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10 razões para não ter saudades da ditadura

O general e presidente do Brasil Ernesto Geisel (Arena) recebe cumprimentos em forma de continência de militar, no Rio de Janeiro. (foto: Manoel Pires/Folhapress)

O general e presidente do Brasil Ernesto Geisel (Arena) recebe cumprimentos em forma de continência de militar, no Rio de Janeiro. (foto: Manoel Pires/Folhapress)

Carlos Madeiro, no UOL

1. Tortura e ausência de direitos humanos

foto: José Nascimento/Folhapress

foto: José Nascimento/Folhapress

As torturas e assassinatos foram a marca mais violenta do período da ditadura. Pensar em direitos humanos era apenas um sonho. Havia até um manual de como os militares deveriam  torturar para extrair confissões, com práticas como choques, afogamentos e sufocamentos.

Os direitos humanos não prosperavam, já que tudo ocorria nos porões das unidades do Exército.

“As restrições às liberdades e à participação política reduziram a capacidade cidadã de atuar na esfera pública e empobreceram a circulação de ideias no país”, diz o diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil, Atila Roque.

Sem os direitos humanos, as torturas contra os opositores ao regime prosperaram. Até hoje a Comissão Nacional de Verdade busca dados e números exatos de vítimas do regime.

“Os agentes da ditadura perpetraram crimes contra a humanidade –tortura, estupro, assassinato, desaparecimento– que vitimaram opositores do regime e implantaram um clima de terror que marcou profundamente a geração que viveu o período mais duro do regime militar”, afirma.

Para Roque, o Brasil ainda convive com um legado de “violência e impunidade” deixado pela militarização. “Isso persiste em algumas esferas do Estado, muito especialmente nos campos da justiça e da segurança pública, onde tortura e execuções ainda fazem parte dos problemas graves que enfrentamos”, complementa.

2. Censura e ataque à imprensa

foto: Acervo UH/Folhapress

foto: Acervo UH/Folhapress

Uma das marcas mais conhecidas da ditadura foi a censura. Ela atingiu a produção artística e controlou com pulso firme a imprensa.

Os militares criaram o “Conselho Superior de Censura”, que fiscalizava e enviava ao Tribunal da Censura os jornalistas e meios de comunicação que burlassem as regras. Os que não seguissem as regras e ousassem fazer críticas ao país, sofriam retaliação –cunhou-se até o slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o.”

Não são raras histórias de jornalistas que viveram problemas no período. “Numa visita do presidente (Ernesto) Geisel a Alagoas, achamos de colocar as manchetes no jornalismo da TV: ‘Geisel chega a Maceió; Ratos invadem a Pajuçara’. Telefonaram da polícia para o Pedro Collor [então diretor do grupo] e ele nos chamou na sala dele e tivemos que engolir o afastamento do jornalista Joaquim Alves, que havia feito a matéria dos ratos”, conta o jornalista Iremar Marinho, citando que as redações eram visitadas quase que diariamente por policiais federais.

Para cercear o direito dos jornalistas, foi criada, em 1967, a Lei de Imprensa. Ela previa multas pesadas e até fechamento de veículos e prisão para os profissionais. A lei só foi revogada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2009.

Muitos jornalistas sofreram processos com base na lei mesmo após a redemocratização. ”Fui processado em 1999 porque publiquei declaração de Fulano contra Beltrano. A Lei de Imprensa da Ditadura permitia isso: punir o mensageiro, que é o jornalista”, conta o jornalista e blogueiro do UOL, Mário Magalhães.

3. Amazônia e índios sob risco 

foto: memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br / Arquivo Nacional

foto: memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br / Arquivo Nacional

No governo militar, teve início um processo amplo de devastação da Amazônia. O general Castelo Branco disse, certa vez, que era preciso “integrar para não entregar” a Amazônia. A partir dali, começou o desmatamento e muitos dos que se opuseram morreram.

