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Fagner fora da Copa: cantor achou “meio ridículo” convite de Fifa e Globo

Fagner preferiu não cantar em festa da Fifa e torce por protestos criativos e pacíficos

Fagner preferiu não cantar em festa da Fifa e torce por protestos criativos e pacíficos

José Ricardo Leite, no UOL

Andar ao lado de Raimundo Fagner em Fortaleza é quase um teste de paciência. Não, o cantor não tem nenhum problema com a cidade. Pelo contrário. A cada esquina que passa, é um pedido de foto, um cumprimento, uma pergunta, outra saudação, um abraço. O músico, com paciência, atende a todos, como se conhecesse os fãs há tempos. Ouve cada frase e aviso de que um parente é seu fã com um sorriso no rosto.

Na última semana, a reportagem do UOL Esporte caminhou com ele em direção a um evento de inauguração de um campo sintético da cidade. Fagner foi por vontade própria bisbilhotar o que acontecia. Ficou por alguns minutos como um observador na rua. Até que foi reconhecido e virou atração. Não deu outra: o prefeito o chamou para o palanque e a organização o fez sair na foto de inauguração do estádio. Até bateu pênalti e fez um gol antes do primeiro jogo oficial. Só então deixarem que ele fosse embora.

Ele é um dos principais nomes mais famosos da capital cearense. É uma figura importante da música brasileira. E fã incondicional de futebol: ficou até concentrado com a seleção em 1982. Por tudo isso, recebeu convite para ser uma das atrações da Fan Fest, a festa oficial da Fifa em parceria com a Globo, que acontece nas cidades sedes. Aceitou? Não. O cantor preferiu fazer seus shows nas tradicionais festas de São João pelo Nordeste.

“Fui convidado para fazer as Fan Fests e desde o começo recusei. Até porque não gosto de cantar em Copa. E a produção, da Fifa com a TV Globo, acha que o artista está se sentindo muito bem em estar ali, tem até que pagar para estar ali. Achei meio ridículo. As condições que ofereceram, desde novembro, é como se a gente que estivesse querendo ir. Não é esse meu caso. Recusei convite da Fifa, da TV Globo, do governo do estado, da prefeitura. Não quis fazer. Pra mim não é essa visibilidade. Não achei a oferta legal e tem muita gente precisando aparecer. Não me interessei em fazer”, falou o cantor, em entrevista ao UOL Esporte.

Fagner não detalhou o valor da proposta que recebeu, mas disse que nem levou a sério o que ouviu. Pesou, também, o fato de não querer estar atrelado aos meios oficiais da Copa para poder opinar com liberdade. “A proposta que veio eu deletei. Eles é que devem ter interesse em me ter aqui, mas a proposta foi o contrário. E outra: não quero trabalhar dentro desse espírito da Copa. Estou também preocupado com o que pode acontecer. Na Copa das Confederações, fiz um show e veio uma ordem dos movimentos sociais pra não chegarem perto de mim, que não me incomodassem. Não quero passar por essa experiência de movimentos… Não quis estar envolvido. Não foi só pela proposta, que achei desrespeitosa. Agora, também não quis estar aliado e estar trabalhando em eventos da Copa”, explicou.

“A maioria quer saber o que acho. Não quero estar dentro dessa célula e estar envolvido nesse projeto. E as festas de São João sempre fizeram parte da minha agenda. Tenho minhas dúvidas sobre o que vai acontecer nesses eventos (da Copa). Não quis ficar com instabilidade emocional e com preocupação em shows. Quero estar livre pra falar o que acho, mesmo torcendo pra dar tudo certo. Não tenho que ir atrás deles. E achei desrespeitoso acharem que é o artista que tem que participar. É uma tremenda roubada. O que é Fan Fest? Não sei o que é isso. Quem é Fan Fest da Fifa?”.

A Fan Fest  teve seu primeiro evento no Brasil realizado na noite do último domingo, com o cantor Bell Marques como grande atração. A festa oficial da Copa do Mundo é organizada pela Fifa, com as cidades sedes custeando a infraestrutura. A Globo é a incumbida pela produção artística dos shows.

Desejo por reivindicações organizadas

Fagner disse que, se puder e a agenda permitir, assistirá a algum jogo in loco pela sua paixão pelo futebol. Ele diz que o clima no país é instável justo no momento que se realiza a Copa do Mundo e deseja que quem protestar faça isso de uma maneira positiva.

