‘Deus não teme coisas novas’, diz papa Francisco

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Publicado no Estadão

O papa Francisco encerrou neste domingo, 19, a 3.ª Assembleia-Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que revelou as profundas divisões sobre como tratar homossexuais e pessoas divorciadas, dizendo que a Igreja não deve ter receio de mudanças e novos desafios. “Deus não teme coisas novas. É por isso que ele está continuamente nos surpreendendo, abrindo nossos corações e nos guiando em caminhos inesperados.”

Francisco, que já afirmou querer uma Igreja mais misericordiosa e menos rígida, fez a declaração em um sermão para cerca de 70 mil pessoas na Praça de São Pedro, na cerimônia de encerramento do encontro entre bispos que durou duas semanas.

As reuniões do Sínodo foram concluídas na noite de sábado, 18, com a divulgação do relatório final, que atenuou a versão preliminar que previa uma maior aceitação dos homossexuais pela Igreja, o que foi visto por parte dos progressistas como um retrocesso para o papa.

Depois da divulgação do esboço, os bispos conservadores prometeram alterar os termos sobre homossexuais, coabitação e novo casamento, argumentando que as diretrizes criariam confusão entre os fiéis e prejudicariam a família tradicional.

Beatificação. Na missa, Francisco beatificou o italiano Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, o papa Paulo VI (1897-1978), e destacou que o pontífice “guiou com sabedoria e visão de futuro – e talvez sozinho – o leme da barca de Pedro” em um momento em que surgia “uma sociedade secularizada e hostil”. “Ele jamais perdeu a alegria e a fé no Senhor”, disse Francisco, durante a homilia.

O papa recordou que Montini instituiu o Sínodo dos Bispos, a fim de, como ele próprio escreveu, “adaptar os métodos de apostolado às múltiplas necessidades do nosso tempo e às novas condições da sociedade”.

“Olhando para este grande papa, este cristão comprometido, este apóstolo incansável, diante de Deus, hoje, só posso dizer uma palavra tão simples quanto sincera e importante: Obrigado”, agradeceu o papa. Participaram da missa o papa emérito Bento XVI, que foi nomeado cardeal por Paulo VI, e outros dois cardeais eleitos por Montini: Paulo Evaristo Arns e William Wakeield Baum.

Papado. Paulo VI foi eleito em 1963 para suceder ao popular papa João XXIII. Durante o papado de 15 anos, foi o responsável por implementar as reformas do Concílio Vaticano II e conduzir a igreja ao longo da revolução sexual da década de 1960.

O Vaticano II abriu o caminho para a missa ser rezada em línguas locais, em vez de em latim, pediu uma maior participação dos laicos na vida da Igreja e revolucionou as relações com as pessoas de outras religiões. Ele é talvez mais conhecido, no entanto, pela encíclica Humanae Vitae, de 1968, que consagrou a oposição da Igreja a contraceptivos artificiais. Neste ano, o papa Francisco já havia canonizado os papas João Paulo II e João XXIII.

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Eu não tenho nojo de política

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Por Fabrício Cunha

Acabei de ler um pequeno texto do Júlio Zabatiero. Concordo quando ele diz que “não há neutralidade em política. Não há ausência de política no exercício do poder religioso. Não se confundam, não se enganem. As pregações pastorais são, sempre, políticas. São políticas pelo exercício de poder. Só quem não saiu do jardim de infância ainda pensa que política só tem a ver com partidos e eleições. Política tem a ver com o exercício do poder, em todas as relações, em todos os níveis da vida social. ”

Todo cidadão é um ser político e precisa ter consciência disso para o melhor exercício possível de sua cidadania.

Nosso desencanto com a política, nos afasta do intransferível exercício de nossa cidadania por meio da escolha de nossos governantes na eleições, o que é uma péssima opção.
Quem tem nojo de política, será governado por alguém que não tem, mesmo que esse alguém seja “nojento”, aprendi com o Frei Beto e com o Bispo Robinson Cavalcanti.

