Os 40 são os novos 30, só que não

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Mariliz Pereira Jorge, na Folha de S.Paulo

Você está se levando muito a sério, disse meu psicanalista. Olhei para ele e pensei, como a gente deixa esse tipo de coisa acontecer. Parece que foi ontem que tudo que eu planejava era chegar até o fim de semana.

Não perdia o sono, não sabia o que era ansiedade, muito menos perceber um desânimo, e não entender de onde vem esse peso que nos afunda.

Durante muito tempo eu consumia a vida. E quando me dei conta é a vida que me consome. São prazos, cobranças, mais contas do que dinheiro, falta de paciência, saco cheio, intolerância, um bufar constante. Passei a não me aguentar, porque não aguentava mais o pouco do muito que me rodeava.

É complexo. Mas quem já passou por isso sabe o que é. A gente se sente muito jovem ou nem pensa no momento porque está ocupado demais em viver. Nunca fui inconsequente. Não ser careta, certinha, não tem nada a ver com ser porra louca. Eu apenas percebi muito cedo que tinha mundo demais, tinha gente demais, tinha vida demais para conhecer e desbravar por aí.

Então, você se depara com o mestre dos clichês: a vida é feita de escolhas. E quando você olha tem 40 anos. E entra em crise porque não sabe se fez as escolhas certas. E começa a contestar se tudo o que fez valeu a pena. E se pergunta quando você começou a ficar tão chata. E olha para os lados e pensa, de onde veio esse medo da vida?

Tudo começa a ganhar uma proporção maior do que deveria. Você pensa que talvez, e só talvez, deveria ser a antítese da música dos Titãs. Amei muito, arrisquei muito, vi centenas de pores do sol, caguei para os problemas, morri de amor algumas vezes, aceitei sempre o que a vida me trouxe. E agora, José?

Agora todo mundo casou, teve filhos, comprou uma casa –ou duas–, se separou, casou de novo, foi promovido. E você continua sem saber o que fazer na semana seguinte.

Tomo um copo de água. Olho para o meu psicanalista, ele ri. De mim, claro. E começa a dizer o que a gente não deveria esquecer.

Quando começamos a olhar todos os problemas que surgem na vida adulta, focamos apenas em resolver o que nos traz o conforto imediato e não exatamente o que nos faz feliz. Chega uma hora que a gente resolve que chegou o momento de ter estabilidade na vida. Para a maioria essa urgência chega aos 30. Para outros aos 40, que são os novos 30 –só que não, exatamente.

Aos 30 você morre de tédio de pensar nessa monotonia da estabilidade. Mas aos 40 começa a acreditar que deveria ter engolido alguns sapos no trabalho e no amor, para não ter que pensar na semana que vem. E assim, ser infeliz para sempre.

Os paradoxos da vida. Quero tudo, mas não agora. Nem sempre as coisas acontecem quando queremos, principalmente para os adoradores da vida, para quem o tempo pode ser a qualquer hora. A gente precisa desarmar essa bomba prestes a explodir dentro de nós, que se chamam convenções, obrigações, chateações e olhar de novo apenas para o que nos dá prazer.

Quanto mais converso com o meu senhor Freud, mais me convenço de que estou tentando ser alguém que não sou –e nem preciso ser. Não sou a garota certinha, que planeja passo a passo o que vai acontecer amanhã. Não sou eu. Quanto mais quero prever o futuro, mais sofro com o presente. Quero usar a maturidade para viver a vida de uma forma mais adolescente, quando tudo que a gente mais faz é ser feliz, porque acredita que tem a adolescência pela vida afora.

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Idosa é xingada e agredida por causa de assento em ônibus em São Vicente

Cena foi gravada por um passageiro que presenciou a discussão.
Idosa foi chamada de ‘velha nojenta’ e levou um empurrão.

Mariane Rossi e Orion Pires, no G1

Uma mulher xingou e empurrou uma idosa após não ceder a poltrona preferencial a ela em um ônibus metropolitano que circula em São Vicente, no litoral de São Paulo. A cena foi gravada por um passageiro do coletivo, que ficou indignado com a atitude da mulher e resolveu postar o vídeo em uma rede social.

