Ex-líder de grupo que defende a “cura gay” se casa com um homem

O americano John Smid, que liderou durante 18 anos o grupo que se dizia capaz de impedir a atração de pessoas do mesmo sexo, acaba de oficializar a união com seu parceiro Larry McQueen

JOHN SMID ENQUANTO ERA DIRETOR-EXECUTIVO DA "LOVE IN ACTION" (FOTO: REPRODUÇÃO MSNBC)
JOHN SMID ENQUANTO ERA DIRETOR-EXECUTIVO DA “LOVE IN ACTION” (FOTO: REPRODUÇÃO MSNBC)

Publicado na Marie Claire

Durante 1990 e 2008, o americano Jonh Smid ocupava o cargo de diretor-executivo do grupo “Love in Action” e considerava a homessexualidade “um pecado”, chegou até a incentivar as pessoas a rezarem para que os gays se distanciassem. Mas eis que, recentemente, o seu discurso caiu por terra. John acaba de oficializar a união com seu parceiro Larry McQueen, informou a agência de notícias The Lone Star Q.

“Eu tinha fé de que algo iria acontecer, mas isso nunca aconteceu. Agora, na minha idade, já não tenho muitos anos restantes, não posso viver mais assim pelo resto da minha vida. Então, eu pensei que não, eu não estou disposto a continuar empurrando algo que não vai ocorrer”, contou.

Por isso, anunciou em sua conta de Facebook: “Conheci McQueen gradualmente, até que chegou um momento em que descobrimos que queríamos conhecer melhor um ao outro por meio de uma relação amorosa. Conforme saiamos, compartilhávamos as mesmas expectativas de vida, filosofias pessoais e nossos valores de fé. Encontramos uma compatibilidade que era confortável e emocionante.” Agora, estão oficialmente juntos.

A proposta mais controversa lançada por ele quando ainda representava a empresa foi divulgada em 2005. Na época, John prometeu criar um programa que poderia mudar a opção sexual de uma criança.

JOHN SMID E LARRY MACQUEEN, SEU COMPANHEIRO (FOTO: REPRODUÇÃO FACEBOOK)
JOHN SMID E LARRY MACQUEEN, SEU COMPANHEIRO (FOTO: REPRODUÇÃO FACEBOOK)

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Com celulite e estrias como acessórios, ‘Barbie normal’ tem padrões realistas de beleza

Publicado na Folha de S. Paulo

O designer Nickolay Lamm criou uma boneca com padrões de beleza mais “normais” do que o proposto pela icônica Barbie.

O que começou como um projeto artístico, em julho de 2013, se tornou um produto disponível para compra nesta quarta-feira (19).

“Os pais e seus filhos estavam me mandando e-mails e me perguntando onde eles poderiam comprar a ‘Barbie normal’ —mas ela não existia”, disse Lamm à revista “Time”.

Depois disso, ele decidiu tentar financiar o projeto de forma coletiva —um crowdfunding— e arrecadou cerca de US$ 500 mil dos US$ 95 mil pedidos. “Para ser honesto, eu sabia que seria um tremendo sucesso ou um fracasso total, não havia meio-termo”.

“Eu queria mostrar que a realidade é legal. Muitos dos brinquedos fazem as crianças fantasiarem, mas por que eles não mostram que a vida real é legal? Não é perfeita, mas a realidade é tudo o que temos e isso é incrível”.

Adesivos imitam machucados, estria, celulite e espinhas para bonecas
Adesivos imitam machucados, estria, celulite e espinhas para bonecas

As bonecas Lammily serão vendidas inicialmente por US$ 25 e além do brinquedo, o site vai disponibilizar, a partir de janeiro, um kit de adesivos que custam US$ 6 e reproduzem espinhas, sardas, bochechas coradas, além de celulites e estrias.

Lamm afirma que não teme a repercussão negativa que os adesivos podem gerar: “No começo muitas pessoas diziam que o projeto era uma piada, então não tenho dúvidas que algumas pessoas não vão levar a sério. Mas espero que várias pessoas acreditem na mesma coisa que eu. Eu acho que cerca de 25%, 30% vão achar que os adesivos são idiotas, mas o resto acharão bom”.

“Essa é a boneca que todos estavam esperando, com marcas pelo corpo inclusive”, afirmou o designer.

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Evangelismo hipster para jovens urbanos

A igreja Hillsong, com pastores modernos como Carl Lentz, se espalha pelo mundo com uma cenografia que combina concertos de rock, clubes noturnos e cultos religiosos

Publicado no El País

“Seu amor é implacável, seu amor é implacável”, canta a banda de rock à guisa de refrão enquanto Carl Lentz aguarda no centro do palco, de microfone na mão. Com cabelo raspado dos lados, topete discreto, jaqueta de couro justa, camiseta decotada, jeans rasgados nos joelhos, botas vintage com cadarços desamarrados e várias tatuagens, Lentz parece um hipster do Brooklyn.