Mas não é somente por meio da militância político-partidária (a maior causa de afastamento do interesse dos cidadãos em política) que se exerce a política. Existem, pelo menos, três opções:

1. O exercício da cidadania via eleições – é para todos. Por isso é preciso envolver-se nas campanhas eleitorais, não necessariamente fazendo campanha para alguém, mas conhecendo o mais de perto possível o candidato que receberá o seu voto. Mais do que isso, acompanhar os mandatos de seus candidatos e avaliar seus projetos e o cumprimento do que foi prometido. Todos estamos inseridos nessa área;

2. A discussão de políticas públicas – O Estado não consegue cumprir todas as suas responsabilidades e precisa contar com outras instituições e com os cidadãos que o compõem. Mesmo que desencadeadas pelo Estado, tais discussões em vistas do bem comum, devem ser protagonizadas pelos cidadãos do Estado. Isso quer dizer que ninguém melhor do que você, para discutir melhorias na área da saúde, educação, saneamento, segurança, tendo como ponto de partida o posto de saúde de seu bairro, a escola da vizinhança, os índices de segurança de sua região, etc. Discutir políticas públicas é cooperar com o Estado na geração do bem coletivo visando a emancipação de todas as pessoas. Todos devemos nos envolver com essa área;

3. Política partidária – acredito que nossa peregrinação por essa terra só terá sentido se investirmos nossas vidas no exercício de nossas vocações. Acredito que existam pessoas vocacionadas para ocuparem cargos políticos visando a boa política. Nosso desalento se dá pelo fato de que não reconhecemos as vocações de muitos dos políticos eleitos, exatamente por não serem pessoas chamadas para tal. Muitos são oportunistas, manipuladores que reclamam para si prerrogativas que são de todos, populistas que advogam em favor de segmentos minoritários que dão base para seu mandato. Mas não podemos demonizar todo um ambiente pelo fato de muitos de seus ocupantes serem corruptos. Em todos os segmentos, existem pessoas boas e sérias, pessoas más e corruptas, pessoas que estão no lugar certo, exercendo suas vocações, pessoas aproveitando-se de um lugar, fazendo dele sua ocupação, para a realização de seus próprios interesses. Se você tem vocação para a política, responda ocupando o espaço que é teu. Se não é vocacionado, escolha alguém que seja, mas não se meta onde não foi chamado. Esse espaço é para pessoas que têm um chamado para a “vida pública”.

Portanto, todos somos chamados ao exercício da cidadania política, usando nosso principal instrumento democrático, o voto. Todos, também, devemos nos envolver com a discussão de políticas públicas, atentando para sua aplicação em nossos contextos imediatos e maiores em vistas da promoção da justiça e do bem comum. E apenas alguns são vocacionados para ocuparem os espaços públicos e reconhecemos isso quando: 1. o candidato tem projeto que gera mudanças estruturais que geram benefícios comuns, priorizando o pobre e todo tipo de excluído, visando a uma sociedade melhor e mais justa para todos; 2. o candidato tem história que autentica tais projetos com a chancela de um caráter irrepreensível ; 3. quando acompanhamos não só o processo de proposição mas também o cumprimento daquilo que se propôs.

Assim, ocupe seus lugares de direito com responsabilidade e engajamento e escolha os seus representantes políticos com sabedoria e critério, fazendo, assim, a política que poderá, de fato, mudar alguma coisa para melhor.

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Sete coisas que você não deve dizer a alguém com ansiedade

Publicado no Brasil Post

Se você já sofreu de ansiedade grave, provavelmente conhece muito bem o modo como ela pode controlar sua vida.

Os transtornos de ansiedade e pânico podem causar sensações intermináveis de medo e incerteza — e esse sofrimento muitas vezes provoca comentários que são mais prejudiciais que úteis. Segundo o psicólogo clínico Scott Bea, professor-assistente de medicina na Clínica Cleveland, embora geralmente venha de pessoas amadas, a incompreensão dos outros pode tornar incrivelmente desafiador superar uma crise de pânico.

“Por isso, muitas coisas que você poderia dizer acabam tendo um efeito paradoxal e agravam a ansiedade”, diz Bea a The Huffington Post. “A ansiedade pode ser como areia movediça — quanto mais você tenta resolver a situação imediatamente, mais você afunda. Dizer às pessoas coisas como ‘fique calmo’ pode realmente aumentar sua sensação de pânico.”

Apesar de tudo, existem maneiras de ainda dar apoio sem causar mais perturbação. Aqui estão sete comentários que você deve evitar fazer para alguém que sofre de transtorno de ansiedade — e como você pode realmente ajudar essa pessoa.

