Arquivo da tag: mulheres

As mentiras que eles (e elas) mais contam

Pesquisa mostra quais são as falsidades que costumam embalar os relacionamentos amorosos dos brasileiros

CONQUISTA O dançarino Euler Consolli Gabarita no ranking de mentiras: costuma dizer quase todas

CONQUISTA
O dançarino Euler Consolli Gabarita no ranking de mentiras:
costuma dizer quase todas

Raul Montenegro, na IstoÉ

Numa sexta-feira de 2012, a então universitária Joana Santos, hoje com 23 anos, recebeu do namorado a notícia de que os dois não poderiam se ver naquela noite. “Ele falou que tinha uma coisa séria para resolver. Eu adorei, porque aí poderia cair na balada”, diz a jovem, que trabalha na área de recursos humanos de uma empresa de telefonia. Horas depois, Joana deu de cara com o parceiro na porta de uma festa. “Comecei a brigar e soltei a minha mentira: disse que fui até lá porque me alertaram sobre a escapada dele”, lembra, rindo. Festeira assumida, Joana costuma mentir para os namorados quando quer sair. “Já disse, por exemplo, que ia a um velório. Uma boa opção para justificar a cara de quem passou a noite inteira acordada”, afirma a jovem, sem um pingo de arrependimento.

ESTRATÉGIA Joana Santos nunca diz que mora na periferia, e também já inventou velórios para ir a festas

ESTRATÉGIA
Joana Santos nunca diz que mora na periferia,
e também já inventou velórios para ir a festas

Quem passou por um relacionamento, certamente, já contou e ouviu uma mentira, inocente ou não. Baseado nessa constatação, um dos maiores sites de relacionamentos do País, o Par Perfeito, fez uma pesquisa com milhares de homens e mulheres para descobrir quais as falsidades mais proferidas entre os casais. A partir daí, estabeleceu um ranking com as campeãs de audiência. Entre as mais ditas por elas, a liderança fica com o local de residência. De acordo com o levantamento, 33% delas já enganaram alguém a respeito disso. Joana faz parte dessa estatística. “Sempre minto onde moro. Tenho medo de falar porque homem é meio psicopata. Também sinto vergonha do meu bairro, porque aqui é periferia”, diz ela, que mora no Jardim Ângela, zona sul da capital paulista. Para o psiquiatra especialista em sexualidade Jairo Bouer, essa inverdade serve para as pessoas esconderem quem são e tentarem se preservar fisicamente e emocionalmente. “É uma questão de segurança e também insegurança”, afirma.

FINAL FELIZ Mais novo, engenheiro Raphael Lages mentiu a idade para a companheira - e, graças a isso, se casou com ela

FINAL FELIZ
Mais novo, engenheiro Raphael Lages mentiu a idade
para a companheira – e, graças a isso, se casou com ela

Inventar que não está comprometido é a campeã entre os homens – 24% já usaram esse artifício para se aproximar de uma pretendente. Solteirão convicto, o professor de dança Euler Consoli, 37 anos, de Osasco, na Grande São Paulo, lembra que usou a história cerca de oito vezes em seu último e mais duradouro relacionamento – que acabou há uma década e durou pouco menos de um ano. “Eu não era a pessoa mais fiel do mundo. Mentia que não estava namorando porque é chato dizer a verdade”, diz. Ele prefere não falar em mentiras, mas em “omissões”. Consoli costuma omitir, por exemplo, que fica com amigas em comum, um de seus esportes de conquista prediletos. Mas sua inverdade preferida é sobre o número de aniversários festejados. “A maioria das pessoas diz que eu não aparento a minha idade. Então, sempre pergunto quantos anos a menina acha que eu tenho. A resposta dada sempre será a correta.” Inverdades sobre o tempo de vida ganham a medalha de prata entre mulheres e homens: 30% delas e 23% deles já disseram ser mais novos ou mais velhos do que realmente são.

ment4

O engenheiro Raphael Lages, que trabalha no setor de defesa de uma multinacional brasileira, tinha 21 anos quando conheceu a médica anestesista Alessandra Bittencourt, então com 24. “Não acho uma grande diferença, mas meus amigos começaram a fazer piadas dizendo que eu era muito novo. Por causa desse terrorismo, chegamos à conclusão de que eu teria de mentir minha idade”, afirma Lages. Foram mais de três meses de deboche dos conhecidos. “Eles se divertiam perguntando quantos anos eu tinha na frente dela.” Quando Raphael não aguentou mais esconder e contou, sua então namorada admitiu que o teria dispensado caso soubesse a verdade desde o início. “Graças àquela mentira nós estamos casados, morando na França, e nossa primeira filha, Beatriz, acaba de nascer.”

