Mulher do pastor Marcos Pereira é indiciada pela polícia por denúncia falsa

Ana Madureira, esposa do pastor Marcos Pereira (Foto: Reprodução / Youtube)
Ana Madureira, esposa do pastor Marcos Pereira (Foto: Reprodução / Youtube)

Rafael Soares, no Extra

Ana Madureira, esposa do pastor Marcos Pereira, foi indiciada por denunciação caluniosa, nesta quarta-feira, pelo delegado-titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Márcio Mendonça. Isso porque, em depoimento, Ana acusou o marido de ter abusado dela. Mas, depois, voltou atrás e negou a violência em duas oportunidades: em cartório e num vídeo veiculado na internet pelo canal da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, igreja fundada por Marcos.

O indiciamento ocorreu depois de Ana faltar ao depoimento marcado para esta quarta, na Dcod. Segundo Márcio Mendonça, os agentes ainda tentaram localizá-la em casa, na igreja e pelo telefone, sem conseguir.

– A depoente afirmou, na delegacia, que havia sofrido uma série de violências por parte de seu marido. Após prisão do pastor, ela passou a negar todas as acusações no vídeo. Ela deveria ter buscado a delegacia e explicado o que aconteceu. Como não o fez e se recusa a atender os agentes, optamos pelo indiciamento – disse o delegado.

O inquérito aberto para investigar a conduta de Ana Madureira deve ser enviado ao Ministério Público até sexta-feira. Se condenada, a mulher pode pegar de dois a oito anos de prisão.

Veja abaixo o vídeo, publicado em maio, em que Ana Madureira nega as denúncias ao pastor Marcos Pereira.

Prisão

O pastor Marcos Pereira foi preso no dia 7 de maio, por policiais da Decod, acusado de estuprar integrantes de sua igreja. Ele negou os crimes, mas foi incidiado e depois denunciado pelo Ministério Público por dois estupros. Ele também responde por coação de testemunha e é investigado pela Dcod por associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e quatro homicídios. O religioso está preso no Complexo de Gericinó.

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Parentes de autoridades, empresários e até mortos recebem Bolsa Família, aponta CGU

Um boato de suspensão do Bolsa Família levou milhares de pessoas do município de Campos (RJ) às agências da Caixa Econômica Federal. (foto: Mauro de Souza / Agência Ururau / Agência O Globo)
Um boato de suspensão do Bolsa Família levou milhares de pessoas do município de Campos (RJ) às agências da Caixa Econômica Federal. (foto: Mauro de Souza / Agência Ururau / Agência O Globo)

Carlos Madeiro, no UOL

Servidores, empresários, produtores rurais, alunos de escolas particulares, familiares de autoridades e até pessoas falecidas constam na lista de beneficiários do Bolsa Família, segundo relatórios de fiscalização produzidos pela CGU (Controladora Geral da União) no início de 2013.

Na última etapa do programa de fiscalização por sorteio, segundo apurou o UOL, todos os 58 relatórios de municípios divulgados no site da CGU apresentam indícios de irregularidades no maior programa social do mundo, que atende a 13 milhões de famílias no país. A fiscalização foi feita no final de 2012, com relatórios divulgados no início deste ano.

Nesses municípios, a CGU encontrou mais de 5.000 benefícios pagos a pessoas que supostamente teriam renda per capita familiar superior ao limite estabelecido pelo programa. O UOL entrou em contato com o Ministério de Desenvolvimento Social, para obter ter detalhes de como é feita a fiscalização aos cadastros e aos municípios, mas não obteve retorno até a publicação dessa reportagem.

Somente em Belford Roxo (RJ), o relatório da CGU informou haver “1.512 famílias beneficiárias que constam na folha de pagamento de Julho/2012 na situação de benefício ‘liberado’ e que apresentam renda mensal per capita superior a meio salário mínimo”.