Centenas de jovens, uns 6.000 a cada domingo em várias sessões, abarrotam o salão do Manhattan Center, em Nova York. Nenhum tem mais de 30 anos. São belos animais, cristãos e devotos. Aguardam a palavra de seu pastor. “Bem-vindos. Estou feliz por terem vindo. Amo a minha igreja porque é muito simples. Não queremos mudar ninguém. Só queremos as pessoas”, assim Lentz começa seu sermão sob o olhar de sua mulher e seus três filhos, apoiado pela música, um notebook da Apple, três enormes telas de vídeo e uma cruz iluminada. Quando abre a bíblia, muitos jovens pegam os celulares para acompanhar os salmos pelos aplicativos.

igreja_hilsong_hipster

Lentz é um dos carismáticos líderes da Hillsong, uma igreja pentecostal australiana que se lançou à conquista de jovens crentes em todo mundo. Com uma diferença: se as igrejas evangélicas tradicionais procuram adeptos sobretudo em entornos rurais, a Hillsong quer seguidores urbanos. Cada fim de semana, cerca de 100.000 participam de seus cultos em cidades como Nova York, Amsterdam, Barcelona, Cidade do Cabo, Copenhague, Kiev, Londres, Paris, Lyon, Düsseldorf e Estocolmo.

A escolha não é aleatória. O objetivo são metrópoles modernas, referências culturais com grande atrativo para os jovens, um terreno propício para a sua liturgia peculiar: uma comunhão com Deus através da música e da pregação, que combina concerto de rock, clube noturno londrino e culto religioso.

A Hillsong foi fundada pelo casal australiano Brian e Bobbie Houston em 1986. É um sincretismo da última geração de igrejas evangélicas com a cultura dos jovens cristãos, nas quais a música sempre teve um papel fundamental. A principal fonte de financiamento é seu selo discográfico, a Hillsong Music Australia, a maior do mundo cristão, que em duas décadas lançou mais de 40 álbuns em vários idiomas e vendeu mais de 16 milhões de discos. Tem 10 milhões de seguidores nas redes sociais e um canal do YouTube com 150.000 assinantes. Na Austrália, possui, além disso, um campus universitário. A Hillsong é um fenômeno global. “Não é preciso crer para estar aqui”, repete em todos seus sermões o pastor Lentz, de 35 anos, ex-jogador de basquete, que costuma ser visto em partidas com os Knicks acompanhado de alguma celebridade, como Justin Bieber.

Os críticos dizem que não se sabe muito bem se a Hillsong é uma igreja que vende discos ou uma gravadora que oferece consolo à sua paróquia. Sua teologia simples, apoiada em um Deus irredutível e em um criacionismo edulcorado; seu cristianismo hipster, no sentido literal do termo (inconformista); seu gosto por se cercar de famosos (afirmam que Bieber já foi batizado) e sua indefinição em questões como o aborto ou a homossexualidade atraíram muitas críticas.

Esta noite Lentz quer falar de Deus, não de religião. A religião não empolga as pessoas, diz, mas Deus, sim. E muito. “O que Deus dá em forma de amor é cinco vezes mais valioso que qualquer coisa que você possa encontrar. Deus deve ser nossa única preocupação. Se algo for importante para você, será importante para Deus. O novo que está chegando se chama Deus”, proclama o pastor enquanto a banda de rock atrás dele enfatiza suas palavras com a música. Em suas entrevistas, Lentz assegura que a religião morreu, e que em seu lugar está Deus. “Olhe o que ele pode fazer por você, não você por ele”, acrescenta.

A Hillsong atrai, a cada domingo, milhares de jovens cristãos que lotam as cinco sessões de culto oferecidas junto ao Madison Square Garden a partir das 10 da manhã. O último culto acontece à noite em Montclair, Nova Jersey. O restante da semana é dedicado ao conhecimento da Bíblia, batismos e ações solidárias. Nos próximos dias, com a aproximação das primeiras nevascas e do Dia de Ação de Graças, haverá coleta de agasalhos para doar aos mais necessitados e distribuição de comida nos projects, as moradias para a população carente. Tanto à entrada como à saída do espetáculo, moças e rapazes com aparência de modelos saúdam ou se despedem de cada um. “Amamos vocês, só isso”, afirmam.

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Mundo tem 35,8 milhões de escravos

Brasil tem cerca de 155.000 pessoas submetidas à servidão, diz ONG

Criança em campo de refugiados no sudoeste da Mauritânia. País tem a maior proporção de escravos no mundo (foto: VEJA)
Criança em campo de refugiados no sudoeste da Mauritânia. País tem a maior proporção de escravos no mundo (foto: VEJA)

Publicado na Veja on-line

Um novo levantamento mostra que 35,8 milhões vivem como escravos no mundo. O total chega a 0,5% da população mundial, segundo a fundação Walk Free, que analisou dados em 167 países.

