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Após sofrer maus-tratos e perder pata, vira-latas conquista jovens na zona norte

O cachorro mora na rua, em frente ao prédio onde vive a dupla, e se alimenta graças à ajuda “de todo mundo que dá uma coisinha”.

Cachorro Snoopy, de 3 patas, segue Felipe Alves Nunes,14 e Evandro Pereira dos Santos,12, até o colégio em SP. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Cachorro Snoopy, de 3 patas, segue Felipe Alves Nunes,14 e Evandro Pereira dos Santos,12, até o colégio em SP. Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

Publicado originalmente na Folha de S. Paulo

Caso alguém decida fazer uma visita à escola municipal Romão Gomes, no Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo, no período da tarde, vai ser recebido, em primeiro lugar, por um cão vira-latas de três patas batizado pelas crianças de Snoopy.

Todos os dias, com faltas eventuais apenas por questões amorosas, o cachorro aguarda os garotos Felipe Alves Nunes, 14, e Evandro Pereira Santos, 13, saírem do compromisso escolar para acompanhá-los de volta para casa, em um conjunto residencial Cingapura, pouco menos de um quilômetro dali.

O cachorro mora na rua, em frente ao prédio onde vive a dupla, e se alimenta graças à ajuda “de todo mundo que dá uma coisinha”.

Felipe acredita que o chamego do cão com ele e com o amigo Evandro veio após eles terem dado “duas salsichas saborosas” ao bicho.

“Ele é meu melhor amigo. Reconheço o esforço que faz, todos os dias, andando 850 metros só para ficar me esperando. Retribuo brincando, jogando bola e fazendo carinho nele”, diz Felipe.

Alunos fazem desenhos em escola municipal onde contam a história do vira-lata Snoppy que sofreu maus-tratos

Alunos fazem desenhos em escola municipal onde contam a história do vira-lata Snoppy que sofreu maus-tratos

HISTÓRIA DE AMOR

A história de amor entre Snoopy e os meninos começou há dois anos, antes de o cão ter sofrido a amputação devido a maus-tratos.

“O cachorro desapareceu por um tempo e todos na escola acharam estranho. Só ficamos sabendo de tudo o que tinha acontecido quando ele retornou à rotina, já sem a patinha da frente”, afirma a diretora, Tânia Carmona.

Quando sumiu, Snoopy só foi encontrado após uma busca que envolveu estudantes e moradores do bairro. “Encontramos ele muito machucado. Ele me viu e parecia que pedia para eu ir embora porque queria morrer sozinho. Foi muito triste”, lembra Felipe, estudante da oitava série.

VAQUINHA

Moradores e alunos fizeram uma vaquinha e conseguiram arrecadar o valor de R$ 2.000 para os cuidados veterinários emergenciais para o cachorro.

Em poucas semanas, o vira-lata sorridente -meio branco, meio caramelo- estava recuperado, mas tendo de conviver com uma deficiência: andar sem a pata esquerda dianteira.

“Para mim, ele ter só três patas não faz diferença nenhuma. Só no começo, que ele andava um pouco mais devagar, mas, agora, é quase normal. O meu amor por ele é igual”, conta Evandro.

Apesar de os alunos conhecerem o cachorro “da portaria”, poucos sabiam de sua saga, que só ficou popular após a publicação dos detalhes em um blog do colégio.

“A história do Snoopy é próxima da vida da gente, não é conto de fadas. Todo o mundo se emociona com a vontade dele de continuar vindo com os meninos”, conta Giovanna Lemos, 12.

Snoopy também virou tema de exposição de cartazes feitos na escola. Os alunos descreveram em desenhos seus sentimentos pelo bicho.

UNIÃO

“O cachorro ultrapassou a função dos nossos projetos pedagógicos e mexeu com o emocional das crianças, que vivem uma realidade muito dura no bairro, muitas vezes de pobreza, de violência”, declara Ana Paula Faria, professora de informática educativa do colégio.

O cachorro só sai da portaria durante o período de aula em três situações: quando vê um dos garotos na quadra de esporte e começa a latir em desespero, quando consegue driblar os funcionários para ficar babando na janela da sala de aula dos meninos e para acompanhar a dupla de volta para casa.

Para a assistente de diretoria Marisa Testone, os detalhes da história do cachorro “despertaram um sentimento de união entre os alunos”.

Há vinte anos, a World Wide Web se tornava pública

Essa decisão transformou a internet, tornando-a um lugar onde todos nós podemos compartilhar de tudo livremente.

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Por Jamie Condliffe, no Gizmodo

Em 30 de abril de 1993, aconteceu algo que mudou o mundo digital para sempre: o CERN publicou uma declaração que disponibilizou a tecnologia por trás da World Wide Web para qualquer pessoa, sem pagamento de royalties.

Essa decisão – impulsionada por Sir Tim Berners-Lee – transformou a internet, tornando-a um lugar onde todos nós podemos compartilhar de tudo livremente: de atualizações em mídias sociais, a streaming de músicas, a vídeos de gatos no YouTube. Isto basicamente moldou a forma como nos comunicamos hoje.

