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Jacob Collier: Gênio da música

Publicado originalmente no Fala Fil

Jacob Collier nasceu numa casa de Músicos e desde criança esteve envolvido com a música, principalmente o Jazz. Ele já viajou por diversos países tocando em Óperas e foi um dos três participantes do Mozart´s Magic Flute.

Dono de um talento sem igual e em razão das coisas que faz, Jacob pode ser considerado um gênio, hoje, com apenas 18 anos.

Leia abaixo a íntegra da entrevista exclusiva que Jacob Collier concedeu ao Fala Fil.

Quando eu assisti seus vídeos, pela primeira vez, fiquei bastante impressionado. Como surgiu a ideia de construir um coral usando somente a sua voz?

Eu sempre adorei cantar e também sempre gostei muito de compor e fazer arranjos. Além disso, sempre amei explorar todas as harmonias e suas possibilidades. Sempre ouvi corais de todos os estilos, música gospel e música feita por grupos vocais. O grupo Take 6 me inspirou muito a fazer o que eu faço.

Sob o ponto de vista técnico, como você gravou os seus vídeos?

Para os vocais, em primeiro lugar eu fiz os arranjos e escrevi as partituras em seis partes diferentes. Assim que terminei essa parte, eu comecei a gravar o som de cada parte de forma independente e usando Logic Pro, começando pela voz mais grave, depois juntei todas as vozes, instrumentos e por último a melodia. Quando tudo isso ficou pronto eu comecei a filmar cada parte – escolhi diferentes looks e cortes de cabelo e fui juntando cada parte.

Para os vídeos instrumentais eu tive que gravar e filmar cada instrumento simultaneamente e isso foi bastante desafiador, mas foi uma experiência muito gratificante.

Você é muito bem sucedido como instrumentista e começou como auto didata. Como e quando você descobriu seu interesse e talento natural para a música?

Desde sempre me lembro de ter grande interesse e ser apaixonado por música. Minha mãe me inspirou e me incentivou desde muito criança a tocar o seu violino e com frequência eu a assisti regendo a Orquestra de Câmara na Royal Academy of Music.

Em casa, sempre estivemos rodeados por música e de instrumentos musicais, eu sempre adorei tocar e cantar. Eu me lembro de ter ganho de presente um tambor Djembe quando eu tinha apenas oito anos e adorei.

Conheci o software Cubase quando eu tinha sete anos de idade e isso me permitiu começar a compor, fazer arranjos e gravar minha música. Eu sempre adorei juntar as vozes e gravar, mesmo quando eu era criança já fazia isso.

Você é um amante do Jazz, o que não é muito comum para um menino com a sua idade. Por que o Jazz?

Eu cresci ouvindo muitos diferentes estilos musicais, mas sempre admirei a capacidade de improvisação dos músicos de Jazz. Eu sempre adorei diferentes ritmos, trocar experiências e tocar com outros músicos. Mas o que eu realmente amo com relação ao Jazz é a harmonia tremendamente emocionante. Com o Jazz as possibilidades são infinitas.

Não posso afirmar, mas posso assumir que seus amigos, têm interesses diferentes dos seus. Seu interesse precoce pela música o manteve distante dos seus amigos?

Não muito, mas algumas vezes – por exemplo, quando eu tinha 12/13 anos, eu perdia meses do colégio para tocar em Óperas ao redor do mundo – eu toquei e fui um dos três garotos do “Mozart´s Magic Flute” e cantei na Ópera de Benjamin Britten “The Turn of the Screw” na Itália e na Espanha. No London Coliseum participei de três diferentes produções que me inspiraram bastante e me fizeram gostar ainda mais das harmonias.

Nunca fui excluído do meu grupo de amigos em razão da minha paixão pela música. Eles me respeitavam muito por isso, embora eles preferissem relaxar fazendo esportes, indo ao cinema ao contrário de mim que preferia ficar em casa compondo e tocando.

Fundei e estive à frente alguns grupos musicais na escola e um grupo de improvisação – Ceilidh Band – além de um grupo voltado para a percurssão.

Dentre outras coisas, você é músico, cantor, ator e compositor. Quais são seus objetivos?

Eu penso que música é uma poderosa forma de atingir os sentimentos e emoções das pessoas – uma ferramenta muito mais poderosa do que as palavras.

Através da música eu penso que é possível nos comunicarmos com as pessoas, pintar imagens do mundo sob diferentes aspectos. Eu adoraria descobrir e explorar diferentes gêneros musicais – do Jazz, passando pelo Hip Hop, Folk, Improvisação, música Renascentista, música Africana, Gospel e a música Erudita.

Eu adoraria me envolver com todos esses ritmos e dessa forma poder me conectar com outras pessoas e músicos além também de aprender e conviver com outras culturas. As diferentes formas de Arte, como a Música e o Teatro são para comunicar ideias que muitas vezes podem mudar a vida das pessoas.