De acordo com o levantamento, o país com o maior número de escravos, proporcionalmente, é a Mauritânia, no noroeste da África, com 4% de sua população de 3,9 milhões submetida à servidão. Em números absolutos, a Índia aparece na frente, com 14 milhões de escravos. Tanto a Ásia quanto a África apresentam os números mais preocupantes, segundo a organização. A prática é menos prevalecente na Europa, mas a Rússia aparece em quinto lugar em números absolutos, com 1,05 milhão de escravos. Juntos os cinco países com mais escravos no mundo respondem por 61% dos números de pessoas submetidas à prática.

O número total revelado no relatório deste ano é 20% mais alto do que o apurado em 2013. Segundo a Walk Free, a explicação é a mudança na metodologia, e não um aumento geral da prática.

Embora ainda existam cativos à moda das antigas sociedades escravagistas, a pesquisa mapeia principalmente o que se convencionou chamar de trabalho escravo contemporâneo ou moderno. São pessoas vítimas de trabalho forçado – por violência ou por dívida -, tráfico humano, exploração sexual e casamentos forçados. Outros levantamentos, como da Organização Internacional do Trabalho, estimam que 21 milhões de pessoas vivem como escravos.

O Brasil tem 155.300 escravos, segundo o levantamento, ou 0,0775% de sua população, aparecendo em 143° lugar entre os países analisados. O número total é mais baixo do que o dado apurado no ano passado, 220.000. O relatório aponta alguns pontos preocupantes no Brasil, como a alta incidência de adolescentes trabalhando em serviços domésticos, mas faz elogios ao Brasil no combate à escravidão, citando o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, que foi assinado por mais de 300 empresas até o ano passado.

Nas conclusões, a Walk Free pede mais esforços da comunidade internacional para combater a escravidão e aumentar as punições por tráfico humano e para as empresas que fazem uso da prática.

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Bobas, sonhadoras, essenciais

Por que o romantismo desvairado das mulheres faz o mundo rodar sobre seu eixo

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Ivan Martins, na Época

As mulheres são bobas. Sonham demais, põem a carroça na frente dos bois, se apaixonam com um sonho de valsa. São elas mesmas que dizem. Basta um chope na calçada para imaginarem cenas de casamento. Um beijo na boca e já pensam como seria ter uma filha com aqueles lábios. Diante da possibilidade do amor, suspiram e se agitam como virgens do século XIX – embora seus horizontes pessoais sejam mais amplos que os de qualquer heroína das irmãs Brontë.

Suspeito que as mulheres sejam graciosamente antiquadas.

Décadas de liberdade, emancipação e sexo mais ou menos livre não foram suficientes para apagar o software afetivo do tempo dos espartilhos. Diante de um homem que pareça o cara certo, ressurgem velhos modelos e sensações. Não acontece com todas as mulheres, nem acontece sempre, mas a maioria já experimentou o sentimento. Assim como boa parte dos homens. Ninguém está livre de fantasias românticas selvagens. A diferença é que as mulheres parecem ser especialistas.

Mesmo tendo assistido a desilusões cavalares, ainda acho essa ingenuidade positiva. Ela é a argamassa invisível com que se constroem milhões de relacionamentos. Permite que, num mundo de egoísmos e receios, alguém dê um passo, estenda a mão e chame o outro. É como uma estrada que faz com que as coisas avancem, quando poderiam empacar e perecer. A gratuidade do amor feminino é uma dádiva. Faz o mundo girar sobre o seu eixo.

Homens também são assim, às vezes. Podem olhar para uma mulher comum que compra absorventes na farmácia e apaixonar-se, como num filme argentino. Querem casar, ter filhos, viver com ela num fiorde dinamarquês. Às vezes, contam isso a ela, que segura a cestinha perplexa, sem saber que o carequinha gaguejante diante de si é o homem da sua vida. Ou poderia ser. Acontece. Mas com as mulheres é mais frequente. Elas constroem mansões imaginárias. Sonham meticulosamente o futuro, sem o qual o presente é só um passado envelhecendo.

Pode ser apenas ilusão minha. Vai ver que o romantismo das mulheres foi substituído por prazer físico e pragmatismo existencial. Sonhar talvez tenha virado coisa de trouxas, e o mundo pertença agora às bruxas elegantes. Pode ser. Mas simpatizo com as bobas sonhadoras que sofrem de forma monumental. Elas fazem coisas que de outra forma não seriam feitas. Como memórias, poemas e famílias.

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