“Foi uma infeliz coincidência de ter a Copa do Mundo em um momento eleitoral e que o país passa dificuldades, todos cobrando muito com manifestações. Ninguém sabe como serão, só que elas virão. E espero que elas tenham pouca interferência dentro do futebol. A coincidência dos dois eventos foi ruim, mas acho que a maioria dos brasileiros vai se envolver com a Copa. Eu gostaria que os manifestantes fizessem uma grande passeata cívica. É uma utopia, mas algo que lembrasse caras pintadas, Diretas Já, que protestassem contra a corrupção ou pelas deficiências que o povo sente. Vou sonhar que a Copa e os movimentos sociais encontrem seus caminhos, não que se colidam”.

“Você não pode nem extrapolar sua alegria se gostar da Copa, fica com medo. Com o futebol sim, fico feliz. Mas quem quer uma coisa mais social não vai deixar passar. Mas quem gosta do futebol… É uma coisa muito bonita, uma grande empolgação. Aqui vai ser palco do mundo inteiro e queria que procurassem uma maneira criativa de mostrar a insatisfação e o que não funciona aqui. Porque a violência não vai levar pra lugar nenhum. O Brasil tem exemplos e que seja criativo pra reivindicações sejam vistas e positivas. Que os movimentos sociais se inspirem na nossa criatividade para verem que o Brasil precisa de socorro”, continuou.

Copa de 82

Fagner fez parte da concentração do histórico time brasileiro que jogou a Copa de 1982, na Espanha, por sua amizade com Zico, Sócrates e outros jogadores. Foi até chamado pelo técnico Telê Santana para participar de um rachão de dois toques um dia.

Lembra, como se fosse um jogador do elenco, da frustração que a derrota para a Itália causou naquele grupo. “Eu vivi o trauma, junto com eles, de não ganhar. O Brasil desembarcou lá com muita alegria. Eu estava no estádio quando perdemos pra Itália. No dia seguinte eu tinha um jogo dos artistas, eu era capitão, e nem consegui jogar. Eu estava dentro daquele grupo e vivi aquela tragédia”, relembrou.

Para a Copa de 2014, Fagner diz ter muita confiança no time brasileiro. “Confio muito no time pra que conduzam o futebol e empolguem a população. Acho que pra todos os times fortes, o favorito é o Brasil. Temos grandes jogadores de meio-campo. No ataque poderíamos ter o Luis Fabiano, um cara guerreiro, é marrento. Lá na frente tem que ter marrento. Sabemos que o Fred resolve na hora H, mas está fisicamente mal. O Oscar é bom, esse menino Willian também. Além do Neymar, grande esperança, e o Hulk, que pode ser o Jairzinho de 1970. É uma máquina de jogar bola. O time está entrosado.”

Rachel Sheherazade desmente boato de que foi afastada da bancada do ‘SBT Brasil’

Jornalista disse pelas redes sociais que está de férias no Nordeste e que volta a trabalhar na próxima segunda-feira

A apresentadora do "SBT Brasil" Rachel Sheherazade Reprodução

A apresentadora do “SBT Brasil” Rachel Sheherazade Reprodução

Publicado em O Globo

RIO — Após a polêmica provocada por um comentário a favor de rapazes que prenderam um assaltante nu em um poste, a âncora do “SBT Brasil” Rachel Sheherazade passou a ser alvo de boatos. O último deu conta de que a apresentadora havia sido afastada da bancada do telejornal. Assídua nas redes sociais, Sheherazade tratou de desmentir a história.

“Mais uma vez desfazendo boatos. Estou de férias e volto à bancada do ‘SBT Brasil’ no dia 14 de abril (segunda-feira)”, postou a jornalista em sua página do Facebook.

Ela também usou sua conta no Instagram para postar fotos de sua viagem pelo Nordeste. Na última quarta-feira ela estava na capital pernambucana:

“Sol e mar do Recife! Matando a saudade do calor domei Nordeste! #tudodebom”

E no último domingo, na Paraíba, seu estado natal:

“Em João Pessoa, terra do sol! Minha terra querida!#sombraeaguafresca”

A assessoria de imprensa do SBT confirma que a apresentadora está de férias desde o dia 31 de março.