O socorrista Rildo Ramos, de 33 anos, conta que entrou na linha 21, no Centro de São Vicente, por volta das 16h30 da sexta-feira (5). Durante o trajeto, ele presenciou a discussão entre uma mulher e uma idosa, que gostaria de se sentar em uma das poltronas preferenciais. “Foi uma cena lamentável”, comenta Ramos que, na hora, começou a gravar a situação com o celular.

Mulher ameaça idosa em ônibus (foto: Reprodução/G1)
Mulher ameaça idosa em ônibus
(foto: Reprodução/G1)

Muitos passageiros estavam de pé no ônibus. A mulher disse que não iria ceder o assento à idosa. “Se eu estou sentada aqui eu tenho um motivo. Não vou me levantar”, falou. Em seguida, a idosa disse que a moça era tão inteligente que não sabia ler, já que estava sentada onde não deveria e que não respeitava uma pessoa com mais idade. A mulher mandou a idosa calar a boca. Depois, xingou a idosa de “velha nojenta”, “mal criada” e disse que poderia “ferrar” com ela.

Revoltada, a mulher resolveu sair do ônibus e ainda ameaçou a idosa. “A senhora vai pagar. Engole o banco. Mal criada é a senhora. Engole o banco, velha nojenta”, falou. Na saída, ela empurrou a idosa, que rebateu a agressão. “Não me empurra que eu te meto a mão. Não vem com a sua velhice querer abusar”, disse ela ao descer do coletivo próximo à rua Lima Machado.

Ramos conta que os passageiros do ônibus acharam um absurdo a atitude da mulher e também a criticaram quando ela saiu do ônibus. “Ela a agrediu com um monte de palavras e deu um empurrão ainda. Independente de estar marcado ou não para idoso tem que ceder o espaço”, opina.

Ele diz que gravou o vídeo porque ficou com medo de que algo pior acontecesse à idosa. “Eu fiquei esperando. Eu ia utilizar o vídeo se fosse uma agressão. Eu levava ela para uma delegacia e apresentava para o delegado essas imagens”, afirma.

Ele diz não ter informações sobre a idosa e a mulher e lamenta que uma situação dessas ainda ocorra nos dias atuais. Ramos acredita que a passageira ainda pode ser identificada no vídeo e que o relato dele pode resultar em alguma atitude sobre casos de agressão a idosos. “Depois de divulgar o vídeo, quero que ela seja identificada até mesmo pelas imagens e alguém faça alguma coisa”, diz ele.

Lei
O Estatuto do Idoso determina que as empresas detentoras do transporte público municipal reservem duas vagas gratuitas às pessoas com 60 anos ou mais.

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Indiano se divorcia por “insaciável apetite sexual” de sua mulher

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Publicado no UOL

Um tribunal da cidade indiana de Mumbai concedeu o divórcio a um homem que alegou que sua mulher mostrava “um excessivo e insaciável apetite sexual”, sem se importar com o quão esgotado estivesse, informam neste domingo meios de comunicação locais.

A juíza Laxmi Rao considerou em sua sentença que, com o não comparecimento da esposa no julgamento, ninguém contradisse as alegações do litigante, “por isso que o tribunal não tem outra opção do que aceitar a evidência e conceder o divórcio”, segundo a agência local “PTI”.

O marido explicou perante o tribunal todos os tipos de detalhes, como sua mulher o obrigava a praticar sexo e que, apesar de que trabalhar duro em três turnos diferentes e voltar para casa esgotado, a esposa pediu que ele a satisfizesse.

O homem relatou, entre outros exemplos, que em outubro de 2013 foi operado de apendicite e, embora estivesse se recuperando, ela o forçou a praticar sexo.

Segundo ele, seu comportamento “insistente, agressivo e obstinado” o levou a tomar a decisão que era impossível continuar vivendo com sua mulher sob o mesmo teto.

Na Índia, a religião majoritária é o hinduísmo (80,5%) e os casamentos arrumados são a prática mais habitual entre a população que professa esta fé, o que transforma o divórcio em uma afronta contra a família, por isso que não é muito frequente.

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Chinês casado procura médico após dores e descobre que é mulher

‘Homem’ procurou médico após dores no estômago e sangue na urina.
Paciente tinha órgãos femininos e era geneticamente do sexo feminino.