“Ribeirinhos, índios e quilombolas foram duramente reprimidos tanto ou mais que os moradores das grandes cidades”, diz a jornalista paraense e pesquisadora do tema, Helena Palmquist.

A ideia dos militares era que Amazônia era “terra sem homens”, e deveria ser ocupada por “homens sem terra do Nordeste.” Obras como as usinas hidrelétricas de Tucuruí e Balbina também não tiveram impactos ambientais ou sociais previamente analisados, nem houve compensação aos moradores que deixaram as áreas alagadas. Até hoje, milhares que saíram para dar lugar às usinas não foram indenizados.

A luta pela terra foi sangrenta. ”Os Panarás, conhecidos como índios gigantes, perderam dois terços de sua população com a construção da BR-163 –que liga Cuiabá a Santarém (PA). Dois mil Waimiri-Atroaris, do Amazonas, foram assassinados e desaparecidos pelo regime militar para as obras da BR-174. Nove aldeias desse povo desapareceram e há relatos de que pelo menos uma foi bombardeada com gás letal por homens do Exército”, afirma.

4. Baixa representação política e sindical

dita4Um dos primeiros direitos outorgados aos militares na ditadura foi a possibilidade do governo suspender os direitos políticos do cidadão. Em outubro de 1965, o Ato Institucional número 2 acabou com o multipartidarismo e autorizou a existência de apenas dois: a Arena, dos governistas, e o MDB, da oposição.

O problema é que existiam diversas siglas, que tiveram de ser aglutinadas em um único bloco, o que fragilizou a oposição. “Foi uma camisa-de-força que inibiu, proibiu e dificultou a expressão político-partidária. A oposição ficou muito mal acomodada, e as forças tiveram que conviver com grandes contradições”, diz o cientista político da Universidade Federal de Pernambuco, Michael Zaidan.

As representações sindicais também foram duramente atingidas por serem controladas com pulso forte pelo Ministério do Trabalho. Isso gerou um enfraquecimento dos sindicatos, especialmente na primeira metade do período de repressão.

“Existiam as leis trabalhistas, mas para que elas sejam cumpridas, com os reajustes, é absolutamente necessário que os sindicatos judicializem, intervenham para que os patrões respeitem. Essas liberdades foram reprimidas à época. Os sindicatos eram compostos mais por agentes do governo que trabalhadores”, lembra Zaidan.

5. Saúde pública fragilizada

foto: Folhapress

foto: Folhapress

Se a saúde pública hoje está longe do ideal, ela ainda era mais restrita no regime militar. O Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) era responsável pelo atendimento, com seus hospitais, mas era exclusivo aos trabalhadores formais.

“A imensa maioria da população não tinha acesso”, conta o cardiologista e sindicalista Mário Fernando Lins, que atuou na época da ditadura. Surgiu então a prestação de serviço pago, com hospitais e clínicas privadas.

“Somente após 1988 é que foi adotado o SUS (Sistema Único de Saúde), que hoje atende a uma parcela de 80% da população”, diz Lins.

Em 1976, quase 98% das internações eram feitas em hospitais privados. Além disso, o modelo hospitalar adotado fez com a que a assistência primária fosse relegada a um segundo plano. Não existiam planos de saúde, e o saneamento básico chegava a poucas localidades. “As doenças infectocontagiosas, como tuberculose, eram fonte de constante preocupação dos médicos”, afirma Lins.

Segundo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), “entre 1965/1970 reduz-se significativamente a velocidade da queda [da mortalidade infantil], refletindo, por certo, a crise social econômica vivenciada pelo país”. Continue lendo

Onze motivos estranhos que levaram profissionais à demissão

Simdemitirnecessrio

Publicado no O Globo

No dia 19 de fevereiro, a Pizza Hut decidiu fechar sua unidade em West Virginia, nos Estados Unidos, depois que um vídeo de um funcionário urinando na pia da cozinha caiu na rede. O trabalhador, claro, também foi demitido. Estar com cheiro de cigarro, ironizar clientes no YouTube e estar acima do peso são outros motivos estranhos que levaram profissionais à demissão recentemente, conforme compilou o jornal Huffington Post. Veja onze razões esquisitas que fizeram profissionais perderem seus empregos.

