Incandescentes se apagam de vez

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Publicado no Planeta Sustentável

A invenção mais famosa de Thomas Edison está com os dias contados no Brasil. Comercializada desde 1879 e utilizada até os dias atuais praticamente sem inovações, a velha lâmpada incandescente terão sua fabricação e importação proibidas a partir do dia 1º de julho em nosso país, por determinação do Governo Federal. No comércio, ainda podem ser vendidas por mais um ano, mas acredita-se que os estoques acabarão bem antes. Calcula-se que mais de 300 milhões de incandescentes são vendidas todos os anos no Brasil.

proibição já acontecia com lâmpadas de potência acima de 61 watts. Agora é a vez das mais populares, usadas para iluminar residências. com potência entre 41 e 60 watts. Assim, finalmente termina o ciclo das incandescentes no país. Estados Unidos, União Europeia e até a Argentina se livraram delas faz algum tempo.

Embora não sejam tão perigosas – sob o ponto de vista da contaminação ao meio ambiente – as lâmpadas incandescentes são extremamente ineficientes, se comparadas às fluorescentes e às de LED. De acordo com o Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee), somente 8% da energia elétrica gasta é transformada em luz quando se acende uma lâmpada incandescente.

O restante da energia é transformado em calor. Para efeito de comparação, uma lâmpada fluorescente tem eficiência energética de 32% e a de LED, nada menos que 60%. Então, em tempos de economia de energia as incandescentes são um desperdício altíssimo e perfeitamente evitável.

durabilidade da lâmpada incandescente também deixa a desejar se comparada às fluorescentes e de LED. Sua vida útil é de, em média, mil horas. Já a fluorescente é oito vezes mais durável. A de LED cinqüenta vezes.

Mesmo assim a incandescente já chegou a durar muito mais do que hoje. Lá pelos anos 1920 iluminavam por mais de 2 500 horas. Acontece que a ganância dos empresários deu um jeito de derrubar tanta durabilidade criando a chamada“obsolescência programada”. Os fabricantes perceberam que se cada uma delas durasse menos os consumidores teriam que comprar mais. Assim, a produção e os lucros aumentariam substancialmente.

Enfim, a partir de julho as lâmpadas incandescentes passam a ser apenas peças de museu no Brasil.

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Mulher fica cara a cara com o homem com quem teve nos anos 70 e 80 uma intensa história de amor

Publicado no Tá Bonito

Entre os anos 70 e 80, Marina Abramovic viveu um intensa história de amor com Ulay. Quando sentiram que a relação já não tinha a chama de outros tempos, cada um seguiu o seu caminho. Mas em 2010, quando Marina já era artista consagrada, o Museu de Arte Moderna (MoMa) de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva à sua obra. Nessa retrospectiva, Marina partilhava um minuto de silêncio com cada estranho que se sentasse à sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse, e foi assim que aconteceu… smiley



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Relíquias da fé

Manuscritos do Mar Morto evidenciam a antiga busca da Humanidade pelo sentido da vida

Cópia do “Manuscrito de Isaías” em exposição no Museu de Israel em Jerusalém: mais antigos textos bíblicos conhecidos são relíquias da fé e testemunhos físicos da longa busca da Humanidade por um sentido para a vida (foto: REUTERS/Baz Ratner)
Cópia do “Manuscrito de Isaías” em exposição no Museu de Israel em Jerusalém: mais antigos textos bíblicos conhecidos são relíquias da fé e testemunhos físicos da longa busca da Humanidade por um sentido para a vida (foto: REUTERS/Baz Ratner)

Cesar Baima, em O Globo

RIO – Preservados durante séculos em um conjunto de cavernas naturais e artificiais na montanhosa região de Qumran, poucas dezenas de quilômetros a Leste de Jerusalém, os Manuscritos do Mar Morto incluem os mais antigos textos bíblicos já encontrados. Datados em sua maioria de entre o terceiro século antes de Cristo aos primeiros cem anos da Era Cristã, eles são relíquias da fé de uma seita judaica da época do nascimento de Jesus, conhecida como essênios, e testemunhos físicos da antiga busca da Humanidade por um sentido para a vida por meio da espiritualidade que encontra eco nos milhares de peregrinos que participam esta semana da Jornada Mundial da Juventude. Curador do Santuário do Livro, que abriga os manuscritos em posse do Museu de Israel, Adolfo Roitman vem ao Rio na próxima semana para seminário marcado para a manhã de sexta-feira na Associação Religiosa Israelita (ARI), em Botafogo. Para ele, as lições espirituais desta comunidade da antiguidade ainda são válidas para os dias atuais.