Segundo estudiosos, inverdades sobre idade e local de moradia são realmente mais fáceis de serem contornadas. Outras, nem tanto. “Se entendemos que aquilo tem mais a ver com as emoções do mentiroso do que conosco, substituímos por pena, compaixão e compreensão. Mas, até passar a raiva, ninguém consegue perdoar”, diz Sergio Senna Pires, doutor em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB). Para especialistas, as lorotas acontecem mais no começo dos relacionamentos. “Nessa fase, você quer vender um peixe que não é realmente”, afirma Bouer. Na internet, isso normalmente é potencializado. “Já frequentei muitos sites de namoro na minha adolescência. Lá, eu inventava tudo”, revela Joana. Estudiosos veem a mentira como um lubrificante social, mas alertam para exageros. “Ela entra na nossa vida pela porta dos fundos.”

dica da Karen Souza

Quanto mais tempo no Facebook, mais as mulheres ficam inseguras com a aparência

Segundo estudo, fotos de conhecidos podem influenciar mais na impressão negativa do que as de celebridades

Pesquisaram acompanharam a relação de 881 estudantes do sexo feminino nos Estados Unidos com a rede social (foto: REUTERS/Dado Ruvic/File)

Pesquisaram acompanharam a relação de 881 estudantes do sexo feminino nos Estados Unidos com a rede social (foto: REUTERS/Dado Ruvic/File)

Publicado em O Globo

Passar muito tempo no Facebook olhando as fotos de amigos pode tornar as mulheres inseguras sobre sua imagem corporal, sugere uma nova pesquisa feita por especialistas do Reino Unido e dos Estados Unidos. Quanto mais elas estão expostas a “selfies” e outras imagens semelhantes em mídias sociais, maior é a comparação negativa. Ainda segundo o estudo, as fotos de amigos e conhecidos pode influenciar mais nessa avaliação do que a de celebridades.

O trabalho foi o primeiro a relacionar o tempo gasto em redes sociais à impressão de má aparência corporal. Os resultados apontam que os meios de comunicação são conhecidos por influenciar a forma como as pessoas se sentem sobre sua aparência. No entanto, pouco se sabia sobre o impacto das mídias sociais na autoimagem.

A pesquisa avaliou que as mulheres jovens são grandes usuárias de redes sociais e postam mais fotos próprias do que os homens. Para realizar a avaliação, os pesquisadores da universidade britânica de Strathclyde e das universidades americanas de Ohio e de Iowa pesquisaram 881 estudantes do sexo feminino. Elas responderam perguntas sobre uso Facebook, alimentação, regime, exercícios e imagem corporal.

Conclusões

As conclusões foram apresentadas em uma conferência em Seattle. Não foi encontrada nenhuma ligação entre as redes sociais e transtornos alimentares. No entanto, ficou clara a relação entre o tempo gasto em redes sociais e comparações negativas sobre imagem corporal.

- A atenção aos atributos físicos pode ser ainda mais perigosa nas mídias sociais que na mídia tradicional, pois os participantes são pessoas que conhecemos – descreveu a professora da Universidade de Strathclyde Petya Eckler.

Ela salientou que a imagem corporal é parte fundamental para a formação do nosso senso de identidade, não sendo apenas uma questão de vaidade pessoal.

- A preocupação com o peso e a forma é um fenômeno global e uma das principais características da cultura popular atual. O fascínio com celebridades, seus corpos, roupas e aparência aumentou a pressão que as pessoas normalmente sentem em relação à sua aparência – observou Petya.

Agressores de mulheres vão ser monitorados

violencia-mulher

Publicado no Diário do Nordeste

Agressores de mulheres, enquadrados na Lei Maria da Penha, que foram obrigados pela Justiça a ficar longe das suas vítimas, serão monitorados, a partir de agora, por tornozeleiras eletrônicas. Assim que o homem se aproximar da mulher, ambos receberão um aviso para que o contato possa ser evitado. Se isso não acontecer, a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus-CE) poderá acionar a Polícia para efetuar a prisão do infrator.

Na manhã de ontem, três homens, com decisões judiciais para se manterem longe de suas parceiras, tiveram os aparelhos eletrônicos colocados em seus tornozelos. As vítimas foram comunicadas da ação e receberam um aparelho que vai avisar se o agressor se aproximar até, no máximo, 200 metros de distância. Serão três meses de testes até que as outras 12 tornozeleiras disponíveis possam começar a ser utilizadas.

