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Já se perguntou como funcionam algumas coisas? Seguem 5 Gifs esclarecedores!

Publicado no Infosfera

Existem aquelas coisas que nem pensamos em como devem ser complexos os passos que acontecem para a função acontecer: já que não dependem de nós, às vezes nem refletimos sobre. E mesmo que pensássemos, não tinhamos muitas maneiras de realmente saber como funcionavam. Mas com essa ferramenta maravilhosa que é a internet e essa mídia patinho feio mas muito útil que são os gifs, hoje podemos! Seguem alguns gifs ilustrando como são realizadas certas tarefas que talvez vão te surpreender!

Como uma pistola dispara:

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Como uma chave abre uma fechadura:

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Como o sapato do Michael Jackson funcionava:

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Como Cachorros bebem água:

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Como um rosto humano se forma no ventre:

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dica da Ana Cris Gontijo

Mais de 61 milhões de brasileiros não trabalham nem procuram vaga

140171338Gustavo Patu, na Folha de S.Paulo

Um contingente de 61,3 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais não trabalha nem procura ocupação -e, portanto, não entra nas estatísticas do desemprego.

Trata-se de 38,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE, ou o equivalente à soma do total de habitantes dos Estados de São Paulo e do Rio.

Nos EUA, ainda se recuperando da crise, a taxa é similar, 37,4% -as metodologias, porém, não são as mesmas.

Referente ao segundo trimestre de 2013, o dado brasileiro ajuda a ilustrar como, apesar das taxas historicamente baixas de desemprego, o mercado de trabalho mostra sinais de precariedade.

Mesmo tirando da conta os menores de 18 e os maiores de 60 anos, são 29,8 milhões de pessoas fora da força de trabalho, seja porque desistiram de procurar emprego, seja porque nem tentaram, seja porque são amparados por benefícios sociais.

Esse número supera o quádruplo dos 7,3 milhões de brasileiros oficialmente tidos como desempregados nas tabelas do IBGE -o que dá uma ideia de quanto o desemprego poderia crescer se mais pessoas decidissem ingressar no mercado e disputar vagas.

Os dados sugerem que grande parte dos que estão fora da força de trabalho é dona de casa: 40,9 milhões são mulheres. Entre os desempregados, a proporção de mulheres é bem menor, de pouco mais da metade.

O grau de instrução da maioria dos que não trabalham nem procuram emprego, previsivelmente, é baixo: 55,4% não chegaram a concluir o ensino fundamental.

Mas uma parcela considerável, de quase um quarto do total, inclui os que contam com ensino médio completo ou mais escolaridade.

Considerando toda a população em idade de trabalhar, de 159,1 milhões, as proporções dos grupos menos e mais escolarizados são semelhantes, na casa dos 40%.

MELHORA

A nova pesquisa ainda não permite análise da evolução dos dados nos últimos anos, mas outros trabalhos apontam melhoras na participação feminina e na escolaridade do mercado de trabalho.

Estudo de 2012 do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que mais da metade das mulheres participa atualmente da força de trabalho, ante menos de um terço no início da década de 1980.

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, disse que a pasta ainda está avaliando os resultados da nova pesquisa. Ele ressaltou que não é possível dizer que houve alta do desemprego, já que se trata de nova metodologia.

Sem álcool nem pegação, baladas gospel adotam funk e axé para varar madrugada

balada

Publicado no Último Segundo

Três mil jovens se reúnem para dançar ao som de batidão no Rio de Janeiro até as 6h. Em São Paulo, música eletrônica bomba na pista agitando seis mil pessoas, a maior parte delas com idade entre 16 e 26 anos. As baladas investem também em funk, axé, hip hop, black music e forró. Tudo gospel. Versos como “Graça Maravilhosa” ou um remix de “Paz do Senhor” são entoados pelo público. Eles não rebolam até o chão, não ingerem álcool e, quando formam casais, não podem “se amassar” na pista. A ideia é curtir a noite sem ferir os preceitos cristãos.

