20 Hábitos que matam uma Igreja

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Publicado por Nelson Costa Jr

“A crítica não tem sobre a psicologia das massas o poder sugestivo que têm as crenças afirmativas, mesmo falsas”.  Olavo de Carvalho

Em si mesma, toda Igreja é neutra ou deveria sê-la; mas o grupo da mesma anima, projeta nela suas chamas e suas demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da Igreja à epilepsia está consumada. Assim nascem as Igrejas de hoje, e suas doutrinas ideológicas sangrentas.

Já alertava o velho Freud: Da mesma forma que ninguém pode ser forçado a crer, ninguém pode ser forçado a não acreditar. Mas será que tais comunidades religiosas respeitam isso, ou anseiam para salvar o mundo?

Fundamentada em sua premissa mística, e no seu desejo de “salvar” – fazer imagem com Deus -, a Igreja rapidamente anuncia, condena, ridiculariza, e extermina preguiçosamente os que pensam diferente dela. Como num jogo de dados, ela apela para uma sorte baseada na condenação, e no seu desejo ilusório de ser provedora de todas as verdades universais, sem considerar quem está ferindo. Em sua futilidade ingênua, troca seu violento discurso por uma defesa sem sentido, e diz que o ataque veio do outro, sem si quer analisar o que pregava antes.

Mas nós sabemos, não?

Logo, como superar essa ignorância?

Bem, se a Igreja realmente respeitasse as Escrituras Sagradas como diz respeitar, faria o seguinte:

“Se, de fato, vocês quiserem fazer o bem, quem lhes fará o mal? Como vocês serão felizes se tiverem de sofrer por fazerem o que é certo! Não tenham medo de ninguém, nem fiquem preocupados. Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm. Porém façam isso com educação e respeito. Tenham sempre a consciência limpa. Assim, quando vocês forem insultados, os que falarem mal da boa conduta de vocês como seguidores de Cristo ficarão envergonhados”. (1 Pedro 3:13-16 NTLH)

Mas como a Igreja não respeita lá esses mandamentos bíblicos, eis vinte hábitos irrelevantes e desnecessários (Nem tanto assim) que aprendi apanhando em minha vida pastoral. Penso se a Igreja gastasse mais tempo com a reflexão interna, talvez estaria numa diferente situação. De qualquer forma, vamos as dicas então:

1 – A necessidade de ganhar: Nossa, os últimos acontecimentos na política religiosa brasileira nos mostra muito bem isso. A igreja esquece de sua função, e passa a ansiar por vitória a qualquer custo – em todas as situações, quando é preciso, quando não é preciso, e quando é totalmente irrelevante.

2 – O hábito de adicionar muito valor: o desejo irresistível do crente de adicionar seus dois centavos em cada discussão teológica é um absurdo.

3 – O hábito de julgar: A Igreja diz não julgar, mas julga. Ele costuma tachar os outros com os seus padrões.

4 – Os destrutivos comentários: O sarcasmo religioso desnecessário é o agente primordial para espantar gente séria. Quantos cristãos já não receberam a seguinte crítica: “Irmão, cuidado para não perder a salvação hein?

5 – O hábito do não, mas, e no entanto: Como a cristandade faz uso desses qualificadores negativos que secretamente interrompe a educação de muitos.

6 – O hábito da inteligência superior: A necessidade de mostrar às pessoas que é a Igreja verdadeira. Que está além do que muitos pensam.

7 – Uso das emoções: O que a Igreja mais gosta é utilizar de volatilidade emocional como uma ferramenta de classificação espiritual.

8 – Negatividade: “Deixe-nos explicar porque você está errado”, muitos crentes costumam pregar – Mesmo quando não foram convidados a expressar o que pensam.

9 – Retenção de informações: O hábito cristão de recusar em dizer que estava errado em sua teologia é algo ridículo. O tal “santo” diz uma coisa durante anos, e de repente, do nada, muda o discurso, mas não admite.

10 – O hábito de não reconhecer: A incapacidade de elogiar ou até mesmo recompensar alguém que saiu da comunidade e cresceu. Quantas histórias amargas são possíveis ouvir por aí de cristãos abusados.

11 – O crédito que não merece: Toda Igreja adora receber crédito pelo que não fez. Condena uma narrativa, e depois toma posse dela como se fosse revelação divina, sem considerar o pesquisador por trás da mesma.