Além de irregularidades no pagamento, os relatórios apontaram para uma série de problemas, como falta de controle da frequência escolar e do cartão de vacinação das crianças, inexistência de comissão gestora do programa e até desvios de recursos enviados para atividades complementares.

Pagamentos irregulares

O principal problema apontado pelos técnicos da CGU é a inclusão de pessoas com renda superior ao máximo permitido. Em alguns casos, há também servidores e familiares de autoridades inclusas na lista.

Em São Francisco de Assis (PI), a mulher de um vereador estava inclusa na lista do Bolsa Família. Outra beneficiária era a filha da coordenadora de Apoio ao Idoso, da Secretaria Municipal de Assistência Social –que é responsável pelo cadastro dos beneficiários. Além disso, ela e o marido são donos de uma panificadora e uma pousada.

Muitos servidores com salários acima do máximo estabelecido pelo programa também são beneficiários. Em Olindina (BA), cinco servidores públicos, entre eles dois estaduais da Secretaria da Educação e da Assembleia Legislativa da Bahia, estavam na lista.

Em Vazante (MG), vários servidores com renda superior a R$ 1.000 mensais recebiam o benefício. Um deles ganhava R$ 134 de Bolsa Família, mesmo com salário de R$ 2.279,05.

Mortos sim, vivos não

Em Xexéu (PE), a CGU encontrou pessoas mortas em 2011 na lista paga até o final do ano passado. Segundo a inspeção, o problema foi causado pela deficiência no controle do cadastro.

Enquanto mortos “recebem” o Bolsa Família, há pessoas vivas, enquadradas no perfil do programa, que ainda lutam para receber o benefício. Em Lagoa Alegre (PI), uma beneficiária do programa constava na folha de pagamento, mas afirmou que nunca havia recebido o cartão. Por mês, R$ 102 ficam na mão de alguém não identificado.

Enquanto isso, pessoas ricas recebem o benefício, como em São José do Sul (RS), onde uma produtora rural com faturamento anual, em 2011, de R$ 955 mil era beneficiária do programa. Em Barra do Ribeiro (RS), uma mulher era beneficiária, mesmo sendo dona de uma empresa e possuindo, junto com o marido, cinco carros.

Outros casos de empresários também foram encontrados em Jaguaribara (CE), onde uma dona de churrascaria recebia o benefício.  Em São Domingos (SE), havia um dono de mercearia na lista.

Sem controle e desvios

Além dos problemas no pagamento, a CGU também encontrou outros problemas organizacionais e desvios de verbas pelos municípios.

Em Aliança (PE), a CGU verificou a suspeita de fraude nos recursos enviados ao programa, com a não comprovações de despesas no valor de R$ 90 mil. O dinheiro deveria ter sido usado para  contratação de empresa para promoção de cursos de qualificação profissional.

Em Populina (SP), a Coordenação Municipal do Programa não havia sido instituída formalmente, como prevê o programa. O município também não havia constituído outra exigência: a instância de controle social do Bolsa Família.

A falta de controle da frequência de alunos é outro problema presente em boa parte dos municípios. Em Jaguaribara (CE), alguns filhos de aluno não eram sequer matriculados em escolas.

CGU explica

Em nota encaminhada ao UOL, a CGU informou que os cadastros dos beneficiários do Bolsa Família devem ser fiscalizados por amostragem pelos municípios, uma vez que as informações lá contidas são autodeclaratórias e passíveis de fraudes.

Segundo a CGU, as pessoas que solicitam o benefício assinam um termo de confirmação das informações prestadas, mas não têm obrigação de apresentar documentos que comprovem os dados.

“Os municípios têm a obrigação de verificar as informações coletadas de pelo menos 20% das famílias cadastradas por meio de visita domiciliar, a fim de avaliar a fidedignidade dos dados coletados nos postos de atendimento”, informou.

A CGU lembrou que a gestão do programa, porém, é descentralizada e deve ser compartilhada entre a União, estados, Distrito Federal e municípios. “Os entes federados devem trabalhar em conjunto para aperfeiçoar, ampliar e fiscalizar a execução do Programa”.

