas, cercadas pela água, longe de suas casas e dependendo da chegada de mantimentos. Estradas estão interditadas, impedindo que caminhões prossigam levando água, alimentos e combustível. Os aviões muitas vezes não encontram lugares para pousar e os barcos, muitas vezes, precisam enfrentar a correnteza para chegarem ao destino final. Diante de um quadro cada vez mais desolador, o pastor Valamatos não perdeu a esperança: “É preciso ter fé”.

dica do Ailsom Heringer

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