1. “Não dê importância a essa bobagem.”

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A verdade é que o que você considera bobagem pode não ser tão insignificante no mundo de outra pessoa. Embora você tente projetar uma luz positiva sobre uma situação tensa, pode querer reduzir algo que é muito maior para outra pessoa.

“Você precisa entrar no sistema de crença da pessoa”, aconselha Bea. “Para [alguém com ansiedade], tudo é importante.” Para ajudar, tente aproximar-se dela com uma perspectiva de incentivo, em vez de implicar que ela “surtou” por causa de algo sem importância. Lembrar à pessoa que ela já superou esse pânico antes pode ajudar a confirmar que sua dor é real e ajudá-la a empurrar para longe os sentimentos arrasadores, diz Bea.

2. “Acalme-se.”

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O problema debilitante dos transtornos de ansiedade e pânico é que você simplesmente não consegue se acalmar. Encontrar a capacidade de relaxar — especialmente por ordem de alguém — não é fácil para a maioria das pessoas, e certamente pode ser mais difícil para alguém que sofre de ansiedade.

Em um blog em “Psychology Today”, o psicólogo Sean Smith escreveu uma carta aberta para uma pessoa amada do ponto de vista de alguém com ansiedade, afirmando que, mesmo que haja boas intenções, dizer para a pessoa se acalmar provavelmente terá o efeito contrário:

“Vamos reconhecer o óbvio: se eu pudesse conter minha ansiedade, já o teria feito. Isso pode ser difícil de entender, já que provavelmente parece que eu escolhi [entrar em pânico, me coçar, acumular coisas, andar de um lado para outro, me esconder, ruminar, verificar, limpar, etc.]. Não. No meu mundo, fazer essas coisas é apenas ligeiramente menos doloroso do que não as fazer. É difícil explicar, mas a ansiedade coloca uma pessoa nessa posição.”

Segundo Keith Humphreys, professor de psiquiatria na Universidade Stanford, suas palavras não precisam ser seu método mais poderoso — oferecer para fazer algo com a pessoa talvez seja a melhor maneira de ajudar a aliviar seus sintomas. Humphreys diz que atividades como meditação, dar um passeio ou fazer exercícios são maneiras positivas de ajudar.

3. “Apenas faça isso.”
Quando alguém com ansiedade enfrenta seus medos, um pouco de “amor duro” pode não ter o efeito que você espera. Dependendo do tipo de fobia ou transtorno que a pessoa enfrenta, o pânico pode atacar a qualquer momento– ao embarcar em um avião, falar a um grupo de pessoas –, ou mesmo surgir do nada. “Obviamente, se elas pudessem superar isto o fariam, porque seria mais agradável”, diz Humphreys. “Ninguém escolhe ter ansiedade. Usar [estas frases] as faz sentir-se na defensiva e sem apoio.”

Em vez de dizer a alguém para “aguentar”, praticar empatia é o segredo. Humphreys aconselha a trocar a linguagem incentivadora de time esportivo por frases como “É horrível sentir isso” ou “Que pena que você se sinta assim”.

“O paradoxo é que [uma frase empática] ajuda a acalmá-las porque elas não sentem que têm de lutar por sua ansiedade”, diz Humphreys. “Demonstra certa compreensão.”

4. “Tudo vai dar certo.”
Embora seja de modo geral um apoio, Bea diz que as pessoas com ansiedade não vão reagir de fato a palavras reconfortantes da maneira que você gostaria. “Infelizmente, dizer a alguém [que está enfrentando ansiedade] que tudo vai dar certo não ajudará muito, porque a pessoa não vai acreditar”, ele explica. “A tranquilização às vezes pode ser um método ruim. Ela as faz sentir-se melhor durante 20 segundos e depois a dúvida pode retornar.”

Bea sugere que se continue encorajando, sem usar declarações vagas que podem não ter valor naquela situação. Às vezes, diz ele, até permitir que a pessoa abrace sua preocupação — em vez de tentar afastá-la — pode ser a única maneira de ajudar. “Ela sempre pode aceitar a condição”, disse Bea. “Encorajá-la dizendo que é bom sentir o que ela está sentindo — também pode ser um bom remédio.”

5. “Também estou estressado.”