Medida protetiva

O objetivo é evitar que mais assassinatos ou lesões corporais aconteçam contra mulheres que já obtiveram medida protetiva contra os seus ex-companheiros, afirmou a defensora pública e idealizadora do projeto, Elizabeth das Chagas. “A falta de políticas públicas, no Estado, para essas mulheres nos fez pensar neste projeto inovador”, ressalta.

Ela destacou que a tecnologia será importante para que as vítimas da agressão e suas famílias possam se sentir seguras, seja em casa ou na rua. Além disso, o agressor também será beneficiado, pois não vai prejudicar ainda mais a sua situação ao descumprir a decisão judicial.

image

“O aparelho vai conseguir evitar que o homem e a mulher se encontrem até mesmo em locais públicos, pois ambos serão avisados antes disso acontecer. A mulher poderá fugir dali e o homem será avisado que precisa se afastar”, acrescentou Elizabeth.

O número de casos de medicas protetivas descumpridas é grande, de acordo com a defensora pública. “Em alguns casos, apenas a decisão da Justiça resolve a situação. Mas, em outros, os agressores não se importam. Agora, com a tornozeleira, se ele descumprir a medida, a Sejus será avisada e vai acionar o Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops)”, explicou Elizabeth.

Controle

Para a secretária da Justiça e Cidadania, Mariana Lobo, o equipamento é necessário, pois existe uma falta de controle da medida protetiva. “O número de prisões devido aos descumprimentos das decisões da Justiça tem aumentado bastante desde que a Lei Maria da Penha entrou em vigor. Dessa forma, esperamos diminuir as prisões e dar mais segurança para as vítimas”.

Ela ainda acrescentou que os juizes responsáveis pelos casos terão acesso à rota dos agressores. “Estamos dando ao Judiciário um mecanismo eficiente para que seja possível combater o problema”, declarou a secretária. As tornozeleiras eletrônicas custam atualmente R$ 650, por mês, aos cofres públicos. No entanto, a secretária destacou que uma nova licitação será realizada pela Sejus, e esse valor deverá diminuir em até 40%.

Thiago Rocha
Repórter

Análises apontam que papiro que fala da esposa de Jesus não é falso

foto: Karen L. King/Harvard University/Reuters

foto: Karen L. King/Harvard University/Reuters

Publicado por AFP [via UOL]

Um pedaço de papiro antigo que contém uma menção à esposa de Jesus não é uma falsificação, de acordo com uma análise científica do controverso texto, declararam nesta quinta-feira (10) pesquisadores americanos.

Acredita-se que o fragmento seja proveniente do Egito e contém escritos na língua copta, que afirmam: “Jesus disse-lhes: ‘Minha esposa…’”. Outra parte diz ainda: “Ela poderá ser minha discípula”.

A descoberta do papiro, em 2012, provocou um rebuliço. Pelo fato de a tradição cristã afirmar que Jesus não era casado, o documento atiçou os debates sobre o celibato e o papel das mulheres na Igreja.

O jornal do Vaticano declarou que o papiro era uma farsa, juntamente com outros estudiosos, que duvidaram de sua autenticidade baseados em sua gramática pobre, texto borrado e origem incerta.

Nunca antes um evangelho se referiu a Jesus como casado, ou tendo mulheres como discípulos.

Mas uma nova análise científica do papiro e da tinta, bem como da escrita e da gramática, mostrou que o documento é antigo.

“Nenhuma evidência de fabricação moderna (‘falsificação’) foi encontrada”, declarou a Harvard Divinity School em um comunicado.

O fragmento provavelmente remonta a uma data entre os séculos 6 e 9, mas poderia ter sido escrito até mesmo no segundo século da Era Comum, segundo os resultados do estudo publicados na Harvard Theological Review.

A datação por radiocarbono do papiro e uma análise da tinta utilizando espectroscopia Micro-Raman foram realizadas por especialistas da Universidade de Columbia, da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

“A equipe concluiu que a composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus (Gospel of Jesus’ Wife – GJW, em inglês) com um fragmento do Evangelho de João”, declarou o estudo.

“O teste atual suporta, assim, a conclusão de que o papiro e a tinta do GJW são antigos”, esclareceu.

Origem desconhecida

A origem do papiro é desconhecida. Karen King, historiadora da Harvard Divinity School, o recebeu de um colecionador – que pediu para permanecer anônimo – em 2012.