Falhas

A CGU informou que, para sanar as falhas constatadas, são formuladas recomendações ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, “o qual atua junto aos municípios quando necessário.” Muitas das recomendações foram publicadas em relatório no ano passado.

Sobre o controle e fiscalização dos municípios, a CGU ressalta que “a principal forma de controle sobre a gestão municipal, estabelecida pela legislação do Programa, é a atuação das Instâncias de Controle Social, responsáveis pela fiscalização e acompanhamento local”. Muitos dos municípios investigados não tinham essas instâncias.

Sobre o controle da frequência escolar e do cumprimento da condicionalidade da saúde, a CGU disse que ela é responsabilidade dos municípios.

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Casais que se conhecem pela internet se divorciam menos

Segundo estudo, pessoas que procuram um parceiro em sites de relacionamento estão mais dispostas a assumir um compromisso. Isso pode ajudar a explicar a diferença

Pesquisa: enquanto 8% das pessoas que conheceram o companheiro off-line se separaram, esse número foi de 6% para quem conheceu o cônjuge online (Thinkstock)
Pesquisa: enquanto 8% das pessoas que conheceram o companheiro off-line se separaram, esse número foi de 6% para quem conheceu o cônjuge online (Thinkstock)

Publicado na Veja on-line

Conhecer o marido ou a mulher pela internet é algo cada vez mais comum. Nos Estados Unidos, um estudo recente sobre o assunto mostrou que mais de um terço dos casamentos começa na internet. E, segundo a pesquisa, esses relacionamentos têm vantagens: são mais satisfatórios e terminam menos em divórcio do que os outros.

O trabalho, publicado nesta semana no PNAS, periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, foi financiado pelo eHarmony, um dos sites de relacionamento mais famosos do país. Os autores — que são especialistas das universidades americanas de Chicago e Harvard — afirmam, no entanto, que foi feito um acordo prévio com a empresa, que não poderia interferir nos resultados, e os dados foram verificados por pesquisadores independentes.

Participaram do estudo 19.131 pessoas que se casaram entre 2005 e 2012. Os resultados mostraram que os casamentos que começaram online tinham uma chance um pouco menor de acabar em divórcio: enquanto 8% das pessoas que conheceram o companheiro off-line se separaram, esse número foi de 6% para quem conheceu o cônjuge online. De acordo com os autores, essa diferença é “pequena, mas significativa”. O estudo também mostrou um pequeno aumento na satisfação com o casamento para quem se conheceu pela internet.

Circunstâncias – A pesquisa analisou as diferentes formas pelas quais as pessoas se conhecem fora do mundo virtual. Parceiros que se conheceram na escola ou cresceram juntos apresentaram os maiores níveis de satisfação conjugal. Já os locais associados aos piores níveis de satisfação foram bares e baladas, o trabalho e “encontros às cegas”.

No mundo virtual, conhecer o parceiro por meio de sites de relacionamento traria maior satisfação, enquanto comunidades e salas de bate-papo apresentaram resultados piores.

Segundo os autores, o fato de casamentos online serem bem-sucedidos pode estar relacionado à personalidade de quem busca sites de relacionamento – essas pessoas podem, por exemplo, estar mais decididas a assumir um compromisso. Outra explicação possível seria o fato de que pessoas que procuram parceiros online estão expostas a uma gama maior de opções, podendo assim ser mais seletivas.

“O futuro de um casamento é influenciado por diversos fatores. O local onde uma pessoa conhece seu parceiro é apenas um desses fatores, e seus efeitos são considerados pequenos e não valem para todos”, escrevem os autores. Para eles, os resultados do estudo são encorajadores, levando-se em conta as mudanças que estão acontecendo na maneira como as pessoas conhecem seus parceiros.