  1. Escrever e-mail em caixa alta

    Em 2007, uma trabalhadora da Nova Zelândia foi dispensada porque mandava e-mails em caixa alta, negrito e com fundo vermelho. Vicki Walker acabou ganhando R$ 40 mil depois por determinação da Justiça. Ela disse que usava os recursos para reforçar algumas instruções.

  2. Ironizar os clientes no YouTube

    O Starbucks demitiu o barista Christopher Cristwell depois que o profissional resolveu descontar sua raiva dos clientes no YouTube. Em 2011, Cristwell fez um vídeo em que cantava uma música usando apenas cuecas e um avental, cuja letra dizia, entre outras coisas, que os amantes de capuccino eram os piores e que os frapuccionos demoravam uma hora para ficar prontos. O barista se defendeu dizendo que fez apenas uma sátira e que havia realmente momentos estressantes no trabalho na rede de cafeterias. O Starbucks alegou que a visão de Cristwell não era compatível com seu compromisso com os clientes. O vídeo ainda está disponível. Veja aqui.

  3. Estar acima do peso

    O excesso de peso foi o motivo que levou Ronald Kratz II a ser demitido, sob alegação de que interferia em sua performance. Kratz depois processou a BAE Systems, que produz veículos militares e na qual ele atuava há 16 anos. O ex-funcionário, que acabou perdendo mais de 100 quilos após a demissão, pesava mais de 300 quilos à época.

  4. Fazer um gesto obsceno para o presidente

    A âncora russa Tatyana Limanova perdeu o emprego após ter “mostrado o dedo” para o presidente Obama ao vivo no telejornal, em 2011. Na verdade, Tatyana disse que fez o gesto não para insultar o presidente americano, mas para pedir que a equipe subisse o teleprompter, e reclamou por ter sido dispensada apenas depois de o vídeo ter se tornado viral na internet. A equipe do canal de TV alegou que a postura da jornalista foi antiprofissional.
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  5. Urinar na pia Um funcionário da Pizza Hut em West Virginia, nos Estados Unidos, foi pego pela câmera de segurança urinando da pia da cozinha do estabelecimento. Não apenas o trabalhador foi demitido, como a rede de pizzarias decidiu fechar permanentemente a unidade em fevereiro deste ano, após o vídeo ter sido divulgado na internet. Já foram mais de 500 mil visualizações. Veja aqui
  6. Uma fatia a mais de queijo

    Em 2009, uma funcionária holandesa do McDonald’s foi demitida depois de dar a uma colega um cheeseburger em vez de um hambúrguer mais barato, pelo qual ela havia pago. A empresa alegou que a funcionária descumpriu a regra que proíbe beneficiar amigos e parentes com lanches grátis e brindes. Mas a Justiça holandesa determinou que a demissão tinha sido uma punição severa demais para o caso e o Mc Donald’s teve que pagar à ex-funcionária o salário de cinco meses (equivalente ao término de seu contrato), cerca de R$ 13.730.

  7. Cheiro de cigarro

    Stephanie Cannon, uma funcionária do Centro de Câncer Park Nicollet Health, nos Estados Unidos, foi demitida por estar com cheiro de cigarro no trabalho. Ela, inclusive, teria sido orientada a tomar banho no trabalho e a evitar contato com seu marido, também fumante. Apesar dos esforços para tirar o cheiro da roupa, que incluía passar spray perfumado antes de sair de casa, o centro médico acabou dispensando a funcionária, seis semanas depois do início do contrato. Em sua defesa, a americana disse que nunca fumou em horário de trabalho.

  8. Estender licença-médica por câncer

    Em 2010, a funcionária Judy Henderson foi demitida da loja de móveis e acessórios para a casa Home Depot depois de ter informado que precisaria estender sua licença-médica porque estava com câncer. A empresa teve que pagar uma multa de US$ 100 mil (cerca de R$ 235 mil) e promover treinamentos antidiscriminação para seus funcionários.