Avianca demite piloto que xingou nordestinos

eduardo1Ricardo Gallo, no Senhores Passageiros

A Avianca demitiu o piloto da empresa que, anteontem, após ser mal-atendido em um restaurante de João Pessoa (Paraíba), havia chamado o povo nordestino de “porco”.

A empresa havia sido cobrada nas redes sociais por internautas para tomar providências em relação ao caso. Possivelmente em razão de a postagem ter atingido a imagem da Avianca, veio a demissão.

No final da noite de quinta, depois da repercussão do caso nas redes sociais, o piloto usou o Facebook para pedir desculpas. Ele afirmou que conheceu lugares incríveis no Nordeste e que não é preconceituoso. Disse ter reagido assim após ter sido mal-atendido e de modo desrepeitoso. Por fim, afirma que reagiu de maneira equivocada ao expor a insatisfação em uma rede social.

A seguir, a postagem do piloto:

“Ontem fiz um comentário infeliz, num momento de raiva e insatisfação de atendimento do restaurante em que estava.

Quero esclarecer que não tenho nada contra as pessoas do nordeste, lugar que com frequência fui feliz em escolher para passar os momentos em que não estava trabalhando.

Conheci lugares e pessoas incríveis, fiz amizades que perduram até hoje, sendo prova disso, minha namorada, que conheci em Recife.

Ontem, após um dia que já começou errado resolvendo um monte de questões pessoais, estava faminto e com o horário já apertado para sair para trabalhar e depois de um terrível atendimento que me deixou por mais de uma hora esperando um prato simples, e quando trouxe à mesa, era a refeição errada.

Atenderam-me de forma mal educada, displicente e até mesmo desrespeitosa naquele lugar.

Meu erro foi ter exposto toda a minha insatisfação da maneira errada, usando palavras e expressões incorretas, onde não eu não soube expressar o que realmente senti naquele momento. Sei que o certo seria ter paciência, e no máximo, reclamado com o gerente.

Peço desculpas a quem se sentiu ofendido com minha publicação. Não sou, e nunca tive preconceito de qualquer tipo principalmente com pessoas nordestinas, dos quais muitos são meus amigos.”

O blog vai tentar falar com o piloto.

dica do Ed Brito

Primeira ministra negra da Itália é atingida por bananas em ato de violência racial

Cécile Kyenge, 48, é a ministra italiana da Integração há oito meses; ela vem sendo alvo de racismo desde que assumiu o cargo (foto: Gianni Cipriano/The International Herald Tribune)

Cécile Kyenge, 48, é a ministra italiana da Integração há oito meses; ela vem sendo alvo de racismo desde que assumiu o cargo (foto: Gianni Cipriano/The International Herald Tribune)

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo

Após ser comparada com um orangotango pelo vice-presidente do Senado, Roberto Calderoli, a ministra de Integração da Itália, Cécile Kyenge, de origem congolesa, foi alvo de outro ato de intolerância e desprezo na noite de ontem, quando foi atingida por duas bananas lançadas por militantes do movimento Força Nova, da extrema direita.

Os fatos ocorreram em uma festa do progressista Partido Democrata (PD), o mesmo do primeiro-ministro Enrico Letta, na cidade de Cervia, no nordeste do país, informou neste sábado a imprensa italiana.

Um desses integrantes da Força Nova, que já tinha aquecido o ambiente com uma manifestação na última quinta-feira, lançou duas bananas em direção ao palco em que a ministra discursava, embora sem atingi-la fisicamente.

Sem dar importância ao gesto, Cécile usou o Twitter para comentar o ato. “Com tantas pessoas morrendo de fome por causa da crise é triste desperdiçar comida assim”, afirmou a ministra na mensagem divulgada por sua equipe assistente, a qual confirmou o ocorrido.

Dado o alto nível de crispação gerado na extrema direita em torno da primeira ministra negra da Itália, a polícia estava alerta em relação à possíveis ataques contra Cécile, mas, mesmo assim, não conseguiu evitar essa agressão.

“Havia um grupinho de opositores, mas ninguém viu. Saíram logo em seguida. A ministra não comentou o episódio de modo particular porque é uma pessoa educada”, afirmou os jornalistas Paola de Micheli, do PD, que estava presente no momento do ato.