Para beber, refrigerante, energético e coquetel sem álcool. Pegação, nem pensar. A equipe da chamada “Operação Desgrude” fica de olho nos casais mais assanhados. “Se beijar, a gente vai lá e separa.” conta o DJ Marcelo Araújo, do Ministério Voz de Deus. Pioneiro deste tipo de balada, ele organiza há 15 anos a Gospel Night, que acontece de três em três meses no Melo Tênis Clube, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. “A proposta é se divertir sem se corromper. Não se embebedar, não ter que dançar até o chão, nem ter que andar com roupa sensual para chamar a atenção de alguém e ter um encontro naquela noite. Não precisa ficar com 500 pessoas na noite só para se animar.”

Passinho do Abençoado

O som é pop e não poupa ninguém. A banda de axé DOPA, por exemplo, foi fundada em 2007 e contou com a produção de um dos percussionistas de Ivete Sangalo. Músicos do Parangolé e Harmonia do Samba também já participaram das gravações do grupo. As letras, no entanto, têm sempre conteúdo religioso. O hit “Vai se converter” traz os versos “Tira onda de crentão/ quem vê pensa que ele é santo” e investe no refrão “Vá se converter/ senão o inimigo envergonha você”.

No funk, um dos hits é o “Passinho Abençoado”, de Tonzão, ex-integrante do grupo Os Havaianos, que aposta na versão gospel da dança: “O mistério é profundo/acho bom ficar ligado/quando ver o pretinho mandando/o passinho do abençoado. Qual é o cumprimento do crente? Paz do senhor”. No mesmo estilo, Adriano Gospel Funk fala de paquera: “A embalagem é bonita/ Mas tenho que analisar/ Se for de Deus, eu abraço/ Se não for, chuta que é laço”. O DJ Emerson MK, de Campo Grande, aposta no eletrônico como meio de conquistar a juventude. Um dos remixes do álbum recém-lançado “Jesus é Vida” traz entre as batidas uma forte crítica ao consumo de drogas ilícitas: “O diabo é maconheiro e o inferno é um gigantesco bagulho aceso.”

“DJ Pastor na área”

Além do cardápio musical gospel, mesa de bilhar, fliperama, torneio de basquete de rua e competição de videogame esquentam a noite na Comunidade Evangélica Crescendo na Graça, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Todo último sábado do mês, o DJ Pastor comanda as picapes há 13 anos, com uma coleção de canções que chega perto dos 4 mil hits nacionais e internacionais.

Quem criou a igreja há mais de dez anos foi o próprio DJ, que atende também por Anderson Dias Barbosa. Ele é de família evangélica, mas se afastou da vida religiosa na juventude justamente para poder sair para dançar. É isso o que ele oferece hoje.

O custo de R$ 5 ajuda a financiar o projeto Rei das Ruas, criado há três anos para ajudar no tratamento de dependentes de drogas que frequentavam a festa – e eram proibidos de consumir drogas no local. Segundo o pastor, mais da metade dos frequentadores não são evangélicos. “A balada não tem o intuito de convertê-los, mas de levá-los a pensar”, diz ele.

“Em um determinado momento, tem uma palavra. ‘Olha bróder, vou falar para você hoje de uma parada, um cara que morreu por você, pela sua mãe’, e acaba atingindo um objetivo nosso que é fazer o cara refletir sobre a palavra de Deus”, conta Barbosa. Depois da pregação, a pista continua aquecida. A festa vai das 23h até as 4h. Para o ano que vem, o plano é organizar a primeira rave gospel, com 22 horas de som sem parar e criar a radioweb Balada Gospel.

Micareta gospel

É também uma igreja que abriga a maior balada gospel do Brasil. Seis mil pessoas participaram da Sky na sede da Renascer, na Mooca, zona leste de São Paulo. A festa rola há seis anos e também agita pistas de Jundiaí e Guarulhos há dois e pode ser levada para o Nordeste. A balada costuma contar com três bandas e tocar todos os estilos. “Nosso foco principal é trazer essa galera que não é evangélica para curtir o evento”, conta Alexandre Ricardo Pereira, um dos organizadores. Este junho deste ano, a Renascer organizou, também na sede da Mooca, a primeira Moocareta, uma micareta gospel que deve ter mais uma edição em 2014.

