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Mulheres oram em público pela 1ª vez em frente ao Muro das Lamentações

Judias só podiam orar em silêncio e longe de homens.
Policiais escoltaram grupo de ativistas feministas durante ritual.

Mulher faz oração sob proteção policial no Muro das Lamentações em Jerusalém (Foto: Amir Cohen/Reuters)

Mulher faz oração sob proteção policial no Muro das Lamentações em Jerusalém (Foto: Amir Cohen/Reuters)

Publicado originalmente no G1

Ativistas feministas judias rezaram nesta sexta-feira (10) pela primeira vez livremente e sob proteção policial no Muro das Lamentações em Jerusalém, onde ultraortodoxos que tentaram se opor a sua ação foram detidos.

O porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, declarou à agência de notícias France Presse que 1.000 ultraortodoxos foram mantidos à distância de um grupo da associação “Mulheres do Muro”, que faziam sua oração mensal com xales de oração, após uma decisão da justiça que as autoriza a fazê-lo.

Manifestantes ultraortodoxos tentaram passar à força, alguns chamando os policiais de nazistas, outros insultando as ativistas. Lançaram garrafas de água, sacos de lixo, cadeiras de plástico e ovos tanto contra os policiais quanto contra as mulheres, contou um jornalista da agência. Dois policiais ficaram feridos sem gravidade. A polícia deteve cinco ultraortodoxos por “desordens públicas”, indicou o porta-voz.

Policiaismantêm à distância cerca de mil ortodoxos das mulheres judiais que faziam orações (Foto: AFP)

Policiais mantêm à distância cerca de mil ortodoxos das mulheres judiais que faziam orações (Foto: AFP)

Depois que terminaram de rezar, os policiais escoltaram as mulheres em direção a um ônibus que as levou para fora da Cidade Velha, depois de terem sido atacadas por pedras, segundo Rosenfeld.

Por mais de 20 anos, estas ativistas feministas pediram às autoridades que fossem autorizadas a rezar no Muro das Lamentações – o local mais sagrado do judaísmo, último vestígio do segundo Templo destruído pelos romanos no ano 70 da era cristã – em voz alta, vestindo o xale de oração, tefilins, o solidéu e lendo a Torá, uma maneira de orar tradicionalmente reservada aos homens.

Até agora, as mulheres judias podiam orar ao pé do Muro das Lamentações, mas em estrito silêncio e afastadas dos homens. Se não respeitassem isso, corriam o risco de ser detidas pela polícia ou incomodadas por ultraortodoxos.

Mulheres oram com seus xales de oração no Muro das Lamentações (Foto: AFP)

Mulheres oram com seus xales de oração no Muro das Lamentações (Foto: AFP)

Mas no mês passado um tribunal decidiu que o comportamento deste grupo de mulheres não provoca nenhuma desordem, razão pela qual não existe justificativa para detê-las ou interrogá-las, como vinha ocorrendo nos últimos meses. O tribunal decidiu então que as ‘Mulheres do Muro’ poderão rezar neste local sagrado de acordo com seus rituais.

“Pudemos realizar uma oração histórica, embora tenha sido difícil”, declarou a porta-voz da associação, Shira Pruce.

Segundo ela, 400 ativistas participaram desta oração. “Estamos muito orgulhosas e muito felizes por termos podido rezar livremente e em paz”, disse, ao mesmo tempo em que saudou a ação da polícia.

Judias usam xales durante oração em Jerusalém (Foto: AFP)

Judias usam xales durante oração em Jerusalém (Foto: AFP)

Mulheres oram em frente ao Muro das Lamentações (Foto: AFP)

Mulheres oram em frente ao Muro das Lamentações (Foto: AFP)

a reportagem pode ser assistida aqui http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/v/projeto-em-israel-permite-que-mulheres-possam-rezar-no-muro-das-lamentacoes/2547510/

 

 

 

 

 

 

Mulher que acusa pastor de estupro diz que teme por sua família

O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros, homicídio, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele teve o cabelo raspado após ser levado para o Complexo de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro (foto: Divulgação/Seap)