  9. Usar moeda de papel em lavanderia (há 50 anos) 

    O banco americano Well Fargo demitiu Richard Eggers em 2012, depois de sete anos de contrato, por ter descoberto que, em 1963, ele havia usado uma moeda de papel para usar uma máquina de lavar em uma lavanderia. A empresa, que decidiu apertar sua política anticorrupção, disse que iria dispensar todos os funcionários com anotações em suas fichas criminais, por menor que fossem elas.

  10. Ter câncer de mama 

Em junho de 2012, Kathleen Mason foi demitida do cargo de CEO da cadeia de móveis e objetos para casa Tuesday Morning e alegou que havia sido afastada depois que a diretoria descobriu que ela tinha câncer de mama. Mas a empresa disse que o afastamento se deu por causa de má performance no cargo.

11. Criticar o time no Facebook

O operador do estádio do time de futebol americano Philadelphia Eagles, Dan Leone, foi demitido, em 2009, depois de atualizar seu status do Facebook criticando a venda de um jogador. Mesmo arrependido e tendo pedido desculpas, Leone foi dispensado.

12 motivos para casar com um Historiador

Por que eu achei divertida a idéia hahahaha.

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Publicado no Café Miossi

1Nunca vai faltar assunto.

Historiador sempre tem uma história pra contar, é legal quando você tem um “figura” do seu lado que tem a cabeça ampla pra as mais diferentes conversas, assuntos, papos, e uma opinião formada mesmo daquilo, ele nunca terá problemas em ser “social” mesmo que seja tímido, tem papo pra tudo.

O único problema é quando o historiador contrariar sua família toda naquele almoço de domingo dizendo que tudo que todo mundo disse tá absolutamente errado e estragar o almoço err…

2. Ele dificilmente irá julgar sua família, amigos, etc…

Estudamos todo tipo de civilizações e forma de viver dos seres humanos, então é mais fácil a gente se surpreender com eventos naturais óbvios do que com os “complexos” seres humanos, pra estudar todo tipo de forma de vida de um ser humano é necessário tentar compreender aquele estilo de vida.

Também jamais irá julgar você pela aparência, ainda mais se ele for fã da teoria da sociedade da imagem.

Então, por consequência quebramos preconceitos, se você namora um historiador fica tranquilo quanto a aquele primo anti-cristo, aquele amigo esquisito, normalmente nunca será julgado, agora quanto a parte de tirar sarro, er não garanto.

3. Todo tipo de regra imposta o historiador normalmente não dá a mínima.

Então se sua preocupação era quanto a onde vai ser o casamento, se você foi “crismada” ou não, que seja, pro historiador é o de menos, ele se importa com tudo menos com os esteriótipos, isso se ele não tiver umaalergia a catolicismo, então naturalmente o importante é que a união dê certo, então ele fará de tudo para que a união mesmo dê certo e dificilmente irá se importar com o preconceito do povo.

4. Se você acredita em outras vidas, o historiador já está pagando sua dívida.

Porque provavelmente ele é professor, então todos os atos ruins da vida passada provavelmente ele já está resgatando como uma boa pessoa.

5. Você será trocado, mas fique tranquilo.

Será no máximo por um livro do Karl Marx ou do Max Weber.

6. No natal, aniversário, dia dos namorados, etc, você não terá problemas em presenteá-lo.

Você sabe que se você der aquele livro que ele tava querendo DAQUELE AUTOR que ele adora provavelmente ele vai ter orgasmos múltiplos de felicidade.

Ou então dê uma estatuazinha do deus Osíris, ou de Afrodite, qualquer coisa relacionada a mitologia que vai ter um ar de “uma pessoa que ama história mora por aqui” também é legal.