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Semelhante a “Acalme-se” e “Não dê importância a essa bobagem”. Você pode estar acidentalmente banalizando a luta de alguém ao criar uma comparação. No entanto, se você estiver estressado ou sofrendo de um transtorno leve de ansiedade ou pânico, Humphreys adverte que a camaradagem depois de certo ponto pode ser perigosa. “É importante não ficar obcecados um pelo outro”, aconselha. “Se você tem duas pessoas ansiosas, elas podem se alimentar mutuamente. Se as pessoas têm dificuldade para controlar sua própria ansiedade, tente não se envolver nessa atividade mesmo que você pense que pode ajudar.”

Pesquisas demonstraram que o estresse é uma emoção contagiosa, e um estudo recente da Universidade da Califórnia em São Francisco descobriu que até os bebês podem captar esses sentimentos negativos de suas mães. Para promover pensamentos mais saudáveis, Humphreys aconselha que se tente reorientar a narrativa, em vez de lamentar-se juntos.

6. “Tome uma bebida — vai distrair sua mente.” 

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Esse coquetel pode diminuir a tensão, mas quando lidar com transtornos de ansiedade existe um problema maior para se preocupar, diz Humphreys. Médicos e tratamentos prescritos são mais adequados quando se trata de lidar com os problemas que causam o pânico. “A maioria das pessoas supõe que se alguém tomar alguns drinques sua ansiedade desaparecerá”, disse ele. “Em curto prazo, sim, talvez desapareça, mas em longo prazo pode ser um caminho para a dependência. É perigoso em longo prazo porque essas substâncias podem reforçar a ansiedade.”

7. “Eu fiz alguma coisa errada?”
Pode ser difícil quando uma pessoa amada está constantemente sofrendo e às vezes pode até parecer que seus atos de alguma forma estão provocando isso. Humphreys diz que é importante lembrar que os transtornos de pânico e ansiedade derivam de algo maior do que apenas uma instância particular. “Aceite que você não pode controlar as emoções da outra pessoa”, ele explica. “Se você tentar isso, se sentirá frustrado, a pessoa que você ama e que está sofrendo pode se sentir rejeitada e vocês dois se ressentirão. É importante não levar a ansiedade do outro para o plano pessoal.”

Humphreys diz que também é crucial deixar a pessoa amada saber que há uma maneira de superar qualquer transtorno de ansiedade ou pânico — e que você está lá para ajudar. “Há maneiras de ser mais feliz e mais funcional”, diz ele. “Existe com certeza uma razão para ter esperança.”

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23 sinais de que você é uma pessoa introvertida

Você acha conversas sobre assuntos fúteis incrivelmente cansativas? (foto:  Thinkstock)
Você acha conversas sobre assuntos fúteis incrivelmente cansativas? (foto: Thinkstock)

Carolyn Gregoire, no The Huffington Post [via Brasil Post]

Você acha que consegue identificar um introvertido no meio de uma multidão? Pense de novo. Embora o introvertido estereotípico possa ser aquela pessoa na festa que está sozinha ao lado da mesa de comidas, mexendo com um iPhone, o “arroz de festa” pode igualmente bem ter personalidade introvertida.

“Identificar um introvertido pode ser mais difícil que encontrar Wally”, diz ao Huffington Post Sophia Dembling, autora de “The Introvert’s Way: Living a Quiet Life in a Noisy World”. “Muitos introvertidos podem passar por extrovertidos.”

Com frequência, as pessoas não têm consciência de serem introvertidas –especialmente se não forem tímidas–, porque podem não se dar conta que ser introvertido não se resume a buscar tempo para ficar a sós. Em vez disso, pode ser mais revelador verificar se a pessoa perde ou ganha energia quando está com outras, mesmo que a companhia de amigos lhe dê prazer.

“A introversão é um temperamento básico. Logo, o aspecto social, e é nisso que as pessoas reparam, é apenas uma parte pequena de ser uma pessoa introvertida”, explicou o psicoterapeuta Dr. Marti Olsen Laney, autor de “The Introvert Advantage”, falando numa discussão da Mensa. “Ele afeta tudo na vida da pessoa.”

Não obstante a discussão crescente sobre a introversão, esta ainda é uma característica de personalidade frequentemente incompreendida. Ainda em 2010, a Associação Psiquiátrica Americana cogitou em classificar “personalidade introvertida” como transtorno, incluindo-a no “Diagnostic and Statistical Manual” (DSM-5), manual usado para diagnosticar doenças mentais.

