O que você acha do som de Pe Lanza e cia? Saiba que a Restart conta com a ajuda de dois músicos escondidos nos bastidores dos shows da banda.
Um registro feito durante uma apresentação numa cidade do norte do Rio de Janeiro, na semana passada, mostra bem isso. De um lado do palco, fica um músico tocando baixo, do outro, um com a guitarra.
Os músicos secretos tocam durante todo o show, vestidos de preto, bem no fundo. E uma folha com a lista das músicas fica à frente deles.
Marcelo Camelo iniciou a carreira profissional na universidade, quando formou a banda Los Hermanos, que, em poucos anos, se tornaria um dos principais expoentes da música produzida no Rio nos anos 1990 e 2000.
Os Los Hermanos lançaram o primeiro disco em 1999, iniciando uma carreira curta, mas de muitos sucessos de público e crítica.
Em 2008, depois de anunciado um hiato na carreira da banda, Camelo lançou seu primeiro disco em carreira individual, intitulado ‘Sou’. No ano passado, viria ‘Toque dela’.
Entre shows eventuais dos Los Hermanos e uma bem-sucedida carreira solo, Camelo vem se destacando como um dos mais consistentes e criativos músicos de sua geração, detentor de uma sensibilidade que o coloca no patamar de outros grandes compositores da Música Popular Brasileira.
‘Janta’
No Latam Beats, Camelo interpreta “Janta”, canção de seu primeiro álbum.
Os oito episódios da série Latam Beats têm como objetivo mostrar a nova produção musical e a diversidade artística dos países latino-americanos a uma audiência estimada em 250 milhões de pessoas em todo o planeta.
Na semana que vem, o Latam Beats exibe o trabalho do argentino Diego Torres.
O Latam Bets foi produzido e realizado por Owain Rich, Chris West, Rhian John Hankinson, Ben Honeybone, Ant Miller, Derrick Evans, Peter Price, Steve Hillman, Tom Hannen, Tom Burchell, James Birtwistle, Rosario Gabino, Luiza Campanelli, Mauricio Moraes e Rodrigo Pinto. A série foi gravada nos estúdios da BBC em Londres (S6, Bush House, e Maida Vale Studio 3) e, ainda, no Lowswing Studio (Berlim) e no Estúdio YB (São Paulo).
Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos. No auge da carreira, o roqueiro se converteu e deixou a banda, famosa pela irreverência e letras recheadas de palavrões. Convertido à igreja Evangélica em 2001, Rodolfo passou a ser incompatível com o grupo, desinteressado demais com o estilo de vida rock’n roll para continuar cantando letras debochadas e recheadas de palavrões.
Desligado dos Raimundos, montou o projeto Rodox, que chegou ao fim em 2004. Completando 39 anos nesta terça-feira (20 de setembro), Rodolfo prefere se manter longe do grande público e da mídia, seguindo uma carreira solo orientada por temas cristãos e espirituais.Hoje em dia ministra cultos na igreja Bola de Neve.
O caso de Rodolfo não é o único na música; outros artistas também realizaram mudanças significativas em suas carreiras por conta de doutrinas religiosas. Alguns não foram tão radicais: por mais que fizessem parte de grupos de rock e heavy metal – considerados por muitos religiosos como satânicos -, sua fé não interferiu em seu trabalho musical.
Pegando carona no ‘bonde da religião’, o Virgula Música fez um Top 10 de artistas convertidos.
Alice Cooper
ficou conhecido pelas performances teatrais, com cenários de filme de terror, muito sangue, aparelhos de torturas, mortes simuladas e maquiagem obscura. O cantor se converteu ao Cristianismo, deixou o alcoolismo e as drogas de lado, mas não abandonou sua persona horripilante.
Nicko McBrain, baterista do Iron Maiden, converteu-se ao Cristianismo com sua esposa Rebecca em meados de 2000. Segundo relatos do próprio, sua esposa orava por ele há bastante tempo e ao entrarem os dois na igreja, Nicko teria chorado e ouvido um chamado divino.