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As mamatas do padrinho de Feliciano

Mesmo sem ser deputado, o pastor Everaldo Pereira utiliza o gabinete da liderança na Câmara para fins pessoais e partidários

MORDOMIAS O vice-presidente do PSC Everaldo Pereira requisita assessor da Câmara até para comprar roupas e pedir comida
MORDOMIAS
O vice-presidente do PSC Everaldo Pereira requisita assessor
da Câmara até para comprar roupas e pedir comida

Josie Jeronimo, na IstoÉ

Todo-poderoso no PSC, mas desconhecido dos eleitores, o vice-presidente do partido, Everaldo Pereira, ganhou notoriedade ao apadrinhar o polêmico Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Para confirmar seu poder, há duas semanas, Pereira conseguiu, com o apoio de pastores evangélicos, ser lançado candidato do PSC à Presidência da República nas eleições de 2014.

Se a candidatura resistirá até lá, ninguém sabe. Mas, antes mesmo da campanha, ele já está enrolado e pode ser obrigado a prestar explicações à Justiça por utilizar a estrutura da liderança do PSC na Câmara para fins pessoais e partidários.

Em situações semelhantes, o Tribunal de Contas da União recomenda que o dirigente de um partido empregue recursos do fundo partidário – o PSC recebe R$ 500 mil por ano – em vez de se valer de instalações e benesses da Câmara. Mas o pastor desdenha essa orientação. Usa a sala como se fosse ele o deputado que lidera o partido e se vale cotidianamente dos serviços de motoristas e assessores.

Everaldo Pereira costuma desembarcar em Brasília na terça-feira de manhã e desde o primeiro minuto já tem um motorista, custeado pela Câmara, à sua disposição no aeroporto. Sob orientação de Pereira, funcionários que deveriam estar encarregados de matérias legislativas são mobilizados para elaborar textos e até imprimir panfletos de divulgação de atividades partidárias externas ao Congresso, como os do encontro do PSC Mulher.

O evento é coordenado pela esposa de um assessor legislativo do PSC. O casal Adolfo Lúcio e Denise Assumpção recebe no total R$ 19 mil da Câmara, mas trabalha para Pereira na maior parte do tempo. Por R$ 10,4 mil mensais, a Câmara paga Adolfo Lúcio para ser uma espécie de faz-tudo de Pereira. Servidores contam que o funcionário é requisitado até para comprar roupas e providenciar alimentação para aplacar a fome do pastor. Outros funcionários do gabinete, com salários de R$ 8,6 mil, são escalados para emitir bilhetes aéreos.

O TCU condena o uso da estrutura do Congresso para quem não tem cargo eletivo

A ascendência de Pereira sobre o gabinete da liderança na Câmara constrange o líder de fato eleito pelos correligionários, deputado André Moura (PSC-SE). Quando Pereira convocou coletiva para anunciar a permanência de Feliciano à frente da comissão, Moura – bastante irritado – decidiu nem aparecer como sinal de sua contrariedade.

A assessoria de Pereira, que também é a assessoria paga pela liderança a um custo de R$ 23 mil, foi procurada e respondeu que “as dependências físicas da Casa são utilizadas pela bancada de acordo com as normas administrativas previstas no Regimento Interno da Câmara”. Os órgãos de controle externo, porém, condenam comportamentos como o de Pereira. Em 2008, o TCU considerou irregular a utilização da estrutura do Congresso para atividades pessoais e partidárias, pois os partidos políticos são “entidades privadas”.

dica do Alexandre Melo Franco Bahia

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O dia em que Ariano se compadeceu

Foto: Google Imagens
Foto: Google Imagens

Publicado por Humberto Wernek

À porta da casa onde Ariano Suassuna nos aguardava, a moça, misto de assessora e anjo da guarda, me sussurrou a recomendação:

– Não toque no assunto da morte do pai.

– Por quê? – indaguei.

– Pode acabar muito mal – encerrou ela, tão enfática quanto enigmática.

E essa agora? Não esperava assuntos interditos quando cheguei ao Recife, naquele outubro de 2011, com a missão de entrevistar o criador do Auto da Compadecida para a revista Mitsubishi.