King, uma historiadora do cristianismo primitivo, declarou que a ciência mostrar que o papiro é antigo não prova que Jesus era casado.

“A questão principal do fragmento é afirmar que as mulheres que são mães e esposas podem ser discípulas de Jesus – um tema que foi muito debatido no início do cristianismo, num momento em que a virgindade celibatária se tornou cada vez mais valorizada”, explicou King em um comunicado.

“Este fragmento do evangelho fornece uma razão para reconsiderar o que pensávamos que sabíamos, ao se perguntar o papel que as declarações sobre o estado civil de Jesus desempenharam historicamente nas controvérsias cristãs sobre casamento, celibato e família”.

O fragmento mede quatro por oito centímetros.

King declarou que a data do documento – escrito séculos depois da morte de Jesus – significa que o autor não conhecia Jesus pessoalmente.

Sua aparência bruta e os erros gramaticais sugerem que o escritor tinha apenas uma educação elementar, acrescentou.

Leo Depuydt, professor de Egiptologia da Universidade Brown, escreveu um artigo, também publicado na Harvard Theological Review, descrevendo por que acredita que o documento é falso.

“O fragmento do papiro parece perfeito para um esquete do Monty Python” (famoso grupo de comediantes britânicos), declarou.

Ele apontou erros gramaticais e o fato de as palavras “minha esposa” parecerem ter sido enfatizadas em negrito, o que não é utilizado em outros textos coptas antigos.

“Como um estudante de copta convencido de que o fragmento é uma criação moderna, sou incapaz de fugir à impressão de que existe algo quase engraçado no uso das letras em negrito”, escreveu.

King publicou uma refutação às críticas de Depuydt, dizendo que o fato de a tinta estar borrada era comum e que as letras abaixo de “minha esposa” eram ainda mais escuras.

dica do Ailsom Heringer

Aqui é a roupa curta, lá é o rímel embaixo da burca

n-SAUDITA-large570

 

Por Gabriela Loureiro no Brasil Post

Brasil e Arábia Saudita, países tão distantes e com culturas tão diferentes, têm algo em comum na questão dos direitos das mulheres: culpar a vítima pelo estupro. Pois um dos piores países do mundo para ser mulher fez uma pesquisa parecida com a do Ipea, segundo a qual 26% dos entrevistados acreditam que mulheres que usam roupa curta merecem ser atacadas. Na Arábia Saudita, onde vigora a ordem da burca e do niqab, os sauditas acreditam que mulheres com muita maquiagem são a causa dos assédios em público. Detalhe: a única parte do rosto à mostra das sauditas são os olhos. Aqui é a roupa curta, lá é o rímel.

Segundo o site Emirates 24/7, uma pesquisa realizada pelo Centro de Diálogo Nacional King Abdul Aziz, com 992 entrevistados, mostrou que 86% da população acha que olhos maquiados são a principal causa de assédio sexual em público no país. Algumas peculiaridades da Arábia Saudita: é o único país do mundo onde as mulheres não podem dirigir nem votar (apesar de o rei Abdullah ter prometido que em 2015 elas poderão participar das eleições) e um dos únicos, além do Marrocos, onde as mulheres podem ser punidas por serem estupradas.

Isso mesmo. Em um caso que chocou o mundo, uma jovem saudita que sofreu um estupro coletivo foi presa por seis meses e levou 200 chibatadas por estar em companhia de um homem que não era seu parente no momento do ataque.

Claro que a realidade brasileira é diferente da saudita, aqui temos a Lei Maria da Penha e, bem ou mal, as mulheres têm muito mais liberdade e oportunidades que as da Arábia Saudita. O que Brasil e Arábia Saudita têm um comum é a mentalidade machista da “justificativa injustificável” do estupro: a culpabilização da vítima. Saiu fora do código de vestimenta, “provocou”. Como se os homens fossem bestas privadas de autocontrole.

Se as brasileiras usassem burcas, aconteceriam menos estupros? Não sabemos, mas a pesquisa saudita sugere que não. E nós sabemos que muitos abusos acontecem em casa. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, em cerca de 65% dos casos de estupro no país o agressor é um conhecido da vítima.

De uma vez por todas: a culpa não é da vítima, é do estuprador. Como diz a campanha da jornalista Nana Queiroz, que inclusive foi parabenizada nesta segunda-feira (31) pela presidente Dilma Rousseff, nós não merecemos ser estupradas #EuNãoMereçoSerEstuprada.

999973_434712526664274_1195150504_n