Um dia antes, na quinta-feira, no mesmo local da festa do PD, militantes da Força Nova também colocaram três bonecos sujos com tinta, que simulava ser sangue, ao lado de panfletos contra o plano do governo italiano de conceder nacionalidade aos filhos de imigrantes nascidos na Itália. Segundo os militantes da extrema direita, “a imigração mata”.

O lançamento de bananas se soma aos últimos episódios ofensivos dos quais a ministra italiana já foi vítima, a começar pelo comentário lançado pela ex-conselheira da separatista Liga Norte, Dolores Valandro, o qual valeu sua expulsão do partido além de uma condenação de 13 meses de prisão e três anos de inabilitação por instigação a atos de violência sexual por motivos raciais.

Na noite do último dia 13, o vice-presidente do Senado, Roberto Calderoli, também da Liga Norte, gerou uma grande polêmica no país ao comparar a ministra negra com um orangotango.

dica do Wanderlan Gomes

Guitarrista do Queen diz que programa The Voice é um insulto à música

Em seu site, May disse acreditar que o reality show não merece qualquer legitimidade e que é “o programa mais deprimente da TV”.

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Publicado originalmente no Rock Nordeste

Parece que o lendário guitarrista do Queen, Brian May, quer mesmo comprar briga com o pessoal da BBC e toda uma legião de fãs do programa The Voice, que aqui no Brasil é conhecido por The Voice Brasil. Em seu site na  internet, May disse acreditar que o reality show não merece qualquer legitimidade e que é “o programa mais deprimente da TV”. A postagem já tem quase um mês que foi feita, mas só agora parece que fez o efeito desejado pela grande mídia britânica.

Outros adjetivos foram dados ao  musical, como “estúpido” e “depressivo”. Ele defendeu ainda que o programa acabe o mais rápido possível, naturalmente, quando as pessoas irão perder o gosto por isso.

“Quando alguém canta ou toca, de verdade, não precisa ficar se esgoelando para tentar persuadir alguém a notá-lo. Basta ter alguma mensagem, emoções sublimes, algo belo que possa ser compartilhado pelo músico com um público, que dá a atenção àquilo que ele acredita merecer”, disse o músico que emendou ainda afirmando que “ é totalmente estúpida a ideia de que alguém possa julgar um cantor virado de costas para ele e perder todo esse contato”.

O The Voice foi lançado originalmente na Holanda e atualmente tem edições em diversos países, inclusive no Brasil. Na atração, os jurados selecionam os candidatos de costas e apenas se viram para os competidores caso aprovem sua performance. Na versão da BBC, o programa é comandado Jessie J  e Will.iam e Tom Jones.

E aê, o que vocês acharam da opinião do virtuoso guitarrista, Phd em astrofísica e reitor da Universidade John Moores de Liverpool? Vocês concordam ou não?

Segue a íntegra da declaração do guitarrista do Queen.

“Desculpe, eu odeio ser negativo – mas eu tenho que dizer isso.

Na minha opinião, o ‘The Voice’ é absolutamente o programa mais irritante, estúpido e depressivo na televisão. É também um insulto à música e aos músicos.

Toda vez que eu vejo jovens cantores arrebentando suas entranhas para tentar conquistar a atenção de alguém, que está grosseiramente sentado de costas para o cantor… eu me sinto enojado.

O programa rebaixa o ato de cantar a um nível de um obstáculo estúpido. Isso não é definitivamente o sentido da música.

Quando alguém canta ou toca, de verdade, não precisa ficar se esgoelando para tentar persuadir alguém a notá-lo. Basta ter alguma mensagem, emoções sublimes, algo belo que possa ser compartilhado pelo músico com um público, que dá a atenção àquilo que ele acredita merecer. A apresentação é tudo que um músico pode oferecer… sua voz, seu som, sua linguagem corporal, sua expressão facial, um contato visual íntimo. É totalmente estúpida a ideia de que alguém possa julgar um cantor virado de costas para ele e perder todo esse contato. Para mim, isso não faz o menor sentido. É totalmente venenoso para o crescimento de jovens músicos.

Eu odeio ver o ótimo  Tom Jones preso nesse cenário, que parece depravar todos a perderem sua dignidade.

Eu espero que esse programa tenha uma morte natural em breve.”