Você acaba de começar um curso de quatro anos na fantástica Royal Academy of Music em Londres. Qual o curso que você está frequentando? Ao final desses quatro anos, o que você pretende fazer como músico?

Na minha turma do primeiro ano, sou o único pianista de Jazz, o que significa dizer que vou ter a oportunidade de tocar bastante, encontrar e trabalhar com músicos fantásticos.

É um pouco cedo para dizer o que vou fazer após ter terminado o curso. A única coisa que sei é que serei músico. Vou precisar esperar um pouco, adquirir experiência nesses quarto anos, viver todas as coisas para então decidir o que fazer.

Qual a opinião dos seus pais sobre suas escolhas?

Minha família sempre esteve a meu lado me apoiando em todas as minhas aventuras musicais. Sem o incentivo deles, eu simplesmente não conseguiria desenvolver minha carreira como músico e ser o que sou hoje. Na minha família, todos são músicos, sendo assim, música sempre esteve presente na minha casa.

Por sorte, meus vizinhos são muito pacientes e nos apoiam! Kkkkkk

Eu sempre toco música Folk com minha irmã Sophie que toca violino. Nós tocamos juntos, eu toco o Ukulele e canto. Também toco muito com minha mãe – nós tocamos juntos violino e piano, também toco baixo e Tango com ela e seus amigos… nos divertimos muito.

Gene Simmons do Kiss disse que escolheu seu músico porque era a forma mais fácil de encontrar as garotas. Como seu talento e sensibilidade com a música ajudam você a conquistar as meninas?

Ha ha ha … eu penso que tem me ajudado. Como eu disse, música é uma das melhores maneiras de nos conectarmos com outras pessoas. Na Escola que estou estudando já encontrei muitas meninas muito bacanas.

Diga suas preferências. Qual a sua Banda, Música, Show preferidos?

Poderia escolher muitas, não somente uma. O mais importante é que a gente ouça a música que gostamos, independente de que estilo seja, nunca devemos parar de ouvir música.

Meu objetivo final é poder conhecer e me conectar com outras pessoas, músicos e tocar músicas maravilhosas… estar feliz e fazer os outros felizes.

dica do Obadias de Deus

Em poema, pastor planeja encontro de Niemeyer com anjos no céu

O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação no culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer

Juliana Prado, no Terra

Quem esperava que o culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, o ateu comunista, fosse motivo de algum constrangimento, se surpreendeu. Na tarde desta sexta-feira, o penúltimo ato formal de despedida ao arquiteto, morto aos 104 anos no Rio de Janeiro, foi marcado por várias citações descontraídas ao ateísmo de Niemeyer e também ao fato de ele ser comunista.

Foi a própria dupla de padres, além de um pastor e um rabino, a responsável por dar um tom ameno à celebração – mesmo que o burburinho reinante fosse de que não combinava realizar um ato religioso para celebrar a alma de um ateu. O pastor luterano Mozart Noronha chamou a atenção pela forma com que conduziu sua participação na cerimônia. Mais que demonstrar respeito à opção de Niemeyer pela ausência de uma prática religiosa, homenageou o arquiteto com um poema. Nele, ao chegar no imaginário céu, Niemeyer, com a bandeira comunista em punho, pergunta pelo companheiro Luiz Carlos Prestes e ainda é recebido por anjos em coro da Internacional Comunista. Ao final da peleja, uma sutil controvérsia: é convidado a entrar no cenário celestial, aquele que nunca acreditou existir. Afinal, para Niemeyer, a visão da vida sempre foi de finitude, bastante crua e prática: “a vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado…” , dizia o arquiteto.

A seguir, a íntegra do texto do pastor-poeta, lido no culto ecumênico:

Numa tarde de verão,
Dia cinco de dezembro
Do ano dois mil e doze,
Vi a Santíssima Trindade
Reunida de emergência,
Ordenando aos seus apóstolos
Receberem Niemeyer
O incansável guerreiro
Que do Rio de Janeiro
Partiu para a eternidade
Deus estava mui feliz
O espírito nem se fala!
E na comunhão do além
Recomendaram que os anjos
Organizassem um coral
Em homenagem ao arquiteto
Cantando a Internacional.

Logo os músicos reunidos,
Sopranos, baixos e tenores,
Com todos os seus instrumentos
Entoaram uns mil louvores
Externando os sentimentos.

Juntaram-se os trovadores,
Mil pintores e poetas,
Abraçando os escritores
Numa festa sem igual.
Niemeyer vestia azul,
Com a bandeira vermelha
Segurada à mão esquerda,
Bem como a foice-martelo.
Indagou por Carlos Prestes
E todos os seus companheiros.

Deus que sempre sentiu dores
De um povo pobre e oprimido
Disse: entre aqui, Niemeyer.
No céu você tem lugar.

dica do Norberto Carlos Marquardt