– Os manuscritos nos dão uma nova perspectiva sobre a espiritualidade dos judeus na época do Segundo Templo de Jerusalém (516 a.C. a 70 d.C.) – conta Roitman. – Foi uma época crucial para o desenvolvimento da civilização ocidental, pois naquele tempo Ocidente e Oriente se encontraram e foram lançadas as fundações sobre as quais ela foi construída: a cultura greco-romana, a judaica rabínica e a cristã. Os Manuscritos do Mar Morto vêm exatamente deste período.

A maior parte dos manuscritos é formada por documentos religiosos. Ao todo, são aproximadamente mil textos, com cerca de 90% escritos em hebraico, 8% em aramaico e 1% a 3% em grego. Por volta de 230 são classificados como “manuscritos bíblicos”, isto é, múltiplas cópias completas e parciais de quase todos os livros que fazem parte da atual Bíblia hebraica, com exceção do Livro de Ester. O restante abrange ainda uma variada gama de escritos religiosos, incluindo exegeses, hinos, orações, calendários rituais e textos apocalípticos, dos quais cerca de um quarto rotulados como “sectários”, representando as crenças e filosofia da comunidade essênia que ocupava a região na costa Noroeste do Mar Morto.

Segundo Roitman, se a reconstrução da História desta seita feita pelos estudiosos a partir dos textos estiver correta, a comunidade de Qumran foi fundada por clérigos, entre eles provavelmente alguns integrantes do alto clero de Jerusalém, que deixaram para trás uma vida de relativo luxo para a época ao se mudarem para as cercanias do Mar Morto.

– Então, como hoje, Jerusalém era o mais importante centro religioso de Israel e o único lugar onde estes antigos povos tinham acesso a uma educação religiosa de alto nível – conta Roitman. – Isso nos obriga a perguntar por que estes altos clérigos deixaram a grande cidade de Jerusalém e foram morar no meio do nada? Talvez porque estivessem em uma busca espiritual por respostas às questões prementes que tinham na época. E nós, pessoas destes tempos modernos, também enfrentamos questões parecidas e buscamos respostas para elas. São questões transcendentais que vão muito além da materialidade. Bilhões de pessoas na Terra de hoje também sentem que falta mais espiritualidade diante do atual estágio de desenvolvimento da sociedade moderna, com todos seus grandes avanços tecnológicos e materiais. Elas também procuram pelo sentido, pelo significado da vida. Não é o bastante poder viajar rapidamente para onde e quando quiser, não é suficiente ter um, dois ou três carros. E daí? Quantos carros uma pessoa precisa ter? Neste sentido, os Manuscritos do Mar Morto são muito relevantes para nós, mesmo depois de passados 2 mil anos de História.

De acordo com Roitman, as pesquisas arqueológicas em Qumran sugerem que a comunidade dos essênios locais levava uma vida muito simples e ascética. As construções não tinham as paredes pintadas e tampouco eram decoradas com os mosaicos comuns da época mesmo em Jerusalém, onde alguns bairros tinham um estilo de vida semelhante ao que se encontrava em Roma, Pompeia ou outras grandes cidades de época.

– Isso de novo nos dá uma ideia de que tipo de povo era este da comunidade de Qumran – diz. – Eram pessoas duras, talvez até extremistas de um ponto de vista da ideologia da época. Assim, não temos que concordar com tudo que escreveram, mas pelo menos temos que levá-los a sério.

Para Roitman, o uso de novas ferramentas na análise dos manuscritos, como uma tecnologia de imagens trazida pela Nasa que permitiu decifrar pela primeira vez partes antes invisíveis dos textos, e a chegada de uma nova geração de pesquisadores vão ajudar a refinar ainda mais a compreensão sobre esta comunidade em particular e o tempo em que ela vivia.

– Se no passado achávamos que tínhamos todas as respostas, hoje, como costuma acontecer com as pesquisas, uma vez que sabemos mais, menos certezas temos e mais perguntas aparecem – afirma. – Estamos mais sofisticados, novos métodos e tecnologias de análise dos manuscritos estão nos fornecendo novos fatos que nos fazem levantar novas questões sobre tópicos que pensávamos já terem sido resolvidos. Além disso, estudiosos de diferentes gerações também têm questões diferentes. Nesta atmosfera cultural e espiritual que vivemos, nestes tempos pós-modernos, vemos surgirem questionamentos que estudiosos do passado não tinham, perguntas que envolvem, por exemplo, questões de gênero, de política, de tensões sociais que no passado não existiam.