12 – O hábito do excesso de desculpa: Errar é humano, e Cristo ensinou o perdão, mas vem cá, insistir no mesmo erro várias vezes tem limites, certo?

13 – Ignorar o passado: A necessidade da Igreja de desviar a culpa dela mesma, e colocar nos outros, é um hábito que já matou muitos! De forma simples, ela é incapaz de assumir suas responsabilidades ou de reconhecer suas ações negativas – Procure na história.

14 – O jogo dos favoritos: Talvez devido a teoria da predestinação, alguns líderes religiosos possuem o hábito de privilegiar alguns, e tratar injustamente outros.

15 – A falta de lamentação: O orgulho da superioridade salvífica não é bom. Talvez o lamento, de ver o número de pessoas que estão deixando as Igrejas, ajudaria a recompor o lado sagrado dela.

16 – A falta de ouvir : A forma mais passiva (agressiva) de desrespeito para com os de fora da Igreja.

17 – A falta da gratidão: Ninguém é obrigado a nada. É sempre bom reconhecer os feitos que alguém faz por uma comunidade.

18 – Punir o mensageiro: A necessidade equivocada em atacar os inocentes cristãos que estão, talvez de uma forma diferente, tentando ajudar a comunidade a crescer.

19 – O passar da bola: A necessidade de culpar o Mundo, e não o “Deus” que prega.

20 – O Ego: Exaltar as falhas eclesiásticas como virtudes é ridículo. Talvez se as Igrejas gastassem alguns anos analisando o problema do ego, muita coisa se resolveria.

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Catar quer refrigeração a energia solar na Copa do Mundo de 2022

O pequeno país árabe também pretende construir seus estádios com uma tecnologia modular

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Sarah Marsh, no Reuters [via Estadão]

BERLIM – O Catar está se apressando em desenvolver uma tecnologia de refrigeração eficiente e alimentada por energia solar, para instalar em seus estádios e poder fazer frente ao inclemente verão do Oriente Médio durante a Copa do Mundo de 2022, disse um dirigente do comitê organizador à Reuters. Nasser al Khater, diretor de comunicações e marketing do comitê, disse que o pequeno país árabe pretende construir seus estádios com uma tecnologia modular, para que eles possam ser reduzidos depois do torneio, doando as partes excedentes a países com infraestrutura esportiva precária.

Al Khater disse que o rico emirado já tem o primeiro estádio refrigerado do mundo, mas que o sistema é movido a fontes energéticas tradicionais. No Catar, a temperatura pode superar os 40oC nos meses de verão. “Mostramos à Fifa como a tecnologia de refrigeração funciona, estava quente no lado de fora, mas no estádio estava frio, e eles quiseram seus casacos”, disse Al Khater durante visita a Berlim, onde participou de uma conferência empresarial. “Então refrigerar um estádio não é a questão.”

A questão é que o Catar prometeu realizar uma Copa do Mundo neutra em termos de carbono, e por isso está estudando a tecnologia de refrigeração à base de energia solar. Al Khater disse que o país pode criar uma usina solar central, ou ter geradores solares menores instalados em cada um dos 12 estádios em construção. Quando a energia não estiver sendo usada nos estádios, poderá ser incorporada à rede elétrica do país.

Durante a fase de candidatura a sede da Copa, o Catar desenvolveu um pequeno protótipo de estádio alimentado a energia solar, com capacidade para 500 torcedores. Mas o emirado espera desenvolver tecnologias mais eficientes nos próximos nove anos. Muitas personalidades do futebol, como o presidente da Uefa, Michel Platini, já propuseram que a Copa de 2022 seja realizada em dezembro ou janeiro, inverno boreal, quando a temperatura média no Catar é de 17 graus. Habitualmente, as Copas ocorrem em junho e julho, durante o verão boreal. Alterar isso exigiria complicadas mudanças no calendário do futebol.

Mas Al Khater disse que a eventual mudança na data da Copa não afetará o desenvolvimento da tecnologia de refrigeração, já que ela continuará sendo usada no país nos meses de verão. “Independentemente de ser uma Copa do Mundo no verão ou no inverno, estaremos prontos”, afirmou. Ele afirmou também que é cedo para discutir se o consumo e venda de bebidas alcoólicas serão permitidos nos estádios.