O pastor Marcos Pereira, 56, presidente da igreja Adud (Assembleia de Deus dos Últimos Dias), foi preso sob a suspeita de estupros, homicídio, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Ele teve o cabelo raspado após ser levado para o Complexo de Gericinó, em Bangu, no Rio de Janeiro (foto: Divulgação/Seap)

Julia Affonso, no UOL

Uma das mulheres que acusa de estupro o pastor Marcos Pereira, preso na noite de terça-feira (7), afirmou temer pela segurança de sua família após ter realizado a denúncia. A mulher, que tem medo de se expor, pede que não sejam feitas fotos dela. “Saímos de lá [da igreja], mas não deixamos de acreditar em Deus. Não sou só eu, não sou sozinha. A gente tem filhos, família e fica com medo”, disse à reportagem do UOL. ”A gente é uma formiguinha na frente de um batalhão.”

“Tem coisas que é muito complicado falar, mas eu resolvi denunciar para que isso sirva de alerta e outras mulheres não sofram com isso”, explica, sob o olhar atento da filha mais velha.

Segundo o depoimento da mulher, ela morou em um abrigo da Assembleia de Deus dos Últimos Dias e, lá, foi obrigada a fazer um “Conserto Espiritual”, que consistia em contar ao Pastor detalhes de sua vida pessoal, como dizer se era virgem e se já havia namorado.

Ela contou à polícia detalhes dos abusos que sofreu durante dois anos, sempre dentro da igreja. Segundo ela, o pastor a procurava sempre que ela estava brigada com o marido. Além disso, ela falou também, em depoimento, sobre uma suposta lavagem de dinheiro que o pastor faria na Assembleia.

“Que o pastor Marcos recebia o dinheiro dos traficantes, nos valores entre R$ 15 mil e R$ 20 mil e entregava CDs e DVDs no intuito de se resguardar na lavagem de dinheiro; que o pastor dizia aos membros da sua congregação que estava vendendo os CDs para evangelização e não pegando o dinheiro com o tráfico”, explica no depoimento.

A mulher a família deixaram a igreja há quatro anos e, segundo depoimento dela, tiveram que passar por “tratamento psicológico constante para tentar uma vida normal”.

Após orgia, pastor ordenava que todos pedissem perdão, diz mulher em depoimento

Trecho de depoimento de suposta vítima de abuso sexual por parte do pastor Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias

Trecho de depoimento de suposta vítima de abuso sexual por parte do pastor Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias

Uma das mulheres que acusa Marcos Pereira da Silva, pastor da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, preso na noite de terça-feira (7), de estupro disse em depoimento à polícia que o pastor chamava garotos de programa para participar de orgias e que mandava que as pessoas pedissem perdão depois das relações sexuais. O pastor foi preso na noite de terça-feira (7), quando saía da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, na rodovia Presidente Dutra.

Em um dos depoimentos, ao qual o UOL teve acesso, a mulher contou a dinâmica dos abusos. Ela disse que o pastor via nela um “espírito de lésbica”, e que então passou a ser chamada por ele em seu gabinete. Tempos depois, ele começou a assediá-la.

“A declarante se recorda que participou um garoto de programa [da orgia]. [...] Marcos passou a querer que a declarante aliciasse outros membros da Adud para participarem daquelas orgias, porém a declaraste disse que não faria aquilo. [...] Após o ato sexual, o Pastor Marcos ordenava que os participantes do ato pedissem perdão uns aos outros sobre o que havia ocorrido e que após procurassem o Ministério da Adud, na figura de um diácono, evangelista ou presbítero, que pedisse a ele também perdão, informando que foi enviado pelo pastor, porém mantivesse em segredo o que havia ocorrido”, diz a mulher em depoimento prestado em abril deste ano.

Outra mulher contou também que o pastor mandou que ela não contasse nada a ninguém e a ameaçou dizendo que iria “acabar com a sua vida”.

Em depoimento dado em março de 2012, outra testemunha afirmou que o pastor fez um “Conserto Espiritual” com ela, e isso consistia em perguntar se a mulher era virgem e se já havia namorado alguém.