Roitman destaca ainda que nos últimos anos os estudiosos dos manuscritos vêm apresentando novas teorias para explicar o longo período que os textos abrangem e a razão pela qual estavam em cada uma das 11 cavernas espalhadas pela região de Qumran onde foram encontrados.

– Para os primeiros estudiosos, a reposta esta questão era que a comunidade de Qumran queria salvaguardar os textos, presumindo que eles estavam em perigo naquela época por causa da aproximação dos romanos do local, mas hoje, após décadas de pesquisa, temos outras teorias para a diversidade dos textos – conta. – Os manuscritos descobertos nas cavernas 1 e 4, por exemplo, hoje sabemos que são muito antigos, o que levantou questionamentos sobre por que são tão mais velhos que os outros. A resposta para isso é que eles foram levados para as cavernas muito antes da destruição da comunidade, que estimamos ter acontecido no verão de 68 d.C.. Assim, talvez a função destas cavernas fosse a de um tipo de genizah, um local onde manuscritos antigos muito gastos são armazenados, já que o judaísmo proíbe a destruição de livros sagrados. Assim, eles foram escondidos não dos romanos, mas porque estavam muito velhos e não podiam mais ser usados.

Outro exemplo citado por Roitman são os textos encontrados na caverna 7, cujo conteúdo é pouco comum quando comparado aos demais manuscritos, já que nela todos estão escritos em grego e por isso a proporção de textos nesta língua no total pode variar de 1% a 3%.

– A explicação do por que em uma caverna específica estão quase todos os textos em grego dos conjunto de manuscritos é que a pessoa que morava nesta caverna falava ou estudava grego, então eles também não foram escondidos dos romanos, mas deixados para trás por alguém que escrevia em grego ou tinha o grego como língua – comenta.

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Na Itália, igrejas dessacralizadas viram hotel, enoteca, centro esportivo e até oficina mecânica

Adriana Marmo, na VEJA Luxo [via Ricardo Setti]

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DEPÓSITO — A Igreja de São Pedro e São Paulo, construída em 1726 para os fiéis que viviam e trabalhavam na granja Montarolo, em Vercelli, a 85 quilômetros de Turim, foi dessacralizada nos anos 1970 e hoje funciona como depósito de uma propriedade particular

JÁ FUI SANTA

O fotógrafo Andrea Di Martino peregrina pela Itália em busca de igrejas dessacralizadas e ressuscitadas em forma de teatro, hotel, museu e até oficina mecânica

Em frente ao altar está uma mesa de pingue-pongue e, no lugar dos bancos dos fiéis, cadeiras de plástico típicas de bares de periferia. Os nichos antes ocupados por Nossa Senhora e Santa Luzia servem de apoio para troféus do Polisportiva Libertas, de Montescaglioso, uma cidade de 10.000 habitantes no sul da Itália.

A sede do time de futebol da terceira divisão fica no centro – na Igreja de Santa Luzia, construída na primeira metade do século XVII, que deixou de ser sagrada em 1971 para abrigar o clube. Ninguém contabiliza, mas como esta existe outra centena de locais de culto católico na Itália cuja função foi modificada.

Vendidas por preços na casa de 1 milhão de euros – dependendo do estado de conservação -, as igrejas se transformaram em lojas de decoração e hotéis. Outras ganharam destino desconcertante, caso da oficina mecânica da Lombardia.

Foram essas mudanças que inspiraram o fotógrafo Andrea Di Martino, de Milão, a peregrinar pela Itália nos últimos quatro anos. Batizada de The Mass Is Ended (A Missa Acabou), a série das igrejas dessacralizadas deve terminar no fim do primeiro semestre e virar um livro em 2014. “Moradores apaixonados por história me ajudaram a levantar o passado dos lugares”, diz.

Martino sabe que as imagens podem gerar conclusões sobre o declínio da fé católica. Ele está, no entanto, interessado na arquitetura. O mercado imobiliário, idem: com projetos interessantes, boa localização e um pé-direito bem alto, essas igrejas são ótimo negócio. O destino de um lugar, afinal, não dura para sempre. Nem mesmo o daqueles que nos preparam para a vida eterna.

OFICINA MECÂNICA

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Oficina A. Corti

O aroma de incenso que impregnou as paredes da Igreja de Nossa Senhora das Neves, em Portichetto di Luisago, na Lombardia, até 1959, quando deixou de ser sagrada, deu lugar ao cheiro de óleo do motor.