Nesse país muçulmano de 1,7 milhão de habitantes, o álcool é legal, mas sob determinadas restrições. “Uma coisa que queremos que as pessoas saibam é que o álcool não é parte da nossa cultura”, afirmou. “E em toda Copa à qual você for as pessoas experimentam a cultura local, suas diferenças e similaridades. Vamos arranjar uma solução que mantenha todos felizes, isso quer dizer certas zonas onde o álcool é permitido, ou outro tipo de arranjo.”

dica do Etewaldo Junior

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Genealogia do fanatismo

Papel de Parede - Distorções Abstratas

Ricardo Gondim

[Eu não conhecia Emil Cioran. Meu amigo Ed René Kivitz recomendou que, dele, eu lesse “Breviário de decomposição” – Editora Rocco. Cioran nasceu na Romênia em 1911, formou-se em filosofia pela Universidade de Bucareste. Seu texto é cru, porém realista; intenso, mas lotado de poesia; por vezes amargo, sem perder-se em rancor.]

Não resisti copiar os primeiros parágrafos do capítulo inicial.

(Grato, parceiro!)

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Genealogia do fanatismo
Emil Cioran

Em si mesma, toda ideia é neutra ou deveria sê-lo; mas o homem a anima, projeta nela suas chamas e sua demências; impura, transformada em crença, insere-se no tempo, toma a forma de acontecimento: a passagem da lógica à epilepsia está consumada… Assim nascem as ideologias, as doutrinas e as farsas sangrentas.

Idólatras por instinto, convertemos em incondicionados os objetos de nossos sonhos e de nossos interesses. A história não passa de um desfile de falsos Absolutos, uma sucessão de templos elevados a pretextos, um aviltamento do espírito ante o Improvável. Mesmo quando se afasta da religião, o homem permanece submetido a ela; esgotando-se em forjar simulacros de deuses, adota-os depois febrilmente: sua necessidade de ficção, de mitologia, triunfa sobre a evidência e o ridículo. Sua capacidade de adorar é responsável por todos os seus crimes: o que ama indevidamente um deus obriga os outros a amá-lo, na espera de exterminá-los se se recusam. Não há intolerância, instransigência ideológica ou proselitismo que não revelem o fundo bestial do entusiasmo.

Que perca o homem sua faculdade de indiferença: torna-se um assassino virtual; que transforme sua ideia em deus: as consequências são incalculáveis. Só se mata em nome de um deus ou de seus sucedâneos: os excessos suscitados pela deusa Razão, pela ideia de nação, de classe ou de raça são parentes da Inquisição ou da Reforma. As épocas de fervor se distinguem pelas façanhas sanguinárias. Santa Teresa só podia ser contemporânea dos autos de fé e Lutero do massacre dos camponeses. Nas crises  místicas, os gemidos das vítimas são paralelos aos gemidos do êxtase… patíbulos, calabouços e masmorras só prosperam à sombra de uma fé – dessa necessidade de crer que infestou o espírito para sempre.

O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma verdade, de sua verdade. Somos injustos com os Neros ou com os Tibérios: eles não inventaram o conceito de herético: foram apenas sonhadores degenerados que se divertiam com os massacres. Os verdadeiros criminosos são os que estabelecem uma ortodoxia no plano religioso ou político, os que distinguem entre o fiel e o cismático.

No momento em que nos recusamos admitir o caráter intercambiável das ideias, o sangue corre… Sob as resoluções firmes ergue-se um punhal; os olhos inflamados pressagiam o crime. Jamais o espírito hesitante, afligido pelo hamletismo, foi pernicioso: o espírito do mal reside na tensão da vontade, na inaptidãoo do quietismo, na megalomania prometeica de uma raça que se arrebenta de tanto ideal, que explode sob suas convicções e que, por haver-se comprazido em depreciar a dúvida e a preguiça – vícios mais nobres do que todas as suas virtudes – , embrenhou-se em uma via de perdição, na história, nesta mescla indecente de banalidade e apocalipse… Nela as certezas abundam: suprima-as e suprimirá sobretudo suas consequências: restituirá o paraíso. O que é a Queda senão a busca de uma verdade e a certeza de havê-la encontrado, a paixão por um dogma, o estabelecimento de um dogma?

Disso resulta o fanatismo – tara capital que dá ao homem o gosto pela eficácia, pela profecia, pelo terror – , lepra lírica que contamina as almas, as submete, as tritura ou as exalta…

fonte: site do Ricardo Gondim

imagem: Internet

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