7. Ele tem pose de nerd mas isso não quer dizer que seja um.

E principalmente não quer dizer que ele seja certinho, quanto mais se estuda a humanidade menos afim de ser correto nos padrões da sociedade você fica, ele pode ser um capeta, mas tem aquela cara de pessoa certinha e esforçada, o que te poupa explicações, e ele sabe muito bem o que é ridículo pra sociedade e vai te poupar de certas vergonhas alheias.

8. Até os programas de índio vão ser interessantes pra ele.

Nada mais legal do que sentir na pele o que é ser uma sociedade livre do estado, sem regras, sem leis, sem naaada.

10. Não sabe em quem votar na eleição, pede um palpite pra ele!

Só não espere que ele vá sugerir que você vote em partido de direita, aliás se você votar em partido de direita será um motivo pra união ser questionada.

11. Ele pode parecer revoltado, anarquista, socialista, mas no fundo ele só quer o bem de todos.

Então você jamais estará do lado de uma pessoa individualista, pois como estudante de humanas ele sempre pensará no todo e não somente nele mesmo.

12. Quanto mais você estuda, mais medo de falar bobagem você tem.

Então pode contar com ele na hora de jogar na roda aquele assunto difícil, aquela lavação de roupa suja, normalmente ele vai ser bem cauteloso com as palavras, a não ser que você tenha testado demais o santo dele, ai eu já não garanto afinal, fazer história não é como fazer letras não é minha gente?

Bispo Macedo revela que, acuado, pensou em suicídio

Ricardo Feltrin, na Folha de S.Paulo

No auge da perseguição e dos ataques que sofreu nos anos 90 por parte de policiais, promotores e, especialmente, da Globo, o bispo Edir Macedo, 68, afirma que pensamentos sobre suicídio “foram soprados” em sua cabeça.

Nessa mesma época a mulher dele, Ester, foi sequestrada em um assalto. O bispo, então, decidiu que só sairia de casa armado. Levava a nova companheira até aos cultos. Escondia o calibre 38 no púlpito, enquanto pregava.

“Mais tarde fui tocado pelo Espírito Santo, que me convenceu que andar armado era falta de confiança em Deus.”

Essas são algumas das revelações de “Nada a Perder, 2″, o segundo livro da trilogia que conta a vida e a obra de Edir Macedo de Bezerra, líder de uma das maiores igrejas evangélicas e dono da segunda maior emissora de TV aberta do país, a Record.

A Folha teve acesso exclusivo ao livro antes do lançamento, que deve ocorrer neste mês. A compra da Record, aliás, é descrita como a abertura da porta do inferno na vida de Macedo e sua família.

“Não imaginava que viveria o inferno a partir do dia em que decidi comprar a Record”, afirma no texto. Mas, se o livro for fiel aos fatos, Macedo tem motivos de sobra para acreditar em milagres.

Ele conta que a compra da Record já ia por água abaixo, porque Silvio Santos e seu sócio, Paulo Machado de Carvalho, descobriram que era Macedo, e não o deputado Laprovita Vieira quem estava por trás da compra.

Quase todos conhecem histórias de como o Plano Collor faliu empresários, afundou famílias e chegou a levar algumas pessoas ao suicídio, ao confiscar temporariamente as aplicações na poupança.

No caso do bispo Macedo, porém, o Plano Collor foi a verdadeira tábua de salvação. O negócio da Record estava emperrado, Macedo (por meio de Laprovita) já havia dado um sinal de US$ 6 milhões, que seria perdido caso o negócio não prosperasse, e então veio o plano.

Collor asfixiou empresas endividadas –como era o caso da emissora de Silvio e Machado de Carvalho.

Só que as igrejas eram um dos poucos lugares no país em que ainda havia alguma liquidez, seja no bolso dos fiéis, seja nos cofres.

Sem opção, Silvio e seu sócio tiveram de aceitar as condições do bispo da Universal. Outro “milagre” foi que, com o Plano Real, o dólar teve forte desvalorização. “A gente chegava a pagar três parcelas em um só mês”, gaba-se.