Habeas corpus

O advogado do pastor Marcos Pereira afirmou que deve pedir ainda nesta quarta-feira (8) um habeas-corpus pela soltura de seu cliente. Segundo Marcelo Patrício, o pastor está “tranquilo” e “sereno” na prisão, porque se considera inocente.

“É uma covardia o que está sendo feito com o pastor. É tudo mentira. Isso é invenção de pessoas que não gostam dele”, disse Patrício. “Duas pessoas foram forçadas a fazerem isso [acusá-lo]. Uma menor fez um exame no IML [Instituto Médico Legal], que comprovou que ela é virgem. Ele é uma pessoa muito boa, nunca ameaçou ninguém.”

“Manual gospel” vai orientar sexshops sobre atendimento de público evangélico

 

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publicado no Administradores

Com o objetivo de atender o público evangélico sem ferir suas convicções religiosas, a Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico Sensual (Abeme) vai preparar um “manual gospel” para distribuidores e vendedores. A ideia, de acordo com a entidade, é “orientar o comércio de produtos íntimos dentro dos preceitos bíblicos, pensando em qualidade, saúde e na união do casal com respeito e amor”.

“É preciso haver uma capacitação apropriada dos profissionais do setor para atender este público (evangélico). São necessários conhecimentos sobre sexualidade humana, um estudo profundo sobre produtos íntimos, sensuais e eróticos (sob a ótica de qualidade, benefícios e usos) e, principalmente, sobre a palavra (bíblica)”, afirma Paula Aguiar, presidente da ABEME.

De acordo com a Abeme, a demanda é grande por parte dos fiéis evangélicos, que têm buscado nos produtos “o fortalecimento do amor conjugal, para a união do casal e consequentemente da família”.

A associação frisa ainda que atualmente os maiores consumidores de produtos de sexshops são as mulheres e que, em 90% dos casos, não tem nenhuma conotação pornográfica.

Feliciano quer liberação para tratar menstruação como se fosse doença

O pastor foi ainda mais longe e disse que absorventes não são cura, são paliativos, o melhor é realmente deixar as mulheres isoladas e usá-las apenas na época da procriação.

Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara

Foto: Alexandra Martins / Agência Câmara

Publicado impagavelmente no Sensacionalista

Marco Feliciano uma vez mais desperta polêmica. Após querer tratar a homossexualidade como doença, ele agora disse que quer que a menstruação também seja vista como uma enfermidade. Segundo o pastor: O livro de Levítico é bem claro quanto a enfermidade “a mulher deveria ficar separada por causa da sua imundície  por 7 dias”.  A prova mais concreta que temos disso é que mulheres que trabalham juntas, convivem juntas, geralmente menstruam na mesma época, isso se caracteriza como uma epidemia de menstruação. Em Brasília, por exemplo, a Dilma fica sempre menstruada junto com as senadoras.

O pastor foi ainda mais longe e disse que absorventes não são cura, são paliativos, o melhor é realmente deixar as mulheres isoladas e usá-las apenas na época da procriação. O movimento feminista imediatamente reagiu e ameaçou borrifar água no cabelo com chapinha do pastor. Marco Feliciano é conhecido também porque, seguindo a Bíblia, proibiu que sua esposa emitisse opiniões no culto e só entrasse na igreja de véu.

Vinícius Antunes

 

Psiquiatra Flávio Gikovate prega extinção dos termos ‘hetero’ e ‘homo’ em sabatina

O psiquiatra Flávio Gikovate durante sabatina no Teatro Folha, em São Paulo (Jorge Araujo/Folhapress)

O psiquiatra Flávio Gikovate durante sabatina no Teatro Folha, em São Paulo (Jorge Araujo/Folhapress)

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

No futuro, haverá uma troca erótica “mais lúdica” entre as pessoas e a identidade sexual do parceiro não fará a menor diferença, quer dizer: definições como “homossexual” e “heterossexual” devem deixar de existir e todos poderão circular livremente entre relacionamentos afetivos com pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto.