Mas cada vez mais introvertidos andam se manifestando sobre o significado real de ser uma pessoa do tipo “quieto”. Você não sabe ao certo se introvertido ou extrovertido? Veja se algum destes 23 sinais reveladores da introversão se aplica a você.

1. Você acha conversas sobre assuntos fúteis incrivelmente cansativas.

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Os introvertidos são notórios por serem avessos às conversas superficiais; para eles, esse tipo de tagarelice é fonte de ansiedade ou no mínimo de irritação. Para muitos tipos quietos, jogar conversa fora pode parecer falta de sinceridade. “Vamos esclarecer uma coisa: nós, introvertidos, não detestamos conversas superficiais porque somos avessos às pessoas”, escreve Laurie Helgoe em “Introvert Power: Why Your Inner Life Is Your Hidden Strength”. “As odiamos porque odiamos a barreira que elas criam entre as pessoas.”

2. Você vai a festas – mas não para conhecer pessoas.
Se você é introvertido, é possível que às vezes curta uma festa, mas o mais provável é que vá não por estar interessado em conhecer gente nova. Numa festa, o introvertido geralmente prefere passar tempo com pessoas que já conhece e com quem se sente à vontade. Se você por acaso conhecer uma pessoa nova com quem sinta empatia, ótimo, mas conhecer pessoas novas raramente será seu objetivo.

3. Você muitas vezes se sente sozinho numa multidão.

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Você já se sentiu um estranho no ninho no meio de reuniões sociais e atividades de grupo, mesmo com pessoas que já conhece? “Se você tende a sentir-se sozinho numa multidão, é possível que seja introvertido”, diz Dembling. “Geralmente deixamos que os amigos ou as atividades nos escolham, em vez de nós mesmos os convidarmos.”

4. Fazer networking faz você sentir-se falso.
Fazer networking (leia-se: jogar conversa fora com o objetivo último de promover-se profissionalmente) pode parecer altamente insincero para o introvertido, que anseia pela autenticidade em suas interações. “O networking é estressante se o fazemos de modos estressantes para nós”, diz Dembling, aconselhando os introvertidos a fazê-lo em grupinhos pequenos e íntimos, não em reuniões ou espaços maiores.

5. Já o descreveram como “intenso demais”.

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Você gosta de discussões filosóficas e aprecia livros e filmes que induzem à reflexão? Se sim, é introvertido de carteirinha. “Os introvertidos gostam de mergulhar fundo”, diz Dembling.

6. Você se distrai com facilidade.
Os extrovertidos tendem a entediar-se muito facilmente quando não têm o suficiente para fazer. Os introvertidos têm o problema oposto: em ambientes com estímulos demais, sua atenção se desvia facilmente e eles se sentem “esmagados” pelo excesso…

“Os extrovertidos geralmente se entediam mais facilmente que os introvertidos quando realizam tarefas monótonas, provavelmente porque necessitam e se sentem bem com níveis altos de estímulo”, escreveram pesquisadores da Universidade Clark em artigo publicado no “Journal of Personality and Social Psychology”. “Já os introvertidos se distraem mais facilmente que os extrovertidos e, por essa razão, preferem ambientes relativamente pouco estimulantes.”

7. Você não sente que é improdutivo passar tempo sem fazer nada.

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Uma das características mais fundamentais dos introvertidos é que precisam de tempo a sós para recarregar suas baterias. Enquanto um extrovertido pode ficar entediado e irritado se passar o dia sozinho em casa com uma xícara de chá e uma pilha de revistas, esse tipo de tempo a sós e tranquilo é necessário e satisfatório para o introvertido.

8. Fazer uma palestra para uma plateia de 500 pessoas é menos estressante que ter que jogar conversa fora com essas pessoas, depois.
Os introvertidos podem ser excelentes líderes e oradores públicos. E, embora sejam vistos de modo estereotipado como sendo tímidos, eles não necessariamente evitam os holofotes. Artistas como Lady Gaga, Christina Aguilera e Emma Watson se identificam como introvertidas, e estimados 40% dos CEOs tem personalidade introvertida. Em vez disso, um introvertido pode ter dificuldade maior em conhecer e cumprimentar grandes grupos de pessoas individualmente.