Publicado no G1

'Homem' procurou médico após sentir dores e ter sangue na urina (foto Arquivo: Reuters)
‘Homem’ procurou médico após sentir dores
e ter sangue na urina (foto Arquivo: Reuters)

Um chinês casado ficou chocado depois que descobriu, ao consultar um médico, que ele é, na verdade, mulher, segundo reportagem do jornal inglês “Daily Mail”.

Chen, de 44 anos, procurou um médico em Yongkang, na província chinesa de Zhejiang, após sentir dores de estômago e notar que havia sangue em sua urina.

Após um exame completo, os médicos descobriram que ele tinha os órgãos reprodutivos femininos completos, juntamente com um pênis, o que, segundo Chen, havia lhe permitido uma vida sexual ativa com sua esposa por dez anos.

Um exame mostrou que o paciente tinha um par de cromossomos sexual XX, confirmando que geneticamente era do sexo feminino.

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Concurso da Secretaria de Educação de SP pede comprovante de virgindade

Para 'Bebel', da Apeoesp, pedido de atestado é uma "violação" da dignidade da mulher
Para ‘Bebel’, da Apeoesp, pedido de atestado é uma “violação” da dignidade da mulher

Publicado no Último Segundo

Luísa*, de 27 anos, nunca imaginou ter de passar por esta situação. Ela precisou comprovar, por meio de um atestado médico, que “não houve ruptura himenal” [ou seja, que não teve seu hímen rompido] para preencher um dos requisitos do concurso público da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP). Ela é candidata a uma das quase 10 mil vagas para o cargo de Agente de Organização Escolar da seleção pública da SEE-SP.

“Achei um absurdo. Fiquei mais de uma semana decidindo se deveria fazer isso ou não. Na hora em que fui a um consultório para me submeter à análise ginecológica, entrei em pânico. Foi constrangedor explicar para a médica que precisava de um atestado de virgindade para poder assumir uma vaga em um concurso”, diz.

A seleção pública à qual Luísa se refere foi aberta em 2012. Depois de passar pelas provas regulares, ela ficou aguardando sua convocação, o que se deu apenas neste ano. Chamada para a realização dos exames médicos de admissão, Luísa foi surpreendida com um comunicado recente da organização do concurso, onde constavam mais detalhes sobre os exames médicos de admissão solicitados pelo certame.

Publicado em junho, o comunicado, emitido pela Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos da SEE e pelo Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME), traz detalhes sobre testes ginecológicos requeridos às candidatas mulheres.

No documento, há mais informações sobre os exames de colposcopia e o de colpocitologia oncótica, o Papanicolau, exigidos às candidatas. O comunicado informa que mulheres que “não possuem vida sexual ativa, deverão apresentar declaração de seu médico ginecologista assistente”. Dessa forma, com a comprovação de virgindade, estariam isentas da realização dos exames ginecológicos intrusivos, de acordo com confirmação do próprio DPME.

“Só fiquei sabendo disso quando fui convocada para realizar os exames médicos. Antes, não era pedido esse atestado [de virgindade]. O pior de tudo é que todos esses exames são caros e são bancados pelo próprio candidato. Teve gente que pagou mais de R$ 500 pelos exames”, fala Luísa.

Segundo a ginecologista Marcia Terra Cardial, da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, os exames ginecológicos solicitados pela SEE servem, por exemplo, para “rastrear mulheres com lesões precursoras do câncer de colo de útero, separando as mulheres normais, daquelas com necessidade de prosseguir a investigação”. No entanto, segundo ela, “dependendo do tratamento, os casos de lesão precursoras de câncer não inviabilizam o trabalho”

Violação

Solicitados para atestar a saúde dos futuros funcionários públicos, tanto o atestado de virgindade quanto os exames ginecológicos para candidatas com mais de 25 anos ou vida sexual ativa são vistos como uma “violação” da dignidade da mulher, segundo Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

“Atestado de virgindade? Por favor! Estamos em pleno século XXI. Querem evitar candidatas doentes? A verdade é que elas entram com saúde e é a falta de condições da rede que as deixam doentes”, diz Maria Izabel, que também é vice-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão consultivo do Ministério da Educação (MEC).

A crítica de Maria Izabel se refere a uma das razões defendidas pelo DPME, quando da exigência de tais exames. Segundo o comunicado, a avaliação médica oficial tem por objetivo identificar patologias que possam vir a provocar “permanência precária no trabalho, com licenciamentos frequentes e aposentadorias precoces”.