O próprio Ariano, jovialíssimo em seus 81 anos de idade, nos recebeu na varanda do belo casarão de 1870, no bairro de Casa Forte, onde vive desde 1959 com a mulher, Zélia. Saiu mostrando a propriedade. No mesmo terreno estreito e longo, que vai de um quarteirão a outro, as filhas Maria, Mariana e Ana Rita construíram suas casas. Outra, Isabel, morava em frente. O primogênito Joaquim estava passando uma temporada com os pais, de forma que naquele momento só um dos filhos, Manuel, não tinha sua base ali ou nas proximidades. Quase todos os netos – 15, à época – cresciam à sombra dos avós. Para desgosto de Ariano, um dos meninos resultou não ser torcedor do Sport, infortúnio que ele pôs na conta do genro: “Não perdoo o ‘missionário’ que o converteu”, brincou, sem esconder o desgosto de ter casado três filhas com torcedores do Náutico.

Foi uma conversa ótima, embora a mim, como repórter, me incomodasse a presença de alentada plateia, na qual se incluía a moça que me recomendara evitar o assunto da morte do pai. Ariano não me parecia ser homem de suscetibilidades, e muito menos de luxos e de cerimônia. Hospitaleiro, certa vez foi capaz de um gesto amalucado para deixar à vontade um iluminador de TV que, em meio à gravação, quebrou um dos boizinhos de barro que enfeitavam a sala. O que fez o dono das reses? Apanhou outro boizinho e o espatifou no chão.

Apesar da advertência, era fatal que a entrevista, largamente biográfica, caminhasse para o que foi a grande tragédia na vida do escritor. Seu pai, João Suassuna, ex-governador da Paraíba, era deputado federal quando um primo de sua mulher, João Dantas, matou no Recife o governador paraibano, João Pessoa, crime que veio a ser o estopim da Revolução de 30. Em 9 de outubro, seis dias depois da eclosão do movimento, como retaliação, João Suassuna foi assassinado pelas costas por um pistoleiro.

Para Ariano, que tinha apenas 3 anos, aquele haveria de ser, claro, um trauma vitalício, agravado pela dor suplementar de ver a imagem do pai equivocadamente associada às carcomidas forças contra as quais se fez a Revolução. “Mas mataram meu Pai. Desde esse dia, / eu me vi, como um Cego, sem meu Guia, / que se foi para o Sol, transfigurado”, dirá nos versos de um soneto. Numa entrevista em 2000, perguntaram-lhe se, tanto tempo depois, perdoaria o assassino do pai. “Esse é um processo que ainda está em curso”, limitou-se a responder.

Foi o que me animou a ignorar a recomendação do anjo da guarda. Mal fiz a pergunta, senti instaurar-se na sala um espinhento desconforto e a emoção chacoalhar o entrevistado. A coisa vai mesmo acabar mal – cheguei a pensar.

Mas não. Entre pausas abissais, Ariano foi desencavando a lembrança do que lhe dissera certa amiga: é mais fácil rezar a Ave Maria do que o Pai Nosso, já que o Pai Nosso manda “perdoar a quem nos tem ofendido”. Pedregoso silêncio. “É um processo difícil”, retomou o escritor, agora invocando a mãe, dona Rita de Cássia, que próxima dos 90 anos lhe contou ter finalmente conseguido perdoar o matador de seu marido.

Nova pausa.

“Se eu me digo religioso, tenho a obrigação de perdoar”, admitiu Ariano Suassuna, que, nascido católico, só aos 25 anos se fez batizar. “Acredito no Demônio e acredito no Inferno. Mas não acredito que o Inferno seja eterno, nem que haja punição eterna, porque absoluto, só Deus.” Sem dizer-lhe o nome, o criador do Auto da Compadecida falava de um provável habitante do Inferno, Miguel Alves de Souza, o pistoleiro que matou seu pai – e, pela primeira vez, concedeu: “Se depender de uma concordância minha, ele sai hoje mesmo”.

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