Críticas

Ainda que haja controle rígido em relação ao consumo de álcool e os próprios frequentadores evitem trajes e danças sensuais, este tipo de evento é alvo de críticas de grupos religiosos e fiéis tradicionais. “Há uma certa repressão. Tem pastores que proíbem os membros de participar”, diz Pereira. Ao ouvir uma crítica, o DJ Marcelo Araújo, do Ministério Voz de Deus, costuma convidar o autor para sua festa. “A gente encara a música como louvor a Deus. Eles passam a olhar com outros olhos quando ouvem as letras. Todas têm mensagens totalmente evangélicas”, conta o pastor Neto Marotti, baixista e líder da banda DOPA. “Vai pecar por quê?”, diz o hit “Quem Ama Espera”, parte da campanha da Renascer contra o sexo antes do casamento.

Não é pornografia, nem vingança: é machismo

Carolina Assis no TransTudo

Querida leitora, querido leitor: você faz sexo? Se você tem mais de 18 anos, eu imagino e espero que sim. E espero que faça bastante, e que seja sexo com muita alegria*. Espero (e recomendo) que você fale sacanagem e exponha os seus desejos, as suas fantasias e as suas vontades aos seus parceiros ou parceiras. E que vocês se satisfaçam e se divirtam muito no processo, e entendam que compartilhar o prazer sexual é uma das coisas mais legais que pessoas adultas podem fazer juntas.

Fran, Julia, Giana e Thamiris fizeram sexo. Se você frequenta os círculos internéticos brasileiros, provavelmente ficou sabendo disso. Elas falaram sacanagem, compartilharam fantasias e registraram a brincadeira em vídeo ou fotos – quem nunca? A onipresença da pornografia e a enorme influência que ela exerce na cultura pop – e em praticamente todo o conteúdo visual que consumimos – acaba modelando nossos desejos e nossa maneira de encarar e de fazer sexo (por isso a necessidade de uma pornografia do bem, como comentamos na Samuel n06). É divertido ser a estrela do seu próprio filme ou ensaio pornográfico. Nem que seja para ver depois e se dar conta de como pode ser ridículo querer reproduzir uma performance pseudo-pornô quando o bom do sexo está justamente na espontaneidade e na autenticidade da coisa.

Pois bem, voltando às moças citadas: nenhuma delas fez sexo sozinha. O curioso é que, enquanto os nomes delas circularam a torto e a direito, as pessoas com quem elas fizeram sexo não foram nomeadas ou consideradas (exceto no caso de Thamiris, que bem fez em dar nome e sobrenome do ex-parceiro). As pessoas com quem elas fizeram sexo eram homens, que depois decidiram expor a intimidade de todas as pessoas envolvidas, divulgando os vídeos e as fotos das mulheres nuas.

“E aí?” A gente pensa. Pessoas ficam nuas, pessoas fazem sexo, e pessoas se filmam e se fotografam fazendo as duas coisas. Ok, talvez nem todas se filmem e se fotografem. Mas quero acreditar que pelo menos o sexo seja uma constante na vida de pessoas adultas. E aí que todas as quatro foram submetidas a um assédio violento e humilhante, por parte de homens e mulheres, que provavelmente não fazem sexo, e, certamente, têm sérios problemas. Problemas que afetam muita gente e que atendem por vários nomes, mas que podem ser resumidos em uma só palavra: machismo.

Machismo: funciona assim. Via Arte Destrutiva

Thamiris conta o que tem vivido nesse corajoso relato. Fran teve que mudar de aparência e parar de trabalhar, e evita sair de casa. Julia, aos 17 anos, e Giana, aos 16, se suicidaram. (“Que desespero viver nesse mundo”, escreveu Clarah Averbuck.) O Fantástico, cheio de boas intenções, produziu uma matéria sobre o assunto, com algumas sugestões sobre como a mulher pode “se proteger” caso decida se filmar fazendo sexo: não revele o rosto, nome ou voz; mantenha, mulher, o vídeo com você, e não o compartilhe com o seu parceiro; e destrua o registro assim que puder. Em nenhum momento a humilhação e a violência a que somente a mulher é submetida nessas situações é questionada. O subtexto é: ai de você, mulher, se o mundo descobrir que você faz e gosta de sexo. Fazer e gostar de sexo é coisa de vadia. Se teu vídeo e fotos se tornarem públicas, você será massacrada, e justamente. A culpa é sua se não tomou as devidas precauções.