No Brasil, muitos só tiveram acesso à web pública mais tarde. Em 1995, a internet se tornou de acesso público (antes era restrita a universidades e órgãos do governo); mas só no ano seguinte houve uma grande expansão no número de usuários, após a criação de diversos provedores e grandes portais da web, como BOL, UOL e ZAZ.

Para celebrar a ocasião especial de 20 anos atrás, o CERN – o mesmo grupo de pesquisa por trás das experiências no Grande Colisor de Hádrons – republicou seu primeiro site na URL original,info.cern.ch. Não há muito a se ver nele, mas faz lembrar o quanto a web mudou nos últimos vinte anos.

Na verdade, a republicação do site faz parte de um projeto mais amplo, para escavar e preservar diversas preciosidades digitais que se mantêm desde o início da web. Conheça mais sobre o projeto no link a seguir: [CERN]

Wagner Moura: um ator sem freio de mão

Sou da opinião de que o artista deve se abrir para a troca, principalmente em artes coletivas, caso do cinema e do teatro

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Adriana Abujamra, no Valor Econômico

O ator Wagner Moura já combateu o crime na pele do Capitão Nascimento e enfrentou o fantasma do pai em “Hamlet”, mas acaba de ser nocauteado por uma gripe. Das brabas. É com os olhos lacrimejando que abre a porta do quarto do hotel onde está hospedado em São Paulo. Abaixa o volume da televisão e aumenta o da voz, um tanto rouca. “Melhor colocar uma camisa de botão”, diz, ao ver a fotógrafa, numa mistura sutil de sotaques baiano e carioca.

Moura está na cidade por causa de “A Busca”, filme de Luciano Moura, em que vive Theo, médico que cai na estrada em busca do filho adolescente que sumiu. Só neste ano, o ator, que aos 36 anos é um dos mais cobiçados do cinema nacional, poderá ser visto em mais três longas: “Praia do Futuro”, de Karim Aïnouz; “Serra Pelada”, de Heitor Dhalia; e “Elysium”, do sul-africano Neill Blomkamp. Bastante, não? Pois tem mais. Moura se prepara para protagonizar “Fellini Black and White”, de Henry Bromell, que será rodado nos Estados Unidos.

A porta que separa o dormitório da sala se abre e o ator volta com uma camisa marrom, quase do mesmo tom da cortina. O figurino bem mais formal que a camiseta do início é simpaticamente quebrado pelo detalhe dos pés, que dispensam os sapatos e descansam em meias. Já sentados à mesa, ele conta, entre acessos de tosse, que foi um adolescente “esquisito”. Seu apelido na escola era Ovni, andava sozinho e não se sentia parte da turma. Esse “cara meio estranho” já sabia que queria fazer teatro, mas vivia imerso em dúvidas, não sabia quem era, tampouco para onde ia.

Certo dia foi assistir a uma apresentação de “Zumbi dos Palmares” – encenada pelo Bando de Teatro Olodum – e seus olhos grudaram em um “um menino no palco, que ficava dançando lá no fundo”. “Ele tinha um axé, uma luz. Pirei nele.” Ao fim do espetáculo, Moura fez questão de ir até o camarim cumprimentar aquele talento. “Falei assim: ‘Ei, cara, quero ser seu amigo’.” O tal “cara” era o ator Lázaro Ramos.

Amizade selada, os conterrâneos passaram a se falar com frequência. Era comum Ramos consultá-lo antes de aceitar novos convites de trabalho. Moura tem apenas dois anos a mais que o amigo, o suficiente para botar pancas de irmão mais velho. “Lázaro brinca que sou de outra geração”, diz, com uma sonora risada que só não é mais comprida porque engolida pela tosse. Insistente. Como acalmar a danada? Levanta-se, vai até o frigobar e pega uma garrafa de água. Aproveitamos para pedir um “brunch” por telefone: pães, frutas, frios, suco de laranja, bolo e um item que não faz parte do pacote: chá de gengibre com mel e limão para ajudá-lo a enfrentar a gripe e dar conta da agenda lotada.

Enquanto gira a tampinha da garrafa de água, relembra os papéis inusitados que encarou no início de carreira. Já interpretou um “coração” – aparecia em cena metido numa roupa de espuma bem grande e fofa. Numa outra ocasião coube a ele o desafio de interpretar uma “brisa”. Compenetrado, Moura surgia no fundo da plateia, descia correndo a escadaria, enquanto chacoalhava fitas coloridas que trazia nas mãos. Seus fiéis amigos – Lázaro Ramos e Vladimir Brichta – batiam ponto na plateia e se acabavam de tanto rir. “Fui altamente sacaneado por Lázaro e Vlad. Eles iam assistir só pra isso.”