9. Quando você embarca no metrô, senta-se numa ponta do banco, não no meio.

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Sempre que possível, o introvertido tende a evitar ser cercado por pessoas de todos os lados. “Geralmente nos sentamos em lugares de onde poderemos sair facilmente, na hora que quisermos”, diz Dembling. “Quando vou ao teatro, procuro o assento do corredor ou a última fileira.”

10. Depois de passar tempo demais ativo, você começa a “desligar”.
Depois de estar fora de casa por tempo demais, você se cansa e deixa de responder aos estímulos? É provável que esteja tentando conservar sua energia. Tudo o que o introvertido faz no mundo externo o leva a gastar energia. Depois de sair, ele precisa voltar para dentro e reabastecer seu estoque de energia num ambiente tranquilo, diz Dembling. Na ausência de um lugar quieto para onde ir, muitos introvertidos simplesmente se desligam do mundo externo. (mais…)

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Copa no Brasil deixará ônus, e não legado, diz relatora da ONU

Para a urbanista Raquel Rolnik, o legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar para o País não será significativo

Publicado no UOL

Relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada acredita que Copa não deixará legado significativo Foto: Marc Ferré/UN Photo / Divulgação
Relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada acredita que Copa não deixará legado significativo Foto: Marc Ferré/UN Photo / Divulgação

Tidos pelo poder público como uma vitrine para o País e uma oportunidade de investimentos, os grandes eventos que serão realizados no Brasil acabaram servindo de estopim para uma série de reivindicações, que eclodiram nas agora conhecidas como jornadas de junho. Essas reivindicações seguem se desdobrando, causando dor de cabeça aos governantes e perplexidade aos estudiosos. No centro da questão, por sediar a final da Copa do Mundo e as Olimpíadas e fazer parte do imaginário estrangeiro do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro e os seus 6 milhões de habitantes servem de laboratório, e se veem entre as promessas de uma cidade melhor e a realidade caótica de má qualidade dos serviços públicos e obras aquém do anunciado.

Para a urbanista Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo e relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia Adequada, que acompanha de perto o processo desde 2009, a principal discussão que se coloca é o direito à cidade e a necessidade de se investir em uma cidade realmente para todos. “Não é comprar casa, comprar moto. Tem uma dimensão publica essencial que é a urbanidade e que precisa ser resolvida”, afirma.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Terra: A cinco meses da Copa, que tipo de legado o evento deixa para a cidade do Rio de Janeiro?
Raquel Rolnik:
O legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar não é significativo. Alguns projetos viários e de infraestrutura relacionados com os deslocamentos necessários para o evento, como BRTs, novas vias de ligação com os estádios e entre aeroportos e zonas hoteleiras e estádios, estão sendo feitos, mas essas não eram as prioridades de mobilidade. Não há outros legados do ponto de vista urbanístico que possam ser mencionados. Ações esperadas, como a despoluição da Baía de Guanabara e a melhoria das condições de saneamento gerais da cidade, não foram realizadas. Por outro lado, para a implantação desses projetos de infraestrutura foi necessário remover comunidades e assentamentos que se encontravam naqueles locais há décadas sem que uma alternativa adequada de moradia tenha sido oferecida. Para as pessoas diretamente atingidas, ao invés de um legado, a Copa deixa um ônus.

Terra: Essas remoções foram feitas de forma irregular?
Raquel:
Os procedimentos adotados durantes as remoções não correspondem ao marco internacional dos direitos humanos, que inclui o direito a moradia adequada, nem respeitam a forma como elas devem ocorrer. O direito a informação, a transparência e a participação direta dos atingidos na definição das alternativas e de intervenção sobre as suas comunidades não foi obedecido. As pessoas receberam compensações insuficientes para garantir seu direito à moradia adequada em outro local e, em grande parte dos casos, não houve reassentamento onde as condições pudessem ser iguais ou melhores daquelas em que se encontravam. Nos casos em que aconteceu algum tipo de reassentamento para o Minha Casa Minha Vida, esse se deu em áreas muito distantes dos locais originais de moradia, prejudicando os moradores no acesso aos locais de trabalho, meio de sobrevivência e a rede socioeconômica que sustenta na cidade.