Atualmente, a SEE enfrenta o desafio de atenuar as faltas com afastamentos e licenças, por motivos de saúde de professores e técnicos da educação. Só os professores, chegam a faltar, em média, 27 dias por ano.

“Esses exames que pedem não têm nada a ver com a função. Aferir a pressão, apresentar um exame cardiológico pode até ter a ver, mas exames ginecológicos ou atestado de virgindade?”, questiona Luísa.

Como Agente de Organização Escolar, o trabalho de Luísa será dar suporte às atividades pedagógicas e ajudar na supervisão de estudantes na entrada, saída e durante o intervalo escolar. O salário é de cerca de R$ 900 para uma jornada de oito horas diárias.

Deboche

Se já foi complicado para Luísa tomar a decisão de ir adiante com o atestado de virgindade, a apresentação do documento para a perícia foi ainda mais constrangedor.

“Quando apresentei ao médico perito do Estado, acho que ele pensou que fosse mentira. A sua assistente olhava de lado como um ar de deboche quando eu disse que ainda era virgem. Não conseguiria passar por isso mais uma vez”, fala Luísa.

Mesmo tendo apresentado o atestado de virgindade, a candidata ainda aguarda resposta definitiva do DPME sobre sua aprovação. A expectativa e que até o dia 14 deste mês o órgão se posicione sobre o seu caso.

“Eu apresentei tudo que deveria apresentar, mas me consideraram inapta. Disseram que não havia apresentado o atestado de virgindade. Entrei com um pedido de reconsideração para que eles analisem a minha situação”, diz.

Governo de São Paulo

Questionada sobre a exigência de tais exames para o cargo em questão e se eventuais candidatas com problemas ginecológicos estariam inaptas ao cargo, a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP) informou que as determinações atinentes aos exames médicos são de responsabilidade do Departamento de Perícia Médica do Estado (DPME).

O DPME, ligado à Secretaria de Gestão Pública, disse que é “absolutamente errado afirmar que é exigido à candidata a cargo público qualquer laudo, ou suposto ´comprovante de virgindade´ – termo sequer considerado na literatura médica”.

Em nota, o órgão afirmou que “àquelas que ainda não tenham iniciado atividade sexual, é oferecida como alternativa a apresentação de um relatório de seu médico pessoal; e com isso não há a necessidade da realização dos exames”.

O órgão também afirma que os testes solicitados aos candidatos funcionam como medida preventiva. Por fim, segundo o DPME, “todos os candidatos aprovados em concurso, sejam homens ou mulheres, devem passar por uma série de exames, todos previstos em edital, para que comprovem, além de sua capacidade técnica, a capacidade física e mental para exercer o cargo por aproximadamente 25 anos – tempo médio de permanência no Estado”.

No entanto, segundo o próprio comunicado emitido pelo órgão, o teste para detecção de câncer de próstata é exigido apenas para homens com mais de 40 anos. Para as mulheres mais velhas, a partir de 40 anos, também é solicitado um exame específico: a mamografia, para identificação de câncer de mama. Para os homens jovens, na mesma faixa etária de Luísa, por exemplo, não são solicitados exames específicos extras.

Secretaria das Mulheres

Consultada, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República afirma que é “contra qualquer exigência que envolva a privacidade da mulher e reverta em preconceito e discriminação. A mulher tem o direito de escolher se quer fazer um exame que em nada interferirá em sua vida profissional”.

A SPM ainda considera que “a exigência de exames ginecológicos em seleções e concursos é abusiva, pois viola o princípio da dignidade da pessoa humana, consagrado na Constituição Federal de 1988, bem como o artigo que dispõe sobre o Princípio da Igualdade e o Direito a Intimidade, Vida Privada, Honra e Imagem, que proíbe a exigência de atestados de gravidez e esterilização e outras práticas discriminatórias para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho”.

No ano passado, caso parecido ocorreu na Bahia. No concurso para Polícia Civil, também era exigido às candidatas mulheres comprovação de “hímen íntegro”. Contudo, depois da repercussão do caso em todo o País, o governador Jaques Wagner suspendeu tal exigência presente de forma explícita no edital. Há concursos públicos, no entanto, que seguem com tais requisitos de seleção, tidos como padronizados pelas empresas que realizam as seleções públicas.

*Para preservar a identidade da candidata foi utilizado um nome fictício

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