Ainda bem que muita gente boa atentou pra isso. O deputado federal Romário (PSB-RJ) é uma delas. Ele apresentou em outubro o projeto de lei 6630/2013 que torna crime a divulgação indevida de material íntimo, e prevê pena de até três anos de detenção para o acusado da divulgação, que também seria “obrigado a indenizar a vítima por todas as despesas decorrentes de mudança de domicílio, de instituição de ensino, tratamentos médicos e psicológicos e perda de emprego”. A lei, infelizmente, não criminaliza o machismo que faz com que mulheres sejam atacadas por fazer e gostar de sexo. Em entrevista, Romário demonstrou estar atento a esse aspecto: “nossa sociedade costuma julgar as mulheres. É como se o sexo denegrisse a honra delas. Os comentários machistas não vêm só dos homens, muitas mulheres criticam as vítimas também. Quando divulgo meu projeto na rede, recebo comentários absurdos apontando a mulher como culpada. Coisas do tipo… ‘se ela se desse o valor, não passaria por isso, que sofra as consequências’ ou ‘mulher direita não se deixa filmar’.”

O projeto de lei do deputado e muitos dos textos sobre os casos citados usam a expressão “pornografia de vingança” ou “pornografia de revanche”, uma tradução do inglês “revenge porn”, para caracterizar os casos em que vídeos e fotos íntimas são divulgadas propositalmente por ex-parceiros. Eu acredito que as palavras são importantes, e insisto: isso não é pornografia. Além disso, na grande maioria dos casos, não há motivo para “vingança” contra a ex-parceira. É, pura e simplesmente, a intenção deliberada de humilhar uma mulher com a velha mas ainda muito viva, danosa, mortal noção de que mulher que gosta de sexo merece ser apedrejada. É machismo – e em breve, espero, crime.

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*”Putaria é sexo com alegria, putaria é quase amor.” Catra, Mr., no imperdível “90 dias com Catra“.

7 coisas que estão acabando e você nem sabia

Ashley Feinberg no GIZMODO

original

Dificilmente passamos um dia inteiro sem ouvir sobre a pressão insustentável que estamos colocando nos recursos naturais. E, enquanto nos vêm à mente imagens de coisas como petróleo, água doce e carvão, a verdade é que muitos outros produtos também estão se esvaindo rapidamente.

Alguns desses produtos podem não ser tão cruciais quanto, digamos, a água potável, mas ainda assim eles são parte de nosso cotidiano. Então, com o Dia de Ação de Graças chegando, vamos parar um pouco para apreciar essas sete maravilhas do mundo moderno. É melhor você aproveitá-las enquanto pode.


Chocolate

chocolate

Chocolate é uma delícia, né? Ele tem um lado bem triste, entretanto: a maior parte do fornecimento de cacau do mundo vem do Oeste da África, onde muitos países ainda têm que combater coisas como trabalho infantil, muitas vezes escravo, e tráfico de crianças; em outras palavras, este é o tipo de trabalho que produz o chocolate que você coloca na sua boca. Mesmo com o trabalho escravo, entretanto, plantar cacau não é financeiramente lucrativo para o fazendeiro africano médio.

Como estas crianças poderiam falar para você, cultivar cacau é um trabalho muito duro. Leva tempo (cada nova safra leva cinco anos para crescer), tem que ser feito manualmente e, ainda pior, tem que ser feito manualmente num calor torturante. E o pagamento final? A fortuna de 80 centavos de dólar por dia — que ficam com o fazendeiro, na verdade. Nesse ritmo, em cerca de vinte anos, o chocolate poderá se tornar um luxo com preços comparáveis ao do caviar. E isso com a continuação do trabalho infantil. Com leis de comércio justo avançando na indústria, ainda que lentamente, e leis sobre o trabalho infantil sendo (justa e corretamente) aprovadas, o preço do trabalho irá subir, fazendo os produtores terem ainda mais prejuízo. O xis da questão aqui é que o chocolate vai ficar caro demais para ser produzido em massa.