Em vez de orações, no local consertam-se carros desde 1966. Há quem diga que os funcionários fazem sempre o sinal da cruz antes de entrar no trabalho.

Oficina A. Corti: Via Risorgimento, 35, Portichetto di Luisago, 39 (31) 927-193

HOTEL

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Locanda di San Martino

Cravada bem no centro de Matera, a principal cidade da Basilicata, cenário de A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, a subterrânea ex-Igreja de São Martinho oferece uma experiência privilegiada das cavernas da cidade. Funcionando como hotel desde 2003, tem também um spa. O quarto da foto é o de número 8, chamado de La Chiesa.

Locanda di San Martino Hotel e Thermae: Via Fiorentini, 71, Matera, 39 (83) 525-6600, locandadisanmartino.it. Diárias de 90 a 200 euros, de acordo com a época do ano

MUSEU

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Museu Virtual da Faculdade de Medicina de Salerno

A Igreja de São Gregório foi construída por volta do ano 1000. Não se sabe a data exata da dessacralização, mas desde 1993 funciona ali a sede do Museu Virtual da Faculdade de Medicina de Salerno, no sul da Itália. Aberto aos turistas, conta a história da instituição.

Museu da Faculdade de Medicina. Via dei Mercanti, 74, Salerno, 39 (89) 257-6126. Horários: terça e quarta, 9h às 13h; quinta e sexta, 9h às 13h e 18h às 21h; sábado a partir das 10h; domingo, 18h às 21h. Ingresso: 3 euros

CENTRO ESPORTIVO

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Centro Esportivo Libertas

Situada na rua principal de Montescaglioso, a antiga Igreja de Santa Luzia é, desde 1971, a sede social do clube esportivo Polisportiva Libertas Montescaglioso, que inclui o time de futebol – atualmente no campeonato regional de Matera, quase futebol amador.

Centro Esportivo Libertas. Via Tortorella, 3, Montescaglioso, 39 (83) 533-0027

ENOTECA

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Enoteca Regional do Barbaresco

A Igreja de São Donato foi construída em 1833 pelos habitantes de Barbaresco, em forma de agradecimento às fartas colheitas de uvas que brotavam das colinas ao redor da cidade, cujo nome também batiza o vinhotinto produzido na região, dono do selo D.O.C.G. Curiosamente, abriga, desde 1986, a sede da Enoteca Regional do Barbaresco, que divulga o rótulo.

Enoteca Regional do Barbaresco. Piazza del Municipio, 7, Barbaresco, 39 (17) 363-5251

SHOWROOM DE DECORAÇÃO

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Visionnaire

Erguida no século XI, em Bolonha, a Igreja de São Cosme e Damião da Ponte de Ferro passou por uma reforma em 1580 e outra em 1776, mas foi fechada ao culto em 1830. Desde 2007 é o endereço do showroom de uma marca de decoração, a Visionnaire.

Visionnaire. Via Luigi Carlo Farini, 13, Bolonha, 39 (51) 656-9198

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Faroeste Caboclo com Santo Lula

Augusto Nunes, na Veja on-line

Enquanto avança a vertiginosa sequência de desenhos feitos a mão, uma voz parecida com a de Renato Russo, autor de Faroeste Caboclo, canta a letra reciclada para contar a história de Lula e descreve a trajetória do PT. A conjugação dos versos adaptados e da ilustração refinada resultou num dos melhores vídeos produzidos nos últimos anos.

Em pouco mais de 9 minutos, Faroeste Caboclo do Santo Lula revisita com didático sarcasmo fatos e personagens que animaram a cena política brasileira desde 1978. O cortejo inclui, por exemplo, a iniciação do líder sindicalista, o acasalamento de metalúrgicos à procura de ideias e comunistas de meia idade prontos para vendê-las, o parto do PT e a degeneração já na primeira infância, a decomposição moral do partido, a roubalheira do mensalão, a condenação dos quadrilheiros pelo STF, o uso da mentira como instrumento eleitoreiro, a metamorfose malandra do chefe supremo, as parcerias repulsivas que ampliaram a base alugada, o sonho do poder eterno, o menosprezo pelos valores democráticos, a instalação de um poste no gabinete presidencial ou o cinismo dos marqueteiros. E mais, muito mais.

O que se vê e ouve é a versão audiovisual de uma biografia não autorizada de Lula e do PT. Já tem vaga assegurada na galeria das peças mais populares do Museu da Era da Mediocridade.

dica do Etewaldo Junior

com essa profusão de adjetivos, augusto nunes já pode virar escritor de contos de fadas. :-)

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