Moura em “Tropa de Elite”: treinamento no Bope não foi brincadeira

Moura em “Tropa de Elite”: treinamento no Bope não foi brincadeira

Sua estreia no cinema foi em “Sabor da Paixão”, coprodução Estados Unidos/Brasil estrelada por Penélope Cruz e Murilo Benício. Ramos atuou ao seu lado. Fizeram o teste juntos e em inglês, língua do longa e idioma do qual Ramos sabia lhufas. Nada que uma aula expressa – ali mesmo nos bastidores e ministrada por Moura – não desse conta. Uma semana depois, Ramos ligou. “Nós passamos no teste”, comunicou em pânico. “Que ótimo”, comemorou Moura. “Ótimo? Ótimo??? Eles mandaram o roteiro e tem fala pra cacete. Tudo em inglês”, desesperou-se o outro.

Ensaiaram exaustivamente até ter o texto na ponta da língua e foram se encontrar com Fina Torres, diretora do filme. Antes que eles pudessem mostrar como estavam afiados na língua do Tio Sam, Fina encasquetou que modificaria os diálogos. Como assim? Ramos arregalou os olhos em estado de choque. Correram para o banheiro e Moura pôde ajudar o amigo a decorar o novo texto em inglês. “Lázaro é f…, um ator genial. Até falando tudo errado ele é bom.”

Acatando ordens, chegavam pontualmente às 5 horas, passavam o dia metidos em figurinos aguardando para entrar em cena. Só tarde da noite descobriam que a espera tinha sido em vão. “Ninguém dava explicações.” A dupla era chamada aos berros por “Ralph and Max!” – nome de seus personagens. “Saí desse filme achando que não queria mais fazer cinema. As pessoas maltratavam muito a gente.”

Moura lembra-se de uma cena embaraçosa. Era hora da refeição e todas as mesas estavam ocupadas. Aos vira-latas “Ralph e Max” restava comer em pé, equilibrando pratos e cansaço. Já Penélope Cruz reinava sozinha em uma mesa, ninguém se atrevia a sentar ao seu lado. “Eu vou”, anunciou Lázaro Ramos todo prosa. “Não faça isso, não sente lá”, disse Moura, numa fala mansa. O amigo deu de ombros e anunciou todo confiante: “Penélope é nossa colega de trabalho”. Fazer o quê? A Wagner Moura restou assistir à cena de longe. Foi Ramos sentar-se para a estrela espanhola levantar-se na mesma hora. “Eu perturbei muito ele com essa história.”

Hoje Moura é tratado a pão de ló. Cadeira e mesa não faltam para o ator nos sets de filmagem, tampouco aqui no quarto. Já a comida que pedimos há algum tempo, neca. O assessor de Moura liga à recepção para checar o motivo da demora. Enquanto as guloseimas não vêm, Moura nos serve mais uma porção de prosa.

Logo o ator foi convidado para participar da peça “A Máquina”, dirigida por João Falcão. Assim que pôde, sugeriu o nome de Ramos para completar o elenco. O amigo recusou. “Falei: ‘Velho, puta coisa maneira de se fazer’. Ele chorava, dizia que estava comprometido com o Bando de Teatro Olodum. Eu dizia: ‘Pô, bicho, passei um mês convencendo o diretor a te chamar e agora você vai fazer essa desfeita?’” O amigo acabou por acatar seu conselho. Continue lendo

A denúncia como estilo de vida

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Ariovaldo Ramos

“As vestes de João eram feitas de pêlos de camelo; ele trazia um cinto de couro g e se alimentava de gafanhotos h e mel silvestre.” Mc 1.6

João vestia-se como o profeta Elias, cujo retorno ministerial representava, uma vez que João era cumprimento da profecia de que Elias viria antes, para converter o coração dos pais aos filhos (Lc1.17).

Para além de vestir-se para representar o ministério de Elias, a roupa do Batista era, em si, uma denúncia à usurpação da função sacerdotal.

João, por ser da descendência de Arão, deveria ter sido o sumo-sacerdote, se o tivesse sido só teria podido vestir as roupas apropriadas à sua posição, mas, como as suas roupas estavam, indevidamente, sendo usadas por outro, e ele não poderia vestir roupas comuns, as vestes sacerdotais foram substituídas por roupas feitas de pêlos de camelo.

Por ser o sumo-sacerdote
, João só poderia comer das comidas apropriadas aos sacerdotes, mas a sua refeição sacerdotal estava sendo usurpada por outro, mas, apesar disso, ele não podia comer das comidas comuns, daí, gafanhotos e mel silvestre.

O profeta veio do deserto, onde, provavelmente, vivera protegido pelas comunidades do deserto, até por ser quem era: a voz daquele que estava no deserto; e João, por aquele que estava no deserto, clamou contra toda a usurpação da glória e da casa de Deus.

João nos ensina o caminho do avivamento: começa com a denúncia que exige o arrependimento. João, antes de denunciar com a palavra, denunciava com o seu estilo de vida.

Eis o caminho: andemos nele.

fonte: Blog do Ariovaldo Ramos