Além disso, não dá para transferir a produção da matéria-prima para outras partes do mundo. O cacau só cresce em latitudes a menos de 10 graus da linha do equador — uma área em que estão alguns dos países mais instáveis do planeta. Em outras palavras, é bom aproveitar os seus ovos de páscoa no ano que vem.


Sardinhas

sardinhas

Esta aqui pode não incomodar tanto assim muitos de vocês, mas para os amantes dos peixes oleosos enlatados, o fim do mundo está vindo aí. No mês passado, a frota do Oeste do Canadá de navios caçadores de sardinha voltou ao continente com um total de… zero, nadica de nada. Não são apenas US$32 milhões de sardinhas em potencial que deixaram de ser pescados, mas a perda é um indicativo de um futuro bem perturbador: nós podemos estar a algumas décadas de não haver mais sardinhas nas águas.

As populações de sardinhas tendem a oscilar com a temperatura da água, e estes peixinhos estão se reproduzindo menos desde o resfriamento das águas do Pacífico, ocorrido na década de 1990. A pesca pesada, claro, continuou no seu ritmo, sem atentar a isso. Além disso, qualquer ovo de sardinha pego hoje em dia vem de peixes nascidos a mais de uma década — uma geração de sardinhas que está quase morrendo. Apesar de tudo isso, o Canadá continua aumentando suas cotas de pesca, e os EUA, apesar das limitações que vêm sendo impostas, ainda não diminuíram a quantidade o suficiente para se adequar ao estoque cada vez menor.

Então, o que isso pode significar para as pessoas que adoram esses peixinhos enlatados? Pode levar décadas até as águas se aquecerem o suficiente para trazer de volta nossos amigos do mar.


Tequila

tequila

Em 2007, a produção mexicana do agave-azul (a planta a partir da qual a tequila é feita) já não estava indo tão bem. Vinte por cento da safra foi avariada por doenças, um sinal de que, como notou o Chicago Tribune, os fazendeiros estavam abandonando a colheita pelo mesmo motivo que as fazendas de cacau estão desaparecendo: o custo é muito alto. Cultivar milho é muito mais lucrativo que cultivar agave-azul. Então, o que um produtor faz quando ele quer substituir sua plantação por alguma que dê mais dinheiro? Queima tudo. Sim, ao invés de colher o que já tinham, os fazendeiros decidiram queimar campos e campos de preciosa tequila em potencial.

Mas você não precisa começar a afogar suas mágoas agora; os grandes produtores estão cuidadosamente estocando tequila para a escassez que está por vir. Porque, quando ela finalmente vier, o líquido dourado vai virar ouro líquido — o que não é bom para os consumidores, com certeza. Mas, à medida que fazendeiros independentes virem o preço do agave-azul crescendo, eles começarão a replantar estes mesmos campos em que eles atearam fogo anteriormente.

Claro, depois disso acontecer, ainda leva 12 anos para um agave-azul estar pronto para produzir a frutose necessária para fazer tequila. É melhor você começar o seu estoque. E se você decidir mesmo afogar as mágoas, prefira vodca.


Hélio

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Já inalou hélio para ficar com a voz fininha e dar umas risadas? Valeu, camarada, ajudou bastante. Porque, hoje em dia, precisamos conservar o quanto pudermos de hélio. Você pode não perceber, mas o hélio é um produto altamente necessário no mundo moderno. Tudo, de imãs de máquinas de ressonância magnética a fibras óticas e telas de LCD precisam do elemento (que tem o ponto de ebulição mais baixo entre os materiais existentes na Terra) para funcionar. Sem ele, muito do que nós nos acostumamos a depender vai enfrentar dificuldades.

Mas isso não faz o menor sentido, você pode dizer. Como o estoque de hélio pode estar diminuindo tanto assim, ainda dá para comprar um monte de balões de hélio por aí com qualquer trocado? Bem, você está certo, isso não faz o menor sentido — mas não pelos motivos que você pode estar pensando. Mesmo quando estamos de fato ficando sem esse gás nobre, os Estados Unidos não pararam de vendê-lo muito barato. E, de acordo com o cientista Robert Richardson, da Universidade de Cornell, essa é uma decisão deliberada:

O governo dos EUA construiu uma reserva nacional de hélio em 1925. Ainda hoje, um bilhão de metros cúbicos do gás está estocado num depósito perto de Amarillo, Texas. Em 1996, o Congresso Americano aprovou um decreto determinando que esta reserva estratégica, que representa metade dos estoques de hélio da Terra, deve ser completamente vendida até 2015. Consequentemente, o hélio é tão barato e não é encarado como um recurso preciso.