COAUTORIA

O livro é narrado em primeira pessoa, de forma fluida, sem seguir uma ordem cronológica. Os depoimentos foram colhidos por Douglas Tavolaro, vice-presidente de Jornalismo da Record.

Ele, a mulher de Macedo, Ester, e o bispo, chegaram a passar quase 50 dias trancados na casa do casal, que tentava rememorar o máximo de detalhes do passado. O primeiro livro da trilogia já vendeu por volta de 1,4 milhão de exemplares.

No livro, o líder da Universal não poupa ataques à eterna rival Rede Globo.

Quase duas décadas depois de sua exibição, ele ainda não digeriu a minissérie “Decadência”, em que um pastor evangélico corrupto seduzia jovens fiéis e ainda jogava a calcinha delas sobre uma bíblia aberta.

Procurada pela Folha, a Central Globo de Comunicação não quis se manifestar.

Cristãos sofrem represálias no Egito após massacre contra muçulmanos

Em dois dias, ao menos 17 igrejas foram atacadas por ativistas islamistas. Organizações alertam para o risco de represálias contra coptas

Dois egípcios passam por uma igreja católica parcialmente queimada em Minya - / AFP

Dois egípcios passam por uma igreja católica parcialmente queimada em Minya – / AFP

Publicado no O Globo

Vítimas de ataques muçulmanos durante anos, os cristãos coptas do Egito viram crescer a violência contra igrejas, mosteiros, orfanatos e escolas desde o último dia 3 de julho, quando um golpe depôs o ex-presidente, Mohammed Mursi, da Irmandade Muçulmana. E de acordo com grupos de direitos humanos, as investidas não tem sido impedidas pelas autoridades egípcias.

- Estou com muito medo. E eu tenho medo pela minha filha – disse Mona Roshdy, 55 anos, ao jornal “Usa Today” quando deixava a igreja com sua família.

Ela tem motivos para se assustar. Desde quarta-feira, quando a polícia destruiu dois acampamentos da Irmandade no Cairo, deixando mais de 630 pessoas mortas, ao menos 17 igrejas foram atacadas por ativistas islamistas. Em Suez, autoridades entregaram 84 pessoas a promotores militares sob acusação de assassinatos e ataques contra a comunidade cristã copta, cerca de 10% da população do Egito – o equivalente a 8 milhões de pessoas.

Diante dos ataques, nesta quinta-feira um assessor especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou para o risco de represálias contra os cristãos. Juntamente com a assessora para a Responsabilidade de Proteção, Jennifer Welsh, Adama Dieng expressou sua preocupação diante da escalada da violência no país. Os dois disseram acompanhar com preocupação o número de igrejas e instituições cristãs atacadas depois dos incidentes no Cairo.

Como se pressentisse problemas, apenas dois dias antes do massacre de quarta-feira, o Papa copta Tawadros II apelou a todos os egípcios para evitar derramamento de sangue.

“Com toda a compaixão exorto todos a conservar o sangue egípcio e peço que evitem a agressão a qualquer pessoa ou propriedade”, escreveu em sua conta oficial no Twitter, na segunda-feira.

Youssef Sidhom, editor-chefe da revista cristã semanal “Watani”, disse que os ataques recentes são dolorosos e cruéis e podem dividir ainda mais as duas religiões.

- Os cristãos não devem ser movidos por isso, não devem ser arrastados para cumprir o objetivo que está por trás desta violência, que é o de segregar a solidariedade nacional entre cristãos e muçulmanos neste momento difícil pelo qual o Egito está passando – disse.

No Cairo, o grupo de direitos humanos Youth Union Maspero acusou a Irmandade de “travar uma guerra de retaliação”. O que não é negado por parte da Irmandade Muçulmana.

- Não desgosto deles como uma seita ou como povo. Ao contrário – afirmou uma figura sênior da Irmandade ao “Guardian” no início deste mês. – Nossa preocupação é que eles cegamente apoiaram um militar e uma velha guarda que se apoderou dos nossos direitos legítimos.

dica do Ailsom Heringer