Essa é a mais nova e controversa ideia de “Sexualidade sem Fronteiras” (MG Editores, 136 págs., R$ 37,40), último livro do psiquiatra e psicoterapeuta Flávio Gikovate, 70. O médico, que calcula já ter atendido mais de 9.000 pessoas em consultório, está acostumado a causar impacto e a fazer sucesso falando sobre sexualidade.

Reflexões sobre os dilemas sexuais e amorosos de seus pacientes são os temas de grande parte de seus 32 livros publicados e das colunas que assinou em jornais e revistas.

Sua estreia como conselheiro na mídia, em 1977, em uma revista para adolescentes, já ligava seu nome a polêmicas, porque seu texto insistia na separação entre sexo e amor. Hoje, é lugar-comum, mas a opinião era potencialmente escandalosa na época, quase 40 anos atrás.

Na semana passada, Gikovate participou de sabatina promovida pela Folha, em São Paulo. Diante de cem pessoas, respondeu às perguntas das jornalistas Cláudia Collucci, Iara Biderman e Heloísa Helvécia, editora de “Equilíbrio”, e da plateia e expôs conceitos que deram origem à tese básica do livro, como o lado agressivo, machista e negativo do desejo.

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ORIENTAÇÃO SEXUAL

O muro que separa a homossexualidade da heterossexualidade tem que cair. Não há impedimento para a troca de carícias sexuais.

Preconceito é algo todo regulamentado. Na ausência de mulheres, homem transar com homem é ser muito macho. Na presença de mulher, é ser gay. Tudo burocracia.

A orientação sexual vai seguir o encantamento amoroso. Se for orientada pela noção de desejo, será deixada por conta de coisas que têm a ver com agressividade, competição, rivalidade.

SEXO LÚDICO

Sexo lúdico são todas as trocas de carícias eróticas com qualquer tipo de parceiro. Tudo aquilo que as crianças também fazem. Sexo reprodutor é essencialmente heterossexual, está mais comprometido com a agressividade do que com o amor. Do ponto de vista da reprodução, é o macho mais agressivo o que consegue copular.

O erotismo, sem estar ligado à reprodução, é um fenômeno pessoal. Começa no segundo ano de vida: a criança toca certas partes do corpo e sente a estimulação. Como é agradável, ela repete esse padrão de comportamento. A excitação é um prazer positivo, porque não serve para atenuar a sensação de desamparo: não é preciso um desconforto prévio para a pessoa poder curtir o erotismo. Já o desejo é um prazer negativo.

DESEJO

Desejo, especialmente o visual, é uma característica dos homens. As mulheres se excitam, mas desejo é uma coisa ativa, uma vontade de agarrar o outro.

O desejo é de direita, não é de esquerda como se costumava colocar nos anos 1960, quando se acreditava que a liberação da sexualidade fosse trazer um mundo de paz, em que todos se sentiriam confortáveis, as moças não iam regular tanto o sexo.

Elas continuaram regulando do mesmo jeito e tudo ficou um pouco mais tenso por conta da rivalidade entre as mulheres, para ver quem chama mais a atenção, e entre os homens, para ver quem consegue ter acesso às garotas mais interessantes. Trouxe um mundo de competição e tensões muito maiores do que antes. O mundo do desejo ficou comprometido com o do mercado e do capital.

CASUAL E VIRTUAL

O sexo casual não tem futuro, provavelmente vai ser substituído pelo virtual. Esse tipo de prática é infidelidade? Na internet as pessoas podem interagir, ter conversas íntimas com um parceiro determinado, aí o virtual e o real se aproximam. Só porque é virtual o indivíduo casado pode ficar namorando outra pessoa? Não tenho nenhuma simpatia por essas ideias, pelo que chamam de poliamor. E, na verdade, isso tem aceitação muito baixa: ciúme não desaparece por decreto.

AMOR

A sexualidade percorre um caminho que não é o do amor, o que explica tantas más escolhas sentimentais. O sexo, diferentemente do amor, é mais comprometido com a agressividade, e muitos homens acabam escolhendo suas parceiras em função do encantamento erótico.