E, quando ficarmos sem esse estoque, nossa outra opção é recuperá-lo do ar — o que vai custar dez mil vezes o que custa hoje. Então, tente não se lembrar dos milhares de dólares balões que você comprou e deixou escapar por aí.


Vinho

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Somos uma espécie composta por beberrões de vinho. A sede insaciável da humanidade nos colocou numa situação difícil — algo na casa de 300 milhões de garrafas. Claro, há um milhão de produtores espalhados  pelo mundo fazendo 2,8 bilhões de garrafas por ano, mas isso ainda não é suficiente para saciar a sempre crescente demanda por mais vinho.

Na verdade, apesar do crescimento em 1% no consumo global de vinho, a produção caiu mais de 5% no ano passado — a maior queda desde os anos 60. O que é pior é que a produção da bebida na Europa no ano passado despencou mais de 10% — e a região produz cerca de metade do fornecimento anual. Infelizmente, a maior parte do crescimento da indústria está acontecendo graças aos produtores artesanais, que não vão conseguir dar conta da alta da demanda.

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Queijo de cabra

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Em 2010, o Reino Unido passou por um grande surto de febre Q. Isso fez com que mais de 50 mil cabras e ovelhas prenhas fossem descartadas (isto é, removidas da procriação). Alguns criadores decidiram parar completamente a reprodução. Isto já seria um grande problema, mas certamente não ajuda o fato de a demanda continuar a aumentar, mesmo com a oferta diminuindo.

O queijo de cabra é particularmente popular no fim de ano em lugares como a Europa e, recentemente, um parte considerável do planeta parece ter passado a gostar dessa iguaria: a China. Eles querem pagar, e querem pagar muito. Isto está deixando os fornecedores do produto em uma situação difícil. Como disse do The Telegraph George Paul, diretor da fabricante de queijo Bradbury & Son:

Os varejistas irão pagar mais por produtos de cabra ou correr o risco de ficar sem. Um ou outro vai ceder em breve — pode ser o preço ou a disponibilidade.

Então, não se surpreenda se você começar a ver queijos de cabra com preços bem salgados nos mercados por aí — fique feliz por ainda poder encontrá-lo em algum lugar.


Bacon

bacon

Talvez a carne mais amada de todas, o bacon pode deixar muita gente triste em breve. De acordo com a Associação Nacional do Porco –sim, o nome da entidade inglesa é esse mesmo: National Pig Association (NPA)–, uma escassez global de bacon (e outros produtos suínos, a propósito) “é inevitável”. Mas não se culpe por ser guloso ou comilão: há vários fatores contribuindo para o problema com os porquinhos.

A NPA atribui a escassez ao aumento do custo da ração, que pode ser atribuído às fracas safras de soja e milho do ano passado. Mas isso não é só no Reino Unido; esta mesma tendência está se repetindo por todo o mundo. O Departamento de Agricultura dos EUA publicou um relatório em agosto de 2012 que previu precisamente que os criadores de porco iriam reduzir sua produção para minimizar perdas, que poderiam ser grandes, graças à seca do Meio-Oeste Americano de 2012. Além disso, o vírus da diarreia suína epidêmica (PED, de Porcine Epidemic Diarrhea) está matando porcos em 15 estados americanos. E, por enquanto, ainda não há vacina no país.

Claro, isso não quer dizer que o bacon vai desaparecer em breve, mas os preços certamente vão refletir os estoques reduzidos. Então, se você quer economizar, pode ir deixando de pedir um x-bacon na lanchonete.

[CNNThe AtlanticCrackedNew ScientistNew Scientist 2In Search of the Blue Agave,PopSciPlanet IvyThe TelegraphMSN MoneyWired]

Imagens: Shutterstock/Dario Lo PrestiavsnitocspStokkete

dica da Rina Noronha