Dave Mustaine foi um dos primeiros membros do Metallica e também o fundador do Megadeth. Sua fama de briguento e beberrão causou sua expulsão da primeira banda. Em 2002, depois de um acidente, converteu-se e afirmou que o Megadeth não tocaria mais com bandas satânicas.
Brian “Head” Welch, ex-guitarrista do Korn, largou o grupo em 2005 por conta da conversão ao Cristianismo. No final de 2008, lançou seu primeiro disco solo, Save Me From Myself. No álbum, o músico aborda questões particulares da sua vida, como a luta para deixar as drogas, os motivos que o levaram a sair da banda e seu encontro com Deus. Continue lendo →
Rua Augusta, 486. Às 3h de um sábado, dezenas de pessoas se aglomeram em frente ao Clube Outs, uma das muitas casas noturnas da região.
Para entrar, é preciso enfrentar seguranças engravatados e desembolsar R$ 20. Lá dentro, flanelados, tatuados e emos dançam hits da música pop dos anos 1980 e 90.
No dia seguinte, por volta das 18h, a casa continua a mil. Mas as portas estão abertas a qualquer um. Sob a luz de holofotes, uma banda anima um público jovem. Num telão, letras de músicas sobre louvor e compaixão. No bar, as garrafas de Smirnoff e Heineken permanecem intocadas.
O show termina, e Junior Souza, 37, surge. Veste uma camiseta preta estampada com o símbolo matemático que representa o “diferente”, tem o antebraço tatuado e brinco na orelha.
Dá alguns avisos, indica o lugar onde fica a caixinha de contribuições e anuncia pelo microfone: “Agora a gente vai fazer um intervalo e já continua o culto, beleza?”.
A pausa serve para que os fiéis da Capital Augusta possam trocar ideias. A Capital, como os habitués a ela se referem, é uma igreja protestante, fundada em 2009 pelo pastor Junior. O grupo inicial era formado por músicos, designers e gente que “já vivia a vida da Augusta”, segundo o pastor, que é professor de inglês e dá aulas na Faculdade Teológica Metodista Livre.
Quando o intervalo termina, Junior, de frente para um laptop, começa a ler um versículo da Bíblia. Carismático, ele às vezes quebra a leitura e traduz um trecho sagrado para uma fala informal.
A maioria dos presentes ainda não chegou aos 30 anos. São jovens antenados, que compartilham sua fé no Facebook e no Twitter. No site da igreja, são disponibilizados podcasts religiosos.
Dono de um corpo tatuado, o skatista e publicitário Bidu Oliveira, 20, diz que sofreu preconceito em outras igrejas e ali encontrou uma comunidade. “O foco aqui é Jesus”, justifica.
A Capital permite a ingestão de bebidas alcoólicas, desde que com moderação. Sexo, melhor dentro do casamento. “O projeto ideal é a castidade, mas, se não é essa a sua realidade, vamos seguir o caminho da reparação”, aponta o pastor. Gays são bem-vindos. “Na Augusta, é natural que eles frequentem. Nosso slogan é: ‘Proibido Pessoas Perfeitas’.”
Além do culto no Outs, há reuniões semanais nas casas dos integrantes. “Ali dividimos as alegrias e frustrações da vida em SP”, diz Junior, um paranaense de Assis Chateaubriand.
Antes de chegar à capital, ele era ligado, no interior, a uma igreja Vineyard, associação criada na Califórnia dos anos 1970. Não gosta de ser chamado de evangélico. “Tenho vergonha do que esse termo se tornou no Brasil”, confessa.
O aluguel do imóvel na Augusta é bancado por 12 pessoas da liderança da Capital. O dinheiro das doações, segundo o pastor, vai para missões religiosas e outras instituições. Valentim Van der Meer, promoter da boate, diz que aceitou alugar o espaço por simpatizar com a igreja. “É o mesmo público que frequenta o Outs na balada.”
Por volta das 21h, o culto termina ao som de Metallica. Por uma coincidência irônica que só uma rua tão augusta pode permitir, a poucos metros dali, no número 501, fica o Inferno Club. “É legal ter uma igreja na porta do inferno, mas, infelizmente, ele não está acessível. Eles cobram o dobro do aluguel daqui”, diz o pastor, rindo.