Famílias da Vila do Metrô, ao lado da comunidade da Mangueira, tiveram casas derrubadas a fim de reordenar o espaço e criar um polo automotivo no local Foto: Daniel Ramalho / Terra
Famílias da Vila do Metrô, ao lado da comunidade da Mangueira, tiveram casas derrubadas a fim de reordenar o espaço e criar um polo automotivo no local Foto: Daniel Ramalho / Terra

Terra: Isso tem alguma relação com a Copa ser realizada em um país em desenvolvimento. Em outras nações que receberam o campeonato esse processo se deu de uma forma diferente?
Raquel:
Aquilo que se incide de uma forma diferenciada sobre o Brasil e que podemos estender para outros casos, como a Índia na organização dos Commonwealth Games, e também da África do Sul na Copa do Mundo, é a existência de assentamentos informais de baixa renda consolidados. Essas comunidades são as mais vulneráveis as violações aos direitos de moradia, o que não quer dizer que em outros países isso tenha sido respeitado.

Terra: Desde junho, milhares de pessoas saíram às ruas em protesto tanto contra a qualidade e o preço do transporte quanto contra os gastos com os megaeventos. O grito “não vai ter Copa” se tornou uma bandeira comum a diversos grupos. O que essas manifestações expressam e o que podemos esperar para 2014?
Raquel:
Me parece que a sociedade brasileira tem demonstrado o seu descontentamento em relação ao modelo de crescimento econômico e de inclusão social que estamos vivendo. Esse modelo, baseado na ampliação do acesso ao consumo, não enfrentou e não resolveu a questão da cidade para todos. Ou seja, não se criou um modelo de desenvolvimento urbano que rompa com a ideia de uma cidade excludente, para poucos. As manifestações tem um conteúdo bastante claro de reivindicação de direitos, especialmente do direito à cidade, expresso através do direito ao espaço publico e ao serviço publico de qualidade, entre outras questões.

Terra: Você comentou que as obras de transporte que estão sendo realizadas não seriam as mais necessárias. O que seria uma prioridade para o Rio?
Raquel:
Toda a relação com a população da Baixada Fluminense é absolutamente prioritária, assim como o eixo Niterói-São Gonçalo, que são os locais que enfrentam os maiores gargalos de mobilidade e que beneficiariam o maior número de habitantes.

Terra: O Rio sofre com o crescimento da especulação imobiliária, que se reflete nos preço dos imóveis e na alta do custo de vida. Qual o efeito disso a longo prazo na cidade?
Raquel:
Talvez o Rio seja o local onde isto esteja acontecendo com maior intensidade, mas a especulação também afeta outras cidades. O efeito é a expulsão dos setores de menor renda das áreas mais urbanizadas, com acesso a serviços, oportunidades etc. Há um descolamento em direção a periferias desqualificadas, sem urbanidade, com impactos enormes sobre a mobilidade e as condições de vida da população. Além de gerar, e isso já está claro em São Paulo e no Rio, um aumento na quantidade de pessoas morando na rua e sem teto. Não há um censo, mas nós já observamos que há um número cada vez maior de pessoas que não tem condições de morar em local algum. Esses números são alarmantes. É a população que hoje está ou vivendo nas ruas ou nas ruas promovendo ocupações e protestos.

Terra: Quais os principais desafios do Rio?
Raquel:
O Rio, assim como outras metrópoles do Brasil, é uma cidade partida. O maior desafio é a inclusão territorial, fazer uma cidade que seja realmente para todos. Não é comprar casa, comprar moto. Tem uma dimensão pública essencial que é a urbanidade e que precisa ser resolvida. Tenho acompanhado o tema dos megaeventos desde que apresentei um relatório temático ao conselho de direitos humanos da ONU em 2009 fazendo uma espécie de overview da questão no mundo com foco na moradia. A partir daí o conselho votou uma resolução definindo claramente que a preparação dos megaeventos deveria levar em consideração e respeitar o direito a moradia para todos. Acredito que os procedimentos ao longo desses anos, devido a própria organização das populações atingidas, aos comitês em torno da Copa, à sensibilidade dos meios de comunicação para reportar esse tema, estão melhorando. Nos primeiros casos que vi no Rio de Janeiro, o trator já ia derrubando as casas com as coisas das pessoas dentro. Houve aumento no valor dos benefícios, acabou de sair uma portaria do governo federal em relação a essa questão, mas isso ainda é insuficiente em relação aos desafios que temos nesse campo.

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